Fiesp discute perspectivas e soluções em drenagem urbana

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra) realizou na manhã desta terça-feira (26/4) o workshop “Drenagem urbana: como desafogar as cidades”, na sede da entidade, para debater o enfrentamento de inundações, problema que não sido solucionado, mesmo com grandes investimentos.

Stela Goldenstein, geógrafa e diretora executiva da Associação Águas Claras do Rio Pinheiros, falou sobre a necessidade de revitalização das bacias urbanas em projetos integrados. “É necessário entender que as áreas que lidam com as águas urbanas nas regiões metropolitanas no país são segmentadas e trabalham com metas próprias. Por isso sempre estamos em busca de novos padrões de tecnologias, de engenharia, de gestão e, principalmente, em busca de uma nova cultura de espaço urbano e de suas águas”, afirmou.

Segundo Stela, há também algumas diretrizes que são desafios para a revitalização urbana. “É preciso ter melhor gestão de resíduos sólidos e ampliar a segurança hídrica na proteção de mananciais e no reúso de água.”

A executiva também contou sobre o seu trabalho frente à entidade, que luta pela recuperação da bacia hidrográfica do rio Pinheiros. “O objetivo é construir com várias instituições um piloto de gestão integrada de águas urbanas e território, com foco na qualidade ambiental do córrego do Jaguaré e qualidade de vida da população local; aplicar tecnologias e processos de recuperação da qualidade da água e do ambiente urbano e conseguir instrumentos de gestão para a articulação dos agentes envolvidos.”

Renato Zuccolo, engenheiro e coautor do livro “Águas do Alto Tietê”, participou também do encontro e fez um retrospecto do saneamento hídrico na região metropolitana de São Paulo, desde 1848, e alertou sobre o controle da inundação. “A maior chuva está por vir, e o importante é mitigar seus efeitos. A gravidade e a frequência serão tão menores quanto maiores forem os recursos bem aplicados no controle desses fenômenos naturais majorados pela presença humana”, disse. Segundo ele, as principais causas são impermeabilização excessiva – do solo e a falta de proteção desse contra a erosão -, inadequação de galerias fechadas, lixo e outros resíduos passiveis de chegar aos cursos d´água, assentamentos ciliares, falta de limpeza dos cursos d´água e, principalmente, falta de educação.

Zuccolo abordou também a visão geral dos empreendimentos e ações para o controle de inundações. “A conjugação dos fenômenos chuvosos e sociais da cidade de São Paulo está entre as piores do mundo.” As obras e ações não estruturais (por exemplo, avisos antecipados) são importantes, mas não são suficientes para conter “a inundação que está por vir”, os fluxos plúvio-fluviais precisam de espaço (transversal e longitudinal) e o controle de inundações está umbilicalmente ligado ao uso do solo.

Presente na reunião, Guilherme Castagna, engenheiro e diretor da Fluxus Design Ecológico, fez uma apresentação na qual ilustrou exemplos práticos e existentes de como o uso racional de tecnologias já consolidadas, como o jardim de chuva e as biovaletas, podem ser integradas ao planejamento dos municípios.

O caso do Anhagabaú

Luiz Fernando Orsini, diretor do departamento de infraestrutura da Fiesp, foi o mediador do debate e também palestrou durante o evento. Orsini é consultor em drenagem e manejo de águas pluviais e coordenador do estudo de alternativa para controle de inundações da Bacia do Anhangabaú.

“O vale sofre inundações quatro vezes ao ano e chega a ser fechado seis vezes. Cada fechamento gera um prejuízo gigantesco para a cidade de São Paulo”, afirmou. Segundo o consultor, foram apresentadas para a Prefeitura de São Paulo três opções para tentar solucionar o problema: construir dois reservatórios e um túnel com reformas nas galerias e fazer retenção distribuída (substituição de trechos da rede de drenagem existente por tubulações de maior diâmetro, formando uma rede de reservatórios lineares distribuídos pela bacia).

Orsini disse que o projeto foi aprovado em Brasília, praticamente sem restrição. Após isso, o projeto executivo foi feito, e, em junho deste ano, foi lançado o edital. A concorrência foi adiada, e espera-se que seja retomada. O projeto tem o objetivo de eliminar as enchentes na região central da cidade, local que faz ligação com as todas as regiões, e que além da arquitetura histórica, tem importância fundamental no eixo econômico da cidade.

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Renato Zuccolo durante workshop do Deinfra, da Fiesp, sobre drenagem urbana. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp