Coca-Cola Femsa vence 11ª edição do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso de Água

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

[tentblogger-youtube Lu5EoXur6FE]O Prêmio Fiesp Conservação e Reúso de Água se encontra em sua 11ª edição e homenageia as empresas que adotam medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de água. Neste ano, 36 empresas concorreram ao prêmio, sendo 29 de grande porte e 7 representantes das pequenas.

Na categoria Médio e Grande Porte, a vencedora foi a Coca-Cola Femsa-Brasil, que apresentou o projeto “A fórmula nada secreta de gestão de água”, tendo como foco sua fábrica de Jundiaí. Em 2003, a Coca-Cola Femsa assumiu essa fábrica, implementando projeto de gestão e de forte cultura de eficiência na utilização da água. Ano após ano houve uma diminuição da quantidade de água utilizada no processo produtivo.

A fábrica de Jundiaí é a maior produtora de Coca-Cola do mundo e a que menos consome água por litro de bebida fabricado no país. É usado, em média, 1,41 litro de água para produzir um litro de bebida, 25% mais eficiente que a média nacional de outras indústrias de bebidas e de países como Canadá, Espanha e Alemanha, que utilizam 2,3 litros para a produção de um litro da bebida.

O projeto priorizou a eliminação de pontos de desperdício e a valorização de todas as oportunidades para melhorias com foco na multiplicidade de ações sistemáticas e contínuas. Há a preocupação com o uso consciente e eficiente dos recursos hídricos pelo fato de a água ser a principal matéria-prima da empresa.

Pelo sistema implementado, houve a redução do consumo de água em 90% no processo de sanitização, conjunto de medidas adotadas na indústria alimentícia para fabricação dentro de condições higiênicas indispensáveis. Essa redução significa economia de 13 mil m3 de água/ano que fica à disposição da população de Jundiaí.

Outros benefícios apontados: garantia da qualidade da água usada para a produção de bebidas; diminuição da sobrecarga gerada na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) por conta do descarte frequente de sanitizações.

Entre as ações implementadas, a construção de duas novas tubulações para distribuição de água tratada para as linhas de produção, sendo que ambas contam com sistema de recirculação/retorno;  Central CIP dedicada; inclusão de um filtro polidor adicional “Hi-flow”; aumento da capacidade de distribuição de água de 550 para 850 m3/h; pontos de coletas com torneiras assépticas; sistemas dotados de medidores de turbidez e pHmetro online, com sistema de alarmes.

A estratégia de recuperar a água dos rinsers e reutilizá-la para a produção resulta em menor demanda de captação de água junto ao DAE de Jundiaí, o fornecedor público local, reduzindo também o impacto sobre a ETE. Com este processo, a economia diária chega a quase 30 m3 por hora, sendo 262.800 m3 ao ano.

Outras iniciativas incluem a modernização dos banheiros com alto impacto em função dos 1.500 profissionais atuantes na planta, gerando economia de água de 60 m3 ao dia ou 21.900 m3 ao ano. E, ainda, a recuperação da água de contra-lavagem de areia e carvão. Antes, ela era enviada à ETE, sobrecarregando a estação, mas como essa água é considerada de boa qualidade, foi implantado processo de recuperação para envio do insumo à caixa de abastecimento, fazendo com que a planta deixasse de captar 650m3/dia da concessionária local (DAE Jundiaí).

O projeto “A fórmula nada secreta de gestão de água”, que obteve o prêmio Planeta internamente no sistema Coca-Cola, recebe agora o reconhecimento externo ao conquistar o 1º lugar do Prêmio de Conservação e Reúso de Água da Fiesp/Ciesp.

Iniciado em 2013, o projeto estrategicamente revisa os diversos processos de uso de água na planta industrial porque “a água é praticamente o nosso produto. Revisamos os procedimentos que podem ser melhorados para a produção de um litro de bebida e fazemos reúso de água nos processos industriais, campanhas de conscientização com colaboradores, além de sua multiplicação junto à comunidade, melhoria do tratamento água e seu efluente e troca de equipamentos”, segundo explicou Rodrigo Malho e Simonato, gerente de Relações Institucionais da Coca-Cola Femsa. Para cada litro de bebida produzida se utiliza 1,4 litro de água “e a água que não vai para a garrafa é devolvida, tratada e limpa, ao manancial da cidade”, pontuou Simonato. Na unidade de Jundiaí, a economia gerada por essas iniciativas é suficiente para abastecer 20 mil residências/mês.

Quanto à conservação do recurso hídrico, foi realizada parceria com a organização não-governamental internacional The Nature Conservancy (TNC), coordenadora da Coalizão Cidades pela Água, que tem o objetivo de ampliar a segurança hídrica para 60 milhões de brasileiros em 12 regiões metropolitanas. A Coca-Cola Femsa integra a Coalizão, apoiando ações como a recuperação de florestas em áreas essenciais para a conservação de nascentes. O Sistema Coca-Cola Brasil desde 2013 é considerado neutro em água.

