Irandhir Santos vence pela segunda vez o 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema

Juan Saavedra e Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

Ele foi o Diogo Fraga de “Tropa de Elite 2” (2010), filme mais visto da história do cinema brasileiro. E o Clodoaldo de “O Som ao Redor” (2012), melhor produção no Festival de Gramado daquele ano. Aos 35 anos, o ator Irandhir Santos – apaixonado confesso pelo teatro – não escondeu o amor pela sétima arte ao ser convidado para receber o 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema.

O ator pernambucano Irandhir Santos ganhou o 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema na categoria melhor ator com seu trabalho em "Tatuagem". Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Há sete anos o cinema me roubou e eu me deixei levar. Estou cada vez mais apaixonado”, admitiu o ator ainda no palco, segundos depois de receber o reconhecimento – iniciativa que tem realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) em conjunto com o Sindicato da Indústria do Audiovisual do Estado de São Paulo (Siaesp).

É o segundo Fiesp/Sesi-SP de Cinema desse pernambucano de 35 anos – na edição de 2013 ele ganhara com seu Zizo em “A Febre do rato”.

Em 2014, foi a vez de “Tatuagem”, filme em que interpreta Clécio Wanderley, líder de uma trupe teatral que se apaixona pelo soldado Arlindo Araújo em pleno regime militar.

Não por acaso, Irandhir fez questão de lembrar os 50 anos do 1º de abril de 1964. “Data do golpe civil-militar”, ressaltou.

“Para mim, ‘Tatuagem’ é um gesto de resistência afetiva, um gesto de resistência radical. São filmes como esse que eu torço para que aqueles que lutam diariamente se atrevam e se alimentem para ter forças e lutar para uma sociedade nova, que eu acredito”, concluiu, homenageando o diretor Hilton Lacerda.

Formado em Artes Cênicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Irandhir acumula atuações em mais de 15 filmes e cerca de 20 prêmios em aproximadamente dez anos de carreira.

Um dos destaques é a atuação em “Olhos Azuis” (2009), do diretor José Joffily. Seu papel como Nonato, um professor brasileiro humilhado por um agente de imigração nos Estados Unidos, valeu ao ator um total de sete premiações, inclusive a de melhor ator no Festival de Cinema Brasileiro de Miami.

Críticas à distribuição

Irandhir Santos: "Há sete anos o cinema me roubou e eu me deixei levar. Estou cada vez mais apaixonado". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Pouco antes da cerimônia, ao conversar com a reportagem, Irandhir disse estar feliz com mais uma indicação.

“Para mim, que tenho uma trajetória com filmes de baixo orçamento, esse tipo de indicação a prêmios especiais, como o da Fiesp e do Sesi-SP, só ajudam ainda mais o filme a ser visto, pois, no fim das contas, é isso que nós queremos com o nosso projeto, com o nosso filme: que ele seja visto. E esse prêmio coopera muito para isso”.

O ator elogiou a diversidade de produções da indústria de cinema brasileira.

“Nosso cinema vem despontando com força de produção muito grande. Temos grandes filmes sendo feitos. E isso é muito bom em relação à profissão. Porém temos muitos defeitos que devem ser revistos e avaliados”, afirmou, criticando as dificuldades para exibição dos filmes.

“Acho que precisa ser repensada essa política de distribuição dos nossos filmes, para que ele [cinema brasileiro] tome força, principalmente na educação do nosso povo. Para que possa ser algo cotidiano, das pessoas irem ao cinema assistir produções nacionais.”