Iniciativas Sustentáveis: Sanofi – Prevenção em foco

Por Karen Pegorari Silveira

Segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social de 2014, o Brasil teve redução de 3% nos acidentes de trabalho registrados, sendo aproximadamente 705 mil ocorrências contra mais de 725 mil em 2013. Porém, os acidentes de trajeto aumentaram no Brasil no ano de 2014. Já os casos de doenças ocupacionais registradas neste mesmo ano diminuíram 9,4% se comparadas ao ano anterior. Ainda de acordo com o levantamento, os acidentes típicos caíram 1,5% em 2014, com o registro de quase 428 mil, sendo 6400 acidentes a menos do que os informados em 2013.

Apesar dos avanços nesta área, muitas empresas continuam investindo forte na prevenção e na saúde e segurança de seus colaboradores com o objetivo de diminuir os casos de acidentes e afastamentos devido a complicação pelo trabalho. Este é o caso de um dos maiores grupos farmacêuticos do país, a Sanofi, que investiu em diversos programas de prevenção da saúde e segurança dos seus trabalhadores e em outras ações para melhorar a qualidade de vida.

Por meio do Comitê de HSE (Health, Safety and Environment), a Sanofi criou um plano de ação com o objetivo de reduzir a exposição de seus empregados a riscos. Neste plano foram criadas ações como o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), ou Programa Mais Vida, que permitem acompanhar cada colaborador, seu histórico clínico, doenças pessoais e familiares, por meio de exames periódicos, admissionais, mudanças de função e retorno ao trabalho; consulta com nutricionista para orientar sobre reeducação alimentar duas vezes por semana e promover campanhas de “medida certa” junto aos departamentos; restaurantes com opções saudáveis de refeições e cardápios com baixo teor de sódio para hipertensos; cadastro em um programa de lanche saudável pela manhã e à tarde (como frutas e cereais), com objetivo de promover reeducação alimentar, sendo que 50% do custo é pago pela empresa; consultas médicas com equipe de especialidades em cardiologia, ginecologia e endocrinologia; academia de condicionamento físico; ginástica laboral; Programa de ergonomia em que uma fisioterapeuta e um técnico de segurança avaliam as condições do local de trabalho e promove ajustes quando necessário; check-up anual para executivos; programa que identifica pessoas de risco (obesos, diabéticos, hipertensos, entre outros) e presta orientação sobre medicamentos e exames; programa antitabagismo para empregados e seus familiares com acesso a medicamentos antitabagismo e 80% de reembolso; seções de quick massage e fisioterapias; assessoria esportiva com profissionais de educação física e grupos de corrida, entre outras ações. Também passaram a tratar questões emocionais de seus colaboradores com atendimento presencial feito por um profissional externo ou atendimento telefônico 24 horas.

Em uma das empresas do Grupo, colaboradores aceitaram o desafio de perder, coletivamente, 500 quilos em 2013. A ação foi acompanhada pelo serviço de saúde da empresa e contou com a orientação de nutricionistas e personal trainers. Mais de 1700 consultas foram feitas e o esforço conjunto, além da perda de 500 quilos, rendeu outro resultado: a redução coletiva de 280 centímetros de cintura abdominal. Todo o peso eliminado por eles foi revertido em alimentos, equivalendo à meia tonelada de cestas básicas doadas para entidades cadastradas no Banco de Alimentos da cidade de Campinas, onde está localizada a unidade.

Segundo Antonio Paiva, gerente executivo de Saúde Ocupacional Brasil e América Latina do Grupo Sanofi, houve evolução. “Após todas estas ações, notamos uma melhora do clima organizacional e diminuição de absenteísmo por doença. Ou seja, nossos colaboradores trabalham com maior satisfação, gozam de mais qualidade de vida tanto no âmbito físico quanto no emocional”, conta Paiva.

Todo este esforço possibilitou a Sanofi conquistar o 1º lugar no VI Prêmio Excelência em Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (GST), do Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo), na categoria “Projeto de Saúde e Segurança no Trabalho”, com o Programa de Saúde Emocional Bate-Papo, em 2013.

Sobre a Sanofi

Maior multinacional farmacêutica no mercado brasileiro de acordo com dados do IMS Health, presente no Brasil há mais de 50 anos com 5300 colaboradores e detentora das empresas Medley, Sanofi Pasteur, Genzyme e Merial.

