Iniciativas Sustentáveis: Kimberly Clark – Abraçar para desenvolver

Por Karen Pegorari Silveira

As organizações estão cada dia mais preocupadas em responder a uma demanda do consumidor que vai além da entrega de produtos. Hoje a sociedade busca mais propósito ao realizar suas compras, avaliando não somente a qualidade do produto, como também o impacto que ele traz social e ambientalmente. Neste sentido, o olhar que as organizações devem ter sobre sua maneira de operar tem que levar em conta questões relacionadas à sustentabilidade com seus impactos socioambientais e resultados financeiros.

Com a Kimberly-Clark não é diferente, por isso através de uma de suas marcas, a Huggies – de cuidados infantis, ela se preocupa com seu principal público – as crianças de 0 a 3 anos, que fazem parte da primeiríssima infância. Para tanto, eles apostam no abraço, que é uma das principais representações do afeto e carinho, como fundamental para o desenvolvimento emocional e por isso desenvolvimento pleno desta criança. Hug, que em inglês quer dizer abraço, também inspirou o nome original da marca.

Para embasar os conteúdos comunicados pela empresa foi desenvolvido um estudo, com apoio de publicações científicas, dos 18 macrobenefícios físicos e psicológicos do abraço, que influenciam diretamente no desenvolvimento emocional das crianças. O conteúdo desse estudo tem sido amplamente divulgado pela marca.

De acordo com Patricia Macedo, diretora da categoria de cuidados infantis da Kimberly-Clark Brasil, “a partir de pesquisas, a Huggies descobriu os poderes comprovados que o abraço pode ter no desenvolvimento de bebês, por isso, o abraço sempre foi nossa verdadeira inspiração. A marca acredita tanto no poder do gesto para o desenvolvimento mais feliz e saudável dos bebês que ele é a maior inspiração para oferecermos solução completa de produtos que proporcionam mais conforto para as famílias e crianças”, explica.

Globalmente, a empresa atua também em inúmeros programas sociais em hospitais, como o No babies unhugged – projeto de voluntariado canadense que atende bebês prematuros – um público bastante específico e vulnerável que necessita de plena atenção para sobreviver. Os voluntários passam algumas horas por semana abraçando os bebês, aplicando o método reconhecido pela Organização Mundial da Saúde chamado Kangaroo Mother Care. Esse ato de afeto e carinho, cientificamente comprovado, contribui para que o bebê se desenvolva neste momento mais crítico. No Brasil 340 mil bebês nascem prematuros todos os anos, o que significa 12% dos nascimentos.

A Kimberly-Clark apoiou ainda o filme “O começo da Vida”, que trata exatamente do tema da primeira infância e já foi exibido em 89 países, impactando mais de 1,2 milhões de pessoas.

Além disso, a companhia oferece licença maternidade estendida de seis meses para todas as colaboradoras; Sala de amamentação, certificada pelo Ministério da Saúde no escritório de São Paulo; Home Office; Horário Flexível e Cursos de gestantes para colaboradoras e colaboradores que terão filhos em breve. Na Argentina, durante as viagens corporativas, as colaboradoras com filhos de até 1 ano que ainda estão no período de amamentação, têm a possibilidade de levar o seu bebê com um acompanhante

Por fim, a marca se posiciona como um agente atuante na sociedade, sendo parte das discussões e soluções dos problemas sociais, que ultrapassam as fronteiras meramente de negócios.

Sobre a Kimberly-Clark

A Kimberly-Clark é uma empresa norte-americana que produz as marcas Neve, Scott, Kleenex, Huggies, TMJ (Turma da Monica Jovem), Intimus e Plenitud. Também atua no segmento institucional por meio da K-C Professional com produtos para bares, restaurantes, indústrias e empresas. O escritório central está localizado na capital de São Paulo e há ainda 5 fábricas, em Camaçari (BA), Correia Pinto (SC), Eldorado do Sul (RS), Mogi das Cruzes (SP) e Suzano (SP), um Centro de Distribuição em Mogi das Cruzes (SP) e um escritório de Vendas em Recife (PE).

David Uip fala sobre o papel da Secretaria Estadual de Saúde na implantação do SUS

Por Karen Pegorari Silveira

Em reunião técnica promovida pelo Conselho Superior e pelo Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, realizada na última quinta-feira (24/05), o professor e ex-secretário Estadual de Saúde, David Uip, comentou as principais dificuldades que enfrentou em seu mandato de quase 5 anos, sobre o Pacto Federativo e o que pensa a respeito da Constituição Brasileira.

Segundo o professor, durante seu mandato, que iniciou em 2013 a pasta de Saúde do Estado perdeu 3 bilhões de arrecadação devido à crise no país e apesar do Governo na época ter aumentado o percentual destinado à Saúde, o setor sentiu a perda. Durante seu mandato de exatos 4 anos e 7 meses também foi preciso lidar com diversas mudanças de ministro – um deles ficou apenas 2 meses no cargo – o que dificultou bastante a execução de seu trabalho. Além disso, a complexidade da gestão desta Secretaria, com 160 mil funcionários, exigiu grande experiência e sensibilidade. Em sua visão, para dirigir qualquer pasta de Saúde do Governo precisa ser uma pessoa da área de Saúde, devido à complexidade e à dificuldade da área.

