‘A gente precisa ter paixão em tudo o que faz’, diz Sônia Hess no Festemp da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Empreendedores que inspiram existem aos montes. Mas empreendedores que emocionam a plateia ao falarem das suas trajetórias não estão, digamos assim, em todas as esquinas. Sonia Hess faz parte do segundo time. E terminou a sua apresentação, no Festival de Empreendedorismo (Festemp) da Fiesp, na tarde desta segunda-feira (17/09), na sede da federação, deixando muita gente com os olhos marejados. O Festemp foi organizado pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da casa.

“De braços cruzados, ninguém realiza nada”, disse Sônia, desde a infância envolvida com o negócio da família, a marca Dudalina, de confecção, vendida em 2013 para dois fundos norte-americanos.

Uma história que começou em 1947, na cidade de Luís Alves, Santa Catarina, com o casamento do senhor Duda e da dona Adelina, pais da empresária e de outros 15 filhos. “Eles diziam que queriam ter 20 filhos”, disse. “Tiveram 16, não cumpriram a meta”, brincou.

Nos anos 1950, o casal tinha um comércio de secos e molhados. Um dia, Duda viajou para comprar estoque e exagerou na compra de tecidos, que logo foram transformados em camisas para a venda por Adelina, a empreendedora do casal. Deu certo.

E assim começou a ganhar força o negócio da família. Em 1965, o casal tinha duas lojas em Balneário Camboriú (SC). Em 1969, todos se estabeleceram em Blumenau, no mesmo estado.

Nesse cenário, Sônia era a melhor vendedora da loja da mãe. “Comia marmita lá mesmo, para não perder venda na hora do almoço”, disse.

Em 2008, com o falecimento da fundadora do negócio, a situação ficou um pouco mais complexa. “De uma família, viramos 16”, disse. “Meu pai me deixou como legado ser uma embaixatriz da paz entre os irmãos, não foi uma missão simples”.

Assim, em 2009, ela assumiu a presidência da Dudalina e tiveram início várias mudanças estratégicas e de profissionalização. “A empresa tinha 55 anos e estava acomodada, tinha que mudar”, contou.

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Sônia: mudanças que deram nova vida à empresa de 55 anos e entrada no varejo. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Foi quando ela pensou em criar uma linha de camisaria feminina. “Fizemos um teste de varejo num shopping sazonal em Campos do Jordão, São Paulo”, disse. “Fui para a loja vender e conversar com as clientes”.

Com isso, em 2011, teve início a operação de varejo da marca. Em 2013, eram 95 lojas em funcionamento.

Com a venda do empreendimento, Sônia deixou a presidência do grupo, permanecendo ainda por um período curto no conselho administrativo da Dudalina.

Mas não se esquece até hoje das diretrizes que a guiavam à frente da empresa. “Tinha muito cuidado com as pessoas, não tinha sala própria, ficava perto da equipe”, contou. “Todo ano, 12% do nosso lucro era distribuído entre os funcionários”.

No Natal, ela fazia questão de entregar pessoalmente um presente a cada um dos 2.600 colaboradores. “Quem saía ganhando era eu com esse contato, com esse abraço de cada um”, disse. “Cuidar de pessoas é um presente, nada importa mais do que isso na vida”.

Nesse campo, ela lembra com carinho da história de um ex-motorista. Ele estava para completar 30 anos de empresa e ganhar uma viagem para Paris, na França, mimo concedido a todos os que atingiam esse tempo de casa (20 anos dava direito a um tour em Gramado, no Rio Grande do Sul, e 25 anos um para Buenos Aires, na Argentina).

Muito católico, ele pediu que fosse incluída uma parada no Vaticano, já que “queria ver o papa”. Foi atendido em sua demanda. Pouco tempo depois de ir para o exterior, adoeceu gravemente. Ao visita-lo em sua casa, Sônia ouviu dele que sabia “estar partindo”, mas que, “tudo bem, pois agora já havia estado mais perto de Deus”, numa alegria proporcionada pela patroa. “Quem vocês acham que ganhou o presente nesse caso, esse motorista ou eu? ”, perguntou à plateia.

Hoje, ela se mantém ajudando os outros a partir do seu envolvimento em projetos sociais variados. Um deles é o Duda e Adelina, que tira do lixo 80 toneladas de tecidos todos os anos, sobras de pano que são usadas para a produção de 150 mil sacolas e 30 mil nécessaires.

Ela também é vice-presidente do Grupo Mulheres do Brasil, que reúne mulheres para discutir temas variados, incluindo as relações de gênero. “Queremos defender o protagonismo para construir um Brasil Melhor, não temos partido político e trabalhamos com uma agenda propositiva”.

Segundo ela, tudo em nome de um país mais justo e com mais oportunidades para os seis netos, seus amores. “Não existe palavra mais linda no mundo do que vovó”, se derreteu. “A gente precisa ter paixão em tudo o que faz”.


