‘Fábrica do futuro é automatizada e flexível’, diz especialista no 1º Simpósio das Faculdades de Tecnologia Senai-SP

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Tempo de refletir sobre o futuro. E sobre a união do mundo real com o virtual. Com esse foco, foi realizado, nesta segunda-feira (26/11), o 1º Simpósio das Faculdades de Tecnologia Senai-SP – Informação e Conhecimento. O evento foi sediado no Teatro Sesi-SP, no prédio da Fiesp, em São Paulo.

“Existe uma correta preocupação da indústria de São Paulo com o ensino superior”, afirmou o diretor regional do Senai-SP, Ricardo Terra, na abertura do encontro. “Hoje temos a certeza, pela alta empregabilidade dos nossos alunos, de que estamos no caminho certo”, disse. “Somos a escola da indústria”.

Para Terra, “a melhor forma de prever o futuro é construí-lo”.

Responsável pela palestra magna do simpósio, sobre a “Quarta Revolução Industrial – A Transição e seus impactos”, o engenheiro Luís Miguel Marques de Sá, gerente sênior de Projetos e Produtos da Festo Didactic SE, empresa de automação e consultoria da Alemanha, destacou que “não é preciso temer a automatização do humano” nesse momento de mudança.

“A indústria 4.0 envolve cadeias de criação de valor, unindo o mundo real e o virtual”, disse Sá. “É a tecnologia que vem para ajudar a facilitar a vida”.

O especialista apontou tendências na área como a mobilidade como serviço, os veículos autônomos, a inteligência de softwares em produtos e conexão de três mundos: casa, trabalho e lazer. “Temos os três ligados, não é possível mais separar”, explicou.

Isso sem falar no cuidado com a sustentabilidade e o uso das novas energias, na adoção de novos modelos de negócios e na oferta de serviços novos ou adicionais.

Sá destacou ainda conceitos como a maior flexibilidade nos processos e aumento na eficiência dos recursos, com controle mais eficiente dos procedimentos e aumento na disponibilidade das máquinas. “A implantação da indústria 4.0 é um processo evolutivo que progride em diferentes velocidades nas fábricas e em certos segmentos da indústria”, disse.

Nesse contexto, para o especialista, a fábrica do futuro é “automatizada, flexível e com consumo energético otimizado, um cenário de constante aprendizagem”. “Até um prego a ser colocado tem um sistema de inteligência”, explicou.

Outro ponto importante, segundo Sá, é o foco nas pessoas. “A peça central da indústria 4.0 é a noção de fábrica de aprendizagem inteligente”, disse. “Cada máquina precisa ser capaz de conversar com a outra, a indústria 4.0 muda as exigências feitas aos trabalhadores”.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545141397

Terra: alta empregabilidade dos alunos e compromisso com o ensino superior. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp



Rusticidade e calor humano são apostas para vestuário e couro do Senai Mix Design

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

No que se refere às tendências da moda no país, o elemento natural terra pode ser interpretado como autenticidade, a água pode ser aplicada como mutação, o fogo como calor humano e o ar como onipresença.  Os pesquisadores e criadores do Senai Mix Design associaram esses fenômenos naturais e suas interpretações a estamparias, modelagens, tecidos e cores no caderno de inspirações para primavera-verão 2014/15 produzido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

“A intenção do caderno não é a cópia, mas o desenvolvimento, a criação”, explica Alessandra Lanzeloti, pesquisadora e desenvolvedora do projeto. “É pegar referência e trabalhar misturando”, completou.

Conjunto de cinco livros com macrotendências de comportamento e consumo destinado às indústrias de vestuário, couro, calçados e joias e bijuterias, o Senai Mix Design primavera-verão 2014/2015 oferece a seguinte leitura: os quatro elementos também ditam o mundo da moda nessa estação.

“A gente vai ver muita rusticidade em materiais. Tudo que é da terra tem o seu o valor: cerâmica, grãos, mosaico, artesanato em pedra de sabão. Isso tudo serve de inspiração para produtos”, conta Débora Catelani, que também pesquisou e desenvolveu as direções criativas do material. “Vamos desde o solo do Nordeste até o artesanato em couro, fazemos várias conexões com Cândido Portinari. Isso é reconhecer o que temos como história”, defende.

