Apresentação – Palestra Tetra Pak

18º Semana do Meio Ambiente Fiesp

Palestra: Apresentação de caso prático de desenvolvimento de novos produtos e redução de impactos ambientais na cadeia de valor.

Data: 08/06/2016

Organização: Comitê de Responsabilidade Social – Cores

09h30 – Apresentação – Juliana Seidel, Gerente de Desenvolvimento Ambiental da Tetra Pak

10h30 – Encerramento

Iniciativas Sustentáveis: Cisco – Mais mulheres na TI

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Por Karen Pegorari Silveira

Cerca de 50% da população mundial é composta por mulheres, mas este número nem sempre se reflete na indústria de Tecnologia da Informação e Telecomunicações (TIC). Embora o setor continue em expansão, com constante demanda de emprego e mão-de-obra qualificada, este dinamismo não é expresso de forma igualitária entre os gêneros. Foi pensando nisso que a União Internacional de Telecomunicações (UIT) idealizou o Girls in ICT Day (“Dia das garotas de TIC”), um esforço global de sensibilização para capacitar e incentivar jovens mulheres a considerarem o ingresso nesta carreira. O evento acontece anualmente na última quinta-feira do mês de abril, conforme estabelecido pelos membros da UIT. A Cisco celebrou nos últimos três anos o Girls in ICT Day com eventos e atividades no Brasil e em todo o mundo.

Na Cisco do Brasil, a ideia é convidar as adolescentes para um dia diferente nos escritórios da companhia. O objetivo é apresentar melhor o setor e as oportunidades que a área pode gerar para elas no futuro. A agenda do evento conta com tours pelos escritórios da empresa em São Paulo e pelo Centro de Inovação do Rio de Janeiro, com apresentações, palestras e atividades práticas. O Girls in ICT Day da Cisco, que aconteceu ano passado, contou com a presença do presidente da companhia do Brasil, Rodrigo Dienstmann, e da diretora de Iniciativas de Transformação e Investimentos Estratégicos para o país, Nina Lualdi, além de sessões de executivas da companhia que falaram sobre suas trajetórias profissionais. O evento também contou com a participação de outros países da América Latina via telepresença – tecnologia de videoconferência em alta definição.

Podem participar deste evento qualquer mulher jovem que esteja no processo da tomada de decisão de sua carreira de estudos. A convocatória é coordenada através das instituições educativas que oferecem o programa Networking Academy, o programa global de educação da Cisco em parceria com instituições de ensino. E as instituições, por sua vez, escolhem as meninas que irão participar. Apesar de todas as jovens serem alunas do NetAcad, o evento não é restrito apenas a elas. Na edição de 2014 do Girls in ICT Day, a companhia também recebeu 27 meninas vindas de quatro escolas: Associação Comunitária Despertar, Centro Paula Souza, CIEE e Senac São Paulo.  No Rio, o evento aconteceu no Centro de Inovação IoE da Cisco Rio de Janeiro com o mesmo número de participantes das seguintes academias: Secretaria de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Instituto Federal do Rio de Janeiro e Senac Rio de Janeiro. A faixa etária é de 15 a 20 anos.

O Girls in ICT Day da Cisco contou com a participação de 170 jovens em 2013, em 10 escritórios da companhia na América Latina. Já em 2014, o número de participantes subiu para 250 garotas em 12 escritórios distribuídos pela América Latina e Caribe. Ao todo, nos últimos dois anos, a Cisco contou com a participação de 420 jovens da América Latina durante o Girls in ICT Day. Este ano pretendemos ter mais de 350 meninas em 14 escritórios da Cisco pela América Latina.

Ana Makhlouf, responsável pelo “Girls Day in ICT” e pelo Marketing e Responsabilidade Social Corporativa, da Cisco para a América Latina, diz que a cada ano participam mais garotas nos eventos da América Latina. “A retroalimentação das meninas é positiva e por várias ocasiões elas já comentaram que a experiência foi inspiradora para decidir entrar na carreira de tecnologia. Após o evento, elas puderam compreender a dimensão e a importância que a TI exerce nas diversas áreas profissionais, além de presumir os caminhos, sonhos e conclusões adquiridas pelas gestoras da Cisco, que compartilharam suas experiências profissionais ao alcançar a posição que almejavam”, comenta Ana.

