Trabalho da Fiesp destacado pelo Valor mostra danos do spread desproporcional e dos tributos

Agência Indusnet Fiesp

Reportagem publicada nesta quarta-feira (27 de junho) no jornal Valor destaca trabalho feito pela Fiesp que mostra os efeitos danosos do spread desproporcional sobre a geração de caixa das empresas e sobre a capacidade financeira das famílias. Encaminhado ao presidente Michel Temer pelo presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz Coelho, o documento em que a notícia se baseia também mostra a desproporção entre os tributos pagos pelos diferentes setores da economia.

“Os elevados custos financeiros e a carga tributária tiram a capacidade de as empresas investirem, especialmente em inovação”, declarou Roriz ao jornal.

Outro ponto do trabalho é uma lista com o percentual que o Reintegra (programa de devolução de tributos sobre produtos exportados) deveria considerar para cada tipo de produto. O material também inclui a agenda emergencial proposta pela Fiesp para combater os prejuízos provocados pela greve de caminhoneiros.

O spread –diferença entre o custo de captação de recursos e o que é cobrado em financiamentos- brasileiro em 2017 para pessoas físicas deveria ter sido de 31,1% ao ano, caso seguisse o padrão do período de 2012 a 2014. O nível atual, de 54,6% ao ano, é 23,5 pontos percentuais mais elevado. Essa diferença equivale ao pagamento de R$ 141,6 bilhões nos empréstimos, valor que seria suficiente para a compra de 3,5 milhões de carros 0 km do modelo Gol (mais do que a produção total anual de todas as fábricas de carros instaladas no Brasil).

Mantida essa desproporção do spread, ao longo de 5 anos (2017 a 2022), o pagamento adicional de juros vai tirar do bolso das famílias R$ 1,04 trilhão.

Para as empresas também é grande o dano provocado pelo spread, que é 14,5 vezes mais elevado que o dos 5 países que calculam o diferencial de juros da mesma maneira que o Brasil. Aqui as empresas pagam em média 21,5% ao ano de spread, contra 1,5% nesses países.

Caso as empresas tivessem tido no Brasil de 2013 a 2016 as mesmas condições de financiamento e de pagamento de tributos dos países considerados no levantamento, seu resultado líquido teria mais do que dobrado em relação a sua geração de caixa (teria sido de 62,6, em vez de 28). No Brasil, nesse período, de cada R$ 100 gerados, R$ 57,6 foram levados por encargos financeiros, e R$ 14,4, por tributos. Nos outros países, de cada R$ 100, somente R$ 12,4 foram para encargos financeiros – o que ainda permitiu a arrecadação extra de tributos, R$ 25, porque são calculados sobre a geração de caixa menos os encargos financeiros.

Na entrevista ao Valor, Roriz defende que o governo, na atual gestão e na próxima, atue para que haja uma reforma tributária que leve ao aumento da competitividade da indústria e estimule o consumo. Também ressalta a importância da votação pelo Congresso do cadastro positivo e de ações para aumentar a concorrência no setor bancário.

Agenda emergencial

O trabalho da Fiesp inclui as seguintes propostas para minimizar os danos provocados pela greve dos caminhoneiros:

  • Prorrogar por 60 dias o recolhimento de tributos e contribuições federais vencidas entre 18 de maio e 3 de junho;
  • Manter em 2% até dezembro a alíquota do Reintegra;
  • Revogar a MP 832/2018, que impõe o tabelamento do frete;
  • Excluir do Cadin as pessoas jurídicas com débitos inscritos na dívida ativa da União nos meses de maio a agosto de 2018;
  • Postergar para janeiro de 2019 o início da vigência da lei 13.670/2018, que exclui setores da desoneração da folha de pagamento;
  • Abrir linhas de crédito especiais e possibilitar a renegociação dos financiamentos atuais.

Clique aqui para ter acesso ao trabalho entregue pela Fiesp à Presidência da República.

Spread brasileiro custará R$ 1 trilhão a mais de juros às pessoas físicas, mostra estudo da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Não há dúvida: é o maior do mundo o spread bancário brasileiro, que é a diferença entre o que os bancos pagam pelo dinheiro captado em depósitos e aplicações e o quanto cobram de juros nos empréstimos. A demonstração está em pesquisa feita pela Fiesp -e destacada nesta quarta-feira (25 de abril) em reportagem do jornal Valor Econômico– que comparou os dados de países que empregam metodologia semelhante à brasileira para o cálculo do spread. Na média, os países analisados têm spread de 1,5 ponto percentual, contra 21,5 pontos percentuais da média brasileira.

