Skaf: Selic precisa cair mais, e é fundamental reduzir os spreads bancários

Agência Indusnet Fiesp

O Banco Central definiu nesta quarta-feira (12/4) o novo valor da Selic em 11,25% ao ano, queda de 1 ponto percentual.

“O Banco Central está fazendo seu papel ao aumentar o corte dos juros. No entanto, o Brasil tem pressa e há espaço para recuos ainda maiores da Selic”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

“A taxa Selic vem caindo, mas os juros para o tomador final vêm aumentando. O Brasil não pode mais esperar, precisamos retomar o crescimento econômico e gerar empregos. Para isso a redução dos spreads bancários e o destravamento do crédito são fundamentais”, diz Skaf.

Skaf: Banco Central sabota a retomada do crescimento

O Copom definiu hoje a taxa Selic em 13,75% ao ano, segunda queda consecutiva de apenas 0,25 ponto percentual.

Trata-se de uma decisão incompreensível se levarmos em conta os dados mais recentes de nossa economia. O PIB brasileiro já acumula queda de 7% em relação a 2014. Hoje pela manhã, o IBGE divulgou o PIB do terceiro trimestre, mostrando queda de 0,8%, frente à redução de 0,4% no trimestre anterior. Ou seja, fica claro que a retração econômica se aprofundou no terceiro trimestre.

No caso da indústria, o INA de outubro (-0,9%) e o Sensor de novembro (49,1 pontos), divulgados ontem pela Fiesp, mostram, lamentavelmente, que a indústria segue em retração no quarto trimestre.

“É muita recessão para um corte pífio de Selic. Não há dúvida de que são necessários cortes mais agressivos da taxa de juros. Ao optar por cortes de 0,25 pp, o Banco Central sabota a retomada de crescimento da economia, condenando-a à estagnação para os próximos anos e produzindo a ampliação no número de desempregados, que já passa de 12 milhões” afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

Informações sobre as linhas de financiamento do BNDES

Caros,

No dia 25 de outubro, o Departamento de Competitividade e Tecnologia – DECOMTEC – realizou o Seminário “Informações sobre as linhas de financiamento do BNDES”, que também contou com a participação do Diretor Titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria, Sr. Milton Antonio Bogus, e com especialistas do BNDES, que tiraram dúvidas sobre o funcionamento do BNDES-Progeren, Refin-PSI, Programa de Revitalização de Ativos Produtivos e outras linhas de financiamento do BNDES.

No primeiro bloco do seminário, os especialistas, Carlos Alberto Vianna Costa e Tiago Luiz Cabral Peroba, discorreram sobre as formas de Apoio do BNDES ao Setor Industrial:

  • Apoio ao Capital de Giro
  • Apoio à Renegociação de dívidas
  • Apoio ao Setor Industrial
  • Credenciamento de Fabricantes e Produtos

No segundo bloco do seminário, os especialistas, Roberto Julio da Trindade Junior e Tatiana de Oliveira Lemos, explicaram o funcionamento do Programa de Incentivo à Revitalização de Ativos Produtivos.

Por fim, foi efetuado um último bloco com perguntas da plateia aos palestrantes do BNDES. Oportunidade para sanarem eventuais dúvidas, como para apresentarem as dificuldades enfrentadas pelas empresas na busca pelo crédito.

O evento é mais uma realização da FIESP para apoiar as empresas da indústria a buscarem soluções para o enfrentamento da mais grave crise econômica de nossa história.

Para acessar as apresentações do BNDES efetuadas no seminário, basta clicar nos links ao lado.

Atenciosamente,

José Ricardo Roriz Coelho

Vice-Presidente da FIESP

Diretor Titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da FIESP

SEMINÁRIO É POSSÍVEL REDUZIR A TAXA BÁSICA DE JUROS (10/2016)

José Ricardo Roriz Coelho apresentou um estudo sobre o assunto na abertura do evento “É possível reduzir a taxa de juros”, na sede da federação, na manhã desta segunda-feira (03/10)

O custo é alto para a sociedade e para o crescimento econômico. Para debater a problemática dos juros no Brasil, foi realizado, na manhã desta segunda-feira (3/10), na sede da Fiesp, em São Paulo, o seminário “É possível reduzir a taxa de juros”. O evento foi aberto pelo vice-presidente da federação e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da instituição, José Ricardo Roriz Coelho, que apresentou um estudo sobre o assunto.

“A taxa real de juros do Brasil é muito alta”, disse. “Entre 2005 e 2015, foi, em média, de 5,63%. Nos demais países da América Latina, a média foi de 1,7%”.

E porque a taxa é tão elevada? “O descontrole fiscal influencia a taxa de juros real”, explicou Roriz. “E mais: resultado primário insuficiente, elevado nível da dívida pública e elevada parcela da dívida pública atrelada à Selic”.

Segundo Roriz, a “Fiesp entende que se ajuste fiscal não for feito de forma contundente, teremos mais uma década perdida”.

“Países como Uruguai, Índia e Egito têm dívida bruta do governo maior do que a brasileira, mas taxas de juros reais mais baixas”, explicou Roriz. “São R$ 4,21 trilhões de dívida pública no Brasil, o que equivale a 69,5% do PIB”.  E tem mais: “43% da dívida pública é atrelada à Selic, isso afeta e eficácia da política monetária”.

O prazo da dívida pública é outro ponto a ser debatido, com elevado percentual da dívida concentrado no curto prazo no País. “Hoje, temos 18,4% da dívida sendo rolada em um ano, há um esforço de rolagem com juros no Brasil”.

Seminário Perspectivas para a economia brasileira nos próximos anos

Na abertura do seminário Perspectivas da Economia Brasileira para os Próximos Anos, Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, afirmou que juros, crédito e câmbio não estão sendo tratados pelo governo da forma que deveriam. “Não há como cobrar em um mês de novo governo, mas essas questões, como os juros, são incompreensíveis e podem ser obstáculo à confiança”, disse Skaf, dirigindo-se ao ministro Henrique Meirelles (Fazenda), que participou do evento, na sede da Fiesp.

Citando a apresentação de Meirelles e a contextualização feita pelo vice-presidente da Fiesp José Ricardo Roriz Coelho, Skaf destacou as muitas coincidências entre o que a instituição pensa que deva ser feito e o diagnóstico do ministro da Fazenda. A PEC dos gastos (241, em discussão no Congresso) é fundamental, disse Skaf, lembrando que a dívida brasileira, caso o limite para crescimento das despesas tivesse sido adotado antes, teria permitido redução da dívida de R$ 4 trilhões para R$ 700 bilhões.

Não há dúvida também em relação à reforma da Previdência, afirmou o presidente da Fiesp e do Ciesp, ressaltando que devem ser mantidos os direitos de quem trabalha. Destacou o alinhamento dos empresários com as propostas do governo, mas disse que “atrapalha um pouco o alinhamento a questão dos juros, que quando a inflação era de 11%, representava taxa real de 3%”, e agora, com a inflação perto de 7%, levou o juro real para 6%. “Esta casa não consegue entender por que a taxa real quase dobrou”, disse Skaf, lembrando que não se pode dizer que isso é feito para enfrentar a inflação. “Não há demanda”, exemplificou.

