‘Contrate pessoas melhores que você’, aconselha fundador de startup

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Danilo Toledo (de pé), sócio-fundador da Taqtile, em encontro do CJE. Foto: Fiesp/Everton Amaro

A Taqtile, empresa brasileira de criação de aplicativos para o Brasil e o mundo, procura contratar pessoas que são melhores que os seus fundadores ou que tenham potencial para serem melhores, afirmou seu sócio-fundador Danilo Toledo em evento na noite desta terça-feira (25/02) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ele participou do segundo bate-papo de aquecimento para o Hackathon, desafio programado para o mês de março pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp com a proposta de incentivar os participantes a criar um aplicativo gratuito para mobile (softwares desenvolvidos para rodar em dispositivos móveis como smartphones e tablets). O encontro foi conduzido pelo diretor titular adjunto do CJE, Marcos Zekcer.

“A gente precisava entender o mobile como meio de comunicação. Então, fomos entender o que era a comunicação e como usar o mobile para esse fim”, explicou Toledo sobre os fundamentos da companhia.

Fundada por Toledo e outros dois sócios, Edmar Miyake e Renato Tano, a Taqtile já desenvolveu aplicativos tanto para o partido norte-americano dos Republicanos, quanto para os adversários Democratas. E ganharam visibilidade nos Estados Unidos e no Brasil ao criarem o aplicativo que transmitiu ao vivo a posse do presidente norte-americano Barack Obama.

“Foi o primeiro aplicativo de posse de um presidente americano. A nossa turma virou Natal, Ano Novo para entregar. Tinha funcionalidades básicas como, por exemplo, depois de comprar ingressos para assistir à posse, ver onde iria ficar, além de acompanhar todos os vídeos da posse”, lembrou. “Foi um aplicativo relativamente simples, mas que nos deu muito repercussão”, reconheceu.

Depois do sucesso, segundo Toledo, os sócios da Taqtile tiveram de escolher entre aproveitar a onda e desfrutar de um vertiginoso crescimento ou manter a essência do grupo e um crescimento sustentável.  Segundo, a julgar pelas oportunidades que estavam aparecendo, a empresa poderia crescer até 10 vezes mais.

“Pensamos que se crescêssemos desse jeito a gente não iria conseguir manter o nosso perfil. Então decidimos não crescer a qualquer custo, vamos nos manter num crescimento sustentável, valorizado”, afirmou.

Durante sua palestra, Toledo ainda defendeu que o sucesso do aplicativo está conectado à relevância das necessidades humanas.

“Não adianta você ter a melhor ideia do mundo se ela não é útil para ninguém. Começamos a negar uma série de projetos porque queremos fazer coisas relevantes”, garantiu.

Perfil do empreendedor brasileiro

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Andiara Petterle, diretora-executiva da e.Bricks Digital. Foto: Fiesp/Everton Amaro

A diretor-executiva da e.Bricks Digital, empresa de investimentos em empreendimentos digitais, Andiara Petterle, também falou à plateia do evento de aquecimento para o Hackathon. Segundo ela, 83% dos empreendedores digitais brasileiros é de sexo masculino, 67% tem idade entre 25 e 40 anos, sendo 19% com graduação relacionada a tecnologia e 16% ligado à administração de empresas.

Apesar da influência norte-americana e europeia no empreendedorismo brasileiro e da relação com cursos universitários de tecnologia, Petterle acredita que “dificilmente veremos um Facebook, Whatsapp ou LinkedIn no Brasil”.

Em seu diagnóstico, Petterle afirmou que “o empreendedor que joga no mercado vem da escola de negócios”. Ela disse ainda que nos próximos anos a e.Bricks Digital deve fazer bastante investimentos de e-commerce.

Terceiro a falar, Guilherme Junqueira, diretor-executivo da Associação Brasileira de Startups, informou que o Brasil tem 2.546 startups e nove mil empreendedores. Somente São Paulo abriga 641 startups, enquanto Minas Gerais é endereço para 197 delas. O Rio de Janeiro tem 177.

Eleito como um dos 10 empreendedores que no ano de 2013 mais contribuiram para o ecossistema de startups – pessoas, entidades, grupos e empresas que fazem parte da cadeia de nascimento e desenvolvimento do empreendimento –, Junqueira reiterou que “não há receita de bolo. Cada startup tem “um jeito, uma história para contar, uma construção”.