Para 72% das empresas brasileiras câmbio é o maior limitante das exportações, aponta estudo da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

O temor de nova sobrevalorização do câmbio é o maior obstáculo às exportações para 72% das empresas brasileiras, segundo mostra a pesquisa “Expectativas e Obstáculos Para Exportações e Substituição de Importações da Indústria em 2016”, elaborada pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), em parceria com o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex).

Para Thomaz Zanotto, diretor titular do Derex, a influência do câmbio é um fator preocupante para o setor, pois diminui a competitividade das exportações brasileiras.  “No Brasil, a taxa de câmbio passou muito tempo sobrevalorizada, o que subsidiava a entrada de produtos importados. Assim que alcançou um patamar mais realista, em torno dos R$ 3,70, o manufaturado brasileiro voltou a ganhar mercado externo.”

Além do câmbio, outros fatores foram citados como obstáculos para a exportação. Entre os cinco fatores que dificultam na hora de exportar, o financiamento aparece por três vezes, devido ao alto custo, difícil acesso e restrita oferta, segundo 67%, 64% e 60% das empresas, respectivamente.

Zanotto explica que a taxa de juros para crédito de curto prazo no Brasil é de 32% ao ano, frente a 8,1% no Chile, 5,6% na China e 3,3% nos EUA. Dos entrevistados, 63% apontaram que é muito alto o investimento necessário para criar uma estrutura de exportação, refletindo os diversos fatores do Custo Brasil, e 45% consideram que os preços dos seus produtos não são competitivos no mercado externo.

Segundo o diretor do Derex, há também outros pontos determinantes que limitam as empresas na hora de exportar, como a tributação, por exemplo. “A margem de lucro das exportações é baixa e, na impossibilidade de se exportar tributos, o acúmulo de impostos ao longo da cadeia produtiva tem que ser compensado de alguma forma. Nenhum país exporta tributos”.

De acordo com a pesquisa, somente 35% das empresas entrevistadas exportam anualmente, das quais 43% pretendem ampliar as exportações. Mesmo considerando isso, a previsão de aumento de exportações em 2016 é de 6%. Cinquenta e dois por cento nunca exportaram, e 98% dessas devem continuar sem exportar. Desta forma, empresas que já exportam tendem a elevar suas vendas externas de forma pouco expressiva, realizando poucos investimentos.

Zanotto afirma que exportar produtos da indústria de transformação demanda esforços comerciais e uma série de investimentos específicos que somente podem ser viabilizados com um ambiente de negócios regular, estável e previsível. Para ele, isso abrange desde a sobrevalorização e volatilidade da taxa de câmbio até a incertezas no âmbito macroeconômico, jurídico, tributário, regulatório e trabalhista, principalmente.

Importações

O estudo revelou que 37% das indústrias reduzirão as importações de insumos, incluindo máquinas e equipamentos. A queda será, em média, de 44%. Das indústrias que diminuirão a importação de insumos, 43,5% substituirão fornecedores externos por internos (em média, 24% do que se deixará de importar).

Já as importações de produtos acabados para revenda pelo setor devem cair cerca de 9%. Cerca de 32% das entrevistadas vão reduzir as compras externas para revenda, com queda média de 37,8%. E entre elas, 41% deixarão de vender esses produtos, de forma que a substituição pela produção doméstica tende a ser pequena.

Na análise de Zanotto, “a queda das importações reflete o atual quadro recessivo do Brasil. A redução nas compras de bens acabados mostra que os indivíduos deixaram de consumir. Por outro lado, a queda na compra de insumos também mostra que a indústria deixou de produzir”.

Metodologia

Com objetivo de identificar os fatores que limitam a atuação no mercado externo, identificar estratégias predominantes do setor para a importação de insumos e produtos prontos para revenda e sua eventual substituição por produtos fornecidos localmente, foram ouvidas 1.120 empresas da indústria de transformação, sendo 534 pequenas, 405 médias e 181 grandes, entre os dias 14 de março e 22 de abril de 2016.

Rodada de Negócios do Ciesp ganha papel na substituição de importações

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

A desvalorização do real deu às Rodadas de Negócios do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) novo papel – o de aproximar grandes empresas que precisam substituir produtos importados e fornecedores locais em busca de compradores.

O Ciesp criou as Rodadas de Negócios em 2008 para enfrentar a época de baixa da economia e dar a empresas de pequeno, médio ou grande porte alternativas para fomentar seus negócios e movimentar mercados. O mecanismo é simples, com reuniões-relâmpago que colocam em contato pequenas e grandes empresas, fornecedoras e compradoras. Desde o início das Rodadas, já foram realizadas mais de 140 mil reuniões de negócios, com um volume esperado de vendas de R$ 300 milhões.

