Glossário eletrônico para surdos é premiado no Inova Senai

Giovanna Maradei, Agência Indusnet Fiesp

Entre as categorias premiadas no Inova Senai 2013, uma das mais importantes, sem dúvida, é aquela dedicada aos projetos de Responsabilidade Social. Nela, o grande vencedor foi o Glossário eletrônico de libras/português para surdos, desenvolvido pela Escola Senai Manuel Garcia Filho, de Diadema, na Grande São Paulo.

O Inova Senai ocorreu durante o São Paulo Skills, maior campeonato do ensino profissionalizante do estado, em setembro, na capital paulista. A premiação tem como objetivo criar soluções para diversos setores da indústria, incentivando o empreendedorismo, a inovação e o desenvolvimento de tecnologias.

Responsabilidade Social

Nessa categoria específica, exige-se ainda que o projeto traga benefícios a minorias que enfrentam dificuldades de conviver na sociedade. E esse sem dúvida parece ter sido o objetivo principal do grupo vencedor.

Orientado pelo professor Rafael Costa e composto por cinco alunos surdos, Bruno de Souza Veríssimo, Diogo dos  Santos, Fabio Batista, Jessica de Souza e Juliana Cardoso da Silva e pela professora Geane Botarelli, que ajudou na tradução e revisão do projeto escrito pelos surdos, o grupo responsável pelo glossário afirma que, após a conclusão do projeto, pretendem “disponibilizá-lo para todos os interessados”.

Glossário eletrônico

A criação, idealizada pelos surdos para o seu próprio benefício, também se diferencia pela sua lógica de funcionamento, que ao invés de apresentar uma lista de termos pré-existentes, permite que o usuário crie o seu banco de dados de acordo com as suas necessidades. “A pesquisa é realizada por meio da captura da imagem do sinal ou de um objeto e esse é o seu maior diferencial”, afirma Costa.

Da esquerda para a direita: Juliana Cardoso, Rafael Costa e Jessica Cunha, da equipe do Glossário. Foto: Arquivo Pessoal

A partir da esquerda: Juliana Cardoso, Rafael Costa e Jessica Cunha, da equipe do Glossário. Foto: Divulgação


Um glossário ou dicionário tradicional organiza as palavras em ordem alfabética para as quais são dados significados escritos e, em alguns casos, o sinal respectivo na Língua Brasileira de Sinais (Libras). As pessoas que nascem surdas, no entanto, têm como língua nativa a linguagem de sinais, que não é organizada em ordem alfabética, o que torna o acesso as ferramentas tradicionais bastante complicado e a criação do Glossário eletrônico de libras/português para surdos ainda mais relevante.

Independência para os surdos

Segundo o grupo, a proposta poderá dar autonomia ao surdo para produzir textos sozinhos, sem depender de um intérprete ou de algum familiar que entenda libras e conheça a tradução dos sinais para ajudá-lo e isso foi percebido imediatamente não só pelos desenvolvedores, mas também por todos os que testaram o serviço.

Segundo o professor Costa, ao apresentar o projeto em uma sala de alunos surdos do Senai Manuel Garcia Filho, a reação foi muito positiva. “Eles notaram a importância que teria este glossário na vida deles e as possibilidades de aumentar seu vocabulário, com mais autonomia. Ao término da demonstração, todos perguntaram quando o nosso glossário estaria disponível” disse o orientador.

Para ser finalizado, o projeto ainda precisa de alguns investimentos e por isso mesmo premiações como o Inova Senai fazem tanta diferença “Foi uma ótima surpresa, além de conseguir divulgar a nossa ideia, ganhamos um prêmio importante para escola e para os surdos, que tiveram a oportunidade de mostrar a sua capacidade”, afirmou Costa.