Indústria cria 500 vagas em julho, mas o ano não deve ser positivo para o emprego

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Francini, diretor de Economia da Fiesp, comenta dados do emprego de julho

Embora tenha registrado 500 vagas a mais em julho com relação a junho, o nível de emprego da indústria paulista apurou queda de 0,16% na comparação mensal com ajuste sazonal. O emprego industrial é o último item da cadeia a sentir a retração do setor produtivo, mesmo assim houve uma redução de 89 mil postos em 12 meses versus o período imediatamente anterior, o que significa que 2012 também não será um bom ano para o mercado de trabalho da indústria.

A avaliação foi feita por Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), ao divulgar na manhã desta terça-feira (14/08) os números da Pesquisa do Nível de Emprego da Indústria Paulista de Transformação – Estado e Regiões.

No acumulado do ano foram gerados pela indústria paulista 32 mil empregos, com uma variação positiva de 1,23% para o período. Mesmo assim esta é a variação percentual mais baixa com exceção de 2009, ano da crise, quando o indicador registrou queda de 2,06% no acumulado daquele ano.

“A indústria de transformação no ano de 2012 tem apresentado mau desempenho.  Mas você tem uma situação na qual o emprego não acompanha a queda da indústria. Isso é, de certa forma, normal porque os industriais têm uma atitude de preservação do emprego dada a circunstância de que sempre com aceno de melhora há grande temor em reduzir o quadro de seus trabalhadores e, eventualmente, ter que necessitá-los novamente, o que envolve custos bastantes grandes”, explicou Francini.

Na leitura dos 12 meses, o índice apurou o fechamento de 89 mil postos de trabalho, um recuo de 3,28% em relação ao mesmo período imediatamente anterior. A previsão da Fiesp é que o emprego industrial encerre o ano de 2012 com 80 a 90 mil vagas a menos.

“A nossa sensação é de que as indústrias estão hoje com seu quadro maior do que a necessidade atual. Portanto, ainda teremos um processo de absorção desta folga antes que venha a ocorrer um crescimento”, acrescentou Francini.

 Recuperação

A Fiesp espera sinais de um começo da recuperação da atividade industrial no final deste ano, mas ainda há dúvidas quanto ao vigor desse movimento.

“Ainda acreditamos que teremos no terceiro e no quarto trimestre um desempenho melhor do que tivemos no primeiro semestre [deste ano]. Se tivemos quedas sucessivas, nós estamos esperando que venhamos a ter dois trimestres de crescimento comparativamente ao trimestre anterior, porém não com a violência e força para fazer com que o desempenho do ano seja positivo nem para indústria de São Paulo, nem para a geração de empregos”, avaliou Francini.

Setores e regiões

A queda no emprego do setor de açúcar e álcool equivale a uma variação negativa de 0,06%. Já os demais setores, incluindo a indústria de transformação, foram responsáveis pela criação de 1.419 postos de trabalho no mês passado, com variação positiva de 0,09% em relação ao mês anterior.

Nível de Emprego – Julho 2012 from Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

Das atividades analisadas no levantamento, 10 apresentaram efeitos negativos, nove fecharam o mês em alta e três ficaram estáveis.

Os setores de Confecção de Vestuários e Acessórios, Metalurgia e de Produtos de Minerais Não Metálicos computaram a maior queda com 0,6% em julho. O segmento de Produtos diversos apurou ganho de 2,2% no mês, enquanto o índice de emprego na indústria de Couros e Fabricação de Artigos de Couro, Viagem e Calçados registrou alta de 1,8%.

A pesquisa mostra ainda que das 36 regiões analisadas, 14 apresentaram quadro negativo, 14 ficaram positivas e oito regiões encerraram o mês estáveis. Matão foi a cidade que teve a maior alta, com taxa de 1,88% em julho, impulsionada por Produtos Alimentícios (7,62%). A região de Franca registrou ganho de 1,37%, sob influência positiva dos setores de Artefatos de Couro e Calçados (2,94%) e Produtos Diversos (0,34%). E Jaú subiu 1,24%, influenciado por Artefatos de Couro e Calçados (3,81%) e Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios (1,03%).

