Apresentações Evento: Lei de Migração

NOVA LEI DE MIGRAÇÃO: UMA JANELA DE OPORTUNIDADES

Evento realizado dia 20/07/2018 às 8h30

Auditório do 4º andar

  • Luiz Alberto Matos dos Santos – Auditor-Fiscal do Trabalho – Coordenador de Apoio ao Conselho Nacional de Imigração/ Ministério do Trabalho
  • João Marques – Empresa EMDOC e Programa de Apoio para Recolocação de Refugiados – PARR
  • Felipe Vella Pateo – Analista Técnico de Políticas Sociais da Secretaria de Políticas Públicas de Emprego/ Ministério do Trabalho
  • Pe. Paolo Parise – Coordenador da Missão Paz – Ações para empregabilidade e recolocação profissional de imigrantes

SINDICATO RESPONSÁVEL: SINICESP

Por Karen Pegorari Silveira

Toda empresa pode ter iniciativas de Responsabilidade Social buscando construir uma sociedade mais justa, se preocupando com o próximo, e tomando atitudes que promovam o bem-estar da sociedade e do meio em que vive.

Para colaborar com esta conduta, a política de qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo – Sinicesp norteia suas ações relacionadas à responsabilidade social com objetivo de prestar serviços de qualidade, levando em conta princípios éticos, responsabilidade social e respeito ao meio ambiente sempre focando na evolução das empresas associadas.

Para a realização desse objetivo eles adotaram algumas ações internas simples e sustentáveis que visam otimizar processos e o bem-estar dos funcionários, como por exemplo, a reutilização de folhas de papel sulfite, o descarte correto dos materiais de escritório, programas visando a economia de energia e água, utilização de canecas cerâmicas ao invés de copos descartáveis, aplicação de vacinas gratuitas para os funcionários, entre outras ações.

Buscando compartilhar com as empresas  associadas a motivação e o cuidado que têm internamente, o Sinicesp desenvolveu ações e parcerias, como por exemplo, a firmada com a Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas de São Paulo – ADCE/SP  que promove a elaboração de estudos, pesquisas, cursos, conferências, seminários, congressos, publicações e demais atividades, que contribuem para implementação das linhas de ação estratégicas centradas na pessoa, com base em indicadores da Responsabilidade Social Empresarial  nas empresas.

Segundo o gerente de Relações Institucionais do Sinicesp, Carlos Alberto Laurito, “a atuação do Sindicato voltada ao incentivo e conscientização sobre a importância da implantação de ações de responsabilidade social que desenvolvemos junto às empresas associadas, tem obtido resultados alvissareiros contribuindo sobremaneira para a melhoria da imagem do setor da construção pesada. Esses resultados têm servido como um grande estímulo para continuarmos e ampliarmos o leque de ações e parcerias”, relata.

Na empreitada de auxiliar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, o sindicato tem também o Grupo de Trabalho Sobre a Inclusão da Pessoa com Deficiência, que se reúne periodicamente na sede do sindicato com a finalidade de discutir e trocar experiências sobre a inclusão de pessoas com deficiência no setor, com a participação das empresas associadas que aderiram ao pacto assinado com o Ministério do Trabalho.

Segundo afirma o sindicato, o fruto dessas reuniões é a promoção de palestras relacionadas ao tema, banco de vagas online para a inserção do trabalhador com deficiência no mercado, e lançamento de produtos, como foi o caso do Livro “A Inclusão de Trabalhadores com Deficiência na Construção Pesada”, distribuído gratuitamente com versão acessível e digital.

Ainda no aspecto da inclusão social a entidade tem parceria com o Senai-SP, que facilita a inserção de aprendizes no mercado de trabalho e traz o benefício para as empresas associadas e para o jovem aprendiz.

O Sinicesp ainda faz o acompanhamento da legislação e temas pertinentes e representa o setor em eventos relacionados à responsabilidade social e ambiental, como por exemplo, a ativa participação na Câmara Ambiental da Construção, onde atualizam e levam para discussão temas de interesse de suas empresas.

Para conhecer todas as ações do Sinicesp acesse www.sinicesp.org.br

 

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: NESPRESSO – TRANSPARÊNCIA PELA SUSTENTABILIDADE

Por Karen Pegorari Silveira

O valor compartilhado é mais do que uma nova tendência, trata-se de um novo propósito. Em vista das mazelas sociais e econômicas que ainda persistem no Brasil e no mundo, o valor compartilhado representa a chance de reinvenção das empresas, em diálogo aberto e transparente com a sociedade.

Pensando nisso, a Nespresso, fabricante de café em capsulas, desenvolveu diversas ações para engajar todos os seus stakeholders com o intuito de apresentar histórias reais de pessoas envolvidas na cadeia de produção sustentável do café

Sua campanha de Criação de Valor Compartilhado usa personagens reais e brasileiros como protagonistas de uma campanha para contar as histórias da origem do café. Duas agrônomas, Ana Paula e Gilvânia, e um produtor, Lázaro, contam suas experiências em peças de comunicação on-line e off-line que enaltecem a relevância do Brasil como o maior fornecedor de grãos de café de qualidade para a Nespresso.

Criada com o mote “As escolhas que fazemos”, a campanha enfatiza os principais valores da marca – qualidade e sustentabilidade. As ações 360 incluem as vitrines das lojas brasileiras da marca que trarão fotos dos protagonistas acompanhadas de trechos que relatam suas relações com a marca.

A sócia-diretora da empresa que criou a campanha, Cris Penz, diz que “falar da qualidade do café Nespresso é falar de pessoas. Quando damos voz a quem faz parte da cadeia de produção de café no Brasil, temos a chance de fazer conexões reais com os consumidores. Essa é uma campanha que traduz os valores perenes da marca”, complementa ela.

Pioneira na reciclagem de cápsulas, a Nespresso também inaugurou este mês as visitas oficiais ao seu Centro de Reciclagem. Localizado em Barueri, São Paulo, o Centro estará disponível para visitas do público com inscrições pelo site ou, ainda, por meio do tour virtual.

Com duração de 90 minutos, o programa de visitas envolve a explicação de toda a cadeia de reciclagem Nespresso. O trajeto inclui a visitação da área que realiza, sem água, a separação do pó de café e do alumínio dentro de um maquinário de desenvolvimento próprio.

A gerente de cafés e sustentabilidade, Claudia Leite, diz que atualmente há 54 pontos de coleta para o consumidor da linha doméstica no Brasil. “As cápsulas usadas são coletadas nestes pontos e enviadas ao Centro de Reciclagem por meio de logística reversa. Em 2017, reciclamos 13,3% do total de cápsulas vendidas, um crescimento significativo em relação ao ano anterior, mas temos o compromisso de fazer muito mais”, completa. Atualmente, a Nespresso investe globalmente 25 milhões de francos suíços em reciclagem por ano.

De acordo com o presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Milton Rego, a reciclagem do alumínio alia uma combinação única de vantagens: “O processo de reciclagem do alumínio utiliza apenas 5% da energia elétrica e, segundo dados do International Aluminium Institute (IAI), libera somente 5% das emissões de gás de efeito estufa quando comparado com a produção de alumínio primário. O processo diminui o volume de lixo gerado que teria como destino os aterros sanitários, estimulando a consciência ecológica”, diz.

Com estas ações a empresa pretende ressaltar sua atuação em toda a cadeia sustentável, do grão à xícara e à reciclagem e divulga o compromisso da marca com o tema sustentabilidade. Por meio do programa denominado The Positive Cup, a Nespresso trabalha os pilares como aquisição de café sustentável, gestão do alumínio e gestão eficiente do clima. No pilar alumínio, a meta é chegar a 100% dos clientes uma solução fácil de reciclagem até 2020.

Sobre a Nespresso no Brasil
A marca está presente no Brasil há dez anos e conta com 17 Boutiques nas principais cidades do país.

 

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: GERDAU – PARCERIAS RESPONSÁVEIS 

Por Karen Pegorari Silveira

O conceito de valor compartilhado visa aplicar políticas de impacto social nas estratégias de negócio com o objetivo de maximizar os lucros de uma empresa.

Em linha com este pensamento, a Gerdau busca as melhores práticas do mercado e sua aplicação em todo o negócio da empresa, pois para eles o crescimento e a sustentabilidade estão diretamente ligados ao estabelecimento de relações éticas e transparentes com todos os seus públicos.

Essa atuação, além dos programas de responsabilidade social realizados junto às comunidades e à sociedade no Brasil e o engajamento dos líderes e de toda a equipe, reforçam a produtividade e a competitividade dos clientes, fornecedores e profissionais que utilizam os produtos de aço da companhia.

De acordo com Renato Gasparetto, diretor corporativo de Comunicação, Assuntos Institucionais e Responsabilidade Social da Gerdau, “a estratégia de gerar valor compartilhado é desenvolvida por meio de iniciativas que busquem a melhoria da competitividade da empresa e ao mesmo tempo desenvolver a cadeia produtiva, aprimorando aspectos sociais, ambientais e econômicos”, diz o executivo.

