Remanejamento da faixa dos 770 mhz pode prejudicar tevê aberta

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Balduino: requisitos antes de mudança de sistema. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Apesar de a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ter garantido, em julho, que nenhuma emissora de televisão será prejudicada, representantes do setor de radiodifusão mostraram preocupação com o remanejamento da faixa de 700 mhz do espectro magnético. Atualmente ocupada pela tevê aberta, a faixa será utilizada para a instalação da tecnologia de quarta geração (4G) do serviço de telefonia móvel.

O tema foi debatido no painel “O uso racional do espectro em benefício da sociedade: a utilização da faixa dos 700 mhz”, durante o 5º Encontro de Telecomunicações promovido nesta quarta-feira (07/08), no hotel Unique, pela Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“O problema de interferência é típico da convivência de serviços nesta faixa do espectro. E não está tão coordenado se comparado ao trabalho de cobertura”, alegou o diretor de Planejamento e Uso do Espectro da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Paulo Ricardo Balduino.

Segundo ele, tanto a banda larga como a televisão digital podem ser muito afetadas. E não há outra solução que não a realizações de testes prévios, antes da realização da mudança. “É preciso planejamento, testes variados e implementações rígidas para garantir que o desligamento do sinal analógico não deixe os brasileiros sem tevê”

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Olimpio José Franco: necessidade de experimentar a utilização das faixas antes da mudança. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Isto porque a interferência do sinal na televisão digital se dá de modo diferente. “Não há ruídos que atrapalham a imagem, mas sim a perda total de sinal, deixando o telespectador com aquela tela preta”, explicou o presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), Olímpio José Franco. Ele também concorda que não há outra saída senão experimentar a utilização das faixas antes que a mudança no espectro aconteça de fato.

Franco utilizou como bom exemplo o processo realizado pelo Japão, que investiu dois anos em estudos antes de instalar novas tecnologias em algumas faixas eletromagnéticas. Com isso, especialistas foram capazes de prever que a utilização de filtros para antenas seria primordial para garantir o acesso da população à televisão aberta e que, em contrapartida, dispositivos móveis – como celulares e GPS – seriam inutilizados, pois perderiam sua capacidade de receber o sinal emitido.

“Como o filtro acaba sendo maior do que o próprio aparelho, não há sentido em sua instalação”, resumiu Franco.

Segundo o presidente da SET, a instituição tem realizado testes rigorosos e deve prosseguir até outubro. “A ideia é mostrar ao governo e aos órgãos regulatórios o que estamos encontrando para que as providências possam ser tomadas com antecedência. Caso contrário, é possível que os receptores de televisões não captem nada.”

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General Antonio Neto: é preciso assegurar uma faixa exclusiva para a segurança pública. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Também presente no 5º Encontro de Telecomunicações, o general do Exército Brasileiro, Antonio Guerra Neto, defendeu que é preciso assegurar uma faixa exclusiva para a segurança pública, principalmente no momento em que o Brasil é sede de grandes eventos internacionais.

“Se não for concedido, nesse momento, um pequeno espaço dessa banda para os órgãos de segurança pública, no futuro eles ainda farão uso dessa tecnologia – possivelmente em outras – mas com investimentos maiores.”