Senai-SP Superação: ‘O Senai é a uma paixão, tenho prazer em compartilhar conhecimento’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Dos tempos de trabalho na lavoura de café, em que cada intervalo era uma oportunidade de abrir os livros para estudar, com direito a colocar sacos plásticos nas mãos para não sujar nada, ele guarda uma lembrança: era preciso ter muita esperança. Numa época em que o acesso aos estudos era infinitamente menos democrático, quem não acreditasse de verdade desistia. Não foi o que aconteceu com o engenheiro eletrônico e professor da Escola Senai Anchieta, na Vila Mariana, em São Paulo, Erineu Bellline, de 54 anos. De Duartina, no interior paulista, onde nasceu, até a maior metrópole brasileira, ele percorreu um caminho de muito esforço e estudo, encontrando no Senai-SP o incentivo que faltava para se sentir realizado na vida e no trabalho.

Tendo chegado em 1987 na capital paulista, onde sempre sonhou morar, ele conseguiu seu primeiro emprego como professor numa escola particular. “Chegar em São Paulo foi uma aventura, até o idioma parecia diferente daquele que eu falava”, lembra. “Vindo do interior, dava bom dia até para poste, foi difícil no começo”.

Em 1995, participou de uma seleção, foi escolhido e começou a dar aulas na unidade da rede na Vila Mariana. “Nessa época o Senai já era uma instituição forte, era difícil entrar”, conta.

Em paralelo, começou a trabalhar em indústrias nos horários livres. Hoje, segue como consultor de empresas e professor. “Trouxe conhecimentos da indústria para cá e daqui para lá”, diz. “Mas o Senai é a uma paixão, tenho prazer em compartilhar conhecimento”.

Um prazer tão grande que o fez dizer não a vários convites para trabalhar com manufatura em tempo integral. “Eu já escolhi o Senai mais de uma vez, não abriria mão do que faço aqui, mesmo sendo para ganhar melhor”, conta.

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Erineu dando aula na Escola Senai Anchieta: nem pensar em sair da instituição. Foto: Divulgação

Isso por se sentir presente e relevante em seu ambiente de trabalho. “Quando se tem uma equipe de verdade, as coisas acontecem”, diz. “Tenho sempre a sensação de que não posso amarelar, não quero passar por aqui como se nada tivesse acontecido”.

Nesse ponto, o envolvimento de Belline incluiu participação ativa na implantação do primeiro curso superior da escola: Tecnologia em Eletrônica Industrial, no qual é professor. “O Senai é a minha casa”, diz.

A sua casa e um lugar no qual muitos têm nele uma referência. “Aqui já fui uma espécie de padre e psicólogo de vários amigos e alunos, tento ajudar se me procuram para resolver algum problema”, diz.

Ele é famoso ainda pelas suas participações nas festas de formatura da unidade, nas quais costuma encerrar seus discursos cantando e, claro, fazendo a alegria das plateias. “O ser humano só se liberta quando tem acesso ao conhecimento”, diz. “O Senai liberta porque ensina”.

Nessa linha, seu lema de trabalho e de vida é uma reflexão do filósofo Sócrates: “Existe apenas um bem: o saber. E apenas um mal: a ignorância”. “Sempre acreditei na educação, fui uma criança muito esperançosa, por isso conseguia estudar em cada intervalo na roça de café, com sacos de plásticos nas mãos para não sujar os livros”, lembra.

Uma lembrança boa dessa época, além da esperança que era para ele um combustível para mudar de vida? “Nunca vou esquecer da época da florada do café: a plantação fica branca e o perfume é dos melhores que eu já senti”, conta.

O cheiro do café e as memórias das primeiras aulas que deu, para boias-frias na igreja católica de Ubirajara. “A igreja precisava de mais fiéis e nós trouxemos os boias-frias para rezar o terço e aprender a ler”, conta. “Foi quando eu descobri que queria mesmo ensinar, o mesmo comprometimento que eu tenho até hoje no Senai-SP”.