Ainda há a necessidade do entendimento do que é o Pacto Federativo, que designa funções para cada um dos entes – cabe ao governo federal a política pública e o financiamento, aos estados fundamentalmente é a governança e ao município cabe a execução. De acordo com o professor “se isso desse certo, as coisas estariam bem encaminhadas, mas não é assim que acontece”, analisa ele.

Outro fato muito discutido por Uip é a Constituição Brasileira. Segundo ele “essa história de que saúde é direito de todos e dever do Estado, é mentira! Não tem dinheiro. Como você vai dar tudo a todos, sendo que ‘tudo’ vai desde atenção primária, até o remédio de 1000 dólares o comprimido ao dia?” questionou. Na visão dele a Constituição de 1988 foi sim um avanço, porém precisa ser revista.

Segundo o ex-secretário, o Estado de São Paulo conta hoje com 101 hospitais estaduais. Para se ter uma ideia o Estado do Rio Grande do Sul tem 2 hospitais estaduais e o Rio de Janeiro, nenhum. Porém, há um grande problema, segundo Uip. Faz-se pouca prevenção e naturalmente o caminho para tratar as doenças é o hospital, seja por falta de atenção primaria, seja pela complexidade da doença.

Uip acrescenta ainda que “nos prontos socorros dos hospitais do Estado de São Paulo há 81% de pacientes não precisariam estar lá, eles poderiam estar nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), nos programas de saúde da família, ambulatórios de especialidade (AME) e etc. A doença deles não é para pronto socorro. Só 19% estão onde precisam estar. Nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), 50% dos pacientes não precisariam estar lá. Então é um sistema muito complexo”, relata.

Com este cenário, sua gestão transformou 40 AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades) em AMEs+, que tem competência de realizar procedimentos, tanto de diagnósticos, como cirúrgicos. Hoje elas fazem mais cirurgias de média complexidade do que os centros cirúrgicos hospitalares. Este conceito ajudou a destravar o nó do sistema. No AME Barradas, no bairro de Heliópolis, por exemplo, foram realizadas 10 mil cirurgias de cataratas.

Outras questões, citadas por Uip, que impactam a administração da saúde no Estado é a contratação de profissionais, que é feita por concurso. Há falta de profissionais interessados e falta de profissionais especializados, por este motivo, em sua gestão, Uip terceirizou estes profissionais e aumentou os atendimentos em diversos hospitais.

A Parceria Público Privada (PPP) também é uma questão delicada porque é preciso remunerar o parceiro de hospital. Mas é a ação que deu certo do ponto de vista de construção de hospitais, segundo Uip. “Não houve atrasos com as obras e os hospitais são de alto nível, não perdem em nada para os melhores hospitais privados”. Nesta parceria o Estado entrou com 60% e o parceiro privado com 40% – emprestado pelo Estado, por isso Uip questiona este modelo. Mas na visão dele houve um excelente modelo de parceria entre o Estado e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que entrou com 70% do investimento para construir 180 unidades de saúde no estado.

Para finalizar sua palestra, Uip citou os 4 grandes problemas da saúde, em sua opinião. Para ele as questões que mais impactam atualmente são: 1) financiamento – que recebe apenas 25% do governo federal; 2) gestão de 645 municípios com diversas trocas de secretários de saúde; 3) desvio e desperdício de verbas e insumos; 4) judicialização com pagamento para tratamentos e medicamentos exigidos através de processos, onde há muitos crimes. “Para se ter uma ideia já tivemos judicialização para comprar remédio para cachorro”, conta ele.

A palestra de David Uip, professor, ex-secretário de Saúde do Estado de São Paulo e um dos mais experientes gestores da Saúde Pública do país fez parte da série de encontros do Projeto Sistema de Saúde no Brasil, idealizado por Raul Cutait, médico e presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp, Consocial.

Acompanhe a agenda dos próximos encontros no site www.fiesp.com.br/agenda

Artigo: Desafios à Responsabilidade Social na indústria da construção

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Haruo Ishikawa

O que nos une, ativistas sociais, é tornar a vida melhor, melhorar a humanidade, melhorar as pessoas. Na vida empresarial, investimento social dá visibilidade e lucro, quando feito de forma profissional e sustentável. Ele se tornou uma característica mundial das empresas e um fator de valorização das ações de muitas delas nas bolsas de valores.

Nesta perspectiva, o trabalho das instituições em que militamos apresenta diversos desafios. No SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção), nosso foco é o bem-estar do trabalhador e de seus familiares, buscando incessantemente valorizá-los. Zelar pela motivação pessoal e pelo crescimento profissional do trabalhador é condição indispensável à prevenção de acidentes e à elevação da produtividade na construção.

Com esta perspectiva, desenvolvemos ações que incluem: o ConstruSer (Encontro Estadual da Construção Civil em Família), a Megasipat (Mega Semana Interna de Prevenção de Acidentes), o PSS (Programa SindusCon-SP de Segurança), a liderança do tema da Segurança do Trabalho dentro da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), a coordenação da bancada patronal do CPN (Comitê Permanente Nacional) da NR-18, e a inserção segura de Pessoas com Deficiência nos canteiros de obras.

O mais difícil no trabalho social é transmitir motivação e conhecimentos para uma massa enorme, heterogênea e pulverizada de pessoas. Na construção, falamos com 2,3 milhões de trabalhadores, dos quais mais de 670 mil no Estado de São Paulo.

Assim, para atingir o maior número de empresas e trabalhadores, optamos por ações e eventos que se viabilizam mediante valiosas parcerias. O ConstruSer, por exemplo, maior evento de responsabilidade social da construção paulista, é uma realização do SindusCon-SP com Fiesp, Sesi-SP, Senai-SP e Seconci-SP (Serviço Social da Construção).

Durante um dia inteiro, mais de 20 mil trabalhadores e seus familiares encontram-se nos Centros de Atividades do Sesi-SP na capital e no interior paulistas. Realizam exames médicos e participam de esportes e atividades sobre educação, geração de renda por meio de arte e criatividade, sustentabilidade ambiental, educação financeira, alimentação, nutrição, cultura e segurança no trabalho e no lar. De 2008 a 2017, o ConstruSer já recebeu 331 mil trabalhadores da construção civil e seus familiares, gerando 3,5 milhões de atendimentos em 724 atividades oferecidas gratuitamente.

A Megasipat, o maior evento de saúde e segurança do trabalho da construção civil paulista, busca despertar o interesse do trabalhador na prevenção da saúde de acidentes de trabalho, além de abordar temas como higiene, medicina e segurança do trabalho, proteção ao meio ambiente, ética, cidadania e responsabilidade social.

Realizado em parceria com Sesi-SP, Senai-SP e Seconci-SP na capital e no interior do Estado, o evento auxilia as empresas do setor a complementar as suas Sipats (Semanas Internas de Prevenção de Acidente de Trabalho) e formar agentes de boas práticas, multiplicadores em suas respectivas empresas. De 2000 para cá, a Megasipat contribuiu para formação de cerca de 30 mil trabalhadores em 4 mil empresas.

O PSS, realizado em parceria com o Senai-SP, visa orientar as construtoras sobre os cuidados com a Segurança do Trabalho. Técnicos visitam permanentemente os canteiros de obras em todo o Estado, verificando se estão atendendo a NR-18 e as demais Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho para a prevenção de acidentes.

Na Comissão de Política e Relações Trabalhistas da CBIC, desenvolvemos atividades, ações e publicações destinadas à segurança do trabalho. No momento, estamos realizando a Canpat (Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes na Indústria da Construção), mediante seminários nas cinco regiões do país.

O evento conta com parceria dos Sesis, Seconcis e do Ministério do Trabalho, e aborda os temas de interesse do momento: inovações e boas práticas em Saúde e Segurança do Trabalho, atuação das entidades na prevenção de acidentes e reforma trabalhista.

Em parceria com as entidades dos trabalhadores e o Seconci-SP, e com anuência do Ministério do Trabalho, desenvolvemos uma ação permanente visando à inserção segura de Pessoas com Deficiência na Construção Civil, em atendimento à Lei de Cotas. Também orientamos as empresas ao preenchimento da cota de aprendizes.

A preservação da saúde e da segurança do trabalhador também é objeto de várias cláusulas das Convenções Coletivas que o SindusCon-SP assina anualmente com as entidades dos trabalhadores. As construtoras obrigam-se a uma modesta contribuição mensal para o Seconci-SP, que em contrapartida proporciona atendimento médico e odontológico ambulatorial gratuito para os funcionários das mesmas e seus dependentes.

Além disso, o SindusCon-SP tem vasta atuação na área da sustentabilidade. Destacam-se a colaboração com o governo estadual para a Montagem do Sigor (Sistema Estadual de Gerenciamento Online de Resíduos Sólidos) e as ações para estimular a construção sustentável, com preservação dos recursos naturais e combate à emissão de gases estufa.

Desta forma, exercemos nossa responsabilidade social, em busca de um Brasil economicamente forte, socialmente justo e ambientalmente desenvolvido.

*Haruo Ishikawa é vice-presidente de Capital-Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon-SP, presidente do Seconci-SP, líder de SST na CBIC, coordenador da Bancada Patronal do CPN da NR-18 e membro do Comitê de Responsabilidade Social.

 

Artigo: Olhar e atitude para o social

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Tania Cosentino

Empresa nenhuma – em particular aquela posicionada como líder no seu mercado – pode ignorar seus impactos ambientais e sociais, sejam eles negativos ou positivos. A velha crença de que o sucesso organizacional está atrelado única e tão somente ao desempenho financeiro deu lugar ao entendimento de que a geração de valor econômico deve estar intrinsecamente ligada à criação de outros valores para a sociedade. Não se trata de ações beneficentes, responsabilidade social, nem mesmo sustentabilidade. Estamos falando de valor compartilhado – um novo modelo em que o êxito de uma companhia e o progresso de um povo estão diretamente relacionados.

Vivemos um momento difícil, no Brasil e no mundo como um todo: desigualdade social, criminalidade, poluição, escassez de recursos naturais. Precisamos mudar; o planeta e a sociedade não podem mais esperar, e o setor privado, por sua vez, pode e deve ajudar. Eu me considero uma ativista pela inovação para a sustentabilidade e fico feliz de atuar em uma companhia que me dá espaço para abraçar causas tão urgentes.

Desde 2002, nós, da Schneider Electric, trabalhamos mundialmente com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e incorporamos suas iniciativas em nossos negócios. Quando a entidade lançou, em 2015, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e suas 169 metas a serem alcançadas até 2030, nós logo nos envolvemos. Para mim, esse tema é apaixonante, e temos inúmeros projetos dos quais me orgulho muito.

Desde 2009, desenvolvemos o Programa de Acesso à Energia, cujo objetivo é levar energia renovável, segura, limpa e confiável a áreas isoladas, dependentes de combustíveis fósseis, com fornecimento precário de energia ou sem acesso a ela, além de promover treinamento em competências relacionadas ao setor elétrico para comunidades de baixa renda. Até 2025, a meta global da nossa empresa é gerar eletricidade para 50 milhões de pessoas e treinar 1 milhão. Até o momento, levamos luz elétrica para 5 milhões de pessoas e treinamos mais de 100 mil. Na América do Sul, em cinco anos, capacitamos 30 mil homens e mulheres, elevando a renda média da comunidade piloto em 52%.

No Brasil, somente em 2017, contribuímos para a instalação de mais de 30 sistemas de energia solar em comunidades indígenas e extrativistas do Amazonas, beneficiando espaços de uso comunitário (escolas, unidades de saúde) e atividades produtivas (pimenta, mel, castanha), e mantivemos sete parcerias educacionais ativas em diferentes estados. Em um projeto de instalação de sistemas solares no Território Indígena do Xingu, realizamos uma capacitação que beneficiou 28 jovens indígenas de 18 aldeias, de sete etnias.

Ao levar energia para uma região isolada, acreditamos ser possível melhorar condições de educação, saúde, comunicação, atividades econômicas e outros aspectos. O acesso à energia colabora para a erradicação da pobreza, a redução das desigualdades e o alcance a outros direitos fundamentais.

Vale comentar também acerca das nossas ações a favor das mulheres. Desde 2015, a Schneider Electric é um dos dez participantes corporativos do Impact 10x10x10, da ONU Mulheres, um grupo de empresas, universidades e governos que atua em políticas de gênero. Desde então, cerca de 40 mil colaboradores se juntaram ao HeForShe, programa da ONU Mulheres e da UN Global Compact Initiative. E mais: em 2016, 40 presidentes de países da nossa empresa assinaram os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) estabelecidos pela ONU Mulheres e pelo Pacto Global.

Diversidade de gênero não é “papo de mulher”; por isso, a intenção do HeForShe é trazer os homens para a conversa, pois são eles, ainda, aproximadamente 95% dos CEOs. Já os WEPs apresentam, de forma simples, sete passos para uma empresa criar seu programa de diversidade de gênero, e tudo começa colocando o tema na agenda do CEO e das altas lideranças.

E após assumirmos formalmente esses compromissos em toda a América do Sul, fizemos uma análise da nossa demografia, identificamos nossos “gaps” e estabelecemos nossas metas: aumentar o recrutamento de mulheres para 42% sobre o total até 2017 (meta medida trimestralmente desde 2015); ter 30% de mulheres na alta liderança global da empresa até 2020; e ter 95% dos nossos colaboradores trabalhando em países com processos estabelecidos para eliminar o “pay gap” até 2020.

Tenho orgulho de dizer que, inspirada e apoiada pelo CEO global, Jean-Pascal Tricoire, lidero essa grande transformação e posso observar bons resultados. Nossas ações vão além das nossas fronteiras; levamos nossos programas aos nossos parceiros, fornecedores e às comunidades. Temos o dever de elevar o nível de toda nossa cadeia de valor, inserindo padrões de ética, gestão e RH. Eu, aliás, dedico parte do meu tempo a fazer o “advocacy” de sustentabilidade e diversidade, pois acredito que, promovendo nossas ações, compartilhando conhecimento, podemos impactar positivamente toda a sociedade. Essa é minha contribuição – como executiva e como indivíduo.

*Tania Cosentino é presidente da Schneider Electric para América do Sul, membro do Diversity & Inclusion Advisory Board da Schneider Electric, lidera o programa HeForShe, uma iniciativa da ONU Mulheres e do Pacto Global da ONU e recebeu o 1º Prêmio CEBDS de Liderança Feminina, iniciativa do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), por seu trabalho em prol do empoderamento feminino.

 

Artigo: É preciso construir um futuro sustentável e inclusivo

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Ulisses Matiolli Sabará

Estamos diante de um novo marco para a construção de uma economia inclusiva e compartilhada, com o objetivo de eliminar a pobreza e criar um quadro institucional para o desenvolvimento sustentável. Neste momento, o nosso compromisso é fortalecer as práticas nos negócios, no ambiente interno e nas múltiplas relações para garantirmos uma perspectiva de inclusão, equidade e sustentabilidade para as gerações atuais e futuras.

A ideia é estabelecer uma relação amigável entre os processos produtivos da sociedade e os processos naturais. Dessa maneira, será possível promover a conservação, a recuperação e o uso sustentável dos ecossistemas, tratando os serviços prestados à vida como ativos financeiros de interesse público.

Essa é uma estratégia que ajuda a transformar a sociedade e a fortalecer o setor privado, pois o investimento no capital humano, a valorização das cadeias produtivas e a preservação dos recursos naturais são elementos essenciais para que possamos trilhar o caminho do crescimento em harmonia com a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento econômico e social.

Aliás, em junho de 2016, fui reconhecido pela ONU como um dos Local SDG Pioneers, devido aos esforços que realizo alinhado ao Objetivo número 15 – Vida Terrestre (Life on Land) -, dedicado a proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda da biodiversidade.

