Iniciativas Sustentáveis: Special Dog – Capitalismo Consciente na Prática

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Por Karen Pegorari Silveira

O conceito de Capitalismo Consciente prega que os negócios não se restrinjam apenas à geração de lucros, renda e empregos, mas também a valores de bem-estar, cuidados com o meio ambiente e redução da miséria. E esse tem sido o propósito da fabricante de alimentos para cães e gatos Special Dog.

O impacto financeiro da empresa na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, interior paulista, já é relevante devido ao pagamento de impostos e à empregabilidade, mas a transformação que ela provoca no município vai além; atualmente a empresa tem se dedicado a impactar a vida dos moradores da cidade com projetos que atuam no bem-estar de crianças e adolescentes, além de outras iniciativas.

Prova disso é o investindo de R$ 1,5 milhão feito pela empresa para qualificar os profissionais das redes de educação e de desenvolvimento social do município e a construção, na praça central da cidade, de um centro cultural por onde passam 500 alunos por mês para aulas gratuitas de música, artesanato e culinária.

Impactar a vida da sua força de trabalho também é um dos grandes objetivos e seus colaboradores são continuamente estimulados a estudar. Para isso, contam com bolsas de estudos para formação superior e pós-graduação que podem chegam a até 80% do valor integral. Além disso, a remuneração é acima da média do mercado, oferecem participação em resultados financeiros, convênios médicos e licença maternidade ampliada. Também foi construído um espaço de descanso na empresa — com camas, ar condicionado e internet, além de um grêmio recreativo com ginásio de esportes, campo para prática de futebol, quiosques com churrasqueiras e um salão de festas.

Outras inciativas para engajar seus trabalhadores também são realizadas, como o “Programa para Pais”, que desde 2016 orienta os colaboradores que serão pais em como ajudar suas esposas no cuidado com o bebê. Os treinamentos são realizados pela enfermeira da empresa e nele são ensinados os cuidados básicos como: trocar fraldas, dar banhos, acalmar o choro, a importância das vacinas, entre outras informações essenciais. Os colaboradores que realizam o curso, além de adquirirem conhecimentos para ser um pai mais presente nesta fase tão especial, contam com 20 dias de licença paternidade. No final do programa também recebem um kit maternidade e um livro “Guia para os pais”. Nas primeiras semanas do bebê, a enfermeira da empresa também faz uma visita à família com a finalidade de ajudar e dar mais orientações, caso seja necessário.

Recentemente, a empresa colocou em prática o Programa de Voluntariado Cuidar. A iniciativa conecta os colaboradores com ações e entidades que precisam de ajuda. A iniciativa trabalha quatro áreas, que estão conectadas ao negócio e aos valores da empresa: educação de crianças e adolescentes, assistência social, bem-estar animal e sustentabilidade. A primeira grande ação aconteceu em 30 de março na Escola Frei José Maria Lorenzetti, em parceria com a Secretaria de Educação.

De acordo com o gerente de Desenvolvimento Sustentável da empresa, João Paulo Camarinha  Figueira, um dos grandes desafios é a inclusão do conceito de sustentabilidade, de forma transversal, nas diversas áreas da empresa. “Acreditamos (muito!) no poder do exemplo e, por isso, mais do que lecionar sobre o tema, procuramos pratica-lo – é o ‘aprender fazendo’. Trazer os conceitos teóricos da sustentabilidade para a prática cotidiana dos líderes é desafiador, mas acelera o processo e o torna mais robusto e perene. Exemplos como, recrutar por valores e princípios, e de forma inclusiva e diversa, realizar uma comunicação ética, com discursos alinhados às ações e buscar eficiência energética e hídrica, com inovação e tecnologia são, respectivamente, formas práticas de mostrar às áreas de Recursos Humanos, Marketing e Utilidades, seu protagonismo na inclusão da sustentabilidade”, diz.

Além de todas estas iniciativas, a empresa atua também na área ambiental reciclando 96% de seus resíduos sólidos. Em seu sistema de Compostagem, por exemplo, 100% dos resíduos orgânicos passíveis de compostagem do refeitório são naturalmente transformados em adubo e este, por sua vez, é utilizado nas hortas orgânicas da empresa que abastecem novamente o refeitório. A captação da água também conta com uma ação, o Projeto Guarda Chuva, que possui mais de 3,5 km de tubulações ligando os tanques de armazenamento (1,5 milhão de litros de capacidade) de água de chuva aos pontos de consumo, como lavadores de caminhões, áreas de irrigação, pátios externos e bacias sanitárias. Com isso, a empresa já deixou de utilizar mais de 13 milhões de litros de água potável, com média de 1 milhão de litros por mês nos últimos seis meses.

A gerente geral administrativa da empresa, Priscila Manfrim, diz que a liderança enxerga que ter a sustentabilidade presente no planejamento estratégico é fator primordial para a perpetuação da empresa e é seu principal objetivo. “Sabemos da nossa responsabilidade com a sociedade e o meio ambiente e, por isso, buscamos estar atualizados e capacitados para evoluir em nossas práticas e ter os pilares da sustentabilidade norteando nossas ações e planejamento”, completa ela.

Sobre a Special Dog

É uma empresa familiar, está entre os cinco maiores fabricantes de alimentos para cães e gatos do país e contam com aproximadamente 950 colaboradores. É considerada, desde 2013, como uma das melhores empresas para se trabalhar no país e, em 2018, foi reconhecida pelo Great Place to Work (GPTW) como a melhor empresa do país para se trabalhar na categoria “Médias Nacionais”.

Artigo: O Impacto Econômico e Comercial da Sustentabilidade

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Roberto Ignacio Betancourt

Até recentemente, a palavra sustentabilidade representava o desejo das empresas de serem economicamente viáveis, socialmente corretas e ambientalmente responsáveis. Por muitos anos, porém, a ausência de métricas reconhecidas internacionalmente e amparadas por indicadores técnico-científicos que permitissem a comprovação da sua efetividade no que diz respeito ao aspecto ambiental, fez com que as diferentes atividades produtivas passassem a adotar sistemáticas próprias de mensuração, o que, não raro, tornou o tema apenas uma ferramenta de marketing junto aos consumidores mais exigentes.

O mundo, no entanto, começa a formatar uma estrutura mais robusta para a sua mensuração, com grande potencial de impor custos e barreiras para as empresas, setores e produtos que não apresentem métricas de sustentabilidade ambiental em linha com o esperado pelos principais mercados compradores.

Dessa forma e por força da opinião pública, a cobrança por sustentabilidade passou a ser majoritariamente na área ambiental e a principal métrica balizando setores e produtos passou a ser a emissão de CO2 equivalente. Esta emissão engloba a emissão direta de CO2, assim como outros gases do efeito estufa como o metano, que são contabilizados como CO2 equivalentes. Com este critério bem definido, a comunidade internacional pôde realizar equiparações entre empresas, setores e produtos. As mais diversas commodities podem ser comparadas, tais como a emissão de CO2 equivalente para produzir 1 kg de carne bovina, 1 kg de etanol, 1 kg de soja ou até mesmo um kg de aço.

Para o agronegócio, foi desenvolvida uma ferramenta para mensurar a sustentabilidade de cada produto em diferentes mercados, portanto, com sistemas produtivos diferentes: a ACV (análise do ciclo de vida) ou LCA (life cycle analysis) em Inglês. Nela são medidas as emissões, considerando tudo o que um animal ou planta precisam utilizar ao longo da sua vida até chegar à mesa do consumidor final. Para exemplificar, a ACV de um grão, como o milho, precisa contabilizar o CO2 equivalente gerado ao longo da cadeia produtiva, a partir da utilização, por exemplo, de fertilizantes, combustíveis, defensivos agrícolas, entre outros insumos e serviços necessários à produção e distribuição. Assim, quando enviamos o grão de milho para determinado país, saberemos exatamente quanto foi a sua emissão de CO2 equivalente.

Para o setor não agrícola o raciocínio é semelhante. No final, teremos um resultado que poderá ser utilizado por qualquer país ou empresa, a partir de uma linguagem mais uniforme, para explicar aos consumidores qual é o impacto do produto nas emissões de gases do efeito estufa que estão de alguma forma afetando o nosso planeta.

Com este conceito de emissões de CO2 equivalentes bem definido, o mundo se prepara para implantação de uma nova etapa da relação comercial, na qual os produtos mais poluidores serão onerados ou, no limite, até mesmo impedidos de chegar aos consumidores de determinados mercados. Esta fase está sendo liderada pela Europa e será bastante restritiva, a partir de novas e crescentes exigências, ao considerarmos as métricas em que se baseia para a tomada de decisões.

Na atualidade há uma corrida global por determinar as emissões de CO2 equivalentes de todos os produtos seguindo uma metodologia que tenha aceitação global e que possa ser auditada por certificação. As empresas sabem que quanto menor as emissões mais competitivas serão no mercado global.

O problema é que em grande parte das vezes, as metodologias realizadas não levam em consideração as particularidades de cada sistema produtivo nos diferentes mercados.

Um bom exemplo é a soja brasileira, considerada poluidora pela métrica adotada pela Agência para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas, FAO, por emitir 3,5 kg de CO2 equivalente por kg de matéria seca, contra 1,5 kg de CO2 equivalente da soja norte-americana. Por este exemplo preocupante e totalmente dissonante da nossa realidade produtiva, é fundamental que o Brasil participe das discussões globais sobre as metodologias para quantificar as emissões e imputar a sua realidade produtiva nos modelos, sobe pena de sermos imensamente prejudicados.

Os empresários e o governo brasileiro devem entender, com a urgência necessária, que um país e suas empresas serão mais competitivos quanto mais sustentáveis ou, mais precisamente, quanto menores forem as emissões de CO2 equivalentes. Devem compreender também que essa mensuração a nível global, por trás das suas sofisticadas planilhas, responde a interesses econômicos muito bem definidos. O ditado, “quem chega antes, bebe água limpa” se encaixa aqui com perfeição.

Dessa forma, não é minimamente razoável que o Brasil, com uma das produções agropecuárias mais sustentáveis do mundo, com duas ou até três safras por ano na mesma área; pioneira no sistema que integra produção florestal, pecuária e lavoura (ILPF) em uma propriedade; que é exemplo no plantio direto na palha; que possui um extenso programa de controle biológico de pragas; que mantém mais de 60% do seu território preservado, sendo percentualmente a maior parte nos próprios imóveis rurais; que possui dados históricos dos últimos anos apontando para reduções significativas do nível de desmatamento, arque com o ônus de uma metodologia feita pelos europeus e para as condições da Europa, por simples falta de uma ação ou de uma participação mais efetiva do Governo Federal, bem como das entidades de representação, que têm a obrigação aportar recursos para imputar em qualquer sistema de mensuração, de forma técnico-científica, os inúmeros diferenciais sustentáveis do agronegócio brasileiro.

