Informe Ambiental Fiesp

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Boletim bimestral produzido pela FIESP


O Informe Ambiental fornece de forma rápida e objetiva informações referentes ao acompanhamento de legislações ambientais, além de destaques técnicos, eventos da área, premiações e divulgação da atuação da Fiesp em ações relacionadas ao meio ambiente.

INFORME AMBIENTAL 131 – JANEIRO 2019

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Sindicato Responsável: Certificação de Cadeia

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Por Karen Pegorari Silveira

Para que seus associados ofereçam produtos de qualidade e tenham uma gestão socialmente responsável, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados – Abicab, entidade coligada ao Sindicato da Indústria de Produtos de Cacau, Chocolates, Balas e Derivados do Estado De São Paulo – Sicab, desenvolveu o Programa Pró-Amendoim, que garante o Selo “Qualidade Certificada Pró-Amendoim-ABICAB”. 

Neste programa, as empresas participantes passam por rigorosas auditorias periódicas em suas fábricas relacionadas às Boas Práticas de Fabricação e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, realizadas pela DNV-GL Business Asssurance Avaliações e Certificações. Para participar, as empresas participantes devem atender todos os critérios estabelecidos na lista de verificações de BPF/ APPCC, que está de acordo com a Resolução da ANVISA, a RDC-172/2003. Para as empresas que atendem aos requisitos da legislação e fabricam produtos à base de amendoim totalmente seguros, atendendo as normas brasileiras e internacionais quanto aos limites de aflatoxinas nos produtos disponíveis aos consumidores o Selo é garantido.

Além disso, trimestralmente são coletadas amostras de produtos de amendoim em diferentes pontos de venda do país. Obrigatoriamente esta coleta contempla produtos dos participantes do Programa em questão, como também fabricantes aleatórios. Todos os produtos são coletados pela auditoria DNV-GL e analisados pelo Laboratório de Micotoxinas (LAMIC) da Universidade Federal de Santa Maria – RS, credenciado pelo Ministério da Agricultura, acreditado pelo INMETRO e pela ANVISA.

O Pró-Amendoim, desde o início do monitoramento no mercado brasileiro, realizou até o momento 68 coletas de produtos de amendoim. Até o final deste ano a previsão é de realizar mais duas coletas. Os resultados obtidos destas empresas, em relação a média de aproveitamento, foi de 89,2% (até início de setembro 2018), contra 88,6% em 2017.

De acordo com o presidente da Abicab, Ubiracy Fonseca, é muito importante que o consumidor atente para a existência do selo nas mercadorias que compra. “O Selo de Qualidade Certificada Pró-Amendoim já está presente em mais de 45% dos produtos comercializados e isso permite ao consumidor brasileiro optar por alimentos de alta confiabilidade, pois o processo de fabricação e a procedência são devidamente atestados”, afirma.

Sobre a Abicab 

A Abicab representa os maiores fabricantes do Brasil, o que equivale a R$25 bilhões em valor de venda, gerando mais de 42 mil empregos diretos e representando 92% do mercado de chocolates, 93% do mercado de balas e confeitos, 62% do mercado de amendoim.

Iniciativas Sustentáveis: Papel Semente – Germinando Inovação

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Por Karen Pegorari Silveira

Criada em maio de 2009, a empresa Papel Semente produz papel artesanal, ecológico e reciclado que recebe sementes de flores, hortaliças e temperos durante seu processo de fabricação. A proposta é que, depois de usado, o papel seja picado em pedacinhos e plantado na terra — em 20 dias, as primeiras mudas começam a aparecer.

A grande sacada foi desenvolvida por Andrea Carvalho e os sócios Paulo Candian e Luis Felipe Di Mare Salles e hoje já produz 50 mil folhas por mês, com capacidade para multiplicar esse volume por cinco na fábrica de 1,2 mil m².

As folhas germináveis podem ser utilizadas para vários tipos de comunicação – convites, crachás, cartões de visita, envelopes, embalagens, flyers e folders; e após sua utilização podem ser plantadas, no lugar de enviá-las ao lixo. Do papel que se planta nascem flores, verduras e até mesmo ervas medicinais.

Na fabricação artesanal são utilizadas aparas coletadas por cooperativas certificadas de catadores de papel, que viram uma massa de celulose e recebem sementes rastreadas e certificadas, que se tornam os papéis, que podem ser plantados em até seis meses. Mas nem toda semente pode ser misturada ao papel, afirma Andrea Carvalho. Só as mais resistentes e as pequenas – as grandes deixam a folha muito granulada e dificultam a impressão.

No Brasil, as sementes mais utilizadas são as de cravinho francês, margarida, clarquia, agrião, rúcula, manjericão, almeirão, mostarda, cenoura, tomate e pimenta. E até de angico-vermelho, árvore da mata atlântica que pode chegar a 20 metros de altura!

O negócio social da Papel Semente já comemora alguns números – 90% dos colaboradores da empresa são residentes da comunidade próxima a sede, em Guaxindiba, São Gonçalo (RJ); nestes anos, mais de 46 toneladas de papel foram recicladas; 1012 árvores deixaram de ser derrubadas; 460 mil litros de água deixaram de ser utilizados e 173 megawatts hora de energia elétrica foram economizados.

Aos poucos, a empresa foi conquistando clientes grandes como Coca-Cola, Grendene, Braskem, Ogilvy, Renner, Nextel e Bradesco. A participação em eventos como o Rock in Rio, em 2015, e os Jogos Olímpicos, em 2016, ajudou a consolidar a reputação da Papel Semente em território nacional. A primeira exportação aconteceu para um banco de Angola, em 2012. Dois anos depois, o dono de uma agência de marketing de Lisboa conheceu a marca pela internet e fez as primeiras encomendas de papel plantável.

Hoje, a Papel Semente exporta para Angola, Portugal, Alemanha e Suíça. Do total, 10% do faturamento vem das vendas para o exterior. No futuro, a empreendedora deseja exportar para mais países como Uruguai, Argentina, Equador, México, França e Inglaterra. Ainda no primeiro semestre de 2019 lançarão o e-commerce na Europa, tendo como base Paris.

A sócia Andrea foi uma das mulheres selecionadas do Programa de Empreendedorismo Feminino da Fundação Banco Goldman Sachs, que capacitou 10 mil mulheres ao redor do mundo para gestão de suas empresas, participou do Projeto Visão de Sucesso da Endeavor, é Embaixadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) no Rio, é colíder do Grupo Mulheres do Brasil e trabalha a questão de gênero e empoderamento feminino.

Segundo Andrea Carvalho, eles medem o sucesso do negócio pelo bem-estar das pessoas, da sociedade e da natureza. “Quero que meu filho e netos vivam em um mundo mais justo e sustentável. O caminho para isso é a inovação social. É criar negócios de impacto. Aqui na Papel Semente empregamos a comunidade local e incluímos os catadores da cooperativa da região em nossa cadeia de valor: são nossos fornecedores”, completa.

Sobre a Papel Semente

A fábrica foi implantada no Estado do Rio de Janeiro, para onde Andréa e o marido se mudaram com a família. O empreendimento vai completar 10 anos de mercado, em maio próximo, e conta atualmente com 14 funcionários.  A área de produção fica em São Gonçalo e o escritório em Niterói.

Iniciativas Sustentáveis: Siemens – Educação com base na experimentação

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Por Karen Pegorari Silveira

A partir do grande desafio no cenário educacional brasileiro, a indústria Siemens, por meio de sua Fundação, se propôs a contribuir com a melhoria da educação no país, seguindo o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 4, da ONU.

Por meio do programa educacional inovador chamado Experimento – para professores e alunos, a Fundação Siemens buscou se envolver em uma educação científico-tecnológica, ancorada em valores desde a primeira infância até o final do ensino secundário.  O programa, com metodologia baseada no aprendizado pela descoberta, prioriza a experimentação, exploração e compreensão autônoma de fenômenos naturais relacionados à energia, meio ambiente e saúde.

Entre os parceiros do projeto estão o Colégio Visconde de Porto Seguro, Educação Metodista, Grupo Ser, Prefeitura de Jundiaí, Instituto Qualidade no Ensino, Prefeitura de Juquitiba, Instituto Ayrton Senna, Escolas Associadas da Unesco, Escola de Inventor, Instituto Sabin, Atina Educação, BASF, Prefeitura de Guaratinguetá, FCA, Prefeitura de Paulista e um número crescente de escolas em todo o país.

A abordagem educacional busca ensinar através da colaboração – o “processo de aprendizagem” começa com uma pergunta para o mundo – e busca ensinar em contextos que estão ligados à vida cotidiana. As experiências científicas naturais desempenham um papel central no projeto, que utiliza Guias para professores, Fichas para estudantes, Kits de material para cerca de 136 hands-on experiências de sala de aula, Cursos de formação para professores e educadores – Redes para a troca de know-how e Plataforma on-line para o material mais detalhada.

O Programa Experimento foi implantado em final de 2014 e contou com o Colégio Visconde de Porto Seguro como primeiro parceiro. Eles se dedicaram a tropicalizar o projeto da Siemens Stiftung (Alemanha) para os cenários brasileiros, sobretudo com a adequação ao currículo do país. Os kits foram divididos por faixa etária e possuem metodologia própria, que cobrem da pré-escola ao ensino médio: Experimento | 4+ (de 4 a 7 anos), Experimento | 8+ (8 a 12 anos) e Experimento 10 + (de 10 a 18 anos).

Até o momento o projeto já treinou 2.124 professores, fez presença em 83 cidades em 16 estados brasileiros e impactou mais de 152 mil crianças. Durante o andamento do projeto, os responsáveis notaram benefícios como a reconstrução do pensamento de professores, crianças e jovens ao utilizar o ciclo do pensamento científico.