Ao promover e conectar as profissionais mulheres em TIC, a Cisco tem buscado equiparar a razão de 50% entre os homens e mulheres no mercado de trabalho e proporcionar maior igualdade de gêneros nesta indústria.

Sobre a Cisco

A Cisco é uma indústria de Tecnologia da Informação, com sede em San José, CA, Estados Unidos. Conta com 75 mil colaboradores globais (500 apenas no Brasil) e cerca de um quarto de todos os funcionários são mulheres. Seu faturamento anual é de US$ 12,25 bilhões.

Iniciativas Sustentáveis: Feito Brasil – A riqueza da diversidade

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Por Karen Pegorari Silveira

Muito se fala em diversidade hoje em dia, mas poucas empresas conseguem realmente enxergar a diversidade como uma vantagem competitiva. O fato é que muitos estudos comprovam que organizações compostas por um público interno diverso possuem mais condições de atender às demandas dos consumidores, cada vez mais diferenciadas, como mostra o documento Como as Empresas podem (e devem) valorizar a Diversidade, do Instituto Ethos. Nele, podemos conferir alguns dos inúmeros benefícios de incluir profissionais com perfis diferentes como, por exemplo, a redução da rotatividade; a melhora da produtividade; maior flexibilidade em relação a mudanças; além do reconhecimento adequado de desempenho e novos talentos, que em um ambiente de discriminação poderiam ser reprimidos.

Vantagens como essas também inspiraram uma pequena indústria de cosméticos artesanais do Paraná, no sul do Brasil, a trabalhar com a diversidade. A Feito Brasil foi criada em 2004 por Lena Peron – mais conhecida como “Mama da Feito”, com a imensa vontade de quebrar o padrão e a mesmice do mundo dos negócios. Para ela, a valorização e respeito às diferenças são a base e o fundamento para um bom trabalho. “Na Feito Brasil, somos e precisamos do diferente. Não fazemos distinção étnica, política, religiosa, de gerações ou orientação sexual, muito menos por identidade de gênero, e acreditamos que as diferenças se completam e divergem para a superação e para a missão de encantar, acolher e inspirar as pessoas”, diz a presidente.

Hoje a empresa conta com 25 colaboradores, sendo 95% de mulheres, 5% de homens, 37% entrou na Feito como seu primeiro emprego, 21% são negras e 5% albinas. Dentre elas, 37% são mães.

E as diferentes visões da empresa não param por aí. A Feito se distingue pela forma como produz e também pelo local escolhido para construir a fábrica, que está instalada em um sítio na pequena cidade de Mandaguaçu (PR). Todo o processo de produção dos cosméticos é artesanal: a farmacêutica cria a formulação, passa por testes (sem utilizar animais), chega para a produção manual, enquanto a área de criação elabora a embalagem e a arte do rótulo para então seguir para o envasamento. Todas as matérias-primas são de origem vegetal e certificadas. Todos os produtos são isentos de substâncias de origem animal, óleo mineral, silicones e parabenos, além disso são procedentes de fabricantes e fornecedores qualificados, que adotam testes de segurança e eficácia e fazem o uso sustentável dos recursos naturais.

Esta postura rendeu o reconhecimento da ONU, que atribuiu a categoria ouro do Prêmio WEPS à empresa. A condecoração tem como propósito incentivar e reconhecer os esforços das empresas que promovem a cultura da equidade de gênero e o empoderamento da mulher no Brasil.

“Ganhar esse OURO é receber com ele não somente a recompensa e o reconhecimento por anos de esforço, mas dotar-se de amor, generosidade e comprometimento infinitamente maiores pela luta em favor das mulheres e da igualdade de oportunidades”, depõe Lena Peron, a fundadora.

Sobre a Feito Brasil

A empresa possui faturamento anual de mais de R$3 milhões e é a única marca nacional a ser revendida na Sephora. Todos os seus produtos são veganos e não utilizam  a imagem feminina de forma sexista.