Empresárias contam trajetórias de sucesso em evento da Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Um público de aproximadamente 900 pessoas acompanhou nesta terça-feira (23/04), no Teatro do Sesi-SP, os relatos das empresárias Carolina Sandler, Cristiana Arcangeli, Lala Rudge e Sônia Hess.

As quatro contaram como fizeram de seus negócios um case de sucesso no evento “Jovens mulheres empreendedoras”, realizado pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE), organismo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Paulo Skaf participa na palestra "Mulheres Empreendedoras" promovida pelo CJE. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Carolina Ruhman Sandler fundou o Finanças Femininas, primeiro site no Brasil a falar de finanças com o público feminino. Cristiana Arcangeli criou a marca Phytoervas e, mais tarde, o PH Arcangeli, uma das maiores importadoras e distribuidoras de cosméticos do país. Lala Rudge deu vida a um dos blogs sobre moda de maior sucesso na rede. Já Sônia Hess  é presidente da Dudalina, confecção especializada em atender aos diferentes segmentos de mercado (homens e mulheres com necessidades e desejos distintos) e que se consagrou como marca de camisas femininas.

“Apesar de terem perfis diferentes, essas quatro bem sucedidas empresárias compartilham de uma característica em comum: todas são guerreiras”, disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao encerrar o evento. “As histórias dessas mulheres servem de lição para todos os setores da economia. Nada acontece sem fé e muito trabalho”, disse Skaf.

Sylvio Gomide, diretor titular do CJE, mencionou um dado curioso. “Nas regiões sul e sudeste do país, nós temos mais mulheres empreendedoras do que homens”, afirmou, explicando a importância de trazer cada vez mais mulheres para as discussões do comitê.

“A taxa de empreendedorismo entre as mulheres subiu de 39%, em 2002, para cerca de 65% em 2012. Isso significa que menos mulheres têm aberto um negócio por necessidade, e que aumentou a motivação por empreendedorismo. Além disso, a taxa de sobrevivência é maior para os empreendimentos criados pelas mulheres”, observou.

As apresentações

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Carolina Sandler, jornalista criadora do site Finanças Femininas. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Carolina Ruhman Sandler, fundadora do “Finanças Femininas”, primeiro site no Brasil a falar de finanças com o público feminino, foi a primeira convidada a se apresentar. “O objetivo com a criação do site era fazer com que as mulheres olhassem com mais carinho suas próprias finanças”, disse.

Jornalista de formação, com formação em economia no Institut d’Études Politiques de la France, em Paris, e passagem pela Agência Estado, Carolina Sandler contou que a ideia surgiu porque notou uma lacuna não atendida. “Senti uma necessidade aberta no mercado. Não tinha ninguém falando de finanças com esse público”, contou. “Hoje as mulheres têm um perfil diferente do de anos atrás. Desempenha muitas funções e têm muito pouco tempo para tratar de assuntos como consórcios, financiamentos e empréstimos”, contou.  “As características do bom empreendedor são encontradas mais nas mulheres do que em homens”, encerrou.

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Cristiana Arcangeli, empresária na área de cosméticos. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Cristiana Arcangeli falou na sequência e fez um relato de sua trajetória. “Para começar um trabalho, você tem que ter inovação. A inovação sempre foi uma preocupação minha e permeou minha carreira desde o primeiro dia”, disse.

Criadora da linha de cosméticos Phytoervas e da importadora PH Arcangeli, a empresária afirmou que estar disposto a enfrentar desafios é imprescindível para todo empreendedor. “É fundamental também estar atento às oportunidades e ter foco nos negócios”, recomendou.

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Lala Rudge, dona da marca La Rouge Belle. Foto: Julia Moraes/Fiesp

A jovem Lala Rudge, de apenas 23 anos, relembrou a trajetória surgida em uma brincadeira na internet e que, em agosto deste ano, adotou contornos mais sérios com a inauguração de sua primeira loja de lingerie. “Comecei fazendo um blog, sem nenhuma seriedade, um passatempo. Era um diário virtual”, disse.

Hoje um dos blogs sobre moda de maior sucesso na rede, a iniciativa atingiu em outubro do ano passado um total de quatro milhões de visitas em cinco dias. “O blog cresceu, começamos a receber investimentos e, recentemente, criei minha própria linha de lingerie, a La Rouge Belle. Fundamental para o sucesso é fazer o que se gosta. É preciso crer”, disse.

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Sônia Hess, presidente da empresa Dudalina. Foto: Julia Moraes/Fiesp

No encerramento da noite, a presidente da Dudalina, Sônia Hess, contou a trajetória da empresa, que começou no município de Luiz Alves, em Santa Catarina, e hoje conta com loja em Milão, na Itália.

“A Dudalina começou com meu pai e minha mãe, em 1957, e nossa meta de faturamento para 2016 é de um bilhão de reais”, disse.