A ação selecionou dez líderes empresariais e agentes de transformação de todo o mundo, com a missão de defender a sustentabilidade por meio de seus modelos de negócios, promover a mudança e mobilizar a comunidade empresarial em geral para que sejam tomadas medidas de apoio aos ODS. O grande foco dos selecionados é mobilizar esforços para que, até 2030, as ações sejam aplicadas universalmente, de modo que contribuam para o fim de todas as formas de pobreza, promovam a luta contra as desigualdades e combatam as alterações climáticas, assegurando que ninguém seja deixado para trás.

Na Beraca, entre as iniciativas que sempre destaco, está o Programa de Valorização da Sociobiodiversidade®, criado no ano 2000 e que está baseado nos alicerces: “Rentabilidade Adequada”, “Preservação da Água e Biodiversidade” e “Desenvolvimento Humano de Forma Equilibrada”. Trata-se de um projeto que atua como uma ponte entre 105 comunidades agroextrativistas espalhadas pelo Brasil, com mais de 2.500 famílias, e os principais fabricantes mundiais de cosméticos. Isso faz com que a empresa conecte a biodiversidade brasileira a milhares de consumidores por meio de uma relação de transparência, rastreabilidade e inovação.

Para mensurar a importância desse projeto, promovemos uma parceria entre a Beraca, a Universidade de São Paulo (USP) e a Columbia University, de Nova York, nos Estados Unidos, para realizar um estudo inédito sobre os impactos proporcionados. A análise avaliou 334 famílias, dos municípios de Salvaterra, Breves (Furo do Gil) e Bragança, no Pará, e Palmeira do Piauí e Uruçuí, no Piauí, e concluiu que, em determinadas regiões, a cada R$ 1 investido no extrativismo sustentável, são retirados R$ 3,6 da mão de obra em madeireiras ilegais.

Ao falarmos em comprometimento com questões socioambientais, devemos ressaltar também que durante a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP21, realizada em 2015, o Brasil assumiu a responsabilidade de zerar o desmatamento na Amazônia Legal e restaurar 12 milhões de hectares de florestas. Para que o país atinja esses números, além do reflorestamento, com a fiscalização e a criação de unidades de conservação, é preciso apostar em alternativas de uso sustentável da floresta pelas mais de 4 milhões de pessoas que lá vivem.

Uma oportunidade para atingir a meta é por meio do extrativismo sustentável, iniciativa que consiste na manutenção das florestas em pé, para que seus frutos e sementes sirvam como uma fonte de renda aos moradores das comunidades ribeirinhas e pequenos núcleos de agricultura familiar. As famílias que vivem em áreas como a região amazônica não podem depender apenas de atividades como a monocultura de mandioca e a pesca, por exemplo.

Diante disso tudo, defendo fortemente a importância da criação de cadeias de valores dentro dos negócios, capazes de garantir a perenidade e o aperfeiçoamento das três dimensões do conceito de sustentabilidade: o valor agregado do próprio negócio; a melhoria do bem-estar de populações rurais localizadas em áreas remotas; e a preservação do meio ambiente. Apenas com estímulo em ações socioambientais, é possível reduzir a pressão sobre os recursos naturais.

Ulisses Matiolli Sabará é presidente da Beraca, uma das unidades de negócios do Grupo Sabará, estudou Engenharia Química e Administração de Empresas. Foi reconhecido em 2016 como um dos dez nomes responsáveis por divulgar e implantar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, resultado de um trabalho alinhado ao Objetivo número 15 – Vida Terrestre.

Artigo: O desenvolvimento humano e social como um caminho para um mundo justo e sustentável

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Grácia Elisabeth Fragalá

“Nós nos comprometemos a que ninguém seja deixado para trás”

Preâmbulo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável

As transformações que marcam a contemporaneidade estão associadas, paradoxalmente, ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Não é por outro motivo que uma tentativa de periodização da história vai organizar a linha do tempo desde as mudanças do renascimento como modernidade, pós-modernidade e globalização. E, em cada período -apesar dos progressos alcançados em termos de conhecimento da natureza, produtividade, avanço do conhecimento, participação das maiorias nas decisões sobre o destino comum- vemos crescer as contradições políticas, econômicas e sociais. É como se, a cada adiante, voltássemos dois passos para trás.

Se a modernidade, inaugurada sob o signo da racionalização crescente da vida e das revoluções políticas e industrial, prometeu um mundo de progresso ilimitado sob o controle de um homem consciente de suas circunstâncias, livre de preconceitos e capaz de conciliar interesses privados e riqueza pública, a pós-modernidade entregou exatamente o contrário.

Seja pela versão dos que creem que a pós-modernidade significa uma ruptura com a modernidade, como na versão contrária, dos que afirmam tratar-se de um aprofundamento de tendências impressas na modernidade, o fato é que assistimos a fenômenos complexos, que vão desde o fracionamento das identidades tradicionais até a tribalização, passando pelo enfraquecimento das soluções políticas tradicionais, centradas no Estado-Nação e em suas instituições. O fato é que estamos tateando no escuro, como se a luzes da razão não tivessem passado de um breve relâmpago no horizonte do tempo.

Hoje, como consequência da Revolução Tecnocientífica (3ª Revolução Industrial), vivemos em um sistema mundial global no qual diversos aspectos da vida se entrelaçam e desafiam a capacidade de ação das sociedades políticas nacionais. A economia -sobretudo em sua dimensão financeira global-, a cultura de massas, os problemas ambientais e a questão da biodiversidade, a questão social e política… Tudo é urgente e reclama engajamento de lideranças comprometidas com uma visão social de mundo democrática, sustentável fundada na preservação dos direitos fundamentais. Afinal de contas, neste momento da história estão em jogo os padrões produtivos, a dinâmica dos mercados, os empregos e o próprio futuro da humanidade. Aquele futuro que foi inaugurado na modernidade, centrado no homem, em sua capacidade racional, nas liberdades e da democracia como forma de governo.