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Iniciativas Sustentáveis: Cristal Pigmentos – Qualidade de Vida em Primeiro Lugar

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Por Karen Pegorari Silveira

É cada vez mais crescente o interesse das empresas pela saúde e qualidade de vida de seus colaboradores, principalmente devido ao alto custo da assistência médica, as constantes pressões por melhorias na produtividade, o envelhecimento da força de trabalho e a necessidade de reter talentos.

De acordo com o estudo ‘Relações Causais entre Bem-estar e Resultados de Elementos da Vida, do Trabalho e da Saúde’, publicado pelo Instituto Gallup, em 2012, as organizações que rastreiam, gerenciam e promovem o bem-estar de seus funcionários, controlam de forma mais eficiente os custos com a saúde, estimulam o melhor desempenho dos funcionários e conseguem atrair e reter os melhores profissionais. Ao visar ao bem-estar profissional, social, financeiro, físico e comunitário dos colaboradores, os líderes podem transformar suas organizações em locais de trabalho de alto desempenho nos quais os funcionários se desenvolvem.

Argumentos como estes convenceram muitas empresas, inclusive a Cristal Pigmentos, que criou um Programa de Qualidade de Vida (PQV) completo. Segundo a médica líder de Medicina Ocupacional da empresa e criadora do projeto, Márcia Cersosimo de Lucena, a empresa instituiu um círculo virtuoso que faz com que os empregados estejam engajados nas atividades propostas. “Ao perceberem a melhora nos seus indicadores de saúde, a mudança de hábitos alimentares e o estímulo à prática de atividade física, os empregados acabam se conscientizando a participar do programa visando manter suas conquistas”, avalia.

O reflexo do engajamento dos funcionários pode ser percebido no aumento da procura pelas atividades de quiropraxia, pilates, RPG, hidroginástica e o acompanhamento nutricional.  Hoje, 100% dos funcionários participam do programa e a empresa conseguiu reduzir os afastamentos em 33%; além da  redução de custos, que baixou para aproximadamente R$ 500 mil por ano (despesas com planos de saúde e encargos de folha de pagamento).

Segundo o diretor administrativo da empresa, Paulo Dantas, o trabalho da médica Marcia e sua equipe, com o suporte da área de Recursos Humanos, é a ‘mola central’ de sucesso do programa. “Foi com ela que nasceu a semente de tudo que vemos hoje na empresa”, reconhece Dantas.

O sucesso a que o diretor se refere foi a premiação concedida à organização na pesquisa As Melhores Empresas Para Você Trabalhar, realizada pela revista Você S/A, no ano passado, que elegeu a Cristal Pigmentos como a melhor do setor Químico e Petroquímico e uma das 10 melhores empresas de todo o país para se trabalhar.

Para a líder de Recursos Humanos, Cecília Thiers, o reconhecimento é importante para valorizar o trabalho coletivo. “Temos um esforço mundial da empresa para que os valores de cuidado, colaboração, paixão e profissionalismo sejam uma realidade no dia a dia de todas as unidades. Na Cristal Pigmentos, tem muita gente se dedicando diariamente, em diversas áreas para que tenhamos um ambiente produtivo e com bons índices de qualidade de vida”, relata.

O técnico de Manutenção e Mecânica, Fernando Leite, conta que trabalha na empresa há 12 anos e que se encantou pelo Programa Qualidade de Vida por sua facilidade e oportunidade de cuidar da saúde e bem-estar dentro da própria empresa. “Faço parte do Clube de Corrida, uso os serviços de quiropraxia, massoterapia – que deixa a gente novo -, faço acompanhamento nutricional, ginástica laboral, participo das caminhadas e estou sempre presente nas campanhas de vacinação e exames médicos”, diz Leite.

Sobre a Cristal

A Cristal é a segunda maior produtora de pigmento de Dióxido de Titânio (TiO2) do mundo. Conta com sete fábricas de TiO2 distribuídas em cinco continentes, sendo duas plantas nos Estados Unidos, uma na Inglaterra, uma na França, uma na Arábia Saudita, uma na Austrália e uma no Brasil. No Brasil, a Cristal conta com três unidades: a Mina do Guajú, em Mataraca, na Paraíba; a fábrica em Camaçari, na Bahia; e o escritório comercial em São Paulo, que atende à demanda de toda a América Latina.

