Comparado a países emergentes, Brasil está longe do desenvolvimento ideal

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra/Fiesp

O Brasil ainda está longe do desenvolvimento ideal em telecomunicações comparado a outros países emergentes. E o novo pacote de incentivo do governo para a produção nacional de tablets não fortalece efetivamente o parque industrial tecnológico do País.

A análise é o diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Cavalcanti, que participou nesta segunda-feira (31) do 3º Seminário Fiesp de Telecomunicações – O desafio da conectividade: o Brasil na era da informação.

“Na nova economia, China e Coreia têm se destacado formando polos de desenvolvimento de tecnologia, exportando para o mercado global. Suas empresas estão presentes em vários países, inclusive aqui. E o Brasil até agora está fora desse contexto”, disse Cavalcanti.

O diretor da Fiesp reiterou que o país tem sido plataforma de montagem de produtos tecnológicos, mas que incentivos à produção de tablets, como desonerações que podem reduzir o preço do computador em até 36%, não conseguem estimular o parque industrial de tecnologia do Brasil sozinhos.

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Cezar Alvarez, secretário-executivo do Ministério das Comunicações

“Essa foi uma medida importante tanto para a expansão dos serviços quanto para dar volume de produção. Entretanto, não equaciona o problema de não termos um parque industrial robusto, desenvolvedor de tecnologia nacional”, argumentou o executivo.

O Brasil possui um mercado de telecomunicações de 296 milhões de assinantes, considerando todos os serviços agregados como telefonia móvel e banda larga. “Esse é um dos motivos pelos quais a Fiesp saúda o regime de concessões em vigor no setor: o modelo no qual a iniciativa privada investe para prestar serviços à população e em que o Estado apresenta-se forte na regulação.”

Investimento

O setor de telecomunicações deve abandonar a visão simplificadora e operar com criatividade para atrair demanda, de acordo com o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez. “O mercado também reage quando tem incremento. É preciso investimento e ousadia, é preciso antecipar a demanda”, afirmou.

Segundo o presidente da Telefonica, Antônio Carlos Valente, o setor privado investiu R$ 240 bilhões em telecomunicações ao longo de 12 anos.