Cientes destes desafios, no contexto da Conferência da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), em 2012, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) publicam o documento “A desigualdade é insustentável”, no qual enfatizam a firme disposição da indústria em tomar decisões em favor do futuro da humanidade na Terra. Tal propósito está em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aprovados em Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 2015, cuja agenda de desenvolvimento sustentável é construída a partir dos resultados da conferência do Rio e busca promover o desenvolvimento sustentável, combatendo a pobreza a partir de esforços concentrados nas áreas econômica, social e ambiental.

Os 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), divididos em 169 metas, integrados e indivisíveis, marcam um compromisso dos líderes mundiais em estabelecer um esforço conjunto, capaz de mobilizar as comunidades e incentivar a participação das organizações da sociedade civil, do setor privado, das universidades e outras organizações locais na criação de um ambiente global favorável ao desenvolvimento humano e social, que reduza as desigualdades e leve a ganhos nas áreas da saúde, da educação, do bem-estar social e da sustentabilidade, entre outras.

Em São Paulo, o setor industrial, pela Fiesp, em seus Conselhos Superior de Responsabilidade Social (ConSocial) e Comitê de Responsabilidade Social (CORES), atua firme e decididamente para promover o desenvolvimento humano e social como um caminho para um mundo justo e sustentável. A indústria paulista que esteve na vanguarda das grandes transformações que conduziram a sociedade brasileira ao desenvolvimento econômico e social assume o seu papel em mais etapa de transição que enfrentamos.

As lideranças empresariais reconhecem o papel relevante na construção dessa nova agenda global e os desafios para a sua implementação local. Os caminhos para superar as barreiras exigem a união de esforços. A Fiesp, ao incentivar e promover práticas sustentáveis e socialmente responsáveis no cotidiano das empresas, espera contribuir para produzir e difundir conhecimento e boa práticas, inspirando pelo exemplo.

*Grácia Fragalá é vice-presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial) e diretora titular de Responsabilidade Social da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp.

Artigo: Diversidade, Equidade e Inclusão no meio corporativo: Discurso ou Prática?

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Theo van der Loo

Muito já se falou sobre a importância de se ter diversidade no meio corporativo. Além de ser algo justo, as empresas multiculturais, com profissionais multidisciplinares, de diferentes gêneros, origem étnica e faixas etárias, são mais criativas, produtivas e consequentemente mais rentáveis. Diversidade é algo correto a ser feito, motiva os empregados e com certeza é bom para os negócios! No entanto, tornar-se uma marca empregadora inclusiva é um desafio que precisa de envolvimento, comprometimento e disponibilidade da alta gestão para que os colaboradores sejam vistos e reconhecidos por seu talento e não por sua etnia, origem, credo, gênero, orientação ou limitação física.

A segregação é uma marca histórica na nossa sociedade e os resquícios dela se refletem até os dias de hoje. Não apenas no Brasil, mas no mundo todo. As desigualdades sociais e as discriminações de todas as espécies certamente são resultados disso e podem ser notadas em todos os ambientes, tanto nas esferas públicas como nas privadas. No meio corporativo, apesar de todo avanço e esforços jurídicos, vieses inconscientes e senso comuns equivocados são colocados em prática, prejudicando as companhias e limitando o acesso e desenvolvimento de profissionais talentosos e de muito potencial.

Não tenho a pretensão de dar aulas de história, antropologia ou criar teorias, mas os convido à reflexão: quantos funcionários afrodescendentes têm na sua empresa? Quantos são líderes? Quantos trabalham no seu andar? No seu departamento? Quantos participam das reuniões? Quantos frequentam os mesmos restaurantes que você?  Há quem acredite que racismo não existe e que vivemos numa espécie de democracia racial. Não é o que percebo. A maioria dos profissionais negros no mercado de trabalho está em funções de base ou intermediárias. Não precisamos de dados estatísticos para comprovar o que está ao alcance dos nossos olhos.

A desigualdade está tão arraigada em nossa cultura que a baixa presença de negros nas empresas é vista com normalidade, principalmente nos cargos mais elevados. Na verdade nem é “vista” porque não existe muita preocupação com o tema. Acho importante lembrar que utilizando o e-social conseguimos fazer uma análise profunda sobre a inclusão de afrodescendentes nas empresas. Este diagnóstico nos ajuda a implementar medidas e KPI’s para medir os avanços e promover equidade.

Entendo que muitas vezes, num processo seletivo, são pedidas habilidades e competências que privilegiam quem teve acesso a ensino de qualidade, oportunidade de fazer intercâmbio e conhecer outras culturas. O nosso histórico de desigualdades sociais acaba segregando os profissionais ainda na triagem, no entanto, acredito que seja viável fazer um processo seletivo mais inclusivo e investir em candidatos que tenham talento e potencial de desenvolvimento, mesmo que tenham pequenos gaps. Para promovermos mudanças construtivas precisamos ser mais flexíveis e abertos às diferenças ao invés de manter o foco exclusivamente nos resultados. Para ter mais inclusão e diversidade nas companhias é preciso olhar o potencial e o talento do candidato, além de estar disposto a correr riscos e a oferecer cursos específicos para preencher alguns gaps, como por exemplo a ausência de inglês fluente.