Senai-SP Superação: ‘O Senai é uma ONU, integra todo mundo’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O que não faltam são histórias para contar. Desde 1972 morando no Brasil, para onde se mudou com a família vindo de Taiwan, seu país natal, o professor e técnico de Ensino do Senai-SP Wan Chi Ming, nunca imaginou que a sua vida pudesse se transformar tanto. Aos nove anos, já era funcionário da pastelaria aberta pelo seu pai em Suzano (SP), onde trabalhou até os 24. Foi quando decidiu estudar Gestão em Processo de Produção pela Fatec. O sonho de estudar Medicina foi abandonado pela dificuldade com o idioma, que o impediria de passar no vestibular da Fuvest. Mas quem o vê hoje, dando aulas ou circulando pelos corredores da Escola Senai Francisco Matarazzo e Faculdade de Tecnologia Antoine Skaf, voltadas para a indústria têxtil e instaladas no bairro do Brás, em São Paulo, não consegue imagina-lo de jaleco num hospital.

“Até o colegial tinha muita dificuldade com o português”, conta Ming. “Nunca repeti de ano, mas precisava decorar os conteúdos para passar nas provas”. E assim foi até os tempos da Fatec. “Era muito difícil escrever um parecer técnico”.

As coisas só começaram a melhorar nesse sentido quando ele se matriculou num curso do Senai-SP de costureiro industrial. “Na sequência, fiz todos os cursos de modelagem oferecidos”, lembra. Não saiu mais da instituição, para a qual foi consultor antes de ser convidado a começar a dar aulas. “O Senai-SP é uma ONU, integra todo mundo”, diz.

Sentindo-se apoiado, Ming conta que enfim conseguiu aprender a fazer pareceres técnicos no Senai. “Tive muita ajuda, o suporte que não encontrei em lugar nenhum antes”, diz. “Nunca me senti tão acolhido”.

Uma sensação que não se restringe à força para aprimorar o português. “Sendo estrangeiro, já sofri bullying e me senti excluído, o que nunca aconteceu dentro da escola”, conta. “Até porque aqui temos alunos de todos os perfis: judeus, muçulmanos, japoneses, coreanos, gays, transexuais”, afirma. “Um cuida do outro e todos cuidam de todos”.

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Ming e sua história de superação no Senai-SP: “Um cuida do outro e todos cuidam de todos”. Foto: Divulgação

Hoje, não consegue se imaginar sem o seu trabalho, para o qual dedica as suas tardes e noites, das 13h às 22h, de segunda a quinta, com mais aulas aos sábados. “Não consigo imaginar a minha vida sem o Senai”, conta. “Me peçam tudo, mas não me tirem as minhas aulas, gosto de gente”.

Hoje pai de dois jovens, um de 20 e outro de 16 anos, ele diz ter levado para casa e para a educação dos filhos a noção de compromisso e carinho com aquilo que se faz. “Isso e mais a vontade de superar, de crescer”, afirma.

Quem o vê tão confiante e feliz, não tem a menor dúvida de que ele diz a verdade.


Senai-SP Superação: ‘Me sinto realizado ao ver os meus alunos fazendo sucesso’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A cada caminhão de areia carregado com a ajuda da enxada, crescia a vontade de mudar de vida. Aos 17 anos, ele já sabia até como isso seria feito: fazendo a matrícula em algum curso do Senai-SP em Lençóis Paulista. A questão era conseguir levar o plano adiante sem comprometer as finanças da família, que dependiam do seu trabalho para fechar as contas da casa. A solução veio quando a mãe se ofereceu para ficar no seu lugar durante um turno, de modo que ele pudesse estudar. E assim foi feita a matrícula no curso de Desenho Técnico Mecânico que há tempos estava no radar do hoje instrutor de Formação Profissional do Senai-SP em Bauru, Alessandro Junior Bento.

“Comecei a trabalhar com o meu pai aos 11 anos”, diz Bento. “Nessa época, um amigo do colégio me falava muito do Senai, por isso eu sempre quis estudar lá”.

Assim, ele não perdeu tempo quando a mãe se ofereceu para encher o caminhão de areia em seu lugar todos os dias, na primeira viagem da manhã. “Quando ela chegava em casa, eu já tinha voltado e estava com o almoço pronto”.

