Impacto do panorama político e econômico no agronegócio é discutido na Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

“Panorama Político e Econômico e suas implicações no Agronegócio Brasileiro” foi o tema da reunião desta segunda-feira (5 de março) do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), com apresentações feitas pela jornalista Natuza Nery, do canal de TV por assinatura GloboNews, e por Rafael Cortez, analista político da consultoria Tendências.

“É o ano mais imprevisível na política em nossa história recente”, afirmou Natuza. A pulverização que se esperava de candidatos não está acontecendo, com a queda de nomes que eram dados como certos. Entre as correntes petistas há uma divisão. O campo mais forte, de centro-esquerda, está batendo cabeça, completamente perdido. Não se sabe qual será o grau de influência de Lula caso ele fique fora da disputa presidencial –e a situação do ex-presidente não é confortável, disse.

A eleição voltou a ficar imprevisível com a [provável] saída de Lula, mas entre os candidatos não surgiu um outsider. Bolsonaro não é. Pode ser na administração, mas não na política. “Esta eleição não virá com alguém que seja um trator em termos de voto.”

Bater no discurso conservador de Bolsonaro, avaliou, não deverá ter efeito, porque a população concorda com essas ideias, especialmente na segurança pública. O combate a ele pode ser bem-sucedido se contestar suas credenciais para governar. O Brasil, disse, não suporta uma nova aventura.

Pesquisas mostram, explicou Natuza, que o eleitor quer votar em alguém experiente, com um passado, e está com medo de dar um tiro no escuro. De agosto para cá, em todas as pesquisas há um desejo do eleitor de estar seguro com seu voto. Daí uma chance de voto conservador, não necessariamente nos costumes.

A tendência, segundo Natuza, é que o Congresso fique ainda mais forte. Depois do impeachment os parlamentares parecem ter se dado conta de que não é tão difícil derrubar um presidente, nem tão traumático. A conclusão de Natuza é que “o novo presidente vai precisar dizer muito mais amém” do que aconteceu no governo Lula. E o próximo presidente deve enfrentar problemas, com a necessidade de aprovar reformas como a da Previdência.

Jacyr Costa, presidente do Cosag, ressaltou da fala de Natuza a necessidade de prestar muita atenção à eleição de deputados e senadores.

“Corrida presidencial e dilemas e reformas” foi o tema da palestra de Rafael Cortez, da consultoria Tendências, especializada em projeções econômicas, que, explicou, variam muito conforme a política.

A eleição deste ano, na avaliação de Cortez, deve ser mais parecida com 2014 do que com 1989, embora ainda dependa da barganha política, que ganhou intensidade nas últimas semanas.

Bons governos tendem a formar sucessores, lembrou. A eleição, explicou, acaba sendo um plebiscito. Governo bem avaliado gera sucessor, e mal avaliado joga para a oposição. E há algo que PT e PSDB fazem com maestria, que é escolher seus candidatos. O eleitor acaba votando no escolhido pelo partido, e isso não deve ser desprezado este ano.

Desde 2010 a terceira força, depois de PT e PSDB, ganhou força. Bolsonaro ou a terceira força terá votos para ir ao segundo turno? A resposta ainda depende da definição de candidatos, mas o PT conserva força, como oposição a um governo mal avaliado.

Há risco de segundo turno com PT ou um candidato de esquerda contra Bolsonaro, por exemplo se houver candidatos de PSDB e MDB, ou mais fragmentado ainda entre a centro-direita, com candidatura também do DEM. Centro-direita é um campo povoado, explicou. Se o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia entrarem na disputa, há chance de embaralhamento.

Há dificuldade de articulação entre os tucanos, mas para esta eleição isso parece ter sido superado. Ainda falta agenda, porque o MDB vem fazendo algo muito parecido com o que o PSDB faria. No PT as dificuldades são Lula e a falta de uma agenda alternativa.

Cortez calcula que haja 70% de chance de vitória da centro-direita, e isso leva o agronegócio a precisar se preparar para um período de estabilidade, com inflação controlada. Num cenário em que o Brasil faz seu dever de casa, deve haver fluxo de investimento externo, porque há muita liquidez no mercado mundial.