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Iniciativas Sustentáveis: Boehringer – Inovação no ambiente de trabalho

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Por Karen Pegorari Silveira

A Organização Mundial da Saúde (OMS) dimensiona a saúde, o bem-estar e a segurança no trabalho como aspectos de fundamental importância na produtividade, competitividade e sustentabilidade das organizações. Para eles, a adesão aos princípios dos ambientes de trabalho saudáveis evita afastamentos e incapacidades para o trabalho, minimiza os custos com saúde e os custos associados com a alta rotatividade, e aumenta a produtividade a longo prazo.

Levando em consideração este conceito, a farmacêutica Boehringer Ingelheim, há 128 anos no mercado, se comprometeu a promover o bem estar de seus funcionários colocando em prática uma dinâmica de trabalho diferente: no ambiente físico do escritório que mantêm em São Paulo não há diferenciação hierárquica de layout, o que proporciona às equipes de diversas áreas melhor integração, mais eficiência no cumprimento de tarefas em equipe e proximidade.

Nesse escritório também existe uma área de 50 metros quadrados para a pausa do café. É um lounge com piso feito de PET reciclado que simula madeira, jardins suspensos que filtram o gás carbônico e ajudam a resfriar o ambiente, pufes e poltronas, TVs de LCD que transmitem comunicados internos, rede Wi-Fi e computadores com acesso livre à internet. Há ainda um espaço de massagem, que oferece o serviço por um valor que é debitado em folha de pagamentos e também uma biblioteca com acervo de mais de 1000 títulos patrocinada por uma livraria.

Além disso, cada colaborador administra o próprio tempo conforme suas responsabilidades, com equipes multidisciplinares organizadas por projeto e orientadas para a entrega de resultados. Nesse escritório também não há mesas fixas, e o número de funcionários é maior do que o de estações de trabalho, o que incentiva o home office uma vez por semana. Desde 2009, a empresa incentiva a trabalhar de casa um dia por semana, amparados por tecnologias de comunicação de ponta.

A empresa também apoia a conscientização do uso do carro e do transporte público. Quando seus funcionários optam por utilizar a bicicleta, existe um local onde todos podem guardar a sua, além de um vestiário exclusivo para os ciclistas. Na fábrica, em Itapecerica da Serra (SP), também existe um local exclusivo para bicicletas e vestiários.

Segundo Odilon Medeiros, especialista em Psicologia Organizacional, em artigo escrito no site da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), com o home office, o colaborador fica livre do trânsito caótico e de todos os problemas decorrentes dos deslocamentos, está mais perto da família, foca na produtividade, economiza tempo com as conversas informais com os colegas, apresenta melhoria da qualidade de vida, poder de decisão para escolher melhor horário para desenvolver suas atividades, entre outras vantagens.

De acordo com informações da assessoria de imprensa, a Boehringer Ingelheim tem conhecimento de que o ambiente influencia diretamente na produtividade dos colaboradores. Com o surgimento de novas necessidades, a companhia percebeu que era o momento de reestruturar e ampliar seu escritório, oferecendo espaços flexíveis para propiciar aos colaboradores a integração durante o trabalho. Na área atual de space office, o conceito do trabalho sem divisórias pede um ambiente mais tranquilo para a concentração sem interrupções. Por isso, foram criadas áreas que permitem a interação e desenvolvimento de projetos sem que o grupo fique isolado em uma sala de reunião, permitindo assim, um ambiente de trabalho que favoreça o pensamento e a ação empreendedora, a expansão contínua de conhecimento, treinamento e aprendizado pela prática e pela discussão aberta.

E foi graças a essa filosofia que a companhia ganhou uma posição entre a 10 melhores indústrias do país pelo fator valorização no desenvolvimento profissional e qualidade de vida. A Boehringer foi também apontada oito vezes consecutivas como uma das 100 melhores empresas para trabalhar no Brasil, pelo Great Place to Work Institute. E é a primeira colocada entre as indústrias.

