Na Fiesp, Bradesco conta suas experiências em saúde no 3º Encontro Técnico de Informatização

Como parte da agenda técnica promovida pelo Comitê de Responsabilidade Social (Cores) em 2018, a Fiesp realizou nesta quinta-feira (22 de março) seu 3º Encontro Técnico de Informatização na Saúde em São Paulo.

O evento, que contou com a abertura da diretora titular do Cores e vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp (Consocial), Grácia Fragalá, e do presidente do Consocial, Raul Cutait, teve como palestrante o diretor-geral da Bradesco Saúde, Manoel Peres.

Essa discussão técnica, assim como os dois encontros sociais anteriores, teve como objetivo compartilhar iniciativas do setor privado da área da saúde com a esfera pública. “O controle dos gastos e a organização do setor privado são bastante superiores aos métodos utilizados na área pública da saúde. Sem esse tipo de informação, não é possível organizar nada”, defendeu Cutait.

Na visão do diretor-geral da Bradesco Saúde, Manoel Peres, é essencial o pensamento de um sistema informatizado de saúde estável, com banco de dados e serviços disponíveis e flexíveis online. Segundo ele, é neste sentido que a Bradesco Saúde busca se desenvolver.

Peres traçou um panorama sobre a posição que a seguradora ocupa em relação a outros países e seus principais produtos oferecidos no país. Ele comentou a importância da integração dos sistemas para que a informação do setor traga de fato os benefícios esperados para as empresas ou um serviço específico. “O gerenciamento que oferecemos para empresas leva em consideração uma base sólida de dados, com histórico dos pacientes e a forma da coleta dessas informações”, completou.

Entrevista: Presidente do Consocial fala sobre proposta da Fiesp para gestão da saúde no Brasil

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Por Karen Pegorari Silveira

Com o objetivo de iniciar uma discussão e subsidiar a elaboração de um plano estratégico destinado a construir uma saúde de qualidade para todos no Brasil, além de fornecer elementos para implementação, a médio e longo prazo, através de políticas, normativas e estruturas que cumpram com os propósitos estratégicos e táticos para viabilizar o Sistema Único de Saúde (SUS), o Conselho Superior da Responsabilidade Social (Consocial), da Fiesp, presidido pelo médico-cirurgião Raul Cutait, desenhou uma nova proposta de sistema para o Brasil.

Na opinião de Cutait o acesso à saúde, com qualidade, cria condições para as pessoas serem mais felizes e produtivas, algo positivo não apenas para si próprias, mas para toda a sociedade como um todo.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Qual a principal motivação da Fiesp ao propor um novo modelo de gestão do acesso universal à saúde no Brasil?

Raul Cutait – É nossa percepção, alinhada com a visão do presidente Paulo Skaf, que a FIESP pode gerar importantes contribuições à sociedade civil, graças a sua estrutura, competência plural de muitos de seus membros e capacidade de atrair pessoas que não são obrigatoriamente a ela ligados, em prol de causas sociais motivadoras. Nesse sentido, o CONSOCIAL está desenvolvendo vários projetos, selecionados por seus membros, sendo um deles o da reavaliação do sistema de saúde do país, que interessa diretamente a cada brasileiro. Para esse projeto, temos tido o apoio intelectual de importantes figuras do setor público e privado, além da colaboração de economistas de saúde do Banco Mundial.

Diante dos principais desafios de gestão, financiamento e cobertura do atual Sistema Único de Saúde (SUS), quais seriam as mudanças propostas pelo novo modelo desenhado pelo Consocial?

Raul Cutait – Os principais tópicos são:

1) Implantação de redes. Dentro de atual estrutura descentralizadora da saúde, o município é o ponto final. Contudo, esse modelo tem gerado limitações de acesso e principalmente de qualidade de atendimento, além de problemas relacionados com o financiamento local. Nossa proposta é que em todo o país seja implantado o sistema de redes, congregando regiões geográficas que incluem vários municípios ou, então regiões geográficas de várias cidades grandes, que teriam assim mais de uma rede. Aliás, o conceito de rede já aparece em nossa constituição de 1988 e no estado de São Paulo, assim como na capital, já existe considerável avanço nessa direção. Para essas redes será importante levar em conta os aspectos epidemiológicos de cada região geográfica.