O Ciesp sede e as distritais Norte, Leste, Sul e Oeste realizaram a 108º edição das Rodadas nesta quinta-feira (1º/10), em São Paulo. A Rodada de Negócios da capital contou com a parceria do Sebrae-SP e com o patrocínio da Caixa.

“Em um momento de crise e retração, nós temos que buscar oportunidades, e a Rodada de Negócios é uma das ferramentas que existem para fazer isso”, afirmou José Henrique Toledo Corrêa, coordenador das Rodadas de Negócios e diretor de Produtos, Serviços e Negócios do Ciesp.

De acordo com Corrêa, até mesmo para as grandes empresas este momento de crise econômica exige mudanças, como a substituição de fornecedores, principalmente se o produto for importado. “Ficou inviável trazer produtos importados, devido à alta do dólar. As empresas precisam desenvolver o fornecedor aqui no Brasil, é a grande oportunidade. E para o industrial que está aqui, pode ser a salvação da lavoura”, disse o coordenador.

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Fornecedores não perdem tempo, para aproveitar ao máximo as reuniões-relâmpago com os compradores. Foto: Everton Amaro/Fiesp

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Negócios para fornecedores e compradores

O evento reuniu diversas empresas âncoras, que divulgam sua lista de compras e buscam novos fornecedores. Cada empresa participante pôde agendar mais de 20 reuniões de 10 minutos em um período de quatro horas, além de reuniões mais curtas, os chamados encaixes. No total, foram realizadas cerca de 2.000 reuniões, com a participação de 29 grandes empresas âncoras – algumas delas com mais de um representante para aumentar o número possível de contatos. O volume esperado de negócios é de R$ 3,5 milhões.

Participando pela primeira vez de uma Rodada de Negócios do Ciesp, Anderson Pinheiro, gerente de Expansão e Desenvolvimento do Burger King, afirma que a empresa está buscando novos fornecedores para atender sua demanda. “Aqui você consegue pessoas muito interessadas em fazer negócios, principalmente nesse momento de crise para todo mundo, por isso, para nós é muito bom”, comentou.

Para o diretor de Tecnologia da TecnoComp, Adriano Cruz, participante como empresa fornecedora, a Rodada de Negócios tem uma característica importante que é a de aproximar as empresas e as pessoas. “É muito difícil encontrar nas empresas, nas âncoras, que são gigantes, pessoas que estejam aptas ou dispostas a falar com alguém. E na Rodada é o momento que propicia esse tipo de coisa. Se vai dar negócio? Não sei, mas acho que tem tudo para dar certo”, frisou Cruz.

Representando a Samsung, o supervisor de serviços gerais da empresa em Campinas, Choong Hyo Kang, afirmou que também participou da Rodada em busca de fornecedores que possam ajudá-los com bons produtos e serviços a custos competitivos. “Pelo fato de estarmos localizados em Campinas, muitas vezes ficamos sem muitas opções. Então, como a Rodada é organizada dessa forma, talvez a gente encontre mais opções que possam nos atender”, explicou.

Foi a quinta Rodada de Negócios do Ciesp de que Lívia Sena, consultora técnica comercial do Grupo Padrão Segurança, participou neste ano. Segundo ela, as Rodadas têm sido muito positivas para a empresa, já que sempre há um contato que é finalizado ou prospecções positivas. A empresa, que é de Mogi das Cruzes, busca entrar no mercado da grande São Paulo. “Nesse momento de crise, nós do Grupo Padrão vemos a Rodada como uma oportunidade. É a chance que nós temos para mostrar o nosso produto para outras empresas”, disse Lívia.

Participaram da Rodada da capital paulista as empresas: Avon, Colgate Palmolive, Samsung, Burger King, Cummins do Brasil, Casio Brasil, RTE Rodonaves, Caterpillar, Eternit, MWM International, Big Lu, Difer Diamantes Industriais, Natura, BASF, Toyo Ink, Virbac, IMAB, Kron, Centro Logístico da Aeronáutica, Ideal Mecânica, Alka3, Risatec, Renner Sayerlack, Toyster brinquedos, JCB Brasil, Exército Brasileiro, Esteves, Cartonagem Rosni e SPTF.

A próxima Rodada de Negócios do Ciesp acontece em Indaiatuba, no dia 20 de outubro. As inscrições já estão abertas e são limitadas. Clique aqui para saber mais.

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Rodada de Negócios aproxima compradores e fornecedores. Foto: Everton Amaro/Fiesp