O passo seguinte foi emendar o curso de Desenho Mecânico com o de Mecânica Geral. “Foi quando consegui um emprego e passei a dar aulas no Senai à noite”.

O movimento de mudança foi além de Bento, mexendo com toda a família. “Meu pai e meu irmão também se matricularam no Senai, foram estudar Marcenaria”, conta. “Meu pai chegou a ser instrutor da escola de Macatuba e meu irmão é funcionário da instituição em Lençóis Paulista até hoje”.

Em 2003, apareceu a oportunidade de prestar um concurso para uma vaga de instrutor na unidade do Senai de Bauru, no qual Bento foi aprovado. “Com muito orgulho, tive a oportunidade de ajudar a preparar três alunos para as provas da WorldSkills, que é a olimpíada mundial do ensino profissionalizante”, diz. “Dos três, um conseguiu uma medalha de bronze na Finlândia, em 2005, outro um diploma de excelência no Canadá em 2009 e o terceiro uma medalha de prata na Inglaterra, em 2011”.

Para ele, uma das maiores motivações profissionais é justamente acompanhar o desenvolvimento de jovens que um dia sonharam em fazer carreira no Senai como ele. “Me sinto realizado ao ver esses alunos fazendo sucesso e ajudando as suas famílias”, afirma. “Aprendi tudo aqui, os valores que tento passar para os meus dois filhos, Bruno e Felipe”.

Entre esses valores, estão a conquista pelo esforço e pela persistência. “Procuro estar sempre motivado, gosto de ver os resultados do meu trabalho”.

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Alessandro: “Procuro estar sempre motivado, gosto de ver os resultados do meu trabalho”. Foto: Divulgação

Entre esses resultados, está o exemplo dado aos filhos. O mais velho, Bruno, estudou Mecânica de Usinagem no Senai em Bauru. Hoje, aos 20 anos, está no terceiro ano de Engenharia. O caçula, Felipe, de sete anos, é aluno do Sesi-SP. “Também está encaminhado”, diz o pai. “Acorda sozinho todos os dias para ir para a escola, é independente”.

No saldo de tantas conquistas, prevalece a gratidão. “O Senai-SP mudou a minha vida e a da minha família”.

Senai-SP Superação: “Eu não era melhor do que ninguém, só tinha o esforço”

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A hora da decisão veio aos 14 anos. Era ficar na roça, trabalhando por ali mesmo, como fazia o pai, ou sair de Valetim Gentil, a 540 quilômetros na capital, e estudar numa escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) em São José do Rio Preto. A dica veio de um amigo e, aproveitando o fato de que na época a instituição oferecia auxílio-moradia aos alunos com renda familiar menor, ele fez as malas e partiu. Não se arrepende e, até hoje, o Senai-SP faz parte da sua vida, onde trabalha há 29 anos e, atualmente, é instrutor de formação profissional.

Trabalhando com alunos dos cursos de Mecânica Geral, Técnico em Mecânica e Tecnólogo em Processos de Produção na Escola Senai Roberto Simonsen, no bairro do Brás, em São Paulo, Valter Siarpelleti nunca perdeu o encantamento com o local em que bate ponto todos os dias. “Comecei fazendo um curso de Mecânica Geral que hoje se chama Mecânica de Usinagem”, lembra Siarpelleti. “E fiz a minha vida aqui”.

Depois de passar por algumas indústrias, primeiro em Fernandópolis e depois na capital paulista, o instrutor achou boa a sugestão do irmão, que viu o anúncio do processo seletivo para dar aulas de retificação. “A escola aqui no Brás estava cheia no dia da seleção”, diz.

No início, as aulas eram dadas somente no horário noturno até que, em 1996, ele passou a ser 100% do Senai-SP. “Meu destino estava aqui”, conta. “A minha história não seria a mesma sem o Senai”.

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Valter Siarpelleti: “A minha história não seria a mesma sem o Senai”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


De acordo com Siarpelleti, o “rigor do ensino” e “o respeito que os professores impunham” o fizeram aprender, desde os tempos de aluno, a ter foco e disciplina. “Por isso tenho tanto orgulho dos alunos que vencem na vida, é isso que me faz sentir que fiz um bom trabalho”, conta. “Me vejo neles: eu não era melhor do que ninguém, só tinha o esforço”.