A análise mostra também que a situação tem piorado. A diferença entre o spread atual e o que era praticado no Brasil no período de 2012 a 2014 fará com que entre 2017 e 2022 as pessoas físicas gastem R$ 1,04 trilhão a mais para pagar os empréstimos contraídos em 2017.

“Certamente há uma distorção nesse cenário, pois só no ano passado, os bancos brasileiros tiveram lucro maior que a soma das 262 empresas de capital aberto. Sou o presidente da maior entidade empresarial do Brasil, e sou a favor do lucro justo, porém quando se tem uma situação de falta de concorrência, fica evidente o abuso”, enfatiza o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf.

Não há justificativa para a diferença entre o spread brasileiro e o de outros países. Um dos principais componentes para o cálculo do spread, que é a inadimplência, é menor no Brasil que em outros países. O Brasil ocupa apenas a 66ª posição no ranking da inadimplência, atrás de países que possuem spread bem menos elevado, como Itália, Irlanda, Portugal, Rússia e Espanha. “A Itália tem inadimplência 4,4 vezes maior do que a do Brasil, mas o spread total brasileiro é quase 20 vezes maior”, explica José Ricardo Roriz Coelho, segundo vice-presidente da Fiesp.

Os bancos também usam como justificativa a falta de garantias e a dificuldade de recuperação do crédito no país, mas, mesmo nas linhas com boas garantias, como o empréstimo consignado para aposentados e servidores públicos e o financiamento de veículos, os spreads são elevados demais em comparação com o praticado em outros países.

“Os juros do Brasil sempre foram os mais altos do mundo, e as pessoas se acostumaram com isso. A Campanha do Sapo, contra os juros abusivos, lançada em março, é justamente para conscientizar a população e juntos mudarmos esta situação absurda”, explica Paulo Skaf.

Descasamento

Fatores que deveriam ter provocado redução do spread não tiveram efeito. Exemplo é a queda da Selic, a taxa básica de juros, determinada pelo Banco Central. A pesquisa da Fiesp e do Ciesp mostra que de outubro de 2016 a fevereiro de 2018 a Selic foi reduzida em 52,6%, caindo de 14,25% ao ano para 6,75% ao ano; no mesmo período o spread apresentou redução bem menor, de 21%, passando de 62,3% ao ano para 49,2%. A inadimplência também diminuiu no período, de 6,2% para 5,2% nos recursos livres emprestados pra pessoas físicas.

“Entre dezembro de 2017 e fevereiro de 2018, a Selic passou de 7,0% a.a. para 6,75% a.a., mas, os juros do crédito pessoal total aumentaram, de 44% a.a. para 47% a.a., a despeito da inadimplência ter ficado praticamente constante, de 3,64% para 3,65% da carteira”, afirma Roriz.

O estudo destaca também o elevado nível dos juros para as pessoas físicas, sobretudo os do cheque especial e do cartão de crédito rotativo que ultrapassam os 300% ao ano e, juntos respondem por 48% das concessões para pessoas físicas.

A pesquisa mostra ainda que, em 2017, o spread médio para pessoas físicas foi de 54,6 pontos percentuais ao ano, significativamente maior do que a média do período 2012/14, de 34,5 pontos percentuais ao ano, apesar de a inadimplência se encontrar em um patamar médio 10% mais baixo que no período 2012/14.

Para o spread médio de 2017 ser compatível com os números de 2012/14, já considerada a inadimplência em ambos os períodos, deveria ser de 31,1 pontos percentuais, em vez de 54,6 pontos percentuais. Essa redução de 23,5 pontos percentuais equivaleria a uma economia para as famílias de R$ 141,6 bilhões a menos com juros em 2017, ou seja, 2,2% do PIB. Esses recursos reduziriam o comprometimento de renda com pagamento de juros de 10,1% para 6,7% da renda das famílias, e poderiam ser convertidos em consumo e poupança, impulsionando a recuperação econômica do país.

Ainda, levando em consideração o prazo médio das concessões em 2017 (53 meses), pode-se calcular que essa diferença de 23,5 pontos percentuais fará com que as famílias gastem ainda R$ 899 bilhões a mais de juros entre 2018 e 2022, que somados ao valor pago em 2017 (R$ 141,6 bilhões) totalizarão R$ 1,04 trilhão a mais de juros a serem pagos de 2017 a 2022.

“Em linhas com os juros mais altos, como o cheque especial e o cartão de crédito, normalmente, os mais atingidos são as famílias de menor renda. E não podemos deixar que isso continue acontecendo”, finaliza Paulo Skaf.

