Especialista em segurança empresarial explica conceitos de contrainteligência na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Em seminário na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o consultor Marcelo Pimentel apresentou na tarde desta terça-feira (29/04) estratégias de contrainteligência.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539772173

Deseg Fiesp realiza evento sobre segurança, em parceria com o Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

O tema é um dos ramos da atividade de inteligência empresarial que protege a organização de espionagem, sabotagem e outras ações, para empresários do segmento no evento organizado pelo Departamento de Segurança da entidade em parceria com o Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp).

“É importante pensar em medidas de segurança orgânica com funcionalidade, verificar se as medidas não atrapalham o andamento da empresa”, afirmou o consultor Pimentel.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539772173

O especialista Marcelo Pimentel fala sobre contrainteligência. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Segundo ele, a segurança orgânica de uma empresa envolve desde medidas de prevenção a eventuais casos de sabotagem, espionagem e outras ameaças à corporação. Já a segurança ativa se encarrega de solucionar uma crise gerada por algum tipo de ataque.

“Se a ameaça se torna cada vez mais sofisticada, eu tenho que aprimorar as medidas de segurança da minha empresa”, alertou o consultor.

Pimentel chamou de ações hostis ataques como sabotagem, terrorismo, espionagem, propaganda adversa e desinformação, contrárias aos interesses da organização. Segundo ele, uma maneira de prevenir esse tipo de ação na empresa é a retenção estratégica de informação por meio de treinamento com funcionários que lidam diretamente com o público.

“Monte uma cartilha na sua empresa e distribua para as pessoas da recepção, que atendem PABX, para o departamento de comunicação, setores que lidam diretamente com o público. Isso ajuda a controlar o fluxo dessas informações de maneira a não expor sua empresa”, sugeriu.

Terrorismo

Embora o Brasil não possua uma lei específica contra o terrorismo, Pimentel disse ser necessária a adoção de uma legislação para esse caso, uma vez que, em sua avaliação, essa ameaça é cada vez mais explícita.

“Teremos grandes eventos com visibilidade global que atraem a atenção e também atraem o interesse de grupos terroristas. Essa ameaça pode acontecer num futuro muito próximo aqui no nosso país”, disse.

Lior Lotan diz que segurança para Olimpíadas e Copa do Mundo deve começar nas fronteiras

Odair Souza, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539772173

Lior Lotan, do Instituto Internacional de Contra-Terrorismo

A prevenção a ataques terroristas nos grandes eventos esportivos que o Brasil deve sediar em 2014 e 2016 deve começar nas fronteiras do País, sinalizou o diretor-executivo do Instituto Internacional de Contra-Terrorismo e ex-comandante das Forças de Defesa de Israel, Lior Lotan, em palestra realizada no Congresso de Segurança Brasil São Paulo 2011, nesta segunda-feira (12), na Fiesp.

Lotan alertou para o fato de o Brasil ser conhecido mundialmente como um país que não vivencia atentados dessa natureza. Ele observou que a população brasileira, que ainda desconhece a lógica dos ataques terroristas, poderá ser um grande aliado do sistema de segurança do país, tanto nas Olimpíadas como na Copa do Mundo.

“Não importa que o brasileiro não esteja interessado em práticas terroristas, mas nos preocupa o interesse de terroristas em relação ao Brasil, pelo fato de o País ser a futura sede de eventos que vão envolver milhares de pessoas de diversas partes do mundo. O Brasil vai precisar de uma rede completa de segurança interna, e isso envolve a participação da sociedade”, advertiu o palestrante ao explicar que as manifestações terroristas são em sua maioria de cunho ideológico e instrumental, “principalmente contra os Estados Unidos e seus aliados”.

Ao falar sobre os perigos terroristas na América Latina, Lotam citou países como Venezuela, Bolívia e México como pontos da organização na região, com forte envolvimento iraniano, de influência ideológica e de distribuição de ideias revolucionárias com tendências radicais.

Perfil

O ex-comandante das Forças de Defesa de Israel descreveu as principais características de adeptos de organizações terroristas e locais com mais incidências de ataques:

  • Maioria são solteiros e estudantes;
  • Idade entre 18 e 24 anos;
  • Locais de maiores ocorrências: shopping, parques e eventos que atraem grandes multidões.

Ataques em Israel

Entre 2000 e 2008, foram cometidos 26 mil ataques contra civis e corpo militar israelenses, com 150 atos suicidas e 1.200 mortes, dessas 550 provocadas por 150 ataques suicidas.