Senai-SP Superação: ‘Cabe a cada um enfrentar os desafios’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Não dá para ficar sentada lamentando”. Não é preciso mais de cinco minutos de conversa com a instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) Gilvani Tavares Costa para ter certeza de como essa postura diante da vida é seguida à risca. Funcionária da Escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo, no Tatuapé, na capital paulista, especializada em construção, ela dá aula de pedreiro/assentador e também no curso de Construtor de Edificações. E tem a sua história pessoal de superação ligada a tudo o que viveu nos corredores da unidade, onde ingressou em 2007, como aluna.

Hoje com 27 anos, Gilvani sempre se imaginou trabalhando com mecânica. Mas achou boa a dica de uma amiga de tentar uma vaga no curso de Construtor de Edificações da escola da instituição no Tatuapé. Um ano depois, já estava treinando para participar da Olimpíada do Conhecimento, em 2008, ficando em terceiro lugar na modalidade de Jardinagem e Paisagismo da competição.

Foi a escolha certa, até porque, participando da disputa, ela teve o apoio do Senai-SP com o pagamento das passagens de ônibus para os deslocamentos por conta dos treinos. “Meu pai nunca teria condições de pagar um curso como o que eu fiz no Senai”, conta. “Aliás, ele não tinha dinheiro nem para as passagens, que eu consegui por conta da Olimpíada”.

Gilvani é filha de um ex-cortador de cana de Pernambuco, mais precisamente da cidade de Barreiros. Com a saída da mulher de casa, ele se viu sozinho com três crianças para cuidar. Terminou indo viver com o trio na capital paulista, onde estão até hoje. E onde foram, aos poucos, progredindo. Atualmente morando no Parque Ermelino, na Zona Leste da maior cidade do Brasil, a família vai se mudar, em dezembro de 2017, para um apartamento novo que está para ser entregue no bairro da Penha, também na Zona Leste.

Além de dar aulas no Senai-SP, Gilvani se forma, no final deste ano, em Arquitetura. Sua irmã, Giselle, também ex-aluna e instrutora da instituição, cursa Engenharia. O irmão, Gabriel, trabalha com o pai, prestando serviços de pintura automotiva. “Sempre fomos uma família muito unida”, diz. “Ele nunca teve a ajuda de ninguém para nos criar, um cuidava do outro”.

Com o senhor Isaías, ela aprendeu valores que ajudaram a escrever a sua história de superação. “O meu pai me ensinou a respeitar os outros, a amar o próximo e a correr atrás dos nossos objetivos”, explica. “Incentivou e ainda incentiva os nossos estudos”.

Em casa 

É também em família que Gilvani diz se sentir nos corredores e salas de aula do Senai-SP. “Aqui cresci do ponto de vista profissional e pessoal”, conta. “Me capacitei, consegui um trabalho, tive a chance de proporcionar uma vida melhor para o meu pai e para os meus irmãos”, diz. “Me sinto amparada, em casa”.

Gilvani na escola do Senai-SP no Tatuapé: "Me sinto amparada, em casa".

 

Diretor da escola no Tatuapé, Abilio José Weber retribui o carinho. E a admiração. “A Gilvani sempre chamou a atenção pela garra”, afirma. “É muito bom poder acompanhar uma transformação assim na vida de alguém”, diz. “E contar com profissionais que dão o máximo pela instituição”.

Para Gilvani, é tudo uma questão de aproveitar as chances que são oferecidas a cada um. “O Senai-SP te dá oportunidades”, conta. “Cabe a cada um se superar e enfrentar os desafios”.

 

 

 

Mulheres são 42% dos alunos nos cursos de formação em construção do Senai-SP

Isabela Barros 

Não importa o peso da carga: as mãos que carregam os tijolos são, quase na mesma proporção, masculinas e femininas. Nas salas da Escola Senai “Orlando Laviero Ferraiuolo”, no bairro do Tatuapé, na capital, especializada em construção, as mulheres respondem por 42% das matrículas dos cursos de formação. E se destacam em áreas como edificações, alvenaria e afins. Para professoras e alunas, no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) não existe diferenciação de acordo com o gênero, basta querer colocar a mão na massa.

“Adoro mexer com cimento”, diz Larissa Assunção, de 16 anos, aluna do segundo semestre do curso Técnico em Edificações na escola. “As aulas que mais sujam a roupa são as melhores”, garante.

Segundo ela, que planeja ser engenheira no futuro, nas disciplinas “todo mundo faz tudo, sem distinção”.

O envolvimento com a formação também é destacado pela estudante Lara Castello, de 16 anos, do primeiro semestre do Técnico em Edificações. “Sou ativa, gosto da ideia de construir casas para as pessoas morarem”, afirma.

Orgulhosa de si desde as primeiras aulas, quando conseguiu dobrar uma peça de aço e mexer com uma serra, ela guarda até hoje a primeira peça de madeira que cortou.

A habilidade no manuseio de “serras perigosas” e “peças muito quentes” também é citada por Beatriz Fogo, de 16 anos, no terceiro semestre de Edificações. “As oportunidades estão aí para meninos e meninas, nunca me senti discriminada por ser mulher”.

