Especialistas holandeses destacam desafios na implantação das cidades inteligentes

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Dirigentes de empresas e professores de universidades da Holanda participaram do seminário “Tecnologias & Soluções Inovadoras para Cidades Inteligentes” na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde desta quinta-feira (05/06).

Em sua apresentação, o professor adjunto da Universidade de Wageningen, na Holanda, Karol Keesman, sublinhou a necessidade de inovação no tratamento de resíduos sólidos em cidades inteligentes.

Keesman relatou alguns dos projetos desenvolvidos pela universidade. Inclusive os atuais estudos que os acadêmicos da Universidade de Wageningen realizam em reúso e abastecimento de resíduos líquidos.

Keesman: foco no tratamento de resíduos sólidos nas chamadas cidades inteligentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Keesman: foco no tratamento de resíduos sólidos nas chamadas cidades inteligentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Keesman destacou ainda a relevância da utilização de uma rede de informação integrada nas cidades, para que esta gere melhorias e ganhos na redução do consumo de água e de energia.

Em seguida, o professor da Universidade de Twente e diretor executivo da IGS, Sjoerd van Tongeren, destacou os principais desafios que as mudanças climáticas representaram para as cidades inteligentes. O acadêmico também falou sobre consumo de energia, projetos de transferência energética, smart grids e cidades inteligentes. “A abordagem na construção de uma cidade inteligente é multidisciplinar, envolve ciências sociais, engenharias, psicologia, tecnologia de ponta”, disse.

Maurice Geraets, vice-presidente de Novos Negócios da NXP, destacou as atividades que a multinacional holandesa desenvolve na área de semicondutores e soluções seguras para aplicação em cidades inteligentes.

Tongeren: cidade inteligente é multidisciplinar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Tongeren: cidade inteligente é multidisciplinar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Para Geraets, a distribuição de energia elétrica em cidades inteligentes brasileira será um dos maiores desafios a serem enfrentados.  “Não se pensa na importância cada vez maior dos medidores de energia”.

Durante o encontro também foi destacada a importância de projetos inovadores para o abastecimento de água e construção de localidades sustentáveis sem consumo de carbono.

Semana do Meio Ambiente

O seminário faz parte da  16ª  Semana do Meio Ambiente, uma realização da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Desenvolvimento de parcerias entre Brasil e Holanda em bioeconomia em debate

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Especialistas em bioeconomia participaram do seminário “Tecnologias & Soluções Inovadoras para Cidades Inteligentes”, nesta quinta-feira (05/06), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro faz parte da 16º Semana de Meio Ambiente.

O diretor geral de Empresas e Inovação do Ministério de Assuntos Econômicos da Holanda, Bertholt Leeftink, destacou o atual panorama na Holanda em inovação e projetos sustentáveis.

Para Leeftink, as oportunidades entre os dois países são inúmeras, já que 75% da população global residirá em centros urbanos até 2050. Para atender à demanda futura, Leeftink acredita que será necessária uma reprogramação dos principais centros urbanos do mundo.

“Para a qualidade de vida dos habitantes desses centros cada vez mais complexos, precisaremos de soluções holísticas, com envolvimento de muitas áreas do conhecimentos e de  nações e centros de pesquisas internacionais”, afirmou.

Leeftink falou também sobre os atuais projetos holandeses em energia. O panorama energético atual do planeta passa por uma série de mudanças importantes, segundo ele, com o consumo energético aumentando “drasticamente’.

Leeftink: soluções para a qualidade de vida nos grandes centros. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Leeftink: soluções para a qualidade de vida nos grandes centros. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Uma das opções encontradas pela Holanda na área é a ligação entre redes baseadas em energia solar com as redes inteligentes “smart grids”.

Segundo o diretor, a Holanda possui know-how na questão, através da atuação de empresas especializadas e institutos de conhecimento, e pode ajudar a criação de soluções semelhantes no Brasil.

Outro tema abordado por ele foi a chamada bioeconomia, uma economia sustentável, que reúne todos os setores da economia que utilizam recursos biológicos. Na visão de Leeftink, o Brasil possui muita ambição no setor, pretendendo se tornar um país, até 2030, de matriz energética baseada em recursos biológicos.“A Holanda quer ser parceira para o desenvolvimento da atividade no Brasil”, afirmou.

A Holanda possui três indústrias líderes em qualidade no mundo que operam em setores ligados à bioeconomia, segundo o diretor.

“O Brasil já possui ótimos resultados na área de bioeconomia, mas, para atingir o objetivo estipulado pelo governo, muito ainda precisa ser feito, e a Holanda pode ser parceria para que isso aconteça”, disse.

Inovação

Markus Leuenberger, diretor de Desenvolvimento de Negócios do Instituto Holandês de Energia, destacou as qualidades das cidades inteligentes. Para ele, uma saída para os atuais problemas urbanos está na construção delas.

Para ele, inovação é a “palavra base” para a mudança do paradigma urbano, principalmente em cidades como São Paulo. “A inovação opera através da colaboração entre indústrias, governos e institutos de pesquisa”.

Leuenberger explicou como os holandeses trabalham os projetos de cidades inteligentes. “Desenvolvemos políticas públicas para o governo holandês, com visão a longo prazo, implantando programas nacionais e operando com unidades técnicas com energia solar, eólica e de biomassa.”.

Processos holandeses

Na visão de Tatjana Komissarova do Instituto Holandês de Energia, apesar de o Brasil ser o maior e melhor produtor de bioetanol do mundo, desafios surgem à frente.

Um dos problemas a serem trabalhados pelo Brasil, na visão de Tatjana, é o melhor aproveitamento da cana de açúcar. “A cana não é inteiramente utilizada aqui, com desperdícios de partes importantes da biomassa”, alertou.

Tatjana: desafio do melhor aproveitamento da cana de açúcar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Tatjana: desafio do melhor aproveitamento da cana de açúcar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Em seguida, a especialista apresentou alguns projetos do Instituto Holandês de Energia. Entre eles, a torrefação, processo através do qual há transferência de biomassa para propriedades próximas àquelas encontradas no carvão vegetal. A tecnologia produzida na Holanda já está sendo comercializada, e, para Tatjana, deveria ser objeto de atenção dos brasileiros.

Além da torrefação, ela citou outras tecnologias, como a torwasch (um tratamento especial para a biomassa contaminada) e a gaseificação termal (um método de conversão de biomassa e resíduos de carvão em gás de alto valor energético).

 Kwant: mais ações em bioeconomia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Kwant: mais ações em bioeconomia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Kees Kwant, da Netherlands Enterprising Agency, fechou o encontro, e ressaltou a necessidade de ações em bioeconomia. “Temos que utilizar biorecursos que resultem em ganhos econômicos, com proteção ambiental e crescimento do bem estar social”.

Semana do Meio Ambiente

A Semana do Meio Ambiente é uma realização da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp