Conferência “Marca-País: Qual a vantagem competitiva?”

Agência Indusnet Fiesp

Dia 24 de março de 2015 se reuniram no Anfiteatro Turgot da Sorbonne, em Paris, empresários, acadêmicos e representantes do Brasil e da França para debater o tema “Marca-País” como estratégia de internacionalização de empresas.

Intitulado “Marca-País: Qual a vantagem competitiva?”, o evento organizado pela Cátedra Fiesp-Sorbonne Globalização e Mundo Emergente contou pela manhã com a participação de Almir Lima Nascimento, Conselheiro Comercial da Embaixada do Brasil em Paris, de Paulo Nassar, Presidente da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) e Professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), e de representantes da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM): Geraldo Alonso, Diretor do Instituto Cultural da ESPM, Ricardo Zagallo, Diretor do Centro de Altos Estudos da ESPM (CAEPM) e Vivian Strehlau, professora da instituição.

Almir Lima Nascimento (Embaixada do Brasil em Paris), Mario Frugiuele (FIESP), Nadia Jacoby (Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne) e Geraldo Alonso (ESPM). Foto: Ricardo Esteves/Divulgação

No intuito de conceituar a Marca-País, o Conselheiro Almir Lima Nascimento fez uma análise histórica do tema focando no papel da diplomacia brasileira na construção de uma imagem do Brasil. Em seguida, Paulo Nassar e a ESPM apresentaram a visão da academia sobre o tema, em que a ESPM mostrou o resultado de pesquisas empíricas sobre como a Marca-País é utilizada pelas empresas e distribuiu aos convidados sua publicação “Brasil: Múltiplas Identidades”.

Pela tarde, empresas brasileiras e francesas – EMBRAER, Carmem Steffens e Casino – representadas por Luiz Fuchs, Presidente da EMBRAER Europa, Eric Portelli, Diretor Europa e Oriente Médio da Carmen Steffens e Rafael Russowsky, Diretor de Desenvolvimento Corporativo do Casino debateram a importância da Marca-País no processo de internacionalização de empresas a partir de suas experiências no mercado internacional.

Anfiteatro Turgot na Sorbonne, o mesmo anfiteatro onde Oliveira Lima, Ministro do Brasil em Bruxelas, proferiu 12 palestras sobre o Brasil em 1911. Foto: Ricardo Esteves/Divulgação

A conferência teve repercussão positiva entre o público e o interesse dos empresários por pesquisas empíricas em relação ao tema foi expressivo, indicando não apenas a atualidade do tema Marca-País, mas também a necessidade crescente de se compreender o papel dela na internacionalização de empresas brasileiras.

Debate sobre o Teatro Contemporâneo Brasileiro no Salão do Livro de Paris

 Agência Indusnet Fiesp

A Cátedra Fiesp-Sorbonne Globalização e Mundo Emergente participou do Salão do Livro de Paris 2015 cujo país homenageado foi o Brasil. Com um público estimado de cerca de 200 mil pessoas, o Salão do Livro de Paris é um dos mais importantes eventos culturais da Europa contando com a participação de 1.200 editores de todo o mundo de um total de 50 países participantes.

No fechamento do evento, dia 23 de março, a Cátedra organizou um debate sobre o Teatro Contemporâneo Brasileiro para comemorar o lançamento de uma coletânea de peças de dramaturgos brasileiros contemporâneos traduzida para o francês, uma iniciativa do Ministério da Cultura e do Ministério de Relações Exteriores do Brasil com o apoio da Embaixada do Brasil em Paris.

Pavilhão do Brasil no Salão do Livro de Paris 2015 (Pavilhão 1 do Centro de Exposições Paris Porte de Versailles). Foto: Ricardo Esteves/Divulgação

Com a participação da atriz e produtora executiva Danielle Cabral, da diretora do Núcleo de Fomentos Culturais da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Marisabel Lessi de Melo, de Walter Vicioni Gonçalves, Diretor Regional do Senai-SP e Superintendente do Sesi-SP, além dos dramaturgos Bosco Brasil, Jô Bilac, Sergio Roveri e Newton Moreno, o debate abordou o tema do teatro contemporâneo sob duas perspectivas: a do financiamento e fomento teatral e a da dramaturgia e processo criativo.

O público participou intensamente do debate marcando o sucesso do evento. Assim, com mais este projeto, a Cátedra Fiesp-Sorbonne dá continuidade às iniciativas culturais não somente em São Paulo, mas também em Paris.

Fiesp e Sorbonne planejam atividades da Cátedra ‘Globalização e mundo emergente’

Agência Indusnet Fiesp

Resultado de um acordo de cooperação entre a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Universidade de Paris 1 Pantheon-Sorbonne, a Cátedra “Globalização e mundo emergente Fiesp-Sorbonne” ganhou um novo impulso no final de outubro, com a visita de representantes da instituição francesa ao Brasil.

Liderando a comitiva, a vice-presidente de Comunicação e Sistema de Informação da Sorbonne, Nadia Jacoby, foi recebida por Mario Frugiuele, diretor secretário da Fiesp, que faz a coordenação da Cátedra pela entidade.

Na pauta, os planos para o ano de 2015 dessa parceria que envolve cooperação científica, técnica e consultiva; treinamento e capacitação de pessoas; além de atividades de visibilidade institucional – nos anos 2013 e 2014 foram realizadas várias atividades em conjunto.

Mario Frugiuele (Fiesp) e Nadia Jacoby (Sorbonne): planos para concretizar de seis a oito projetos em 2015. Foto: Divulgação

 

Para concretizar o planejamento, os representantes da Sorbonne abriram diálogo com diversos departamentos da Fiesp – de Economia, Infraestrutura, Jurídico e Meio Ambiente, entre outros.

O objetivo é identificar áreas de interesse em comum, de acordo com Mario Frugiuele. “Vamos ter muito trabalho pela frente. Serão de seis a oito projetos em 2015”, adianta o diretor da Fiesp.

Uma das atividades previstas, antecipa o diretor secretário da Fiesp, é analisar as relações de trabalho e emprego existentes nos dois países, num comparativo entre as condições brasileiras e francesas.

Nova estrutura

Nadia Jacoby: atividades de 2015 serão concentradas em negócios, cultura e natureza acadêmica. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Na visita também foram acertados detalhes operacionais depois da definição da nova estrutura de gestão da Cátedra. “Fomos apresentados ao novo coordenador pela Sorbonne, Angelo Secchi. Foi decidido que agora os trabalhos passam a ter a colaboração da vice-presidente da Sorbonne Nadia Jacoby, em função da importância que a instituição dá a essa cátedra com o setor privado brasileiro. Assim, de uma maneira prática, o processo de gestão da cátedra ficou mais pesado. Temos uma equipe mais forte”, avalia Frugiuele.

Segundo Nadia Jacoby, as atividades de 2015 terão três eixos: negócios, cultura e de natureza acadêmica.

“O projeto focado nos negócios gira em torno de como podemos vender mais facilmente o Brasil como uma marca. E o projeto cultural será sobre o mercado cinematográfico brasileiro e os diferentes modelos de financiamento de filmes entre França e Brasil”, explica a vice-presidente.

Angelo Secchi assume a coordenação da Cátedra pela Sorbonne. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Substituto do professor doutor Guillermo Hillcoat (1948-2014), o coordenador Angelo Secchi é Ph.D. em Economia e Gestão pela Scuola Superiore Sant’Anna, na Itália.

A cátedra, em seu ponto de vista, tem dois objetivos. “O primeiro deles é promover e estabelecer trocas por meio da competência da Sorbonne, difundindo conhecimento acadêmico. Outro é promover troca de visões e conhecimentos a respeito de questões econômicas.”

“É um projeto muito animador. Do lado da Sorbonne, é a primeira experiência que fazemos com uma instituição não acadêmica”, ressalta Secchi.

Uma das novidades desse novo modelo de estrutura da Cátedra é a contratação pela Sorbonne do estudante de doutorado brasileiro Jonas Rama. Ele fica em Paris, onde cuidará da gestão operacional da parceria do lado francês. No Brasil, em contrapartida, a função é exercida por Larissa Agune Vázquez formada em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP).

Jonas Rama: brasileiro passa a cuidar da gestão operacional da parceria do lado francês. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“Temos uma estrutura de projetos definida para 2015, mas as temáticas estão sendo definidas a partir das conversas com os departamentos da Fiesp durante esta visita. Estamos tentando identificar interesses comuns entre departamentos, para alinhar os temas entre as duas entidades”, esclarecem os coordenadores da Cátedra.

Um dos projetos em planejamento para 2015 é a participação na Feira do Livro de Paris, em março de 2015. O homenageado do ano é Brasil, com um estande central sobre assuntos brasileiros, com publicações de livros, debates e presença de autores. A temática do estande será o teatro brasileiro contemporâneo. Nos planos da cátedra estão a divulgação de ações que Fiesp e Sesi-SP realizam nessa área como, por exemplo, o projeto educacional em teatro musical.

Avaliação

Para Nadia Jacoby, a ideia de trabalhar com uma instituição privada foi animadora desde novembro de 2012, quando foi firmado o termo de cooperação com a Fiesp. “Durante esses dois anos, descobrimos como trabalhar juntos”, observa a vice-presidente.

A avaliação de Mario Frugiuele também é positiva. “Existem vários temas que já foram abordados pela Cátedra. Um deles muito interessante é a arbitragem. A França é reconhecida como um país que tem uma tradição muito forte nesta área.”

Mario Frugiuele e Nadia Jacoby: avaliação positiva da Cátedra. Foto: Divulgação

Outro reflexo positivo é na área de Economia do Esporte, destaca Frugiuele, que também coordena o Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) da Fiesp. “A cátedra proporcionou uma visão sobre o assunto que acabou tendo influência em uma reunião que tivemos com o ministro  [do Esporte] Aldo Rebello, o que mais tarde gerou uma comissão interministerial para a qual a Fiesp, por meio do Code, foi convidada a ter um assento”.

A expectativa para o futuro é que a Cátedra seja ainda mais efetiva, afirma Frugiuele. “Estou muito esperançoso com o trabalho para 2015, agora ainda mais forte, com mais pessoas envolvidas.”

>> Saiba mais sobre a Cátedra Fiesp-Sorbonne 

Apresentações do Seminário Internacional “Arbitragem: visão brasileira e contraponto francês” – 29/04/2014

 “Arbitragem: Visão Brasileira e Contraponto Francês” foi tema do seminário internacional organizado pela Cátedra Fiesp-Sorbonne Globalização e Mundo Emergente , dia 29 de abril de 2014, em conjunto com a Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Nesta ocasião diversos especialistas brasileiros em arbitragem debateram a importância, a vantagem e a eficiência do processo de arbitragem com o professor Diego Arroyo da universidade francesa  Sciences Po.

Veja no menu ao lado as apresentações de:

  • A visão francesa da arbitragem depois da reforma de 2011 – Diego P. Fernández Arroyo
  • Árbitro Dever de Revelação – Profa. Dra. Selma Lemes

 

 

Palestra: As Razões e Desafios da Internacionalização: Olhar Sobre a Experiência das PMEs Europeias no Brasil

No dia 10 de outubro de 2013, os pesquisadoras Florence Pinot de Villechenon (Esc Europe-Cerale) e Humberto López Rizzo (Université Paris 1-Chaire des Amériques) apresentaram a palestra “As razões e os desafios da internacionalização :  um olhar sobre a experiência das pequenas e médias empresas  europeias operando no Brasil”.

 

Para acessar a apresentação da palestra, clique aqui.

Fiesp e Sorbonne apresentam mostra gratuita de cinema franco-brasileiro

Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Universidade de Sorbonne reuniram nove filmes clássicos, da França e do Brasil, que tratam da temática urbana em três tempos da sétima arte: Cinema Mudo, Moderno e Contemporâneo, na mostra inédita A Cidade no Cinema. A seleção traça um panorama histórico e cultural de ambos os países. A programação gratuita acontece nesta primeira semana de junho, de segunda-feira (02/06) a quinta-feira (05/06), no Espaço Mezanino do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na Avenida Paulista.

Foram convidadas para apresentar e comentar os títulos, as professoras de cinema Cecília Mello (Universidade de São Paulo), Carolin Overhoff (Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e a francesa responsável pela disciplina de Estética do Cinema da Sorbonne, Céline Scémama, docente também nas matérias de Plásticas do Espetáculo, Música, Musicologia e Estética e Ciências da Arte.

O debate entre as três mestres encerra a mostra na quinta-feira (05/06) e acontece das 14h às 17h. As inscrições devem ser realizadas via internet, no endereço http://zip.net/bnnwpS. As vagas são limitadas.

A ação é parte do programa Cátedra Globalização e Mundo Emergente Fiesp-Sorbonne, uma parceria institucional que visa estreitar os vínculos entre França e Brasil e ampliar a divulgação da cultura de ambos os países.

Sinopses dos filmes

“São Paulo, Sinfonia da Metrópole” – Documentário que retrata a cidade de São Paulo no final da década de vinte. Para a realização do filme os diretores Rodolfo Lustig e Adalberto Kemeny inspiraram-se na ideia de “Berlim: sinfonia da metrópole” (1927) (Berlin: Die Sinfonie der Großstadt – 1927), documentário dirigido pelo alemão Walter Ruttmann. O filme é mudo, mas não por isso deixa de transmitir sua mensagem. A sequência de imagens vai tecendo uma narrativa de culto à modernidade que acaba de chegar, ou que se quer ver presente. São Paulo é exposta como sendo uma cidade moderna, comparada a muitas outras metrópoles norte-americanas ou europeias, muito embora as imagens mostrem somente aquilo que interessa à construção da ideia de que a cidade já faz parte do “progresso”.

“A Propos de Nice” (A Propósito de Nice) – A reputação de Jean Vigo como um prodígio do cinema resta em menos de 200 minutos de filme. Nesta sua primeira experiência, um documentário de 22 minutos, podemos perceber imediatamente a energia e aptidão de uma grande talento. Mas “À Propósito de Nice” é muito mais que uma peça rara biográfica, é um dos últimos filmes a sair era fértil do cinema avant-garde francês e permanece como um dos melhores exemplos para ilustrar a combinação de instintos formais e sociais da época.

“Le Jour se leve” (Trágico Amanhecer) – François (Jean Gabin) é um trabalhador de uma fábrica, alguém bem comum que acabou assassinando um homem em seu próprio apartamento. Apavorado com o que acabou de fazer, François permanece entocado no local do crime enquanto a polícia e curiosos cercam o local e tentam fazê-lo descer. Em flashbacks que se juntam ao presente, a história anterior ao assassinato vai sendo revelada, assim como a identidade do morto, um homem que era amoral e manipulador.

“L’Amour existe” (O Amor existe): Aubervilliers, Pantin, Courbevoie, Nanterre… uma viagem pelos subúrbios parisienses no fim dos anos 50. A degradação da paisagem, o fracasso e a devastação provocados pela urbanização, a condição de vida dos trabalhadores e dos imigrantes a dois passos da avenida Champs-Elysées.

“Alphaville” – A cidade de Alphaville é comandada pelo computador Alpha 60, que aboliu os sentimentos em seus habitantes. Lemmy Caution (Eddie Constantine) é um agente enviado ao local, com a missão de encontrar o professor von Braun, criador de Alpha 60. Seu objetivo é convence-lo a destruir máquina. No percurso Natacha (Anna Karina), a filha do professor, lhe ajuda como guia.

“São Paulo Sociedade Anônima” – Em São Paulo, entre 1957 e 1961, é mostrada a trajetória de Carlos (Walmor Chagas), que pertence à classe média. Guiando-se pelas chances imediatas que lhe são dadas pela sociedade, ele ingressa numa grande empresa. Depois aceita um cargo numa fábrica de auto-peças, da qual torna-se gerente. A certa altura se vê na pele de um chefe de família, que trabalha muito, ganha bem, mas vive insatisfeito. Sem projeto de vida ou perspectivas de se opor à condição que rejeita, só lhe resta fugir.

“Ma 6T va crack-er” (Gangues da minha cidade) – Meaux, periferia de Paris. Na cidade, vivem uma vida de marginais. Arco, Malik e Moustapha têm 16 anos e poucas perspectivas de futuro. Djeff, J. M., Pete e Hamouda têm entre 20 e 26 ans e já sofrem há muito tempo com o desemprego. Sob o pano de fundo do rap, ao longo de rixas (entre eles mesmos ou contra a polícia), de planos amorosos e de roubos ao supermercado da esquina, a vida cotidiana de uma juventude desiludida.

“O Invasor” – Estevão, Ivan e Gilberto são companheiros desde os tempos de faculdade. Além disto, são sócios em uma construtora de sucesso há mais de 15 anos. O relacionamento entre eles sempre foi muito bom, até que um desentendimento na condução dos negócios faz com que eles entrem em choque, com Estevão, sócio majoritário, ameaçando deixar o negócio. Acuados, Ivan e Gilberto decidem então contratar Anísio (Paulo Miklos), um matador de aluguel, para assassinar Estevão e poderem conduzir a construtora do modo como bem entendem.

“A Dama do Cine Shanghai” – Em uma noite úmida de verão, o corretor de imóveis Lucas (Antônio Fagundes) entra em um velho cinema de São Paulo. Dentro da sala ele conhece Suzana (Maitê Proença), uma mulher muito parecida com a que está no filme em exibição. Sedutora e misteriosa, ela é casada com Desdino (Paulo Villaça) e renega as tentativas de Lucas em conquistá-la. Quando é injustamente acusado de assassinato, Lucas passa a buscar o verdadeiro autor do crime. Só que quanto mais investiga mais as pistas apontam para Suzana e Desdino.
Programação

02/06 – 18h às 22h

Sinfonia das Cidades: Cinema Mudo

“São Paulo, Sinfonia da Metrópole” (Kemeny/Lustig, 1929) – 90’

“A Propos de Nice” (Vigo, 1930) – 58’

“A Idade Clássica: Cinema Falado”

“Le Jour se leve” (Carné, 1939) – 93’

 

03/06 – 18h às 22h

Cinema Moderno

“L’Amour existe” (Pialat, 1961) – 21’

“Alphaville” (Jean-Luc Godard, 1965) – 99’

“São Paulo Sociedade Anônima” (Luís Sérgio Person, 1965) – 107’

 

04/06 – 13h30 às 18h30

IV – Cinema Contemporâneo

“Ma 6T va crack-er” (Richet, 1996) – 105’

“O Invasor” (Beto Brant, 2001) – 97’

“A Dama do Cine Shanghai” (Guilherme de Almeida Prado, 1987) – 115’

 

05/06 – 14h às 17h

Mesa Redonda

Céline Scémama – Université Paris I – Panthéon-Sorbonne

Cecília Mello – Universidade de São Paulo

Carolin Overhoff Ferreira – Universidade Federal de São Paulo

 

Serviço:

Mostra de Cinema Franco-Brasileiro

Filmes: “São Paulo, Sinfonia da Metrópole”, “A Propos de Nice”, “Le Jour se leve”, “L’Amour existe”, “Alphaville”, “São Paulo Sociedade Anônima”, “Ma 6T va crack-er”, “O Invasor”, “A Dama do Cine Shanghai”

Local: Espaço Mezanino do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.
Datas: de 2 a 5 de junho de 2014.
Entrada: Franca.
Capacidade: 60 lugares.
As inscrições devem ser feitas via internet, no endereço http://zip.net/bnnwpS

 

A visão brasileira da arbitragem e o contraponto francês são tema de seminário

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) realizaram, nesta terça-feira (29/04), o Seminário Internacional de Arbitragem da Cátedra Fiesp/Sorbonne e Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem. O objetivo foi debater a importância, a vantagem e a eficiência do processo de arbitragem.

O evento contou com a participação do 2º diretor secretário da Fiesp e coordenador da cátedra no Brasil, Mario Eugenio Frugiuele, e a abertura foi conduzida pelo ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos (Conjur) da Fiesp, Sydney Sanches, que falou sobre a parceria da Fiesp com a Sorbonne, a primeira iniciativa da universidade com a iniciativa privada fora da França.

“Em 2011, uma delegação da Fiesp visitou a sede de Paris e propôs a celebração de uma parceria de médio e longo prazo. Em agosto de 2012, uma missão de lá visitou a Fiesp e discutiu o formato do protocolo de cooperação”, contou. “Entre os objetivos desse protocolo estão: treinamento, cooperação científica e técnica, atividades de grande visibilidade institucional de temas de interesse das partícipes.”

Segundo Sanches, a arbitragem é um dos temas que serão discutidos para 2014, primeiro ano de atividade da Cátedra, que também tem como assuntos de interesse as relações de trabalho na França e no Brasil, o fenômeno de desindustrialização e os desafios da reindustrialização, meio ambiente, agronegócio, saneamento, transporte e logística, entre outros.

O seminário na Fiesp: arbitragem será tema de destaque em 2014. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O seminário na Fiesp: arbitragem será tema de destaque em 2014. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Buscando ampliar a ação da câmara de arbitragem Fiesp/Ciesp e também internacionalizá-la, há o projeto de realizar, no segundo semestre, um curso de arbitragem.

Intervenção do juiz estatal

O primeiro painel, presidido pela ministra aposentada e ex-presidente do STF, Ellen Gracie, discutiu a intervenção do juiz estatal na arbitragem. “A atividade arbitral não pode prescindir de uma boa relação com o poder judiciário, porque é indispensável que o árbitro recorra ao judiciário, por exemplo, se precisa a condução forçada de uma testemunha e tantos outros exemplos.”

O professor da escola de direito “Sciences Po” em Paris, Diego Fernandez, da Universidade Paris 1 – Pantheon-Sorbonne traçou um histórico da arbitragem na França, mostrando as linhas mestras da reforma do direito francês. Fernandez também destacou dois pontos específicos da arbitragem na França: a questão do juiz de apoio e a jurisdição universal.

“O juiz de apoio intervém somente em caso de problema na nomeação dos árbitros, se uma das partes se opõe à nomeação de um dos árbitros e na prorrogação do prazo para proferir a sentença pela comissão arbitral. Está é a única maneira do juiz intervir na arbitragem”, explicou.

De acordo com professor, a importância da arbitragem francesa no mundo resultou na jurisdição universal. “Por exemplo, se temos duas partes, uma de Cingapura e outra de São Paulo, que estão com problemas e não confiam nos judiciários de seus países,eles podem ir até o juiz francês, que pode ajudar a encontrar outro árbitro ou intervir de alguma outra forma. As partes também podem escolher o direito francês como direito processual subsidiário para resolver as questões de arbitragem.”

Após a exposição do professor de Paris, Carlos Alberto Carmona, professor doutor da Universidade de São Paulo e sócio do escritório Marques Rosado Toledo César & Carmona Advogados, afirmou que faria uma “contra-palestra”.

“Quando estávamos imaginando uma lei de arbitragem no Brasil, surgiu a dúvida se iríamos estabelecer um sistema dualista ou monista. Contra todas as recomendações, estabelecemos no sistema monista, diferente da França, e acredito que a arbitragem no Brasil progrediu exatamente por causa disso”, defende.

“A arbitragem monista é a mola propulsora. Não há arbitragem doméstica, no mundo inteiro, melhor do que a nossa. Porque utilizamos na arbitragem doméstica princípios que os outros países utilizam apenas na internacional, uma blindagem importante contra o sistema judiciário.”

Carmona se mostrou contrário à jurisdição universal. “Os franceses têm uma visão romântica de que a arbitragem flutua pela Europa e sobrevoa a França e fica circulando a Torre Eiffel. Mas isso não existe. Toda e qualquer arbitragem tem que ter uma ancoragem geográfica.”

“Sugiro que, se estiverem diante em uma situação em que seja possível escolher ao acesso à jurisdição francesa, que neguem isso até a morte”, declarou o professor. “Porque é um desfavor à arbitragem, porque cria intranquilidade para o tribunal arbitral.”

O papel do judiciário

O painel foi finalizado pelo sócio fundador do escritório Ferro, Castro Neves, Daltro e Gomide Advogados, Marcelo Ferro. Ele comentou o papel do judiciário na arbitragem.

“O Brasil tem na sua jurisprudência essa formação mais pró-arbitral. E a tendência de algumas pessoas de achar que o juiz é pró-arbitragem quando ele julga a favor da arbitragem, me parece uma visão equivocada”, afirmou. “Muitas vezes ele tem que julgar contra a arbitragem quando houver situação que justifique a arbitragem.”

Ainda no Seminário, foram realizados painéis sobre táticas dilatórias no procedimento arbitral, a evolução da apreciação da imparcialidade e independência dos árbitros e riscos de rejeição da sentença arbitral.

 

Fiesp e Sorbonne lançam cátedra que dá início à cooperação em temas como globalização e mundo emergente

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu nos dias 8 e 9 de abril, em sua sede, a visita  de uma comitiva da Universidade de Paris 1 Pantheon-Sorbonne.

O encontro marcou o lançamento da cátedra “Globalização e mundo emergente Fiesp-Sorbonne”, resultado de um acordo de cooperação firmado em novembro de 2012 entre as duas instituições.  A parceria prevê treinamento e capacitação de pessoas, cooperação científica, técnica e consultiva e atividades de visibilidade institucional.

Fizeram parte da delegação francesa dois vice-reitores da Sorbonne, Nadia Jacoby (Comunicação e Sistema de Informação) e Jean-Marc Bonnisseau (Relações Internacionais) e o coordenador da cátedra na França, o professor Guillermo Hillcoat.

Na foto, da esquerda para a direita: Guillermo Hillcoat, coordenador da cátedra na França; os vice-reitores da Sorbonne, Nadia Jacoby (Comunicação e Sistema de Informação) e Jean-Marc Bonnisseau (Relações Internacionais); e o 2º diretor secretário da Fiesp e coordenador da cátedra no Brasil, Mario Eugenio Frugiuele. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Entre as ações previstas no escopo da cátedra estão a promoção de módulos de formação de curta duração nos dois países, intercâmbio de experiências e de conhecimento entre as instituições por meio de grupo de pesquisas, workshops, seminários, jornadas, conferências, mesas redondas, colóquios ou mesmo estudos e projetos, além de dois eventos institucionais, um em São Paulo e outro em Paris.

Para o 2º diretor secretário da Fiesp e coordenador da cátedra no Brasil, Mario Eugenio Frugiuele, as expectativas são as melhores possíveis. “É um trabalho conjunto da academia com o setor privado. É a primeira vez que este tipo de acordo é feito fora da França. A Fiesp é uma entidade que, pela forma como está atuando – principalmente em função da posição segura, decidida e dinâmica de nosso presidente Paulo Skaf –, tem a confiança da própria Sorbonne, fundada no ano de 1200. O acordo com uma instituição desse nível é uma grande honra. Esperamos que, dentro do tamanho e da força das duas entidades, os projetos sejam tão importantes quanto isso”, afirma Frugiuele.

Comitiva francesa participa de reunião da diretoria da Fiesp. Foto: Junior Ruiz/Fiesp

De acordo com a vice-reitora Nadia Jacoby, a Fiesp tem preocupações similares às da Sorbonne, no que se refere ao comportamento das relações industriais. “Nós questionamos as coisas como universidade, do ponto de vista acadêmico, e nosso parceiro, a Fiesp, faz o mesmo tipo de perguntas, mas de um ponto de vista muito mais operacional e, eu diria, muito mais pragmático.”

Segundo Guillermo Hillcoat, há convergência de interesses. “Hoje, temos problemas que são comuns – aqui e na Europa – como a questão da desindustrialização, o problema do êxodo de empresas com a concorrência asiática, as questões ligadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação, com novos produtos e métodos produtivos. Então, temos problemáticas que são transversais. Não há somente os antigos países industrializados e os países em desenvolvimento como nos anos 60/70. Hoje, existe uma multipolaridade de regiões emergentes”, explicou.

O coordenador da cátedra na França comentou suas expectativas nessa cooperação entre as entidades: “Consideramos esta relação [com a Fiesp] uma relação de aprendizagem e de colaboração entre iguais, entre pares, e é neste espírito que nós começamos a identificar certos projetos”.

Visita

No primeiro dia de visita (08/04), Nadia Jacoby, Jean-Marc Bonnisseau e Guillermo Hillcoat, foram recebidos pelos 1º e pelo 2º diretores secretários da Fiesp, Nicolau Jacob Neto e Mario Frugiuele, respectivamente.

Comitiva da Sorbonne em reunião de trabalho com diretores da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Em seguida, os convidados tiveram reuniões de trabalho com diretores de departamento da Fiesp, como Nelson Pereira dos Reis (Meio Ambiente), José Ricardo Roriz Coelho (Competitividade e Tecnologia), Antonio Carlos Teixeira Alvares (Pesquisas e Estudos Econômicos) e Newton de Mello e Antonio Fernando Guimarães Bessa (Relações Internacionais e Comércio Exterior), além de Walter Vicioni Gonçalves, diretor regional do Senai-SP e superintendente do Sesi-SP.

A programação do dia foi encerrada com uma entrevista ao jornal Valor Econômico e a participação em reunião de diretoria da Fiesp.

No segundo dia, a comitiva francesa visitou uma escola do Sesi-SP e outra do Senai-SP, no bairro da Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.

Segundo Jean-Marc Bonnisseau, vice-reitor de Relações Internacionais da Sorbonne, o interesse da universidade francesa em torno do sistema Sesi-SP e Senai-SP é um exemplo de como efetivamente são bilaterais as trocas proporcionadas pela cátedra.

Visita dos representantes da Sorbonne à escola do Sesi-SP na Vila Leopoldina. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Na França, toda essa questão da formação profissional está no centro de vários debates, particularmente por causa da elevada taxa de desemprego que temos – e que continua a aumentar. E está claro que a formação profissional talvez não seja tão eficaz quanto deveria ser no sistema francês para lutar contra o desemprego e ajudar os trabalhadores a adquirir qualificações novas para uma melhor integração no mercado de trabalho”, explicou.

Sobre o seu contato com o Senai-SP, Jean-Marc Bonnisseau expressou suas expectativas de aprender com a instituição. “E, talvez, importar boas práticas do Brasil para a França, no tocante à organização da formação profissional”, completou.

Atividades

Para implementar a iniciativa, Fiesp e Sorbonne estão convidando interessados em apresentar projetos. A Fiesp, com chamados a instituições de ensino superior e entidades privadas, entre outras; a Sorbonne, junto à rede acadêmica na França.

O objetivo é receber projetos – posteriormente selecionados por uma comissão paritária – sobre diversos temas: relações de trabalho no Brasil e na França; fenômeno da desindustrialização e desafios de reindustrialização; arquitetura sustentável; agronegócio; infraestrutura; meio ambiente; inovação tecnológica e competitividade.

Acordo com Sorbonne é muito importante para a Fiesp, diz Mario Frugiuele, diretor secretário da entidade

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Relações de trabalho e emprego, sustentabilidade, infraestrutura, direito internacional, competitividade e inovação são alguns dos temas que irão mobilizar os esforços da cátedra “Globalização e mundo emergente Fiesp-Sorbonne”, lançada no dia 08/04 pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com a Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne. A informação é do diretor secretário da Fiesp e diretor da cátedra no Brasil, Mario Eugenio Frugiuele.

Mario Frugiuele, diretor secretário da Fiesp, dirige a cátedra no Brasil. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Articulador do convênio com a instituição francesa, Frugiuele diz que é a primeira vez que este tipo de acordo é feito pela Sorbonne com uma instituição do setor privado fora da França e que o reconhecimento da universidade francesa é muito importante para a Fiesp. O diretor da Fiesp explica ainda como foram originadas as conversações com a Sorbonne e fala das expectativas para os trabalhos nos próximos três anos.

Leia trechos da entrevista:

Aproximação Fiesp e Sorbonne

Essa aproximação surgiu numa missão que a Fiesp fez à feira Batimat, em Paris, organizada pelo Departamento de Construção (Deconcic) da entidade. Eu conheci o professor da Sorbonne Guillermo Hillcoat [na época diretor da Cátedra das Américas] em um encontro na casa do embaixador brasileiro na França, José Maurício Bustani, junto com o vice-presidente da Fiesp José Carlos de Oliveira Lima. Trocamos impressões e falamos na possibilidade de tentar um relacionamento mais forte entre Fiesp e Sorbonne, ideia compartilhada e incentivada pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Em meados de 2011, fomos para a França para assinar um protocolo de intenções entre as entidades. Este acordo foi seguido de uma nova missão à Batimat, em 2011, com uma série de cursos na própria Sorbonne, o que demonstrou grande aceitação do nosso público empresarial a esse relacionamento com o setor acadêmico – especialmente a Sorbonne.

Percebendo a possibilidade de algo mais importante do que simplesmente um acordo de cooperação, e por sugestão do próprio professor Guillermo Hillcoat, ponderamos que o projeto mais importante e viável seria a formação de uma cátedra. Assinamos, portanto, em 2012, o protocolo de formação da cátedra e, em seguida, fizemos a assinatura da cátedra.

Projetos para a cátedra Fiesp-Sorbonne

Nós solicitamos projetos tanto na França como no Brasil e eles estão chegando. As pessoas interessadas, tanto do ramo acadêmico como do setor privado, estão enviando propostas com possibilidades de estudos e de parcerias de projetos dentro da cátedra. Estaremos trabalhando em conjunto nesses três anos e desenvolvendo os projetos de interesse mútuo, tanto da Fiesp quanto da Sorbonne.

Temas básicos

Nesse primeiro momento da cátedra, definimos temas básicos de estudo dentro de nossa programação para o ano de 2013.

Esses eixos básicos são: relações de trabalho e emprego, sustentabilidade, infraestrutura, direito internacional, direito econômico e várias situações estão surgindo com as possibilidades de desenvolvimento, inclusive na área de competitividade e inovação.

Os trabalhos já estão em andamento. Essa visita de lançamento [da comitiva da Sorbonne, nos dias 8 e 9 de abril] é também uma visita de trabalho. Várias reuniões foram feitas em função da programação dos projetos. Entendemos que, no mais tardar a partir de junho, já estaremos transformando em realidade essa ideia surgida em 2009.

Reconhecimento à Fiesp

É um trabalho inovador da academia com o setor privado e a primeira vez que este tipo de acordo é feito fora da França.

A Fiesp é uma entidade que, pela forma como atua – principalmente, em função da posição segura, decidida e dinâmica do presidente Paulo Skaf –, goza de uma confiança recíproca com a Sorbonne, uma universidade fundada em 1257.

O acordo com uma instituição acadêmica desse nível, para nós, é uma grande honra. Acreditamos que os projetos a serem executados neste convênio reflitam a credibilidade e importância das entidades envolvidas.

Relações Brasil e França

Além da situação de desenvolvimento das áreas de interesse comum, tanto em termos de transferência de conhecimento e de ideias, existe também uma situação muito importante que é o aumento do relacionamento entre o Brasil e a França.

De certa forma, essa atitude proativa da Fiesp vem ao encontro dos interesses, claro, da própria situação da indústria.

Quanto maior o nosso relacionamento, maiores as possibilidades de intercâmbio – tanto de conhecimento como de experiências.

Entrevista: Guillermo Hillcoat, coordenador da cátedra Fiesp-Sorbonne na França

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Guillermo Hillcoat: Brasil e França tem problemas comuns coma questão da desindustrialização. Foto: Julia Moraes/Fiesp

PhD em Economia na Universidade de Paris VIII, o professor Guillermo Hillcoat , da Universidade de Paris 1 Panthéon Sorbonne, é o coordenador na França da cátedra “Globalização e mundo emergente”, resultado de uma parceria entre a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a instituição francesa.

Mestre em Economia Política pela Universidade de Paris, Hillcoat é consultor de instituições como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Comissão Europeia. É pesquisador no Centro de economia da Sorbonne e foi diretor, entre 2006 e 2012, da “Chaire des Amériques”.

Em entrevista ao site da Fiesp, Hillcoat fala sobre como surgiu a parceria, os objetivos da cátedra e como ele vê com relacionamento com a Fiesp.

Por que a Sorbonne decidiu trabalhar com a Fiesp?

Guillermo Hillcoat – A Universidade Sorbonne tem relações múltiplas, tanto no continente americano como em outras regiões do mundo. A internacionalização das universidades na Europa e, sobretudo, na França, tornou-se uma preocupação relevante e estratégica porque as universidades que não se internacionalizam – ou que se internacionalizam pouco – perdem em competitividade, conceito muito utilizado hoje em economia e na indústria.

Tivemos a chance de conhecer membros da diretoria da Fiesp, inclusive o presidente [Paulo Skaf]. E foi ali que pensamos em trabalhar sobre algo inovador porque, da mesma forma que é a primeira vez que a Fiesp firma um acordo com uma universidade fora do Brasil, para nossa Universidade também é uma inovação fazer um acordo bem amplo, com muito potencial, com uma instituição da sociedade civil, neste caso, uma federação de empresários, industriais, ainda mais por se tratar de uma grande cidade industrial de um país emergente, no caso, o Brasil.

Então, estávamos ambos bastante entusiasmados para desenvolver esta negociação e concluir algo que seja uma instância, de forma organizacional, que permitiria desenvolver aspectos ligados ao ensino, à formação, aqui ou em Paris; realizar atividades de grande público, conferências, mesas redondas, e fazer também diagnósticos setoriais, estudos pontuais, se aproximando de pesquisa. E, para isso, a ideia de criar uma cátedra, que possa ser uma cobertura para essas atividades e eixos de trabalhos.

Em novembro de 2011 foi assinada uma carta de intenções nesta direção. Tudo foi concluído há alguns meses e nós estamos em ponto de ignição do foguete, digamos assim. E depois será a decolagem.

O que França e Brasil tem a aprender um com o outro dentro dessa experiência da cátedra conjunta?

Guillermo Hillcoat – Esta é uma pergunta bem pertinente. Desde o começo, nós consideramos a relação com a Fiesp como uma relação de paridade. O Brasil é uma economia em que existem oportunidades em todos os aspectos, tanto econômicos, industriais, agrícolas, quanto acadêmicos. Tem problemas de mão de obra, de qualificação, de melhoria de infraestrutura.

Hoje, temos problemas que são comuns – aqui e na Europa – como a questão da desindustrialização, o problema do êxodo de empresas com a concorrência asiática, as questões ligadas a pesquisa, desenvolvimento e inovação, com novos produtos e métodos produtivos.

Então, temos problemáticas que hoje são transversais. Não há somente os antigos países industrializados e os países em desenvolvimento como nos anos 60/70. Hoje, existe uma multipolaridade de regiões emergentes, não tem somente os Brics – eles são os mais conhecidos, e o Brasil faz parte –, mas tem uma segunda onda que chamamos dos “neo-emergentes” como África do Sul, México, Turquia e mesmo outros na América do Sul, como Colômbia e Peru, que são economias bem dinâmicas – ainda que de menor dimensão que a do Brasil.

De modo que consideramos esta relação [com a Fiesp] como uma relação de aprendizagem e de colaboração entre iguais, entre pares, e é neste espírito que nós começamos a identificar certos projetos na área jurídica, da competitividade, do meio ambiente, das energias renováveis – áreas na qual o Brasil não somente pode demandar colaboração mas tem ativos a transferir. Por exemplo, na área de energias renováveis como o bioetanol, o Brasil é um país avançado, que está na ponta da produção e das exportações.

Então, as expectativas são boas?

Guillermo Hillcoat – Sim, absolutamente. Estamos, de fato, somente no começo da identificação de possibilidades de colaboração. A cada conversa, seja quando encontro especialistas dos departamentos da Fiesp, seja quando tive a oportunidade de conversar com o Dr. Paulo Skaf, e, também, claro, com o Dr. Mario [Frugiuele], como na reunião desta manhã [08/04] com os dois vice-reitores da Paris 1 que estão conosco, ou nos encontros de pessoas do Derex [Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior] e de outros departamentos, aparecem ideias, sugestões, pistas para desenvolver projetos de pesquisa ou, talvez, workshops, de modo que as possibilidades são enormes e nós estamos apenas no começo da identificação de áreas de colaboração.

* Com tradução de Beatriz Stevens 

Entrevista: Jean Marc Bonnisseau, vice-reitor de Relações Internacionais da Sorbonne

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Jean Marc Bonnisseau: trabalho em comum com as empresas pode ser um trabalho de interesse verdadeiramente bilateral. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Em entrevista ao site da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Jean Marc Bonnisseau, vice-reitor de Relações Internacionais da Universidade Paris 1 Pantheon-Sorbonne, fala sobre a aproximação entre a instituição e a Fiesp que resultou na cátedra “Globalização e mundo emergente”.

Leia trechos da entrevista:

Interesse pelo Brasil

As relações universitárias e intelectuais entre a França e o Brasil são muito antigas: Claude Lévi-Strauss foi professor na Universidade de São Paulo, nós temos intercâmbios nas áreas de filosofia, história e geografia há décadas. Nós, da Universidade de Paris, como outras universidades de Paris e francesas, com as universidades brasileiras, especialmente as universidades de São Paulo e do Estado de São Paulo, desde muito tempo. Temos intercâmbios também nas áreas de cinema, de direito, das artes… Então, verdadeiramente, a proximidade intelectual franco-brasileira é extremamente ampla.

Agora, no plano econômico, é verdade que, hoje, o Brasil aparece como país emergente e se tornou, efetivamente, um destino privilegiado do ponto de vista da cooperação universitária. Temos vários estudantes brasileiros que vêm, alguns estudantes em cotutela de doutorado, temos alguns estudantes franceses que vêm estudar e fazer estágios no Brasil.

Então, quando tomei posse há alguns meses, a pessoa que me precedia [Christine Mengin], como vice-presidente encarregada das Relações Internacionais, me disse: “O Brasil é um destino privilegiado, você tem que ir”. E foi a segunda viagem internacional que fiz, no final de agosto, início de setembro 2012. Então, o Brasil é, verdadeiramente, para nós, um elemento extremamente importante para nossa estratégia internacional. E eu diria, para resumir, que o que eu descubro hoje é uma grande proximidade intelectual nos assuntos mais relevantes, de um ponto de vista econômico, evidentemente, os problemas de competitividade, de desindustrialização, de taxa cambial, de direito do trabalho, direito social, todas estas perguntas que estão no cerne de nossas problemáticas na Europa e também estão no cerne das problemáticas da Fiesp, de São Paulo, e, de maneira geral, do Brasil.

E nós sentimos uma grande confiança em todos esses intercâmbios intelectuais que existem desde muito tempo entre a França e o Brasil. O Brasil não é novo para a França, a França não é nova para o Brasil, mas, hoje, efetivamente, existe uma relação, tanto no plano interuniversitário quanto nas relações com a sociedade civil, empresas, todo o Brasil totalmente novo e renovado.