De acordo com a especialista em Sustentabilidade na Siemens e secretária-executiva na Fundação Siemens, Bianca Bozon Moreira Talassi, o Programa Experimento reafirmou a contribuição da empresa para que o Brasil atinja vários dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), como a educação de qualidade, entre outros. “Assumimos publicamente esse compromisso com a publicação do relatório Business to Society (B2S). A mudança que a empresa deseja para o país é que daqui a dez anos tenhamos profissionais do futuro, que são conscientes de seu processo decisório, interessados em inovar e aptos a ter melhores desempenhos social, econômico, financeiro e educacional”, esclarece.

Sobre o Grupo Siemens no Brasil

A Siemens está presente no Brasil há cerca de 150 anos. Hoje, seus equipamentos e sistemas são responsáveis por 50% da energia elétrica gerada nacionalmente, 30% dos diagnósticos digitais por imagem realizados no Brasil e estão presentes em 2/3 de todas as plataformas offshore brasileiras projetadas nos últimos 10 anos. Atualmente, a empresa conta com 12 fábricas e sete centros de Pesquisa e Desenvolvimento espalhados por todo o território nacional.

Entrevista: Social Good Brasil e a Inovação de Impacto Social

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Por Karen Pegorari Silveira

A inovação com impacto social é uma necessidade no Brasil e, segundo a jornalista do Movimento Social Good Brasil, Camila Ignacio Geraldo, existem diversas formas de organizações, sejam elas grandes ou pequenas, proporcionarem impacto social e ambiental positivos.

Confira na íntegra desta entrevista as dicas do Movimento para quem deseja ser um inovador social:

Como organizadores do movimento Social Good Brasil, vocês conheceram muitos modelos de negócios socialmente inovadores. Podem nos contar quais foram os modelos que mais chamaram sua atenção nestes últimos anos?

Camila Geraldo – Por fazer parte de um meio de impacto social que valoriza muito a inclusão e a colaboração, organizações que seguem o conceito do “Novo Poder” para gerar impacto social têm chamado muita nossa atenção. A teoria do “Novo Poder” foi desenvolvida por Jeremy Heimans e Henry Timms, autores que palestraram no Festival Social Good Brasil 2018, e trata sobre o desenvolvimento de um poder participativo e descentralizado, que já está sendo possível em nossa sociedade hiperconectada.

Vou dar alguns exemplos sobre o que é esse modelo de negócio. Até agora, a maior parte das organizações seguem um modelo onde elas possuem total controle das informações e recursos dentro das empresas. No novo poder, principalmente através de ferramentas e engajamento online, as iniciativas e organizações podem ser inteiramente participativas, onde seu controle e seus produtos são compartilhados em rede. Um exemplo é o Avaaz, organização fundada por Jeremy Heimans, que mobiliza campanhas instantâneas relacionadas a crises acontecendo em qualquer lugar do mundo. Ou seja, o modelo que mais nos chamou atenção nos últimos tempos são as organizações e iniciativas que usam toda a potencialidade mobilizadora e participativa das tecnologias para o bem da comunidade.

Conhecendo os empreendedores sociais, vocês puderam observar as principais dificuldades que eles enfrentam para inovar no Brasil. Podem citar as mais frequentes?

Camila Geraldo – A dificuldade continua sendo a sustentabilidade financeira dos negócios, que atenda aos objetivos de impacto social e que também rentabilize para o negócio girar. Muitos empreendedores sociais têm ideias incríveis e desenvolvem soluções que combatem desafios históricos em nossa sociedade, mas não conseguem monetizar de fato suas empresas ou organizações. As dificuldades para inovar esbarram nas dificuldades em estruturar equipes e manter as organizações em crescimento.

Um desafio que as organizações também possuem é o de mensurar seu impacto e resultados com assertividade para tomar decisões mais inteligentes e atrair investimentos. Estamos vivendo na era da informação, portanto os empreendedores sociais devem começar a utilizar a ciência de dados e desenvolver mindsets analíticos. O setor privado, visando lucro, faz isso há um bom tempo. Nós, do SGB, estamos acompanhando essa tendência de inovação e trazendo para o mundo dos negócios de impacto essa inteligência por meio do Laboratório SGB. Em nosso programa, iniciativas de impacto social são capacitadas para amadurecer seu trabalho com dados – e esse é o caminho para inovar no setor.

Em contrapartida, quais são os principais benefícios para quem empreende nesta área?

Camila Geraldo – As iniciativas e organizações de impacto social estão cada vez mais valorizadas, recebendo mais investimentos e chamando a atenção de grandes players. No entanto, o que sempre vai mover os empreendedores sociais é utilizar seus conhecimentos e produtos com um propósito maior do que simplesmente receber lucro e reconhecimento. Claro que os empreendedores sociais perseguem isso, mas ao mesmo tempo seus negócios e ideias são aplicadas no país para uma melhoria de um problema social e/ou ambiental, fazendo com que seus trabalhos se misturem com cidadania e responsabilidade social e coletiva.

Vocês acreditam que qualquer empresa pode ser socialmente inovadora? Como? Isso serve para o micro e pequeno negócio também?

Camila Geraldo – Claro. Existem diversas formas de organizações, sejam elas grandes ou pequenas, de proporcionarem impacto social e ambiental positivos. E isso já comprovou que, além de valorizar as marcas das empresas, também motiva seus colaboradores.

Pequenas empresas podem adotar o modelo one-for-one, por exemplo. Recentemente demos uma palestra no RD Summit ao lado da Usina do Hamburguer, pequeno negócio de Florianópolis que utiliza esse modelo e está sendo regionalmente reconhecida por isso. Em uma determinada época do mês, a cada hambúrguer vendido pela Usina, um sanduíche é enviado para organizações sociais da cidade. O resultado disso é lindo e leva alegria para muitas pessoas.

Se micro negócios podem ter impacto positivo, médios e grandes mais ainda. Desenvolver ou apoiar iniciativas, implementar áreas de responsabilidade social ou estimular seus colaboradores a serem agentes de transformação social. As possibilidades de empresas de qualquer setor proporcionarem ações positivas para a sociedade são gigantes.

Especificamente para o setor industrial, que faz uso intensivo de mão-de-obra e tem o desafio de incorporar cada vez mais tecnologia, vocês vêm espaço para o empreendedorismo social?

Camila Geraldo – Vemos muito espaço. Já trago aqui três possibilidades: (1) apoiar projetos externos à organização, (2) apoiar o ecossistema para o surgimento de novos negócios e (3) fomentar o empreendedorismo social entre os seus colaboradores e/ou cadeia de fornecimento. Vou exemplificar com cases reais:

(1) apoiar projetos externos à organização:

Instituto Intercement, que é braço social da Intercement, indústria de cimento: Eles investem no Vivenda que é um negócio de impacto voltado para o melhoramento de moradias de baixa renda.

(2) apoiar o ecossistema para o surgimento de novos negócios

Instituto Sabin, que o braço social da Sabin, indústria no setor da saúde: Eles apoiam o fortalecimento do campo de negócios de impacto do país. Eles ofereceram em nosso Laboratório SGB uma bolsa para iniciativas de saúde participarem do nosso Laboratório.

(3) fomentar o empreendedorismo social entre os seus colaboradores e/ou cadeia de fornecimento

Movimento Natura: Eles fomentam o empreendedorismo social entre as consultoras Natura, gerando rentabilidade e impacto social no país.

Quais são os setores em que há mais espaço para inovação social no Brasil?

Camila Geraldo – Podemos dizer que alguns setores estão em destaque devido a atual conjuntura nacional e internacional: iniciativas que atuam com internalização de refugiados e direitos humanos, ideias que democratizam a melhorem a educação, soluções para problemas de escassez de água e distribuição de alimentos. Mas isso não significa que outros setores sejam menos reconhecidos.

A partir da vivência na organização de um reconhecido Movimento da área de inovação, qual conselho vocês dariam para quem deseja ser um empreendedor social inovador?

Camila Geraldo – Tenha empatia. Reconheça os seres humanos que serão impactados por suas iniciativas e programas, agindo sempre com responsabilidade. Faça um esforço consciente para colocar-se no lugar de outras pessoas para reconhecer sua humanidade, individualidade e perspectivas. As tecnologias não podem substituir a consciência dos seres humanos, mas devem se tornar uma maneira de ampliar e escalar soluções para uma sociedade melhor. Tenha paixão, coragem e provoque o status quo. Motive-se a consertar algo que está errado, não desista se tiver medo e sempre questione o status quo – entenda como as coisas funcionam e como poderiam funcionar. Crie, faça e experimente. Faça testes de hipóteses, tentativas, prototipagens.

Artigo: Inovação aberta com impacto social para grandes transformações

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Priscila Martins

A cultura empreendedora está avançando no Brasil e tem mostrado enorme potencial para auxiliar as grandes empresas brasileiras a enfrentarem os desafios da inovação. Na jornada em direção à competitividade, as mudanças tecnológicas têm exercido pressão para que as grandes empresas aumentem a eficiência com menor investimento. Diante desse contexto, a inovação aberta – que combina ideias internas e externas para acelerar o desenvolvimento de produtos, serviços e processos – se mostra perfeitamente alinhada a essa demanda. O modelo, que teve início na cooperação da academia com empresas, não chega a ser uma novidade; entretanto, a inovação aberta com impacto social é disruptiva.