O Instituto Gerdau, é quem coordena e realiza os programas de responsabilidade social nas comunidades, cadeia de negócio e parceiros estratégicos da sociedade nos diversos locais de atuação, é também o responsável pelas políticas e diretrizes de responsabilidade social da empresa, assim como pelo desenvolvimento de iniciativas ligadas a esse tema em todas as suas áreas de atuação.

Desde 2010, a empresa também realiza projetos de reciclagem inclusiva, contribuindo para a formalização e o aumento da renda de catadores e cooperativas de catadores de resíduos recicláveis nas regiões onde possui unidades industriais. Aspectos de segurança de trabalho, layout produtivo e melhorias de gestão também são desenvolvidos. Como consequência o volume e a qualidade do material comercializado também são ampliados. Reciclando mais de 12 milhões de toneladas de sucata ferrosa por ano, o recebimento desse insumo é fator crítico em seu processo produtivo, e esta forma de atuação tem forte impacto social e ambiental nas comunidades, a medida em que promove a inclusão econômica e incentiva a atividade da reciclagem.

Todo este trabalho, que envolveu mais de 200 comunidades beneficiadas, mais de 6 mil voluntários, R$ 19 milhões em investimentos sociais em 2017 e 400 projetos sociais garantiram à empresa o prêmio Steelie Awards, da World Steel Association, na categoria Excelência em Sustentabilidade. E o projeto também foi reconhecido pelo programa Benchmarking Brasil como uma das melhores práticas socioambientais no país.

O Programa Voluntário Gerdau, também realizado pelo Instituto Gerdau, procura apoiar o trabalho voluntário dos colaboradores. Eles atuam nas mais diversas organizações de interesse público, compartilhando seus conhecimentos ao abordar temas como gestão e empreendedorismo, e incentivando a educação, a solidariedade. Essas ações beneficiam não só as comunidades, mas também os próprios voluntários, na medida em que despertam para novas habilidades e competências como, por exemplo, o comprometimento com a transformação social.

As práticas de responsabilidade social da Gerdau tiveram início no final do século XIX. Na década de 60, a empresa criou a Fundação Gerdau, oferecendo benefícios aos colaboradores e familiares e dando continuidade ao apoio a projetos sociais comunitários. Atualmente, por meio de um novo organismo – o Instituto Gerdau –, são desenvolvidas mais de 400 iniciativas de responsabilidade social, em mais de 200 comunidades de 10 países.

Para Renato Gasparetto, diretor corporativo de Comunicação, Assuntos Institucionais e Responsabilidade Social, “o Instituto Gerdau busca exercer um papel de agente transformador na sociedade. Por isso, atuamos para a melhoria da educação e da qualidade de gestão de instituições públicas, além de incentivarmos o trabalho voluntário de nossos colaboradores, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades onde estamos inseridos e da cadeia de negócio”, completa.

Além de todas estas atividades, a Gerdau tem projetos de educação que visam melhor a gestão pública e privada, em especial de micro e pequenas empresas.

Sobre a Gerdau

A Gerdau é líder no segmento de aços longos nas Américas e uma das principais fornecedoras de aços especiais do mundo. No Brasil, também produz aços planos e minério de ferro. Além disso, é a maior recicladora da América Latina e, no mundo, transforma, anualmente, milhões de toneladas de sucata em aço.

 

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: GRUPO FERRERO – FASES DE VALOR 

Por Karen Pegorari Silveira

A essência da Cadeia de Valor Sustentável está no cuidado com o ser humano e é justamente este cuidado com o próximo e com o amanhã que proporciona o diferencial competitivo para as organizações.

Alinhados com este pensamento, o Grupo Ferrero reafirmou sua filosofia de “compartilhar valor para criar valor”, ao cuidar de todas as fases da sua cadeia, passando da atenção às pessoas, apoio às comunidades locais, a promoção de estilos de vida saudáveis e chegando a compromissos com práticas agrícolas sustentáveis e respeito ao meio ambiente.

Em seu 8º Relatório de Responsabilidade Social Corporativa, lançado recentemente, o grupo reforçou o compromisso com o uso do óleo de palma 100% sustentável e a adesão de 4,4 milhões de crianças no projeto Kinder+Sport de estimulo à pratica de atividade físicas.

Para a realização desses compromissos, o Grupo adota a estratégia de definição clara de objetivos, metas e mensuração regular de resultados, baseados em seus principais pilares de reponsabilidade social: as Pessoas e o Planeta.

Segundo declara a empresa em seu relatório, um dos seus mais importantes compromissos é com seus funcionários, consumidores, empregados aposentados e comunidades locais onde opera – o pilar Pessoas. Com o Projeto Kinder+Sport, lançado em 2008, o objetivo é promover a prática de atividades físicas, difundindo a alegria e prazer pelo movimento entre crianças no mundo todo e inspirando-as a adotar hábitos ativos desde a idade precoce. Entre as atividades do Kinder+Sport que merecem destaque está o método inovador Joy of Moving que promove o desenvolvimento motor, cognitivo e de cidadania das crianças por meio de jogos criados por especialistas. Desenvolvido na Itália e com resultados comprovados por estudos acadêmicos da Universidade de Roma, a filosofia Joy of Moving até hoje só foi aplicada de forma completa naquele país. O Brasil será o segundo país a implementar o método, por meio de treinamento de professores em escolas públicas, inserindo as atividades físicas de forma natural, no espaço disponível e como parte regular de suas atividades. O programa terá início já neste ano, em Poços de Caldas (MG), cidade em que está situada a fábrica da Ferrero no Brasil.

Com um investimento de 11,5 milhões de euros no mundo, o Kinder+Sport alcançou 4,4 milhões de crianças, que praticam 23 diferentes tipos de esportes. A iniciativa conta com a parceria de 125 federações e associações esportivas. Até o final de 2018, a meta é levar o programa para 30 países ao redor do mundo e envolver até 5 milhões de crianças.

Por meio da Fundação, a Ferrero pretende melhorar a qualidade de vida dos empregados aposentados, encorajando o desenvolvimento de relações sociais e conhecimento nas áreas social, filantrópica, cultural e artística. Criada em 1983, a fundação promove projetos sociais e culturais, assistência médica e social, e colaborações com universidades. Baseadas no modelo da Fundação Ferrero, implantado na Itália e inspiradas pelo seu lema “Trabalhar, Criar, Doar”, duas obras sociais foram criadas na Alemanha e França.

Com o Projeto Empresarial Michele Ferrero, a missão é a criação de empresas comerciais, com realização de lucros e que se reverte em benefícios para a comunidade. Cria postos de trabalho em áreas menos favorecidas, e realiza projetos humanitários de proteção à saúde e de crescimento educativo e social de crianças e jovens. Atualmente existem três fábricas criadas com este objetivo, a primeira delas foi construída em 2005 em Camarões, a segunda em 2006 na África do Sul e a última em 2007 na Índia. Em 2015/2016 contou com o apoio e o trabalho de 2.700 funcionários.

Alinhada com as iniciativas em âmbito mundial de valorização nutricional dos alimentos, a Ferrero também se concentra na qualidade dos ingredientes que utiliza. Além de focar em manter um portfólio de produtos em pequenas porções, as receitas desses produtos pretendem ajudar os consumidores a ingerirem variados nutrientes durante todo o dia. O Grupo também contribui na promoção de bons hábitos alimentares, por meio de um sólido compromisso com a pesquisa científica. Aproximadamente 95% de volumes de produtos têm porção de até 150 calorias.

No pilar Planeta, a empresa se dedica a crescer combinada com a sustentabilidade, o Grupo tem o compromisso de fazer escolhas responsáveis, voltadas para a obtenção sustentável de matérias-primas, bem como para a redução do impacto ambiental das atividades de produção. Para implementar sua estratégia relativa a cadeias de suprimentos agrícolas sustentáveis, o Grupo lançou o programa Valores Agrícolas Ferrero, direcionados aos seus principais ingredientes brutos: óleo de palma 100% sustentável. Desde 2015, a Ferrero vem utilizando somente óleo de palma 100% sustentável, certificado pela RSPO (Certificação Mesa Redonda de Óleo de Palma Sustentável – https://www.rspo.org/about ) e totalmente segregado. E o compromisso do Grupo continua por meio da melhoria da rastreabilidade e da garantia de respeito pelo planeta, pelos funcionários e pelas comunidades locais seguindo o Estatuto de Óleo de Palma em  parceria com a TFT (The Forest Trust – http://www.tft-earth.org/). Seguindo seu compromisso de desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos agrícolas sustentáveis, a Ferrero tem como meta até 2020 o uso de 100% de sementes de cacau certificadas. No período 2015/2016, a empresa consumiu mais de 120 mil toneladas, 50% delas são certificadas. Desde setembro de 2014, o Grupo atingiu a meta de uso de 100% de ovos de galinhas de galpão, ou seja, não produzidos ou confinadas em gaiolas, para todas as plantas da União Europeia, bem como, para o México e Turquia, onde o fornecimento deste tipo de ovos não é uma prática usual.

Atualmente, a Ferrero opera ao longo de toda a cadeia de suprimentos de avelã, desde o cultivo nas fazendas, a pesquisa e o desenvolvimento agronômico, até a obtenção, transformação industrial e venda às empresas que trabalham com produtos semiacabados. Tendo alcançado, na prática, um modelo de cadeia inteiramente integrada, criou a Ferrero Hazelnut Company (HCo) que conta com 4 mil funcionários, distribuídos entre seis fazendas Ferrero (Chile, Argentina, Geórgia, África do Sul, Austrália e Sérvia).

Por meio de seu projeto de responsabilidade ambiental, FER-Way, a Ferrero apoia e promove o desenvolvimento de uma economia circular, apoiada no conceito de uma economia planejada para se autorregenerar, que substitui o modelo de consumo linear tradicional. Para tal finalidade, o Grupo começou a repensar a gestão de alguns dos seus muitos recursos – em especial ingredientes alimentícios, energia e materiais de embalagem – como ciclos, em vez de cadeias de suprimentos lineares e utilizam 95% de resíduo recuperado, 39% de materiais renováveis em embalagens e 18% de autoprodução de energia de fontes renováveis.

Sobre a Ferrero

O Grupo Ferrero nasceu na cidade de Alba, na região do Piemonte, norte da Itália, em 1946. Atualmente o Grupo transformou-se no terceiro maior produtor global de doces e chocolates. Com mais de 35 marcas, o Grupo Ferrero está presente em 55 países. No Brasil, a Ferrero está presente desde 1994 com fábrica em Poços de Caldas (MG). Entre suas marcas presentes no Brasil destacam-se Kinder, Nutella, TicTac, Ferrero Rocher e Raffaello, entre outras

 

Entrevista: Ana Lúcia Stockler fala sobre Valor Compartilhado

Por Karen Pegorari Silveira

Nesta edição convidamos a mestre em Administração de Empresas e diretora de Marketing e Eventos da ABRAPS (Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável) para apresentar, na prática, como as empresas podem adotar o modelo de gestão baseado no Valor Compartilhado.

Segundo ela, os benefícios colhidos por organizações que já aderiram a esta prática são diversos, tanto tangíveis quanto intangíveis, e qualquer empresa pode lançar um olhar sobre a sociedade.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Cada vez mais empresas, em todo o mundo, adotam o modelo de gestão baseado na criação de Valor Compartilhado. Contudo, o reconhecimento do poder transformador deste modelo ainda é incipiente. Como você acredita que é possível mudar este cenário e quais os benefícios colhidos pelas companhias que já aderiram a esta prática?

Ana Lucia – Acredito que o fomento à discussão, a apresentação do conceito de Valor Compartilhado em fóruns relevantes, a troca de experiência entre o empresariado e a divulgação de cases de sucesso podem contribuir de forma significativa para a disseminação desse modelo de gestão. Iniciativas como o workshop da FIESP são muito relevantes para a comunicação e entendimento do tema. Da mesma forma, as empresas que já aderiram à nova estratégia deveriam se empenhar em divulgar suas boas práticas a fim de somar esforços nessa direção.

Os benefícios colhidos por organizações que já aderiram a esta prática são diversos, tanto tangíveis e quanto intangíveis. Ao promover a geração de valor econômico para a empresa, de forma a criar também valor para a sociedade, com o enfrentamento de suas necessidades e desafios, a companhia está contribuindo para o desenvolvimento local, expandindo a qualidade de vida e ampliando também seu mercado consumidor. É uma estratégia ganha-ganha, que também amplia a reputação positiva da empresa, garante sua licença para operar.

Como e por que o enfrentamento dos problemas sociais da sociedade pode aumentar a competitividade das empresas e expandir mercados?

Ana Lucia – O primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030 da ONU, é a erradicação da pobreza. Quando uma empresa cria produtos ou serviços que promovem a inclusão social através de sua estratégia de distribuição, por exemplo, empregando pessoas da comunidade no entorno de suas instalações, está contribuindo de forma real para reduzir a pobreza naquela região. Com isso, amplia o poder de compra dessa comunidade e expande seu mercado consumidor. Um outro exemplo é quando a empresa melhora toda a infraestrutura local de forma a ampliar o acesso dos consumidores aos seus produtos. Esses consumidores certamente estarão mais propensos a consumir produtos de uma organização que contribui significativamente para o desenvolvimento local. Novamente, ganha a sociedade e ganha a empresa. E essas estratégias empresariais agregarão para o desenvolvimento sustentável.

O conceito de valor compartilhado redefine as fronteiras do capitalismo ao ligar o sucesso da empresa ao desenvolvimento da sociedade. Neste caso, como uma empresa pode criar valor econômico e valor social ao mesmo tempo?

Ana Lucia – As empresas podem criar valor compartilhado reconcebendo produtos e mercados, criando novos produtos, ou seja, desenvolvendo produtos que atendam a necessidades da sociedade, trazendo benefícios sociais e/ou ambientais. Também podem criar valor compartilhado ao redefinir a produtividade em sua cadeia de valor, ou seja, revendo e endereçando questões como o uso de recursos naturais, saúde e segurança, condições de trabalho e igualdade de tratamento no local de trabalho. E outra forma é, como já mencionado, promovendo o desenvolvimento local em várias esferas, ou seja, criando “clusters locais”, associando-se aos governos, associações e até a concorrentes para o bem da comunidade, ao promover ações que enderecem problemas e questões dessa região.

Como afirma Michael Porter, um dos criadores do conceito de Valor Compartilhado, “Nem todo lucro é igual. O lucro que envolve um propósito social é uma forma superior de capitalismo – forma que permitirá à sociedade avançar mais rapidamente e, a empresas, crescerem ainda mais. O resultado é um ciclo positivo de prosperidade empresarial e social que torna sustentável o lucro.”

A capacidade de gerar valor compartilhado existe tanto em economias avançadas como em países em desenvolvimento, como o Brasil. Sendo assim, você acredita que as empresas nacionais, incluindo as de pequeno e médio porte, estão preparadas para este modelo de negócio?

Ana Lucia – Sem dúvida alguma. Qualquer empresa pode lançar um olhar sobre a sociedade, identificar lacunas e deficiências, desenvolver ações / produtos para resolver essas questões e, ao mesmo tempo, trazer retorno econômico para a organização. Recomendo que se concentrem em deficiências que representem os maiores impedimentos à produtividade e ao crescimento da própria empresa e identifiquem áreas em que a empresa terá mais potencial para influenciar diretamente, áreas em que colaborar tenha melhor relação custo-benefício.

Por fim, sugiro que essas empresas realizem uma iniciativa “piloto” que esteja intimamente ligada ao negócio específico da empresa e em áreas mais importantes para o negócio. Novamente citando Porter, “esse modelo de gestão abre muitas necessidades novas a satisfazer, novos produtos a oferecer, novos clientes a servir e novas maneiras de configurar a cadeia de valor. E as vantagens competitivas que resultam da criação de valor compartilhado em geral serão mais sustentáveis do que avanços convencionais em custo e qualidade”. A oportunidade de gerar valor econômico através da criação de valor social será uma das mais poderosas forças motrizes do crescimento econômico mundial. Essa ideia representa uma nova forma de entender clientes, produtividade e influências externas sobre o sucesso da empresa.

Artigo: Afinal, o que é valor compartilhado?

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Michael Porter

Nos últimos anos, os negócios têm sido criticados como uma das principais causas de problemas sociais, ambientais e econômicos. Muitos acreditam que as empresas prosperem à custa de suas comunidades. Consequentemente, houve uma queda na confiança nas empresas, o que estimulou os legisladores e o governo a estabelecer políticas que prejudicam a competitividade e enfraquecem o crescimento econômico. Cria-se então um círculo vicioso onde ninguém ganha, particularmente em um ambiente globalizado. Esta constatação é cada vez mais observada no Brasil.

Uma grande parte do problema está nas próprias empresas, que permanecem presas em uma abordagem ultrapassada e limitada para a criação de valor. Com foco na otimização do desempenho financeiro de curto prazo, eles ignoram as maiores necessidades não atendidas no mercado, bem como influências mais amplas no seu sucesso em longo prazo. Por que mais as empresas ignorariam o bem-estar de seus clientes, o esgotamento dos recursos naturais vitais para seus negócios, a viabilidade dos fornecedores e o desgaste econômico das comunidades nas quais produzem e vendem?

De acordo com o artigo seminal publicado por Porter e Kramer na Revista Harvard Business Review em 2011, as empresas poderiam impulsionar os seus negócios e trazer a sociedade a seu favor se redefinissem seu propósito de criar “valor compartilhado” – gerando valor econômico de uma forma que também produza valor para a sociedade, resolvendo seus desafios. Uma abordagem de valor compartilhado reconecta o sucesso da empresa com o progresso social.