O Brasil precisa trabalhar desde já para evitar que custos financeiros sejam futuramente impostos à nossa produção, em razão das emissões geradas pelas diversas atividades do agronegócio. Neste momento, teremos que demonstrar que a nossa capacidade vai muito além da competitividade produtiva, imbatível em alguns casos, mas que temos diferenciais suficientes para pautarmos o mundo quando o tema é sustentabilidade.

* Roberto Ignacio Betancourt é diretor titular do Departamento de Agronegócio da Fiesp e presidente do Sindirações – Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal.

Entrevista: Novas Tecnologias e Seus Benefícios para o Agronegócio

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Por Karen Pegorari Silveira

Conversamos com a pesquisadora Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, para entender como as novas tecnologias e as agrotechs podem ajudar o setor de agronegócio e as micro e pequenas indústrias.

Para ela, as novas tecnologias podem aumentar a produtividade e reduzir custos, entre outros benefícios; e as agrotechs têm o papel de dinamizar a economia.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Como as agrotechs vêm mudando o cenário do setor agroindustrial brasileiro?

Silvia MassruháAs agrotechs vêm atuando como players importantes na implantação da transformação digital no setor agroindustrial. Focadas em inovação e tecnologia, elas possuem grande capacidade de dinamização da economia, promovendo um novo modelo de negócio. Antenadas com as novas tecnologias disruptivas, têm a capacidade de desenvolver soluções criativas e inovadoras de forma a atender as demandas emergentes e na velocidade que se espera no meio agroindustrial. Elas imprimem celeridade, inovação e flexibilidade ao setor.

Quais os benefícios e desafios de incluir novas tecnologias nas agroindústrias?

Silvia Massruhá Tecnologias disruptivas e a maior capacidade de computação viabilizam fábricas inteligentes que são altamente eficientes e têm cada vez mais dados integrados. A maior disponibilidade de dados em conjunto com novas ferramentas de análise, interpretação e tomada de decisão viabilizam uma maior integração e autonomia nos sistemas de produção. O uso das novas tecnologias permite remover trabalhadores de ambientes perigosos, viabiliza a manutenção preventiva dos equipamentos e possibilita a automação de linhas de produção, o que permite seu funcionamento contínuo, aumentando sua produtividade e reduzindo custos. A interpretação dos dados coletados por sensores no processo produtivo, aliada às análises viabilizadas por ferramentas de inteligência artificial, permite um maior acompanhamento e monitoramento do processo, e possibilita predições e indicações que podem evitar perdas e melhorar a relação custo-benefício dos processos. Os maiores desafios são o investimento em novos equipamentos, a alteração na cultura das empresas em adotar novas formas de produção, e mão de obra especializada para trabalhar com as novas aplicações que envolvam as tecnologias disruptivas.

Como as pequenas e micro indústrias do setor agrícola podem se beneficiar das novas tecnologias?

Silvia Massruhá As novas tecnologias permitem monitorar e gerenciar operações a centenas de quilômetros de distância, rastrear bens que cruzam o oceano, monitorar linhas de produção, indicar necessidade de manutenção no maquinário, estimar quantidade a ser produzida, indicar o frescor dos alimentos e muitas outras aplicações que são comuns a qualquer tipo de empresa. Dessa forma, elas podem ser aplicadas nos diversos segmentos do setor e por empresas de qualquer tamanho. O custo para sua implantação pode ser alto uma vez que muitos equipamentos são importados. De acordo com o estudo do BNDES, intitulado “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil”, as maiores indústrias, em geral, são as primeiras a adotar as soluções no processo produtivo por causa da grande escala de produção e da capacidade de investimento. Entretanto, para as pequenas e micros indústrias, as associações e cooperativas do setor fazem o papel de fomentar a adoção de novas tecnologias, organizando grupos ou consórcios para compartilhamento de soluções (por exemplo, de conectividade), maquinários, entre outras. É relevante considerar os diferentes modelos de negócios que podem ser adotados para viabilizar o uso de novas tecnologias geradoras de saltos de produtividade não só para as grandes empresas, mas também para as pequenas e micros, de maneira a incrementar a eficiência do Brasil no setor.

O que as pequenas e as micro indústrias do setor têm a aprender com as agrotechs?

Silvia MassruháO primeiro desafio é se capacitar no uso das novas tecnologias e entender como elas alteram e se inserem no contexto de trabalho. É um novo modelo de negócio e as empresas têm que rever sua cultura e sua forma de produção para adotar esse novo modelo. As empresas devem se tornar antenadas para captar os sinais das demandas que vão surgindo. Ao inserir as novas tecnologias no ambiente produtivo, vão ser geradas outras demandas, sendo necessário prover uma resposta rápida a elas. É um ciclo virtuoso que as agrotechs vão captando e se adaptando. A indústria, para se manter competitiva, tem que participar desse ciclo.

Com a mecanização houve grande migração de trabalhadores para as cidades. Como fica este cenário com a inclusão de agrotechs?

Silvia Massruhá As novas tecnologias que vêm sendo desenvolvidas e implantadas pelas agrotechs irão permitir a automação de vários processos e a consequente substituição da mão de obra atual. Seja porque o processo automatizado se torna autônomo e, dessa forma, sem a intervenção humana, seja porque a implantação dessas tecnologias demanda um novo perfil de profissional que não necessariamente vai ser preenchido pelos trabalhadores atuais. A substituição do homem pela automação é um problema que vem afligindo todos os setores da economia e devemos estar atentos para prover mais capacitação para esses trabalhadores para que possam ser inseridos nesse novo cenário. Um grande desafio mundial será como aproveitar a mão de obra que será liberada com a automação dos processos produtivos. Essa questão vem sendo discutida em várias esferas, mas ainda não há uma solução que abranja todo esse conjunto de recursos humanos que se tornará disponível.

Um grande desafio é aumentar o acesso de alimentos de qualidade à população, com especial ênfase para as crianças. Como as agrotechs podem contribuir neste tema?

Silvia MassruháAs agrotechs, com o uso das tecnologias digitais, possibilitam ao produtor possuir uma informação mais detalhada, mais precisa e obtida em menor tempo sobre sua propriedade e sua produção. Com isso, ele pode tomar decisões com maior celeridade e mais segurança permitindo que ele produza mais alimentos com maior qualidade. Entre as vantagens tem-se o uso mais eficiente da terra, dos recursos naturais e dos insumos visando gerar aumento de produtividade; otimização do uso de máquinas agrícolas gerando a diminuição de custos de manutenção e de operação; monitoramento da saúde de animais melhorando o controle de doenças e o processo de manejo; redução de custos por meio de irrigação inteligente, aplicação de fertilizantes de forma mais precisa e aplicação de pesticidas somente quando necessário; monitoramento de doenças e pragas e de incêndios evitando perdas nas safras; monitoramento das condições de estocagem em silos evitando perdas no armazenamento; monitoramento na cadeia de logística de distribuição melhorando o rastreamento dos produtos e aumentando a previsão das entregas. Essas condições, possibilitadas pelas agrotechs e o uso das novas tecnologias, permitem aumentar a produtividade e a qualidade dos alimentos possibilitando uma maior oferta para o consumidor final. Nesse ponto vale a pena citar também que não basta produzir mais alimentos; é necessário promover o seu escoamento e distribuição evitando desperdícios.

Com o objetivo de diminuir o desperdício de alimentos surge o movimento “foodtech” preocupado por conectar os diversos atores da cadeia alimentar visando garantir o acesso à comida para todos de forma mais sustentável. Nesse sentido existem startups que promovem a entrega mais rápida de alimentos ou que possibilitam a venda ágil de produtos que estão para vencer com preços mais acessíveis ou mesmo frutas e legumes que estão em boas condições de consumo, mas que não estão com boa aparência. Ou seja, em todos os elos da cadeia produtiva existem movimentos de startups como, por exemplo, as agrotech e as foodtech que estão se empenhando em prover mais alimentos de melhor qualidade para as pessoas.


Sindicato Responsável: Sindiveg – Responsabilidade Social e Informação

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Por Karen Pegorari Silveira

De acordo com a publicação intitulada “O Que Você Precisa Saber Sobre Defensivos Agrícolas”, editado pelo Sindiveg, na agricultura, os defensivos agrícolas – também conhecidos como agroquímicos, agrotóxicos, pesticidas, praguicidas ou produtos fitossanitários – são substâncias químicas ou biológicas que estão entre as tecnologias usadas nas lavouras. Eles existem para proteger as lavouras do ataque e da proliferação de fungos, bactérias, ácaros, vírus, parasitas, plantas daninhas, nematoides e insetos considerados pragas ou causadoras de doenças.

No Brasil, o ataque de pragas é mais severo por conta das condições climáticas de um país tropical, com temperaturas mais altas e ambiente mais úmido, e os defensivos agrícolas são aplicados quando as pragas estão a ponto de prejudicar de forma irreversível o plantio. Antes que isso aconteça, existe uma série de medidas de manejo (Manejo Integrado de Pragas -MIP) para evitar a infestação de praga. O MIP consiste na utilização de diversos métodos, ferramentas e medidas de manejo como, rotação de culturas, destruição de restos naturais da cultura contaminada por pragas, alteração da época de plantio ou colheita, poda ou desbaste, cultura armadilha, destruição de hospedeiros alternativos, uso de armadilhas físicas, destruição manual, fomento dos inimigos naturais, feromônios, entre outros. Depois da utilização dessas ferramentas que não foram capazes de controlar as pragas, deve se utilizar o defensivo agrícola.

O Brasil é um dos países que produz mais alimentos com menos aplicação de defensivo agrícola no mundo. É o 13º, entre os 20 países como Itália, França, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Polônia, Japão, Coreia, Austrália, Canadá, Argentina e Estados Unidos. Assim sendo, o Brasil – um dos maiores produtores agrícolas mundiais – consegue fazer um uso racional de defensivos agrícolas e produzir muito mais com bem menos uso de defensivos.

Segundo a publicação, é importante informar que mais de 80% dos pesticidas são usados nas culturas agrícolas que dão origem aos produtos industrializados, energia (álcool) e roupas (algodão), ainda assim, a maior parte (60%) são herbicidas que não são empregados nas plantas que servem de alimento, o produto geralmente é aplicado no caule, nas folhas e nas sementes. Dificilmente é aplicado na parte comestível da planta e há um intervalo de segurança entre a última aplicação de defensivo até chegar à mesa do consumidor. Nesse intervalo, o defensivo agrícola se degrada.

