Especialistas discutem melhorias para infraestrutura brasileira em evento na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Especialistas em gestão de resíduos e infraestrutura participaram nesta quarta-feira (19/03) do ‘Seminário Brasil-Japão: parceria para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira’, evento realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Os profissionais convidados falaram sobre a importância de o Brasil investir em novas formas de geração de energia, além de ressaltarem a urgência da melhoria da infraestrutura nacional.

Para Roland Greil, gerente da Hitachi Zosen, a utilização de resíduos sólidos para geração de energia é fundamental para vencer os atuais problemas energéticos que o país atravessa.

Segundo Greil, no Brasil o aumento da quantidade de resíduos gerados é duas vezes maior que o do crescimento da população. Muito disso devido ao aumento da urbanização e do crescimento econômico do país.

“A previsão é de 2,2 bilhões de toneladas de resíduos gerados até 2025″.

De acordo com o gerente da Hitachi Zosen, aproveitar os resíduos na matriz energética é parte essencial de uma estratégia de gestão sustentável. E deveria ser melhor aplicada no Brasil.

“[A utilização de resíduos sólidos para geração de energia] é complementar à reciclagem, com uma pegada de carbono pequena por evitar emissões de metano no aterro sanitário, por recuperar o conteúdo de energia da biomassa neutra em carbono, e também por compensar o uso de combustíveis fósseis para geração de energia”, explicou.

Além disso, de acordo com o especialista, a utilização da tecnologia é comprovadamente econômica e confiável, com melhoria continua e com a recuperação de materiais valiosos como metais.

Em seguida, Atsushi Masuda, diretor da Toshiba, abordou os problemas e os desafios para a melhoria da infraestrutura energética no Brasil.

De acordo com o dirigente, o número alto de incidências de interrupções de abastecimento energético e o elevado tempo de interrupções em comparação com países desenvolvidos comprovam a necessidade de avanços na questão.

“A média horária de interrupções energéticas em 2012 no Brasil foi de 18,6 horas”, disse Masuda.” Em certas localizações na região norte, a média chega a 100 horas”, completou.

O número é alto e longe de ser o ideal para um país do tamanho territorial do Brasil. Segundo Masuda, no Japão, que possui uma população bastante inferior à brasileira, a média de interrupções energéticas é de apenas 16 minutos por ano.

Além disso, outro grave problema observado pelo convidado é a perda energética. “No Brasil, é de 15.8% a taxa de perda de energia antes de chegar ao consumidor final. No Japão a perda é de 4.7%”, comparou.

Masuda ainda ressaltou durante sua exposição a possibilidade de falta de fornecimento energético devido à dependência de energia gerada por hidrelétricas. “Existe a possibilidade de falta de energia hidrelétrica pelo baixo nível das barragens durante a estação seca”.

Para isso, segundo ele, a energia solar pode ter uma relação complementar e ajudar a saciar as demandas brasileiras.

Para ajudar a solução desses problemas estruturais, Masuda recomenda a utilização e incorporação de tecnologia de ponta, com a construção de subestações subterrâneas em diversos pontos do Brasil.

Fechando a rodada de palestras, Taku Ishimaru, representante da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), reforçou um dos objetivo que o organismo tem no Brasil.

“Queremos ajudar a fomentar a indústria naval do Brasil, através do treinamento de mão de obra. Entendemos que precisamos ajudar o crescimento brasileiro”, afirmou.

Além da preocupação com o crescimento da indústria naval, Ishimaru informou os presentes que a Jica disponibiliza financiamentos para entidades privadas que atuam no setor de infraestrutura. “Outra grande prioridade nossa é a melhoria da infraestrutura brasileira”, concluiu.