Hoje casado e pai de um homem e uma mulher, até tentou que os filhos quisessem trabalhar na instituição, mas respeitou os caminhos dos dois, da filha Natalia, tecnóloga em Oftalmologia, e do filho, Vitor, estudante de Engenharia de Produção. “Só peço que eles não parem de estudar e tenham força de vontade”, conta. “Só cheguei até aqui porque tive muita vontade de vencer”, diz. “E porque tive, no Senai-SP, um esteio na minha vida”.

Senai-SP Superação: ‘Ganhei conhecimento e reconhecimento’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Ela sempre achou que viveria entre números. Estudante de Administração, se via trabalhando em algum banco ou corretora. Não foi o que aconteceu, nunca houve uma oportunidade. Obesa mórbida na época, a hoje professora do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) simplesmente não conseguia emprego. Ia bem nas provas escritas e testes gerais, mas nunca tinha retorno depois das entrevistas. Até o dia em que o proprietário de uma confecção no Bom Retiro, na capital paulista, resolveu contratá-la como assistente. Nada mais seria como antes.

Dessa experiência de trabalho, ela foi para uma outra confecção, em Pinheiros, onde tomou conhecimento do curso técnico de vestuário do Senai-SP, na Escola Senai “Francisco Matarazzo”, especializada em indústria têxtil, no Brás, na capital paulista. “Peguei R$ 30 emprestados com a minha mãe para me inscrever na seleção do curso”, lembra Fernanda.

Aprovada e matriculada, não demorou a receber o convite de um professor do curso para trabalhar na consultoria que ele tinha além das aulas na instituição.

Cada vez mais envolvida com o setor têxtil, o passo seguinte foi ser convidada para dar aula no próprio Senai-SP, primeiro prestando serviços e depois conseguindo ser efetivada com carga horária de 20 horas semanais. Depois, chegou ao patamar em que se encontra hoje, com 40 horas semanais e responsável por disciplinas como Logística 1 e 2, Planejamento Estratégico, Projeto Integrado, Gestão da Produção de Vestuário e Gestão de Negócios da Moda. Isso nos cursos de graduação e pós da Faculdade de Tecnologia Senai “Antoine Skaf”, também no Brás, nas mesmas instalações da escola da instituição no bairro.

“Aqui no Senai-SP o que interessa é o conteúdo”, disse Fernanda. “Sempre fui reconhecida pela minha dedicação aos estudos, sendo do jeito que eu fosse”.

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Fernanda Marinho: reconhecimento pela dedicação aos estudos no Senai-SP, sendo do jeito que fosse. Foto: Everton Amaro/Fiesp


A possibilidade de crescimento que a professora encontrou na instituição veio para reforçar uma história de crescimento pessoal que veio da família em que nasceu. “Meu pai morreu quando eu tinha 16 anos, de acidente de carro”, conta. “Minha mãe, que não trabalhava, começou a fazer faxina para me ajudar a pagar a faculdade”, disse. “Eu também fiz trabalhos variados com esse objetivo, como tomar conta de crianças”.

De esforço em esforço, ela encontrou o seu lugar no Senai-SP. E hoje ajuda a mãe, que não trabalha mais, e está pagando as prestações da compra do seu primeiro imóvel, um apartamento em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo. “Não teria conseguido fazer um décimo do que eu fiz se não estivesse no Senai”, afirma Fernanda. “Ganhei conhecimento e reconhecimento, construí uma carreira”.

Para ela, as equipes da escola e da faculdade da instituição voltadas para o setor têxtil trabalham no melhor clima “de família”. “Somos muito unidos e é nessa união que está a nossa força”, explica. “Aqui há respeito pelas pessoas e todos trabalham para oferecer a melhor formação possível aos alunos”.

Aos seus estudantes e a todos os interessados em fazer carreira no Senai-SP, Fernanda recomenda dedicação e proatividade. “Entrem como alunos, estudem, conheçam a cultura da instituição, entendam o carinho com o qual a gente trabalha”, diz. “As oportunidades virão. Não me vejo fora daqui”.


