Fiesp está otimista para 2013, diz Skaf. ‘No ano que vem a palavra será reindustrialização’

Alice Assunção e Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Os resultados do ano de 2012 não foram satisfatórios para a indústria e para a economia brasileira, mas a expectativa para o ano de 2013 é positiva assim que surtir efeitos uma série de medidas conduzidas pelo governo federal – entre elas, o corte na taxa de juros, a redução nas tarifas de energia, o câmbio em patamares mais equilbrados e o fim da Guerra dos Portos.

A avaliação é do presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf no início da tarde desta terça-feira (18/12), em entrevista coletiva convocada para um balanço do ano de 2012 . “No ano que vem, a palavra vai ser reindustrialização. Esses fatores vão provocar a reindustrialização do Brasil”, disse Skaf.

Presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, estima um crescimento entre 2,5% e 3,5% para a economia em 2013. Foto: Everton Amaro

Embora 2012 esteja terminando com a indústria “não podendo comemorar muito”, o presidente da Fiesp estima um crescimento entre 2,5% e 3,5% para a economia em 2013.

“Foi um ano de coisas positivas, como a redução dos juros. A taxa Selic [7,25% ao ano, atualmente] tem toda condição de baixar e o governo aceitou essa ideia, mas não há razão nenhuma para a Selic não chegar a 5%”, afirmou Skaf .

As perspectivas para o desempenho do dólar também, na análise do presidente da Fiesp e do Ciesp, são mais favoráveis para 2013. Com o dólar operando na faixa de R$ 2,10 no segundo semestre deste ano, Skaf acredita que a relação cambial em 2013 deverá ser de US$ 1 para a faixa de R$ 2,30.

“A somatória desses pontos todos leva a tempos melhores”, disse Skaf, acrescentando perceber sensibilidade para avanços que aumentem a competitividade do Brasil. “A presidente Dilma tem mostrado sensibilidade, não só nas palavras, mas nas atitudes. Eu gostei muito da postura dela no setor energético”, comentou.

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Pauta para 2013

Paulo Skaf: 'Grande segredo vai ser estimular os investimento.' Foto: Everton Amaro.

O presidente das entidades adiantou que a Fiesp tem vários pontos de pauta para o ano que vem: a redução do preço do gás e dos spreads bancários, a abertura do mercado de capitais para empresas de médio porte e a desoneração dos produtos da cesta básica e para outros setores, além da luta pelo alongamento do prazo de recolhimento de impostos, entre outros itens.

Segundo Skaf, o Brasil é um país de empreendedores. “Quando as condições passam a ser favoráveis, você tem um novo ciclo, o da reindustrialização”.

“O grande segredo vai ser estimular os investimentos”, prosseguiu o presidente, afirmando que o modelo baseado no aumento do consumo está “um pouco esgotado”.

“O país precisa crescer com investimentos. Está provado que quando não se tem  crescimento da indústria não tem crescimento do PIB. A indústria precisa crescer, para o PIB crescer e gerar desenvolvimento e entrar naquele círculo virtuoso que todos nós queremos.”

O líder das entidades recordou que o custo de logística é altíssimo e que os planos do governo de investimento em rodovias, ferrovias, e portos foram anunciados e, agora, precisam sair do papel o mais rápido possível. “O Brasil ficou atrasado.”

Sobre a questão educacional, Skaf disse que a rede de ensino do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) dão exemplo, com mais de um milhão de alunos, mas que a atuação da indústria foi além no ano de 2012, com a criação de um curso de MBA para gestores de escolas públicas. “Nós estamos dando nossa contribuição muito forte na educação, esporte e cultura.”

De acordo com Skaf, o estilo da Fiesp vai além das reivindicações. “Não adianta só filosofar. Nem somos institutos de pesquisa. Levantamos e fazemos estudos técnicos profundos para embasar nossas batalhas e resolver as questões”, explicou.

Skaf: Fiesp defendeu o destino dos royalties do petróleo para a educação. Foto: Everton Amaro.

Ao responder uma pergunta de um jornalista, o presidente da Fiesp e do Ciesp disse que o governo de São Paulo deveria estar defendendo com mais ênfase dos interesses do estado produtor.

“Eu acho que é correto que o estado e município produtores tenham algum diferencial. Por uma simples razão: você tem demandas. Tem que construir muita coisa, investir em infraestrutura, tem despesa. Espero que se faça alguma coisa equilibrada. A Fiesp defendeu o destino [dos royalties do petróleo] para a educação porque nós entendemos que é o que pode transformar o país.”