 

Iniciativas Sustentáveis: AGCO – Comunicar para prevenir

Por Karen Pegorari Silveira

Apoio aos líderes para comunicar aos funcionários o que é melhor para sua própria segurança foi a aposta desta indústria, que decidiu focar no aperfeiçoamento comportamental de seus colaboradores. Para isso eles iniciaram, em junho de 2015, o Programa de Prevenção de Perdas (Loss Prevention Program), direcionado para a gestão de manufatura, com o objetivo de desenvolver a cultura no topo da cadeia. A estratégia do programa é que as lideranças sigam as seguintes premissas: sejam exemplos visíveis e percebidos para consistência; conheçam suas operações, instalações e pessoal, consequentemente os riscos e como controlá-los; auditem constantemente e corrijam os desvios prontamente; investiguem os desvios críticos, incidentes e acidentes, entre outras ações.

O programa tem 4 etapas: na primeira ocorre a avaliação da operação com foco em organização e estrutura, políticas e processos, análise do desempenho e observação das práticas de trabalho. Na segunda etapa são realizados workshops com as lideranças para definir onde se quer chegar e comprometê-los com a visão futura. Na terceira etapa é feito o planejamento da transição para desenvolver a gestão de EHS (Sistema de Saúde, Segurança e Meio Am­biente) da liderança e criar um plano de ação de mudança. Na última fase há a implementação, onde é preciso comunicar as mudanças, desenvolver a organização, implementar as ferramentas e medir os resultados. Participam do programa os diretores, gerentes, supervisores e líderes de Manufatura, e a duração das ações de implantação levam até 3 anos.

O primeiro impacto positivo percebido pela empresa foi o aumento na participação da liderança em conscientizar e monitorar as rotinas dos funcionários de manufatura, com foco na segurança. Em consequência houve avanços no comportamento dos colaboradores, gerando mais cuidados nas atividades e uma maior atenção às condições inseguras, que proporcionaram a redução dos índices de acidentes e dos custos diretos e indiretos com SAT (seguro de acidente do trabalho).

De acordo com o supervisor de segurança do trabalho da AGCO, Cristiano Duarte, a mudança foi muito positiva. “Entendemos que a prevenção de acidentes, as melhorias no ambiente de trabalho, a relação com a comunidade e a preservação ambiental são fundamentais para a sustentabilidade do negócio. Empresas que aderem a esta visão ganham, a médio e longo prazo, retorno positivo e aumento de competitividade”, relata Duarte.

A questão de segurança e saúde no trabalho e meio ambiente é vista pela AGCO como valor. “Nossa empresa é certificada pelas Normas OHSAS 18001 e ISO 14001, de forma que há procedimentos e mapeamentos para estes fins. Ao longo dos anos foram desenvolvidas diversas campanhas com foco na prevenção de acidentes de funcionários. Essas campanhas ganham mais força com o engajamento das lideranças e com o compromisso em relação ao tema segurança”, conta ainda o supervisor Cristiano Duarte.

Sobre a AGCO

É uma das maiores indústrias de equipamentos agrícolas no mundo e detentora de duas das principais fabricantes na área (Massey Ferguson e Valtra). Fundada em 1990, a AGCO está sediada em Duluth, GA, E.U.A. Em 2015, a AGCO teve receita líquida de vendas de $7,5 bilhões.

Iniciativas Sustentáveis: Toyota – Sistema próprio para gerenciar a saúde dos colaboradores

Por Karen Pegorari Silveira

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de dois milhões de pessoas morrem a cada ano como resultado dos acidentes de trabalho e de doenças ou lesões relacionadas ao trabalho. Outros 268 milhões de acidentes não fatais no local de trabalho resultam em uma média de três dias de trabalho perdidos por acidente, e 160 milhões de novos casos de doenças relacionadas ao trabalho ocorrem a cada ano. Além disso, 8% do ônus global causado por doenças oriundas da depressão são atualmente atribuídos aos riscos ocupacionais.

Para driblar estes números assustadores, a indústria automotiva Toyota do Brasil, investiu na segurança e saúde dos seus colaboradores como forma de se fortalecer. Dentro da filosofia da empresa é disseminada a cultura de Política de Segurança e Saúde do Trabalhador e eles têm implementado melhorias contínuas (kaizens) em seus processos para assegurar maior eficácia dos programas que visam a segurança e saúde de seus funcionários.