Senai-SP Superação: ‘Me mandavam parar e eu não parava’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Professor da Escola Senai João Martins Coube, em Bauru, Ezequiel Martins Vieira nunca conheceu aluno mais determinado. Humilde, cheio de vontade e muito ligado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Thiago Augusto Blanco da Costa tinha uma meta e dela não desistiu. Disposto a superar todos os resultados já obtidos pela instituição na modalidade de Aplicação e Revestimento Cerâmico na WorldSkills, maior competição da educação profissional no mundo, ele não parou até chegar lá, levando a medalha de ouro na prova em 2015, quando a disputa foi realizada na capital paulista, com estudantes de mais de 50 países.

“O Thiago é muito focado, largou tudo para se preparar para a WorldSkills”, lembra Vieira.

Tendo ingressado no curso técnico de Edificações da unidade de Bauru em 2012, ele queria realizar o sonho do avô, Manoel, que sempre quis ser engenheiro. “Estudar Edificações seria o primeiro passo para isso”, diz. “Meu avô chegou a entrar na universidade e estudar por três anos, mas não conseguiu se formar. Queria ser um reflexo dele, atingir esse objetivo”, conta ele, hoje estudante de Engenharia.

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Thiago: estudante de Engenharia para realizar um sonho que era do avô e hoje também é dele. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Em seu segundo mês como aluno do Senai-SP, Thiago foi estimulado pelos professores a se preparar para as competições na área em âmbito estadual (São Paulo Skills), nacional (Olimpíada do Conhecimento) e internacional (WorldSkills). Não parou mais. “Treinei um ano direto para a Olimpíada do Conhecimento, mesmo pegando dengue duas vezes e sentindo dores fortes no nervo ciático nesse período”, lembra. “Além disso, tinha que lidar com a cobrança da minha mãe para trabalhar e ajudar nas contas da casa”, diz. “Me mandavam parar e eu não parava”.

No topo entre os alunos brasileiros na sua modalidade, com a medalha de ouro, só restava encarar a disputa internacional. Com o apoio do Senai, ele ficou um ano em Brasília (DF) se preparando para o torneio. “Tinha passagens para voltar para casa a cada 15 dias, mas voltava uma vez por mês ou a cada dois meses, para não me desligar muito do treinamento”, diz. Uma jornada que ia das 7h às 22h de segunda a sexta e das 7h às 17h aos sábados.

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Thiago no pódio da WorldSkills 2015: poucas pausas no treinamento e foco na vitória. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Vitória alcançada, foi contratado como trainee pelo Senai-SP. Além de pagar a faculdade de Engenharia, já conseguiu comprar um carro e uma moto. “O Senai me deu base para tudo: minha maturidade hoje é outra, penso antes de fazer as coisas”, diz. “Gosto muito do lema da instituição, que procuro seguir: “sei fazendo, faço sabendo”.

Testemunha dessa história de superação, o avô Manoel Anastácio Blanco, funcionário público aposentado e corredor de maratona aos 84 anos, conta que nunca precisou dizer “faça isso ou faça aquilo” aos seus herdeiros. “Ele sempre se espelhou na gente”, diz. “A minha filha, mãe dele, não teve a oportunidade de estudar, mas lutamos para proporcionar isso a ele”.

Um conselho para o neto? “A vida é curta, a gente precisa aproveitar cada momento”. O futuro engenheiro tem consciência disso: “Quando quero alguma coisa, não desisto até conseguir”.






Senai-SP Superação: ‘Cabe a cada um enfrentar os desafios’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Não dá para ficar sentada lamentando”. Não é preciso mais de cinco minutos de conversa com a instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) Gilvani Tavares Costa para ter certeza de como essa postura diante da vida é seguida à risca. Funcionária da Escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo, no Tatuapé, na capital paulista, especializada em construção, ela dá aula de pedreiro/assentador e também no curso de Construtor de Edificações. E tem a sua história pessoal de superação ligada a tudo o que viveu nos corredores da unidade, onde ingressou em 2007, como aluna.