O próximo governo, em sua opinião, tem um desafio grande. Países que deram certo foram os que geraram crescimento com canais de distribuição de renda, com conflitos menores. Há uma tensão entre as formas de gerar crescimento e distribuição de renda. Para complicar, o Estado está endividado. O novo governo terá que enfrentar o corte de gastos ou terá que aumentar tributos.

O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex), disse que as eleições deste ano estarão entre as decisões mais importantes da sociedade brasileira nos últimos anos. “Poderá ser um divisor de águas”, afirmou, com implicações para as futuras gerações. A análise, em sua opinião, só poderá ser feita a partir de abril, quando ocorre a desincompatibilização. “Não vamos ter outsiders. Deverá haver uma polarização entre duas visões, uma que contesta o que aconteceu nos últimos dois anos e outra que quer continuidade sem continuísmo.” Barbosa destacou que o crescimento previsto para este ano deverá mudar ao longo do ano a sensação da população.

Entre os integrantes da mesa principal da reunião estavam também o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues e o deputado estadual Itamar Borges.

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Reunião do Cosag que teve como tema Panorama Político e Econômico e suas implicações no Agronegócio Brasileiro. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Senai Mix Design: Bem-vindos ao outono-inverno 2016

Isabela Barros

Bem-vindos ao outono-inverno de 2016. Entre os designers e especialistas em moda do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), a temporada de frio do próximo ano já inspira tendências variadas, referências a serem trabalhadas pela indústria para chegar às vitrines mais adiante. Assim, para ajudar quem produz, a instituição lançou, nos dias 01 e 02 de julho, o projeto Senai Mix Design. A iniciativa incluiu palestras, apresentações de empresas, oficina e o lançamento da publicação Direções Criativas para o Outono-Inverno 2016.

O Senai Mix Design divulga informações de moda e tendências de comportamento e consumo para os setores de vestuário, calçados, botas, joias folheadas e bijuterias. Para levantar esses dados, foram realizadas visitas a feiras internacionais, análise de relatórios de agências especializadas e monitoramento de jornais, sites e revistas, entre outros meios de comunicação.

De acordo com a designer e consultora Andressa Campideli, da Escola Senai “Francisco Matarazzo”, no Brás, na capital paulista, o tema central das referências para a próxima temporada de frio é “paradoxos”. Já as chamadas direções criativas, ou seja, as tendências em si, são divididas em três grupos: “medo encantado”, “ficção realista” e “coletivo particular”.

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Oficina do Senai Mix Design em São Paulo: tendências para orientar a indústria. Foto: Divulgação


O “medo encantado” envolve peças românticas, leves, mas com um certo ar sombrio. Como isso pode virar realidade nas lojas? A partir de roupas com bordados ou padronagens florais, mas com fundo escuro, por exemplo. E, conforme Andressa, “uma certa dramaticidade”. “Teremos muitas pregas, laços, golas altas. Tudo com um toque vitoriano”, explica. Entre as cores de referências estão nude, vinho e azul escuro.

Já a “ficção realista” une “tecnologia e tradição”. “A androginia é chave para entender o que vai fazer sucesso no próximo outono-inverno”, diz Andressa. “As roupas vão além dos gêneros, com peças de alfaiataria para mulheres”, afirma. “O toque feminino fica por conta de um cinto, um detalhe, por exemplo”. Cores para esse grupo de tendências? Azul mais claro, cinza e verde intenso, entre outras.

Fechando as direções criativas, o “coletivo particular” discute a noção do “coletivo que fortalece o individual”. “Aqui entra em cena a liberdade de expressão nas roupas”, diz Andressa. “E isso com muita influência dos anos 1960 e 1970, com experimentações estéticas”. Nesse item, as cores predominantes são aquelas mais vivas, como verde e coral.

Segundo Andressa, empresários do setor têxtil podem se inspirar nas três direções criativas e suas características para pensar no que produzir. “Uma boa dica é pensar num balanço dessas três referências, avaliar com quais dela as marcas mais vão se identificar”, afirma.

Quer saber mais? Essas e outras informações estão disponíveis no caderno produzido pelo Senai Mix Design, que pode ser adquirido no site do projeto: http://mixdesign.sp.senai.br

Além disso, é possível conferir, no portal, quando a iniciativa chegará a outras cidades do estado de São Paulo. Estão previstas palestras em Americana, Limeira, Franca e Jaú.