Por isso eles mantém um Sistema de Gerenciamento de Segurança e Saúde no Trabalho, fundamentado na norma internacional OHSAS 18001. A ferramenta tem sete etapas que incluem levantamento de atividades, mapeamento de riscos, organização de normas,

treinamentos e observação, e ainda permite a estruturação de uma gestão que foca o comportamento seguro e o controle contínuo de potenciais riscos à saúde e à segurança, como: patrulhas de segurança, treinamentos mandatórios sobre segurança do trabalho e cultura de segurança em todos os ambientes industriais e corporativos, reuniões mensais nas fábricas e comissões de prevenção a acidentes de trabalho e incêndios (Cipa), mantidas nas unidades. A companhia também mantém um programa de ginástica laboral diário nas plantas e outras diversas iniciativas focadas no tratamento, à prevenção e ao acompanhamento de riscos relacionados à ergonomia. Todos os acordos formais da Toyota do Brasil com sindicatos cobrem temas de segurança e saúde, incluindo temas como conformidade com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), sistema de reclamações, equipamentos de proteção individual e comitês dedicados ao tema, compostos pela governança e por trabalhadores.

Campanhas mensais de saúde, fortalecendo a conscientização sobre a importância da prevenção de doenças e garantia de qualidade de vida (Comunicação Interna – informativa, folders entre outras atividades educativas) para todos os colaboradores também fazer parte das ações da empresa, além de Campanha  de Vacinação contra a Gripe, com média de  80% de adesão dos colaboradores TDB, somado ao Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), onde a Toyota oferece atendimento médico clínico in company, visando a promoção da Saúde com ações viabilizando as consultas e proporcionando acompanhamento, tratamento e prevenção de doenças, entre outras ações.

Em 2014/2015, o destaque foi a taxa de lesões, que recuou para 0,81%, entre colaboradores do sexo masculino. E com a ginástica laboral, por exemplo, os resultados são extremamente positivos: melhora no relacionamento, melhora do humor, maior disposição para o trabalho, músculos mais alongados e redução da irritabilidade, proporcionando, portanto, a satisfação com o programa e melhoria da qualidade de vida dos colaboradores.

O soldador, da unidade de São Bernardo do Campo, Anderson Maroto Lopes, utiliza e aprova o serviço de fisioterapia. “Tenho praticamente uma fisioterapeuta particular que me auxilia com exercícios direcionados. Além disso, ganho tempo com minha família, já que não preciso me deslocar para qualquer unidade de fisioterapia externa após o expediente. Levo muitas coisas do que aprendo aqui para a minha casa, para a minha família. Tenho duas filhas e me pego ensinando sobre prevenção de riscos para as duas com frequência”, conta Lopes.

Para Ricardo Bastos, diretor de Relações Públicas e Governamentais da Toyota do Brasil, o crescimento sustentável das operações, alvo principal da empresa no Brasil, é alcançado por meio do intenso trabalho. “Nossas equipes se esforçam muito na busca consistente pela melhoria de nossos produtos e pela intensa observância em relação à segurança em cada detalhe do processo. A Toyota se orgulha em apresentar um dos ambientes mais propícios para o desenvolvimento das capacidades de nossos colaboradores, que deve, em muito, à visão e filosofia da companhia em prol da segurança e saúde de todos os nossos funcionários”, conta o executivo.

Sobre a Toyota

Com três unidades produtivas no Estado de São Paulo e mais de 5700 colaboradores no país, a Toyota tem produção em 28 países e regiões e vendas em mais de 160 países, a empresa é detentora das marcas Toyota, Lexus, Daihatsu e Hino e emprega atualmente mais de 325 mil colaboradores em todo o mundo.

Entrevista: Como implantar uma política de Segurança e Saúde no Trabalho

Por Karen Pegorari Silveira

No mês em que é comemorado o Dia Mundial da Saúde e Segurança no Trabalho, conversarmos com o especialista em Desenvolvimento Industrial, do Serviço Social da Indústria (SESI – Departamento Nacional), para entender porque é importante manter uma política de Segurança e Saúde no Trabalho e como isso pode ajudar uma indústria a manter sua competitividade.

Veja na íntegra a entrevista:

Por que é importante implantar uma política de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) em uma empresa e quais os riscos caso a preocupação com este tema não seja levada em consideração?

Marcelo Benedet Tournier – Uma política de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) é fundamental para qualquer empresa, independente do seu tamanho, setor econômico ou faturamento. É nesta política que se define o compromisso que a liderança tem com a segurança e o bem-estar dos colaboradores, quais são os papéis e responsabilidades de todos neste processo e quais as principais ações para que o ambiente de trabalho seja seguro e saudável para todos.