A solução para o Brasil, lembrou Skaf, é a recuperação do crescimento econômico, mas isso não acontece sem crédito e com juros altos. Mesmo bancos públicos, destacou, dificultam a renovação de contratos. “Não se está falando em ajuda”, disse Skaf. “Se não é possível elevar o crédito, pelo menos que se renove o que já há.”

A terceira questão levantada pelo presidente da Fiesp e do Ciesp foi o câmbio, que “não pode ir para patamar que roube a competitividade brasileira”. Se isso acontecer, não haverá como a indústria se recuperar, o que afeta a arrecadação.

Depois da fala de Skaf, Meirelles se disse aliviado por não haver crítica às propostas na área fiscal. Juros e câmbio, destacou, são questões do Banco Central (BC). Mencionando a autonomia operacional do BC, Meirelles disse que o ministro da Fazenda não deve dizer a ele o que fazer, mas afirmou que transmitiria a mensagem de Skaf à diretoria da instituição. O presidente da Fiesp e do Ciesp lembrou que o ministro da Fazenda é responsável pelo pagamento de R$ 500 bilhões de juros da dívida brasileira por ano e portanto dever ter interesse pelas decisões no BC. E brincou: “vamos pôr o Pato na porta do Banco Central”, referência ao pato gigante símbolo da bem-sucedida campanha “Não Vou Pagar o Pato”, promovida pelos setores produtivos, com forte apoio da sociedade, contra o aumento de impostos.

O crédito, reconheceu Meirelles, é problema sério, mas destacou que o crescimento dos valores oferecidos pelos bancos públicos foi impressionante nos últimos anos, e agora eles se ajustam. Acredita que tende a uma normalização, quando houver condições técnicas.

Ajuste e crescimento

Meirelles abriu sua apresentação (O Ajuste Fiscal é Pré-condição para o Crescimento Sustentado) lembrando que o momento é importante para o país, pela mudança das perspectivas econômicas e políticas. Uma das conclusões fundamentais da política econômica nos últimos anos foi sintetizada por estudo do G20 que mostrou que se compararmos países com taxa de crescimento e de padrão de renda não aceitáveis com os que conseguiram dar salto em seu nível de produção de renda e de riqueza, o sucesso ocorreu nos que conseguiram identificar claramente as razões para o baixo desempenho e as atacaram com foco, que precisa estar nos problemas de maior relevância. Aplicando isso no Brasil se percebe que o problema está no crescimento das despesas, defendeu. Intervencionismo e outras questões levaram a uma insegurança e queda na confiança. Ela, afirmou, decorre da capacidade do Estado em gerenciar suas contas.

Ressaltou que despesas primárias cresceram 56% entre 2007 e 2015, o que classificou de insustentável. Despesas do INSS passariam de 8% para 17% até 2060, o que, afirmou, claramente não é sustentável.

Para enfrentar a causa do problema, propõe-se movimento de várias etapas. Explicou que a PEC241 impede crescimento dos gastos acima da inflação do ano anterior. Há na Constituição pisos para a despesa em saúde e educação. O que se propõe é um teto para despesas globais. Na prática, afirmou, não há corte nas despesas em saúde e educação. Elas até sobem no primeiro ano, depois ficam estáveis.

Ajustes de curto prazo tendem a ser malsucedidos, porque mais de 75% das despesas públicas nos últimos anos foram definidas constitucionalmente, levando a uma margem de cortes muito limitada. É preciso criar um horizonte de previsibilidade, defendeu. Não só temos que enfrentar o problema com uma mudança constitucional como garantir que o patamar funcione por tempo suficiente para que haja previsão de estabilização e depois queda do crescimento da dívida pública, afirmou.

Não se faz reforma constitucional em 4 semanas, disse. É legítimo que a sociedade exija um debate mais profundo. Velocidade das mudanças é alta se considerarmos que desde 88 não se fazia essa discussão, defendeu Meirelles. “Temos que mudar a dinâmica estrutural das despesas públicas no Brasil, o que exige mudar a Constituição.”

Crítica do outro lado é que se cortam investimentos importantes em saúde e educação, o que, disse Meirelles, não acontece. Eles ficam estabilizados. Temos que melhorar a gestão da educação, disse Meirelles. Número de alunos e tempo que passam na escola aumentam, mas não melhor a qualidade. É um desafio, e deveria ser o foco, e não o dinheiro.

Momento permite discutir o teto de gastos porque a crise chamou a atenção para o problema. Perguntou se é mais importante o emprego ou a despesa. A PEC cria uma janela de oportunidade importante para resolver o problema num horizonte de tempo. Depois de 10 anos o presidente pode propor mudanças, lembrou.

Previdência

Sobre a reforma da Previdência, Meirelles disse que é inevitável. Como a PEC dos gastos, terá que ser feita, ou teremos um Estado insolvente. Lembrou que reformas tendem ser complicadas, como mostra a experiência em outros países. “Mais importante do que a idade com que a pessoa vai se aposentar é ter certeza que vai receber a aposentadoria”, disse.

Meirelles encerrou a apresentação deixando como última mensagem que a curva de confiança caiu muito de 2011 a 2016, mas isso já se inverteu, o que mostra que a consciência sobre o problema é maior do que se pensa.

Contexto

Roriz Coelho abriu o seminário com uma apresentação sobre o contexto, ressaltando que a economia brasileira atravessa o pior triênio desde 1901. Explicou que a crise tem raiz no descontrole fiscal. A irresponsabilidade fiscal levou de resultado primário de 1,3% em 2013 para -2,7% do PIB em2016. Desemprego saiu de7,4% para 11,4%, o que é preocupante. De 2001 a 2015 o PIB cresceu 48,7%, e as despesas, 128,5%.

O gasto público é rígido, disse Roriz, com 90% das despesas do governo federal sendo obrigatórias.

Projeção da Fiesp para os próximos 10 anos mostra que mesmo que houvesse aumento da carga tributária, para o que não há espaço, o resultado primário continuaria ruim, de -0,1% do PIB.

Com reformas, como PEC dos gastos, cortes de gastos no curto prazo e reforma da Previdência, o cenário seria de redução de R$ 30 bilhões no déficit, mas para isso seria preciso, por exemplo, não dar aumento para o funcionalismo. Roriz disse que é preciso negociar para que não haja emendas à Leia orçamentária Anual que a prejudicariam. Também a venda de estatais seria necessária, ainda é insuficiente.

A PEC241 precisa ser aprovada sem alterações em seu texto atual. Ainda assim, a reforma da Previdência tem que ser feita, ou o peso dela vai subir ainda mais.

Com a queda da inflação, a manutenção da Selic representa aumento dos juros. Proposta é já em 2016 cortar 3 pontos percentuais da Selic, e mais 1,75 pp em 2017. Somente com a redução dos juros haverá recuperação da economia, defendeu.

Vetores do crescimento sustentável mostram que a roda da economia voltou a girar.

Com reformas, resultado em 2026 ficaria positivo em 3,1%. Resultado nominal em relação ao PIB seria de -2,6% (contra -15,7% sem reformas). Sem as reformas, a dívida bruta iria a 167,4%, contra 75%. O desemprego iria a 17%, o que chamou de caos social. Com reformas, cairia para 6% (contra 11,8% neste ano).