E eu penso também que esta tradição intelectual nos aproxima muito mais do que nós estamos próximos da Ásia e da China. Desta forma, nesta competição internacional, a Europa, o Brasil, talvez a América Latina de uma maneira geral, nós sentimos que temos bastante coisa para fazer juntos, talvez não tendo que passar pelos Estados Unidos, e que realmente temos interesses em comum que se enraízam em uma longa história. O Brasil é também a história portuguesa, um país europeu. Temos uma língua em comum que nos aproxima. Todos esses elementos hoje são fundamentais para nosso interesse em trabalhar com este país, com as universidades mas também com a sociedade civil, as indústrias, enfim, todo o Estado brasileiro.

Esse acordo com a Fiesp, essa cátedra Fiesp-Sorbonne, é realmente, para nós, uma ferramenta essencial para desenvolver todas essas relações num interesse verdadeiramente mútuo entre a França e o Brasil.

Interesse pelo sistema Sesi-Senai

A troca vai acontecer nos dois sentidos. Nós tivemos a impressão, hoje de manhã, de ver toda a força desta organização em torno do Senai-SP [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo]. E na França toda essa questão da formação profissional está no centro de vários debates, particularmente por causa pela taxa de desemprego elevada que temos – e que continua a aumentar. E está claro que a formação profissional não é talvez tão eficaz quanto ela deveria ser no sistema francês para lutar contra o desemprego e ajudar os trabalhadores a adquirir qualificações novas para uma melhor integração no mercado de trabalho. Então, acredito que nós esperamos aprender um pouco e observar essa organização. E talvez importar boas práticas do Brasil para a França, essa questão de uma organização da formação profissional. Este é um dos pontos para mostrar efetivamente como as trocas são bilaterais.

O segundo ponto é que nós temos também na Universidade Panthéon-Sorbonne uma tradição de formação profissional, tanto na formação inicial com contratos de aprendizado e contratos de profissionalização, como na formação contínua. Aqui também temos uma certa expertise em temas que sejam talvez um pouco mais “fundamentais” – no sentido de acadêmicos – do que aqueles tradicionalmente ensinados pelo Senai, mas acredito que podemos também encontrar alguns pontos bem específicos sobre os quais poderíamos colaborar na formação de experts de diferentes níveis, o que pode ser bastante útil e operacional nas empresas.

Penso em algumas áreas nas quais a França é líder. Exemplo: em questões de análise de risco, que são também riscos industriais, como também financeiros etc. Em questões como essas poderemos ter uma cooperação bastante interessante com uma visão bastante aplicada e operacional como é, pelo que entendi das apresentações desta manhã, os objetivos do Senai.

Critérios de avaliação dos projetos

Penso que o ponto principal é que estes projetos sejam desenvolvidos de maneira verdadeiramente bilateral, quero dizer, que seja verdadeiramente uma área de interesse comum entre a Sorbonne e a Fiesp. É o primeiro critério.

O segundo critério, os resultados, não necessariamente de um ponto de vista de publicação científica, mas em todo caso, conseguir realizar verdadeiros trabalhos em comum, utilizando o cruzamento de dados que nós podemos ter na Europa e dados que aqui estão disponíveis. Evidente que uma federação patronal tem acesso a muitos dados, muitas vezes difíceis de adquirir. E pode ser um elemento muito importante. Então, trabalhos em comum com o cruzamento de dados novos e então, um “output” científico em relação aos trabalhos conduzidos.

E o terceiro aspecto, eu diria, a avaliação vai ser feita pelos próprios profissionais. Espero muito que os profissionais da Fiesp, quero dizer, as empresas associadas, os especialistas, os presidentes de empresas, possam dizer “sim – esta formação nos ajudou e nós conseguimos ver sua aplicação prática.

Três anos é um tempo bastante curto para que as ideias desenvolvidas dentro de um parâmetro de pesquisa possam ser implementadas, mas a capacidade de implementar ideias novas me parece um elemento bem importante.

Não falamos até agora, mas podemos falar dos estudantes. Acredito que nossos estudantes podem também se beneficiar, o que pode também ser um critério de avaliação, mediante estágios aqui no Estado de São Paulo. Eu conto bastante com isso. Ou até mesmo projetos de tese em comum.

De novo, três anos pode ser um tempo curto para implementá-las, mas nós temos esse sistema na França de teses feitas entre Universidades e empresas. Podemos imaginar teses entre uma empresa brasileira e uma universidade francesa. E isso seria um forte sinal de sucesso. A tese é verdadeiramente um destaque que mostra que temos interesses em comum, que em três anos conseguimos desenvolver algo e, frequentemente, são cooperações que continuam a durar, por terem se iniciado bem cedo na carreira do jovem pesquisador, que continua a agir como ponte entre as duas instituições.

Mensagem para comunidade acadêmica

Nós já temos projetos em curso nas áreas de competitividade, de direito social comparado, direito do trabalho. Então, o projeto essencial é dizer, hoje, no Brasil, que existem problemáticas que são próximas das nossas. E, nesse ponto, nossos colegas talvez não estejam totalmente informados. O Brasil aparece como um país em pleno desenvolvimento. Então, quando falamos do Brasil, não pensamos imediatamente em problemas de desindustrialização e de competitividade do ponto de vista da Europa.

Então, ajudar nesta “tomada de consciência” e dizer que, sobre estas temáticas, um trabalho em comum com as empresas pode ser um trabalho de interesse verdadeiramente bilateral. Quer dizer, não será simplesmente nós que vamos trazer nosso, digamos assim, “savoir-faire” ou nossas competências,  mas que podemos adquirir também através deste contato direto com empresas e profissionais que estão todos os dias em contato com a “economia real” ou com o “direito real”.

Hoje de manhã estávamos comentando sobre direito ambiental, que é particularmente complexo, sobre questões deste tipo temos muito a ganhar trabalhando sobre uma comparação França-Brasil. Ou até mesmo Europa-Brasil ou América Latina. Enfim, tem várias extensões possíveis. E, então, para nossos colegas, desmistificar um pouco o Brasil, primeiramente, e em seguida, pegar problemas brasileiros e comparar com os nossos, que é o interesse de todos os estudos comparativos, e, em terceiro lugar, esta cooperação com a Fiesp abre o espaço para a cooperação com vários outros parceiros do Estado de São Paulo e com o Brasil de uma maneira geral.

E então nos abre para outras parcerias acadêmicas, o que é sempre bastante positivo para nossas pesquisas e para nossos estudantes. E eu digo também que vocês poderão encontrar, para os seus estudantes em mestrado ou doutorado, oportunidades de estágio no exterior, o que vai lhes permitir uma experiência extraordinária e reforçar a sua empregabilidade.

Gostaria somente de destacar que a Panthéon-Sorbonne é a primeira universidade na área de ciências humanas e sociais na França (história, geografia, sociologia, artes) e uma das primeiras na Europa, sendo também uma das mais antigas.

De forma que nós nos apoiamos em uma experiência de séculos e, para nós, é um novo renascimento: a Europa se projetou nas Américas nos anos de 1500 e, agora, é o sistema universitário que também se projeta para esse novo mundo.