Campanha Chega de Engolir Sapo combate juros absurdos cobrados dos consumidores

Agência Indusnet Fiesp

Chega de Engolir Sapo é o nome da campanha lançada nesta terça-feira (13 de março) durante reunião entre o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, e líderes da indústria, do comércio, dos serviços e da agricultura que representam milhares de empresas e milhões de empregos. Chega de Engolir Sapo combate os juros mais altos do mundo, cobrados dos consumidores brasileiros.

Ao apresentar o conceito, Skaf destacou a importância do dia e lembrou a semelhança com o início, em setembro de 2015, da campanha Não Vou Pagar o Pato. Além de impedir, graças ao forte apoio popular, o aumento de impostos, o Pato acabou virando símbolo da luta pelo impeachment.

“O Sapo inicia hoje sua carreira, seu trabalho, sua missão”, afirmou Skaf na calçada do prédio da Fiesp, na avenida Paulista. Quanto ao Pato, está recolhido, disse, mas pronto para sair às ruas caso haja qualquer ameaça de aumento de impostos.

O Sapo, explicou, nasce numa campanha de todos os empresários e setores profissionais presentes. Não é da Fiesp e do Ciesp, ressaltou. São entidades de diversos setores, nos níveis municipal, estadual e federal.

O Sapo está de olho nos juros cobrados no Brasil, os mais altos do mundo. Como os impostos elevados demais, os juros brasileiros são absurdos. Houve redução da Selic, a taxa básica de juros, reconheceu Skaf, ressalvando que ainda é alta, mas o alvo da campanha está nos juros cobrados pelos bancos de consumidores.

O Sapo nasce para combater a elevada taxa cobrada do consumidor, das pessoas, da Nação, afirmou Skaf. O foco é no que as pessoas, o povo, estão pagando.

Skaf mostrou a diferença entre o que paga uma aplicação financeira básica, a caderneta de poupança, e o que é cobrado pelo cheque especial. A pessoa que tivesse depositado dez anos atrás R$ 100 na caderneta teria hoje R$ 198,03, enquanto uma dívida de R$ 100 também contraída dez anos atrás representaria hoje R$ 4.394.136,97. Mais de quatro milhões de reais.

O segundo vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, mostrou o quanto significa o spread (a diferença entre o que bancos pagam pelo dinheiro que captam para emprestar e o quanto cobram de juros) para o bolso das pessoas. Se o spread no Brasil fosse semelhante ao de outros países, as famílias economizariam R$ 204 bilhões por ano, o que aumentaria muito a capacidade de consumo.

Para dar ideia de quanto isso representa, é mais do que a soma do que está no Orçamento da União em 2018 para Saúde (R$ 120 bilhões) e Educação (R$ 90 bilhões).

Concentração

Roriz destacou que os EUA têm mais de 1.200 bancos pequenos e médios, o que contradiz o argumento dos bancos de que a concentração brasileira é normal. Acontece o mesmo na Europa e na Ásia, em que a concorrência é muito forte.

A inadimplência, de 2011 a 2017, teve queda no Brasil. E no mundo há 70 países mais inadimplentes que o Brasil. Na Itália, a inadimplência é 3 vezes mais alta que a brasileira, mas o spread aqui é 8 vezes superior, exemplificou.

As ações iniciais da campanha, no dia de seu lançamento, incluíram anúncios em jornais, assinados pela Fiesp e pelo Ciesp, a distribuição de folhetos explicativos nas portas de bancos na avenida Paulista por 150 pessoas vestidas como sapos e a divulgação no Facebook. Sapos gigantes foram posicionados na entrada do prédio.

O site da campanha tem os diagramas do material promocional, como panfletos e adesivos, para ser livremente reproduzido por quem quiser ajudar na divulgação.

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Paulo Skaf durante entrevista na FIesp no lançamento da campanha Chega de Engolir Sapo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Selic x empréstimos

O Banco Central reduziu a Selic, que é a taxa básica de juros da economia, para o menor valor da história. Nos últimos 16 meses, a Selic caiu de 14,25% para 6,75% ao ano. Mesmo assim, os juros cobrados do consumidor e das empresas continuam sendo os maiores do mundo. Na prática, a redução dos juros não foi repassada ao consumidor nem às empresas. Os juros da vida real no Brasil continuam absurdos.