Diferenciais podem estar nos detalhes, defendem designers do Senai Mix Design

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Se o fabricante produz 50 modelagens, que aumente esse número para 54, mostre quatro produtos diferenciados e ofereça-os aos poucos para o mercado, orienta a designer de artefatos de couro e instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Melissa Bosquê.

Ela é uma das autoras do box Senai Mix Design Outono/Inverno 2015, formado por quatro livros que reúnem tendências e inspirações para os setores de vestuário, artefatos de couro, calçados e joias folheadas e bijuterias.

“É difícil sair da cópia porque, quando o empresário vai vender, as pessoas já estão querendo o que está na tendência e ele sente a necessidade de seguir esse parâmetro”, reconhece Melissa. “Mas é possível ganhar o volume de dinheiro com o que o mercado está pedindo e, em paralelo, fazer algumas experiências”, complementa.

Melissa destaca que as empresas que têm mais liberdade para sair dessa opção são as que atuam em segmentos específicos.

Melissa: desafio de inovar sem perder o foco no mercado. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Melissa: desafio de inovar na produção sem perder o foco no mercado. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


“A gente conhece uma empresa que fabrica bolsas para cinegrafistas. Ela atende o pessoal que trabalha em TV, portanto não tem muito concorrente e consegue sair mais da tendência”, conta. “Agora quem trabalha com a bolsa para moda precisa fazer realmente o que o mercado aceita, mas sem deixar de ter diferenciais. Se você tem 50 peças, faça 54 e mostre quatro opções diferenciadas”, orienta a designer.

Questão de estilo

O desafio de sair da cópia também se aplica ao setor de semi joias e bijuterias finas. Na avaliação da designer e também autora do Senai Mix Design Maysa Neves Pimenta, o conforto de copiar ainda se sobrepõe ao desafio de criar.

“Não só no setor da joia, mas em todos os setores é muito mais cômodo olhar o que lançou na novela, no desfile e copiar. É importante acreditar no trabalho do designer e ter isso como um norteador, ter a visão de que a marca precisa ter um direcionamento e estilo”, defende.

Embora defenda a independência criativa do fabricante, Maysa ressalta a importância do equilíbrio entre tendência global e o viés da cultura local para emplacar um produto no mercado.

“Não é só uma questão de tendência de moda, mas de consumo. Então pode ser um produto totalmente autoral, mas ele tem de ter uma carinha do que está sendo traçado internacionalmente, caso contrário ele não está inserido no mercado”.

Sustentabilidade

Referência de moda e comportamento, a produção e o consumo sustentáveis de vestuário e acessórios também podem ser aplicados à realidade dos fabricantes de pequeno porte.

A designer Melissa alerta, no entanto, para que a mudança de hábito da empresa ocorra aos poucos. “Não adiantar levar a fábrica de ponta cabeça. O negócio é fazer inovação com uma linha pequena de produto com matéria-prima 100% orgânica e testar a reação dos clientes. Depois ele [empresário] pode investir mais no processo inteiro”, orienta.

Para micro e pequenas empresas

Os cadernos de inspirações do Senai Mix Design Outubro/Novembro – 2015 são voltados para a empresa de micro e pequeno porte, afirma Melissa Bosquê.

“O empresário grande sai para pesquisa, eles estão nas feiras de matéria-prima, têm equipes próprias para esse trabalho. O box é mais um material que ele consegue. Para a pequena e micro empresa, é um material essencial, com todas as informações compiladas para que ele as use no dia-a-dia”, explica a designer.

Há uma preocupação da equipe do Senai Mix Design, segundo Melissa, em adequar as tendências encontradas nas feiras e nos desfiles fora do país para a realidade do consumidor brasileiro. “A gente traz tudo o que viu de matéria-prima em feiras e desfiles lá fora como filtro para o Brasil”, conta.

A designer de joias, Maysa Neves Pimenta, pensou até no empresário que fabrica suas peças sozinho enquanto elaborava o caderno de joias folheadas e bijuterias finas. “Eu enxergo o Senai Mix Design como um orientador para que essas pessoas desenvolvam produtos com diferencial e não tenham que brigar só pelo preço, mas ter seu lugar no mercado com identidade de marca”, garante.