Para esclarecer essas e outras dúvidas, o Sindiveg promove ações, como a Unidade de Referência em Tecnologia e Segurança na Aplicação de Agrotóxicos, que tem como objetivo profissionalizar agentes multiplicadores para que desenvolvam suas próprias técnicas de treinamento, com objetivo de estender seus conhecimentos aos agricultores, amenizando os danos causados pelas aplicações e uso incorreto de defensivos agrícolas. A Unidade conta com um aplicativo para inclusão de informações dos treinamentos realizados pelos agentes multiplicadores. Os públicos-alvo são: Engenheiros agrônomos, Técnicos agrícolas, Representantes de órgãos fiscalizadores, e demais profissionais que atuam levando conhecimento e qualificando aplicadores em todo o Brasil. Esta ação é realizada pelo Instituto Agronômico CEA-IAC (Centro de Engenharia Agrícola) e apoiada pelo Sindiveg. A Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS) é outro programa do sindicato, que difunde as técnicas de controle dos fatores que levem a uma aplicação eficaz e segura de defensivos agrícolas. Tendo a responsabilidade ambiental como um pilar. Em parceria com o Sindiveg, o programa é coordenado pela Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf), UNESP-Botucatu, Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A certificação é concedida ao operador aeroagrícola, com base na regularidade da sua documentação, incluindo aeronaves e pilotos, e em auditorias de boas práticas. Os procedimentos são válidos tanto para empresas prestadoras de serviços como operadoras privadas. Há também o Movimento COLMEIA VIVA, que tem como missão promover o uso correto de defensivos agrícolas na agricultura brasileira para proteger os cultivos e contribuir na garantia do direito básico de alimentação das pessoas, respeitando a apicultura, protegendo as abelhas e o meio ambiente. A Campanha contra defensivos agrícolas ilegais, criada em 2001, tem o objetivo de combater o contrabando e a falsificação de agrotóxicos no Brasil e alertar os produtores rurais de que o emprego de produtos não registrados no Brasil é crime. A recomendação para os agricultores é de que adquiram os defensivos agrícolas somente de revendedores, cooperativas e canais de distribuição credenciados pelas indústrias, sempre acompanhados dos documentos exigidos pela Lei, a nota fiscal e a receita agronômica para evitarem o uso de produtos ilegais em suas lavouras. A campanha mantém um serviço de Disque-Denúncia (DD) anônimo, para dar suporte à ação das autoridades brasileiras. A ligação é grátis e as denúncias são repassadas diretamente às autoridades policiais e fiscalização. Os delitos de produção, transporte, compra, venda e utilização de agroquímico contrabandeado ou falsificado são considerados crimes de sonegação, contrabando e descaminho e também enquadrados na Lei dos Crimes Ambientais (Lei nº 9605, de 12 de fevereiro de 1988); contrabando ou descaminho (art. 334 e 334-A do Código Penal) e na Lei dos Agrotóxicos (Lei 7.802/89).

Para conhecer melhor essas e outras inciativas do sindicato, acesse www.sindiveg.org.br.

Sobre do Sindiveg

O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) é a entidade representativa do setor de defensivos agrícolas no Brasil há mais de 75 anos, reunindo 35 empresas associadas que juntas representam 97,3% do mercado.

Iniciativas Sustentáveis: QueenNut Macadâmia – Responsabilidade Social como diretriz

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Por Karen Pegorari Silveira

O município de Dois Córregos, no interior paulista, é um dos maiores produtores nacionais de macadâmia e está numa região que responde por cerca de 35% da safra brasileira.

É nessa cidade também que fica a QueenNut, uma das pioneiras na produção de macadâmia no Brasil, que processa 2 mil toneladas por ano, possui 400 hectares, sendo 100 hectares plantados nos últimos dois anos, e produziu 800 toneladas na safra de 2018.

Para eles, a Responsabilidade Social é uma diretriz para todas as ações e decisões corporativas que gerem impactos para os colaboradores e as comunidades onde atuam. Neste sentido, a empresa promove diversas ações como:

O Projeto Atleta do Futuro, em parceria com o Sesi, tem o objetivo de incentivar crianças e adolescentes a se interessarem por esportes e já atendeu 450 crianças, adolescentes e adultos da faixa etária de 4 a 24 anos de baixa renda. O Projeto Proerd: Programa Educacional de Resistência as Drogas e a Violência é uma parceria da empresa com a Polícia Militar da cidade de Dois Córregos, tem como objetivo prevenir e afastar crianças e adolescentes das drogas, e já atendeu 500 alunos de Educação Infantil e de anos iniciais do Ensino Fundamental de escolas públicas e privadas. O Projeto Adolescente Aprendiz, é uma parceria com a ADEA – Associação Dois-correguense de Educação e Assistência e tem o objetivo de trabalhar para a formação intelectual, moral, educacional e de aprendizagem do jovem em sua primeira experiência de trabalho. Com o Projeto Selo Empresa Amiga da Apae de Dois Córregos, que doa recursos financeiros para as ações da entidade com foco em crianças, jovens e adultos especiais. O Projeto Piloto Apae – Dois Córregos – Cozinha Profissionalizante, que ensina crianças e adolescentes a confeccionar massas de bolos e salgados e ajuda a fortalecer a coordenação motora; para qual a empresa doa mensalmente 30 quilos de macadâmia estilo 7. O Projeto Empresa Amiga da Criança, que atua contra o trabalho infantil e promove a formação profissional e acesso ao emprego protegido para adolescentes. O Projeto Festa da Macadâmia, em parceria coma Prefeitura Municipal, Instituto Usina dos Sonhos e Entidades Sociais da cidade busca divulgar o potencial turístico da cidade e atrair pessoas de toda a região. A QueenNut doa as amêndoas de macadâmia para as entidades que elaboram pratos diversos de culinária para venda durante a festa.

Internamente, a QueenNut também desenvolve ações para todos os colaboradores, que passam por treinamentos para prevenção de Acidentes e uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), contam com o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional e o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Todos podem realizar acompanhamento médico e participam de palestras sobre saúde, cuidados com a Saúde da Mulher, palestras com psicólogos, palestras com nutricionista para qualidade e alimentação saudável, e a Ginastica laboral.

Qualificação técnica também é uma ação da empresa, que custeia cursos nas áreas em que o colaborador atua e também nas áreas de formação para aqueles que querem progredir na carreira. As bolsas de estudos podem ser integrais ou parciais em Formação Universitária ou por meio de treinamentos internos e externos, como a participação em Congressos Nacionais e Internacionais

A empresa também realiza ações em favor do meio ambiente, como: coleta seletiva destinando seu lixo adequadamente, em parceria com a unidade de coleta seletiva do Município de Dois Córregos. Todos os seus departamentos contam com coleta seletiva com o objetivo de incentivar a reciclagem. O material reciclável (papel, papelão, plástico) é retirado quinzenalmente por responsável pela reciclagem do lixo na cidade de Dois Córregos. Redução do consumo de energia elétrica através da troca de todas as lâmpadas pelo modelo Led, desligando as luzes das dependências quando não estiver em uso e com iluminação ornamental interna e externa, além do uso eficiente do ar condicionado. O desperdício de água também é evitado por meio do Diagrama de distribuição de água setorizando o consumo, monitorando necessidades de reparos em tubulações e reservatórios, utilizando torneiras automáticas em pontos de maior consumo. O processo de lavagem da macadâmia também conta melhor eficiência evitando o uso excessivo de água.

Todas as iniciativas socioambientais da empresa já impactaram mais de 3000 pessoas.

De acordo com a presidente da QueenNut, Maria Teresa P. E. Camargo, “o conceito de Responsabilidade Social é difundido nas atividades diárias da empresa e traduzido por meio de ações éticas, do diálogo transparente, da integridade das relações, do respeito e do tratamento justo com o público interno, meio ambiente, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e sociedade”, diz.

Sobre a QueenNut Macadâmia

Em 1994 por iniciativa dos seus fundadores e estudos de viabilidade climática, na cidade de Dois Córregos foi fundada QueenNut Macadâmia. Atualmente a empresa conta com 70 colaboradores na indústria e 180 no setor agrícola, sendo 80% dos cargos ocupados pelo sexo feminino. A empresa também fabrica chocolates com macadâmia, azeite de macadâmia, macadâmia caramelizada, macadâmia torrada e salgada e sabores de macadâmia temperada.

Iniciativas Sustentáveis: Tereos – Economia Circular e Indústria Positiva

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Foto: Ferdinando Ramos/Plus Images

Por Karen Pegorari Silveira

A Tereos trabalha para contribuir para o desenvolvimento social, econômico e ambiental nas regiões em que está presente. Para isso, desenvolve ações com foco na preservação e diminuição do impacto ao meio ambiente.

Entre as diversas práticas estão a recuperação de nascentes. Até o momento, cinco nascentes já foram recuperadas desde a implantação do projeto em 2015. Neste período, a Tereos também recuperou 15 hectares de áreas próximas a nascentes, o equivalente a 21 campos de futebol. Outro projeto de grande investimento é o reflorestamento que já atingiu a marca de 60 hectares reflorestados com mudas nativas produzidas pelo viveiro do grupo, localizado na unidade de Cruz Alta, em Olímpia, e que tem capacidade para produzir mais de 700 mil mudas. Há também o Programa Risco Zero em Casa, que visa conscientizar a comunidade por meio de palestras, distribuição de material didático e atividades recreativas sobre temas como segurança alimentar e doméstica, cuidados no trânsito e segurança patrimonial. Além da forte campanha de comunicação e conscientização da comunidade, a companhia tem um projeto chamado ORION (Observed Remote Information from Orbital Navigation), sistema pioneiro de prevenção e combate à incêndios em canaviais que utiliza 13 satélites para monitorar as plantações 24h por dia, ajudando no trabalho realizado pelas brigadas de combate.

A implementação das ações socioambientais tem gerado resultados: o Viveiro de Mudas, na safra 2017/18 produziu 400 mil mudas; o Reflorestamento, desde 2014, reflorestou quase 60 hectares, mais de 80 campos de futebol; o Recuperação de Nascente já recuperou 5 nascentes próximas às unidades do Grupo; e o Programa de Prevenção e Combate a Incêndios, já reduziu 34% de cana incendiada em toneladas na comparação entre safras (de abril a setembro) de 2017/18 com a 2018/19.

