Construtor de telescópio de R$ 4,6 bilhões apresenta na Fiesp oportunidades para a indústria

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Vai ser o maior telescópio do mundo, com o espelho principal com 39 metros de diâmetro, ao custo de 1,125 bilhão de euros (R$ 4,6 bilhões). E as indústrias brasileiras têm a possibilidade de se tornar fornecedoras do projeto. Só que precisam comprovar a capacidade de atender às precisas especificações do projeto, avisa Ademar Seabra da Cruz, diplomata lotado como assessor especial no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A ideia do Governo é incentivar a indústria nacional. “Queremos muito gerar um upgrade tecnológico”, disse, com aprimoramento e diversificação. “O ponto é fortalecer o tema da inovação na indústria.”

Ele participou nesta segunda-feira (16/11) do ESO “Industry Day”, evento na Fiesp organizado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para apresentar o projeto do E-ELT (European Extremely Large Telescope), o maior telescópio do mundo, em construção no Chile. O programa durou o dia inteiro e teve uma série de apresentações também da equipe do ESO, a principal organização astronômica intergovernamental do mundo, responsável pelo E-ELT.

O Brasil deve se tornar o primeiro país não europeu a se associar ao ESO, operação autorizada pelo Senado em maio deste ano, ainda à espera de sanção presidencial. Seabra da Cruz explicou que se espera, pela experiência de outros países, que cerca de 70% do que o Brasil gastar como membro volte na forma de fornecimento de peças, equipamentos e serviços para o telescópio.

Roberto Tamai, gerente de desenvolvimento do E-ELT, abriu sua apresentação dizendo que ia mostrar o futuro. Fez uma entusiasmada defesa da capacidade que as instalações terão de despertar o interesse pela ciência e disse que o telescópio permitirá estudar “o desconhecido”, além do que já se sabe que poderá ser analisado.

Tamai deu números  impressionantes do E-ELT, com seus 10.000 componentes e área equivalente a um campo de futebol. E revelou que 83% do custo do dispositivo será gasto com fornecedores externos.

Clique aqui para ter acesso às apresentações do Seminário “ESO Industry Day”.

Observatório europeu busca apoio da indústria brasileira para telescópio no Chile

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A principal organização intergovernamental da Europa para pesquisas em astronomia está de volta ao Brasil em busca de investimentos e negócios que viabilizem seus projetos de telescópio no Chile.

O Observatório Europeu Sul (ESO na sigla em inglês) participa de uma série de reuniões na sede da Fiesp, nesta terça-feira (23), com o objetivo de apresentar seu ambicioso projeto de telescópio de enorme dimensão, o European Extremely Large Telescope (E-ELT).

Em maio deste ano, a delegação da ESO, acompanhada por empresários chilenos, esteve na Fiesp com o mesmo intuito de discutir a adesão brasileira ao projeto.

“Eu diria que o grande negócio para o ESO é construir o maior olho no céu”, disse Alistair McPherson, responsável pelo projeto do E-ELT. Com 42 metros de diâmetro, o telescópio será construído no topo de uma montanha de 3.000 metros no deserto do Chile. As operações devem começar a partir de 2018.

Representantes do ESO apresentaram os planos da organização para executivos de empresas do setor de construção civil, como as construtoras OAS e Queiroz Galvão, e instituições de tecnologia, como a Rede Paulista de Inovação e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica. O Grupo Gerdau também participou do encontro.

“Nós temos cientistas para desenharem o projeto, mas é a indústria que entrará com a manufatura”, acrescentou McPherson.

Negócios

Ainda segundo McPherson, o projeto E-ELT oferece oportunidades de negócios para empresas de tecnologia, no desenvolvimento de softwares, hardwares, detectores e dispositivos de segurança para garantir a operação do maior telescópio do mundo.

Já a indústria de infraestrutura pode fechar negócios para a geração de energia ao projeto e revestimento das instalações. Empresas de construção civil ganham espaço na construção de estradas e de estruturas do telescópio como a cúpula.

Adesão ao ESO

Desde 2010 tramita um processo de entrada do Brasil no ESO, organização que hoje conta com 15 países-membros e opera telescópios principalmente na Cordilheira dos Andes, no Chile.

A adesão brasileira tem, no entanto, divido opiniões desde então. De um lado, especialistas temem o País competir em desigualdade com os europeus. Na outra ponta estão os argumentos favoráveis de que a entrada do Brasil na organização seria a melhor maneira de desenvolver a astronomia do País.