Em relação à indústria, destacou que sua participação no PIB do Brasil caiu para 11,4%, patamar dos anos quarenta. Razões para a desindustrialização são o custo-Brasil, que onerou a produção, e o câmbio. Essa desindustrialização, explicou, afetou a produtividade da economia brasileira como um todo.

Roriz lembrou que a indústria é a etapa das cadeias produtivas em que é maior a geração de valor, salários e tributos. Cada 1% de crescimento industrial gera 1,1% de crescimento da economia. Além disso, a indústria tem a maior massa salarial, realiza 30% do investimento produtivo, 70% de P&D e 77% da inovação.

“Precisamos criar as condições para essa retomada do crescimento econômico”, disse, encerrando sua apresentação.


Estudo da Fiesp analisa melhores taxas de juros do mercado brasileiro

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), elabora estudo comparativo das taxas de juros aplicadas pelos grandes bancos de varejo no Brasil.

A proposta dessa análise é auxiliar os industriais e a sociedade em geral a negociar as melhores condições para suas operações de crédito.

Atualizado semanalmente, o Custo de Crédito do Brasil toma como base os dados do Banco Central sobre financiamento de capital de giro.

Confira aqui o estudo mais recente.

Retrospectiva 2012 – Fiesp marcou sua atuação em 2012 na luta pelo aumento da competitividade do Brasil

Agência Indusnet Fiesp

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Skaf na Globo News. Foto: Junior Ruiz

Ao longo de 2012, a batalha pelo aumento da competitividade do Brasil foi a principal causa global empreendida pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Em todos os fóruns e em entrevistas a jornalistas, o presidente da Fiesp e Ciesp, Paulo Skaf, sustentou que o país precisava de avanços para poder competir em condições de igualdade com os concorrentes estrangeiros.

“O problema não está da porta para dentro das fabricas. Está no custo elevado da energia, do gás, na logística cara, nos juros elevados – a taxa Selic está baixando, mas os spreads ainda são altos, aquilo que a indústria toma [emprestado] ainda é alto. O câmbio melhorou, mas estamos vivendo um câmbio 10% maior do que era em 2000 e de lá para cá tivemos 120% de inflação. A somatória de tudo isso prejudica muito a competitividade do Brasil e a indústria da transformação”, disse Skaf em entrevista à Globo News no mês de julho.

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Presidente Dilma faz pronunciamento na TV

A competitividade do Brasil em 2011, de acordo com estudo divulgado em novembro pelo Departamento de Competitividade (Decomtec), ocupou apenas a 37ª colocação em um ranking com 43 países, que representam 90% do PIB mundial.

Efeito direto ou não das reivindicações da Fiesp e do setor produtivo, a presidente da República, Dilma Rousseff, elegeu o tema da competitividade como prioridade na agenda de seu governo durante pronunciamento do dia 7 de setembro.

Energia

Após ampla campanha da Fiesp, lançada em 2011, a presidente Dilma anunciou em setembro um plano para reduzir as tarifas de energia: a antecipação da renovação das concessões que vencem em 2015 mediante desconto no preço da conta de luz, conforme prevê a Medida Provisória 579.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542063861“[A medida] (…) contribui para o crescimento da economia e para que a indústria recupere um pouco sua capacidade de competir com as estrangeiras”, saudou Paulo Skaf em artigo no Diário de S. Paulo.

Ante a pressão de algumas estatais pela derrubada da MP, a Fiesp lançou em novembro uma campanha em defesa da medida. “A Fiesp fez a sua parte. A Presidenta Dilma fez a sua parte. Mas, para a nossa surpresa, tem gente jogando contra”, reforça o anúncio.

Resolução 72

Em 2012, a cruzada da Fiesp para melhorar o cenário competitivo no país teve início, para o grande público, com a mobilização da Fiesp e Ciesp no Grito de Alerta, circuito de manifestações de diversas entidades empresariais e de trabalhadores a favor da indústria e do emprego no Brasil, foi mais um marco em defesa de medidas – inclusive a Resolução 72 – que aumentassem a competitividade do país.

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"Esta é uma manifestação em defesa da competitividade do Brasil", disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp. Foto: Helcio Nagamine



Em São Paulo, a manifestação aconteceu no dia 5 de abril, com uma caminhada da Avenida Paulista até o local do evento, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O manifesto ganhou destaque na imprensa.

A primeira grande luta foi contra a chamada “Guerra dos Portos” – os incentivos fiscais concedidos por governos estaduais como mecanismo de incentivo à entrada de produtos importados.

Em fevereiro deste ano, o Decomtec/Fiesp da entidade divulgou o estudo Custos Econômicos e Sociais da Guerra Fiscal do ICMS na Importação  no qual informava que, por causa da prática,  o Brasil havia deixado de gerar 915 mil postos de trabalho em 10 anos.


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Skaf, em Brasília, com governadores de Estados que praticam a chamada Guerra dos Portos, defendeu a aprovação da Resolução 72



Em março, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, foi à Brasília defender o fim dos incentivos fiscais a produtos importados. “O interesse de alguns Estados não pode estar acima dos interesses do Brasil”, afirmou ao participar da audiência pública do Senado.

A aprovação da Resolução 72, no dia 24 de abril, pelo plenário do Senado Federal, foi o desfecho bem-sucedido da causa da Fiesp. A medida unifica em 4%, a partir de 2013, a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre produtos importados, colocando ponto final à chamada Guerra dos Portos.

“Isto é importante para o emprego – e para o bom emprego – porque a indústria de transformação é o melhor salário, o melhor emprego”, disse Skaf, que parabenizou o governo federal e os senadores Romero Jucá e Eduardo Braga pela atuação em favor da Resolução 72.

Desoneração

Entre outras medidas para destravar o crescimento econômico, a Fiesp também pleiteou a desoneração da alíquota do INSS sobre a folha de pagamento para setores da indústria.

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Ministro da Fazenda, Guido Mantega. Foto: Everton Amaro

Depois de anunciar em abril a desoneração para 15 setores, em setembro deste ano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, divulgou um incremento de 25 setores à lista de segmentos da produção brasileira que, a partir de janeiro de 2013, devem substituir a contribuição de 20% do INSS pelo pagamento da alíquota de 1% ou 2% sobre o faturamento.

Em dezembro deste ano, o setor de construção civil foi incluído à lista de desoneração sobre folha de pagamento. Com a mudança, o setor, que gasta por ano R$ 6,280 bilhões com a contribuição, passará a pagar R$ 3,430 bilhões, uma economia de R$ 2,850 bilhões anuais, segundo estimativas do Ministério da Fazenda.

Câmbio

Em abril, o Banco Central adotou medidas – os leilões de compra de dólares, entre elas – para pressionar a moeda americana a patamares mais elevados.

A desvalorização cambial, que levou o dólar a níveis menos desfavoráveis na competição com os concorrentes internacionais, era uma das medidas reivindicadas pela Fiesp – uma posição reforçada em nota oficial no dia 6 de março, data da divulgação do Produto Interno Brasileiro (PIB).

Taxa Selic

Este ano, a taxa básica de juros, Selic, chegou ao menor patamar da história, a 7,25% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou, no entanto, que deve manter esse patamar por “tempo suficientemente prolongado” em 2013.