De acordo com Porter & Kramer as empresas podem fazer isso de três maneiras distintas, a saber, avaliando e criando novos olhares para os produtos e mercados, redefinindo a produtividade na cadeia de valor e construindo clusters de apoio da indústria nos locais da empresa.

Os autores citam algumas empresas conhecidas que já iniciaram atividades importantes nesta área, como a GE, a Wal-Mart, a Nestlé, a Johnson & Johnson e a Unilever. A Nestlé, por exemplo, redesenhou seus processos de aquisição de café, trabalhando intensivamente com pequenos agricultores em áreas empobrecidas que ficaram presos em um ciclo de baixa produtividade, baixa qualidade e degradação ambiental. A Nestlé forneceu conselhos sobre práticas agrícolas; ajudou os produtores a proteger o estoque de plantas, fertilizantes e pesticidas; e começou a pagar diretamente a eles um prêmio por grãos melhores. Rendimentos e qualidade mais altos aumentaram a renda dos produtores, o impacto ambiental das fazendas diminuiu e o fornecimento confiável de café bom da Nestlé cresceu significativamente. Nestes casos, criou-se valor compartilhado.

O valor compartilhado tem o potencial de remodelar os negócios, a economia e sua relação com a sociedade. Ele também pode impulsionar a próxima onda de inovação e crescimento da produtividade na economia global, pois abre os olhos dos gestores para as imensas necessidades humanas que devem ser atendidas, novos mercados a serem atendidos e os custos internos dos déficits sociais – bem como vantagens competitivas disponíveis de abordá-los. Mas nossa compreensão do valor compartilhado está ainda no início. Atingir isso exigirá que os gestores, em todos os níveis desenvolvam novas habilidades e conhecimentos e que os formuladores de políticas públicas aprendam como regular de maneira que estimule o valor compartilhado.

Texto adaptado por Alberto Ogata, diretor titular adjunto do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, do artigo clássico de Michael E. PorterMark R. Kramer sobre valor compartilhado publicado na revista Harvard Business Review em 2011.

Referência:

Porter, M.E. and Kramer, M.R., 2011. The Big Idea: Creating Shared Value. How to reinvent capitalism—and unleash a wave of innovation and growth. Harvard Business Review, 89(1-2). https://hbr.org/product/creating-shared-value-hbr-bestseller/R1101C-PDF-ENG

 

Informe Ambiental Fiesp

 

Boletim mensal produzido pela FIESP

 

O Informe Ambiental fornece de forma rápida e objetiva informações referentes ao acompanhamento de legislações ambientais, além de destaques técnicos, eventos da área, premiações e divulgação da atuação da Fiesp em ações relacionadas ao meio ambiente.

ACESSE AQUI AS EDIÇÕES MAIS RECENTES                                    

 

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Apresentações da Palestra sobre Valor Compartilhado

“VALOR COMPARTILHADO: como incorporar à estratégia de negócio, gerar rentabilidade e contribuir para o desenvolvimento social”

06/06/2018

Palestra – O que é valor compartilhado e por que incorporar esta ideia à sua estratégia de negócios pode melhorar os resultados da empresa, além de beneficiar a sociedade, com Ana Lúcia Stockler, Diretora de Marketing e Eventos da Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável

Case 1: Basf Rodolfo Walder Viana, Diretor da Fundação Espaço Eco

Case 2: Coca ColaFlávia Neves, Gerente de Sustentabilidade

Case 3: GerdauPaulo do Amaral Boneff, Gerente de Responsabilidade Social

Case 4: Fibria – Bianca Richter Guedes Conde, Consultora de Sustentabilidade

Case 5: Votorantim Cimentos – Élyda Tavares, Analista de Responsabilidade Social Sênior

Case 6: Tetra Pak – Vivian Guerreiro, Especialista em Meio Ambiente

Semana de Meio Ambiente – Seminário: A Importância Estratégica dos ODS e exemplos de sucesso na implementação

 

 

 

Confira as apresentações realizadas no seminário “A Importância Estratégica dos ODS e exemplos de sucesso na implementação” realizado na Fiesp no dia 07 de junho.

 

Painel: A Importância Estratégica dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

 

Secretaria Nacional de Articulação Social, Secretaria de Governo da Presidência da República

Sergio Kelner – Diretor do Departamento de Educação para a Cidadania e Inovação 

 

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária –Embrapa

Daniela Lopes  Pesquisadora 

 

Painel: Exemplos de Sucesso na Implementação dos ODS´s

 

empresa de pequeno porte – Metalúrgica Inca Ltda.

Luis Bello – Gerente

 

empresa de médio porte – Micro-Química Ltda.

Cláudio Hanaoka – Diretor

 

empresa de grande porte – Embraer S.A.

Mayara Ribeiro – Analista de sustentabilidade

24º PRÊMIO FIESP DE MÉRITO AMBIENTAL – VENCEDORAS 2018

A edição 2018 do prêmio promovido pelo Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Fiesp recebeu 65 cases. Os finalistas foram contemplados com troféu e o selo do Mérito Ambiental.

Saiba mais sobre os cases vencedores da 24ª edição nos links abaixo:

Vencedora grande porte:

Ford Motor Company Brasil

Manual para indústria alcançar o resíduo zero para aterro

 

Vencedora pequeno porte:

Habitar Construções Inteligentes

Entulho Zero na Construção Civil

24º PRÊMIO FIESP DE MÉRITO AMBIENTAL – DESTAQUE RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

A edição 2018 do prêmio promovido pelo Departamento de Desenvolvimento Sustentável – DDS e Comitê de Responsabilidade Social – Cores da Fiesp recebeu 16 cases de sucesso na temática responsabilidade social, onde os finalistas premiados receberam a placa de Destaque Responsabilidade Socioambiental.

Saiba mais sobre os cases vencedores acessando os links abaixo:

Vencedor 

Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo

Transformação de Consumidores em Clientes

 

Destaques Responsabilidade Socioambiental

Cervejaria Ambev

Cervejaria Ambev e a responsabilidade socioambiental: Água AMA, mais que uma água, uma causa

CPFL Energias Renováveis

Programa Raízes: Segurança hídrica no Semiárido do Rio Grande do Norte

Siemens

Projeto Experimento

Tereos Açúcar e Energia Brasil

Risco Zero em Casa

Artigo: O desenvolvimento da primeira infância como alicerce do desenvolvimento sustentável

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil

A primeira infância, a etapa que começa no pré-natal e se prolonga até o sexto ano de vida, é um período crucial para o crescimento e o desenvolvimento do ser humano.

É exatamente nesses primeiros anos que o cérebro humano se desenvolve em um ritmo sem precedentes se comparado a qualquer outro momento da vida: nos primeiros 1.000 dias de vida, quase 1.000 células cerebrais se conectam por segundo. São essas conexões as responsáveis pela saúde mental e física, assim como pelos resultados da aprendizagem, pela aquisição de competências sociais e pela capacidade do ser humano de se adaptar e de ser produtivo. Por esse motivo, meninas e meninos precisam crescer em um ambiente estável, que os permita ter boa saúde e boa nutrição, que os proteja e os ofereça a possibilidade de aprender na idade certa; o que depende em grande medida do cuidado e da interação afetiva com os pais, as mães, os familiares e demais cuidadores.

Perder essa janela de oportunidade no desenvolvimento das crianças pode ter implicações sérias por toda a vida e para o desenvolvimento sustentável dos países[1], o que torna a tarefa de investir na primeira infância uma prioridade absoluta para todos. O setor privado precisa responder a esse chamado para a ação e assumi-lo perante os seus funcionários e colaboradores, clientes, fornecedores, investidores, entre outras esferas de sua influência.

As crianças são stakeholders fundamentais para as corporações – seja como consumidores, familiares de funcionários, jovens trabalhadores, ou como futuros funcionários e lideranças empresariais. Ao mesmo tempo, as crianças são membros importantes das comunidades e locais onde as empresas operam. Por conta disso, 10 Princípios Empresariais e os Direitos da Criança (CRBPs) foram desenvolvidos mundialmente pelo UNICEF e seus parceiros, em 2012, para orientar as empresas em suas estratégias de responsabilidade social. Até essa data, o reconhecimento da responsabilidade das empresas para com as crianças estava limitado à prevenção ou eliminação do trabalho infantil. Com os CRBPs, outras maneiras pelas quais os negócios afetam as crianças ficaram mais evidentes. Isso inclui o impacto de todas as suas operações comerciais – tais como seus produtos e serviços, seus métodos de marketing e suas práticas de distribuição – e de suas relações com os governos no âmbito local e nacional, além dos investimentos nas comunidades locais. E quanto mais jovens elas são, mais vulneráveis estão aos efeitos que os negócios têm sobre elas. Tais efeitos podem ser duradouros e até mesmo irreversíveis.