Pioneira no Brasil no apoio a negócios de impacto social – modelo que tem se consolidado como forte tendência econômica contemporânea ao propor a atuação de empresas que oferecem, de forma intencional, soluções escaláveis para problemas ambientais e sociais da população de baixa renda –, a Artemisia é a responsável pelo desenvolvimento do conceito que une impacto social à inovação por meio do empreendedorismo. Nos últimos anos, a organização tem aprimorado os projetos, customizando para parceiros que vão de grandes indústrias a fundações e institutos, passando por organizações e empresas de tecnologia. Entre as mais recentes parceiras estão a Coca-Cola Brasil, Natura, Caixa, Facebook, Ford Fund, Eletropaulo, AES Tietê, Fundação Cargill, Gerdau e Danone Early Life Nutrition. A experiência tem sido muito rica e mostrado que inovação atrelada ao impacto social traz bons frutos, tanto para as empresas, quanto para as startups e, principalmente, para a sociedade.

A visão da Artemisia é que as grandes empresas possuem um poder de transformação gigantesco – em todos os elos da cadeia – e considera importante utilizar esta força para impulsionar resultados de impacto no país. Enquanto as startups sonham em ter acesso ao mercado e aos ativos das grandes empresas; as grandes empresas almejam a flexibilidade e inovação das startups. Nessa intersecção de interesses crescem oportunidades para ambos os lados. Para os negócios de impacto social, a aproximação agrega valor pelo acesso aos ativos e estrutura de uma grande empresa, além de capital e mentoria de executivos experientes. As grandes companhias, por sua vez, associam essa cooperação à geração de ideias disruptivas – uma forma rápida de inovar e com custos menores. Ao adotar um modelo de inovação aberta de impacto social, startups e corporações levam a parceria a um novo patamar.

Nos últimos anos, a organização tem investido para criar mecanismos de aproximação entre grandes empresas e negócios de impacto social. A proposta é identificar e potencializar uma nova geração de empreendedores e empreendedoras de negócios de impacto social que sejam referência na construção de um Brasil mais ético e justo; dar suporte para que existam mais empresas interessadas em atuar para solucionar problemas ambientais e sociais, que afetam, principalmente, a população de baixa renda. Nesse processo, acreditamos que seja possível inspirar grandes corporações a inovar; unir inovação aberta e impacto social. Podemos chamar esse modelo, inclusive, de inovação com causa.

Para tornar o conceito mais tangível, destaco dois cases. O primeiro é a parceria com a área de Valor Compartilhado da Coca-Cola Brasil. A Artemisia conduziu o Coca-Cola Open Up – The Boat Challenge com o objetivo de encontrar e impulsionar empreendedores com iniciativas inovadoras e soluções para questões relacionadas à água, agricultura sustentável, biodiversidade, empreendedorismo e saúde/bem-estar; ações conduzidas por startups com propostas voltadas ao desenvolvimento socioambiental da Região Norte do Brasil. Esse processo foi vivenciado de forma também inovadora – em um barco, navegando pelo Rio Amazonas, de Parintins a Manaus. A ação inovadora da Coca-Cola Brasil representa a iniciativa de uma grande organização que associa os negócios de impacto social a uma oportunidade de aumentar o impacto dentro da cadeia de valor da companhia.

O segundo exemplo é a parceria com a Caixa e apoiada pelo Fundo Socioambiental Caixa. A Artemisia desenvolveu o Desafio de Negócios de Impacto SocialEducação Financeira e Serviços Financeiros para Todos – primeiro programa de inovação aberta de impacto do Brasil que potencializou negócios inovadores focados em inclusão financeira. A iniciativa – uma das maiores da história da Artemisia – apoiou empreendedores com o forte compromisso de impacto social para o desenvolvimento de soluções financeiras que atendessem às reais necessidades da população de menor renda no Brasil. As soluções mais inovadoras e com maior potencial de impacto social receberam mentoria das duas organizações, além de apoio financeiro para validação das soluções por meio da realização de pilotos com o público-alvo do programa: beneficiários do Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida.

Na essência, a inovação social aplicada a modelos de negócios oferece abundância de soluções, sobretudo para indústrias que precisam oxigenar pautas das equipes de profissionais, inspirando novas abordagens e visões estratégicas – seja de processos, seja de produtos. A inovação aberta com impacto social promove parcerias que ajudam a melhorar a eficiência da indústria e colabora com o fomento de um empreendedorismo que está transformando o Brasil.

* Priscila Martins é gerente de Relações Institucionais da Artemisia

“Economia verde é um rumo para aumentar o bem-estar e combater a desigualdade”, diz Pavan Sukhdev na Fiesp

Isabela Barros e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Uma economia marrom, não verde. Uma prova de que há muito a ser feito em termos de sustentabilidade e visão de futuro. Um debate desenvolvido no seminário Economia Verde – Uma Visão do Brasil 2030, realizado na sede da Fiesp, em São Paulo, nesta sexta-feira (23 de novembro). E que teve como convidado, entre outras autoridades, Pavan Sukhdev, líder da Iniciativa de Economia Verde do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e presidente do Conselho da WWF – Fundo Mundial para a Natureza.

“Vivemos numa economia marrom, não verde”, disse Sukhdev. “Precisamos mudar isso agora: a economia verde é um rumo para aumentar o bem-estar dos homens e combater a desigualdade.”

Sukhdev é um defensor do conceito de economia circular, “com qualidade de vida, de forma regenerativa para evitar o desperdício”. “Temos que investir, colaborar com os processos de mudança.”

Para ele, “sem objetivos sociais, não conseguimos atingir os objetivos econômicos”. “Hoje, 40% do espaço da Terra é dedicado a plantações”, afirmou. “Mas essas áreas estão sendo danificadas: temos que aumentar a produtividade, garantir alimento para a população”, disse. “A forma como produziremos alimentos no futuro tem que ser diferente.”

Entre os problemas nesse ponto, o presidente do Conselho da WWF citou a “crise das pequenas fazendas brasileiras, que estão sendo engolidas pelas maiores”.

Outro item destacado com o objetivo de construir um mundo mais sustentável é o desenvolvimento do chamado capital humano. “Precisamos focar nas cidades, no capital humano, nas competências das pessoas.”

Sukhdev lembrou ainda que os novos consumidores, os mais jovens, estão promovendo uma mudança na indústria. “Os hábitos alimentares estão mudando graças ao comportamento dos millennials, que querem conhecer a origem daquilo que compram”, explicou.

Um processo que já está fazendo a “agricultura deixar de ser química e voltar a ser natural”.


Futuro dos negócios

Também convidada do debate, a presidente da Rede Brasil do Pacto Global, Denise Hills, destacou que “negócio que não é sustentável não é um negócio”. “Mesmo que ainda seja rentável hoje”.

Ao defender a sustentabilidade e o equilíbrio ambiental, ela contou que pegou bronquiolite ao visitar a China, país onde, em algumas cidades, a poluição está 45 vezes acima do máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Não podemos mais viver como vivemos”, disse. “Quem for mais corajoso que vire o escapamento do carro para dentro e faça essa reflexão.”

Denise lembrou que o Pacto Global é uma das maiores iniciativas em nome da sustentabilidade do mundo. “Temos mais de 800 empresas associadas no Brasil, país que tem a terceira maior participação na iniciativa no mundo”, disse. “É o capital humano que vai nos permitir existir como empresa, o nosso papel é mudar coletivamente.”

Para o presidente da Fibria, de produção de celulose branqueada, Marcelo Castelli, “a sociedade evolui com a união entre governo e sociedade privada”. “Precisamos ter equilíbrio no manejo florestal.”

Presidente da energética EDP no Brasil, Miguel Setas lembrou que a empresa está entre as quatro maiores em energia eólica no mundo.

“É preciso haver senso de urgência”, disse. “Para que não haja aumento na temperatura do planeta, precisaríamos de mais geração com fonte limpa.”

Ele apontou ainda três tendências para o futuro: “descarbonização, descentralização e digitalização, com o advento da indústria 4.0”.

Roberto Waack, da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, foi outro participante do evento. “Vemos a migração de um sentimento de não externalidade para um mundo em que as externalidades positivas serão mais reconhecidas”, disse. “O Brasil é um país onde uso do solo pode trazer mais retorno para o impacto na sustentabilidade global”, afirmou. “Precisamos lutar pelo uso mais esponsável da tecnologia no campo.”.

Médico e pesquisador, Fabio Gandour disse levantar “a bandeira da ciência como negócio”. “A tecnologia tem que substituir átomos por bits”, disse. “Precisamos preservar os átomos.”

Ouça o boletim de áudio dessa notícia:

Na Alemanha

Chefe de Inovação e Novos Negócios da TOTVS, Juliano Seabra reforçou o papel da inovação para a economia verde. “Na Alemanha, entre 15 e 20% das novas empresas têm impacto positivo na economia e no clima.”

Para ele, é preciso unir “empresas, academia, governo e empreendedores” em prol da causa. “O Brasil pode ser uma potência nesse debate, precisamos conduzir essa discussão.”

Sustentabilidade na agenda

Na abertura do seminário Economia Verde – Uma Visão do Brasil 2030, Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Fiesp e do Ciesp, destacou que “hoje as pessoas e as corporações incluem em suas agendas a sustentabilidade”.

A valoração ecológica, explicou, incluindo a produção de conhecimento sobre temas como produção de energia e resíduos se torna fator de competitividade, não apenas uma questão de obediência a regulações. A indústria brasileira, especialmente a paulista, hoje tem em sua agenda a questão da sustentabilidade ambiental e econômica, disse Reis, lembrando que há anos isso faz parte das discussões da Fiesp.

Reis fez agradecimento especial a Sukhdev por sua participação como coordenador das discussões.

O evento foi organizado para promover debates sobre uma nova economia, verde, inclusiva e produtiva, que representa oportunidade de negócios e crescimento do Brasil de forma sustentável e arrojada, mediante a força dos recursos naturais do país, da indústria e do setor empresarial como um todo.