Ao longo de 2012, a Fiesp defendeu que o setor produtivo brasileiro precisa de taxas ainda menores.  Em nota oficial comentando a última decisão do Copom no ano sobre juros, Paulo Skaf afirmou que “para que o país possa realmente voltar a crescer em 2013 são necessárias ainda mais ações efetivas que reduzam os custos de produção no país”, citando a aprovação pelo Congresso Nacional da MP 579, que reduz as tarifas de energia; a necessidade de o governo aprofundar as desonerações do setor produtivo; e a redução da burocracia.

“Os bancos também precisam reduzir ainda mais seus spreads, que ainda são elevadíssimos”, diz a nota.

Logística

Infraestrutura e logística são itens essenciais para competitividade. E a Fiesp sustentou a necessidade de investimentos em diversos fóruns e na imprensa. A causa encontrou eco em medidas anunciadas pelo governo. que anunciou em agosto um total de R$ 133 bilhões de investimentos na modernização.

Em nota oficial, a Fiesp elogiou a medida. “A decisão de não utilizar as concessões como instrumento de arrecadação do Estado vai ao encontro da necessidade de reduzir o custo logístico para a indústria e de reestabelecer a competitividade da economia brasileira”, comentou Paulo Skaf.

Alongamento de prazo

Como medida de curto prazo para estimular a competitividade da indústria, a Fiesp fez um novo pleito ao governo federal e estadual: a ampliação do prazo para recolhimento de impostos em mais 60 dias.

Em julho, durante participação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em evento na Fiesp, Paulo Skaf sugeriu a medida. “Isso irrigaria a economia com recursos de forma linear, democrática, correta, horizontal.”

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Governador Alckmin em reunião na Fiesp. Foto: Junior Ruiz

No final do mesmo mês, em reunião de diretoria que contou com a participação do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do secretário de Fazenda do Estado, Andrea Calabi, Skaf pediu a Alckmin mais prazo para recolher ICMS e revisão de outras questões tributárias.

“O prazo para recolhimento do ICMS no Estado de São Paulo — e isso pode servir como exemplo para o Brasil e para o Governo Federal — tem que ser alongado”, defendeu Skaf, lembrando que estudo da Fiesp mostra que, em média, as indústrias pagam os impostos 50 dias antes de receberem pela venda dos produtos.

Inovação

Para ampliar as chances de êxito nos negócios da indústria, o Decomtec/Fiesp lançou em outubro uma versão atualizada do aplicativo Inteligência de Mercado da Indústria.

“O objetivo é entender a realidade mutante de mercado. Hoje a classe média aumentou bastante e houve também mudanças de hábito de consumo”, explicou José Ricardo Roriz, diretor-titular do Decomtec.

Dia da Indústria

Em homenagem ao Dia da Indústria, a Fiesp veiculou no dia 25 de maio, na TV aberta em todo o Estado de São Paulo, uma campanha institucional valorizando o setor industrial e os 75 anos da entidade.

No filme de 90 segundos, o presidente Paulo Skaf reforça que a indústria paga quase metade dos impostos do país e gera 20 milhões de empregos, comenta problemas que aumentam os custos de produção e incentiva o governo Dilma a prosseguir com medidas para aumentar a competitividade brasileira.

Para Paulo Skaf, Banco Central mantém rumo correto com redução de 0,25 p.p. na taxa Selic

Agência Indusnet Fiesp

Em nota oficial distribuída à imprensa na noite desta quarta-feira (10/10), o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, afirma que Banco Central acerta ao manter o processo de redução da Selic, num cenário de economia mundial fraca, com baixo crescimento e muita incerteza.

Para ele, a atividade da economia brasileira apresenta recuperação incipiente, baseada em mecanismos de efeito transitório, com a redução do IPI dos automóveis.

“Não é hora de mudar os sinais da política econômica, sob pena de abortar o processo de retomada e, em 2013, o país crescer menos que o mundo e que a América Latina, como ocorreu em 2011 e ocorre novamente em 2012”, afirma.



Copom reduz a taxa Selic para 7,5% ao ano

Agência Indusnet Fiesp

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou na noite desta quarta-feira (29/08), em Brasilia, a redução da taxa Selic para 7,50% a.a., sem viés.

Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do BC, votaram pela redução da taxa Selic para 8,00%, de modo unânime, os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini, Presidente, Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.

“Considerando os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, que em parte se refletem na recuperação em curso da atividade econômica, o Copom entende que, se o cenário prospectivo vier a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento deverá ser conduzido com máxima parcimônia”, diz a nota do Copom no site do BC.

‘Há espaço para a Selic baixar mais’, diz Paulo Skaf na rádio Jovem Pan

Agência Indusnet Fiesp

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, na manhã desta quinta-feira (12/07), o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, comentou a redução em meio ponto da taxa Selic, de 8,5% a.a para 8% a.a, anunciada na véspera (11/07) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). É a oitava redução consecutiva da taxa.

Skaf conversou com os âncoras Anchieta Filho e Patrick Santos e sugeriu medidas mais lineares para incentivar aquecimento da economia brasileira.

Leia aqui a transcrição na íntegra ou clique no player para ouvir a entrevista (disponível apenas para quem tem instalado o aplicativo Windows Media Player):

Anchieta Filho – Vamos repercutir a taxa de juros no Brasil, a menor taxa Selic da história – 8%. Paulo Skaf, chegou no ponto ideal a taxa de juros?

Paulo Skaf – Anchieta, sem dúvida, essa baixa na Selic vem desde o ano passado – nós estávamos com 12,5% e tinha uma projeção de inflação para o ano de 2012 de 5,5%. Quando começou a baixar a Selic, que nós que sempre defendemos a baixa da Selic, muitas pessoas falavam e criticavam que o governo não estava mais preocupado com a inflação, que a inflação ia subir, enfim, aqueles de sempre, interessados na especulação e nos juros altos. A Selic saiu de 12,5%, no ano passado, para 8%, a inflação que estava projetada para 2012 para 5,5% hoje está projetada em 4,5%, baixou a inflação, e esses quatro pontos e meio na Selic, para uma dívida pública de dois trilhões de reais, representam uma economia de 90 bilhões de reais, mais que o orçamento da saúde.

Eu estou lembrando isso, Anchieta [Filho], porque a memória apaga o que acontece em meses anteriores, mas eu me lembro de quando nós lutávamos para que a Selic baixasse, muita gente criticava e com argumentos falsos, tanto é que o tempo mostrou quem tinha razão.

É lógico que 8% é muito melhor que 12,5%, mas também a inflação projetada para esse ano é de 4,5%, então ainda há espaço para a Selic baixar mais – não há nada que impeça a Selic ficar com um ponto real acima da inflação, enfim, ou até equilibrada com a inflação.

Nós temos uma situação de dificuldade, a economia não  está crescendo, o crescimento este ano não vai chegar a 2%, ele ficará entre 1,5% e 2% na economia brasileira, então tem mais que baixar a Selic, precisa baixar os spreads bancários também, vocês têm sempre batido nisso, e com muita razão, os juros que as pessoas físicas, pessoas jurídicas, que as pessoas pagam no Brasil é um verdadeiro absurdo, e além dos juros há outros ´pontos que precisam ser atendidos. Mas é um bom caminho essa redução da Selic.