Sobre a Boehringer Ingelheim

O Grupo é uma das 20 principais farmacêuticas do mundo. Com sede em Ingelheim, na Alemanha, a companhia opera globalmente com 142 afiliadas e com um quadro de mais de 47.400 funcionários. Em 2013, a Boehringer Ingelheim obteve vendas líquidas de cerca de 14,1 bilhões de euros e investiu 19,5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento.

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Entrevista: Tom Coelho fala sobre o desafio de comunicar a sustentabilidade

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Por Karen Pegorari Silveira

Comunicar iniciativas de sustentabilidade e responsabilidade social de forma transparente é um desafio para as empresas, sobretudo porque a sociedade hoje é mais crítica e mais conscientizada. Uma pesquisa realizada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) mostrou que 85% dos consumidores brasileiros não acreditam no discurso sustentável das empresas.

O especialista em marketing e membro do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) da FIESP, Tom Coelho, acredita que os benefícios do marketing responsável é o aumento da valorização do produto ou serviço e até mesmo a potencialização da captação de recursos, além da redução de juros em entidades financiadoras que avaliam o risco socioambiental das ações da empresa.

Leia mais sobre como comunicar as atividades da sua empresa de forma responsável:

O que é marketing verde, sustentável ou responsável? Por que as empresas devem investir nesse tipo de marketing?

Tom Coelho – Trata-se de estratégias de marketing que têm por objetivo associar a imagem da empresa a uma visão socioambiental consciente e responsável. Isso significa um processo produtivo e/ou de comercialização que objetiva atender às demandas dos consumidores, porém minimizando impactos ambientais, mediante a utilização de matérias-primas sustentáveis (recicladas, reutilizadas ou orgânicas), redução do uso de embalagens e prática da logística reserva (reutilização ou descarte pós-consumo). Pessoalmente, prefiro a denominação “responsável”, pois entendo que esta conscientização não pode se restringir à questão ambiental, contemplando também aspectos sociais como práticas inclusivas, respeito à diversidade, combate ao trabalho infantil, entre outros. Os benefícios destas ações para as empresas convergem para um fortalecimento da marca, transferindo confiabilidade aos consumidores e consequente fidelização dos mesmos.

Reconhecendo a influência que o marketing pode ter sobre os consumidores e a sociedade, quais são as práticas comuns de empresas que investem em marketing responsável?

Tom Coelho – Além dos cuidados mencionados acima com relação ao uso de matérias-primas, devemos destacar a utilização de certificações, como a ISO 14000 (gestão ambiental) e a ISO 26000 (responsabilidade social), como instrumentos para gerenciamento empresarial e critério para seleção de fornecedores e parceiros. Outro instrumento é a utilização dos chamados “Selos Verdes” identificando práticas como o uso de madeira de reflorestamento e a neutralização da emissão de CO2, entre outros.

Na sua opinião, como as empresas podem alinhar consciência com estratégia quando se trata de práticas de marketing responsável?

Tom Coelho – É importante salientar que apesar da relevância de todas estas práticas, infelizmente a conscientização dos consumidores ainda é um processo incipiente em nosso país, pois a consolidação destes valores tem como lastro a educação. Assim, ainda é grande o número de pessoas que, embora sensibilizadas para a importância da sustentabilidade, tomam suas decisões de compra prioritariamente com base na questão econômica, alimentando a pirataria, por exemplo. Por isso, o grande desafio das empresas é introduzir a sustentabilidade em seus produtos, serviços e processos, porém sem impactar os preços. Entre dois produtos com valores iguais, o consumidor possivelmente optará por aquele cuja comunicação indicar tratar-se de uma empresa social e ecologicamente responsável.

Quais benefícios podem trazer para as marcas e como são medidos?

Tom Coelho – Alguns benefícios são bastante tangíveis e com impacto direto no negócio, como a queda de custos decorrente da redução de desperdícios e da melhoria de processos; aumento na produtividade em virtude de maior identificação dos funcionários com o propósito da empresa; maior espaço institucional em mídia espontânea, fortalecendo a marca da empresa. Além disso, é possível agregar valor ao produto ou serviço e até mesmo potencializar a captação de recursos ou a redução de juros em entidades financiadoras.

Quais critérios uma empresa deve considerar para comunicar sustentabilidade e quais desafios ela enfrenta?

