Balança comercial paulista registra superávit de US$ 407,4 milhões no 1º tri

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

De janeiro a março deste ano, a balança comercial do Estado de São Paulo registrou um superávit US$ 407,4 milhões. No período, as exportações somaram US$ 13,2 bilhões, um avanço de 9,4% na comparação com os mesmos meses de 2016. Já as importações do trimestre registraram US$ 12,8 bilhões, um crescimento de 5,4% ante o ano anterior. Os dados municipais foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Na análise de cada uma das 39 diretorias regionais (DR) do Ciesp realizada pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, São José dos Campos ficou em primeiro lugar no Estado em volume de exportações, que foram puxadas pelas rubricas de combustíveis minerais, aeronaves e aparelhos espaciais e também veículos automóveis. Foram US$ 2 bilhões entre janeiro e março de 2017, um aumento de 54,9% ante US$ 1,3 bilhão exportados em 2016. As importações, por sua vez, totalizaram US$ 697,6 milhões, 34,5% menos do que no primeiro trimestre de 2016.

Na segunda posição do levantamento, a região de São Paulo alcançou US$ 1,8 bilhão em exportações no acumulado de janeiro a março de 2017, cifra 10,4% menor que o acumulado no mesmo período de 2016, US$ 2 bilhões. Os principais produtos da pauta foram os açúcares e produtos de confeitaria (32,4% do total vendido).

Além disso, a região ficou com o primeiro lugar em volume de importações, com US$ 2,4 bilhões, um crescimento de 9,7% em relação ao importado no primeiro trimestre do ano passado, dessa vez com ajuda das vendas de máquinas, aparelhos e materiais elétricos. A balança comercial da DR de São Paulo teve o quarto pior desempenho entre as diretorias, um déficit de US$ 632 milhões contra um déficit de US$ 204,8 milhões no acumulado de janeiro a março de 2016.

Por fim, a DR de Santos ficou com o terceiro lugar no ranking de exportações, com um volume de US$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2017, 10,7% mais do que foi exportado no mesmo período do ano anterior, US$ 918,9 milhões.

No primeiro trimestre de 2017, o saldo da balança brasileira também ficou superavitária, em US$ 14,4 bilhões, contra um superávit de US$ 8,4 bilhões em 2016. As exportações do país bateram em US$ 50,5 bilhões de janeiro a março, uma alta de 24,4% ante o ano passado, enquanto as importações acumularam US$ 36 bilhões, um crescimento de 12% na análise trimestral.

De acordo com diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, o resultado da balança comercial do Estado reflete a importância de um câmbio equilibrado. “Desde janeiro do ano passado, o real se valorizou mais de 20% ante o dólar, o que já provoca uma recuperação das importações. Por outro lado, seguimos competitivos em exportações de maior valor agregado, como aviões e automóveis. O câmbio apreciado segue um problema brasileiro que compromete as exportações e subsidia as importações.”

Clique aqui para ter acesso ao levantamento na íntegra e à série histórica.

Fiesp quer estimular vendas para a China, diz vice-presidente da entidade em reunião sobre a feira Chimport

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Em vez de apenas importar produtos da China, o Brasil precisa vender mais para o gigante asiático, de acordo com o vice-presidente e coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Elias Miguel Haddad.

“Queremos vender para a China”, resumiu Haddad em reunião realizada nesta terça-feira (13/06) na sede da entidade, convocada para apresentar a feira Chimport na cidade.

“A Fiesp quer estimular as vendas para termos superávit nas nossas relações comerciais e não para sermos invadidos por produtos da China e dos países asiáticos”, explicou.

Haddad: mais estímulo às exportações para a China. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Haddad: Fiesp quer mais estímulo às exportações do Brasil para a China. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A feira Chimport, programada para o período entre os dias 26 e 28 de setembro em Guangzou, tem por objetivo estimular as exportações de empresas do mundo inteiro para a terra da Grande Muralha.

A palestra “A Chimport e suas possibilidades de negócios para a indústria nacional” foi apresentada pelo CEO da ChinaInvest, Thomaz Machado. A empresa representa a feira chinesa no Brasil. “A China foi responsável por 16% das trocas comerciais brasileiras em 2012, é o nosso principal parceiro comercial”, afirmou Machado. “Temos que conhecer o mercado chinês, saber quem é quem e fazer tentativas de vendas. Precisamos conhecer os nomes dos nossos possíveis clientes”, disse. “Há muito desconhecimento dos dois lados.”

Machado destacou a intenção do governo chinês de abrir o mercado para a entrada de produtos importados. Isso porque os chineses são grandes consumidores de artigos feitos em todas as partes do mundo em suas viagens ao exterior. “O governo prefere que esses cidadãos comprem importados na China e deixem os impostos por essas compras dentro do país”, explicou. Assim, conforme o CEO da ChinaInvest, será possível ver, na etiqueta de muitos produtos, nos próximos anos, a expressão “Made for China”, ou feito para a China.

Bolachas portuguesas

De acordo com o CEO da ChinaInvest, a classe média e média alta na China é formada por 460 milhões de pessoas, para uma população total de 1,3 bilhão de habitantes. “Não é preciso vender para todo o país”, explicou. “Na China, muitas vezes, em algumas províncias se tem uma população de consumidores do tamanho do Brasil”.

Machado, da ChinaInvest: governo chinês quer mais importados no país. Foto:  Helcio Nagamine/Fiesp

Machado, da ChinaInvest: governo chinês quer mais importados no país. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Entre as nações que já conseguem bons resultados com o mercado chinês está Portugal. Na pauta de exportações lusitanas destinadas ao gigante asiático estão itens como azeite e até bolachas doces “do tipo Maria”. “Uma única empresa portuguesa tem 30% da sua produção de bolachas voltada para a China”, disse Machado. “Foram 50 milhões de bolachas vendidas para lá em dois anos. A China faz questão de importar alguns produtos, até por questões sanitárias.”

Plataforma de negócios

Segundo Machado, a Chimport é uma evento voltado para a importação, ou seja, para atrair importadores para a China. Nos dois primeiros dias de feira, circularão pelo Pazhou International Trade Expo Hall apenas representantes, importadores, investidores e distribuidores do país asiático, com abertura para o público em geral somente no terceiro dia. “Vamos criar uma plataforma de informação dizendo quem é quem no mercado chinês e expondo os produtos das empresas brasileiras para os chineses”, disse o executivo da ChinaInvest.

No caso da Chimport, são particularmente bem-vindas indústrias dos setores de alimentos, bebidas, agronegócio, moda, casa, construção, tecnologia e saúde.

Aos interessados, Machado lembra que, acima de tudo, é preciso investir em relacionamentos para vender para a China. “Toda negociação lá é fechada à mesa”, explicou. “Os chineses perguntam sobre características pessoais e família, por exemplo.”

Outra dica importante: nunca dispense a ajuda de um bom tradutor. “Certa vez, achando que já tinha mandarim fluente, decidi fazer uma apresentação sem o intermédio da minha tradutora”, contou Machado. “Em dado momento, em vez de dizer ‘eu gostaria de perguntar a vocês’, acabei falando ‘eu gostaria de beijar você’ por uma sutileza na pronúncia”, lembrou.