Susurrus integra originalidade a ambientes da natureza

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Fones de ouvido, um tocador de mp3 e a natureza ao redor. Três elementos que compõem a peça Susurrus, produzida pela companhia teatral Fire Exit com autoria e direção de David Leddy, premiado autor teatral radicado em Glasgow, no Reino Unido.

O formato inusitado, escrito e apresentado em jardins botânicos de Glasgow, na Escócia, em 2006, dispensa palco, figurino e coreografia. Na sequência, completou turnê em parques nos Estados Unidos. Agora, integra a Temporada de Teatro Contemporâneo Sesi-British Council, em cartaz no Parque do Ibirapuera de 27 de junho até 10 de julho, todos os dias das 10h às 16h. Após este período, segue para excursões no Chile e Alemanha.

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Em cartaz até 10 de julho no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, Susurrus une arte teatral e áreas verdes

Para participar, basta comparecer à tenda do Sesi-British Council localizada ao lado do Auditório Ibirapuera e retirar o equipamento necessário, mediante apresentação de documento de identidade (RG). O espectador receberá, ainda, um mapa do parque com o trajeto a ser percorrido, os pontos de parada obrigatória e a tenda para devolução do material emprestado.

Ao eliminar o formato de teatro tradicional,Susurrus leva o espectador pela narrativa dialogada que, por vezes, abre espaço para as canções de Edith Piaf entre os oito atos. Avaliada pela imprensa estrangeira como uma reinterpretação sensual de Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare, a peça traça uma sequência lógica da proposta do autor: experimentar as intensas reações emocionais do público ao combinar textos originais a elementos de performance artística, sob o “poder da voz humana”.

Considerado pela crítica internacional como o mais jovem e inovador dramaturgo, David Leddy sempre quis trazer seu trabalho para o Brasil. Conheceu São Paulo no ano passado ao visitar a Bienal de Artes, e retornou agora para a temporada de Susurrus. “É uma cidade vibrante onde muita coisa acontece, me parece um meio termo entre Tóquio (Japão) e Mumbai (Índia)”, afirmou.

Leddy teve a oportunidade de assistir a uma produção brasileira, e surpreendeu-se. “Mesmo não entendendo o idioma português, achei fascinante por conseguir capturar a pureza do espetáculo, bem como os detalhes da cenografia e a comunicação não verbal no palco”, analisou o autor, presente à estreia da peça, nesta segunda-feira (27), para conversar com o público e imprensa.

Em tempo: por ser uma experiência muito interessante e original, procure dias e horários mais tranquilos para apreciar a peça. Ela exige um leve esforço físico do espectador, pois é necessário seguir a pé por todo o percurso no Parque do Ibirapuera, traçado pessoalmente pelo próprio David Leddy. Em dias chuvosos, a organização fornece capas de chuva para os participantes. A peça é não recomendada para menores de 18 anos.