Estamos no presente desenvolvendo um documento a ser oferecido para o setor público que define o funcionamento das redes para, em seguida, lançar uma espécie de manual prático de implantação, com o intuito de ajudar os gestores públicos a administrarem as redes sob sua coordenação. Para tanto, estamos tendo o apoio imprescindível de experientes consultores do Brasil e do exterior.

2) Integração dos setores público e privado. É conhecida a limitação econômica para investimentos na área da saúde, levando à deficiência de incorporação de novas tecnologias, algo que o setor privado realiza com mais facilidade. É preciso pensar, em regiões onde isso favorece o setor público, em se atuar de forma integrada com o setor privado, comprando-se serviços e evitando-se investimentos que podem ser inviáveis ou dispensáveis.

3) Gratuidade do SUS. Este é um tema politicamente difícil, que tem que ser discutido sem paixão ou ideologia. Do ponto de vista pragmático, o fato é que nunca haverá disponibilidade financeira por parte dos governos federal, estadual e municipal para todas as necessidades relacionadas com custeio e investimento na saúde. É hora de se elaborar um árduo e difícil caminho onde cidadãos desprovidos de qualquer atendimento particular sejam atendidos pelo SUS, assim como aqueles com direito a atendimento privado usem o sistema privado. Lembrar que a Constituição fala em saúde como um direito do cidadão e um dever do estado, mas não menciona a gratuidade universal como modus operandi.

O que é preciso para colocar esta proposta em vigor e como seria sua implantação?

Raul Cutait – A iniciativa da implantação de qualquer dessas principais propostas parte, obrigatoriamente, do Ministério da Saúde, que terá que interagir com os poderes estaduais e municipais. Quanto tempo para essas mudanças ocorrerem? Antes de qualquer atitude, elas precisam ser discutidas e aceitas pela comunidade da saúde, entendendo-se que sua implantação certamente ocorrerá ao longo de vários anos. Uma das vantagens que o setor saúde tem em relação a outros é que a grande maioria de seus atores se coloca na posição de membros de um autodenominado “Partido da Saúde”, o que facilita o diálogo e o aprimoramento de projetos ao longo do tempo.

Finalmente, é preciso entender que quaisquer iniciativas pressupõem bons bancos de dados, algo ainda insuficiente no setor saúde, que por isso tem dificuldades para fazer a gestão administrativa e a do conhecimento, esta fundamental para se avaliar a qualidade das atenções de saúde.

Quais benefícios este novo modelo de gestão da saúde traria para o setor industrial e para a sociedade?

Raul Cutait – Uma sociedade mais justa passa, evidentemente, por melhor educação e condições socioeconômicas no mínimo dignas. O acesso à saúde, com qualidade, cria condições para as pessoas serem mais felizes e produtivas, algo positivo não apenas para si próprias, mas para toda a sociedade como um todo.

publicado em 03 de abril de 2018

Artigo: Cobertura Universal de Saúde – Direito ou Aspiração?

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publicado em 03 de abril de 2018

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*André Cezar Medici

A consolidação histórica da aspiração

Desde o fim da segunda guerra mundial, a humanidade aspira consolidar importantes direitos civis, políticos e sociais, entre os quais figura o direito à saúde.  O artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, promulgada pela ainda jovem Organização das Nações Unidas (ONU), enunciava que “Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a saúde e o bem-estar de si mesmo e de sua família, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e serviços sociais necessários.” A meta promulgada pela ONU foi incorporada como artigo da Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS), também criada em 1948: “Todos têm o direito a alcançar o mais alto nível de saúde possível, já que a saúde é um dos direitos fundamentais de todo o ser humano, sem distinção de raça, religião, convicção política, condição econômica ou social”.

Durante pelo menos 30 anos este direito enunciado ficou latente no imaginário social e no discurso de políticos de muitas nações, voltando a ser novamente intensificado como campanha das organizações internacionais nos anos setenta. A assembleia mundial da OMS de 1977 lançou o movimento “Saúde para Todos no Ano 2000”, o qual foi discutido na Declaração de Alma-Ata em 1978 que enfatizou a participação comunitária e a atenção primária de saúde como meios para garantir o acesso equitativo aos serviços de promoção, prevenção, cura, cuidados paliativos e reabilitação.