Senai Mix Design apresenta tendências de moda e estilo para a indústria

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Uma tendência minimalista, que prima pela reaproximação do indivíduo com a natureza e se reflete em tons terrosos e acabamento fosco para as peças de couro e materiais como madeira reciclada para as semi joias e bijuterias. Essas e outras inspirações foram apresentadas para empresários e profissionais da indústria de artefatos de couro e de semi joias na noite desta quarta-feira (30/07).

A iniciativa faz parte do projeto Senai Mix Design Outono/Inverno – 2015, que envolve um box com um compilado de direções criativas que, a partir de pesquisas das principais tendências globais, apresentam referências de moda e estilo para a indústria.

Segundo a designer Melissa Bosquê, instrutora de artefatos de couro do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), verifica-se uma tendência global muito forte para uma fuga ao imaginário, ao mundo da fantasia.

“É um mundo romântico, com muitos detalhes, mas também muito sombrio. A gente vai ver muito preto e tons mais fechados, como o vinho”, afirmou Melissa ao apresentar a cartela de cores para os artefatos de couro.

Camurças e napas

Os materiais que devem ser mais usados, segundo a designer, são as camurças e napas de pelos bovinos e caprinos. “Como o nosso inverno é menor que o europeu, temos que ter o cuidado de usar os pelos apenas nos detalhes da peça, num punho da jaqueta, por exemplo”, alertou.

Para o fabricante de bolsas, a dica da designer é apostar em muitas aplicações em uma mesma peça. A regra do uso de pelos bovinos e caprinos, nesse caso, é um pouco diferente. “Nesse caso a bolsa pode ser pequena e toda de pelo”.

Os recortes assimétricos para vestuário de couro devem ser predominantes. “A saia rodada também vai ser bastante vista”, disse. “Mas pode explorar a saia plissada também, embora essa seja mais cara para fazer”.

Sem brilho

Melissa explica que as peças sem brilho, com poucas aplicações, sobretudo de metal, e jaquetas com mangas mais ajustadas devem agradar aos que seguem a tendência minimalista. “Para as bolsas, acreditamos que devem ser exploradas os modelos satchel ou sacola”, disse.

Outra inspiração criativa elaborada pela design é o conceito experimental, o qual acena para a experiência com novas misturas, potencializadas pela tecnologia. “Nessa direção há uma necessidade de criação, o aspecto tecnológico também está muito presente. Há um apelo artístico, de colocar o seu olhar”, orientou Melissa.

Todas as inspirações apresentadas por Melissa estão mais detalhadas no box do Senai Mix Design. Mas algumas dicas apresentadas pela designer já alcançaram pessoas como Kelly Cristina Cavani, assistente comercial de uma fabricante de brindes em couro e sintético.

Kelly: materiais e texturas aplicados à produção de brindes. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Kelly: materiais e texturas aplicados à produção de brindes. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“Minha área é de confecção de brindes para fabricantes de cosméticos, a gente produz estojos e necessaires para maquiagens. Vamos conseguir aplicar alguns tipos dos materiais e texturas que foram apresentados”, contou Kelly Cristina logo após a apresentação do novo catálogo.

Um recomeço

A designer de joias Maysa Neves Pimenta, instrutora no Senai de Limeira, também apresentou as inspirações do próximo outono/inverno para o mercado de joias folheadas e bijuterias.

Para os temas que remetem ao minimalismo e à natureza, a frente deve ter materiais de madeira reciclada ou com aspecto ecológico, com banhos em prata e ouro. “O MDF com corte a laser também pode ser usado, dá um aspecto rústico e tem baixo custo”.

Os banhos em prata e materiais acrílicos em diversas formas e cores traduzem o conceito da tendência experimental para as semi joias e bijuterias. Já os banhos e ouro e ródio negro, além de materiais como pérolas, pedras preciosas, cristais e tecidos expressam a chamada vertente surreal do trabalho.

As direções criativas de Maysa foram de encontro com a fase de recomeço de Sandra Regina Gonçalves de Oliveira Bento, de 56 anos. Ela é uma empresária de semi joias e bijuterias finas que tenta retomar as atividades de sua oficina.

Em 2008, Sandra iniciou uma cooperativa virtual de design de bijuterias finas com ao menos 12 artesãs de estados diferentes. “A gente fez nossa primeira coleção em 2008, tudo feito à distância. Isso deu certo durante um tempo, mas, era uma questão de logística, elas moravam muito longe”, relembrou Sandra.