Tom Coelho – O principal critério deve ser a ética e a congruência, pois nada pior do que transmitir uma imagem ao público que não seja condizente com as práticas da organização. A questão ambiental é relativamente bastante recente, pois podemos contextualizá-la a partir da conferência de Estocolmo, em 1972, o que significa que o tema passou a ser considerado há apenas 40 anos. Assim, o processo de conscientização da sociedade será gradual, avançando a partir da educação das novas gerações.

Por fim, ressalto que a comunicação, para sensibilizar o público, deve ter como foco o aspecto emocional e não racional, pois somos movidos e motivados a agir quando sentimos a necessidade de fazê-lo. Prova disso é a atual crise hídrica. Embora muito se falasse sobre a necessidade de um uso consciente deste recurso, apenas a falta de água foi capaz de mobilizar efetivamente as pessoas em ações práticas de combate ao desperdício e mudança de hábitos. Portanto, a regra é: pensar (conscientização), sentir (sensibilização), para depois agir (envolvimento).


Artigo: Sustentabilidade – inovação e perenidade do negócio

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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Por Maria Eugenia Sosa Taborda *

Foi-se o tempo em que a sustentabilidade era vista como um tema acessório nas organizações. Nos últimos anos o assunto ganhou relevância nas empresas, no governo e na sociedade, e passou a ser considerado um item imprescindível na governança, na estratégia, no negócio e no dia-a-dia das empresas. Ou seja, tem que fazer parte do “chassi” da organização.

Prova disso é a recente Resolução 4327 do Banco Central, que estabelece que as instituições financeiras integrem a gestão de risco e de responsabilidade socioambiental em suas operações e negócios. O que isso significa? O que era prática de alguns bancos passa a ser exigência para todas as instituições financeiras, inclusive cooperativas de crédito. Em suma, as questões socioambientais começam a fazer parte do chassi de todos os bancos e estabelecerão um padrão mínimo de gestão socioambiental nessas organizações.

O mais interessante desta regulação é que há um efeito multiplicador em toda a cadeia das instituições financeiras, pois seus clientes serão impactados em maior ou menor escala. A norma traz os princípios da relevância e da proporcionalidade, fazendo com que cada instituição financeira avalie o seu grau de exposição ao risco socioambiental e estabeleça políticas, processos e procedimentos conforme sua natureza, suas atividades e seus produtos e serviços financeiros. Isso quer dizer que, na perspectiva das empresas, clientes, haverá uma análise socioambiental, porém, a rigidez ou profundidade da análise dependerá do tamanho e ramo de atividade da empresa cliente, tipo de operação e crédito e a destinação do financiamento.

O intuito não é limitar o acesso a crédito às empresas, mas sim melhorar a qualidade do crédito concedido. Os bancos, como intermediadores, contribuem com a propulsão de melhores práticas socioambientais e mitigam riscos legais, de crédito e reputacionais.

Se até então sustentabilidade era encarada por alguns como “bom mocismo”, agora fica claro que esse não é o caminho. Hoje já se entende que uma empresa que tem uma boa gestão de negócios, finanças e intangíveis, como marca e reputação, poderá ter maior e melhor acesso ao capital. Isso pode acontecer por meio do crédito, investimento ou outros mecanismos financeiros. E os agentes financeiros já começam a analisar as questões socioambientais como mais uma variável. No limite, podemos dizer que o custo de capital de uma empresa poderá sim ser influenciado conforme lida com os desafios da sustentabilidade. Os próprios índices de sustentabilidade das Bolsas de Valores reforçam essa tendência.

Ainda temos um caminho a percorrer e setores econômicos mais críticos e projetos de maior porte tendem a estar no topo da relevância das análises socioambientais, mas as organizações menores também terão avaliações adequadas ao seu perfil. Entretanto, as empresas não devem focar nas análises que serão realizadas pelos bancos, mas sim como antever as tendências e integrar na sua estratégia as questões sociais e ambientais que afetarão direta ou indiretamente os seus negócios. Aquelas bem sucedidas nesse processo estarão à frente e se diferenciarão na forma como atendem seus colaboradores, clientes e acionistas. Lembrando que a escolha final é sempre dos clientes e consumidores e que esses, sim, estão aprimorando seu “chassi” de sustentabilidade.