Hoje com 27 anos, Gilvani sempre se imaginou trabalhando com mecânica. Mas achou boa a dica de uma amiga de tentar uma vaga no curso de Construtor de Edificações da escola da instituição no Tatuapé. Um ano depois, já estava treinando para participar da Olimpíada do Conhecimento, em 2008, ficando em terceiro lugar na modalidade de Jardinagem e Paisagismo da competição.

Foi a escolha certa, até porque, participando da disputa, ela teve o apoio do Senai-SP com o pagamento das passagens de ônibus para os deslocamentos por conta dos treinos. “Meu pai nunca teria condições de pagar um curso como o que eu fiz no Senai”, conta. “Aliás, ele não tinha dinheiro nem para as passagens, que eu consegui por conta da Olimpíada”.

Gilvani é filha de um ex-cortador de cana de Pernambuco, mais precisamente da cidade de Barreiros. Com a saída da mulher de casa, ele se viu sozinho com três crianças para cuidar. Terminou indo viver com o trio na capital paulista, onde estão até hoje. E onde foram, aos poucos, progredindo. Atualmente morando no Parque Ermelino, na Zona Leste da maior cidade do Brasil, a família vai se mudar, em dezembro de 2017, para um apartamento novo que está para ser entregue no bairro da Penha, também na Zona Leste.

Além de dar aulas no Senai-SP, Gilvani se forma, no final deste ano, em Arquitetura. Sua irmã, Giselle, também ex-aluna e instrutora da instituição, cursa Engenharia. O irmão, Gabriel, trabalha com o pai, prestando serviços de pintura automotiva. “Sempre fomos uma família muito unida”, diz. “Ele nunca teve a ajuda de ninguém para nos criar, um cuidava do outro”.

Com o senhor Isaías, ela aprendeu valores que ajudaram a escrever a sua história de superação. “O meu pai me ensinou a respeitar os outros, a amar o próximo e a correr atrás dos nossos objetivos”, explica. “Incentivou e ainda incentiva os nossos estudos”.

Em casa 

É também em família que Gilvani diz se sentir nos corredores e salas de aula do Senai-SP. “Aqui cresci do ponto de vista profissional e pessoal”, conta. “Me capacitei, consegui um trabalho, tive a chance de proporcionar uma vida melhor para o meu pai e para os meus irmãos”, diz. “Me sinto amparada, em casa”.

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Gilvani na escola do Senai-SP no Tatuapé: "Me sinto amparada, em casa".


Diretor da escola no Tatuapé, Abilio José Weber retribui o carinho. E a admiração. “A Gilvani sempre chamou a atenção pela garra”, afirma. “É muito bom poder acompanhar uma transformação assim na vida de alguém”, diz. “E contar com profissionais que dão o máximo pela instituição”.

Para Gilvani, é tudo uma questão de aproveitar as chances que são oferecidas a cada um. “O Senai-SP te dá oportunidades”, conta. “Cabe a cada um se superar e enfrentar os desafios”.




“Competência não é só resultado”, afirma palestrante no Congresso de Empreendedorismo do Ciesp

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

A competência não é sinônimo de resultado, mas é diretamente proporcional a ele, explicou o professor Eugênio Mussak durante sua palestra no 12º Congresso Estadual de Empreendedorismo NJE-Ciesp, na tarde desta sexta-feira (25).

A fórmula da competência operacional de uma empresa, por exemplo, é avaliada por um coeficiente, uma divisão. Essa equação da competência é o resultado sobre os recursos, ou seja, ela será mais competente quanto maior for o resultado entregue, e todo trabalho tem alguma expectativa de resultado.

“O serviço público no Brasil demora demais para entregar resultados e cobra muito caro por isso. É preciso construir um país dentro dessa equação, não adianta cobrar só do governo central, nós precisamos fazer a nossa parte também”, comentou Mussak.

Sobre o resultado, Mussak disse que existem quatro variáveis que precisam ser analisadas: a quantidade, a qualidade, a sustentabilidade e a progressividade. “Por incrível que pareça, olhar o resultado é mais fácil do que olhar a parte de baixo da equação. Precisamos alavancar os recursos da parte de baixo.”