É urgente ao setor privado, portanto, investir na primeira infância, nos diferentes campos em que atua: a) no ambiente de trabalho, assegurando espaços adequados para as trabalhadoras amamentarem suas crianças; proporcionando horários flexíveis para que a amamentação não seja interrompida; provendo centros de desenvolvimento infantil adequados e de qualidade para filhas e filhos pequenos de seus funcionários, próximos ao local de trabalho ou de suas residências, ajudando a criar entornos seguros e com profissionais bem capacitados; estabelecendo horários flexíveis para que pais e mães com crianças pequenas na empresa e na cadeia de valor participem plenamente do desenvolvimento de seus filhos[2], assim como em momentos difíceis como quando estão doentes ou requerem consulta médica; assegurando licenças maternidade e paternidade remuneradas[3], indo além do que as legislações de seus países preveem em razão da necessidade de se propiciar um vínculo mais antecipado das famílias com suas crianças; b) no mercado, conscientizando consumidores e clientes sobre a importância da primeira infância por meio de seus canais de comunicação corporativos, contribuindo para os esforços públicos em prol da amamentação nos primeiros dois anos de vida, da alimentação saudável a partir do estímulo ao consumo de alimentos naturais e livres de açúcar, sódio e gordura e de práticas responsáveis de marketing não direcionado à criança; e c) nas comunidades onde os negócios operam e geram impacto, contribuindo de forma complementar com os esforços de geração de evidências e informações que permitam dar às famílias o acesso às políticas e aos serviços básicos, desenvolvendo localmente programas de capacitação e conscientização sobre a primeira infância e eliminando todas as formas de violência contra meninas e meninos.

A Agenda 2030 reflete um reconhecimento crescente em torno da importância do desenvolvimento da primeira infância; ele integra especificamente a meta 4.2 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, mas está presente de forma transversal nos demais Objetivos. Conseguir que os ODS sejam uma realidade requer um grande esforço e o engajamento de todos os setores da sociedade. O setor privado, por sua vez, tem um papel específico de apoiar o cumprimento desses Objetivos. A melhor forma de fazê-lo, portanto, é comprometendo-se com o desenvolvimento da primeira infância.

*Florence Bauer é representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil. Anteriormente, trabalhou junto à organização no País de 1999 até 2006. É mestre em Administração de Empresas, com especialização em Assuntos Internacionais na “Ecole des Hautes Etudes Commerciales du Nord” (EDHEC Business School), em Lille, na França, e tem pós-graduação em Estudos Políticos na Universidade de Londres.

[1] Há diversos estudos científicos que explicam como a primeira infância é também um excelente investimento. Estudo feito para High Scope Educational Research Foundation, em 1993, indica que cada dólar investido em políticas públicas destinadas a crianças de até 6 anos representa sete dólares economizados em políticas públicas de compensação e de assistência social. Análise semelhante foi feita pelo professor de Economia James Heckman, ganhador do Prêmio Nobel em 2000, em que cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais 14 centavos durante toda a sua vida.
[2] De acordo com dados do UNICEF, na América Latina, somente 6% a 36% dos pais participam de atividades de aprendizagem de suas crianças (3 a 5 anos de idade). A participação das mães é maior, variando de 31% a 82%. Da mesma forma, nos domicílios mais pobres, somente 4% a 22% dos pais e mães participam, enquanto, em domicílios mais ricos, 39% dos pais participam.
[3] No Brasil, dois indicadores relacionados às licenças remuneradas se mostram preocupantes: o curto período da licença-paternidade remunerada, de cinco dias corridos, em geral, e de 20 dias para as empresas que participam do Programa Empresa Cidadã (e que se beneficiam de isenção fiscal), e a alta taxa de demissões de mães brasileiras após o encerramento do período da licença-maternidade – pelo menos metade das brasileiras é demitida no período de até dois anos depois da licença-maternidade, segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas em 2017.

Sindicato Responsável: Sinbi pela infância

Por Karen Pegorari Silveira

O Instituto Pró-Criança de Birigui é o braço social do Sindicato das Indústrias do Calçado e Vestuário de Birigui (Sinbi) e nasceu com a proposta de prevenir e erradicar o trabalho infantil ilegal e apoiar ações de inclusão social de crianças e adolescentes.

Além disso, através de parcerias com as empresas da cidade, o Instituto Pró-Criança apoia e incentiva o uso do selo “Empresa Comprometida com a Proteção e a Educação da Criança”. Trata-se de uma declaração que as empresas recebem e podem utilizar na comercialização de seus produtos e serviços, tanto nacional como internacionalmente, pela não utilização de mão de obra infantil.

Atualmente o instituto atende 80 pessoas, entre crianças e adolescentes, em situação de vulnerabilidade e risco social.  Todos recebem, gratuitamente, intervenções pautadas em experiências lúdicas, culturais, de interação, aprendizagem, sociabilidade, proteção e convivência social, participação cidadã e formação geral para o mundo do trabalho. Muitas ações são extensivas aos pais e responsáveis, visando promover a integração familiar no processo. As crianças e adolescentes matriculadas no Instituto são acolhidas de acordo com a situação socioeconômica de suas famílias.

No desenvolvimento de suas ações, o Pró-Criança de Birigui conta com o apoio das empresas da cidade, da rede de parceiros e associados e da equipe permanente de profissionais para formar as crianças e adolescentes envolvidos em seus projetos.

Tais atividades são realizadas graças a doações, recursos da iniciativa privada, contribuições dos associados, destinações de Imposto de Renda (IR) e eventos promovidos pelo próprio Instituto. Seu Conselho Diretor tem mandato de quatro anos e instituições da sociedade civil e representantes do poder público compõem o seu conselho consultivo comunitário, de onde são eleitos os membros do conselho fiscal.

Sobre os projetos

O “Projeto Fora da Caixa” é realizado pelo instituto junto a colaboradores das empresas/comércio por meio de rodas de conversa com temas transversais da Revista do Instituto Pró-Criança. Tem como finalidade oferecer ao colaborador espaço para a discussão de temas do cotidiano e fortalecer o vínculo entre os colaboradores e Recursos Humanos (RH) das empresas/comércio.

O “Pipocando Saber” é direcionado a crianças de 6 a 11 anos de idade, no contra turno escolar, e tem o objetivo de estimular o desenvolvimento de potencialidades, habilidades, talentos e propiciar formação cidadã. O projeto é realizado diariamente para 40 crianças.

O Projeto Rede Tecnológica para Inteligência Social foi implantado pelo Pró-Criança em 8 Instituições de Birigui, com a finalidade de criar uma base de dados única e consistente de informações sociais, para diagnóstico e tomada de decisões.

O Projeto Casa do Telefone é uma exposição permanente e aberta ao público na casa que abrigou a primeira central telefônica da cidade e que também é a sede da instituição. Possui acervo ligado à telefonia e comunicação, com o objetivo de contar a história parcial da cidade, organizar a memória da comunicação de Birigui, expor o acervo existente e ampliar as ofertas de ensino/aprendizagem relacionadas com as possibilidades da exposição, que é aberta às escolas e comunidade em geral.

Conheça todas as ações do Sinbi no site http://sindicato.org.br/

 

Iniciativas Sustentáveis: Eli Lilly – Investindo no desenvolvimento integral

Por Karen Pegorari Silveira

A primeira infância, que abrange desde a gravidez até os 5 anos de vida, constitui uma etapa central e uma janela importante de oportunidades tanto para o presente como para o futuro da sociedade. Alcançar o Desenvolvimento Integral na Primeira Infância implica ir além do olhar tradicional – voltado prioritariamente à sobrevivência da criança, em direção a políticas que permitam às crianças se desenvolverem plenamente em todas as dimensões: física, social, emocional e cognitiva.

Pensando nisso, a indústria farmacêutica Lilly se engajou em algumas iniciativas para atuar com esta finalidade. Em parceria com a United Way (UW), maior organização de filantropia do mundo, a empresa apoia o tema de duas formas: por meio do voluntariado – em que funcionários fazem trabalhos em creches/escolas da zona sul de São Paulo e oferecem mentorias; e com o investimento social – com contribuições mensais dos funcionários em dinheiro. Todos os meses, a Lilly realiza o matching (contrapartida) do valor total doado pelos funcionários.

Na Lilly Brasil, o programa de investimento social possui cerca de 240 funcionários, que contribuem mensalmente com um valor para ser destinado à United Way Brasil. Em 2017, a Lilly contribuiu com cerca de R$95mil reais para estes dois programas direcionados a primeira infância e outros dois programas direcionados a juventude.