Patrick Santos – Quais os efeitos, até agora, dessas medidas pontuais do governo para incentivar a indústria. Qual o efeito prático dessas medidas, como a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI)?

Paulo Skaf – Eu defendo medidas lineares, horizontais, medidas que abranjam todo o setor. A indústria de transformação, toda ela, passa por dificuldade devido ao problema da competitividade do Brasil. O problema não está da porta para dentro das fábricas. Da porta para dentro das fábricas, você tem equipamento moderno, inovação, tecnologia, mão de obra formada, tem marcas, tem mercado… O problema está no custo de se produzir no Brasil. Hoje é mais caro de se produzir no Brasil do que nos Estados Unidos, na Itália, na Argentina. Então, nós temos que focar na competitividade do país.

Estas medidas pontuais não são negativas, mas fica uma impressão de que a indústria está sendo privilegiada toda hora por medidas do governo. Quando na verdade, por exemplo, se reduz o IPI para linha branca. Daí, três ou seis meses disso, se prorroga a redução daquele mesmo IPI. Aí, meses depois se prorroga de novo daquele mesmo IPI. Fica uma impressão de que estão sendo atendidas muitas coisas, quando, na verdade, muito do mesmo acaba se fazendo. Elas não são medidas negativas, mas são medidas pontuais e setoriais. Eu sou a favor de medidas horizontais: todos precisam ser atendidos, toda a indústria de transformação é importante e passa por dificuldade devido à falta de competitividade do país.

Se você pegar a fábrica mais moderna e competitiva do mundo hoje e puser ela no Brasil, e colocar energia cara, gás caro, juros altos, custo de logística caro, um câmbio que agora melhorou um pouco, mas ficou totalmente defasado durante anos e ainda continua defasado, mas melhorou um pouco, e todos esses custos, dificuldade na educação… enfim, toda essa somatória prejudica a competitividade. Qualquer fábrica aqui instalada sentiria a mesma coisa.

Então, o que nós temos que fazer, é focar em medidas que atendam a todos e que resolvam o problema da competitividade do Brasil. E no curtíssimo prazo, que medida poderia ser feita para atender de forma justa e horizontal a todos, dando crédito a todos? Alongamento do prazo de recolhimento dos impostos.

As empresas hoje, além de pagarem impostos altos, antecipam, no caso da indústria, 50 dias, em média, o recolhimento dos impostos. Ou seja, a empresa paga o imposto e só 50 dias depois, em média de vários setores, vão receber os recursos do seu cliente pela venda do produto. Isto é um absurdo! Além da alta carga tributária, a empresa tem que tomar dinheiro emprestado no mercado, pagar juros elevados para antecipar para o governo.

Então, a medida no curtíssimo prazo e que atingiria a todos, não tem a história de um setor ou outro, e nem aquele que tem crédito ou não tem crédito, todos se beneficiariam, todos os que pagam e cumprem suas obrigações, seria o alongamento do prazo de recolhimento dos impostos. Essa é a medida do curto prazo.

E no médio e longo prazo nós temos que resolver o problema da competitividade do país, tendo uma energia a preço justo, tendo gás a preço Internacional, tendo juros isonômicos como outros países concorrentes, tendo uma infraestrutura e custo de logística cabível, tendo educação para a população, enfim, essa seria a solução do médio e longo prazo.

Falta de competitividade do Brasil afeta a indústria, diz Paulo Skaf na Globo News

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Skaf na Globo News: 'Quando os juros caem não significa que melhora a situação no mês seguinte'

Agência Indusnet Fiesp

Em sua participação no programa Conta Corrente, do canal de TV paga Globo News, na noite desta terça-feira (10/07), no Rio, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que a indústria de transformação passa por momentos de dificuldade por conta da falta de competitividade do Brasil.

Na entrevista concedida a Guto Abranches, Denise Barbosa e George Vidor, Skaf comentou o mais recente resultado da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e enumerou fatores que reduzem a competitividade brasileira: custo elevado de energia, defasagem cambial, juros e spreads bancários elevados e investimentos insuficientes em infraestrutura, entre outros.

O presidente da Fiesp disse ainda que as medidas adotadas pelo governo federal levam tempo para refletir nos indicadores. Como proposta para aquecer a economia brasileira, Skaf propôs o alongamento do prazo para recolhimento de impostos.

Veja os principais trechos da entrevista de Paulo Skaf ao Conta Corrente:

Crescimento da atividade industrial em 2012

Paulo Skaf – Vai ser difícil melhorar neste ano porque o que está acontecendo com a indústria de transformação, nós [da Fiesp] temos falado há algum tempo: no ano passado não teve crescimento nenhum – foi crescimento zero, o que foi uma das causas do crescimento [do Produto Interno Brasileiro] de 2,7%], muito abaixo do crescimento mundial, muito abaixo do crescimento dos países da América Latina. E este ano a coisa está se repetindo. O crescimento mundial deve ficar em torno de 2,4% e o da América Latina, em 3,5%. E o Brasil está com uma expectativa de 1,8% e a indústria de transformação em 0,8% negativos. A indústria como um todo deve ter até crescimento por causa [dos setores] da construção civil e da mineração. Mas o que mais interessa ao Brasil são as indústrias de transformação, onde se emprega intensivamente e onde estão os melhores salários. E [esta] passa dificuldades por falta de competitividade do Brasil.

Causas das dificuldades

Paulo Skaf – O problema não está da porta para dentro das fabricas. Está no custo elevado da energia, do gás, na logística cara, nos juros elevados – a taxa Selic está baixando, mas os spreads ainda são altos, aquilo que a indústria toma [emprestado] ainda é alto. O câmbio melhorou, mas estamos vivendo um câmbio 10% maior do que era em 2000 e de lá para cá tivemos 120% de inflação. A somatória de tudo isso prejudica muito a competitividade do Brasil e a indústria da transformação. Por ser a indústria que transforma matérias-primas, produtos, ela tem fluxo mais demorado. Esses custos do Brasil pesam sobre ela muito mais do que em outros setores.

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'O que precisamos é que o Estado cumpra o seu papel e ajude na recuperação da competitividade do Brasil', disse presidente da Fiesp ao Conta Corrente.

Pontos a melhorar

Paulo Skaf – Os contratos de concessão vencem em 2015, é necessário chamar novos leilões, isso leva um tempo. Estão falando em baixar o preço, mas não há uma consistência, por enquanto. O mesmo em relação ao gás. Em relação aos investimentos de infraestrutura, a velocidade não é aquela que o Brasil precisa para baratear a logística, custos que nós temos e os outros não têm. Os juros, a taxa básica, estão baixando? Estão. Mas o spread ainda não. Ainda custa caro – e muito caro – para a empresa tomar dinheiro emprestado.

Reação às medidas do governo

Paulo Skaf – Tivemos algumas melhoras. Essas coisas não respondem no mês seguinte. Quando os juros caem não significa que melhora a situação no mês seguinte. Leva seis meses para melhorar.

