Alunos do curso superior de Tecnologia em Produção de Vestuário do Senai-SP lançam produtos inovadores

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp 

Cansou-se de disputar o edredom com a cara-metade? Com os braços doendo pela falta de apoio ao usar uma máquina de costura ou um computador? Se o seu dilema for, mesmo tendo apenas um pé, precisar comprar sempre um par de sapatos, pela falta de opções no varejo, saiba que os alunos do curso superior de Tecnologia em Produção de Vestuário da Faculdade de Tecnologia Senai “Antoine Skaf”, em São Paulo, estão atentos às suas necessidades. Estimulados a pensar em soluções inovadoras para apresentar ao mercado, os estudantes do Serviço Nacional da Indústria de São Paulo (Senai-SP) são experts em oferecer produtos e serviços diferenciados.

Pensado para atender pessoas com distúrbios de sono, que se mexem muito à noite ou mesmo casais que brigam pelo lençol, um grupo de alunas da faculdade criou o chamado “edredom fixo à cama”. A peça ainda vem com um saiote, funcionado também como forro, e vira um saco de dormir que pode ser levado em viagens. “A ideia surgiu a partir de uma integrante do grupo que tinha problemas com o marido por conta disso”, explica a estudante Tatiany de Lira Lemes, uma das criadoras do produto na Faculdade de Tecnologia Senai “Antoine Skaf”.

De acordo com Mayara de Sena Pereira, outra participante do projeto do edredom fixo à cama, agora é a hora de patentear o produto e sair à procura de um investidor para viabilizar a produção. “Tivemos e temos ainda todo o apoio e orientação do Senai-SP”, diz ela.

Mostruário do edredom fixo à cama, com o zíper em destaque: praticidade para usos variados. Foto: Divulgação

 

Mais conforto, por favor

Também criado a partir de uma experiência pessoal, o apoio “Confort Adapt” foi pensado para dar suporte ao braço das costureiras em serviço, podendo ser usado também em outras situações, como é o caso de quem passa o dia todo digitando ou trabalhando com computador. “Fizemos pesquisas que apontaram que 60% das costureiras acabam desenvolvendo algum problema de saúde pela falta de apoio no braço”, explica a aluna Fúlvia Cruz Trevisan Barbosa.

Assim surgiu o objeto, feito com madeira reflorestada e enchimento de resíduos têxteis. Mais sustentável, impossível. “Fizemos uma pesquisa de campo com cinco confecções e houve aumento de conforto, sem diminuição de produtividade”, diz Fúlvia.

Aprovado depois de vários protótipos, o Confort Adapt já foi adotado pelas estudantes do Senai-SP. “Quem experimenta não consegue mais viver sem”, afirma Fúlvia.

A exemplo do edredom, a invenção também vai ser patenteada e trabalhada para chegar ao mercado.

O Confort Adapt: apoio para os braços das costureiras pode ser usado também por quem trabalha com computador. Foto: Divulgação

Abaixo o desperdício

Você já parou para pensar que deve ser muito desagradável para quem tem só um pé a obrigação de levar sempre um par para casa? A estudante do Senai-SP Erika de Fatima Correa já. Ela e os seus companheiros de faculdade, que juntos idealizaram o projeto da loja “One Foot” (um pé, em inglês), especializada em vender apenas um calçado para quem não precisa de dois, reduzindo o desperdício.

“Existem 3 milhões de pessoas com alguma deficiência no pé no estado de São Paulo”, explica Erika. “Se pensarmos que em outras regiões do Brasil, como o Nordeste, para a qual podemos vender pela internet, há mais portadores de deficiência nessa parte do corpo, constatamos que o potencial do negócio é grande”.

Segundo ela, hoje existe apenas um ponto de venda que permite a compra de um único calçado na capital paulista, sendo esse um local que trabalha apenas com as sobras da indústria. “A One Foot será uma loja equipada com modelos variados, em cores diversas, de modo que o consumidor possa escolher livremente o produto que quiser, não ficando refém daquilo que sobrou”.

Para tentar alavancar a ideia, já existe um plano de negócios estruturado. “Estimamos que o retorno do investimento venha depois de cinco meses de funcionamento”, afirma. “Agora queremos conseguir um investidor, estamos pesquisando os caminhos para isso”.

De acordo com a técnica de Ensino da Faculdade de Tecnologia Senai “Antoine Skaf” Fernanda Marinho, todos esses projetos fazem parte dos trabalhos de conclusão de curso das alunas. E seguirão recebendo o apoio da instituição para serem viabilizados. “São ideias que não acabam quando os estudantes se formam”, explica. “O suporte do Senai-SP vai da criação à entrada no mercado”.