Copa do Mundo é maior exemplo de Soft-Power, aponta Nizan Guanaes

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Nizan Guanaes disse ter pena de pessoas que discutem se é bom ou não Brasil receber Copa do Mundo de 2014. Foto: Everton Amaro.

A Copa do Mundo de 2014 é maior exemplo de soft-power que o Brasil vai vivenciar, afirmou o empresário Nizan Guanaes, presidente do grupo ABC, que controla um total de 12 empresas do mercado de publicidade, marketing e eventos – entre elas as agências Africa, DM e Loducca.

Guanaes se refere um conceito criado pelo cientista político de Harvard Joseph Nye, no qual a expressão traduz a capacidade de um país em influenciar e persuadir por meio de seu poder de inspiração e atração.

“Quando eu ouço as pessoas discutindo se é bom para gente ter a Copa do Mundo me dá pena. A Copa é o maior exemplo de soft-power que nós vamos ter. O mundo estará aqui prestes a nos ouvir, a ver as coisas que a gente está fazendo”, afirmou o publicitário.

Durante abertura do seminário A Influência do Brasil no Sistema Internacional: Soft-Power, realizado em conjunto pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Guanaes afirmou que áreas como cinema, arquitetura e música dão total condição ao Brasil para estabelecer sua marca na cena internacional.

“O cinema brasileiro virou uma indústria e ele tem de ser percebido. A cultura precisa de política industrial”, afirmou. “Temos um país que tem tudo para vender um ‘brazilian way of life’. Os Estados Unidos fizeram isso e a indústria veio atrás, vendendo seus produtos”, completou.

Brasil não está aproveitando potencial do Brics para se projetar, afirma Rubens Barbosa

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Há uma defasagem entre o que se espera do Brasil e o que o país está dando em contribuição, avaliou nesta terça-feira (10/12) o ex-embaixador e presidente do Conselho Superior do Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rubens Barbosa. Ele acredita que o país está perdendo oportunidade por não aproveitar o potencial para política externa do Brics – grupo de países emergentes formado por Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul.

Seminário Soft-Power. Rubens Barbosa. Foto: Everton Amaro

Rubens Barbosa: 'O setor privado pode participar desse esforço de projeção do Brasil no exterior'. Foto: Everton Amaro

“O Brasil é o país que mais tem a ganhar no Brics. Nós temos aspectos positivos, e aproveitar o grupo seria uma coisa muito importante como braço executivo da politica externa”, afirmou Barbosa, durante o seminário A Influência do Brasil no Sistema Internacional: Soft-Power, realizado em conjunto pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR) e a Fiesp, com o objetivo de avaliar a atuação do Brasil no cenário internacional.

“Há uma defasagem entre o que se espera do Brasil e o que país está dando em contribuição. Essa presença maior do Brasil exige uma visão de médio e longo prazo que, na minha percepção, nós não temos. E esse é um dos pontos importantes”, ressaltou o ex-embaixador.

Medidas

Barbosa recomendou algumas medidas que o Brasil pode tomar para fortalecer o seu soft-power, ou seja, sua capacidade de influenciar e persuadir por meio de seu poder de inspiração e atração, sem uso de força ou coação.

“A primeira questão que se coloca é a ampliação da coordenação entre o Itamaraty com o Ministério da Agricultura, com os ministérios da Fazenda, Ciências e Tecnologia, Educação, Cultura, para que ações setoriais sejam vistas como parte de uma politica coerente e consequente do governo brasileiro”, sugeriu.

Entre outras recomendações, Barbosa, que já foi embaixador do Brasil em Washington e Londres, alertou para a necessidade de criar um instituto brasileiro nas principais capitais do mundo para repercutir a marca do país.

Instituto Brasil

“Está chegando o momento de criar o Instituto Brasil, o qual faria um trabalho nos moldes do Instituto Cervantes, da Espanha, Confúcio, da China”, afirmou ele. “Baseados em algumas principais cidades, eles seriam caixa de repercussão da cultura brasileira. Nós temos arquitetura, artes, tem muita coisa que esses institutos poderiam desempenhar”, acrescentou.

