É preciso utilizar o tempo livre em práticas esportivas e na formação da pessoa

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

“O tempo livre é um container a ser preenchido”, disse Geoffrey Godbey, da Penn State University (Estados Unidos), professor e consultor, ao tratar do tema Instalações de Esporte e Lazer para Todos, na continuidade dos trabalhos do Cydir – 2° Encontro Ibero-Americano de Instalações Esportivas e Recreativas realizado na Fiesp.

Godbey criticou o sedentarismo e o fato de o homem ser cada vez mais espectador em jogos esportivos. Ele defendeu a formação de um cidadão complexo, capaz de responder a diversas ações. E lembrou a frase ouvida certa vez de um técnico brasileiro: “Não é dar o que as pessoas querem, mas sim o que podem aprender a querer”.

O professor citou um caso de sucesso ocorrido na Filadélfia, quando afro-americanos passaram a praticar tênis ao invés do basquete, exemplificando a importância do espelhamento, ou seja, perceber que aquela modalidade esportiva também era apropriada para si mesmo.

Em termos de inclusão, alertou o quanto é fundamental incluir as mulheres nas atividades e por dois bons motivos. Primeiro, elas são cada vez mais presentes nas universidades e no mercado de trabalho. E, em segundo lugar, geralmente levam o marido para as práticas físicas. A atenção também deve se voltar os mais idosos, pessoas portadoras de necessidades especiais e minorias.

Envelhecimento populacional

O convidado internacional questionou se os países realmente se preparam para o futuro, quando a população será majoritariamente idosa e precisará preservar a mobilidade e independência.

Assim, as instalações e práticas esportivas e de lazer para todos deveriam ser reposicionadas como um serviço de saúde não só em função do envelhecimento, mas também devido à obesidade, ao sedentarismo, tabagismo, uso de drogas ilegais e Aids.

Quanto aos jovens, revelou que a média norte-americana é de 40 horas semanais em frente a algum tipo de tela – computador, TV, celular –, por exemplo, esquecendo-se a importância de brincar com parentes e vizinhos.

“O lazer se dá cada vez mais de forma individualizada. Somos escravos da mídia eletrônica, apesar de se pregar uma revolução no campo do conhecimento”, avaliou.

Para encerrar, o especialista em esportes defendeu a epigenética – ciência que estuda a remodelação dos genes em função do comportamento humano em seu dia a dia.

Nesse sentido, o “bem-estar” incorpora o psicológico, intelectual, social e espiritual, bem como o físico. “Quem ajuda o próximo e mantém o bom humor celebra mais a vida”, encerrou.