Mais duas décadas se passaram, e no ano 2000, a ONU convocou todas as nações do mundo para o Millenium Summit, aonde foram estabelecidos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), com algumas ações concretas em direção à universalização de cobertura, tomando como base o ano de 1990 e para serem cumpridas até o ano 2015: redução da mortalidade infantil (a dois terços do valor de 1990), redução da mortalidade materna (a três quartos do valor de 1990), combate a doenças transmissíveis como o HIV-AIDS, malária e outras e acesso da população a medicamentos essenciais. O informe final dos ODM de saúde feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) revelou importante progresso na saúde até 2015, mas em geral as metas não foram plenamente atingidas. A mortalidade infantil (menores de 5 anos), ao nível mundial, se reduziu a menos da metade mas não em dois terços, e a mortalidade materna se reduziu em média a 45%, e não em três quartos[1]. Portanto muito ainda há que se esperar para o alcance das metas para bem depois de 2015.

Durante todo o período em que o mundo se voltava a medir o alcance dos ODM, a OMS arquitetava o compromisso dos países para planejar a transição para a cobertura universal de saúde. Na assembleia mundial da OMS de 2005 um compromisso internacional nesta direção foi acordado e, entre 2008 e 2010, a OMS lançou os relatórios mundiais de saúde dedicados aos temas da atenção primária (2008) e financiamento dos sistemas de saúde (2010), os dois elaborados no âmbito do alcance da Cobertura Universal de Saúde. Na sequência, o Relatório Mundial da Saúde de 2013 aborda o tema da pesquisa para a cobertura universal da saúde, enfatizando os temas de acesso a medicamentos, promoção, prevenção, tratamento e as intervenções de outros setores para o alcance de benefícios em saúde.

Entre 25 e 27 de setembro de 2015, uma nova assembleia da ONU, com a presença de mais de 150 nações, lançou o compromisso mundial com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um conjunto de 17 objetivos com várias metas a ser alcançado até o ano 2030, dentre os quais o terceiro é dedicado ao tema da saúde. O objetivo 3 dos ODS apresenta dez metas que tratam de diversos temas, alguns reforçando o que não foi cumprido entre os ODM[2]. Entre elas se destaca a oitava meta que trata de garantir a cobertura universal de saúde. Esses objetivos começaram a ser implementados em janeiro de 2016 e a distância que separa a aspiração e a garantia do direito é enorme.

Mecanismos para passar da aspiração à garantia do direito

De acordo com a OMS, o alcance da cobertura universal de saúde é importante para que todos os países melhorem a equidade e a sustentabilidade no alcance das metas de saúde para todos – indivíduos e comunidades. Mas isso só se alcança através de processos de organização e gestão sólidos. Um sistema nacional de saúde deve ser organizado em torno das pessoas, instituições e recursos utilizados para melhorar, manter ou restaurar a saúde de uma dada população. Para fortalecer os sistemas de saúde é importante assegurar que o desempenho do sistema incorpore metas de cobertura, qualidade, equidade, eficiência, ética e transparência resiliência (ou capacidade de resposta a situações adversas) e sustentabilidade.

Portanto, ao se falar em cobertura universal de saúde, é importante que se tenha em mente a necessidade de que todos possam receber os serviços sem que venham a sofrer restrições financeiras catastróficas para garantir o acesso. Todos devem estar protegidos para receber o espectro completo de serviços de saúde essenciais e de qualidade, incluindo promoção, prevenção, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. Cabe ao estado garantir a proteção financeira aos que necessitam, através de seu financiamento via impostos e/ou contribuições.

Os recursos para a saúde devem ser administrados de forma a diluir os riscos financeiros associados a doenças, e permitir subsídios cruzados dos mais ricos aos mais pobres, dos mais saudáveis aos doentes, aumentando o acesso a ambos dos serviços necessários e gerando uma proteção contra os riscos catastróficos de empobrecimento.