Segundo Barbosa, o Brasil só vai conseguir melhorar sua presença na cena externa se houver o fortalecimento da Agência Brasileira de Cooperação, com recursos para colocar em prática decisões políticas, e do Departamento Cultura do Itamaraty.

O ex-embaixador defende ainda a criação de um departamento de diplomacia pública “para coordenação da política de divulgação do Brasil no exterior”, e uma abertura na atuação do setor privado na promoção do soft-power brasileiro.

“O setor privado pode participar desse esforço de projeção do Brasil no exterior. Há exemplos em países da África em que houve a participação do Senai. Poderíamos, junto com o governo, ampliar essa participação. É um fator importante porque representa também treinamento, assistência técnica para a indústria desses países”, concluiu.

Soft-Power é ferramenta que permite ao Brasil exercer liderança que o mundo espera, afirma ministro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Seminário Soft-Power. Ministro Moreira Franco. Foto: Everton Amaro

Ministro Moreira Franco, da Secretária de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Foto: Everton Amaro

Empresários e autoridades se reuniram na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta terça-feira (11/12) para avaliar a atuação do Brasil no cenário internacional e como fortalecer a presença brasileira no exterior. De acordo com o ministro da Secretária de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Moreira Franco, o mundo espera do Brasil um papel de liderança, já que o país é a sexta maior economia mundial.

“As outras nações têm interesse em saber qual a posição do Brasil, afinal de contas, temos uma economia com grandes possibilidades no futuro. Nós precisamos ter no Soft-Power uma alternativa de presença nacional”, afirmou Franco ao participar do seminário A Influência do Brasil no Sistema Internacional: Soft-Power – conceito conhecido como a capacidade de o país influenciar ações políticas sem usar força ou coação, mas com estratégia de cooperação.

“O Soft-Power é mais que uma estratégia, é uma ferramenta que nos permite exercer nossa presença, responder a uma liderança que o mundo, de alguma maneira, espera, demanda do Brasil”, afirmou o ministro.

Segundo Moreira Franco o cenário favorável para o Brasil fomenta a discussão sobre como o país deve se apresentar para o mundo. “Somos um país grande, temos uma democracia sólida e uma experiência de crescimento. Nós colocamos 40 milhões de brasileiros no mercado de consumo. Este quadro impõe uma reflexão sobre o que somos”, destacou o ministro, enfatizando que essa reflexão vai ser útil para que “a gente defina a política mais adequada, preservando a nós próprios como comunidade e tendo relações absolutamente pacíficas, colaborativas com os outros países do mundo”.

O seminário Soft-Power é uma inciativa da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República em conjunto com a Fiesp e contou com a presença de empresários, embaixadores e especialistas em consultoria internacional.

“Precisamos trazer a academia para esse debate, os pensadores, os pesquisadores e todos os órgãos e instituições da sociedade civil. Isso não é um problema do governo, é da sociedade brasileira. Precisamos saber por que e como utilizar o Soft-Power”, completou Moreira Franco.

Em seminário sobre Soft Power, Fiesp debate influência do Brasil no sistema internacional

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realiza nesta terça-feira (11/12), às 9h, o seminário Soft Power – A influência do Brasil no Sistema Internacional, com a participação do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Moreira Franco, e do publicitário Nizan Guanaes.

O evento tem como objetivo examinar a capacidade do Brasil em influenciar ações políticas sem o uso da força ou de outra forma de coerção, mas sim lançando mão de estratégias de cooperação e aproximação com outros países. A ideia é contribuir para a identificação de políticas que o país poderá desenvolver para a obtenção de resultados concretos a partir dessa atuação.

Na ocasião, Franco irá falar sobre a necessidade de criar políticas públicas para aperfeiçoar esse elemento de poder, e Guanaes focará no papel da comunicação no soft-power brasileiro.

Também participarão dos debates e painéis o presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, embaixador Rubens Barbosa; o correspondente da Newsweek Magazine Internacional, Mac Margolis; o presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes; o diretor da Agência Brasileira de Cooperação, embaixador Fernando José Marroni de Abreu; e o secretário de Planejamento Diplomático do Ministério das Relações Exteriores, embaixador José Humberto de Brito Cruz.

Confira aqui a programação.