Diversidade e inclusão tornaram-se essenciais para empresas que pretendem se manter atrativas no mercado porque cada vez mais pessoas buscam companhias e marcas que tenham propósito e valores alinhados às suas crenças pessoais.  Temos visto nos últimos anos a quantidade de empresas que têm a sua reputação prejudicada por atitudes preconceituosas. O júri das redes sociais é implacável e o resultado para as companhias são desastrosos. Preconceito gera prejuízos incalculáveis e atrela a sua imagem a ele por bastante tempo.

A discriminação racial no meio corporativo, apesar de não verbalizada, dificulta, inibe, constrange e limita. Não me parece muito assertivo manter no meio corporativo critérios que privilegiam apenas uma parte da população. Não há diversidade sem equidade e tão pouco sem apostar no que foge ao padrão construído no passado, afinal de contas estamos no século 21 e já deveríamos ter aprendido muito com os erros dos nossos antepassados.

A exclusão crônica que começou com a escravatura, segue – de certa forma –  até hoje como se fosse um “apartheid” velado. Com o avanço da tecnologia na educação, privilegiados têm acesso a tudo do melhor e os menos favorecidos ficam ainda mais distante de uma educação igualitária. Portanto, se focamos exclusivamente na meritocracia jamais teremos resultados educacionais tangíveis.

A inclusão é uma bandeira que carrego com orgulho, me engajo pessoalmente nas questões relacionadas à inserção do negro no mercado de trabalho, ministrando palestras, participando de painéis, dando mentorias,  entre outras atividades. Comecei dentro da Bayer, em parceria com o departamento de Recursos Humanos, discutindo critérios para processos seletivos mais inclusivos.

Há pouco mais de um ano, usei uma rede social para compartilhar a minha indignação sobre o fato de um colega não ter podido participar de um processo seletivo por ser negro, a minha intenção era mobilizar apenas a minha rede de contatos, mas fui surpreendido com a repercussão e o alcance da minha publicação. Recebi feedbacks positivos e negativos, e aprendi muito com cada um deles. Não sou e nem quero ser protagonista dessa história, quero contribuir para que as disparidades da nossa sociedade se tornem cada vez menores. Mas me dei conta de que alguns comentários têm mais impacto quando uma pessoa não-negra o faz. Caso contrário é rotulado como “mimimi”. Algumas pessoas me perguntam por que estou me metendo nesse assunto, dizem que como CEO eu deveria estar focado em outras questões, a minha resposta é sempre a mesma: não adianta apenas falar, devemos dar exemplo. CEO’s engajados, junto com a alta gestão, dão uma conotação mais genuína ao tema.

Falo por experiência própria que ser uma marca inclusiva traz retornos bastante positivos. Igualdade e equidade são essenciais para que tenhamos justiça social na prática e não apenas no discurso.

Fico muito feliz por poder abordar esse assunto nesse boletim porque acredito que a FIESP tem um papel importantíssimo na disseminação deste tema, uma vez que reúne indústrias de diversos tipos nacionais e multinacionais e que ainda não estão discutindo essa temática tão importante para o desenvolvimento do nosso capital social.

*Theo van der Loo é presidente e porta voz da Bayer, membro da Diretoria do SINDUSFARMA, membro do Conselho da Câmara Brasil-Alemanha e membro do Conselho Consultivo da ETCO e da Centroflora. Participa ativamente do programa CEO Legacy da FDC.

Artigo: Sustentabilidade e Diversidade andam lado a lado na Avon

Foto: Adri Felden/Argosfoto

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por Ana Costa

Mais de um século antes de o mundo iniciar o importante debate sobre equidade de gênero e raça, a Avon – que completa 60 anos no Brasil e 132 globalmente – se consolidava como pioneira no empoderamento feminino, ao fomentar o empreendedorismo entre as mulheres que, à época, nem podiam votar. Por meio da revenda de nossos produtos, milhões de mulheres em todo o mundo vêm alcançando autonomia social e econômica, tornando-se protagonistas de suas histórias. Não por acaso, a Avon é mundialmente conhecida como a “Companhia da Mulher”.

“Quando uma mulher apoia outra, coisas incríveis acontecem.” Essa frase criada pela Avon e que sintetiza a nossa missão, reflete em todas as nossas ações e relações com parceiros internos e externos e é o que nos motiva a continuar trabalhando pelo social, por equidade de gênero e, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), para não deixar ninguém para trás.

“Esse viés inclusivo, que – além das mulheres – se estende aos demais grupos minorizados da sociedade, está enraizado em nossa cultura enquanto corporação, sendo parte fundamental da nossa estratégia de sustentabilidade com os mais diversos públicos. Para a Avon, Diversidade e Sustentabilidade andam lado a lado.”, diz Ana Costa, Vice Presidente Jurídica e de Relações Governamentais e Líder da Rede pela Diversidade da Avon.

Além de ações integradas e iniciativas inovadoras para reduzir o impacto ambiental da atividade da Companhia, a Avon complementa a sua estratégia de sustentabilidade com o propósito de contribuir para o empoderamento das mulheres que, através da sua independência financeira, da autoestima, do combate ao câncer de mama e do enfrentamento à violência, fortalecem o papel da mulher como protagonista de uma sociedade que exige transformações sociais e que não pode deixar ninguém para trás.