Juros

Paulo Skaf – Em setembro do ano passado, a taxa Selic estava em 12,5%. E a previsão da inflação para 2012 era de 5,5%. Hoje a Selic está com 8,5%, com possibilidade de cair e a projeção de inflação é de 4,5%. Espero que o Copom, com responsabilidade, reduza um ponto, para 7,5%, que isso é bom para o Brasil. Quando o Banco Central começou a baixar [a taxa Selic], havia comentários que [o governo] iria abandonar a meta da inflação, ficava aquele terrorismo todo. Nós que defendíamos que os juros deveriam baixar. Os juros saíram de 12,5% para 8,5% e a inflação de 5,5% para 4,5%. Baixou a inflação. São quatro pontos a menos na dívida pública, que é de dois trilhões de reais, o que significa 80 bilhões de reais a menos. É o orçamento da saúde que o governo vai deixar de pagar no campo da especulação.

Competitividade brasileira

Paulo Skaf – Se pegar a empresa mais moderna do mundo, a mais competitiva do mundo, colocar no Brasil e impor a ela os juros que nós pagamos, a defasagem cambial que nós tivemos, se colocar o custo logístico, o custo da energia, o custo do gás, enfim, se colocar todos esses fatores, mais a falta de competitividade por falta de qualidade da educação que nós temos, [ela terá reduzida sua competitividade]. Isso tudo não é um problema pontual da indústria – é um problema do país. Eu diria que não seria justo falar que o problema ou solução está dentro da empresa. Há empresas que são referências mundiais instaladas no Brasil e que têm problema de competitividade.

Mais prazo para recolher impostos

Paulo Skaf – O Brasil tem um modelo de iniciativa privada. O que nós pedimos ao Estado é aquilo que depende do Estado. Por exemplo: não cabe a nós tratar dos leilões que vão vencer em 2015. Dependemos da União para baixar o preço da energia. Não cabe a nós alongar os prazos de recolhimento dos impostos. Quando tínhamos inflação alta, de 80% em 1988, os prazos diminuíram. Estamos agora com 4,5% como meta [de inflação] para 2012. E, no entanto, cadê os prazos dos impostos? Além de a indústria pagar impostos altos, ainda paga 50 dias antecipado. Ela tem que tomar dinheiro emprestado, a juros altos, para pagar os impostos antecipadamente. O que precisamos é que o Estado cumpra o seu papel e ajude na recuperação da competitividade do Brasil.

Inovação

Paulo Skaf – Quando se tem um câmbio que inviabiliza o negócio, não adianta investir em inovação. A conta não fecha e a empresa vai trabalhar no prejuízo. Não adianta você aumentar o investimento em inovação que não vai ter sobrevivência. O setor elétrico intensivo não acha mais possível produzir alumínio no Brasil pelo preço da energia. Isso não tem nada a ver com a falta de investimentos em inovação ou com alguma coisa que possa ser feita pela empresa. Nós temos um problema muito sério e é bom que não se perca esse foco porque, para solucionar, precisa saber qual é o problema. Hoje é mais caro produzir no Brasil que nos EUA e na Itália. Isso não é normal. Está errado. Lógico que investimentos em inovação existem, poderiam ser maiores, tanto públicos quanto privados. Há um trabalho muito forte nesse sentido nosso.  Tenho a honra de presidir o Senai de São Paulo e temos orçadas unidades de nanotecnologia que só tem na Alemanha. Temos investido, sim, em inovação. É lógico que se pode fazer melhor, mas o problema da competitividade brasileira neste momento é um fator que vem antes deste. E sem ser resolvido não há fôlego para se investir em inovação.

Humanidade 2012

Paulo Skaf – O Humanidade 2012 [evento da Fiesp e de parceiros em paralelo à Rio+20] passou a ser a Rio+20. E lá se debateram coisas do interesse do país e do planeta. Os prefeitos [do grupo C-40] concluíram coisas positivas lá, tivemos uma reunião dos ministros de agricultura de 40 países e foi um espaço democrático, aberto a todos, que recebeu 250 mil pessoas. Ao contrário da conferência oficial, um espaço fechado, o nosso era aberto, democrático. A única coisa que me incomodou foram as filas, mas por uma questão de segurança, de qualidade da visitação, não tinha como acelerar [o andamento das filas]. Esperávamos uma visitação boa, mas chegou a ter dia com 48 mil pessoas. Aproveito para agradecer a todos que visitaram o Humanidade 2012. Fiquei muito feliz e eufórico e os resultados foram excelentes. Aproveitamos e conseguimos passar a imagem desse país maravilhoso que é o Brasil e as pessoas conhecerem coisas boas ligadas à sustentabilidade, ao equilíbrio das questões ambientais, sociais e econômicas.

Fiesp/Ciesp: bancos também precisam baixar os juros

Após a redução de 0,75 p.p. na taxa Selic para 9% a.a., anunciada pelo Copom na noite desta quarta-feira (18), o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf, declarou que a queda nos juros precisa chegar também aos tomadores finais. Skaf lembrou que os ganhos de eficiência e escala, conquistados pelos bancos com o crescimento do mercado de crédito, não se refletiram na oferta de financiamentos mais baratos.

Em janeiro de 2004, o crédito total da economia era equivalente a 24,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e atualmente esse nível está em 48,8%. Além disso, destacou, a redução do Risco Brasil também oferece margem para a queda dos juros. “O Banco Central vem baixando os juros há seis meses. Nesse contexto, os bancos devem baixar a taxa de juros para as pessoas físicas e jurídicas. É preciso estimular o crédito para sustentar o crescimento econômico e a geração de empregos no Brasil”, afirmou Skaf.

Sociedade deve ser menos tolerante com mau uso do dinheiro público, afirma Paulo Skaf

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp, durante palestra na sede da União Geral dos Trabalhadores



“No último ano, o Brasil gastou mais com juros do que com a saúde pública e os gastos com a dívida foram três vezes maiores do que o orçamento destinado à educação. Isso não está certo”, declarou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, durante encontro com a União Geral dos Trabalhadores (UGT) na tarde desta segunda-feira (2).

“Não podem falar que falta dinheiro no país, enquanto a arrecadação atinge a marca de um trilhão de reais. Não podemos aceitar que não há dinheiro, temos que ser menos tolerantes quanto a isso.”

Acessando o site do Jurômetro da entidade, o líder empresarial mostrou que só nos três primeiros meses deste ano o Governo já gastou mais de R$ 58 bilhões pagando juros. “Com esse valor seria possível construir 63 mil escolas, mais de um milhão de moradias e inúmeras obras que melhorariam a infraestrutura do país”, comparou.

O presidente da Fiesp ainda alertou que os juros, o câmbio desvalorizado e o elevado preço da energia incentivam a desindustrialização e que “só será possível reverter a situação se centrais sindicais, patronais e toda sociedade continuarem lutando juntas”.

Cinco razões para o Brasil baixar os juros

Agência Indusnet Fiesp

1. Ampliar o investimento na saúde, na educação, na segurança…
Somente em 2011, o governo pagou mais de 237 bilhões de reais em juros. Se investido em benefício da sociedade, esse dinheiro serviria para construir escolas, casas populares, hospitais, estradas, aeroportos e melhorar a qualidade da segurança, da saúde, da educação, da infraestrutura etc..