“Um dos pilares globais do negócio da Coca-Cola Femsa é a Sustentabilidade. O cuidado com o planeta e a preocupação com o uso consciente e eficiente dos recursos hídricos, principal matéria-prima dos nossos produtos, reflete o pensar global e o agir localmente da empresa”, diz José Ramón Martinez, Diretor Geral da Coca-Cola Femsa Brasil. “As pessoas, ao final, que fazem a diferença em qualquer projeto. A iniciativa chamada 3.000 OLHOS foi fundamental para o êxito”, acrescenta.

Ainda receberam menção honrosa as seguintes empresas na categoria Médio e Grande Porte:

  • Avon Industrial – Reúso de Efluentes e Comissão Interna de Conservação da Água da Unidade de Interlagos
  • Bignardi Indústria e Comércio de Papéis e Artefatos – Minimização do uso de água (Reúso) – Case Bignardi
  • Bunge Alimentos – Uso da tecnologia de filtração por osmose reversa para reúso de efluentes em indústria alimentícia – Unidade Bunge Jaguaré
  • Companhia Brasileira de Alumínio – Gestão de Recursos Hídricos nos processos produtivos de fundição de alumínio na unidade Votorantim Metais (CBA)
  • Votorantim Cimentos – Gestão Sustentável de Recursos Hídricos da Votorantim Cimentos: Plano de Gerenciamento de Água

Na categoria Micro e Pequeno Porte, a Legal Embalagens apresentou o projeto Efluente Zero. Em seu processo produtivo, a remoção de carga térmica do sistema é realizada com água como fluido de resfriamento. A água “quente” que sai desses trocadores de calor está sendo reaproveitada. Para isso, ela segue por um equipamento de resfriamento, uma torre de resfriamento evaporativo e retorna ao circuito do processo gerando zero efluente e minimizando o uso de nova água.

Com a implantação de novo sistema, que inclui a utilização de água de chuva, diminui-se o consumo de água externa, eliminando todo o efluente, deixando inclusive de se lançar efluentes sanitários em fossa.

Para a coleta de água de chuva, foi realizada a alteração estrutural de dutos de captação, construindo-se coletores e reservatórios para armazenagem e preservação da água. Toda a água descartada em cozinha, banheiros, escritório, etc., com a ETE MBR (Membrane Bioreactor), promove-se o tratamento de forma a não liberar odores, com o auxílio de tecnologia de ponta já empregada na Alemanha.

No momento da premiação, Carlos Guimarães Hespanhol, diretor da Legal Embalagens, lembrou que, “com 150 funcionários, tenho orgulho em participar de um país que será um bom país, no futuro. Confiamos em nós, em todos, no trabalho e vamos superar esta crise”.

Hespanhol explicou que fabricam embalagens plásticas e metálicas, o que exige o resfriamento de máquinas. Em 2013, foram investidos R$ 350 mil para implantação de planta-piloto, em parceria com o Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra) da Universidade de São Paulo, com a utilização de tecnologia de membranas da Invict. O resultado: efluente zero imediato com o projeto. “Não geramos mais nada de resíduo, de esgoto”, afirmou, apontando outro forte ganho, pois “logo após a implantação do projeto veio a crise hídrica”.

Márcio Romeiro, da Invict, lembrou que as membranas são intensamente utilizadas em outros países, mas, no Brasil, seu uso ainda é incipiente, apesar de sua capacidade de recuperação de 5 mil litros/dia. Esse sistema também está sendo implantado em hotéis, condomínios e indústrias de maior porte.

Ainda receberam menção honrosa as seguintes empresas na categoria Micro e Pequeno Porte:

  • Condomínio Pátio Victor Malzoni – Projeto Ecomalzoni: estação de tratamento de água/ sistema de reúso
  • Fundimazza Indústria e Comércio de Microfundidos (RECAF) – Reutilização e Captação de Água Fundimazza – Projeto de Redução de Consumo de Água
  • Bag Cleaner Comércio e Serviços

Para esta edição do prêmio, também puderam se inscrever empresas do setor de prestação de serviços.


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Entrega do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso de Água, em sua 11ª edição. Foto: Everton Amaro/Fiesp

11º Prêmio de Conservação e Reúso de Água – Cases Vencedores

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O Prêmio FIESP de Conservação e Reúso de Água objetiva conhecer, difundir e homenagear, anualmente, empresas que utilizam boas práticas na promoção do uso eficiente de água, com medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de água, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais e aumentando a competitividade do setor, bem como dar ampla publicidade às ações realizadas pela indústria paulista na construção do desenvolvimento sustentável.

Em 2016 foram 36 projetos inscritos para concorrerem ao Prêmio, nos links abaixo é possível conferir os projetos das empresas vencedoras.

Categoria Médio/Grande porte:

  • SPAL – Indústria Brasileira de Bebidas

Projeto: Fábrica de Jundiaí – A fórmula nada secreta de gestão da água

Categoria Micro/Pequeno porte:

  • Legal Embalagens

   Projeto: Efluente Zero