Sandra: recomeço a partir das tendências apresentadas pelo Senai Mix Design. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Sandra: recomeço a partir das tendências apresentadas pelo Senai Mix Design. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Antes de o projeto ser desfeito em 2011, Sandra chegou a expor as peças da cooperativa em feiras no interior e na capital de São Paulo. Algumas chegaram a ser exportadas. Agora sem as artesãs, Sandra se prepara para retomar seu negócio.

“A minha oficina está lá eu quero continuar com a empresa em uma nova cara, o meu forte mesmo vai ser a bijuteria fina com couro e pedras. Estou me preparando para recomeçar com uma visão mais profissional”, garantiu.

Rusticidade e calor humano são apostas para vestuário e couro do Senai Mix Design

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

No que se refere às tendências da moda no país, o elemento natural terra pode ser interpretado como autenticidade, a água pode ser aplicada como mutação, o fogo como calor humano e o ar como onipresença.  Os pesquisadores e criadores do Senai Mix Design associaram esses fenômenos naturais e suas interpretações a estamparias, modelagens, tecidos e cores no caderno de inspirações para primavera-verão 2014/15 produzido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

“A intenção do caderno não é a cópia, mas o desenvolvimento, a criação”, explica Alessandra Lanzeloti, pesquisadora e desenvolvedora do projeto. “É pegar referência e trabalhar misturando”, completou.

Conjunto de cinco livros com macrotendências de comportamento e consumo destinado às indústrias de vestuário, couro, calçados e joias e bijuterias, o Senai Mix Design primavera-verão 2014/2015 oferece a seguinte leitura: os quatro elementos também ditam o mundo da moda nessa estação.

“A gente vai ver muita rusticidade em materiais. Tudo que é da terra tem o seu o valor: cerâmica, grãos, mosaico, artesanato em pedra de sabão. Isso tudo serve de inspiração para produtos”, conta Débora Catelani, que também pesquisou e desenvolveu as direções criativas do material. “Vamos desde o solo do Nordeste até o artesanato em couro, fazemos várias conexões com Cândido Portinari. Isso é reconhecer o que temos como história”, defende.

Palestra sobre tendências para a primavera-verão 2014/2015 no Senai Mix Design. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Palestra sobre tendências para a primavera-verão 2014/2015 no Senai Mix Design. Foto: Everton Amaro/Fiesp


No caso da terra, a autenticidade e o valor às raízes podem ser observados nos tons terrosos, amendoados e caramelo dos tecidos, afirma Alessandra. “A cor terra é a aposta, há os tons magenta, violeta e abóbora, que lida com as questões da herança cultural”, explica ela se referindo, entre outros aspectos, às influências indígenas e africanas.

Segundo ela, os tecidos com aspectos desgastados e estamparias étnicas também assumem um lugar importante na primavera-verão 2014/15. “Estamos falando de um étnico bem global, que mistura influências”, diz.

Alessandra acredita que a proposta de corte das roupas para o próximo verão é algo mais solto. Sobre as cores predominantes, “para os homens é verde oliva e, para as mulheres, os tons terrosos”.

A mutação, associada a ao movimento da água, se traduz no vestuário brasileiro em forma de tecidos com apelo esportivo, com ares futuristas, aspectos tecnológicos. Para os denins, se aplicam as lavagens com manchas.

“Para o feminino, a tendência é uma silhueta assimétrica”, afirma a designer. “A fenda é um ponto importante de um ou dos dois lados. São elementos trazidos para o casual,  tecidos com aspecto emborrachado que têm a aparência da fluidez da água”, explica. Ela acredita que os looks monocromáticos são importantes para o vestuário masculino na próxima primavera-verão.

Já o fogo foi traduzido pelos criadores do Senai Mix Design em calor humano. Alessandra explica que a proposta é acentuar o toque, o aconchego.

“É um universo bem romântico, com cores nude. São tecidos agradáveis ao toque da pele”, afirma. As alusões à pele e às suas imperfeições também fazem parte da proposta. “Os tecidos plissados, amassados lembram as rugas, as imperfeições. Essa visão também rende boas fontes para o desenvolvimento do tecido”.

Para as mulheres, Alessandra acredita que os chamados vestidos-camisola, modelos com alças finas, vão voltar dos anos 1990 com mais força na próxima primavera-verão. Para os homens os tons nude também se aplicam.