A partir da esquerda, Lara, Beatriz e Larissa se dizem orgulhosas em trabalhar com construção. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

No DNA

Professora de disciplinas ligadas ao trabalho de assentador, revestidor e carpinteiro na “Orlando Laviero Ferraiuolo”, Márcia Rodrigues da Silva, de 29 anos, está acostumada a dar aulas para homens sem que ninguém questione as suas habilidades na área. No caso dela, o amor pela construção está no DNA e na memória afetiva. “Meu pai é mestre de obras, sempre o vi construindo na nossa casa”, conta.

Afirmando trabalhar num “ambiente igualitário”, ela diz que o desafio de abrir caminho numa área ainda dominada pelos homens só a estimula a querer mais. Hoje, Márcia dá aula no Senai pela manhã, trabalha como fiscal de obra à tarde e faz faculdade à noite. Concluindo a graduação como tecnóloga em Estrutura Metálica, ela pretende seguir com os estudos cursando Engenharia.

Márcia: inspiração que veio de casa e aulas no Senai-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Elas estudam mais

Diretor da escola do Senai-SP especializada em construção, Abilio José Weber conta que o machismo observado nas empresas que preferem contratar homens passa longe das salas da instituição. “Aqui as meninas são tratadas com o mesmo respeito que os homens”, diz. “Nunca ouvi um comentário sequer no sentido de que elas não trabalham bem na área”.

Segundo Weber, elas são, aliás, as campeãs das notas altas. “As nossas alunas normalmente estudam mais que os estudantes do sexo masculino”.

Como reflexo do aumento no número de mulheres, a escola do Tatuapé recebeu, em suas últimas reformas, mais banheiros femininos e um vestuário exclusivo para elas. Tudo para receber melhor as experts do tijolo e do cimento que saem de suas salas de aula.

Das salas de aula aos canteiros de obras, Senai-SP impulsiona a construção civil em SP

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Tijolo por tijolo, literalmente, é grande a contribuição do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) para a construção civil no estado. Das salas de aula da instituição saem pedreiros, eletricistas, encanadores, assentadores de pisos e muitos outros profissionais que fazem a diferença nos canteiros de obras. E isso para citar apenas uma atividade oferecida, já que a oferta de educação em si é apenas um dos braços do trabalho da entidade no setor.

Não à toa, o estande do Senai-SP é um dos mais procurados na atual edição da Feicon Batimat, principal salão da área no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista. O evento, aberto nesta terça-feira (18/02), segue até o dia 22 de março. No espaço do Senai-SP, estão sendo oferecidas palestras com temas variados, como “Sistemas de Impermeabilização” e “Alvenaria Racionalizada”, entre outros.

O estande do Senai-SP na Feicon: palestras variadas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O estande do Senai-SP na Feicon: palestras variadas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O trabalho da instituição na área, que formou 106 mil profissionais para atuar no setor em 2013, tem como quartel general a Escola Senai “Orlando Laviero Ferraiuolo”, no bairro do Tatuapé, em São Paulo. A unidade atende a vários segmentos da cadeia da construção civil, oferecendo curso técnico de Edificações, curso de aprendizagem industrial para eletricista instalador, instalador hidráulico e construtor residencial e curso de mestre de obras.

Isso além de cursos sob medida para empresas, cursos de qualificação ou requalificação e certificação profissional, entre outros. “A escola do Tatuapé ainda dissemina a formação para atender o setor em outras unidades”, explica o diretor da escola, Abilio  José Weber. “Investimos num novo perfil de formação técnica na área, com profissionais com uma visão mais plena do setor”.

Segundo Weber, o índice de empregabilidade dos alunos do Senai-SP no Tatuapé e alto. E chega a 95% em cursos como o de mestres de obras. “Na formação técnica, esse percentual fica em torno de 90%, com muitos alunos indo estudar Engenharia e Arquitetura depois”.

A presença de alunos do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), principalmente na formação técnica, chega a dois terços dos estudantes, de acordo com o diretor da escola do Tatuapé. “Oferecemos 64 vagas por semestre para os alunos do Sesi-SP que optam pela formação conjunta, em paralelo com a escola regular”, afirma Weber. “Na última seleção, em janeiro, 250 alunos se candidataram. Tivemos que fazer uma seleção”.

Sala de aula da escola do Senai-SP no Tatuapé: referência para a formação de mão de obra na área. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Sala de aula da escola do Senai-SP no Tatuapé: referência para a formação de mão de obra na área. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Atualmente, a Escola Senai “Orlando Laviero Ferraiuolo” atinge um total de 10 mil matrículas todos os anos, das quais 5,5 mil nos cursos sob medida para a indústria e 4,5 mil nos treinamentos realizados no Tatuapé.

No que toca à indústria, mais de 25 empresas entre as maiores do setor no país são parceiras do Senai-SP nesse sentido, ou seja, solicitam cursos sob demanda para a instituição.