Exemplo disso, são os juros de mais de 300% por ano no cheque especial e no cartão de crédito. Com essa taxa, uma dívida de R$ 100 se transforma em R$ 4 milhões em 10 anos.
Não é razoável que, mesmo durante a pior crise da história brasileira, os bancos tenham continuado a cobrar taxas estratosféricas e, assim, alcançado lucros injustificáveis.
Os três maiores bancos privados do Brasil tiveram lucro conjunto de 50 bilhões de reais em 2017, aumento de 12% em relação a 2016. Enquanto isso, a produção industrial caiu 20% no período da crise.

Não dá para aceitar que as coisas continuem assim, diz Skaf. “Juros altos diminuem o investimento das empresas, afastam as famílias de seus sonhos e emperram o crescimento do país. O crédito a preço justo é uma demanda inadiável.”

Juros baixos são bons para todos: o consumidor pode parcelar suas compras e as empresas podem fazer novos investimentos, gerando emprego e renda. “Chega de engolir sapo! Diga não aos juros mais altos do mundo!”, enfatiza Skaf.

Inadimplência não justifica spread alto, mostra levantamento da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Estudo do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) sobre a evolução do spread bancário (diferença entre taxa de captação e empréstimo) e as ações em relação a ele anunciadas pelo Banco Central são tema de reportagem publicada nesta terça-feira (21 de março) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O levantamento mostra que a taxa de spread bancário no Brasil é a mais alta do mundo. Em 2015, o spread médio brasileiro foi de 31,3 pontos percentuais (p.p.), contra 1,9 p.p, em média, de países comparáveis. O spread brasileiro é 16,4 vezes maior.

Além de destacar o nível de spread, a pesquisa desmonta os argumentos de que ele se deve principalmente à inadimplência e ao crédito direcionado.

Clique aqui para ter acesso ao estudo completo sobre o spread bancário no Brasil.

“Menos spread e mais volume” de crédito, defende Skaf durante reunião com presidente do BB

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Ao abrir nesta quinta-feira (23/2) reunião com o presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, e empresários, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, destacou a necessidade de reduzir as taxas de juros, tanto para as empresas quanto para os consumidores. “Menos spread e mais volume” foi a fórmula sugerida por Skaf.

“Estamos reaprendendo a conceder crédito”, disse Caffarelli. O presidente do BB revelou que serão treinados em concessão de crédito 5.000 gerentes do BB, que depois disseminarão o conhecimento pelas agências. Além disso, mais de 300.000 empresas de micro e pequeno porte foram mapeadas para ser contactadas, explicou Caffarelli – e já há limite disponível para elas. O presidente do BB afirmou que a Fiesp, enquanto não se corrigem os problemas no atendimento às empresas, pode ser a ponte com os empresários. Também está em estudo a retomada do financiamento à exportação.

Em relação aos juros, o movimento de redução vai acontecer, afirmou Caffarelli, evitando um aumento do spread. “É uma questão de consciência” dos bancos a respeito de seu papel neste momento.

Skaf destacou a importância de aproveitar o momento atual da economia. De um lado a indústria tem dado sinais de uma possível recuperação – por exemplo, depois de 20 meses com saldo negativo, houve criação de vagas em janeiro. Podemos potencializar ou perder essa oportunidade, disse Skaf, e não dar esse sinal positivo.

A fase é bastante difícil, afirmou o presidente da Fiesp e do Ciesp, “mas sabemos da importância da indústria da transformação para o país, na inovação, na criação de empregos e, para o governo, na arrecadação”, já que ela responde por 1/3 dos impostos arrecadados.

Além das reformas estruturais, do limite do crescimento dos gastos e outras medidas para que o país possa ter um crescimento duradouro, é fundamental a queda dos juros e o aumento da oferta do crédito.

O BNDES não está cumprindo seu papel, disse Skaf, que se declarou decepcionado pela incapacidade do banco em fazer fomento. “Está fazendo caixa”, afirmou, em vez de financiar o investimento produtivo.

O BB tem papel importante, para o agronegócio e outros setores, destacou Skaf ao apresentar Caffarelli. Frisou sua longa carreira na instituição e seu conhecimento do banco. “Está consciente da importância do banco para ajudar o país neste momento.”

Reunião na Fiesp entre empresários e o presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Reunião na Fiesp entre empresários e o presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“Trazer para o jogo”

Caffarelli explicou que mais de 60% do resultado do BB vem do crédito. “O BB vai se fazer presente, sim, na retomada do crescimento econômico”, que vai exigir a concessão de crédito.