Observando a história recente dos países desenvolvidos – aqueles que alcançaram ou estão próximos de alcançar a cobertura universal de saúde, observa-se que existem muitos processos ou caminhos pelos quais se pode chegar a este destino. Mas dependendo do que se almeja, pode ser uma utopia inalcançável. A lição a ser aprendida, no caso dos países em desenvolvimento que ainda não alcançaram a cobertura universal, é buscar o melhor benchmarking com os países que já a alcançaram.

Nos países desenvolvidos que já alcançaram a cobertura universal de saúde, se destaca que sua construção foi um processo incremental, e não um “big-bang”. Seu alcance, em geral, ocorreu pari-passu com a sustentabilidade da economia de forma a não comprometer ou retardar o processo de desenvolvimento ou crescimento econômico, procurando ampliar os benefícios em sinergia com os fatores que favoreceram a estabilidade e o crescimento.

Pelo lado da gestão, a maioria dos sistemas de cobertura universal dos países de renda mais elevada, se orientam recentemente pela remuneração dos serviços de saúde associada ao alcance de resultados e não ao pagamento de processos. Boa parte dos sistemas de saúde, para garantir a sustentabilidade dos processos de cobertura universal, se baseiam no que se chama “serviços de saúde baseados em valor” (value based healtcare) que buscam alcançar um triplo objetivo: (i) melhorar a saúde populacional (incluindo neste caso a promoção, a prevenção e o diagnóstico precoce); (ii) melhorar a sustentabilidade do cuidado (de forma a obter o melhor resultado pelo menor preço) e; (iii) melhorar a qualidade da atenção e a satisfação do paciente.

Pelo lado da política, a construção dos sistemas de saúde universal deve respeitar a cultura e a economia política de cada país, buscando envolver todos em sua construção de forma consensual, colocando a satisfação da população e dos pacientes em primeiro lugar. Para tal, deve promover a solidariedade e a coesão social na sua implementação.

Ao longo da história recente, diferentes caminhos têm sido utilizados para a cobertura universal de saúde. Estes caminhos incluem, do ponto de vista do financiamento, fundos da seguridade social, fundos públicos fiscais e fundos privados voluntários regulados e outros. Do ponto de vista da prestação de serviços, se baseiam em redes públicas, privadas ou mistas. Mas em todos os casos, aumenta a presença da regulação pública, com o crescimento do papel do Estado na garantia da cobertura extensa e integral, na garantia da qualidade e na promoção da equidade.

O hiato entre a aspiração e o direito à saúde no Brasil

O Brasil foi um dos primeiros países em desenvolvimento a incorporar, em sua Constituição de 1988, o direito universal à saúde, alcançando reconhecidos resultados ao longo de seus 30 anos de história. Mas sua implementação, em que pesem grandes avanços, tem sido lenta e seus princípios são rígidos frente as necessidades atuais, não permitindo flexibilidade para uma melhor utilização e gestão dos recursos aplicados no setor. Além do mais, o Sistema Único de Saúde (SUS), criado com a Constituição, tem recebido as maiores desaprovações da população entre o conjunto das políticas públicas, de acordo com as pesquisas IBOPE-CNI, o que mostra que se encontra muito distante das aspirações e necessidades da população e dos pacientes.

Questões que devem ser discutidas nos próximos anos para o alcance da cobertura universal de saúde no Brasil passam, pelo menos, por três temas. O Estado deve garantir o financiamento público da saúde para todos ou somente para aqueles que não tem seguros privados de saúde (como os planos de saúde suplementar) e que necessitam de proteção financeira? Cabe ao Estado ser prestador de serviços de saúde, ou deverá ser o Estado simplesmente um regulador, organizador e financiador do sistema de saúde, garantindo sua qualidade, resultados e equidade? Dado que a eficiência dos sistemas de saúde se encontra fortemente associada a escala necessária para a garantia da cobertura, seriam os municípios as instâncias mais adequadas para a gestão dos sistemas de saúde, ou a gestão deveria se basear em instâncias intermediárias como regiões ou redes de saúde, geridas por modelos de parceria público-privada, como as organizações sociais? Estes temas, provavelmente, deverão povoar as discussões das propostas políticas para as eleições nacionais de 2018.

