Presidente do Banco Central prevê queda da inflação nos próximos meses

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp 

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Alexandre Tombini e Paulo Skaf durante reunião na Fiesp


O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebeu, nesta segunda-feira (23), a visita do ministro do Banco Central, Alexandre Tombini. Durante a reunião-almoço, os empresários se queixaram da supervalorização do real, que compromete a competitividade da indústria nacional.

“É a indústria que garante os melhores empregos para população e, também, paga os melhores salários. O Brasil não tem interesse de enfraquecer ou colocar em risco o setor industrial”, analisou o presidente da Fiesp, após o encontro.

Segundo Skaf, o ministro se mostrou bastante otimista com a queda da inflação. Tombini admitiu que a tendência inflacionária para os próximos meses deve ser de baixa. “A inflação está cedendo. Os dados revelam isso. Por isso, com esse cenário, não vejo sentido em aumentar os juros. Teria todo sentido começar a baixar”, afirmou Skaf.

Câmbio

Durante o encontro, Tombini e Skaf discutiram a valorização cambial e o impacto negativo sobre a produção nacional. Para o presidente da Fiesp, a valorização do real em detrimento da desvalorização do yuan (moeda chinesa) contribuirá com um déficit de US$ 100 bilhões na balança comercial de manufaturados, em 2011.

Outra preocupação é com o câmbio especulativo, que compromete a competitividade da indústria nacional. “Sugerimos ao ministro que o capital especulativo tenha um tempo de permanência mínima no Brasil. Isso vai fazer com o especulador pense duas vezes em investir no País”, destacou Skaf.

Brasil precisa “abrir os olhos” para evitar a desindustrialização, diz Coutinho

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

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Luciano Coutinho: "O aumento da taxa de câmbio só traz prejuízos para o País". Foto: Vitor Salgado

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta sexta-feira (22) que o Brasil precisa “abrir os olhos” para evitar um processo de desindustrialização, por conta do excesso de importados que entra no País, em detrimento aos produtos nacionais.

Coutinho afirmou que a supervalorização cambial incentivou o crescimento das importações com indícios de concorrência desleal, principalmente entre os setores de máquinas e equipamentos.

“Não podemos jogar a toalha e aceitar o esvaziamento de cadeias produtivas e que uma explosão de importados esvazie, especialmente, as indústrias de bens de capital e mecânica”, enfatizou o presidente do BNDES, durante o evento Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), realizado na sede da Fiesp. Ele ainda ressaltou que o excesso de importações, provocado pelo dólar baixo, já começa a atingir setores tradicionalmente competitivos.

Questionado sobre quais seriam os setores, Luciano Coutinho preferiu não comentar para não causar euforia entre as áreas. “O aumento da taxa de câmbio só traz prejuízos para o País”, argumentou.

Estudo recente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta para um déficit comercial na balança de manufaturados de US$ 59 bilhões para este ano e de US$ 80 bilhões para 2011.

De acordo com Coutinho, as empresas afetadas pela concorrência desleal devem acionar os mecanismos de defesa comercial, previstos pela Organização Mundial do Comércio (OMC). “Temos que proteger a competitividade das empresas e o emprego no País”, concluiu.