Também durante a abertura, Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), chamou de absolutamente oportuno o conceito de economia verde, com baixa geração de carbono, com uso adequado e eficiente de recursos naturais e, muito importante, responsabilidade social. Economia verde, afirmou, “é o passaporte para alcançar os exigentes mercados mundiais”.

Igor Calve, secretário do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, afirmou que ainda há longo caminho a seguir em relação à economia verde, tema frequente nas discussões sobre competitividade – e essencial para o Brasil.

Arnaldo Jardim, deputado federal, destacou o papel de vanguarda da Fiesp na discussão do tema. Há uma rediscussão do papel do Estado brasileiro, lembrou, o que afetará políticas públicas e de desenvolvimento. A legislação ambiental está entre as mais completas e detalhadas do mundo. “Uma boa legislação”, disse, que terá pressão contrária, sobre a qual haverá rediscussão. O seminário, em sua opinião, é oportuno para enriquecer o debate. “Enquanto cuidamos da legislação vigente precisamos mostrar que a conta fecha, que ela não é um peso. É preciso conceituar ativos ambientais.”

Luís Fernando Barreto Junior, presidente da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), disse na abertura do evento que há mais de duas décadas a sociedade brasileira exige a atuação na defesa do meio ambiente. Hoje, afirmou, o Ministério Público caminha na perspectiva da resolução consensual dos conflitos. “O tempo não é aliado na proteção do meio ambiente.” Quanto maior a demora mais os recursos naturais são perdidos, disse. O crescimento sustentável se chama desenvolvimento. “Vemos com muita satisfação a Fiesp fazer o debate da economia verde, da economia circular.” Leva tempo para fazer a implantação, destacou, mas quando estiver completa haverá o suprimento das necessidades da geração presente sem afetar as das gerações futuras.

Artigo: Precisamos falar sobre os idosos

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*Por Daniela Diniz

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Precisamos falar sobre os seniores. Sim, seniores, experientes, idosos, ou como algumas correntes vêm nomeando “talentos grisalhos”. No guarda-chuva da diversidade, esse é um tema ainda ignorado. Ignoramos que em 2020 triplicaremos o número de idosos que tínhamos em 2010. Ignoramos que daqui a 10 anos, as pessoas com mais de 50 anos serão quase 30% da população brasileira. Ignoramos que a expectativa de vida do brasileiro já passou dos 75 anos. Ignoramos que essa população tem ainda muita lenha para queimar.

Apesar de todas as estatísticas mostrarem o avanço da população grisalha e de estudos alertarem para um novo perfil da sociedade brasileira, as empresas seguem – em sua grande maioria – preocupadas apenas em desenhar benefícios, políticas e práticas de atração e carreira com base na força jovem (incluindo aqui as salas coloridas e as mesas de ping pong). A consequência? A fila da experiência só aumenta do lado de fora das companhias. Apenas 25,24% da população economicamente ativa tem mais de 50 anos. Entre as Melhores Empresas para Trabalhar – organizações que são referência em práticas de gestão de pessoas – somente 12% dos funcionários têm entre 45 a 54 anos. Os acima de 55 anos não passam de 3% do quadro total. É pouco. Muito pouco.

Se não incluirmos este tema na agenda corporativa e refletirmos sobre o impacto geracional na nossa força de trabalho, não vamos mudar nosso modelo mental e, consequentemente, não vamos avançar um dedo na nossa retrógrada forma de pensar a vida – dentro e fora da empresa. Vamos continuar dividindo a vida em fases, a carreira em degraus e os cargos em caixas. Vamos continuar separando a vida “profissional” da “vida pessoal” e cumprindo cartilhas gastas de gestão de pessoas. Acontece que no mundo volátil, complexo, ambíguo e incerto não existe mais linearidade. As coisas acontecem ao mesmo tempo e às vezes até de trás para frente.

Portanto, quando dizemos: “precisamos falar sobre os idosos” não se trata de elaborar aqueles programas de preparação para a aposentadoria. Pois não existe mais motivos para preparar alguém para a vida “após o trabalho” – ranço que carregamos ao sermos educados a dividir a vida em fases: nascer, estudar, formar-se, casar, ter filhos, trabalhar, “subir na carreira” e se aposentar (onde morava o imaginário da vida boa e tranquila). Esse modelo não cabe mais na nossa sociedade. Falar sobre os idosos significa preparar QUALQUER PROFISSIONAL para uma longa vida.  Trata-se de repensar o modelo mental para recriar as carreiras fechadas que foram desenhadas apenas para os mais jovens. Trata-se de colocar na pauta este tema, mesmo que seja apenas um primeiro pontapé, como os programas ainda embrionários de algumas empresas que visam contratar pessoas com mais de 55 anos.

“Ah, mas esses programas não passam de ofertas de subemprego para os velhinhos”, dizem alguns. Não importa. Abrir as portas – ainda que seja do atendimento no balcão – para os mais experientes é mudar o estereótipo do mercado de trabalho, acostumado apenas a ver jovens nas lojas, nas lanchonetes, no comércio de uma forma geral. Estou morando nos Estados Unidos por um período e aqui é muito mais comum do que no Brasil encontrar idosos trabalhando – seja nos restaurantes, seja nas clínicas ou nas lojas. Isso porque a busca por profissionais para os serviços há muito tempo deixou de ter o crivo da idade. Portanto, esses estabelecimentos não são considerados mais exceções ou locais especiais – a contratação dos cabelos brancos para essas funções já virou rotina.

Enquanto essa prática não entrar na rotina das empresas, porém, é preciso sim começar por políticas pontuais. A rede Starbucks, no México, por exemplo, anunciou recentemente a abertura de uma loja operada apenas por funcionários mais velhos: entre 60 e 65 anos. A iniciativa ocorreu no Distrito de Coyoacan, na Cidade do México. Os contratados receberão benefícios adicionais aos regulares – como aumento do seguro médico total, dias extras de folga e um dia de trabalho com turno de seis horas e meia – a jornada no México é de 48 horas semanais. No total, o quadro de funcionários soma 14 talentos grisalhos entre baristas, supervisores e especialistas em café, divididos em três turnos. O objetivo da rede é empregar 120 idosos até o final de 2019 no México.

É com iniciativas como essa que começamos a mudar nosso olhar e nosso modelo mental. Enquanto isso não acontecer, vamos continuar dividindo a vida em fases: início, meio e fim de carreira, e apresentar números cada vez mais descolados da nossa sociedade. Por fim, como diz Renato Bernhoeft, um dos pioneiros a trabalhar com transição de gerações e planejamento de sucessão em empresas familiares, “o grande desafio não está no envelhecimento, mas na capacidade de se reinventar” Que nós nos reinventemos — como empresas e como seres humanos.

*Daniela Diniz é diretora de Conteúdo e Eventos do Great Place to Work Brasil e autora do livro Grandes Líderes de Pessoas – a trajetória dos líderes de recursos humanos mais influentes do Brasil. Formada em Jornalismo pela Fundação Cásper Líbero, com MBA em Recursos Humanos pela FIA, atuou por mais de 15 anos como jornalista na Editora Abril.

Entrevista: Empregabilidade dos 50+

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Por Karen Pegorari Silveira

A inclusão de profissionais acima dos 50 anos no mercado de trabalho nunca foi tão comentada como hoje. Empresas criaram processos seletivos específicos para contratarem estes profissionais e outras empresas foram criadas somente com esta finalidade. É o caso da MaturiJobs, uma startup que conecta empresas e profissionais seniores.

Nesta entrevista, o engenheiro de Software e criador da startup, Morris Litvak, conta sobre os desafios e benefícios de inserir esta geração no mercado de trabalho atual.

Leia Mais na Íntegra da Entrevista:

O que as empresas precisam saber sobre os profissionais acima dos 50 anos de idade?

Morris Litvak – As empresas precisam entender que os profissionais 50+ têm muito a contribuir. Além da experiência profissional e de vida, são pessoas com alto grau de comprometimento, responsabilidade e várias outras qualidades, que são complementares às dos jovens. É preciso pensar desta forma e não simplesmente comparar com os jovens. A integração intergeracional e a diversidade etária trazem inovação e qualidade, além de muitos outros benefícios ao ambiente de trabalho. É preciso quebrar os mitos e paradigmas e parar de achar que é normal limitar vagas com idade máxima.

Ao decidir empregar os chamados 50+, quais passos a empresa deve seguir?

Morris Litvak – A empresa deve se preparar antes de contratar. É fundamental levar este assunto aos líderes e gestores, e depois à toda a equipe, para que haja uma conscientização prévia sobre o assunto e o ambiente de diálogo intergeracional seja minimamente criado para tirar o melhor proveito das diferentes gerações, que precisam estar integradas. Depois, entender como e onde ela pode melhor aproveitar o profissional 50+ e buscar essas pessoas em sites como a Maturijobs, deixando todo o preconceito de lado.

Negócios com diversidade de profissionais se diferenciam da concorrência e aumentam seu sucesso, mas na prática quais os benefícios para as empresas e para a sociedade quando profissionais acima dos 50 se inserem no mercado de trabalho formal? Existem desafios?

Morris Litvak – Existem diversos desafios. O preconceito etário pode existir dos dois lados portanto além de preparar a empresa, é necessário que o profissional contratado também esteja preparado (aberto) para lidar com jovens e devidamente atualizado. Entender qual tipo de função essas pessoas podem fazer, diferenciando dos jovens, para que sejam complementares também é importante: o comprometimento diminui o turnover, a responsabilidade diminui o absenteísmo, a atenção e paciência melhoram a qualidade do atendimento, a credibilidade e confiança ajudam nas vendas, e por aí vai. Todas essas são características comumente presentes nos mais maduros, além da experiência. Mas as vezes é preciso ter paciência e sempre dar o devido espaço e voto de confiança para que eles possam mostrar suas qualidades, provendo também possibilidades de atualização contínua.