Mas além das possíveis soluções que podem ser trazidas pela resposta a estas perguntas, vale a pena perguntar se a cobertura universal de saúde será sempre uma aspiração ou um direito para a maioria da população mundial. Novas descobertas científicas, inovações em tratamentos e medicamentos acontecem a cada momento e o acesso a elas será sempre diferenciado no tempo e no espaço, fazendo com que a cobertura universal a saúde, no seu sentido integral, seja sempre um alvo móvel. A definição do que dever ser pactuado como cobertura (ou o conjunto de serviços a serem cobertos e negociados entre o governo e a população) passa a ser um dos principais fatores que garantiria que a cobertura universal de saúde possa ser sustentável e não seja uma aspiração inalcançável.

* André Cezar Medici vive em Washington, onde é consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), onde se aposentou, e do Banco Mundial, onde participa de diversos projetos em temas como acreditação de saúde, segurança de pacientes, economia da saúde, reforma de saúde, planejamento estratégico e prioridades de saúde. É graduado em administração pela FGV, com mestrado em economia na UNICAMP e doutorado em História Econômica pela USP, além de cursos de especialização em seguridade social na Universidade de Harvard.

[1] Ver https://www.undp.org/content/undp/en/home/sdgoverview/mdg_goals.html, acesso em 21 de março de 2018.

[2] Os objetivos são: (i) reduzir a taxa de mortalidade materna global para menos de 70 mortes por 100.000 nascidos vivos; (ii) eliminar as mortes neonatais para 12 por mil e de crianças menores de 5 anos para 25 por mil na média mundial; (iii) eliminar as epidemias de AIDS, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas e combater a hepatite, doenças de veiculação hídrica e outras; (iv) reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis, através da prevenção e tratamento, incluindo saúde mental; (v) reforçar a prevenção contra o uso abusivo de substâncias, entorpecentes e álcool; (vi) reduzir pela metade as mortes e os ferimentos por acidentes de trânsito; (vii) assegurar o acesso universal aos serviços e meios, a informação e a educação sobre saúde sexual e reprodutiva e planejamento familiar, de forma integrada com estratégias e programas nacionais; (viii) alcançar a cobertura universal de saúde, incluindo a proteção financeira, o acesso a serviços essenciais de saúde e a medicamentos e vacinas, a preços acessíveis para todos; (ix) reduzir o número de mortes e doenças por produtos químicos perigosos, contaminação e poluição do ar, da água e do solo e; (x) assegurar a implementação do controle e restrição do consumo de tabaco em todos os países.

Fiesp analisa financiamento e governança do sistema de saúde

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Valdir Moysés Simão, ex-ministro da Controladoria-Geral da União e do Planejamento, e George Soares, secretário de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, participaram nesta quinta-feira (15 de março) de reunião na Fiesp que teve como tema Financiamento e Governança do Sistema de Saúde.

Ao abrir o evento, Raul Cutait, presidente de Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp (Consocial), destacou a necessidade de entender o que acontece no governo em relação à saúde, conhecendo os processos decisórios e os gargalos do sistema. Todo o dinheiro, toda a governança deve ter resultado, que é a saúde do cidadão, disse. Cutait defendeu que haja auditorias internas e externas. “Temos que ter controle e temos que ter planejamento estratégico.”

Valdir Moysés Simão, ex-ministro da Controladoria-Geral da União e do Planejamento, disse que saúde é um problema complexo, sem solução fácil. É um serviço essencial, bem indisponível do cidadão, responsabilidade do Estado e dependente da interação entre público e privado, da participação da sociedade, da coordenação dos entes federados.

Estamos muito mal do ponto de vista de governança e gestão, disse, citando ações do TCU para melhorar isso. Os órgãos responsáveis pela saúde terão que entregar ao TCU planos para solucionar os problemas apontados. Uma das recomendações é a transparência dos dados, preservando a intimidade dos cidadãos.

Simão considera imprescindível entender que a governança de saúde extrapola o ministério e as secretarias da área. É preciso considerar outras áreas governamentais e do setor privado que são estruturantes para a saúde, defende. O ambiente extremamente burocrático do Brasil tem impacto na área de saúde, exemplifica.