Entre as regiões com desempenho negativo, destaque para Santa Bárbara d´Oeste que computou a queda mais expressiva do mês com 2,87%, abatida pelas perdas em Máquinas e Equipamentos (-12,17%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-4,62%).

O emprego na indústria de Indaiatuba fechou o mês com baixa de 1,16%, pressionado pelo desempenho ruim dos setores de Confecção de Artigos do Vestuário (-5,61%) e Produtos de Metal Exceto Máquinas e Equipamentos, (-0,81%). Cubatão encerrou julho também com queda de 1,16%, com perdas em Celulose, Papel e Produtos de Papel (-37,88) e Metalúrgica (-0,63%).

Setor sucroalcooleiro demite 1,8 mil em junho

Com o fim da fase de contratações no setor sucroalcooleiro – que acumulou mais de 55 mil postos gerados no ano –, as atividades ligadas ao segmento foram responsáveis pela perda de 1,8 mil empregos em junho, conforme apurou o levantamento da Fiesp/Ciesp divulgado nesta quarta-feira (15).

Nos demais setores da indústria foram 6,6 mil trabalhadores a menos no mês, e variação negativa de 5,4% no acumulado do ano – contra crescimento médio de 3% no mesmo período de 2007 e 2008. Na mesma base de comparação, o setor de açúcar e álcool registrou elevação de 32% de janeiro a junho, contra 37% e 35% nos anos anteriores, respectivamente.


Atividades


Em junho, 14 segmentos da indústria tiveram saldo negativo de vagas, e oito deles mais contrataram do que demitiram – o que não acontecia desde outubro de 2008, quando o setor começou a sentir os efeitos da crise financeira.

“Em dezembro, havia unanimidade quanto às demissões. Agora vemos um sinal de vida na geração de empregos”, considerou Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp/Ciesp.

As atividades que mais geraram empregos no mês foram Bebidas (1,1%) e Impressão e Reprodução de Gravações (1%). Já Metalurgia (-1,6%), Equipamentos de Informática (-1,4%) e Produtos de Metal (-1,3%) encabeçaram as demissões no estado.

Segundo o diretor da Fiesp/Ciesp, a perda de empregos está toda concentrada na indústria, onde se fazem sentir os efeitos da crise financeira – nos últimos 12 meses encerrados em junho, apenas o setor de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos manteve variação positiva (1,3%).

“A forma de contágio da crise internacional no Brasil se deu pelas exportações e o crédito, que atingem diretamente a indústria. Não vimos efeitos no setor financeiro e no comércio. Se a disseminação pelos outros setores da economia não ocorreu até agora no Brasil, provavelmente não ocorrerá mais”, projetou Francini.

A indústria de transformação paulista já supera o total das demissões registradas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em São Paulo, que foi de 160 mil de outubro passado a maio de 2009. Só na indústria, foram 190 mil vagas perdidas.


Regiões


Das 36 diretorias do Ciesp no estado que compõem o levantamento, o saldo positivo de empregos industriais é mais forte nas seguintes regiões: 

  • Matão (4,80%), com expressiva alta no setor de Produtos Alimentares (11,57%);

  • Sertãozinho (1,14%), puxada principalmente por Bebidas (83,02%) e Produtos Alimentares (3,23%);

  • Jacareí (1,09%), com destaque para Bebidas (4,52%) e Produtos de Metal (3,57%).

    As regiões que encabeçaram as demissões no estado foram:

  • Jaú (-1,69%), influenciada por Confecção, Vestuário e Acessórios (-13,08%) e Borracha e Plástico (-4,64%);

  • Sorocaba (-1,33%), principalmente nos setores de Veículos Automotores (-2,47%) e Metalurgia (-2,03%);

  • Cubatão (-1,28%), puxada por Produtos de Metal (-5,08%) e Metalurgia (-2,88%).