Empresas que não priorizam SST sofrem o reflexo desta decisão no bolso.  Um dos impactos financeiros é no FAP – Fator Acidentário de Prevenção.  Esta alíquota pode duplicar os custos que a empresa tem com o Seguro de Acidentes do Trabalho (SAT).  Se não houver uma gestão de SST com foco em reduzir frequência, gravidade e custos com acidentes de trabalho, as despesas podem chegar a até 6% da folha de pagamento por ano, dependendo do setor em que a empresa se enquadra.

Além disto, uma gestão ineficaz de SST custa caro para empresas que possuem planos de saúde.  Neste cenário de crise econômica, os custos médicos e hospitalares aumentaram 17,1% em 2015.  Como referência, a inflação (IPCA) foi de 8,9% no mesmo período.  Em consequência disto, várias operadoras de saúde aumentaram em até 100% os valores dos contratos renovados com clientes corporativos durante 2015, sendo que o aumento foi maior nas empresas com alta sinistralidade (taxa que representa o uso do plano pelos funcionários).

Empresas que investem na segurança e bem-estar de seus colaboradores possuem um diferencial competitivo – algo fundamental neste grave momento de recessão.

É muito comum que saúde seja vista como um custo para o empresário.  Mas quando ele investe no bem-estar de sua força de trabalho, gera mais adiante uma economia com doenças que foram evitadas, além de ajudar as pessoas a serem mais saudáveis, engajadas e a produzirem mais resultados.  Isto é valor agregado para o seu negócio.

Quais ações a empresa deve adotar para mitigar impactos negativos na saúde de seus trabalhadores e o que deve ser levado em conta nestas ações?

Marcelo Benedet Tournier – Nos últimos anos, ao observar os dados do INSS de auxílio-doença no Brasil, percebemos que os acidentes de trabalho vêm diminuindo, com um aumento gradual de afastamentos devido a doenças crônicas (doenças cardiovasculares, problemas musculoesqueléticos, depressão e ansiedade).

Isto requer que os programas de SST tenham planos de ações que vão além do Ambiente físico (preocupado apenas com as questões ocupacionais).  É necessário que a empresa olhe também para o Ambiente psicossocial (relações de trabalho com colegas e com as lideranças) e com recursos pessoais para a saúde (estimulando a mudança de comportamento dos trabalhadores, para a aquisição e manutenção de um estilo de vida saudável dentro e fora do trabalho) e o envolvimento da empresa com a comunidade.

Como engajar os colaboradores a participarem destas ações e a adotarem o estilo de vida mais saudável sugerido nas atividades?

Marcelo Benedet Tournier – Para que este engajamento ocorra de modo sustentável, é necessário que os programas ofereçam abordagens diferenciadas de mobilização das pessoas na empresa.  Por exemplo, alguém que possui fatores de risco, mas não sabe disto, necessita de ações de conscientização, como avaliações de risco à saúde.  Outros, que já conhecem seus fatores de risco, mas não fazem nada para cuidar da saúde, necessitam de estratégias de motivação. Para aqueles que já são motivados, atividades de “coaching” em saúde podem aumentar as habilidades de cuidado, economizando com doenças e tratamentos evitáveis.  Finalmente, para se pensar em uma adesão dos empregados a longo prazo nas práticas, é importante que as empresas ofereçam o máximo possível de oportunidades, em que os indivíduos sejam valorizados e lembrados dos benefícios que suas escolhas promovem para sua saúde.

Como a empresa pode ajudar seus colaboradores a terem uma saúde melhor e que impacte menos em sua competitividade?

Marcelo Benedet Tournier – É importante que as lideranças das empresas tenham acesso a ferramentas de gestão com baixa complexidade e alto impacto, que apoiem a construção de estratégias de saúde populacional em seus ambientes de trabalho.  Uma abordagem de destaque é o modelo de ambiente de trabalho saudável da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a OMS, para que uma programa de saúde em uma empresa dê certo, é fundamental que possua cinco chaves:  Comprometimento da liderança, envolvimento dos trabalhadores, respeito à ética e legislações vigentes, integração e sustentabilidade das ações e um processo de gestão de segurança e saúde no trabalho que permita melhorias contínuas das práticas de prevenção e promoção.