Caffarelli disse que o sucesso do banco, em seus 208 anos, se deve à parceria com a indústria. Sua história se confunde com a da indústria brasileira, afirmou, e a Fiesp é sinônimo da indústria. O BB vem mostrando ao longo do tempo, especialmente durante as crises, que se faz presente nos momentos mais difíceis.

Desde 2008, disse Caffarelli, as grandes empresas de capital aberto tiveram sua rentabilidade reduzida em 80%. O desafio é “trazer a indústria para o jogo” de forma mais atuante daqui para a frente.

Esta crise, da qual já estamos saindo, disse, provocou a disparada dos pedidos de recuperação judicial, mas o pico deles já passou. Esta crise é mais complexa, explicou, durando mais do que as anteriores.

As medidas que estão sendo tomadas, junto com os dados da inflação, começam a dar resultado, disse o presidente do BB. Indicadores antecedentes, como o da indústria de papel e papelão, apontam para a retomada. E a safra agrícola, que tem 60% de sua operação financiada pelo BB, deverá ser a melhor da história do país.

Caffarelli lembrou que o agronegócio também é um grande parceiro no controle da inflação, graças à maior oferta de alimentos. Em agosto a inflação em 12 meses deverá estar em 3,4%. Isso inequivocamente mostra a necessidade de reduzir as taxas de juros no Brasil. No fim do ano a taxa deverá estar em um dígito, e a inflação estará controlada, favorecendo a economia. A entrada dos recursos liberados do FGTS deverá ter importante peso na economia.

O desafio que temos hoje é simplificar a questão tributária, para que as empresas fiquem no país, invistam nele. “Estamos apostando muito num círculo virtuoso”, disse Caffarelli, com os ajustes em curso e a volta da confiança de consumidores e investidores institucionais. O aumento do consumo e do investimento retroalimenta a economia e se reflete na arrecadação. A questão é complexa, disse, “mas tenho certeza que estamos no caminho certo”.

Comércio internacional e elevação dos investimentos em infraestrutura são importantes para a retomado do investimento, disse Caffarelli, ao lado do aumento da produtividade e da competitividade, do ajuste fiscal e do aperfeiçoamento do marco regulatório.

Cafarelli destacou a projeção de crescimento de 1,2% da indústria já em 2017, depois de longo período de retração.

Lula afirma que seletividade dos bancos eleva spread bancário

Agência Indusnet Fiesp,

Como conseqüência da paralisação do sistema financeiro internacional afetado pela crise, o aumento da demanda por crédito no mercado interno – impulsionado por empresas que antes recorriam a instituições no exterior para financiar suas operações – faz os bancos brasileiros tornarem ainda mais rigorosos os critérios para conceder empréstimo e eleva o custo dos recursos disponíveis.

A avaliação é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nesta segunda-feira (2) esteve na sede da Fiesp/Ciesp, onde se encontrou com o primeiro-ministro dos Países Baixos, Jan Peter Balkenende.

“Pelo fato de 30% do crédito de fora [grande empresas tomadoras de empréstimo, como a Petrobras] ter vindo buscar solução no mercado interno, estamos hoje com um processo de maior seletividade dos bancos brasileiros. O spread bancário ficou muito mais caro e muito mais seletivo”, avaliou Lula.

Ele reconheceu que o aumento da diferença entre o valor emprestado e os juros cobrados (spread) “é um problema que temos que resolver”. “Somente o crédito é capaz de reativar a pequena e média empresa brasileira, permitir o acesso a capital de giro, manter a agricultura com a qualidade produtiva dos últimos anos e, ao mesmo tempo, manter as grandes indústrias produzindo, sobretudo a do setor automobilístico”, acrescentou.

Segurança
O Presidente considerou que o País “não está livre da crise” e que “a diferença é que, enquanto alguns países entrarão em recessão, o Brasil sofrerá desaceleração do crescimento”.

Lula destacou as ações do governo federal para minimizar os efeitos da diminuição da oferta de dinheiro por bancos privados. “Tentamos resolver a falta de crédito colocando US$ 36 bilhões de nossas reservas à disposição das empresas e também das que tinham contas em dólar para pagar”, frisou.

Em sua opinião, a solidez do sistema bancário nacional e a forte presença de bancos públicos colocam o Brasil em posição de destaque ante a turbulência financeira global.

“Temos a solidez de um sistema financeiro calçado em bancos públicos. O BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], o Banco do Brasil e a Caixa [Econômica Federal] representam quase 50% de todo o crédito do País. Isso representa uma segurança que nos permite olhar para o resto do mundo e dizer que aqui estamos mais seguros”, analisou.