Vulnerabilidade das cidades é resultado da falta de planejamento

Agência Indusnet Fiesp,

A urbanização acelerada e sem planejamento é uma das principais causas da vulnerabilidade das cidades, gerando poluição, acidentes de trânsito, enchentes, deslizamentos, doenças e violência.

Esse foi o quadro apresentado nesta quarta-feira (25) na mesa-redonda “Vulnerabilidade das Cidades Brasileiras – qualidade do ar, da água e resíduos”, na 4ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), outros fatores contribuem para agravar a situação, como a globalização de um modo de vida pouco saudável, com sedentarismo, alimentação rápida e muito estresse, e o envelhecimento demográfico, que produz aumento de doenças crônico degenerativas, entre as quais câncer, Mal de Alzheimer e osteoporose, além de problemas emocionais, como a depressão.

Aumento populacional agrava problemas
A assessora de Atenção Básica da Secretaria Municipal da Saúde, Eunice E. Kishinami, alertou que muitos problemas devem se agravar nos próximos vinte anos, quando a população da região metropolitana de São Paulo deverá dobrar.

“A cidade de São Paulo ocupa apenas 1% do território do estado, mas abriga mais de ¼ da sua população”, comparou ela.

As péssimas condições em que 30% da população vivem acaba refletindo na saúde. “Enchentes aumentam o risco de leptospirose, diarréia e hepatite A; moradias precárias aumentam a incidência de doenças respiratórias e alérgicas; deslizamentos podem matar. Percebemos que as consequências são mais perversas quanto mais pobre é a população”, observou Kishinami.


Atenção especial à família
Segundo a assessora, a Prefeitura de São Paulo tem procurado minimizar esses danos, por meio de um trabalho constante, com foco na prevenção, realizado por meio de 893 equipamentos de saúde.

“Dentro do programa de atendimento à família, com o apoio de parcerias, montamos 1.194 equipes, abrangendo cerca de 15 mil funcionários. É o maior serviço do tipo em todo o Planeta”.


Inspeção equivale à retirada de veículos
Para Harold Peter Zwtkoff, presidente da Controlar, concessionária responsável pela inspeção veicular obrigatória em SP, a vulnerabilidade da cidade está diretamente ligada à poluição.

“São Paulo é a quinta cidade mais poluída do mundo. Há dias em que os índices atingem três vezes o limite aceitável. E 97% do monóxido de carbono existente no ar saem dos escapamentos de automóveis”, disse ele.

O resultado disso é que a poluição mata 20 pessoas por dia e reduz em um ano e meio da expectativa das pessoas que vivem na metrópole paulista, segundo o Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo. “A cidade gasta quase um milhão de reais por dia em internação e tratamentos decorrentes da poluição”, informou Dr. Harold.


Motos poluem sete vezes mais
Para o presidente da Controlar, a inspeção veicular tem contribuído para diminuir os danos causados pela poluição. Apenas a inspeção feita no ano passado equivale à retirada de 522 mil veículos de circulação. Mas ainda há muito a ser feito. As motos, que poluem sete vezes mais do que os carros, só agora começam a ser alvo da inspeção.


Mostra é um projeto
Carlos Maluf Sanseverino, presidente da Comissão de Sustentabilidade e Meio Ambiente da OAB/SP, que mediou o debate, lembrou que os problemas enfocados estão longe de serem resolvidos, mas que a troca de informações é fundamental para o encaminhamento. “Para mim, a Mostra Socioambiental da Fiesp é muito mais do que um evento: é um projeto”, concluiu.

Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Social discute relação entre educação e qualidade

Agência Indusnet Fiesp

Na última quinta-feira (27/08), o auditório do 4º andar do prédio da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) se transformou em uma verdadeira sala verde. O último dia da Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental foi marcado por discussões sobre a educação como elemento para o desenvolvimento sustentável.

Em clima de descontração, a psicóloga norte-americana Susan Andrews começou sua palestra explicando o conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB) que, diferentemente do indicador econômico (PIB), mede o desenvolvimento de uma nação pelos índices de felicidade de seu povo.

Susan falou da importância do desenvolvimento das relações humanas, que envolve respeito entre familiares, sociedade e o próprio meio ambiente. “O contato com a natureza é a base da nossa felicidade”, disse a psicóloga.

Sala verde: lição de cidadania

Respeito à natureza e aos recursos naturais é a lição do projeto Sala Verde Cidade Ademar para professores e alunos do Centro Educacional Unificado (CEU) Alvarenga.

