Reformas são fundamentais para taxa de juros cair para os padrões internacionais

A taxa Selic caiu para níveis historicamente baixos, mas essa queda ainda não foi plenamente percebida nos custos dos empréstimos. São cruciais, portanto, medidas que reduzam o elevado custo do crédito, refletido nos dilatados spreads bancários, há várias décadas entre os maiores do mundo. Para reduzir o alto custo do crédito, é necessário adotar medidas que combatam de fato a baixa concorrência no sistema bancário brasileiro.

Além disso, o avanço das reformas que equacionem o grave desequilíbrio fiscal é crucial para que a taxa Selic recue de forma consistente para níveis condizentes com os padrões internacionais. As expectativas do mercado, capturadas pela pesquisa Focus, apontam para a elevação da Selic de 6,5% para 8,0% em 2019, e o quadro pode ser de aumentos mais drásticos em caso de aumento da incerteza quanto à sustentabilidade das contas públicas.

Seguramente, há muitos outros desafios a enfrentar para a continuidade do processo de retomada do crescimento. Em nossas preocupações, a questão do desemprego deve estar sempre presente; é preciso medidas de estímulo à economia para acelerar o crescimento e, por consequência, a geração de emprego e renda.

José Ricardo Roriz

Presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp

Banco Central joga contra o Brasil ao manter Selic em 6,5%

O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (16 de maio) a manutenção em 6,5% ao ano da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic.

Em outubro de 2016 a Selic era de 14,25%, e caiu para o valor atual após 12 cortes. Só que no mesmo período foi muito menos expressiva a queda dos juros para empréstimos.

A manutenção da Selic retardará ainda mais a redução do custo do crédito. Corremos o risco de ver morrer a retomada da economia, num momento em que o Brasil tenta sair de sua pior crise. O crescimento ainda é muito frágil – e só vai ganhar força se ficarem em nível razoável os juros para quem quer investir e consumir.

Crédito caro joga contra o país. Chega de engolir o sapo dos juros mais altos do mundo!

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp

Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Ciesp

BC reduz a Selic, mas precisa atacar os juros para o tomador final

Nesta quarta-feira, 7 de fevereiro, o Banco Central definiu o novo valor da taxa Selic em 6,75% ao ano, redução de 0,25 ponto percentual.

Este é o menor valor da taxa Selic em toda sua história, mas isso adianta muito pouco, porque os juros para o tomador final no Brasil ainda estão entre os maiores do mundo. As altas taxas para o tomador final retiram poder de compra das famílias, inibem o investimento e a geração de emprego por parte das empresas e dificultam a retomada do crescimento.

O Banco Central precisa deixar de só fazer ameaças ao sistema bancário. Tem que tomar ações incisivas para reduzir a taxa de juros ao tomador final.

 

Paulo Skaf

Presidente da Fiesp e do Ciesp