Como as empresas devem lidar com o conflito geracional? É possível gerar oportunidades através disso?

Morris Litvak – O jovem líder saber como lidar com alguém bem mais velho que ele em sua equipe é sempre um grande desafio, por isso a preparação prévia é essencial, através de palestras, workshops de sensibilização, consultoria, etc. As oportunidades são saber mesclar o que cada um tem de melhor, como já citado, de forma que cada geração aprenda e ensine uma à outra, gerando uma rica troca, extremamente benéfica a eles e à empresa.

Quando uma empresa te procura para contratar profissionais acima dos 50 anos, quais são as principais competências solicitadas?

Morris Litvak – São o comprometimento, responsabilidade e experiência. As posições com mais oferta na MaturiJobs atualmente são: vendas, atendimento ao cliente, administrativo/financeiro e gestão.

Em sua opinião, as empresas brasileiras e seus profissionais estão preparados para receber os 50+? Se não, como todos podem se preparar?

Morris Litvak – Eu diria que pouquíssimas empresas estão devidamente preparadas para isso no Brasil atualmente. É preciso começar desde já a levar este assunto para dentro das formas que falei, pois mais do que uma questão social, este é um assunto estratégico para as organizações, já que o público consumidor e a força de trabalho estão envelhecendo rapidamente no Brasil. As pessoas viverão cada vez mais e estão tendo cada vez menos filhos, e isso impactará profundamente o mercado de trabalho. O quanto antes as empresas começarem a se preparar para isso, mais prontas elas estarão para o Brasil maduro que está chegando, além da tendência de o governo criar incentivos e/ou cotas para isso após a reforma da previdência.

Iniciativas Sustentáveis: Totvs – Gerações que se completam

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Por Karen Pegorari Silveira

Atualmente, o Brasil tem mais de 26 milhões de idosos. Esse número, em 2030, será superior ao de crianças até 14 anos. Já no ano de 2050, os idosos representarão quase 30% da população do país, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por isso, os negócios que já valorizam a mão de obra mais experiente sairão na frente.

Este é o caso da TOTVS, empresa multinacional brasileira de tecnologia que criou o programa Geração Sênior em 2016. A ideia inicial veio do vice-presidente de tecnologia e plataforma, Marcelo Eduardo, e a avaliação tem sido positiva, inclusive alguns dos novos contratados ocupam cargos altos.

O programa surgiu com o objetivo de incentivar a contratação de aposentados na TOTVS e inicialmente não teria distinção entre áreas, mas as primeiras que se propuseram a contratar foram a de suporte e facilities. Por meio desta iniciativa, a empresa já contratou dois profissionais e, além deles, cerca de 160 pessoas acima de 50 anos foram contratadas por meio dos demais processos seletivos.

A TOTVS é uma, entre os 94% de companhias que acreditam que a experiência da terceira idade contribui para o crescimento do negócio, de acordo com estudo da consultoria PwC e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo relata a diretora de RH, Rita Pellegrino, todos os envolvidos no programa foram surpreendidos. “Resolvemos rodar um piloto antes porque nossa população é muito jovem, mas os resultados foram muito positivos! Os profissionais da Geração Sênior possuem uma boa bagagem no mundo corporativo e são comprometidos. Em razão disso, algumas vezes se tornam mentores dos mais novos da equipe. Temos visto os profissionais mais sênior felizes em trabalhar e interagir com as pessoas mais jovem”, diz.

Para a companhia, a diversidade vai além. “Queremos mostrar para a sociedade que requisitos de gênero, formação, idade e outros, são detalhes. Queremos ressaltar a importância de valorizar as pessoas, independentemente desses requisitos”, diz Rita.

Sobre a Totvs

Atualmente, a empresa conta com cerca de 3,5 mil colaboradores na sede em São Paulo, sendo dois mil focados em desenvolvimento e inovação e 7,8 mil ao todo – sendo 60% da geração Y, nascidos pós anos 1980.

Sindicato Responsável: Sindicouro – Saúde e Segurança em Foco

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Por Karen Pegorari Silveira

O setor do couro engloba hoje, no Brasil cerca de 310 Curtumes, 2.800 indústrias de componentes para couro e calçados e 120 fábricas de máquinas e equipamentos. O segmento chega a movimentar US$ 3 bilhões a cada ano e emprega atualmente mais de 50 mil trabalhadores, segundo dados do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB).

Sendo assim, é importante que as indústrias mantenham preocupação com os temas de Responsabilidade Social que envolvem seus trabalhadores, como a saúde e a segurança no trabalho.

Por isso, para apoiar e orientar seus associados nos temas que mais impactam as empresas, o Sindicouro criou um grupo de trabalho com representantes do setor que, juntamente com os representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), fabricantes de máquinas e apoio do SENAI/SP, debatem sobre a Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12), o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e o Risco de Acidente de Trabalho (RAT).

A NR 12 estabelece medidas de segurança em Máquinas, cuja análise de risco e dispositivos de segurança devem ser adotadas na instalação e operação, visando à prevenção de acidentes do trabalho. Já o FAP afere o desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período; e o RAT é a contribuição previdenciária paga pelo empregador, para cobrir os custos da previdência com trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais.

Além deste trabalho, o sindicato também atua fortemente na preservação do Meio Ambiente com investimentos constantes das indústrias do setor e, no final de 2017, retomou a Câmara Ambiental de Couros Peles e Calçados junto a CETESB.

O diretor Executivo do sindicato, Alexandre Luta, explicou que a iniciativa leva em conta a necessidade de otimizar os investimentos das empresas, dando orientações objetivas e segurança jurídica. Com isso, o SINDICOURO espera contribuir para que as empresas e os trabalhadores ganhem em aprimoramento técnico, saúde e segurança no ambiente de trabalho.

Conheça mais ações do Sindicouro no https://www.fiesp.com.br/sindicouro/


Iniciativas Sustentáveis: Pepsico – Atraindo Experiência

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Foto de: joao pregnolato

Por Karen Pegorari Silveira

O Brasil, que por décadas foi considerado um país extremamente jovem, vem acompanhando uma tendência mundial – a da longevidade, o que afeta diretamente o mercado de trabalho, que hoje conta com 7,8% de trabalhadores idosos. Dessa forma, é cada vez mais oportuno que as empresas se preparem para ter estes profissionais seniores em seus quadros, assim como fez a indústria Pepsico, ao implantar o Programa Golden Years.

O programa, criado em 2016, está alinhado às diretrizes de Performance com Propósito – estratégia global de negócios da empresa com metas estabelecidas a curto, médio e longo prazo para os pilares Pessoas, Planeta e Produto. A iniciativa, do pilar Pessoas, promove a diversidade ao abrir espaço para profissionais com mais de 50 anos e contempla principalmente a área de operações, onde se concentra o grande número de vagas.

O processo seletivo do Golden Years segue o modelo já existente na companhia. As vagas são divulgadas externamente e internamente para que funcionários tragam indicações. Para todas as vagas abertas são avaliados também profissionais com 50 anos ou mais que estejam dentro do perfil exigido.

Segundo o vice-presidente de Recursos Humanos da empresa, Mauricio Pordomingo, desde que instituiu sua visão de negócios de Performance com Propósito, a PepsiCo vem se empenhando cada vez mais em promover a diversidade. “Diversidade é um dos principais valores da PepsiCo. A companhia promove uma série de iniciativas para atrair pessoas de todas as idades, gêneros e raças que contribuam para o negócio com suas ideias e experiências de vida. Um time diverso, com pessoas de todos os gêneros, idade, sexo e experiência nos conecta de uma forma mais profunda com o consumidor. É dessa forma que podemos entender os diferentes comportamentos e saber o que os consumidores desejam”, relata o executivo.

Pordomingo relata ainda que a experiência de vida dos funcionários é algo que valorizam muito na companhia. “Cada indivíduo é único e é essa diversidade que nos torna competitivos. Os profissionais contratados pelo Golden Years trazem na bagagem experiência de vida que podem contribuir com o nosso negócio. Além disso, por estarem fora do mercado, esses profissionais retornam com muita disposição, interesse e vontade de pertencer a uma organização, o que é percebido no desempenho de suas tarefas. Tudo isso impacta positivamente os resultados do negócio”, diz.

“Sabemos que existe uma dificuldade de encontrar emprego depois de uma determinada idade e queríamos ampliar as oportunidades. A experiência e a energia dessas pessoas que desejam trabalhar é importante para nossos negócios. O Golden Years colabora para aumentar a diversidade da companhia, o que acreditamos ser um dos nossos grandes diferenciais competitivos”, explica o vice-presidente.

Sobre a Pepsico

No Brasil desde 1953, a empresa de alimentos e bebidas tem no seu portfólio 35 marcas entre as quais estão: QUAKER, TODDY, ELMA CHIPS, entre outras. A companhia conta com 14 plantas e cerca de 100 filiais de vendas localizadas em todo território brasileiro e mais de 13 mil funcionários. Por meio do programa Golden Years já foram contratados 80 funcionários para diversas regiões do país.