Na Tereos, a Sustentabilidade é baseada em cinco pilares: agricultura sustentável, indústria e logística positiva, garantia dos produtos, desenvolvimento local, nutrição e saúde.

Para o diretor de Sustentabilidade da Tereos, Edilberto Bannwart, a sustentabilidade está no cerne do negócio. “Um dos nossos pilares de Desenvolvimento Sustentável é o que chamamos de Indústria Positiva, cujo objetivo é aproveitar todo o potencial de nossas matérias-primas e limitar a pegada ambiental de nossos produtos. O Grupo adota a lógica da economia circular, o que permite limitar o seu impacto ambiental, otimizando seus processos de transformação de matérias-primas”.

Sobre a Tereos

O Grupo no Brasil concentra sua atuação no Estado de São Paulo: Tereos Açúcar & Energia Brasil com 7 unidades industriais no noroeste do estado de São Paulo:  nas cidades de Colina, Guaíra, Guaraci, Olímpia, Pitangueiras, Severínia e Tanabi; Tereos Amido & Adoçantes Brasil, em Palmital (SP); Escritório comercial na cidade de São Paulo. O Grupo Tereos Brasil tem cerca de 8.500 colaboradores contratados em base permanente e mais um contingente de safristas em torno de 1.200.

Informe Ambiental Fiesp

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Boletim bimestral produzido pela FIESP


O Informe Ambiental fornece de forma rápida e objetiva informações referentes ao acompanhamento de legislações ambientais, além de destaques técnicos, eventos da área, premiações e divulgação da atuação da Fiesp em ações relacionadas ao meio ambiente.

INFORME AMBIENTAL 133 – ABRIL 2019

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Iniciativas Sustentáveis: Aché – Responsabilidade e Saúde

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Por Karen Pegorari Silveira

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), cerca de 45% da população mundial e cerca de 58% da população acima de 10 anos de idade faz parte da força de trabalho. O trabalho desta população sustenta a base econômica e material das sociedades que por outro lado são dependentes da sua capacidade de trabalho. Desta forma, a saúde do trabalhador e a saúde ocupacional são pré-requisitos cruciais para a produtividade e são de suma importância para o desenvolvimento socioeconômico e sustentável.

Sendo assim, organizações que investem em saúde organizacional têm probabilidade de ter retorno financeiro até três vezes maior do que aquelas que não adotam as mesmas práticas, segundo estudos da Mckinsey.

Por isso diversas empresas investem na saúde e bem-estar dos seus colaboradores, como o Aché, ganhador da certificação-ouro, na categoria Grandes Empresas, do Prêmio Nacional de Qualidade de Vida (PNQV), promovido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

Os projetos que levaram a farmacêutica a garantir o prêmio foram: Desafio Boa Forma, Campanha Antitabagismo, Corridas e campeonatos de futebol, além da inclusão de temas relacionados à saúde emocional nos Treinamentos de Gestão e Programas de Sucessão; e de saúde e qualidade de vida como parte da temática das reuniões em ambiente operacional. O projeto Cada Vida Vale Muito, que visa a integração das áreas de segurança, saúde e sustentabilidade nas atividades de conscientização e mudança comportamental também foi abordado.

Segundo Cristiane Arango, enfermeira e analista de benefícios do Aché, a empresa deseja se empenhar ainda mais em 2019, “oferecendo uma gestão de indicadores ainda mais integrada, com projetos direcionados de acordo com as tendências globais e continuando sua contribuição aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, criados pela ONU”, diz.

Além do estímulo à saúde dos colaboradores, a empresa contribui com a saúde da população, por meio da Política de Doação de Medicamentos Aché, destinando mais de 12 mil unidades de medicamentos à Instituição Amigos do Bem, que beneficiou mais de nove mil pessoas de 115 povoados de Pernambuco, Ceará e Alagoas. Outras duas mil unidades de medicamentos foram encaminhadas ao Instituto Floravida, parceiro do Aché, que realiza o projeto Mais Saúde, de prevenção e combate a doenças, no município de Parnaíba, no Piauí.

Outras iniciativas de Responsabilidade Social também estão na atuação da empresa, como as ações de voluntariado, em que colaboradores reservam algumas horas para ministrar aulas aos atuais aprendizes do Aché sobre atendimento ao cliente, técnicas de venda e como se tornar um consultor em dermocosméticos, entre outros tópicos.

Investimento Social Privado também faz parte do escopo de atuação responsável da empresa, com aportes para projetos de instituições como o Hospital do Amor, de Barretos (SP); Pelo Direito à Vida, do Complexo Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR); e Música nos Hospitais, da Associação Paulista de Medicina. No ano de 2018 foram investidos R$ 12,3 milhões, aumento de 8% em comparação com 2017, quando o volume correspondeu a R$ 11,7 milhões. Ações de filantropia, organizadas pelas equipes de Forças de Geração de Demanda e Vendas, arrecadam alimentos, brinquedos e outros itens para levar às casas de acolhimento de crianças e idosos.

Para a gerente de Comunicação e Responsabilidade Social, Marcia Tedesco Dal Secco, “o Aché se preocupa em promover saúde e bem-estar aos seus colaboradores e à sociedade desde a sua fundação. Temos orgulho em desenvolver projetos de responsabilidade social em diversas frentes como educação, cultura e esporte, levando mais vida às pessoas onde quer que elas estejam”, diz.

Sobre o Aché

Aché é uma empresa 100% brasileira, que emprega 4.700 colaboradores, com 52 anos de atuação no mercado farmacêutico e três complexos industriais: em Guarulhos (SP), São Paulo (SP) e Londrina (PR).


Entrevista: Promoção da Saúde no Ambiente de Trabalho

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Por Karen Pegorari Silveira

Conversamos com Paulo Itapura de Miranda, membro do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, médico do trabalho e diretor de Sustentabilidade da indústria Clariant, para entender a conexão da Sustentabilidade com a Saúde do Trabalhador.

Para ele, ações de promoção de saúde e prevenção de doenças são um papel social que as empresas podem desempenhar.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Por que é importante que as empresas promovam a saúde no ambiente de trabalho?

Paulo Itapura – A promoção de saúde nas empresas tem um impacto bastante interessante para os empregados e para as empresas. As ações são peças de atração e retenção de talentos dentro das organizações porque evidenciam um cuidado e atenção por parte das empresas para com seus funcionários. Isso humaniza o ambiente de trabalho fazendo com que as pessoas se sintam cuidados. Para as empresas, estas ações previnem impactos em performance e desengajamento de seus funcionários. A promoção de saúde previne ocorrências que impactam em tempo de disponibilidade para o trabalho ou custos com tratamento. Ações de promoção de saúde e prevenção de doenças são, um papel social que as empresas podem desempenhar o que reverte em um impacto positivo em sua reputação.

Quais ações não podem faltar em um plano de promoção da saúde do trabalhador?

Paulo Itapura – Para a boa implantação de um plano é muito importante que se inicie com um engajamento da liderança sobre a importância deste tópico. A seguir fazer um diagnóstico do perfil de saúde da população com coleta de dados sobre a população de interesse, desde idade, sexo, distribuição geográfica e condições de saúde pré-existentes. A conexão e engajamento dos trabalhadores nas ações do plano é muito importe, assim, o plano deve ser ajustado à cultura da empresa e dos funcionários.

Para empresas de pequeno e micro porte também é possível incluir práticas que melhorem a saúde de seus colaboradores? Quais ações você indica?

Paulo Itapura – Para as pequenas e microempresas a promoção de saúde também é muito importante levando-se em conta o diagnóstico e características da população de interesse, conforme já explorei anteriormente. É importante ressaltar que para as pequenas e microempresas, o impacto de um problema de saúde entre seus funcionários pode ser proporcional muito mais relevante em perda de disponibilidade do funcionário, assim como, custos associados a um possível tratamento de saúde.

Quais os desafios para as empresas e para os colaboradores?

Paulo Itapura – Os benefícios de um programa de promoção de saúde são percebidos no médio e longo prazos, porém existe um investimento de tempo, dedicação e de recursos desde o início. Assim, o maior desafio é manter o programa pôr o programa como algo sustentado ao longo do tempo, tanto para as empresas como para os colaboradores.

Como medir os resultados e o impacto das ações?

Paulo Itapura – Para medir os resultados o ideal é estabelecer os indicadores que façam sentido para a organização de acordo com os achados encontrados na fase de diagnóstico. Por exemplo: número de fumantes; número de sedentários; número de obesos; número de hipertensos.

Quais as tendências mundiais na área de saúde ocupacional? O Brasil está alinhado com estas iniciativas?

Paulo Itapura – Entre as tendências da área de saúde ocupacional é importante destacar ações de abordagem integral da saúde de colaboradores. É uma forma de fazer gestão de saúde com dados oriundos de diversas fontes como exames ocupacionais, dados de utilização de planos de saúde, dados de recursos humanos. Este conjunto de dados proporciona um conjunto valioso de informações que servirá de base para a montagem de programa de promoção de saúde e tem sido cada vez mais utilizado pelas empresas para a gestão deste assunto. O Brasil está alinhado com esta tendência ainda que temos várias oportunidades e desafios pela frente.

Iniciativas Sustentáveis: Emfils – Pequenos e Responsáveis

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Por Karen Pegorari Silveira

Negócios que desejam atrair novos talentos, parceiros e consumidores precisam estar abertos a investir em projetos de responsabilidade social, assim como faz a pequena indústria de implantes odontológicos Emfils, localizada na cidade de Itu, a pouco mais de 100 quilômetros da capital paulista.

A empresa realiza parcerias com instituições filantrópicas e apoia campanhas de inverno, dia das crianças e natal arrecadando doações de objetos e dinheiro, além de realizar ações com comunidades carentes.

A segurança e a saúde dos colaboradores também ganham atenção com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), que realiza a Semana Interna de Prevenção de Acidentes (SIPAT) – com palestras sobre saúde e qualidade de vida; além do acompanhamento constante das necessidades e melhoria para um ambiente de trabalho saudável. Convênio médico, odontológico, vale alimentação e seguro de vida também fazem parte dos benefícios oferecidos.

No ano de 2017, a Emfils também implementou um indicador que aumentava a participação nos lucros (PLR) dos colaboradores que fizessem 6 cursos online. Para tanto, a empresa implantou uma plataforma em parceria com uma instituição de cursos online, sendo que o custo para o colaborador era de R$ 10,00 para 5 cursos, o 6º era gratuito. Atualmente, o colaborador conta com um incentivo para capacitação, que oferece um valor financeiro para cursos voltados a sua área ou uma área em que poderá aproveitar o aprendizado.