Artigo: Quando proteger e cuidar agregam valor ao negócio

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Grácia Elisabeth Fragalá*

“A segurança, saúde e bem-estar dos trabalhadores são preocupações vitais de centenas de milhões de profissionais em todo o mundo, mas a questão se estende para além dos indivíduos e suas famílias. Ela é de suprema importância para a produtividade, competitividade e sustentabilidade das empresas e comunidades, assim como para as economias nacionais e regionais.[1]

O Estado de São Paulo, em sua edição de 28/03/2016, informa sobre o fechamento de 4,4 mil fábricas em São Paulo. Conforme noticia o periódico, o “país perdeu 1,1 milhão de empregos industriais em um trimestre”. Fatos como esse têm se repetido nos últimos tempos, preocupando empresários, trabalhadores e a sociedade em geral, com impactos em termos de expectativas que nada mais fazem que agravar a crise em que estamos imersos.

Neste cenário de instabilidade econômica, uma das repercussões sociais, sentidas no dia a dia das empresas, é o aumento dos acidentes de trabalho e dos afastamentos por doença, acarretando o aumento dos custos com planos de saúde, perda de produtividade, crescimento dos índices de absenteísmo e impactos no FAP – Fator Acidentário de Prevenção.

Pesquisa realizada pela FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – no ano de 2014, com a participação de 401 indústrias, mostrou que fatores relacionados aos afastamentos dos trabalhadores por motivos de doença estão entre as principais preocupações dos líderes empresarias e dos profissionais de Recursos Humanos, como podemos observar nos gráficos abaixo. Também surge com destaque o custo da assistência à saúde.

Para fazer frente a essas preocupações, um número crescente de empresas tem optado por definir políticas de Segurança e Saúde no trabalho que estabeleçam um modelo de atenção integral e integrada às necessidades do trabalhador.

Integral, na medida em que contempla os vários aspectos que envolvem a atividade profissional – ambiente físico do trabalho, ambiente psicossocial, recursos para a saúde pessoal, envolvimento da empresa na comunidade e as múltiplas dimensões da saúde: física, emocional, social, profissional.

Integrado, na medida em que exige que os vários atores interajam – não apenas as equipes de Segurança e Saúde, mas as áreas de recursos humanos, de produção, as equipes jurídicas, as equipes de responsabilidade social empresarial-. Enfim, os temas de Segurança e Saúde irão fazer parte de todos os processos da organização, permeando a cultura da empresa para que se construa um ambiente de trabalho saudável.

As equipes de Segurança e Saúde tem a função de identificar os riscos, propor as ações preventivas e corretivas, contribuindo para a redução das situações de adoecimento do trabalhador. Porém, para que isso ocorra, é preciso que essas equipes tenham atuação estratégica e sejam envolvidas nos vários processos decisórios com impactos para a Segurança e Saúde do trabalhador e que a política de Segurança e Saúde receba o apoio da alta liderança.

Empresas que possuem políticas de Segurança e Saúde integradas à estratégia do negócio descobriram que é possível transformar os ambientes de trabalho em espaços privilegiados para a promoção de saúde e prevenção de doenças e acidentes. Isso lhes garante maior competitividade em situações de crise como a que enfrentamos na conjuntura atual. Essas organizações entenderam que desenvolver ações para evitar acidentes e o adoecimento dos trabalhadores é um investimento que gera a redução de custos importantes com passivos trabalhistas, sinistralidade e absenteísmo. O capital humano saudável, engajado e motivado é o principal ativo de uma organização, que poderá fazer a diferença em momento de dificuldade, inovando, modificando processos produtivos, gerando melhores resultados.

Uma política de Segurança e Saúde, atrelada à estratégia do negócio, com métricas e indicadores adequados, constitui-se em ferramenta de gestão de alto valor agregado.

Além disso, num mercado competitivo, a escolha do consumidor recai sobre empresas socialmente responsáveis, empresas que proporcionam um ambiente de trabalho saudável e que desenvolvem ações para promover a saúde, segurança e o bem estar de seus colaboradores.

* Grácia Fragalá é vice-presidente do CONSOCIAL – Conselho Superior de Responsabilidade Social, diretora Titular do CORES – Comitê de Responsabilidade Social, gerente de Segurança e Saúde do GPA e possui mais de 15 anos de experiência como gestora de Segurança e Saúde em empresas de grande porte.

[1] Ambientes de trabalho saudáveis: um modelo para ação: para empregadores, trabalhadores, formuladores de política e profissionais. /OMS; tradução do Serviço Social da Indústria. – Brasília: SESI/DN, 2010.