 

‘Vamos estimular boas práticas para reduzir pré-conceitos’, afirma diretora titular de Responsabilidade Social da Fiesp e do Ciesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O mundo mudou e agir de modo socialmente responsável não é mais uma escolha por parte das empresas, mas uma questão de sobrevivência. Atenta a essas e outras transformações, a diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, do Núcleo de Responsabilidade Social (NRS) do Ciesp e vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial), Grácia Fragalá, é uma voz incansável na busca pelo fim dos pré-conceitos na indústria paulista. Na entrevista abaixo, ela explica como o debate em torno da sustentabilidade vem ganhando força no setor, numa lógica de ganha-ganha na qual são beneficiados empresários, colaboradores e consumidores.

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Grácia: “A indústria ajuda na geração de trabalho digno, na oferta de ambientes que ofereçam segurança e diversidade.” Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Qual a importância da Responsabilidade Social para a competitividade das empresas?

O mundo passa por transformações importantes do ponto de vista econômico, político, social, cultural. Transformações que geram modelos novos de relacionamento entre os mercados, as organizações e a sociedade. Isso promove uma tendência crescente de aproximação dos interesses das empresas e dos consumidores. Assim, quando pensamos a partir do ponto de vista da competitividade, podemos falar de processos internos, de quando as empresas adotam um modelo mais sustentável de atuação. Outro ponto é o fato de que os produtos estão cada vez mais parecidos e o que faz o consumidor optar por um artigo e não por outro são as práticas sustentáveis e o comportamento corporativo. Se pode escolher, ele vai ficar com a empresa que trabalha com valores nos quais ele acredita.

Como a Fiesp e o Ciesp ajudam a indústria no que se refere à Sustentabilidade?

A Fiesp e o Ciesp têm um papel importantíssimo por estar em São Paulo, onde temos a maior concentração do PIB nacional. Ao estimular as indústrias a seguirem um padrão de trabalho mais responsável, de modo a agir segundo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, nós nos unimos a todos aqueles que já firmaram o compromisso de não deixar ninguém para trás. Agora, os ODS têm no setor privado um parceiro importante para atingir suas metas. É isso que a Fiesp e o Ciesp fazem: colocam as empresas nesse debate. A indústria ajuda na geração de trabalho digno, na oferta de ambientes que ofereçam segurança e diversidade, equidade de gênero, promoção da igualdade social e assim por diante. Nós ajudamos as empresas a adotarem práticas nesse sentido, divulgando e estimulando o que já é feito.

Quais práticas o Cores desenvolve para apoiar o segmento nos temas de Responsabilidade Social?

Do início de 2017 para cá, já organizamos 23 eventos em todo o estado para debater o assunto. Temos o nosso Boletim eletrônico de Sustentabilidade, enviado mensalmente para 15 mil contatos.

Além disso, fazemos uma aproximação com sindicatos e associações, queremos apresentar aos empresários o planejamento estratégico que consolidamos no ano passado sobre esses temas. Queremos capacitar a indústria para trabalhar de modo mais sustentável dentro do seu negócio, desenvolvendo ferramentas de gestão.

E como podemos avançar nesse debate?

Temos tido um apoio incondicional da presidência da Fiesp em relação aos temas de Desenvolvimento Sustentável.

Em paralelo, definimos que, como Sustentabilidade é um tema transversal, buscamos o alinhamento com outras áreas da casa. É o que temos construído agora: visito todos os departamentos e converso com os responsáveis pelas áreas. Inserimos o pilar social nas discussões dos outros departamentos, além da parceria com o Sesi e o Senai.

O que temos em vista daqui por diante?

O Consocial, o Cores e o NRS lançaram recentemente o Guia de Investimento Social Corporativo com o objetivo de orientar e estimular os empresários a fazerem investimentos em projetos sociais, fomentando o desenvolvimento sustentável. Apoiamos operacionalmente a iniciativa do Consocial de unir os empresários em prol da primeira infância e a intenção de criar um Movimento em torno do tema.

A imigração é um tema que também está no radar?

Sim. Como trabalhamos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estamos focados na igualdade social. Dessa forma, levamos o debate às indústrias e mostramos que inserir economicamente um refugiado no mercado de trabalho é uma oportunidade para todos. Nosso objetivo é estimular as boas práticas para reduzir todas as desigualdades e promover a diversidade no meio empresarial.

Iniciativas Sustentáveis: Fortex – Melhor Desempenho

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Por Karen Pegorari Silveira

Ajudar as pessoas que tiveram que sair de seus países e se encontram sem perspectivas de uma vida digna foi o principal estímulo para esta empresa de montagem de cabos eletroeletrônicos contratar mão de obra imigrante. Atualmente, a empresa conta com 38 colaboradores, sendo 2 refugiados e com pretensão de contratar mais.

O processo de contratação destes profissionais contou com o auxílio do Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR), desenvolvido pela Consultoria EMDOC, que ofereceu opções de candidatos com o perfil solicitado pela empresa para entrevista; o passo seguinte foi escolher o candidato mais adequado à vaga e realizar a contratação.

De acordo com o diretor fabril, Samuel Bazilio da Silva, quando decidiram pela contratação destes profissionais, eles não esperavam uma relação direta com o desenvolvimento do negócio. “Já que eles não seriam contratados para cargos estratégicos da empresa, nossas expectativas se voltaram para o lado humano, de trazer experiências de vida diferentes e que pudessem influenciar positivamente aos demais colaboradores da empresa”, relata o executivo.

Porém, a diretora comercial, Joyce Bisaro Riggio, relata que todos foram surpreendidos. “Eles são profissionais com dedicação diferenciada, talvez, pela oportunidade de poder superar a sua história de vida ou pelo simples fato de serem agradecidos. Num primeiro momento, achamos que eles poderiam ter dificuldades. Depois, tivemos a confirmação que, nós brasileiros, somos realmente um povo aberto, receptivo e disposto a ajudar os estrangeiros. Logo nos primeiros dias, os demais colaboradores já estavam interessados em criar laços de amizade e em saber suas histórias de vida e como era cultura de seus países”, conta.

Como desafio os empresários citam a ambientação entre os colaboradores, já que são culturas diferentes e podem se chocar. Já como benefícios eles enxergam a dedicação e empenho, além da vontade de crescer profissionalmente.

Na área de produção da empresa, para onde estes colaboradores foram contratados, foi possível perceber a melhora no desempenho geral do grupo. “É uma área que necessita de muita concentração e estes colaboradores possuem essa característica. Eles foram colocados em posições estratégicas e o grupo passou a seguir melhor este exemplo”, conta a diretora Joyce.

Na visão da Fortex, a Responsabilidade Social é importante para tornar a empresa um lugar mais ético, transparente e humano. “Tornar a Responsabilidade Social uma prática constante contribui com a valorização de nossa marca e enriquece o prestígio de nosso negócio perante a sociedade”, diz a diretora.

Sobre a Fortex

Fundada em 2011, a Fortex Indústria iniciou suas atividades em um pequeno espaço de 40m² e com apenas 2 funcionários. Logo, o know-how de seus sócios na fabricação de chicotes elétricos e na área comercial posicionaram a empresa entre as mais conhecidas deste mercado. Hoje, a Fortex conta com uma área fabril de 500m², maquinário moderno e 38 colaboradores.

Iniciativas Sustentáveis: KS Foods – Oportunidade

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Por Karen Pegorari Silveira

Com o objetivo de oferecer oportunidade para imigrantes e refugiados estes sócios paulistas abriram as portas da sua indústria de pastéis congelados e contrataram 2 profissionais angolanos.

Em entrevista ao Boletim, a responsável de Marketing e Vendas da empresa, Karen Sato, contou que ela e os sócios foram imigrantes no Japão e trabalharam como operários. “Mesmo com estudo em jornalismo e engenharia, o trabalho lá era braçal. Tivemos que deixar amigos, família e a cultura que conhecíamos para nos aventurarmos em um país que pouco falávamos a língua e éramos discriminados; mas que também nos proporcionou oportunidades e um conhecimento com experiências enriquecedoras”, diz.

Após alguns anos dessa vivência no exterior, decidiram então solicitar ajuda ao Programa de Apoio para Recolocação de Refugiados (PARR), desenvolvido pela Consultoria EMDOC, para contratarem os novos profissionais. Uma seleção de pessoas interessadas em trabalhar na indústria alimentícia foi feita e avaliaram todos os candidatos da mesma forma que fazem com candidatos brasileiros. Cerca de 20 pessoas fizeram entrevista pessoal, depois de alguns dias 4 foram selecionados para um teste na produção e em seguida 2 profissionais foram registrados como primeiro emprego em carteira de trabalho aqui no Brasil, com todos os direitos e deveres dos colaboradores brasileiros.

Karen conta que antes dos novos colaboradores entrarem na empresa, a direção conversou com a equipe para que eles fossem tratados com todo respeito e igualdade. “Todos falavam português e a interação foi boa como com qualquer outro funcionário não imigrante”, relata.

Na visão dos sócios, os brasileiros têm um ritmo de produção mais acelerada, estão acostumados com o dia-a-dia de produção de indústria, já os imigrantes, muitas vezes, não têm nenhuma vivência com produção e precisam se acostumar. Em contrapartida, essa diversidade cria um ambiente multicultural e de igualdade muito positivo.

Para os empresários a inclusão social é vista como uma oportunidade de agregar valor à cultura da empresa, a diversidade social. “Contratamos estrangeiros com essa finalidade e há também a reintegração dos colaboradores do sistema penitenciário do regime semiaberto”, conta Karen.

Sobre a KS Foods
A indústria de pastéis congelados iniciou suas atividades em 1995 quando os sócios retornaram ao Brasil e compraram matrículas de feira livre. Com o sucesso nas feiras, expandiram participando de eventos e então ingressaram em uma rede varejista multinacional sendo pioneiro em pastel de feira dentro de hipermercado com 47 quiosques.