Ações de conscientização em favor do meio ambiente também foram inseridas na empresa, como a Coleta seletiva e a destinação dos resíduos para cooperativas de recicladoras.

Sobre a Emfils

Indústria de implantes odontológicos, há 20 anos no mercado, com 40 colaboradores, localizada na cidade de Itu, São Paulo.


Sindicato Responsável: Sinaemo

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Conheça as iniciativas de Responsabilidade Social do Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo

Por Karen Pegorari Silveira

O setor engloba hoje, em sua maioria, empresas de pequeno e médio porte, onde para as atividades fim há forte regulação, por isso o Sinaemo desenvolve ações nas áreas de Direitos Humanos – informando sobre o DECRETO Nº 9.571, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2018, que estabelece as Diretrizes Nacionais sobre Empresas e Direitos Humanos; Práticas Trabalhistas – oferecendo orientação jurídica gratuita para diversos ramos do direito, entre os quais o Trabalhista e oferecendo curso para que as suas representadas aprimorem o relacionamento com os sindicatos laborais. Comportamento ético – oferecendo um Código de Ética próprio, em versão especial para as empresas associadas. Educação – a entidade premia, semestralmente, alunos da Escola SENAI Mariano Ferraz, formandos da especialidade de Equipamentos Biomédicos.

De acordo com o diretor administrativo da entidade, José Augusto Queiroz, “o Sinaemo entende a pertinência da sua responsabilidade e está atento às oportunidades que a sua participação no ambiente patronal têm proporcionado, no sentido de orientar e fornecer subsídios às suas representadas”, diz.

Sobre o Sinaemo

O SINAEMO atualmente conta com 143 empresas associadas contribuintes, o que garante a sua sustentabilidade. Atua em estreita parceria com a ABIMO, que é a associação co-irmã de alcance nacional e tem relacionamento próximo com outras diversas entidades relevantes no setor, entre as quais a ANVISA-Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o COMSAÚDE- Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia, da FIESP.


Iniciativas Sustentáveis: P&G – Água potável para todos

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Por Karen Pegorari Silveira

Escolher uma causa pela qual lutar tem sido a aposta de companhias pelo mundo todo, são os chamados negócios com propósito – o propósito de uma empresa define quem e o quê a empresa é para si mesma, para seus membros, seus consumidores e sua comunidade. Essa tendência está inserida na 4ª Revolução Industrial, segundos estudiosos, e é uma nova oportunidade para o engajamento de colaboradores, segundo afirma um relatório recente da consultoria norte americana PWC. Empresas com propósito estão sempre buscando uma maneira de se conectar com os consumidores para tornar a vida deles melhor, enquanto também procuram inovações para promover impacto social e ambiental em larga escala.

Atenta às novas demandas sociais, a P&G escolheu sua causa – levar água pura para crianças e ajudar a reduzir mortes causadas por diarreia pela ingestão de água contaminada em países em desenvolvimento, onde 800 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável.

No Brasil, o programa Água Pura para Crianças foi implantado em 2014 e já atende mais de 36 mil pessoas nas comunidades ribeirinhas do Amazonas, Vale do Jequitinhonha e comunidades no extremo sul da Bahia. Atualmente, a empresa realiza uma campanha em comemoração aos 30 anos chamada “1 clique = 1 dia de água pura”, em que convidam consumidores a doarem gratuitamente um dia de água pura para uma família beneficiada pelo programa.

Este é um dos principais programas de responsabilidade social da P&G e permitiu transformar 15 bilhões de litros de água suja em água pura, em âmbito global, para pessoas sem acesso à água potável, desde 2004. A intenção da companhia é acelerar os esforços para oferecer água pura a um número ainda maior de pessoas no mundo – 25 bilhões de litros – equivalentes a mais de 100 bilhões de copos de água em todo o mundo, até 2025.

A P&G tem como um dos seus pilares de gestão a Cidadania, que engloba a Responsabilidade Social Corporativa, Diversidade, Igualdade de Gênero e a Sustentabilidade Ambiental como um dos seus focos. O principal desafio é pensar em ações que envolvam cada um desses pilares e sigam beneficiando cada vez mais as comunidades que estamos inseridos.

Um dos pilares da cidadania na P&G é o Impacto na Comunidade, em que globalmente a escolha estratégica da empresa é focar no desenvolvimento integrado da infância, através de programas de educação, saúde e bem-estar. No Brasil, a empresa conta com dois parceiros que viabilizam as metas de educação por meio do programa P&G pela Educação: United Way Brasil e Instituto Ayrton Senna. O programa integra todas as ações sociais feitas pelas duas instituições em parceria com a P&G.

Diversidade e inclusão também são outras questões do pilar de cidadania. Para eles, a obrigação e o compromisso de fazer a diferença para tornar o mundo um lugar mais tolerante e igualitário também faz parte do negócio. Toda contratação ou promoção conta uma candidata mulher e um candidato homem, que são avaliados igualmente pelo perfil, experiência e conhecimento. Hoje, 42% do time de liderança é composto por mulheres.

A companhia reconhece que ainda há muito a ser feito, mas trabalha para estimular a diversidade e inclusão, não apenas dentro da empresa, como fora. Algumas das iniciativas da companhia, por exemplo, incluem a parceria com a Faculdade Zumbi dos Palmares, para levar maior capacidade para o recrutamento de pessoas negras, parcerias com os coletivos negros das universidades.

A Sustentabilidade Ambiental é outro foco da Cidadania da P&G, que tem o objetivo de promover mudanças positivas nas áreas de clima, água e resíduos. Para isso, estabeleceram uma série de metas de curto prazo que garantirão a sustentabilidade da companhia a longo prazo. Com um plano intitulado “Ambição 2030”, querem tornar isso possível e inspirar um impacto positivo no meio ambiente e na sociedade, criando valor para a companhia e para os consumidores.

No Brasil, todas as fábricas da companhia já são zero resíduo para o aterro sanitário e tiveram avanços significativos no consumo de energia e gestão sustentável do consumo de água. Hoje, a P&G está em compliance com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, por meio do programa “Dê a mão para o futuro”, criado pela ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) em parceria com outras associações. O programa arrecada recursos e investe em cooperativas de catadores selecionadas através de treinamentos e capacitação, compra de equipamentos e veículos e na estrutura necessária para que elas possam operar. Essas cooperativas recolhem as embalagens pós-consumo.

De acordo com a gerente de Comunicação Corporativa, a Responsabilidade Social é fundamental para o negócio da P&G e na construção de sua cultura. “Todos os dias trabalhamos para ser uma força para o bem e uma força para o crescimento. Nossa aspiração é impactar positivamente todos os nossos stakeholders em cada área do nosso trabalho de cidadania. Em todas as nossas marcas, funcionários, operações e parceiros de negócios, fazemos diferenças significativas na vida das pessoas em todo o mundo”, completa.

 Sobre a P&G Brasil

A P&G emprega 3.300 pessoas no Brasil, incluindo seus escritórios administrativos e 4 fábricas e atua com 14 marcas: Always, Ariel, Aussie, ClearBlue, Downy, Gillette, head&shoulders, Herbal Essences, Metamucil, OldSpice, Oral-B, Pampers, Pantene, Vick.


Artigo: Custo da Saúde dos Trabalhadores: Desafio para atingir a sustentabilidade

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Flávia Souza e Silva de Almeida

Os Acidentes e Doenças do Trabalho podem ser nossa primeira referência ao pensar em custo da saúde dos trabalhadores. Mas se ampliarmos nossa visão podemos assentir que todas as doenças têm alguma relação com o trabalho, ora ocasionadas ou agravadas por ele e em outras ocasiões gerando alguma repercussão para o mesmo, como o absenteísmo ou até mesmo o presenteísmo. Consequentemente, todas as doenças oneram os custos relacionados à saúde dos trabalhadores.

Primeiramente as Doenças Relacionadas ao Trabalho vem mudando o seu perfil no Brasil, devido a mudança da economia dos setores primários e secundários para o terciário. Desta maneira, das “tradicionais” Doenças Relacionadas ao Trabalho (intoxicação por metais, silicose, perda auditiva) passamos para o aumento da importância dos transtornos mentais relacionados ao trabalho. No ano de 2018 houve um aumento de 12% de benefícios concedidas pelo INSS por transtornos mentais adquiridos no trabalho em relação a 2017. Muitos fatores contribuíram para este perfil de adoecimento, como longos períodos de deslocamento, jornadas extensas, falta de tempo para cuidar da saúde, além da pressão por resultado.

Além de repensar esta cultura de controle das empresas, estendendo a concepção do gasto com a saúde, as empresas deverão também considerar mudanças nas práticas de qualidade de vida, que poderão prevenir, por exemplo, diabetes, uma Doença Crônica Não Transmissível (DCNT). O foco deverá ser tanto o comportamento do indivíduo, como a organização do trabalho, esta, visando uma melhor comunicação, maior transparência nas ações, além da percepção de estabilidade no trabalho. Ou seja, esta abordagem mais global deverá abordar indicadores que foquem não só em sinistros e afastamentos, mas também em aspectos relacionados a hábitos de vida, lazer e estabilidade financeira.

Os gastos com saúde estão crescendo num ritmo mais acelerado que o restante da economia global, representando 10% do produto interno bruto (PIB) mundial. No Brasil, atualmente, o gasto total em Saúde é de cerca de 8% do PIB; 4,4% do PIB é de gastos privados (55% do total) e 3,8% PIB de gastos públicos (45% do total).

A assistência à saúde no Brasil envolve o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema de Saúde Suplementar, como citado anteriormente ambos os casos tiveram aumento do custo, estimado, em média, 10,9% ao ano entre 2016-2018. O aumento do custo com a saúde envolve o envelhecimento da população, custo com internações e impacto do uso de novas tecnologias, não podendo deixar de citar a dedução de gastos de saúde no Imposto de Renda. As novas tecnologias podem abranger desde exames genéticos, aperfeiçoamento das órteses e próteses, e até mesmo os quimioterápicos ministrados por via oral, a imunoterapia, as cirurgias com auxílio de robôs, implante de stents.

Considerando que aproximadamente 67% dos beneficiários de planos de saúde privados no Brasil têm planos coletivos empresarias, resulta na elevação dos gastos com a saúde dos trabalhadores das empresas. Desta maneira é essencial que haja investimento na melhoria da saúde, caso esta gestão sustentável e populacional de saúde não seja incentivada poderá repercutir nas empresas não conseguindo mais ofertar este benefício aos trabalhadores.