Com o ‘Programa PIA’ (Primeira Infância Acreana e Amazônica) o foco é a promoção da cultura de estímulo ao Desenvolvimento na Primeira Infância através do fortalecimento do papel da família, da comunidade e da rede intersetorial de serviços para primeira infância. Os princípios norteadores do projeto são: Inserção na Atenção Básica e articulação com equipamento das políticas sociais nos territórios. (Programa Saúde na Escola, Centro de Referência da Assistência Social, Educação Infantil, Bolsa Família, Asinhas da Florestania, entre outros); abordagem Intersetorial – participação da gestão estadual e gestão municipal da saúde, educação, assistência social, direitos humanos, cultura, entre outras áreas; valorização da cultura e experiências das famílias e comunidades; brincar como recurso mobilizador da capacidade criativa das famílias e demais atores; família como protagonista no processo de desenvolvimento infantil integral; participação das reuniões das respectivas equipes dos territórios para discussão dos casos mais complexos e devidos encaminhamentos para a rede de cuidado.

Já com o ‘Programa Crescer Aprendendo’, que possui metodologia da United Way baseada em evidências, implementada em mais de 600 United Ways em todo o mundo, o objetivo é contribuir para o desenvolvimento das crianças de 0 e 6 anos por meio da oferta de informação de qualidade online e presencial para escolas e famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Público impactado: Região do Campo Limpo. Cerca de 1000 crianças entre 0 e 6 anos e 400 familiares.

Segundo o gerente de Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa, Fábio Oliveira, a empresa acredita que “não há investimento mais rentável do que aquele feito na primeira infância, pois toda a sociedade se beneficia quando uma criança é bem-sucedida em sua vida a longo prazo. Investir no desenvolvimento integral das crianças em seus primeiros anos de vida pode trazer um melhor desempenho acadêmico, maiores níveis de escolaridade, melhores competências no trabalho e menor taxa de criminalidade”.

Para apoiar a primeira infância internamente a Lilly também concede licença maternidade ampliada e extensão da licença paternidade por 20 dias. Como benefício oferece ainda o auxílio creche e permite horário de trabalho flexível.

Sobre a Eli Lilly

A fábrica da Lilly no Brasil foi inaugurada no ano de 1953, quando começou a produzir seus medicamentos na unidade fabril situada no bairro do Brooklin, capital paulista. Os primeiros produtos a serem fabricados no Brasil foram o Merthiolate, Isedrin, Xarope de Codestrina e Benzoped.

Iniciativas Sustentáveis: Kimberly Clark – Abraçar para desenvolver

Por Karen Pegorari Silveira

As organizações estão cada dia mais preocupadas em responder a uma demanda do consumidor que vai além da entrega de produtos. Hoje a sociedade busca mais propósito ao realizar suas compras, avaliando não somente a qualidade do produto, como também o impacto que ele traz social e ambientalmente. Neste sentido, o olhar que as organizações devem ter sobre sua maneira de operar tem que levar em conta questões relacionadas à sustentabilidade com seus impactos socioambientais e resultados financeiros.

Com a Kimberly-Clark não é diferente, por isso através de uma de suas marcas, a Huggies – de cuidados infantis, ela se preocupa com seu principal público – as crianças de 0 a 3 anos, que fazem parte da primeiríssima infância. Para tanto, eles apostam no abraço, que é uma das principais representações do afeto e carinho, como fundamental para o desenvolvimento emocional e por isso desenvolvimento pleno desta criança. Hug, que em inglês quer dizer abraço, também inspirou o nome original da marca.

Para embasar os conteúdos comunicados pela empresa foi desenvolvido um estudo, com apoio de publicações científicas, dos 18 macrobenefícios físicos e psicológicos do abraço, que influenciam diretamente no desenvolvimento emocional das crianças. O conteúdo desse estudo tem sido amplamente divulgado pela marca.

De acordo com Patricia Macedo, diretora da categoria de cuidados infantis da Kimberly-Clark Brasil, “a partir de pesquisas, a Huggies descobriu os poderes comprovados que o abraço pode ter no desenvolvimento de bebês, por isso, o abraço sempre foi nossa verdadeira inspiração. A marca acredita tanto no poder do gesto para o desenvolvimento mais feliz e saudável dos bebês que ele é a maior inspiração para oferecermos solução completa de produtos que proporcionam mais conforto para as famílias e crianças”, explica.

Globalmente, a empresa atua também em inúmeros programas sociais em hospitais, como o No babies unhugged – projeto de voluntariado canadense que atende bebês prematuros – um público bastante específico e vulnerável que necessita de plena atenção para sobreviver. Os voluntários passam algumas horas por semana abraçando os bebês, aplicando o método reconhecido pela Organização Mundial da Saúde chamado Kangaroo Mother Care. Esse ato de afeto e carinho, cientificamente comprovado, contribui para que o bebê se desenvolva neste momento mais crítico. No Brasil 340 mil bebês nascem prematuros todos os anos, o que significa 12% dos nascimentos.

A Kimberly-Clark apoiou ainda o filme “O começo da Vida”, que trata exatamente do tema da primeira infância e já foi exibido em 89 países, impactando mais de 1,2 milhões de pessoas.

Além disso, a companhia oferece licença maternidade estendida de seis meses para todas as colaboradoras; Sala de amamentação, certificada pelo Ministério da Saúde no escritório de São Paulo; Home Office; Horário Flexível e Cursos de gestantes para colaboradoras e colaboradores que terão filhos em breve. Na Argentina, durante as viagens corporativas, as colaboradoras com filhos de até 1 ano que ainda estão no período de amamentação, têm a possibilidade de levar o seu bebê com um acompanhante

Por fim, a marca se posiciona como um agente atuante na sociedade, sendo parte das discussões e soluções dos problemas sociais, que ultrapassam as fronteiras meramente de negócios.

Sobre a Kimberly-Clark

A Kimberly-Clark é uma empresa norte-americana que produz as marcas Neve, Scott, Kleenex, Huggies, TMJ (Turma da Monica Jovem), Intimus e Plenitud. Também atua no segmento institucional por meio da K-C Professional com produtos para bares, restaurantes, indústrias e empresas. O escritório central está localizado na capital de São Paulo e há ainda 5 fábricas, em Camaçari (BA), Correia Pinto (SC), Eldorado do Sul (RS), Mogi das Cruzes (SP) e Suzano (SP), um Centro de Distribuição em Mogi das Cruzes (SP) e um escritório de Vendas em Recife (PE).

David Uip fala sobre o papel da Secretaria Estadual de Saúde na implantação do SUS

Por Karen Pegorari Silveira

Em reunião técnica promovida pelo Conselho Superior e pelo Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, realizada na última quinta-feira (24/05), o professor e ex-secretário Estadual de Saúde, David Uip, comentou as principais dificuldades que enfrentou em seu mandato de quase 5 anos, sobre o Pacto Federativo e o que pensa a respeito da Constituição Brasileira.

Segundo o professor, durante seu mandato, que iniciou em 2013 a pasta de Saúde do Estado perdeu 3 bilhões de arrecadação devido à crise no país e apesar do Governo na época ter aumentado o percentual destinado à Saúde, o setor sentiu a perda. Durante seu mandato de exatos 4 anos e 7 meses também foi preciso lidar com diversas mudanças de ministro – um deles ficou apenas 2 meses no cargo – o que dificultou bastante a execução de seu trabalho. Além disso, a complexidade da gestão desta Secretaria, com 160 mil funcionários, exigiu grande experiência e sensibilidade. Em sua visão, para dirigir qualquer pasta de Saúde do Governo precisa ser uma pessoa da área de Saúde, devido à complexidade e à dificuldade da área.

Ainda há a necessidade do entendimento do que é o Pacto Federativo, que designa funções para cada um dos entes – cabe ao governo federal a política pública e o financiamento, aos estados fundamentalmente é a governança e ao município cabe a execução. De acordo com o professor “se isso desse certo, as coisas estariam bem encaminhadas, mas não é assim que acontece”, analisa ele.

Outro fato muito discutido por Uip é a Constituição Brasileira. Segundo ele “essa história de que saúde é direito de todos e dever do Estado, é mentira! Não tem dinheiro. Como você vai dar tudo a todos, sendo que ‘tudo’ vai desde atenção primária, até o remédio de 1000 dólares o comprimido ao dia?” questionou. Na visão dele a Constituição de 1988 foi sim um avanço, porém precisa ser revista.

Segundo o ex-secretário, o Estado de São Paulo conta hoje com 101 hospitais estaduais. Para se ter uma ideia o Estado do Rio Grande do Sul tem 2 hospitais estaduais e o Rio de Janeiro, nenhum. Porém, há um grande problema, segundo Uip. Faz-se pouca prevenção e naturalmente o caminho para tratar as doenças é o hospital, seja por falta de atenção primaria, seja pela complexidade da doença.

Uip acrescenta ainda que “nos prontos socorros dos hospitais do Estado de São Paulo há 81% de pacientes não precisariam estar lá, eles poderiam estar nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), nos programas de saúde da família, ambulatórios de especialidade (AME) e etc. A doença deles não é para pronto socorro. Só 19% estão onde precisam estar. Nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), 50% dos pacientes não precisariam estar lá. Então é um sistema muito complexo”, relata.

Com este cenário, sua gestão transformou 40 AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades) em AMEs+, que tem competência de realizar procedimentos, tanto de diagnósticos, como cirúrgicos. Hoje elas fazem mais cirurgias de média complexidade do que os centros cirúrgicos hospitalares. Este conceito ajudou a destravar o nó do sistema. No AME Barradas, no bairro de Heliópolis, por exemplo, foram realizadas 10 mil cirurgias de cataratas.

Outras questões, citadas por Uip, que impactam a administração da saúde no Estado é a contratação de profissionais, que é feita por concurso. Há falta de profissionais interessados e falta de profissionais especializados, por este motivo, em sua gestão, Uip terceirizou estes profissionais e aumentou os atendimentos em diversos hospitais.

A Parceria Público Privada (PPP) também é uma questão delicada porque é preciso remunerar o parceiro de hospital. Mas é a ação que deu certo do ponto de vista de construção de hospitais, segundo Uip. “Não houve atrasos com as obras e os hospitais são de alto nível, não perdem em nada para os melhores hospitais privados”. Nesta parceria o Estado entrou com 60% e o parceiro privado com 40% – emprestado pelo Estado, por isso Uip questiona este modelo. Mas na visão dele houve um excelente modelo de parceria entre o Estado e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que entrou com 70% do investimento para construir 180 unidades de saúde no estado.

Para finalizar sua palestra, Uip citou os 4 grandes problemas da saúde, em sua opinião. Para ele as questões que mais impactam atualmente são: 1) financiamento – que recebe apenas 25% do governo federal; 2) gestão de 645 municípios com diversas trocas de secretários de saúde; 3) desvio e desperdício de verbas e insumos; 4) judicialização com pagamento para tratamentos e medicamentos exigidos através de processos, onde há muitos crimes. “Para se ter uma ideia já tivemos judicialização para comprar remédio para cachorro”, conta ele.

A palestra de David Uip, professor, ex-secretário de Saúde do Estado de São Paulo e um dos mais experientes gestores da Saúde Pública do país fez parte da série de encontros do Projeto Sistema de Saúde no Brasil, idealizado por Raul Cutait, médico e presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp, Consocial.

Acompanhe a agenda dos próximos encontros no site www.fiesp.com.br/agenda

Artigo: Desafios à Responsabilidade Social na indústria da construção

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Haruo Ishikawa

O que nos une, ativistas sociais, é tornar a vida melhor, melhorar a humanidade, melhorar as pessoas. Na vida empresarial, investimento social dá visibilidade e lucro, quando feito de forma profissional e sustentável. Ele se tornou uma característica mundial das empresas e um fator de valorização das ações de muitas delas nas bolsas de valores.

Nesta perspectiva, o trabalho das instituições em que militamos apresenta diversos desafios. No SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção), nosso foco é o bem-estar do trabalhador e de seus familiares, buscando incessantemente valorizá-los. Zelar pela motivação pessoal e pelo crescimento profissional do trabalhador é condição indispensável à prevenção de acidentes e à elevação da produtividade na construção.

Com esta perspectiva, desenvolvemos ações que incluem: o ConstruSer (Encontro Estadual da Construção Civil em Família), a Megasipat (Mega Semana Interna de Prevenção de Acidentes), o PSS (Programa SindusCon-SP de Segurança), a liderança do tema da Segurança do Trabalho dentro da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), a coordenação da bancada patronal do CPN (Comitê Permanente Nacional) da NR-18, e a inserção segura de Pessoas com Deficiência nos canteiros de obras.

O mais difícil no trabalho social é transmitir motivação e conhecimentos para uma massa enorme, heterogênea e pulverizada de pessoas. Na construção, falamos com 2,3 milhões de trabalhadores, dos quais mais de 670 mil no Estado de São Paulo.

Assim, para atingir o maior número de empresas e trabalhadores, optamos por ações e eventos que se viabilizam mediante valiosas parcerias. O ConstruSer, por exemplo, maior evento de responsabilidade social da construção paulista, é uma realização do SindusCon-SP com Fiesp, Sesi-SP, Senai-SP e Seconci-SP (Serviço Social da Construção).

Durante um dia inteiro, mais de 20 mil trabalhadores e seus familiares encontram-se nos Centros de Atividades do Sesi-SP na capital e no interior paulistas. Realizam exames médicos e participam de esportes e atividades sobre educação, geração de renda por meio de arte e criatividade, sustentabilidade ambiental, educação financeira, alimentação, nutrição, cultura e segurança no trabalho e no lar. De 2008 a 2017, o ConstruSer já recebeu 331 mil trabalhadores da construção civil e seus familiares, gerando 3,5 milhões de atendimentos em 724 atividades oferecidas gratuitamente.

A Megasipat, o maior evento de saúde e segurança do trabalho da construção civil paulista, busca despertar o interesse do trabalhador na prevenção da saúde de acidentes de trabalho, além de abordar temas como higiene, medicina e segurança do trabalho, proteção ao meio ambiente, ética, cidadania e responsabilidade social.

Realizado em parceria com Sesi-SP, Senai-SP e Seconci-SP na capital e no interior do Estado, o evento auxilia as empresas do setor a complementar as suas Sipats (Semanas Internas de Prevenção de Acidente de Trabalho) e formar agentes de boas práticas, multiplicadores em suas respectivas empresas. De 2000 para cá, a Megasipat contribuiu para formação de cerca de 30 mil trabalhadores em 4 mil empresas.

O PSS, realizado em parceria com o Senai-SP, visa orientar as construtoras sobre os cuidados com a Segurança do Trabalho. Técnicos visitam permanentemente os canteiros de obras em todo o Estado, verificando se estão atendendo a NR-18 e as demais Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho para a prevenção de acidentes.

Na Comissão de Política e Relações Trabalhistas da CBIC, desenvolvemos atividades, ações e publicações destinadas à segurança do trabalho. No momento, estamos realizando a Canpat (Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes na Indústria da Construção), mediante seminários nas cinco regiões do país.

O evento conta com parceria dos Sesis, Seconcis e do Ministério do Trabalho, e aborda os temas de interesse do momento: inovações e boas práticas em Saúde e Segurança do Trabalho, atuação das entidades na prevenção de acidentes e reforma trabalhista.

Em parceria com as entidades dos trabalhadores e o Seconci-SP, e com anuência do Ministério do Trabalho, desenvolvemos uma ação permanente visando à inserção segura de Pessoas com Deficiência na Construção Civil, em atendimento à Lei de Cotas. Também orientamos as empresas ao preenchimento da cota de aprendizes.

A preservação da saúde e da segurança do trabalhador também é objeto de várias cláusulas das Convenções Coletivas que o SindusCon-SP assina anualmente com as entidades dos trabalhadores. As construtoras obrigam-se a uma modesta contribuição mensal para o Seconci-SP, que em contrapartida proporciona atendimento médico e odontológico ambulatorial gratuito para os funcionários das mesmas e seus dependentes.

Além disso, o SindusCon-SP tem vasta atuação na área da sustentabilidade. Destacam-se a colaboração com o governo estadual para a Montagem do Sigor (Sistema Estadual de Gerenciamento Online de Resíduos Sólidos) e as ações para estimular a construção sustentável, com preservação dos recursos naturais e combate à emissão de gases estufa.

Desta forma, exercemos nossa responsabilidade social, em busca de um Brasil economicamente forte, socialmente justo e ambientalmente desenvolvido.

*Haruo Ishikawa é vice-presidente de Capital-Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon-SP, presidente do Seconci-SP, líder de SST na CBIC, coordenador da Bancada Patronal do CPN da NR-18 e membro do Comitê de Responsabilidade Social.

 

Artigo: Olhar e atitude para o social

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Tania Cosentino

Empresa nenhuma – em particular aquela posicionada como líder no seu mercado – pode ignorar seus impactos ambientais e sociais, sejam eles negativos ou positivos. A velha crença de que o sucesso organizacional está atrelado única e tão somente ao desempenho financeiro deu lugar ao entendimento de que a geração de valor econômico deve estar intrinsecamente ligada à criação de outros valores para a sociedade. Não se trata de ações beneficentes, responsabilidade social, nem mesmo sustentabilidade. Estamos falando de valor compartilhado – um novo modelo em que o êxito de uma companhia e o progresso de um povo estão diretamente relacionados.

Vivemos um momento difícil, no Brasil e no mundo como um todo: desigualdade social, criminalidade, poluição, escassez de recursos naturais. Precisamos mudar; o planeta e a sociedade não podem mais esperar, e o setor privado, por sua vez, pode e deve ajudar. Eu me considero uma ativista pela inovação para a sustentabilidade e fico feliz de atuar em uma companhia que me dá espaço para abraçar causas tão urgentes.