A pediatra Maria da Glória Zenha Wieliczka, da Associação Congregação de Santa Catarina, explicou que o projeto visa criar um espaço para desenvolver atividades de educação, saúde e cidadania com moradores de áreas em situação de vulnerabilidade social. “Mesmo se levarmos o projeto para outro lugar, queremos que as pessoas continuem, possam caminhar sozinhas”, disse.

O projeto Sala Verde, em parceira com as Secretarias municipais do Verde e do Meio ambiente, da Educação e da Saúde, busca desenvolver essa consciência de preservação por meio de oficinas de artesanato e sabão, encontros de educação ambiental com pesquisas virtuais e ambientes de interação e exibição de filmes com foco nesta temática.

O engenheiro Luiz Mucerino encerrou a discussão e apresentou o projeto Ecopolo, que há cinco anos faz parte do cotidiano dos moradores do município de Pardinho, a 190 quilômetros de São Paulo. “Idealizamos uma cidade que promova o desenvolvimento econômico em harmonia com o ambiental para que as pessoas possam viver isso em todas as ações do dia a dia”, explicou Mucerino.

Para Mucerino, é preciso conter o êxodo rural, criar alternativas e oportunidades para aqueles que estão fora dos grandes centros urbanos. “O nosso comprometimento é com a qualidade de vida das pessoas, despertando nelas a consciência de desenvolvimento e preservação”, finalizou.

Empresas mostram os benefícios de fazer o bem

Agência Indusnet Fiesp

O último dia (27/08) da Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental colocou na mesa de discussões o compromisso das empresas com a ética e o exercício da cidadania, como alicerces para gestões mais competitivas e lucrativas.

Por meio do “Programa Sou Legal” da Fiesp – que tem o objetivo de difundir o conceito de Responsabilidade Social Empresarial como uma ferramenta de gestão –, as empresas mostraram como é fácil praticar o bem.

A proposta do programa é adequar o cotidiano empresarial às práticas e condutas éticas, em suas diversas frentes de atuação. De acordo com a Fiesp, a iniciativa incentiva o diálogo sobre melhoria das relações trabalhistas; importância do consumo consciente; combate à pirataria e estímulos de políticas que visam a competitividade.

Troca de resíduos recicláveis por descontos na conta de luz

Nesta esteira, a Coelce – terceira maior distribuidora de energia do Nordeste e responsável por todo o abastecimento de energia no Estado do Ceará – criou o programa “Ecoelce”, que possibilita a troca de resíduos recicláveis por descontos na conta de energia elétrica da população.

Conforme o chefe do Departamento de Inovação e Projetos de Pesquisa da Coelce, Odailton Arruda, o programa nasceu a partir de uma pesquisa realizada em 184 comunidades de baixa renda da Grande Fortaleza.

O resultado mostrou que grande parte do lixo gerado pelos moradores é depositado inadequadamente no meio ambiente. Esta mesma população apresenta os maiores índices de inadimplência e furto de energia elétrica, implicando o aumento das perdas de energia.

“A Coelce diminui a inadimplência, o consumidor ganha dinheiro e as empresas de reciclagem ganham matéria-prima para trabalhar”, disse Arruda. “Com esta iniciativa, a população de baixa renda recebe o incentivo ao consumo organizado e eficiente da energia elétrica e contribui, significativamente, para a redução do impacto ambiental provocado pelos resíduos sólidos”, explicou.

Como funciona?
Imagem relacionada a matéria - Id: 1545068975Por meio da conta de energia, o cliente obtém um cartão magnético com seus dados pessoais e uma cartilha explicativa sobre como separar os resíduos. Após a seleção, o consumidor se dirige a um posto de coleta, onde estes resíduos serão pesados e, a partir de uma escala de valores, recebe os créditos a partir do peso de cada lixo reciclável.

Os resultados impressionam. Desde o início do projeto, que tem cerca de ano ano e meio, a empresa já concedeu quase R$ 800 mil em descontos; recolheu mais de 6,4 mil toneladas de resíduos; conta com cerca de 1,6 mil clientes cadastrados; realizou a economia de dois milhões de quilowatts de energia e de 57 milhões de litros de água.

Também do Ceará vem outro bom exemplo. Trata-se da Sanny Underware – fabricante de peças íntimas –, que desenvolveu o projeto “Zelo”, de prevenção ao câncer de mama e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). O programa consiste na implantação de etiquetas nas peças com informações sobre como prevenir o câncer de mama, AIDS e outras DST´s.

“Com esta ação colocamos nossos produtos no foco da informação”, explicou a presidente da empresa, Teresa Joca. “A Sanny desenvolve este programa por acreditar que cada cidadão pode contribuir para um mundo melhor e que o marketing com base na responsabilidade social pode chegar a construir, a longo prazo, um valor diferencial para a marca e uma vantagem competitiva à empresa”, completou.