Além de implementar alterações nas configurações dos planos, as empresas devem se esforçar para que consigam identificar e encaminhar de forma proativa doenças complexas e onerosas.

A oportunidade de analisar os dados de forma agregada, considerando dados de prontuários eletrônicos, sociodemográficos e laboratoriais, além dos dados das contas médicas pode gerar uma melhor qualidade e eficiência dos cuidados com a saúde.

Estas necessidades estão em concordância com as definições da Organização Mundial de Saúde (OMS) na qual, dentre suas 10 prioridades, inclui, Doenças Crônicas Não Transmissíveis (diabetes, câncer e doenças cardiovasculares), Pandemia de Gripe, Atenção Primaria à Saúde e Relutância em Vacinar. Todas estas ações podem estar integradas com o planejamento da Saúde do Trabalhador promovido pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) gerenciado pelo Médico do Trabalho, exercendo desta maneira o papel de Gestor da Saúde, uma das competências desta Especialidade Médica.

A atenção primária à saúde é o atendimento inicial, cujo principal objetivo é a prevenção de doenças, diagnóstico precoce, tratamento de agravos simples e o direcionamento de casos graves para outros níveis de complexidade. Esta Atenção pode ser incluída nos próprios Serviços Médicos das Empresas, existem diversos Modelos para esta implantação. Um deles, é realizá-lo juntamente com o exame médico periódico, ou mesmo implantar um Serviço específico de Assistência à Saúde.  Por meio de ações integradas e estratégicas, este Modelo é considerado mais eficiente que o de livre escolha adotado majoritariamente pelas operadoras, o qual é mais caro e ineficiente. Segundo as empresas do setor privado, o foco no atendimento primário reduz entre 20% e 30% as despesas.

A solução é investir em programas de Gestão de Saúde, em vez de, somente, custear tratamentos. Nesse campo, a Atenção Primária à Saúde é uma importante aliada para diminuir custos com planos de saúde. Uma vez que são estimulados hábitos saudáveis com consequente redução da incidência de doenças, além de promover tratamento precoce e menos invasivo.

Concluindo, um programa moderno de gestão deve ter foco na Saúde em vez da doença!

* Flávia Souza e Silva de Almeida é presidente da Associação Paulista de Medicina do Trabalho (APMT), professora Faculdade de Ciências Médicas de São Paulo e médica do Trabalho do SESI/Vila Leopoldina.


REFERÊNCIAS

CORDILHA, Ana Carolina; LAVINAS, Lena. Transformações dos sistemas de saúde na era da financeirização. Lições da França e do Brasil. Ciênc. saúde coletiva,  Rio de Janeiro ,  v. 23, n. 7, p. 2147-2158,  Julho  2018 .

SALDIVA, Paulo Hilário Nascimento; VERAS, Mariana. Gastos públicos com saúde: breve histórico, situação atual e perspectivas futuras. Estud. av.,  São Paulo ,  v. 32, n. 92, p. 47-61,  Abr.  2018 .

Secretaria do Tesouro Nacional. Aspectos Fiscais da Saúde no Brasil. Out. 2018.

ANAMT. Competências essenciais requeridas para o exercício da medicina do trabalho: revisão 2018 / [equipe de trabalho] Elizabeth Costa Dias [coordenadora]…[et al.]. – 3. ed. – São Paulo, SP: ANAMT – Associação Nacional de Medicina do Trabalho, 2018.




Sindicato Responsável: Setor Plástico e Sustentabilidade

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Por Karen Pegorari Silveira

A indústria de transformados plásticos é o 2° maior empregador dentre os setores da indústria de transformação e 3° setor, e está entre os cinco maiores empregadores que paga os melhores salários.

Para apoiar este setor na busca pela Sustentabilidade, o Sindiplast oferece diversos projetos de logística reversa, orientações sobre economia circular, manual contra perdas e desperdícios, entre outras ações.

No ‘Sistema de Logística Reversa de Embalagens em Geral’, realizado através do acordo setorial de embalagens, o objetivo é ampliar a estrutura de logística reversa e, por fim, aumentar a reciclagem de embalagens pós-consumo no país. A Abiplast que atua em parceria com o Sindiplast, é integrante da Coalizão Empresarial juntamente com mais 22 associações empresariais que elaboraram e assinaram o Acordo Setorial de Embalagens em Geral em 25 de novembro de 2015 com o Ministério do Meio Ambiente – MMA. A Coalizão conta com a participação de associações representativas dos produtores, importadores, usuários e comerciantes de embalagens. A 1ª Fase do Acordo Setorial já foi concluída (2012 a 2017) e a proposta da 2ª fase já foi entregue e está sob validação junto ao MMA.

Com a ‘Campanha Separe. Não Pare’, lançada em 2017, o intuito é conscientizar a população quanto ao descarte correto de seus resíduos domésticos e sua importância.

A ‘Rede De Cooperação para o Plástico’ pretende trabalhar de forma integrada para a valorização do plástico, reduzindo seu potencial de impacto no meio-ambiente. Criada em abril de 2018, a Rede é fruto de uma motivação para reunir toda a cadeia produtiva estendida do plástico em torno da discussão e viabilização da economia circular no processo produtivo do setor. Hoje a Rede conta com 47 participantes, sendo gestores de resíduos, petroquímicas, transformadores e recicladores de plástico, indústria de bens de consumo, varejos e cooperativas.

Para auxiliar transformadores e recicladores de plástico, empresas transportadoras e operadores logísticos a reduzir a perda de pellets plásticos no ambiente, as entidades lançaram ‘Manual Perda Zero de Pellets’, que foi produzido dentro do Fórum Setorial dos Plásticos – Por Um Mar Limpo do qual a ABIPLAST é signatária e é uma iniciativa da Plastivida e do Instituto Oceanográfico da USP. O documento apresenta um mapeamento dos diferentes processos onde podem ocorrer eventuais perdas de pellets no ambiente, considerando toda a cadeia produtiva do país e traz orientações para mitigar essa questão. Além do viés ambiental, o manual reforça a importância de se considerar que a perda de pellets por parte das empresas gera prejuízos financeiros.

Para orientar sobre embalagens mais recicláveis, foi lançada em 2016 a ‘Cartilha De Reciclabilidade de Materiais Plásticos Pós-Consumo’, desenvolvida para designers de produtos sobre a concepção de embalagens com maiores índices de reciclabilidade, estimulando a economia circular e em cumprimento às metas estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12305/2010).

Para contribuir com o descarte correto de resíduos domésticos pós-consumo, lançaram também a cartilha “Qualificação em Identificação e Separação de Materiais Plásticos” para garantir uma triagem de materiais plásticos com maior qualidade, gerando maior valor adicionado para o cooperado e para o reciclador, elevando o índice de reciclagem dos produtos plásticos. Utilizada para capacitação de cooperativas de catadores espalhadas em todo o Brasil, a publicação tem a finalidade de apresentar aos participantes as principais propriedades dos materiais plásticos, os processos de transformação para a fabricação dos diferentes tipos de produtos, as aplicações e a identificação correta dos plásticos. Esse treinamento já foi aplicado nas cidades de Vitória/ES, Porto Alegre/RS e São Paulo/SP com auxílio dos sindicatos regionais. Além dos trabalhadores de cooperativas também foram treinados multiplicadores que podem ministrar o mesmo treinamento a outras pessoas.

Além destes projetos as entidades Sindiplast e Abiplast idealizaram o Aplicativo e o Site “Reciclagem De Plásticos”, a ‘Certificação de empresas e resinas recicladas SENAPLAS’ – para criação de critérios técnicos que gerem confiabilidade dessa indústria e seus produtos, gerando competitividade; o Movimento Plástico Transforma – Picplast, para apresentar inúmeras ações de educação e conscientização, e ainda entretenimento, sempre mostrando de forma didática e objetiva a importância do plástico em nosso dia a dia.

Sobre o Sindiplast

O Sindicato da Indústria de Material Plástico, Transformação e Reciclagem de Material Plástico do Estado de São Paulo representa o setor paulista desde 1941 para fortalecer a cadeia produtiva da indústria paulista do plástico. Representam atualmente cerca de 5 mil empresas que empregam um total de 137 mil pessoas.

Artigo: Sustentabilidade – Um Caminho Sem Volta

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por José Ricardo Roriz Coelho

Não é mais assunto exclusivo de ambientalistas. A questão da sustentabilidade envolve hoje consumidores, poder público, terceiro setor, indústria, empresas privadas e, especialmente em se tratando do problema do lixo nos mares e oceanos, todos os elos da cadeia produtiva do plástico. Os números mostram que o tema e seus desdobramentos são tão importantes atualmente que deixaram o círculo dos engajados no assunto. Todos precisam assumir sua respectiva responsabilidade.

Os consumidores já revelam grande engajamento na questão: mais da metade (55%) das páginas acessadas relacionadas ao tema referem-se a organizações e a figuras públicas que divulgam e promovem a sustentabilidade. Quem se interessa por esse universo termina por escolher e apoiar alguma causa ou iniciativa. Pesquisa do Instituto Akatu mostra que a via da sustentabilidade é mais desejada: entre os 10 maiores desejos dos consumidores, 7 seguem esse caminho.

A indústria de transformação e reciclagem de material plástico, por sua parte, avança gradualmente rumo às melhores práticas. O setor tem se dedicado a buscar uma solução prática para a questão do lixo nos mares por meio da economia circular. Esse modelo circular, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, tem como foco não gerar resíduos e manter produtos em utilização pelo maior tempo possível – seja por reutilização, remanufatura ou reciclagem.

Para praticar a produção sustentável, é preciso revisar algumas práticas. Iniciativas que podem levar à adaptação do setor incluem: a promoção do uso mais eficiente de recursos; a análise de ciclo de vida de produto; o chamado “ecodesign” – que já leva em conta, desde o desenvolvimento do produto, fatores como uso mínimo de recursos, peso, volume, facilidade descarte, reaproveitamento e reciclagem; a adoção do conceito de “environmentally friendly” – caso dos bioplásticos derivados de fontes renováveis (como a cana-de-açúcar); investimento em pesquisa e parcerias com universidades; desenvolvimento e bem-estar dos trabalhadores do setor; gestão da fase pós-consumo (tratamento adequado das embalagens após o uso final dos produtos); adesão voluntária a iniciativas do desenvolvimento sustentável nacionais e internacionais; e parcerias com todos os atores envolvidos.

Do ponto de vista dos negócios, essa revisão de processos produtivos sob o foco dos aspectos ambientais, além de todos os ganhos socioambientais, gera valor aos produtos e crescimento sustentável, além de facilitar a inserção de empresas nos mercados nacional e internacional.