A onipresença identificada no elemento ar sugere a mobilidade urbana. Para facilitar o dia a dia nas metrópoles, a sugestão é usar tecidos esvoaçantes, como gramatura leve e modelos com silhueta mais desestruturada, explica ela.

Para o jeans, as lavagens são mais acinzentadas, azuladas e esverdeadas.  As peças com bolsos funcionais e os tecidos inteligentes devem prevalecer para o vestuário masculino.  As mulheres também ganham vestidos estilo T-shirt e saias longas.

Couro

A bolsa saco, ou bolsa estilo Noé, volta à cena, segundo a designer Melissa Bosquê. “Tanto no tamanho médio quanto no tamanho pequeno, é uma modelagem que vai estar muito forte”, afirma a responsável pelo conteúdo do caderno destinado à indústria de artefatos de couro.

A mistura de mais de um tipo de couro nas bolsas assume um papel mais importante na moda para o acessório, acredita Melissa. “Nos dois últimos verões, a bolsa já veio com até quatro cores diferentes e com recortes estratégicos”, lembra. Mas, segundo ela, “agora isso não está tão forte e o que vem com mais força é justamente o tom sobre tom e duas texturas diferentes”, garante.

Ainda em texturas, a tendência para couro gravado com estampa de cobra também é aposta para a próxima primavera-verão. “Pode ter brilho ou não, o maior importante é a estampa de cobra”.

Aplicação no vestuário

O couro também deve ganhar mais espaço em aplicações no vestuário.  Melissa acredita que aplicações de couro vazado em roupas e outros acessórios devem fazer mais sucesso no Brasil, uma vez que são mais leves e mais adequadas para o clima do país.

Embora a tendência de cor na moda internacional seja branco para roupas e acessórios, a designer acredita que a opção deve ser ampliada no caso de vestuário brasileiro.

“Para bolsas, o preto e branco está muito forte, mas, para o nosso verão, outras cores devem ocupar uma maior porte da coleção e acompanhar essa combinação”, afirma.

Senai Mix Design tem site com informações sobre tendências para a indústria

Agência Indusnet Fiesp

Você já viu o novo site do  Senai Mix Design? A iniciativa consiste na apresentação de inspirações e tendências para os setores de vestuário, calçados, artefatos de couro, joias folheadas e bijuterias. Trata-se de um projeto desenvolvido pelas unidades especializadas nas áreas relacionadas e publicado pela Senai-SP Editora.

Assim, para saber o que vai chamar a atenção dos consumidores nas próximas temporadas, vale ficar de olho nas dicas apresentadas.

Todas as informações estão organizadas no chamado Box. O material é formado por cinco cadernos. Um deles é direcionado para as macrotendências e comportamentos de consumo, sendo chamado de Direções Criativas. Os outros quatro são voltados para cada setor da cadeia, com informações e aplicações específicas, sempre considerando o mercado brasileiro. Tudo ilustrado com imagens de inspiração, texturas e cores. Um guia para produções futuras que pode ser adquirido pelo site.

E isso não é tudo: o portal traz ainda a agenda de lançamento da publicação, sempre acompanhado de palestras e oficinas de especialistas. Vale a pena conferir, só clicar aqui.

Sesi Catumbi apresenta alternativas de moda sustentável

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Leticia Diniz: 'Na moda não há um parâmetro correto para o gerenciamento dos impactos ambientais'. Foto: Helcio Nagamine

Aumentar o tempo de vida útil dos insumos têxteis, adaptando as peças com a inclusão de cores, aviamentos e pedrarias que sejam compatíveis com as tendências da moda. Esta é, na avaliação da designer de moda Letícia Diniz, uma das alternativas que contribuirá para o consumo consciente e, também, para a sustentabilidade do planeta.

O tema foi discutido durante o seminário Sesi-SP Cria Moda Sustentável, realizado nesta terça-feira (13/11) no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso com a participação de cerca de 120 estudantes do ensino médio da unidade do Sesi Catumbi, em São Paulo.

De acordo com Letícia, o ser humano descarta em média 24,5 quilos de roupa por ano, o que, no seu entendimento, compromete a sustentabilidade do planeta, tendo em vista que uma peça de poliamida (mais conhecida como elastano), por exemplo, demora em média 30 anos para se decompor.