Dever de casa

De acordo com Weber, a formação profissional na construção civil é “cara”, por isso a pequena oferta de cursos na área. “É tudo muito prático, alguns alunos chegam a construir uma casa como atividade”, explica. “Isso de forma completa, com todos os materiais, como cimento, pregos, pisos, revestimento e assim por diante”.

Por isso mesmo, os cursos do Senai-SP, muitos dos quais gratuitos, chegam a atrair até profissionais como arquitetos e engenheiros. “É o caso do curso de leitura e interpretação de projetos de obras civis, por exemplo”, conta Weber.

Laboratório de boas ideias

Aliadas à formação profissional, as atividades de pesquisa têm espaço principalmente no Laboratório de Ensaios Tecnológicos, no Tatuapé. “Atendemos a indústria com o desenvolvimento de concretos, vigas, soluções de argamassa”, explica o diretor da unidade.

Weber: “É tudo muito prático, alguns alunos chegam a construir uma casa como atividade”. Foto: Isabela Barros/Fiesp

Weber: “É tudo muito prático, alguns alunos chegam a construir uma casa como atividade”. Foto: Isabela Barros/Fiesp

Há ainda o trabalho de busca de soluções como, por exemplo, o cálculo de ângulos para telhados de madeira, por sinal vencedor do prêmio Inova Senai 2013 na categoria Processos.

Alcance no estado

Além da escola do Tatuapé, a cidade de Bauru, a 330 quilômetros da capital, também tem cursos técnicos em construção. Já em Itu, distante 102 quilômetros de São Paulo, e em Ribeirão Preto (315 quilômetros de distância da maior metrópole brasileira), são oferecidos cursos dentro das próprias empresas do setor, que apresentam suas demandas de treinamento para a instituição.

“Em 2013, o Senai-SP formou 106 mil profissionais para trabalhar com construção civil em São Paulo”, conta, orgulhoso, Weber.

Eficiência energética que otimiza o uso e não desliga a máquina fica em primeiro lugar no Inova Senai

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A energia elétrica é um dos insumos no cálculo do custo da produção, mas a indústria, por falta de informação, associa a redução do gasto com energia ao desligamento de maquinário, avaliou o professor Maurício Gati Amaral. Ele é orientador de Práticas Profissionais da Escola Senai Frederico Jacob, no Tatuapé, zona leste de São Paulo.

A pesquisa sobre o assunto rendeu o primeiro lugar na categoria Serviço Inovador no Inova Senai 2013, realizada em setembro, no Anhembi, durante o São Paulo Skills, maior campeonato do ensino profissionalizante do estado.

“Eficiência energética é usar melhor a energia disponível para produzir determinado produto, ou seja, reduzir o desperdício”, explica. “Muitas empresas dizem ter um plano de redução, mas, quando apresentamos as nossas propostas, ficam surpresas sobre como é possível otimizar o uso”, afirma Amaral.

Ele e o colega, o professor Edson Pereira, especialista em eficiência energética, prestaram um serviço de análise e diagnóstico de eficiência energética para a Casa da Moeda. No trabalho, os professores do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) analisaram os insumos energéticos (água, eletricidade e gás) da planta industrial e identificaram oportunidades de redução do consumo de energia.

“É um conjunto de soluções. Por exemplo: o sistema de iluminação dos galpões e da área de fabricação deles é relativamente antigo e, com um novo tipo de lâmpada, eu reduzo o número de lâmpadas mais antigas mantendo a eficiência luminosa da área”, explica Amaral.  Ele afirma que “é possível encontrar no mercado nacional” as luminárias e demais equipamentos propostos.

O trabalho é fruto de uma parceria do Senai-SP com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Ele foi compilado, organizado e enviado para edição de 2013 do Inova Senai por Wilker Iassia, interlocutor da escola do Senai-SP do Tatuapé com a organização do prêmio.

Da esquerda para a direita: Pereira, Amaral e Iassia: trabalho em parceria com a Firjan. Foto: Arquivo Pessoal

Da esquerda para a direita: Pereira, Amaral e Iassia: trabalho em parceria com a Firjan. Foto: Arquivo Pessoal

 

“A Firjan prestava serviço para a Casa da Moeda para uma produção mais limpa, mas na época eles não tinham um setor desenvolvido para energia”, lembra o professor. O trabalho para a empresa, que tem pelo menos 3 mil funcionários, foi prestado em 2010.

No Rio de Janeiro

Os professores ficaram ao menos quatro dias no Rio de Janeiro, sede da Casa da Moeda, criada há mais de 300 anos e responsável pela fabricação de cédulas e moedas no país.

“Foi feita toda a análise em produção e administrativo”, diz. “Fizemos todos os levantamentos dos pontos de medição e, no final dos trabalhos, fizemos a apresentação para o superintendente de energia da empresa”, conta.

Desde a apresentação do diagnóstico, pelo menos seis empresas procuraram por Maurício Amaral e Edson Pereira. “As empresas ainda estão entrando em contato conosco”, diz Amaral.

Ele acrescentou que a Análise e Diagnóstico em Eficiência Energética cumpre as normas da ISO14001 e ISSO 50001 – regras para garantir a eficiência energética.