Os problemas ambientais que enfrentamos, no entanto, não se resolverão apenas com as mudanças na indústria. A Iswa (Associação Internacional para Resíduos Sólidos, na sigla em inglês), organização não governamental baseada na Áustria, publicou um estudo que aponta que 25 milhões de toneladas de lixo são despejadas por ano nos oceanos. Desse volume, 80% são fruto da má gestão dos resíduos sólidos nas cidades (ausência de saneamento básico e de coleta de lixo). Sem descarte adequado, acabam indo para os lixões ou, em cidades à beira-mar ou de cursos d’água, para os mares.

No âmbito nacional, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, determinou o fechamento de todos os lixões do País até agosto de 2014. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e do IBGE, no entanto, apenas 38% dos municípios informaram, até 2017, haver colocado em prática a Política Municipal de Saneamento Básico. Ao menos 56% dos municípios brasileiros recorrem a depósitos inadequados para descartar lixo. Em 2016, os lixões eram a solução para descarte de resíduos sólidos urbanos de 2.692 cidades. Outros 427 municípios descartam seus resíduos em “aterros controlados” — espaços que, embora com alguma tentativa de reduzir o impacto ambiental, ainda são altamente poluentes. Hoje há ainda quase 3.000 lixões no Brasil.

Uma grande parte desses resíduos são materiais que poderiam ser reciclados. Segundo a Abiplast, o volume de material reciclado no País, que hoje é de 26%, poderia ser muito maior se fossem implantadas pelos municípios a coleta seletiva e medidas de incentivo ao uso do reciclado, por meio de desoneração tributária. O potencial econômico desperdiçado de plástico gira em torno R$ 5 bilhões.

Sendo assim, é necessária uma visão sistêmica do assunto, ampliando a análise a questões como descarte correto dos consumidores, demanda por produtos que contenham plástico reciclado, melhora na coleta seletiva e resolução de disparidades tributárias que dificultam a competitividade. Quanto aos materiais plásticos, nossa indústria faz questão de assumir o protagonismo no desenvolvimento da consciência e da responsabilidade socioambiental, mas precisamos contar com o engajamento de todos.

*José Ricardo Roriz Coelho é presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico)

Iniciativas Sustentáveis: Astra – Foco em Investimento Social

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Por Karen Pegorari Silveira

Investimento Social Privado (ISP) é o repasse voluntário de recursos privados de forma planejada, monitorada e sistemática para iniciativas e projetos de interesse público, podendo ser incentivados, ou não, por renúncia fiscal. E apesar do impacto da recessão, que ocasionou uma queda de 19% no volume de recursos investidos em 2016, a última década registrou uma tendência positiva de crescimento em ISP. A média anual dos valores investidos, no período de 2007 a 2011, foi de R$ 2,3 bilhões; nos últimos cinco anos essa média subiu para R$ 2,8 bilhões/ano, segundo a Pesquisa Bisc.

Essa também foi a forma da indústria Astra colaborar com a sociedade, utilizando o Investimento Social Privado em cinco frentes de atuação: cultura, educação, esporte, cidadania e meio ambiente.

Na área cultural, o projeto Concertos Astra-Finamax, realizado desde 1998, através da lei Rouanet, promove uma série anual de espetáculos realizados no principal teatro de Jundiaí com músicos de renome internacional, orquestras, quartetos de cordas, entre outras atrações que são oferecidas à população a um preço acessível. Com 159 espetáculos realizados ao longo de 21 anos, os Concertos Astra-Finamax já impactaram um público de mais de 72 mil pessoas. Com um investimento de cerca de R$ 523 mil ao ano, o projeto acumula um montante de mais de R$ 8,5 milhões investidos e contribui com o desenvolvimento cultural da região.

Na educação, a Olimpíada Estudantil Astra de Matemática, realizada desde 1996, é uma competição entre os alunos das nonas séries de escolas públicas e privadas das cidades da região de Jundiaí. Todos os anos, cerca de 10 mil alunos participam da olimpíada e os dois primeiros colocados e suas respectivas escolas ganham um computador e uma impressora. Nos mais de 20 anos mais de 160 mil alunos já participaram da competição.

No esporte, por meio da lei federal de incentivo ao esporte, a Astra patrocina desde 2016 a Escolinha de Triathlon Formando Campeões, em Curitiba (PR). Atualmente, a escola recebe 60 alunos da rede pública de ensino visando inseri-los em um dos esportes ao ar livre que mais vem se popularizando nos últimos tempos. As crianças contam com todos os equipamentos necessários e são treinadas por especialistas na modalidade. As atividades respeitam a grade escolar e faixa etária de cada atleta mirim. Em quatro anos, o projeto ajudou a desenvolver as categorias de base do esporte no Paraná e atuou como aliado na inclusão e educação dos jovens talentos.

Em Cidadania, o principal projeto é a Campanha de Doação de Sangue realizada desde 2005 com funcionários, familiares e amigos. Cerca de 1.500 bolsas de sangue já foram coletadas desde então. O projeto mobiliza todos da empresa para que a meta estipulada no ano seja atingida. Atualmente, a meta está em 300 bolsas durante a campanha, que dura três meses (junho, julho e agosto).

Ambientalmente, a Astra tem como principal pilar a destinação correta de todos os resíduos de suas unidades fabris, cuidando para que todo rejeito de produção, embalagens refugadas e rejeitadas, materiais que não são usados no processo ou perderam seu uso sejam devidamente separados e removidos. Segundos declaram, todos, sem exceção, são destinados corretamente, seguindo normas dos órgãos competentes e indicações de leis ambientais. Além disso, a Astra mantém internamente um programa que estimula seus colaboradores a descartarem seus resíduos corretamente mantendo locais onde é possível dispensá-los, desde pilhas até radiografias.

De acordo com o diretor superintendente da Astra, Manoel Flores, “há décadas a empresa Astra aplica seus esforços no tema da Responsabilidade Social. Trata-se de um trabalho consistente quem vem sendo realizado diariamente há mais de vinte anos. Amparamos projetos por meio das leis de incentivo e criamos os nossos próprios, com o único objetivo de focar no desenvolvimento social, na busca por uma sociedade mais igualitária, responsável e sustentável. Nossas ações de responsabilidade social são diversificadas, para que assim consigamos atuar de acordo com as necessidades sociais e ambientais mais eminentes”, relata Flores.

Sobre a Astra

A Astra Indústria e Comércio, fundada em 1957, na cidade de Jundiaí – a 60km da capital paulista, emprega cerca de 1.800 pessoas na região de Jundiaí e disponibiliza em torno de 6 mil itens para venda em todo o Brasil. Na empresa, são mais de 500 mulheres trabalhando em diversas funções, sendo 30 delas em cargo de liderança, inclusive a presidente, Ana Oliva Troijo.

Entrevista: Práticas e Consumo Conscientes

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Por Karen Pegorari Silveira

Conversamos com a gerente de educação do Instituto Akatu, organização sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente, para entender como empresas e sociedade podem adotar práticas e hábitos de consumo mais conscientes com relação aos resíduos plásticos.

Para ela, sensibilizar e mobilizar os indivíduos para que adotem tais práticas é uma das maneiras mais eficazes de promover um novo sistema de gestão de resíduos, mais racional, com menos impactos negativos e mais impactos positivos.

Leia mais na entrevista na íntegra:

Por que é importante que consumidor, indústria e poder público se responsabilizem pela destinação correta dos resíduos plásticos?

Denise Conselheiro – Porque todos, de maneira integrada e cada um à sua maneira, podem colaborar bastante para reduzir a quantidade de resíduos plásticos que acabam indo parar em lixões e aterros. Essa é a principal ideia que fundamenta o conceito de responsabilidade compartilhada.

Quais ações podem ser tomadas para que o descarte dos resíduos não aconteça de forma indiscriminada?

Denise Conselheiro – A principal mudança, do ponto de vista do consumidor, é repensar suas decisões de consumo, de modo a adotar práticas e hábitos de consumo mais consciente. Isso bem antes do descarte, já na própria decisão de adquirir ou não determinado bem ou serviço. Começa com um questionamento sobre a real necessidade e motivação de compra, passando por outras reflexões como se o produto, de fato, atende à necessidade identificada, se é durável e tem instruções claras de uso e manutenção, como fazer a compra, de quem comprar e, por último, como descartar as sobras. Esta última reflexão, portanto, cabe desde o primeiro momento, da decisão de consumo, de modo a privilegiar os bens e produtos que, uma vez tenham atendido às necessidades daquele consumidor, possam atender às necessidades de outros. E, se de fato não tiverem mais serventia, que possam ser reciclados e reinseridos na cadeia produtiva, de modo a diminuir a demanda por recursos naturais como um todo.

Quais os benefícios para quem destina seus resíduos de forma correta?

Denise Conselheiro – A maior parte dos benefícios é bastante perceptível em termos coletivos. Diminuir a quantidade de resíduos recicláveis que é destinada incorretamente ajuda a reduzir o volume total de resíduos gerados e a pressão sobre os lixões e aterros – normalmente já superlotados – e a contaminação que eles podem causar. Em termos ambientais, a destinação correta ainda favorece a reciclagem, já que reduz a demanda por mais recursos naturais para novos processos produtivos, uma vez que as matérias-primas dos materiais reciclados são reaproveitadas. Em termos sociais, facilita o trabalho do catador de materiais recicláveis, promovendo o importante reconhecimento da classe enquanto agente ambiental. E ainda ajuda a reduzir os investimentos públicos necessários para coletar e gerenciar todo esse monte de resíduos, permitindo que tais verbas sejam alocadas em outras áreas essenciais do governo, como saúde ou educação.

Como é tratada a questão dos resíduos plásticos em outros países? Há iniciativas bem-sucedidas?

Denise Conselheiro – A iniciativa mais importante surgida nos últimos anos é a criação da Aliança do Plástico (Alliance to End Plastic Waste), oficializada agora em janeiro. As maiores empresas do setor se reuniram para investir no combate à poluição, em especial nos oceanos, e já arrecadaram mais de US$ 1 bilhão para investir em ações que incluem, por exemplo, atuar em parceria com instituições públicas para construir sistemas de gestão de resíduos.

O Akatu sugere alguma política pública para melhor manejo dos resíduos?