Acredito que será bem proveitoso para nós todos, destacando esta longa tradição, na qual se insere e se enraíza nossas pesquisas, de pessoas que trabalham para o “longo prazo” e sobre várias áreas geográficas [temos, por exemplo, vários especialistas da história da América Latina) e contamos também com esse tipo de especialistas para obter uma análise mais ampla dos fenômenos, não olhando somente para os últimos 10 anos, ou o problema imediato, como, por exemplo, da concorrência com a Ásia.

* Com tradução de Beatriz Stevens 

Entrevista: Nadia Jacoby, vice-reitora de Comunicação e Sistemas da Informação da Sorbonne

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Nadia Jacoby: nossas expectativas são, antes de tudo, descobrir o que nós somos capazes de fazer neste ambiente novo. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Durante a visita à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no dia 15 de abril, a vice- reitora de Comunicação e Sistemas da Informação da Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne, Nadia Jacoby, atendeu a reportagem do site da Fiesp.

Nessa entrevista, Nadia Jacoby fala sobre os interesses comuns que motivaram a parceria e comenta as primeira reuniões de trabalho com diretores da Fiesp após assinatura da “Globalização e mundo emergente”, acordo de cooperação entre as duas instituições.

A parceria Fiesp-Sorbonne

“Foi um feliz concurso de circunstâncias, um encontro não programado entre meus colegas da Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne e dirigentes da Fiesp que descobriram um interesse comum para eventualmente montar, juntos, um acordo de cooperação. As discussões tomaram certo número de meses, o que, acredito eu, seja a garantia do estabelecimento de uma relação mutuamente interessante, e hoje, para nós, é quase natural, eu diria, trabalhar com um parceiro que faz perguntas que nós também fazemos. Nós questionamos as coisas como universidade, do ponto de vista acadêmico, e nosso parceiro, a Fiesp, faz o mesmo tipo de perguntas, mas de um ponto de vista muito mais operacional e, eu diria, muito mais pragmático. Em todo caso, do ponto de vista da conduta das relações industriais.”

As reuniões de trabalho com departamentos da Fiesp

“A primeira impressão é de um grande interesse por parte dos diretores dos diferentes departamentos da Fiesp que encontramos sobre esta cooperação em surgimento. Eu diria que se as principais temáticas foram definidas, de certa forma ainda resta tudo a fazer. A parte essencial do trabalho está diante de nós. Então, minha primeira impressão é realmente de um interesse bem forte e importante da parte desses diretores de departamento da Fiesp que compartilharam conosco quem são, o que fazem, quais são suas atividades – e quando falo de departamentos eu penso, inclusive, no Senai-SP e no Sesi-SP que não são, se eu entendi bem, exatamente departamentos da Fiesp, mas instituições afiliadas. De forma que, hoje, para nós, iniciamos essa colaboração, ao mesmo tempo, em bases de interesse comum, de uma dinâmica comum, e de respeito e interesses recíprocos das atividades dos dois parceiros.”

Expectativas

“Acredito que nossas expectativas são, antes de tudo, descobrir o que nós somos capazes de fazer neste ambiente novo. É um novo tipo de acordo, tanto para a Fiesp quanto para a Universidade Paris 1 Panthéon Sorbonne. Não temos o hábito de trabalhar regularmente num período de três anos, período concernente a essa cátedra. Sei que nós iremos construir juntos uma colaboração bem sucedida que vai nos levar também a fazer coisas que talvez não tenhamos feito, de uma maneira que não fizemos até agora. Eu acho que este já é um dos objetivos.”

* Com tradução de Beatriz Stevens 

Presidente da Fiesp anuncia acordo de cooperação com universidade Sorbonne de Paris

Agência Indusnet Fiesp

Em seu discurso de agradecimento pela premiação “Personalidade do Ano 2012”, concedida pela Câmara de Comercio Brasil na França (CCBF) em jantar de gala em Paris, o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, anunciou a criação de um acordo de cooperação visando a criação de uma cátedra intitulada “Globalização e mundo emergente Fiesp – Sorbonne”.

Pulo Skaf disse que reconhecimento é estímulo a ampliar ainda mais o intercâmbio bilateral entre Brasil e França. Foto: Junior Ruiz

“Neste acordo estamos criando um mecanismo de cooperação em três pilares : atividades de treinamento e capacitação de pessoas; cooperação científica, técnica e consultiva; e atividades de grande visibilidade institucional”, explicou Skaf depois de mencionar a instituição francesa como “ícone do conhecimento, da ciência e do pensamento universal.”

Entre os objetivos da parceria estão a criação de módulos de formação de curta duração, que poderão ser realizados nos dois países; a interação para a troca de experiências e de expertise; e a realização de duas atividades por ano, ora em São Paulo, ora em Paris, como workshops e seminários, por exemplo, ou mesmo estudos e projetos.

O presidente das entidades, e também do Sesi-SP e e Senai-SP, disse ainda que o amplo e sólido entendimento entre Brasil e França é marcado por congruências quanto aos ideais democráticos e a importantes fatos, citando a influência francesa no modelo educacional e brasileiro, na criação da Universidade de São Paulo e no reconhecimento francês da paternidade da aviação (Alberto Santos Dumont).

 

Para especialista da Sorbonne, Euro causou “fissura” entre países da Comunidade Europeia

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“O processo de endividamento dos agentes econômicos da Europa começou antes da criação do Euro. A existência da moeda não fez mais do que agravar o processo de alavancagem dos países”, declarou nesta segunda-feira (19) o diretor da cátedra das Américas da Universidade Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), Guillermo Hillcoat, em palestra ministrada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Guillermo Hillcoat analisa a crise internacional, na Fiesp

Acompanhado dos diretores da Fiesp, José Carlos de Oliveira Lima, Mario Frugiuele e Sylvio Gomide, Hillcoat explicou que a criação da moeda única reforçou a diferença de competitividade entre o norte e o sul da Europa, refletida na assimetria dos índices de emprego, déficit público e balança comercial das duas regiões. Na comparação, os países sulistas apresentam dados negativos em todos os itens, ao contrário das nações ao norte, as quais apontam resultados positivos.

“Desde a criação da moeda única, as trajetórias divergentes dos estados membros da Zona do Euro revelam as insuficiências na arquitetura da união monetária e seu caráter incompleto”, afirmou Hillcoat. “Aos poucos se estabeleceu uma fissura entre as regiões norte e sul, o que explica, em parte, a fragilidade do modelo.”

Para o diretor, apesar da aparente contenção da crise financeira após as facilidades concedidas aos bancos pelo Banco Central Europeu (BCE), a incerteza sobre as modalidades de reativação da economia dos países periféricos ao sul ainda permanece.

“Sem a retomada econômica, os ajustes que estão sendo feitos simultaneamente em diversos países correm o risco de se tornar não somente muito penosos, mas fortemente recessivos. Assim, o desacoplamento entre a Zona do Euro e o resto do mundo, incluindo os Estados Unidos, torna-se mais acentuado”, frisou.

Segundo Hillcoat, o cenário é ainda mais grave se levarmos em consideração a política monetária mantida pelo BCE que, “embora generosa com os bancos, é ortodoxa em relação às necessidades de refinanciamento dos Estados”.