“Na moda não há um parâmetro correto para o gerenciamento dos impactos ambientais”, observou a designer, ao enfatizar o aumento da preocupação dos consumidores com o impacto que determinado produto pode ocasionar ao meio ambiente.

Como exemplo, Letícia apresentou cases de indústrias que adotam práticas sustentáveis no processo de produção.

“O comércio justo visa isso [sustentabilidade], uma abordagem do consumo interligado à postura ética adotada durante todas as etapas do processo de produção”, destacou. E completou: “Quando a gente escolhe uma camiseta made in Brasil, a gente está dando emprego para o cidadão daqui, auxiliando no desenvolvimento do design e da indústria têxtil nacional”.

Empresário consciente

O gerente de resíduos têxteis do Sindicato das Indústrias Têxteis do Estado de São Paulo (Sinditêxtil-SP), Sylvio Tobias Nápolis Júnior, apresentou o projeto Retalho Fashion – iniciativa promovida pelo Sinditêxtil, que promove a coleta de resíduos têxteis das confecções instaladas no bairro do Bom Retiro.

Segundo ele, o material é utilizado por comunidades de catadores da região na confecção fios, forração de automóveis, tecidos, tapetes, sacolas de supermercados, bolsas e roupas.

“Os empresários precisam ter uma mudança de postura. O Brasil não dá valor a nenhum recurso natural. A gente desperdiça água, energia elétrica e todos os recursos naturais”, afirmou.

Nápolis Júnior acredita que o projeto Retalho Fashion é uma resposta antecipada do setor às regras da Politica Nacional de Resíduos Sólidos, que entrará em vigor para as empresas do setor têxtil a partir de 2014.

“Se as empresas não se adaptarem a dar um destino perfeito ao descarte de material, serão multadas. Por isso, é muito importante que estas empresas se preparem”, salientou.

O seminário foi encerrado com a apresentação da 2ª edição do Desfile Eco-Literário, com peças confeccionadas pelos alunos do ensino médio do Centro de Atividades (CAT) do Sesi Catumbi, a partir de conceitos como ecologia, arte, moda, literatura e sustentabilidade.

Exposição apresenta know-how de escola do Senai especializada em artefatos de couro

Agência Indusnet Fiesp

Senai Artefatos de Couro está presente na exposição "A evolução das bolsas e acessórios femininos". Foto: divulgação

Senai Artefatos de Couro está presente na exposição "A evolução das bolsas e acessórios femininos". Foto: divulgação

Quem passar pelo shopping Frei Caneca, na região da Consolação, em São Paulo, tem a chance de ver a exposição “A evolução das bolsas e acessórios femininos”, realizada em parceria com o Senai Artefatos de Couro.

A mostra, aberta até o dia 30 de setembro, apresenta 13 modelos de bolsas que ilustram a evolução deste acessório que está presente no guarda-roupa feminino, com modelos fabricados durante a década de 1910 até os dias de hoje. Para este evento, os profissionais do Senai-SP produziram cinco modelos de bolsas com as tendências da coleção Primavera/Verão 2013.

Os modelos são exibidos por décadas e reúnem características de cada época – de bordados de pedras com cores fortes e vibrantes até tons mais neutros e minimalistas.

“O objetivo da exposição não é somente apresentar a moda passado em bolsas e acessórios, mas principalmente divulgar o trabalho realizado pela unidade junto à indústria”, explica Renato Daracdjian, diretor da Escola Senai Maria Angelina Vicente de Azevedo Franceschini.

A escola, de acordo com Daracdjian, conta com o único laboratório de ensaios mecânicos credenciado pelo CGCRE e está habilitada para a realização de ensaios laboratoriais de matérias-primas e de produtos acabados para sofás, bolsas, calçados, bancos automotivos, necessaires para indústria cosmética, cintos, dentre outros.

“Nossa unidade de artefatos de couro é referencia mundial na qualificação de profissionais do segmento, no desenvolvimento estratégico do design como diferencial de moda”, observa Daracdjian.

Serviço
Exposição “A evolução das Bolsas e acessórios femininos”
Visitação até 30/09/12, de segunda a sábado, das 10h às 22h. Domingos e feriados das 12h às 20h
Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569, Consolação São Paulo
Entrada gratuita