* Maria Eugenia Sosa Taborda é gerente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco, responsável pelos temas de Riscos e Oportunidades Socioambientais e de Educação Financeira.  Graduada administração de empresas pela PUCCAMP, com especialização em Gestão responsável pela Fundação Dom Cabral e administração pela Universidade de Berkeley.

Iniciativas Sustentáveis: Feitiços Aromáticos – Preferência por profissionais locais

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Por Karen Pegorari Silveira

Em uma cidade grande como São Paulo, morar próximo ao trabalho é para poucos e diversos bairros são considerados até mesmo “cidades dormitórios”, devido a seus moradores conseguirem chegar em casa apenas para dormir. Um desses bairros é o famoso Itaquera, a 20 km do centro da capital paulista, que ficou conhecido por abrigar o novo e polêmico Estádio de abertura da Copa do Mundo de 2014.

Antes da Copa o bairro viveu esquecido pelas empresas, com falta de emprego e muito preconceito por estar situado na periferia da cidade; poucas companhias se “arriscavam” a instalar um escritório ou fábrica na região.

O que era um problema, a microindústria de cosméticos Feitiços Aromáticos, que produz essências, encarou como uma oportunidade: instalou sua fábrica nesse bairro e decidiu contratar 100% dos seus profissionais na região, visando o desenvolvimento socioeconômico da comunidade do entorno. Além de promover o desenvolvimento da comunidade, esta iniciativa favorece a mobilidade urbana, evitando o fluxo de mais trabalhadores em deslocamento para o centro, valorizando a qualidade de vida do funcionário e favorecendo o mercado local.

Para a diretora da indústria, Raquel da Cruz, ser sustentável também significa contribuir com a formação de cidadãos. “Além de iniciativas como essa e de outras voltadas ao meio ambiente, desenvolvemos programas para os nossos colaboradores e na comunidade ao redor. Oferecemos apoio psicológico; o 1º emprego; fazemos doações de material escolar, roupas e itens para instituições da região; envolvemos o colaborador em cursos de capacitação; realizamos coleta seletiva no bairro e distribuímos folhetos explicativos sobre reciclagem, entre outras ações com DNA sustentável.

Desde que iniciou suas atividades, em 2002, a empresa é pautada por práticas socialmente justas e ecologicamente corretas, tanto que foi vencedora do Prêmio Chico Mendes 2011 na categoria “Produtos Sustentáveis” e levou o segundo lugar no V Ranking Sustentabilidade, no setor de cosméticos. No recente Ranking de Empresas mais Sustentáveis, segundo a mídia, divulgado em 2012, a empresa ocupa a segunda colocação para o segmento de cosméticos, atrás apenas da Natura. A Feitiços atende também o mercado internacional e segue regras exigentes, como a exclusão de parabenos em seus produtos, substância já proibida nos Estados Unidos e na Europa.

Em reconhecimento ao trabalho desenvolvido, não só com os seus colaboradores, mas ainda com o meio ambiente e social, a Feitiços Aromáticos foi certificada pelo Sistema B – grupo de empresas que têm uma atuação diferenciada da usual no mundo corporativo, investindo numa gestão mais igualitária e com menor impacto socioambiental, porém, mantendo a concepção de lucro. Ela é uma das 25 empresas no Brasil que levam essa certificação, de um seleto grupo de 1031 empresas. Para receber a Certificação B a companhia passa por uma rigorosa avaliação atestando que todos os seus procedimentos seguem elevados padrões socioambientais e de transparência, considerando não somente os interesses financeiros, mas também outros interesses a longo prazo, como os de seus empregados, fornecedores, clientes, a comunidade onde está inserida e o meio ambiente.

Sobre a Feitiços Aromáticos

A empresa de cosméticos está em atividade desde 2002 e seu faturamento anual chega a R$ 2,5 milhões. Possui duas marcas, a Feitiços Aromáticos e a Brasil Aromáticos, com atuação nos seguintes nichos: colônias e espumas, sais para banho; aromatizadores para a casa e escritório; produtos místicos com essências para ambientes e corpo, e linha sensual composta por géis e perfumes.

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