Em relação à competência, o palestrante explicou que ela pode ser dividida também em quatro grupos: o saber fazer, saber organizar, saber conviver e saber aprimorar. “Hoje a competência está muito ligada à boa utilização do tempo. Os bons gestores são, acima de tudo, bons gestores do tempo”, analisou Eugênio Mussak.

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O professor Eugênio Mussak em palestra no 12º Congresso Estadual de Empreendedorismo NJE-Ciesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Pedagogia da superação

José Luiz Tejon tem uma história pessoal de superação. Filho de pais adotivos, teve seu rosto queimado ainda criança por um acidente doméstico, passou por muitas dificuldades, mas hoje alcançou sucesso no que faz.

Em sua palestra “Pedagogia da Superação: o poder da educação na construção do sucesso humano, com ou sem crises”, Tejon afirmou que para cada um de nós o maior legado na superação é aprender a aprender. “Isso significa eternamente a busca por sua criança interior”.

Para ele, a superação é ensinar sobre o poder do olhar. “Um novo líder tem que ser o novo educador. O desafio é a busca da pedagogia da superação: como aprendemos e como ensinamos a superar?”, questionou.

Tejon explicou que estudou casos de superação e casos de pessoas que não superaram. Desses estudos, o professor levantou alguns pontos de como ter sucesso na superação: o limiar de dor, a relação entre pessoas que se fazem de vítimas e aquelas que assumem uma postura de protagonistas, talentos e habilidades, atrair ajuda, ser amável, ter engajamento e profundidade, capacidade de amar, poder de estabilização, emocional, foco priorizado em valores. Todos os fatores que, de acordo com ele, mantêm viva a criança que há dentro das pessoas.

“Para mim, tudo deu certo por causa do processo da educação. Meu desafio hoje é ensinar a superação para as pessoas”, finalizou Tejon.

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José Luiz Tejon falou sobre pedagogia da superação no Congresso de Empreendedorismo do Ciesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Personalidades da arte e do esporte dão exemplos de superação

Rosângela Bezerra, Agência Indusnet Fiesp

Superar paradigmas é um dos desejos de muitas de pessoas que se depararam com situações que mudaram suas vidas como, por exemplo, sofrer um acidente ou ser portador de alguma deficiência física.

Uma história emocionante de superação é a do locutor esportivo Osmar Santos, que por causa de um grave acidente de automóvel ocorrido em dezembro de 1994, perdeu a mobilidade do lado direito do corpo e teve sua fala afetada. Ele é considerado um dos ícones do rádio e ficou conhecido por uma de suas expressões ao narrar jogos de futebol: “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”.

“E que gol. Boa tarde, tudo bem”, foram algumas das palavras pronunciadas pelo ex-radialista, muito aplaudido na tarde de terça-feira (22), ao participar do II Fórum Sou Capaz, realizado na 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental. Há seis meses, Osmar idealizou uma campanha para que a bola da Copa do Mundo de 2014 seja chamada de Gorduchinha. O vídeo cruzou fronteiras e alguns estrangeiros já começaram a pronunciar o slogan.

Marinalva de Almeida, recordista brasileira em salto a distância para amputados, mostrou que o esporte pode ser um dos caminhos para quebrar paradigmas. “Sofri um acidente aos 15 anos e perdi a perna. Recebi um convite de um amigo para praticar corrida de rua quando fazia um curso de ginástica laboral no Senai. Fui competir nos Estados Unidos, em uma prova para pessoas amputadas que corriam de muletas e completei os 10 quilômetros”, ela contou durante o Fórum.

Entre outros relatos de superação apresentados no evento teve o da atriz Tábata Contri, que se tornou cadeirante há 10 anos. Hoje, ela é consultora de inclusão de profissionais com deficiência no trabalho. Já a arquiteta Silvana Serafino Cambiaghi falou sobre acessibilidade. Vítima de paralisia infantil aos seis anos, Silvana atualmente trabalha como secretaria-executiva da comissão permanente de acessibilidade da cidade de São Paulo.