O cidadão tem papel central, defendeu. Precisamos estimular a participação social. “Mobilizar a sociedade no sentido positivo não é colocá-la contra os administradores”, afirmou. A auditoria, segundo Simão, deveria ser usada para aperfeiçoar o sistema.

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Reunião na Fiesp que teve como tema o financiamento e a governança do sistema de saúde. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Grácia Fragalá, diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp e vice-presidente do Consocial, lembrou na reunião que o secretário de Saúde do município de São Paulo, Wilson Pollara, disse que os recursos existem. Se existem, a preocupação é por que não chegam de maneira adequada para quem precisa, o que as reflexões de Simão sobre governança e gestão ajudam a entender.

Em sua opinião, a governança ampliada terá impacto muito positivo na produtividade e na competitividade, temas caros às empresas. “Estamos começando a puxar o fio de uma grande meada”, afirmou Grácia, “e as discussões de hoje mostram a importância desse trabalho”.

SUS

George Soares, Secretário de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, relembrou os preceitos do SUS, criado porque a Constituição de 1988 estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Ressaltou que nunca foi cumprida a regra de cofinanciamento do sistema. Explicou a evolução das leis sobre a saúde e o que aconteceu a partir da implantação do teto de crescimento de gastos do governo.

O investimento do Brasil em saúde como relação do PIB não é ruim, destacou, ficando até acima da média, mas o histórico do gasto com saúde mostra aumento da participação dos municípios. Raul Cutait disse na reunião que o Consocial realiza estudo para desenvolver regionalização. “Temos que ir no caminho das redes”, disse. A ideia é fugir de modelo em que o município põe mais dinheiro que o previsto e não resolve seus problemas.

Secretário Wilson Pollara fala sobre a saúde na cidade de São Paulo

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

“A saúde como direito de todos e dever do Estado, estando inscrita entre os direitos fundamentais do ser humano”, enfatizou o secretário da Saúde da cidade de São Paulo, Wilson Pollara, durante reunião promovida pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia da Fiesp (Comsaude) nesta sexta-feira (7 de abril), na sede da entidade.

Pollara iniciou o encontro dando um panorama do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, a Constituição de 1988 prevê a saúde como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do País.

“Apesar de tentarmos, o que vemos é muito diferente desta realidade. Então, como tornar realidade o SUS imaginado em 1988? Como tirar o SUS do imaginário e trazê-lo para o real?”

Partindo desse cenário, Pollara explicou que foi feito planejamento baseado no diagnóstico da saúde na cidade de São Paulo. “Sabendo das fragilidades do Sistema, temos que focar na gestão. “Se considerarmos que uma região tem menos de 30 mil habitantes, significa que se tem um parto por dia. Não justificaria ter uma maternidade com estrutura completa para isso. Mas podemos dividir as prioridades por região, onde todos sempre terão atendimento dentro das necessidades.”

Pollara enfatizou a importância de tudo se começar pela Unidade de Saúde Básica, justamente para orientar e fazer melhor toda triagem do paciente. Nesse sentido, o secretário fez uma lista das prioridades primárias a levar em conta: promoção, recuperação e prevenção; classificação de risco, coleta de informações; realizar busca ativa; responsabilizar-se pela população; reuniões de equipes planejamento e avaliação; registro das atividades; identificar e auditar parceiros e recursos e orientar e encaminhar a população.

O plano inclui a redução em 5% da taxa de mortalidade precoce por doenças crônicas não transmissíveis selecionadas, contribuindo para o aumento da expectativa de vida saudável, a diminuição da taxa de mortalidade infantil em 5% na cidade de São Paulo, priorizando regiões com as maiores taxas, e a redução do tempo médio de espera para exames prioritários para 30 dias na cidade de São Paulo.

“Nossa prioridade agora é a Cracolância. Precisamos reconhecer que é um problema de saúde pública, e para ajudar definitivamente estas pessoas, temos que tratá-las como seres humanos de verdade”.