Entrevista: Migração, Negócios e a Sociedade

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Por Karen Pegorari Silveira 

A vinda de imigrantes e refugiados ao Brasil traz à tona diversos questionamentos que envolvem os empregos dos brasileiros e a forma de contratação destes profissionais.

Para sanar essas e outras dúvidas conversamos com o Conselheiro Paulo Gustavo Iansen de Sant’Ana, chefe da Divisão de Imigração do Ministério das Relações Exteriores, a fim de esclarecer como as empresas podem ajudar a incluir imigrantes e refugiados no mercado de trabalho e como a sociedade pode se envolver no acolhimento dessas famílias.

Leia Mais na Íntegra da Entrevista:

Por que é importante para os negócios e para a economia brasileira a inclusão de imigrantes e refugiados no mercado de trabalho?

Paulo Gustavo Imigrantes e refugiados representam um ar fresco no mercado de trabalho brasileiro, uma vez que eles chegam com capacidades novas, com grande vontade de empreender, com muita vontade de vencer na vida aqui no Brasil. Há dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mostram que o imigrante e o refugiado, em média, têm uma disposição para o empreendedorismo e para a busca de trabalho normalmente maior do que o trabalhador nacional. Então, a força de trabalho de imigrantes e de refugiados é complementar à força de trabalho brasileira e traz uma nova energia, uma nova movimentação que é positiva para todos.

Existe um mito de que os imigrantes e refugiados podem tirar o emprego dos brasileiros. Qual sua opinião sobre isso?

Paulo Gustavo Não creio que haja, na verdade, uma competição; considero que são esforços complementares. Imigrantes e refugiados chegam ao Brasil com muita disposição para o trabalho e trazem, muitas vezes, uma boa formação acadêmica. O Brasil é um pais reconhecido pela sua capacidade de acolhimento de estrangeiros. Falar de competição, na minha visão, não está correto. Diria que é mais complementariedade do que competição.

Quais os benefícios e desafios para as empresas que empregam mão de obra imigrante?

Paulo Gustavo A recepção de imigrantes e de refugiados pode ser extremamente positiva para o país, sobretudo para o mercado de trabalho. Mas para isso acontecer, é necessário que se possibilite a inserção rápida dessas pessoas no mercado de trabalho, o que contribui para minimizar seu impacto nos sistemas sociais do estado brasileiro. Quanto mais rápido essas pessoas comecem a trabalhar, mais produtivas elas vão ser para o pais, mais contribuições elas poderão oferecer às empresas e menos precisarão do apoio do estado brasileiro. Nesse sentido, a Lei de Migração é importante, porque ela possibilita que rapidamente o refugiado e o migrante possam tirar carteira de trabalho e CPF.

Para as empresas, há pesquisas que informam que um ambiente de diversidade, onde há pessoas de diferentes perfis, de distintas nacionalidades, de diferentes histórias de vida, é positivo para a produtividade da empresa. Isso traz mais motivação para o trabalho, traz novas ideias, traz novas perspectivas sobre processos de trabalho. E isso é muito positivo para todos.

Como o mercado de trabalho brasileiro pode apoiar os imigrantes e refugiados?

Paulo Gustavo A Nova Lei de Migração possibilita que ao chegar no Brasil e se regularizarem, os refugiados e imigrantes já estejam capacitados a trabalhar. Nesse momento, para a contratação, é muito importante o contato das empresas e de suas associações com a sociedade civil, que tem um papel muito importante no acolhimento desses imigrantes e refugiados em sua chegada, e com os órgãos do governo federal e dos governos estaduais e municipais que lidam diretamente com o imigrante para verificar o perfil mais adequado para sua contratação. Recomendo que o setor privado tenha um contato estreito com o Ministério do Trabalho, por meio da sua coordenação geral de migração, que mantenham contato com as organizações da sociedade civil que trabalham no acolhimento de imigrantes e que também fiquem em contato com prefeituras, por exemplo em São Paulo, que tem um centro de atendimento a imigrantes muito bom, o que pode ser muito importante no primeiro contato do imigrante com o setor privado.

Em sua opinião a nova Lei de Migração é um avanço? Quais são os pontos fortes desta nova legislação?

Paulo Gustavo É sem sombra de dúvida um avanço. Um ponto muito importante da Lei é que permite a regularização do imigrante dentro do território nacional, ou seja, um imigrante que está aqui no Brasil não precisa sair para obter uma autorização de trabalho. Ele pode conseguir isso estando já no Brasil, o que não acontecia na Lei anterior. No mesmo sentido, se quiser mudar o status dele, de estudante para trabalhador por exemplo, ele consegue fazer isso dentro do território nacional. Além disso, a nova Lei de Migração, que é uma Lei de vanguarda em termos internacionais, garante uma série de direitos aos imigrantes, refletindo as disposições da nossa própria constituição federal, em relação a direitos humanos, de acesso à educação, de acesso à saúde, a serviços públicos; direito de defesa. Eu diria que é uma lei voltada para inclusão do imigrante no Brasil, o que é muito positivo, porque, se formos ver em termos absolutos, o Brasil é um país muito fechado para estrangeiros de forma geral, sejam imigrantes, sejam refugiados. Menos de meio por cento da população brasileira é constituída por pessoas que nasceram fora do país. Isso em termos internacionais é muito pouco, e há estudos que informam que um certo percentual de estrangeiros na população é um fator positivo para o desenvolvimento do país, porque se está trazendo pessoas novas, em idade produtiva, que podem contribuir para o crescimento do Brasil. A Lei de Migração caminha nessa direção, sem diminuir o controle fronteiriço ou transigir em questões de segurança.  A lei possibilita que imigrantes venham para cá e possam contribuir para o desenvolvimento nacional.

Toda a sociedade brasileira tem que passar por um processo de abertura para o acolhimento de imigrantes e refugiados. Se toda a sociedade caminhar num sentido positivo, os imigrantes e refugiados serão um fator a colaborar para o desenvolvimento nacional brasileiro. Só que, para poderem contribuir, é necessário oferecer condições e, nesse sentido, empregar imigrantes e refugiados é um passo fundamental.

ARTIGO: PESSOAS REFUGIADAS – UMA OPORTUNIDADE DE INOVAÇÃO PARA O SETOR PRIVADO

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Maria Beatriz Bonna Nogueira

Tornou-se recorrente a afirmação que, ano após ano, “o mundo presencia o maior volume de deslocamento forçado desde a II Guerra Mundial”, como reafirma já pelo quinto ano consecutivo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), no ato de lançamento do relatório Tendências Globais (https://goo.gl/Un1Bqm).

Conflitos armados, violência generalizada e graves violações dos direitos humanos levaram mais de 68 milhões de pessoas a se deslocarem contra suas próprias vontades em todo o mundo em busca de paz, proteção e garantia de seus direitos.

No ato da fuga, muitos pertences, relações afetivas e sociais ficam para trás, mas os conhecimentos e experiências que trazem consigo fazem com que as pessoas refugiadas cheguem aos novos países com o potencial de contribuírem para o desenvolvimento de suas comunidades de acolhida.

Sendo o refúgio um status transitório, o permanente é que as pessoas refugiadas buscam formas de se integrar à nova sociedade. Além da experiência profissional, essas pessoas demostram grande determinação para seguir adiante e resiliência para superar obstáculos. Essas capacidades, muito embora não descritas em currículos, normalmente se convertem em grande disposição para o trabalho, assiduidade, comprometimento e potencial inovador.

Ter um emprego é transformador para qualquer pessoa, mas é especialmente crucial para que refugiados possam agregar inovação às empresas, estimular as equipes de trabalho, honrar compromissos e conquistar resultados.

Como, então, refugiados impactam as empresas e a economia?

A dinamicidade da economia possibilita que refugiados possam contribuir para sua elasticidade, pois o ímpeto de quem chega ao Brasil como refugiado traz inovação e foco em resultados justamente por já terem passado por múltiplas experiências profissionais e empreendedoras, assim como por agregar seu capital cultural.

No Brasil, há inúmeros casos de refugiados empreendedores, que não apenas movimentam a economia local, como também contratam brasileiros em suas empresas. Além disso, pessoas em situação de refúgio também exercem diferentes cargos dentro de empresas e indústrias de porte e segmento variados, contribuindo para que resultados sejam atingidos com eficiência, determinação e oxigenação das equipes que passam a pertencem, realmente vestindo a camisa.

Desde o mês passado, a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp) têm promovido, em parceria com o Governo Federal e apoio do ACNUR, o evento “Nova Lei de Migração: uma janela de oportunidades”, onde a legislação brasileira sobre o tema é discutida, assim como são apresentados casos de sucesso em empregabilidade de refugiados por grandes empresas.  Reforça-se no evento que contratação de uma pessoa refugiada enseja os mesmos direitos, garantias e deveres que brasileiros. A cartilha “Contratação de Refugiados e Refugiadas no Brasil: Dados e Perguntas Frequentes” (https://goo.gl/eKvnus) ratifica essa perspectiva. O projeto que originou essa cartilha, “Empoderando Refugiadas”, é um exemplo de engajamento de renomadas empresas que propiciaram uma melhor adaptação às pessoas refugiadas que chegam ao Brasil, possibilitando assim transformar o potencial de saberes em ganhos efetivos.

Ao invés de serem vistos como um fardo para a sociedade, refugiados devem ser percebidos como uma oportunidade para a indústria, serviços e comércio em termos de inovação, força de trabalho dedicada e empreendedorismo. Refugiados não são receptores passivos de ajuda, mas buscam autonomia e autossuficiência e remodelam a atividade econômica em direção a uma maior dinamicidade, adaptabilidade e diversidade de experiências.

