Professor da FEA/USP defende mudança estrutural na composição das exportações e importações

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Professor da FEA/USP, Gilberto Tadeu Lima. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

O Brasil pode elevar o crescimento de longo prazo se melhorar a composição setorial de suas exportações e importações. A tese é do PhD em economia Gilberto Tadeu Lima, professor-titular do departamento de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP).

Lima participou nesta segunda-feira (11/03) da reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp e apresentou aspectos do crescimento econômico brasileiro ao longo dos anos e as dimensões da taxa de câmbio real competitiva (TCRC).

De acordo com o docente da FEA-USP, a restrição de divisas decorrente da necessidade de equilíbrio de longo prazo do balanço de pagamentos costuma ser o fator mais relevante ao crescimento prolongado no Brasil.

Um desempenho adequado do setor exportador, segundo ele, não só serviria para aliviar a restrição externa ao crescimento econômico como também proporciona um círculo virtuoso da performance exportadora brasileira, fundamental para impulsionar esse movimento.

“A maneira consistente de elevar a taxa de crescimento compatível com o equilíbrio externo é a mudança estrutural no sentido de elevar a elasticidade-renda das exportações e reduzir a elasticidade-renda das importações”, explicou.

Substituir importações por um crescimento econômico local deve ter como desdobramento um aumento na produção de bens comercializáveis mundialmente.

Para exemplificar, Lima apresentou uma tabela em que mostra exemplos de contribuições positivas e negativas para a promoção de exportações [de commodities] a substituição das importações [produtos industrializados].

“Uma coisa que me conformou na sua exposição é de que não há, na verdade, nenhuma evidência de que a importação de bens de capital aumente o investimento”, comentou Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda e presidente do
Cosec.

Câmbio competitivo

Lima explicou que entender a origem de uma taxa de câmbio real competitiva é necessário para avaliar sua sustentabilidade e a intensidade do seu impacto no crescimento econômico.

“Certas razões são mais sustentáveis que outras e certas formas de aumentar ou de tornar a taxa de câmbio real mais competitiva podem ter efeitos colaterais negativos em outros ramos da economia, minimizados”, afirmou o professor.

>> Veja em PDF a apresentação de Gilberto Tadeu Lima, professor-titular da FEA/USP