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Reunião do Comsaude da Fiesp teve a participação do secretário Wilson Pollara. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ministro da Saúde ouve na Fiesp sugestões para aumentar eficiência do SUS

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, participou nesta segunda-feira (18/7) de reunião na Fiesp com empresários do setor. No encontro, conduzido por Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, Barros disse que assumiu a pasta para melhorar a gestão do sistema de saúde. “É preciso fazer mais com o mesmo”, afirmou, lembrando que a situação fiscal, que conhece bem por ter sido relator do orçamento da União de 2016, não permite aportar mais recursos.

Na reunião, Skaf destacou a enorme complexidade da saúde no Brasil e pôs a Fiesp, por meio de sua divisão da cadeia produtiva da saúde (ComSaúde) à disposição do ministério. Entrevistado por jornalistas depois do evento, Barros disse que ouviu muitas sugestões, inclusive sobre meios de diminuir o gasto com as compras para o setor. Também recebeu propostas de mudanças de regulação, sempre em busca de eficiência.

>> Ouça boletim sobre a visita de Ricardo Barros à Fiesp

O ministro revelou que está em andamento o projeto de centralização de sistemas de informação do SUS, permitindo a integração de diferentes fontes. Além disso, será preciso ainda melhorar a coleta de dados das entidades que recebem recursos.

Segundo Barros, há um grande desafio na atenção básica. A melhor qualidade das consultas, explicou, permitiria economizar dinheiro. Segundo o ministro, 50% dos exames pedidos no SUS não são retirados, e 80% dão resultado normal.

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Reunião na Fiesp com o ministro da Saúde, Ricardo Barros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na Fiesp, presidente da Confederação das Santas Casas critica defasagem da tabela do SUS

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil) promoveu debate nesta quarta-feira (6/4) sobre a situação das Santas Casas no Brasil e no Estado de São Paulo, além da melhoria do seu sistema de operações.

O coordenador titular do BioBrasil, Ruy Baumer, abriu a reunião falando sobre a atuação do BioBrasil e sobre a importância das entidades médicas. “São responsáveis pela maioria dos atendimentos de saúde no país e são um importante elo na nossa cadeia produtiva. Sem dúvida, merecem nosso apoio”, ressaltou.

“País que caminha para o desenvolvimento investe na saúde”, afirmou o presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) e da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), Edson Rogatti.

Segundo ele a tabela do SUS está defasada há mais de 10 anos, e de cada 100 reais gastos, o hospital recebe somente 60 reais. “Definitivamente isso é uma vergonha pública. No mínimo a remuneração para a saúde deveria acompanhar a inflação”, sustentou.

Rogatti citou algumas dificuldades enfrentadas pelas Santas Casas – entre elas, a falta de dinheiro no orçamento da saúde, o pagamento lançado após a realização de procedimentos e a necessidade de redefinir o teto de repasses de algumas instituições. O perdão das dívidas tributárias não faz diferença, explicou, porque a maior dívida é com os bancos “Tenho certeza que juntos podemos mudar a situação das Santas Casas, e a Fiesp é um excelente parceiro nesta luta”, disse.

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Reunião do BioBrasil de 6 de abril, que teve como tema a situação das Santas Casas. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Orçamento não fecha

O provedor das Santas Casas de Misericórdia de São Paulo, José Luiz Egydio Setúbal, explicou como conseguiu minimizar os impactos quando assumiu a gestão do hospital. “Assim que ocupei o cargo foquei no controle absoluto do caixa”, disse.

Setúbal fez ajustes rápidos das linhas de despesas, como a redução da folha e gestão de suplementos. Substituiu o time gerencial, focou em ganhos de produtividade/ocupação, investiu em tecnologia da informação, renegociou dívidas com o BNDES e CEF e fontes de receita.

No encontro foi unânime o pensamento de que o modelo de gestão da saúde está sucateado e precisa ser modificado o mais urgentemente possível. “Não temos dúvida que o orçamento não está batendo e temos que mudar a má gestão já instalada”, concluiu.

Também participaram da reunião o vice-presidente do Instituto Coalizão Saúde e diretor da Faculdade de Medicina da USP, Giovanni Guido Cerri; o farmacêutico-bioquímico e presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde de Santa Catarina, Tércio Karsten; o diretor executivo do Grupo Lund de Nefrologia, Yussif Ali Mere Junior, e o membro titular da Academia Nacional de Medicina Raul Cutait.