O potencial de inovação como diferencial competitivo estratégico

Sendo propositores de transformação e dedicados a cada oportunidade conquistada, refugiados também têm demonstrado uma alta capacidade de adaptação. O fato de terem deixado seus países de origem em busca de sobrevivência já evidencia sua capacidade de superação obstáculos. Estando seguros no novo país, empenham-se em mostrar que são capazes de crescer junto com os desafios que as indústrias e empresas enfrentam no dia a dia.

Ademais, o foco na diversidade no ambiente de trabalho contribui não apenas para a superação da discriminação e da xenofobia, como também a motivação das equipes, acúmulo de novas experiências e incremento dos resultados. Estudos sobre diversidade no mundo corporativo, como o “Diversity Matters” realizado pela consultoria McKinsey (https://goo.gl/gNhu6w), evidenciam que empresas com forças de trabalho mais diversificadas apresentam também melhor retorno financeiro.

Estratégias de promoção da diversidade no setor privado complementam-se às políticas públicas de integração local da população refugiada. Essa sinergia tem aproximado governos federais, locais, empresários e sociedade civil no propósito comum dinamizar a economia, expandir oportunidade e garantir direitos.

Os inúmeros casos de êxito nas contratações de pessoas refugiadas e/ou de suas empresas repercutem em diferentes setores da economia e reforçam a tese de que investir em refugiados é liderar pelo exemplo e acreditar que responsabilidade social, diversidade, inovação e alta performance caminham juntos. Oferecer oportunidades a pessoas refugiadas, integrando-as na cadeia de valor das empresas, reverbera positivamente não apenas para os envolvidos, mas igualmente para as comunidades locais, para os negócios de maneira geral e para o país.

* Maria Beatriz Bonna Nogueira é chefe do escritório do ACNUR em São Paulo. Doutora em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília. Mestre em Estudo de Migração Forçada pela Universidade de Oxford e em Direitos Humanos pela Universidade de Londres (LSE).

Apresentações Evento: Lei de Migração

NOVA LEI DE MIGRAÇÃO: UMA JANELA DE OPORTUNIDADES

Evento realizado dia 20/07/2018 às 8h30

Auditório do 4º andar

  • Luiz Alberto Matos dos Santos – Auditor-Fiscal do Trabalho – Coordenador de Apoio ao Conselho Nacional de Imigração/ Ministério do Trabalho
  • João Marques – Empresa EMDOC e Programa de Apoio para Recolocação de Refugiados – PARR
  • Felipe Vella Pateo – Analista Técnico de Políticas Sociais da Secretaria de Políticas Públicas de Emprego/ Ministério do Trabalho
  • Pe. Paolo Parise – Coordenador da Missão Paz – Ações para empregabilidade e recolocação profissional de imigrantes

SINDICATO RESPONSÁVEL: SINICESP

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Por Karen Pegorari Silveira

Toda empresa pode ter iniciativas de Responsabilidade Social buscando construir uma sociedade mais justa, se preocupando com o próximo, e tomando atitudes que promovam o bem-estar da sociedade e do meio em que vive.

Para colaborar com esta conduta, a política de qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo – Sinicesp norteia suas ações relacionadas à responsabilidade social com objetivo de prestar serviços de qualidade, levando em conta princípios éticos, responsabilidade social e respeito ao meio ambiente sempre focando na evolução das empresas associadas.

Para a realização desse objetivo eles adotaram algumas ações internas simples e sustentáveis que visam otimizar processos e o bem-estar dos funcionários, como por exemplo, a reutilização de folhas de papel sulfite, o descarte correto dos materiais de escritório, programas visando a economia de energia e água, utilização de canecas cerâmicas ao invés de copos descartáveis, aplicação de vacinas gratuitas para os funcionários, entre outras ações.

Buscando compartilhar com as empresas  associadas a motivação e o cuidado que têm internamente, o Sinicesp desenvolveu ações e parcerias, como por exemplo, a firmada com a Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas de São Paulo – ADCE/SP  que promove a elaboração de estudos, pesquisas, cursos, conferências, seminários, congressos, publicações e demais atividades, que contribuem para implementação das linhas de ação estratégicas centradas na pessoa, com base em indicadores da Responsabilidade Social Empresarial  nas empresas.

Segundo o gerente de Relações Institucionais do Sinicesp, Carlos Alberto Laurito, “a atuação do Sindicato voltada ao incentivo e conscientização sobre a importância da implantação de ações de responsabilidade social que desenvolvemos junto às empresas associadas, tem obtido resultados alvissareiros contribuindo sobremaneira para a melhoria da imagem do setor da construção pesada. Esses resultados têm servido como um grande estímulo para continuarmos e ampliarmos o leque de ações e parcerias”, relata.

Na empreitada de auxiliar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, o sindicato tem também o Grupo de Trabalho Sobre a Inclusão da Pessoa com Deficiência, que se reúne periodicamente na sede do sindicato com a finalidade de discutir e trocar experiências sobre a inclusão de pessoas com deficiência no setor, com a participação das empresas associadas que aderiram ao pacto assinado com o Ministério do Trabalho.

Segundo afirma o sindicato, o fruto dessas reuniões é a promoção de palestras relacionadas ao tema, banco de vagas online para a inserção do trabalhador com deficiência no mercado, e lançamento de produtos, como foi o caso do Livro “A Inclusão de Trabalhadores com Deficiência na Construção Pesada”, distribuído gratuitamente com versão acessível e digital.

Ainda no aspecto da inclusão social a entidade tem parceria com o Senai-SP, que facilita a inserção de aprendizes no mercado de trabalho e traz o benefício para as empresas associadas e para o jovem aprendiz.

O Sinicesp ainda faz o acompanhamento da legislação e temas pertinentes e representa o setor em eventos relacionados à responsabilidade social e ambiental, como por exemplo, a ativa participação na Câmara Ambiental da Construção, onde atualizam e levam para discussão temas de interesse de suas empresas.

Para conhecer todas as ações do Sinicesp acesse www.sinicesp.org.br


INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: NESPRESSO – TRANSPARÊNCIA PELA SUSTENTABILIDADE

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Por Karen Pegorari Silveira

O valor compartilhado é mais do que uma nova tendência, trata-se de um novo propósito. Em vista das mazelas sociais e econômicas que ainda persistem no Brasil e no mundo, o valor compartilhado representa a chance de reinvenção das empresas, em diálogo aberto e transparente com a sociedade.

Pensando nisso, a Nespresso, fabricante de café em capsulas, desenvolveu diversas ações para engajar todos os seus stakeholders com o intuito de apresentar histórias reais de pessoas envolvidas na cadeia de produção sustentável do café

Sua campanha de Criação de Valor Compartilhado usa personagens reais e brasileiros como protagonistas de uma campanha para contar as histórias da origem do café. Duas agrônomas, Ana Paula e Gilvânia, e um produtor, Lázaro, contam suas experiências em peças de comunicação on-line e off-line que enaltecem a relevância do Brasil como o maior fornecedor de grãos de café de qualidade para a Nespresso.

Criada com o mote “As escolhas que fazemos”, a campanha enfatiza os principais valores da marca – qualidade e sustentabilidade. As ações 360 incluem as vitrines das lojas brasileiras da marca que trarão fotos dos protagonistas acompanhadas de trechos que relatam suas relações com a marca.

A sócia-diretora da empresa que criou a campanha, Cris Penz, diz que “falar da qualidade do café Nespresso é falar de pessoas. Quando damos voz a quem faz parte da cadeia de produção de café no Brasil, temos a chance de fazer conexões reais com os consumidores. Essa é uma campanha que traduz os valores perenes da marca”, complementa ela.

Pioneira na reciclagem de cápsulas, a Nespresso também inaugurou este mês as visitas oficiais ao seu Centro de Reciclagem. Localizado em Barueri, São Paulo, o Centro estará disponível para visitas do público com inscrições pelo site ou, ainda, por meio do tour virtual.

Com duração de 90 minutos, o programa de visitas envolve a explicação de toda a cadeia de reciclagem Nespresso. O trajeto inclui a visitação da área que realiza, sem água, a separação do pó de café e do alumínio dentro de um maquinário de desenvolvimento próprio.

A gerente de cafés e sustentabilidade, Claudia Leite, diz que atualmente há 54 pontos de coleta para o consumidor da linha doméstica no Brasil. “As cápsulas usadas são coletadas nestes pontos e enviadas ao Centro de Reciclagem por meio de logística reversa. Em 2017, reciclamos 13,3% do total de cápsulas vendidas, um crescimento significativo em relação ao ano anterior, mas temos o compromisso de fazer muito mais”, completa. Atualmente, a Nespresso investe globalmente 25 milhões de francos suíços em reciclagem por ano.

De acordo com o presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Milton Rego, a reciclagem do alumínio alia uma combinação única de vantagens: “O processo de reciclagem do alumínio utiliza apenas 5% da energia elétrica e, segundo dados do International Aluminium Institute (IAI), libera somente 5% das emissões de gás de efeito estufa quando comparado com a produção de alumínio primário. O processo diminui o volume de lixo gerado que teria como destino os aterros sanitários, estimulando a consciência ecológica”, diz.

Com estas ações a empresa pretende ressaltar sua atuação em toda a cadeia sustentável, do grão à xícara e à reciclagem e divulga o compromisso da marca com o tema sustentabilidade. Por meio do programa denominado The Positive Cup, a Nespresso trabalha os pilares como aquisição de café sustentável, gestão do alumínio e gestão eficiente do clima. No pilar alumínio, a meta é chegar a 100% dos clientes uma solução fácil de reciclagem até 2020.

Sobre a Nespresso no Brasil
A marca está presente no Brasil há dez anos e conta com 17 Boutiques nas principais cidades do país.