Denise Conselheiro – Como mencionado antes, melhorar o manejo começa por diminuir a geração de resíduos, consumindo apenas aquilo que é de fato necessário. E, quando houver sobras ou resíduos, promover, sempre que possível, o reaproveitamento ou aproveitamento integral dos mesmos, de modo a maximizar os benefícios trazidos por aquele determinado produto ou serviço e servir a mais pessoas. E, uma vez que não for mais útil para ninguém, de fato, encaminhá-lo para a reciclagem. Sensibilizar e mobilizar os indivíduos para que adotem tais práticas é uma das maneiras mais eficazes de promover um novo sistema de gestão de resíduos, mais racional, com menos impactos negativos e mais impactos positivos. Por isso, é essencial que sejam criadas políticas públicas neste sentido, em especial para essa educação de crianças e jovens para a sustentabilidade, para que esta mudança de cultura, efetivamente, surta efeito.

Iniciativas Sustentáveis: Boomera – Reaproveitando os resíduos plásticos

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Por Karen Pegorari Silveira

De acordo com o relatório Global Plastics Report, da WWF, o Brasil é o 4º país que mais gera lixo plástico, cerca de 11,3 milhões de toneladas por ano, atrás apenas dos EUA, China e Índia.

Porém é possível transformar este problema em oportunidade, com benefícios para o planeta e os negócios, assim como faz a Boomera, que realiza e executa projetos em logística reversa e reciclagem de materiais através de sua metodologia CircularPack.

Com duas fábricas de reciclagem e fabricação de produtos, uma em Cambé, no Paraná, e outra em Diadema, São Paulo, a Boomera fabrica resinas recicladas e lonas com tecnologia patenteada XF que são usadas em cobertura do plantio de algodão, cana-de-açúcar e soja. Na planta de Diadema a produção foca, exclusivamente, em resinas recicladas (PCR) para uso na fabricação de embalagens e produtos plásticos.

Atualmente, a empresa coordena projetos de gestão de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) das lojas de um grupo varejista, além de trabalhar na melhoria de estrutura e serviços ambientais de mais de 200 cooperativas de catadores – com mais de 6 mil cooperados.

Transformando os resíduos gerados na cadeia produtiva em novos produtos que retornam ao processo produtivo com tecnologia aplicada, a empresa conquistou clientes como Unilever, Nestlé, P&G, Natura, Kimberly-Clark, Track&Field, Adidas, BRF, DOW, C&A, Reserva, entre outras.

De acordo com o fundador e CEO da empresa, Guilherme Brammer, a Boomera cresceu mais de 700% desde 2016 até 2018 e deve dobrar o tamanho em 2019. Seus projetos já retiraram mais de 60 mil toneladas de resíduos que iriam para aterros e conseguiram dobrar a renda de mais de 8 mil cooperados de material reciclado, desenvolvendo melhorias em mais de 200 cooperativas de catadores em todo o Brasil.

Para Brammer, “Não existe um caminho sem ter a Sustentabilidade como fator estratégico de qualquer negócio que queira se manter em crescimento. As empresas precisam se reinventar e trazer a sustentabilidade para dentro de suas decisões”, completa.

Sobre a Boomera

A empresa possui escritório comercial na cidade de São Paulo com 30 colaboradores e fábrica na Cidade de Cambé no Paraná com 110 pessoas e 36 mil metros quadrados. Na fábrica da cidade de Diadema trabalham 10 pessoas.

Iniciativas Sustentáveis: Vedacit – Cidades do Futuro

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Por Karen Pegorari Silveira

Estimular a harmonia entre as pessoas, moradias e os espaços urbanos e criar condições para enfrentar os desafios socioambientais, estabelecendo formas mais inteligentes, sustentáveis, criativas e humanas para as cidades do futuro é a missão do Instituto Vedacit, braço social da empresa de mesmo nome.

Com olhar para as cidades sustentáveis, inteligentes e criativas, a empresa vem criando diversos projetos inovadores, como o portal Futuro das Cidades, que engloba notícias sobre o mercado, iniciativas que estão acontecendo nas cidades brasileiras, ideias, tendências, cases e discussões sobre este universo.

Outra iniciativa inovadora da empresa é a aceleração corporativa de startups no Brasil do projeto Vedacit Labs. Direcionado para as Construtechs (startups de construção civil), foram selecionadas cinco iniciativas para serem impulsionadas a partir de março de 2019. O Programa de Inovação Aberta focou em ideias voltadas para duas áreas: Digital – entre elas sensores de Internet das Coisas (IoT), Inteligência Digital (BIM, E-Commerce, CRM, IA) e plataformas para a capacitação de pedreiros, aplicadores, Faça Você Mesmo (DIY), indicação de profissionais ou serviços para diagnóstico, gestão e monitoramento em obras; e Impermeabilização – tais como soluções para impermeabilizar sistemas de captura e reuso de água, serviços para habitações na baixa renda e para a melhoria dos processos construtivos nas etapas de impermeabilização. As Construtechs selecionadas contarão com Seed Money no valor de R$ 100 mil reais, para cada uma, seis meses de residência no WeWork em São Paulo, local onde já está a área de Inovação da Vedacit, quatro meses de aceleração em parceria com a Liga Ventures, e o incentivo para geração de negócios no segmento de construção civil.

Além das ações próprias, realizadas pelo Instituto Vedacit, há também os projetos em parceria, como o praticado com a ONG Habitat para a Humanidade – que viabiliza moradias adequadas por meio de reformas em casas da comunidade de Heliópolis, região sul de São Paulo; o projeto ImaginaC, que acontece durante o Festival de Inovação e Impacto Social (FIIS) – um jogo de impacto social com 50 alunos de uma escola municipal em Poços de Caldas (MG) para desenvolver a imaginação e aumentar a participação e engajamento dos moradores da cidade; o Programa Coletivo Jovem, que conecta jovens de 16 a 25 anos com novas oportunidades de geração de renda e desenvolvimento profissional em parceria com o Instituto Coca-Cola Brasil. Além das parcerias nos projetos Anip – Aceleradora De Negócios Da Periferia, Chamada Impulse e Colab ONU Habitat.

Outra iniciativa de grande impacto social é o Juntos Somos +. Criado em 2014 pela Votorantim Cimentos como um programa de relacionamento, tem a proposta de profissionalizar varejistas e balconistas e contribuir para a sustentabilidade da cadeia por meio da geração de novos negócios. Atualmente o projeto conta com 14 empresas (Votorantim Cimentos, Gerdau e Tigre ‘fundadoras’, Santander, Linx, Vedacit, Eternit, Suvinil, Stam, Bosch, Casa do Construtor, Ciser, Ourolux e Cozimax, 25 profissionais com habilidades e experiência diversificados no time, R$ 30 milhões já investidos e R$ 50 milhões em investimentos até 2020. No programa, são 40 mil lojas e mais de 60 mil profissionais já cadastrados.

Para o gerente de Inovação e Sustentabilidade da Vedacit, Luis Fernando Guggenberger, a empresa tem uma grande oportunidade de inovar na área em que atua. “Nós na Vedacit enxergamos que a Sustentabilidade e a Responsabilidade Social são drivers para inovarmos no setor da construção civil. Se olharmos o dado de que no país atualmente temos mais de 16 milhões de habitações insalubres, temos um papel de suma importância para contribuir com a melhoria das residências brasileiras e por sua vez melhorar a qualidade de vida e bem-estar da população”, diz.

Sobre a Vedacit

Vedacit é uma empresa brasileira do Grupo Otto Baumgart, que comercializa produtos de imperializantes em geral. A empresa atua além do Brasil, de Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile. As fábricas ficam em São Paulo e no nordeste,


Entrevista: Construções Responsáveis

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Por Karen Pegorari Silveira

O ano de 2019 começou com a expectativa de um cenário próspero para o setor da construção civil. Depois de um período de crise econômica que afetou o Brasil, o mercado dá sinais de recuperação para este ano.

Para que esta retomada aconteça de forma responsável e perene, colhemos algumas dicas com Ana Claudia Gomes, presidente do Fórum de Ação Social e Cidadania da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e gerente de Relações Institucionais do Seconci-Rio.

Confira na íntegra esta entrevista:

Pesquisas sugerem que os grandes desafios do setor de construção civil para os próximos 5 anos serão relacionados com as metas 8 e 9 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – Trabalho Decente e Infraestrutura Sustentável. Você concorda com esta afirmação ou, em sua opinião, há outros desafios mais urgentes?

Ana Claudia – Concordo que estes sejam desafios grandes para setor em função de dois motivos principais: 1- A regulamentação da terceirização aumentando o desafio de gerir toda conformidade legal dentro da cadeia produtiva, que em nosso setor é bastante pulverizada e formada por muitas pequenas empresas. Esta tem sido SEMPRE a preocupação da CBIC e dos Sinduscon’s, apoiar as construtoras na gestão desta cadeia e ainda os pequenos empresários, orientando e apoiando com relação a todas as exigências legais. 2- A grande crise financeira enfrentada pelos governos em todas as esferas, tornando cada vez mais difícil o investimento em infraestrutura. Neste sentido entendemos que o caminho são as PPP – parcerias público privadas.

Por que é importante que as empresas se empenhem em transpor estes desafios e como elas podem se preparar para isso?

Ana Claudia – Não penso que as empresas tenham outra opção. A sociedade Brasileira já deixou claro que exige mudanças não só dos políticos, governos, mas também das empresas. Portanto mudar passa a ser uma questão de sobrevivência. A preparação para estas novas exigências e cobranças pode e deve passar pelo apoio das entidades empresariais que também estão tendo que se reinventar para verdadeiramente entregar valor para seu quadro de associados.

Quais ações podem ser adotadas pelas empresas, de todos os portes, para que elas se mantenham competitivas e bem-conceituadas no mercado?

Ana Claudia – Acho que as empresas devem se relacionar de forma ética e transparente com todos os seus stakeholders. Devem implantar sistemas de gestão de sua cadeia produtiva, sistemas de integridade e, ainda programas de relacionamento com as comunidades no entorno de seus empreendimentos, além é claro de programas voltados para o atendimento aos consumidores.

Além dos obstáculos para se manterem competitivas, as empresas do setor de construção civil enfrentam ainda uma queda na confiança do setor. Como você acredita ser possível mudar este cenário?

Ana Claudia – Em todo e qualquer segmento produtivo existem os bons e os maus empreendedores. A CBIC e o Sinduscon’s representam e apoiam as empresas que trabalham de forma ética e íntegra e é isso que estamos mostrando o tempo todo à sociedade. A divulgação de boas práticas de forma sistemática como temos feito, além de inspirar empresas também revela quem é a verdadeira indústria da construção Brasileira, uma indústria responsável e ética da qual o Brasil tanto precisa.