Desde 2002, nós, da Schneider Electric, trabalhamos mundialmente com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e incorporamos suas iniciativas em nossos negócios. Quando a entidade lançou, em 2015, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e suas 169 metas a serem alcançadas até 2030, nós logo nos envolvemos. Para mim, esse tema é apaixonante, e temos inúmeros projetos dos quais me orgulho muito.

Desde 2009, desenvolvemos o Programa de Acesso à Energia, cujo objetivo é levar energia renovável, segura, limpa e confiável a áreas isoladas, dependentes de combustíveis fósseis, com fornecimento precário de energia ou sem acesso a ela, além de promover treinamento em competências relacionadas ao setor elétrico para comunidades de baixa renda. Até 2025, a meta global da nossa empresa é gerar eletricidade para 50 milhões de pessoas e treinar 1 milhão. Até o momento, levamos luz elétrica para 5 milhões de pessoas e treinamos mais de 100 mil. Na América do Sul, em cinco anos, capacitamos 30 mil homens e mulheres, elevando a renda média da comunidade piloto em 52%.

No Brasil, somente em 2017, contribuímos para a instalação de mais de 30 sistemas de energia solar em comunidades indígenas e extrativistas do Amazonas, beneficiando espaços de uso comunitário (escolas, unidades de saúde) e atividades produtivas (pimenta, mel, castanha), e mantivemos sete parcerias educacionais ativas em diferentes estados. Em um projeto de instalação de sistemas solares no Território Indígena do Xingu, realizamos uma capacitação que beneficiou 28 jovens indígenas de 18 aldeias, de sete etnias.

Ao levar energia para uma região isolada, acreditamos ser possível melhorar condições de educação, saúde, comunicação, atividades econômicas e outros aspectos. O acesso à energia colabora para a erradicação da pobreza, a redução das desigualdades e o alcance a outros direitos fundamentais.

Vale comentar também acerca das nossas ações a favor das mulheres. Desde 2015, a Schneider Electric é um dos dez participantes corporativos do Impact 10x10x10, da ONU Mulheres, um grupo de empresas, universidades e governos que atua em políticas de gênero. Desde então, cerca de 40 mil colaboradores se juntaram ao HeForShe, programa da ONU Mulheres e da UN Global Compact Initiative. E mais: em 2016, 40 presidentes de países da nossa empresa assinaram os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) estabelecidos pela ONU Mulheres e pelo Pacto Global.

Diversidade de gênero não é “papo de mulher”; por isso, a intenção do HeForShe é trazer os homens para a conversa, pois são eles, ainda, aproximadamente 95% dos CEOs. Já os WEPs apresentam, de forma simples, sete passos para uma empresa criar seu programa de diversidade de gênero, e tudo começa colocando o tema na agenda do CEO e das altas lideranças.

E após assumirmos formalmente esses compromissos em toda a América do Sul, fizemos uma análise da nossa demografia, identificamos nossos “gaps” e estabelecemos nossas metas: aumentar o recrutamento de mulheres para 42% sobre o total até 2017 (meta medida trimestralmente desde 2015); ter 30% de mulheres na alta liderança global da empresa até 2020; e ter 95% dos nossos colaboradores trabalhando em países com processos estabelecidos para eliminar o “pay gap” até 2020.

Tenho orgulho de dizer que, inspirada e apoiada pelo CEO global, Jean-Pascal Tricoire, lidero essa grande transformação e posso observar bons resultados. Nossas ações vão além das nossas fronteiras; levamos nossos programas aos nossos parceiros, fornecedores e às comunidades. Temos o dever de elevar o nível de toda nossa cadeia de valor, inserindo padrões de ética, gestão e RH. Eu, aliás, dedico parte do meu tempo a fazer o “advocacy” de sustentabilidade e diversidade, pois acredito que, promovendo nossas ações, compartilhando conhecimento, podemos impactar positivamente toda a sociedade. Essa é minha contribuição – como executiva e como indivíduo.

*Tania Cosentino é presidente da Schneider Electric para América do Sul, membro do Diversity & Inclusion Advisory Board da Schneider Electric, lidera o programa HeForShe, uma iniciativa da ONU Mulheres e do Pacto Global da ONU e recebeu o 1º Prêmio CEBDS de Liderança Feminina, iniciativa do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), por seu trabalho em prol do empoderamento feminino.

 

Artigo: É preciso construir um futuro sustentável e inclusivo

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Ulisses Matiolli Sabará

Estamos diante de um novo marco para a construção de uma economia inclusiva e compartilhada, com o objetivo de eliminar a pobreza e criar um quadro institucional para o desenvolvimento sustentável. Neste momento, o nosso compromisso é fortalecer as práticas nos negócios, no ambiente interno e nas múltiplas relações para garantirmos uma perspectiva de inclusão, equidade e sustentabilidade para as gerações atuais e futuras.

A ideia é estabelecer uma relação amigável entre os processos produtivos da sociedade e os processos naturais. Dessa maneira, será possível promover a conservação, a recuperação e o uso sustentável dos ecossistemas, tratando os serviços prestados à vida como ativos financeiros de interesse público.

Essa é uma estratégia que ajuda a transformar a sociedade e a fortalecer o setor privado, pois o investimento no capital humano, a valorização das cadeias produtivas e a preservação dos recursos naturais são elementos essenciais para que possamos trilhar o caminho do crescimento em harmonia com a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento econômico e social.

Aliás, em junho de 2016, fui reconhecido pela ONU como um dos Local SDG Pioneers, devido aos esforços que realizo alinhado ao Objetivo número 15 – Vida Terrestre (Life on Land) -, dedicado a proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda da biodiversidade.

A ação selecionou dez líderes empresariais e agentes de transformação de todo o mundo, com a missão de defender a sustentabilidade por meio de seus modelos de negócios, promover a mudança e mobilizar a comunidade empresarial em geral para que sejam tomadas medidas de apoio aos ODS. O grande foco dos selecionados é mobilizar esforços para que, até 2030, as ações sejam aplicadas universalmente, de modo que contribuam para o fim de todas as formas de pobreza, promovam a luta contra as desigualdades e combatam as alterações climáticas, assegurando que ninguém seja deixado para trás.

Na Beraca, entre as iniciativas que sempre destaco, está o Programa de Valorização da Sociobiodiversidade®, criado no ano 2000 e que está baseado nos alicerces: “Rentabilidade Adequada”, “Preservação da Água e Biodiversidade” e “Desenvolvimento Humano de Forma Equilibrada”. Trata-se de um projeto que atua como uma ponte entre 105 comunidades agroextrativistas espalhadas pelo Brasil, com mais de 2.500 famílias, e os principais fabricantes mundiais de cosméticos. Isso faz com que a empresa conecte a biodiversidade brasileira a milhares de consumidores por meio de uma relação de transparência, rastreabilidade e inovação.

Para mensurar a importância desse projeto, promovemos uma parceria entre a Beraca, a Universidade de São Paulo (USP) e a Columbia University, de Nova York, nos Estados Unidos, para realizar um estudo inédito sobre os impactos proporcionados. A análise avaliou 334 famílias, dos municípios de Salvaterra, Breves (Furo do Gil) e Bragança, no Pará, e Palmeira do Piauí e Uruçuí, no Piauí, e concluiu que, em determinadas regiões, a cada R$ 1 investido no extrativismo sustentável, são retirados R$ 3,6 da mão de obra em madeireiras ilegais.

Ao falarmos em comprometimento com questões socioambientais, devemos ressaltar também que durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP21, realizada em 2015, o Brasil assumiu a responsabilidade de zerar o desmatamento na Amazônia Legal e restaurar 12 milhões de hectares de florestas. Para que o país atinja esses números, além do reflorestamento, com a fiscalização e a criação de unidades de conservação, é preciso apostar em alternativas de uso sustentável da floresta pelas mais de 4 milhões de pessoas que lá vivem.

Uma oportunidade para atingir a meta é por meio do extrativismo sustentável, iniciativa que consiste na manutenção das florestas em pé, para que seus frutos e sementes sirvam como uma fonte de renda aos moradores das comunidades ribeirinhas e pequenos núcleos de agricultura familiar. As famílias que vivem em áreas como a região amazônica não podem depender apenas de atividades como a monocultura de mandioca e a pesca, por exemplo.

Diante disso tudo, defendo fortemente a importância da criação de cadeias de valores dentro dos negócios, capazes de garantir a perenidade e o aperfeiçoamento das três dimensões do conceito de sustentabilidade: o valor agregado do próprio negócio; a melhoria do bem-estar de populações rurais localizadas em áreas remotas; e a preservação do meio ambiente. Apenas com estímulo em ações socioambientais, é possível reduzir a pressão sobre os recursos naturais.

Ulisses Matiolli Sabará é presidente da Beraca, uma das unidades de negócios do Grupo Sabará, estudou Engenharia Química e Administração de Empresas. Foi reconhecido em 2016 como um dos dez nomes responsáveis por divulgar e implantar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, resultado de um trabalho alinhado ao Objetivo número 15 – Vida Terrestre.