2. Gerar mais empregos
Juros menores estimulam o investimento na produção. Com mais recursos no setor produtivo, o país gera mais empregos, mais inovação e se torna mais competitivo. A Pesquisa Fiesp de Intenção de Investimento 2011 mostrou que 44% dos empresários apontam a diminuição da Selic como um dos fatores que mais contribuem para o aumento do investimento.

3. Tornar os produtos mais baratos
Ao reduzir os juros, o Brasil diminui o custo do capital de giro das empresas. Com isso, ajuda a tornar os produtos mais baratos para todos os consumidores. De acordo com um estudo feito pela Fiesp, 7,6% do preço dos produtos se deve ao pagamento de juros nas operações de capital de giro.

4. Aumentar a competitividade brasileira
Juros altos atraem capital para o país, fazendo que a nossa moeda se valorize. Isso reduz a competitividade do produto brasileiro tanto no exterior quanto na concorrência com os importados que chegam aqui.

5. Proteger o Brasil dos efeitos da crise internacional
Nosso país precisa continuar crescendo mesmo diante da instabilidade financeira mundial. A queda no crescimento econômico global e a redução dos preços das commodities, como petróleo, café, suco de laranja, minério de ferro, soja, alumínio etc.) reforçam as condições para que o Banco Central reduza a taxa de juros sem comprometer nossas metas de inflação.

Conheça o jurômetro, um alerta aos cidadãos sobre o que gastamos somente pagando juros e o que poderia ser feito em benefício da sociedade com todo esse dinheiro.

Saiba o que poderia ser feito com o dinheiro que o Brasil gasta por causa dos juros altos

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

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Da esq. p/ dir.: Pierangelo Rossetti, Paulo Skaf, José Ricardo Roriz Coelho e João Guilherme Sabino Ometto, durante apresentação do Jurômetro na Fiesp. Foto: Everton Amaro

“Enquanto estamos aqui reunidos, dinheiro suficiente para construir quatro escolas de ensino fundamental já foi gasto com o serviço da dívida pública”. Com essas palavras, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, demonstrou de modo bem prático o quanto o Brasil desperdiça com o pagamento dos juros de sua dívida e apresentou à imprensa o sistema on-line da Fiesp, que funciona e é atualizado 24 horas por dia no www.jurometro.com.br.

Junto com o presidente, o diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho, explicou a metodologia e demonstrou o estudo que suporta as diretrizes adotadas para o funcionamento do sistema.

Com o Jurômetro é possível para qualquer pessoa entender o que é juro e como ele influencia na vida e no dia a dia das pessoas, o que poderia ser feito com esse dinheiro nas áreas de Educação, Habitação e Renda.

“O próximo passo é passarmos do site para dois placares físicos, que vão ficar em São Paulo e em Brasília, tão logo as licenças sejam concedidas. Um deles vai ficar aqui na porta de Fiesp e o outro em local próximo ao Banco Central, em Brasília”.

Para Skaf, o que motivou a criação do Jurômetro foi a necessidade que a Fiesp encontrou de deixar bem claro o quanto custa produzir no país e que os juros desempenham um papel decisivo nesse custo. “Não adianta ter tecnologia, marca, mercado etc se o país não tiver competitividade. Ser competitivo é ter custos compatíveis com os de outros países”, disse. “Hoje é caro produzir no Brasil”, completa.

Este ano, aproximadamente R$ 240 bilhões serão gastos pelo governo com juros, enquanto o orçamento da Saúde é de R$ 70 bilhões e o da Educação é de R$ 80 bilhões. O impacto dos juros básicos é tão grande que leva a outros impactos que seguram a nossa competitividade e o crescimento, como o spread bancário, impostos, taxa de câmbio, investimento público, privado, juros bancários, exportação, importação, entre outros.

“É preciso intensificar a redução dos juros”, afirma Paulo Skaf

Agência Indusnet Fiesp

Após o anúncio de redução de 0,5 ponto percentual na taxa Selic e diante do cenário de desaceleração da atividade econômica, a Fiesp e o Ciesp defendem a continuidade do movimento de queda dos juros.

“Meio ponto percentual corresponde a uma economia de R$ 8,5 bilhões aos cofres públicos, valor suficiente para construir 10 mil escolas ou 150 mil casas populares. Por isso os juros precisam continuar caindo”, afirmou Paulo Skaf, presidente das entidades.

Assim, a Fiesp e o Ciesp esperam que, nas próximas reuniões do Copom, a autoridade monetária acentue o movimento de redução dos juros, conforme o desejo de toda a sociedade brasileira.

Na última terça-feira (18), a Fiesp e o Ciesp, ao lado da CUT, Força Sindical, Abimaq, Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, lançaram o manifesto do “Movimento por um Brasil com juros baixos: mais empregos e maior produção”.

Fiesp e sindicatos trabalhistas lançam movimento conjunto contra juros altos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp: "Faz 16 anos que os juros no Brasil são um absurdo. Não podemos deixar que continue na especulação"

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e sindicados de trabalhadores oficializaram nesta terça-feira (18) o Movimento por Brasil com Juros Baixos: Mais Empregos e Maior Produção, enquanto o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) realiza seu primeiro dia de reunião mensal para decidir a taxa básica de juros Selic.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, participou do lançamento e reforçou que reduzir os juros para aumentar a produção e, consequentemente, o consumo, é um desejo em comum entre os sindicatos patronais, os trabalhadores e a sociedade.

“Nós não podemos permitir que continue na especulação. Faz 16 anos que os juros no Brasil são um absurdo”, declarou Skaf. Atualmente, a Selic ocupa o patamar de 12%. A decisão da autoridade monetária será conhecida nesta quarta-feira (19).

De acordo com instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central, pela quarta semana consecutiva, o mercado manteve a previsão para a Selic em 11% ao final deste ano. Para 2012, os economistas consultados preveem um patamar de 10,50% ao ano, segundo relatório Focus da divulgado na segunda-feira (17).

Na avaliação de Skaf, a divergência de interesses entre o empresariado e trabalhadores é mínima e será resolvida. “Temos que quebrar paradigmas. Essa história de estarmos divididos é boa para quem não quer o desenvolvimento do País. Ninguém aqui imagina transformar o País sem que haja o desenvolvimento com justiça social.”

O deputado e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, afirmou que comprar uma briga contra os juros altos não é “lidar com qualquer um”.

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Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical: "Comprar uma briga contra os juros alto não é lidar com qualquer um. Estamos enfrentando o sistema financeiro"

“Estamos enfrentando o sistema financeiro, Paulo Skaf”, salientou o deputado ao citar três nomes que deram início ao movimento: Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e o presidente da Fiesp.

Sem justificativa

Durante o evento, economistas afirmaram não haver justificativa para o Brasil manter a taxa básica de juros em elevado patamar. Em junho de 2009, pela primeira vez na história do País, o BC reduziu a Selic para um dígito, um patamar inédito de 9,25% ao ano.

“Não há nada que nos impeça de ter uma taxa de juros civilizada, a não ser o medo”, observou o professor doutor do Instituto de Economia da Unicamp e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann. Ele acrescentou que o fortalecimento da produção nacional e a consequente geração de emprego podem fazer com que o Brasil deixe para trás “a marca de subdesenvolvimento”.