Palestra sobre tendências para a primavera-verão 2014/2015 no Senai Mix Design. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Palestra sobre tendências para a primavera-verão 2014/2015 no Senai Mix Design. Foto: Everton Amaro/Fiesp


No caso da terra, a autenticidade e o valor às raízes podem ser observados nos tons terrosos, amendoados e caramelo dos tecidos, afirma Alessandra. “A cor terra é a aposta, há os tons magenta, violeta e abóbora, que lida com as questões da herança cultural”, explica ela se referindo, entre outros aspectos, às influências indígenas e africanas.

Segundo ela, os tecidos com aspectos desgastados e estamparias étnicas também assumem um lugar importante na primavera-verão 2014/15. “Estamos falando de um étnico bem global, que mistura influências”, diz.

Alessandra acredita que a proposta de corte das roupas para o próximo verão é algo mais solto. Sobre as cores predominantes, “para os homens é verde oliva e, para as mulheres, os tons terrosos”.

A mutação, associada a ao movimento da água, se traduz no vestuário brasileiro em forma de tecidos com apelo esportivo, com ares futuristas, aspectos tecnológicos. Para os denins, se aplicam as lavagens com manchas.

“Para o feminino, a tendência é uma silhueta assimétrica”, afirma a designer. “A fenda é um ponto importante de um ou dos dois lados. São elementos trazidos para o casual,  tecidos com aspecto emborrachado que têm a aparência da fluidez da água”, explica. Ela acredita que os looks monocromáticos são importantes para o vestuário masculino na próxima primavera-verão.

Já o fogo foi traduzido pelos criadores do Senai Mix Design em calor humano. Alessandra explica que a proposta é acentuar o toque, o aconchego.

“É um universo bem romântico, com cores nude. São tecidos agradáveis ao toque da pele”, afirma. As alusões à pele e às suas imperfeições também fazem parte da proposta. “Os tecidos plissados, amassados lembram as rugas, as imperfeições. Essa visão também rende boas fontes para o desenvolvimento do tecido”.

Para as mulheres, Alessandra acredita que os chamados vestidos-camisola, modelos com alças finas, vão voltar dos anos 1990 com mais força na próxima primavera-verão. Para os homens os tons nude também se aplicam.

A onipresença identificada no elemento ar sugere a mobilidade urbana. Para facilitar o dia a dia nas metrópoles, a sugestão é usar tecidos esvoaçantes, como gramatura leve e modelos com silhueta mais desestruturada, explica ela.

Para o jeans, as lavagens são mais acinzentadas, azuladas e esverdeadas.  As peças com bolsos funcionais e os tecidos inteligentes devem prevalecer para o vestuário masculino.  As mulheres também ganham vestidos estilo T-shirt e saias longas.

Couro

A bolsa saco, ou bolsa estilo Noé, volta à cena, segundo a designer Melissa Bosquê. “Tanto no tamanho médio quanto no tamanho pequeno, é uma modelagem que vai estar muito forte”, afirma a responsável pelo conteúdo do caderno destinado à indústria de artefatos de couro.

A mistura de mais de um tipo de couro nas bolsas assume um papel mais importante na moda para o acessório, acredita Melissa. “Nos dois últimos verões, a bolsa já veio com até quatro cores diferentes e com recortes estratégicos”, lembra. Mas, segundo ela, “agora isso não está tão forte e o que vem com mais força é justamente o tom sobre tom e duas texturas diferentes”, garante.

Ainda em texturas, a tendência para couro gravado com estampa de cobra também é aposta para a próxima primavera-verão. “Pode ter brilho ou não, o maior importante é a estampa de cobra”.

Aplicação no vestuário

O couro também deve ganhar mais espaço em aplicações no vestuário.  Melissa acredita que aplicações de couro vazado em roupas e outros acessórios devem fazer mais sucesso no Brasil, uma vez que são mais leves e mais adequadas para o clima do país.

Embora a tendência de cor na moda internacional seja branco para roupas e acessórios, a designer acredita que a opção deve ser ampliada no caso de vestuário brasileiro.

“Para bolsas, o preto e branco está muito forte, mas, para o nosso verão, outras cores devem ocupar uma maior porte da coleção e acompanhar essa combinação”, afirma.