“Esse movimento não é apenas para fazer com que o País recupere seu nível de antigamente, mas também para que cresça no próximo ano”, disse o economista, ressaltando que se não houver uma baixa da Selic, o País pode registrar um “crescimento negativo no ano que vem”.

Para o professor-doutor do Departamento de Economia da PUC-SP, Antonio Corrêa Lacerda, o grande desafio para o Brasil é tornar o Banco Central independente do governo e do mercado e ter total autonomia em suas decisões.

Ele reforçou o discurso de Pochmann de que não há justifica para a Selic a 12% ao ano. “Estamos diante de uma gravíssima crise internacional, e o Brasil precisa tomar medidas para não importar essa crise. Temos todas as condições para baixar a taxa de juros. No G20, o Brasil está entre os que têm fundamentos melhores, ao contrario de Grécia, Portugal e até mesmo EUA. Nós temos bons indicadores”, argumentou Lacerda.

Para assinar o manifesto pelos juros baixos clique aqui.

“Mais de R$ 1 trilhão em 5 anos! Chega de pagar os juros mais altos do mundo”, diz Skaf

 Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Após o lançamento do Movimento por Brasil com Juros Baixos: Mais Empregos e Maior Produção, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e os representantes das centrais sindicais realizaram no final da manhã desta terça-feira (18) uma passeata até a sede do Banco Central, na Avenida Paulista. A reivindicação pela queda da taxa básica de juros reuniu cerca de 1.000 pessoas, entre trabalhadores e empresários, que se concentraram em frente ao BC.

“Estamos confrontando a política monetária brasileira porque o País necessita de juros mais baixos e de menos especulação. Neste ano serão pagos R$ 250 bilhões de juros, nos últimos cinco anos se pagou mais de R$ 1 trilhão, nos últimos oito anos mais R$ 2 trilhões de reais. O que Brasil precisa, de fato, é de dinheiro investido na produção, na geração de emprego, no desenvolvimento, e não ficar pagando para especuladores os juros mais altos do mundo nestes 16 anos seguidos”, exclamou Skaf durante entrevista coletiva.

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp (com a bandeira do Brasil nos ombros) e líderes sindicais à frente da passeata até o Banco Central, na Avenida Paulista

Ao defender que este é um manifesto da sociedade brasileira, o presidente da Fiesp afirmou que o Banco Central não pode ser responsável pelo destino do País. “O BC tem uma missão focada somente na moeda. Não cabe ao BC decidir o futuro do Brasil e do povo brasileiro, mas sim ao governo, à presidente Dilma Rousseff. E cabe à sociedade brasileira exigir que as coisas aconteçam de forma correta”, reforçou Skaf.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, explicou que a ideia do movimento é mostrar a insatisfação dos trabalhadores e do empresariado brasileiro a cada 45 dias, quando ocorre a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

“Somos campeões de juros altos há 16 anos, e com isso o Brasil não cresce e nem se desenvolve. Essa união de centrais sindicais, trabalhadores e empresariado é para dizer que não aguentamos mais esta situação”, completou Pereira.

Estudo da Fiesp analisa melhores taxas de juros do mercado brasileiro

Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp, por meio de seu Departamento de Economia (Depecon), elabora estudo comparativo das taxas de juros aplicadas pelos grandes bancos de varejo no Brasil.

A proposta dessa análise é auxiliar os industriais e a sociedade em geral a negociar as melhores condições para suas operações de crédito. Além disso, vai ao encontro dos esforços da entidade na busca pela redução do custo do dinheiro.

Atualizado semanalmente, o Custo de Crédito do Brasil toma como base os dados do Banco Central sobre financiamento de capital de giro.

Confira aqui o estudo mais recente.

Redução da Selic indica cenário melhor para indústria, mas no longo prazo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Acervo Fiesp/Senai

A redução da taxa básica de juros Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) pela primeira vez este ano sugere não só o fim do aperto do ciclo monetário como também novas perspectivas para a atividade industrial, mas apenas no longo prazo.

A Selic foi reduzida em 0,50 ponto percentual para 12% ao ano, uma medida que pode diminuir a sobrevalorização cambial, vilã da competitividade da indústria doméstica.

“Foi uma surpresa agradável porque sabemos que a taxa Selic é um ponto fora da curva. Mas ninguém considera que 0,50 [ponto percentual] venha resolver a questão, não resolve. A questão mais importante não é variação percentual e sim o que ela carrega consigo de mensagem de disposição de vir efetivamente a percorrer um caminho de queda”, explicou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp, embora tenha reforçado que o fraco desempenho da atividade deve persistir até o fim do ano.

O diretor do Departamento de Relações Comerciais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti, engrossa o coro da indústria de que a redução, ainda modesta, da taxa de juros é o início de uma situação favorável para a indústria, já que a decisão, se acompanhada de mais cortes, pode deixar a especulação cambial menos atrativa.

“A gente vai conviver com um câmbio entre R$ 1,70 e R$ 1,80 nos próximos seis meses. Claro que não podemos esperar uma excessiva desvalorização do Real, porque isso também teria efeitos na inflação e o governo tem que cuidar também da inflação”, disse Giannetti. O dólar encerrou esta quinta-feira a R$ 1,71, de acordo com o Banco Central.

Mais do que Selic

Embora a taxa básica de juros seja o centro das atenções quando se trata de falta de competitividade da indústria, ainda é necessário considerar um plano mais encorpado para devolver o fôlego da atividade industrial e de sua participação no mercado doméstico.

Nos últimos anos, os diversos setores da indústria despencaram em ritmo de produção e exportação e em competividade no mercado local. De acordo com o Derex, o total exportado em quantidade física de produtos manufaturados em 2011 ainda não recuperou o nível de 2005.

“Portanto em volume, que é o que importa do ponto de vista de geração de emprego e de renda, os produtos manufaturados voltaram para trás na exportação”, informou Giannetti, acrescentando que no mesmo período as quantidades importadas de produtos manufaturados cresceram 101,7%.

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Segundo Francini, do Depecon, a exportação de bens manufaturados deve encerrar o ano de 2011 com um déficit de US$100 bilhões. “Isso movido pela substituição crescente da produção doméstica por importados.”

O número contrapõe informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) de que as exportações no acumulado de janeiro a agosto somaram US$166,71 bilhões, uma alta de 31,4% ante o mesmo período do ano passado, superando o crescimento de 27,4% das importações durante o mesmo período.

“O significante é commodity, que aumentou 30% em preço. Nada contra os produtos primários, mas há pouca participação da indústria. As estatísticas de Comércio Exterior às vezes enganam”, afirmou Giannetti.

Apesar de uma mudança das perspectivas com a redução da Selic, Francini mantém sua previsão de um desempenho medíocre da indústria este ano: “Está mais do que mantida. Vai ser medíocre mesmo. Estamos projetando 2,5% a taxa de crescimento da indústria, claramente com viés de baixa”.

Resta esperar o efeito gradativo da redução da taxa básica de juros sobre a atividade da indústria. “Eu diria que no transcorrer de um ano há de promover efeito. Não é apenas a Selic, o governo tem tido atitudes relacionadas também ao chamado capital especulativo”, previu Francini.