O ato de democratizar a beleza está intimamente ligado à ideia de oferecer oportunidades iguais, de forma justa e responsável, a todos, revendedoras e consumidores. A equidade de gênero e o protagonismo feminino estão enraizados na nossa cultura, nos valores e na essência do negócio. Para dar suporte à essa estratégia, criou-se em 2015, a Rede pela Diversidade, formada por funcionários voluntários que se dedicam para promover a cultura da diversidade dentro e fora da Companhia.

Em linha com o ODS 5 – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar mulheres e meninas e com o ODS 10 – Redução das desigualdades, a Rede pela Diversidade assumiu o compromisso de promover práticas e vivências de inclusão de forma a quebrar barreiras e garantir o acolhimento a grupos minorizados, em todos os pontos de contato dos brasileiros com a marca. Como resultado, a Rede pela Diversidade realizou, em 2017, dezenas de ações de sensibilização, informação e troca de experiências e discussões sobre o tema, garantindo engajamento de 100% dos funcionários da Companhia. Parte do resultado das ações de engajamento está registrado no Manifesto da Rede pela Diversidade que, valorizando a diversidade dos próprios funcionários, sintetizou em um vídeo de 2 minutos qual é a cara da Avon.

Para colocar em prática a estratégia de sustentabilidade, o Instituto Avon também tem papel preponderante. É uma das entidades mais atuantes do país em duas causas que dialogam diretamente com a equidade de gênero – o combate ao câncer de mama e o enfrentamento à violência contra a mulher. Através de suas iniciativas, o Instituto AVON contribui diretamente com o ODS 5 – Equidade de Gênero, ODS 3- Saúde e bem-estar e ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições eficazes. Ao longo dos 15 anos de existência, já investiu, para as duas causas, mais de R$ 90 milhões em 257 projetos em todo o Brasil, atingindo mais de 5 milhões de mulheres. E, além disso, conta com uma rede de mais de 1,5 milhão de revendedoras Avon, porta-vozes e multiplicadoras das causas da mulher.

Externamente, a Avon caminha ao lado de diversas entidades e movimentos para a promoção das ações de equidade de gênero e raça, mobilizando, inclusive, sua cadeia de fornecedores. A Avon orgulha-se em ser signatária global e local dos WEPs – Princípios de Empoderamento da Mulher da ONU Mulheres e integrar o Comitê Nacional responsável por impulsionar o movimento HeForShe/ElesPorElas no Brasil, reforçando o compromisso em envolver o homem na discussão e na ação em prol da equidade de gênero.

O resultado das ações e o engajamento de funcionários, revendedoras e parceiros tem mostrado que a Rede pela Diversidade é uma importante iniciativa para provocar transformação social e honrar o legado da Avon no empoderamento das mulheres e de outros grupos minorizados. Essa é a essência da Sustentabilidade para Avon e reforça o compromisso da marca em não deixar ninguém para trás, contribuindo para alcançarmos um desenvolvimento social, ambiental e econômico duradouro.

* Ana Costa é vice-presidente Jurídica e de Relações Governamentais da Avon

Artigo: O setor têxtil e o compromisso com a Responsabilidade Social

foto: MARCELO SOUBHIA/AG/FOTOSITE

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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* Por Rafael Cervone Netto

Antes de iniciar a leitura deste artigo, sugiro uma breve reflexão para observar o ambiente a seu redor e perceber o quanto a indústria têxtil e de vestuário está presente em nossas vidas. Muito além das nossas roupas, os nossos produtos revestem móveis, protegem-nos do sol, estão em nossos calçados. Para além das fronteiras de nossa visão, percebemos que materiais têxteis estão presentes nos meios de transporte, nas edificações, no agronegócio e em muitos outros processos industriais. Se expandirmos ainda mais nossa observação, é possível notar que, não importa o tamanho de uma cidade, sempre haverá algum negócio relacionado ao setor, seja uma oficina de costura ou uma pequena loja de bairro. Seria difícil imaginar um mundo em que não houvesse produtos têxteis a nosso dispor para criarmos as mais variadas soluções e atendermos a diversas necessidades essenciais.

É por isso que nos orgulhamos tanto de representar um setor que conta com mais de 33 mil empresas em todo o território nacional e emprega, direta e indiretamente, cerca de 6 milhões de pessoas, é o quarto maior parque industrial do mundo e abriga a maior cadeia produtiva integrada do hemisfério ocidental. Tamanha capilaridade só demonstra a importância do setor em termos de empregabilidade, bem-estar social e responsabilidade ambiental.

Diante destas ordens de grandeza e de outros números conhecidos, torna-se evidente a importância do compromisso do setor com o desenvolvimento sustentável, norteado pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e por nossa Visão de Futuro para 2030. É preciso muito engajamento para tornar a agenda positiva uma realidade presente em todas as regiões do país – e vontade de mudar para melhor é o que não falta.

Com o propósito de fazer com que a responsabilidade social seja cada vez mais presente na atuação das empresas, a Abit vem trabalhando em uma série de iniciativas para discussão e disseminação de melhores práticas. Nos últimos 5 anos, nota-se um aumento relevante na percepção de conceitos mais amplos de sustentabilidade por parte das empresas, assim como o interesse destinado a projetos e iniciativas que contemplam melhorias nas relações de trabalho e com o entorno, mesmo nossas empresas concorrendo, frequentemente e de maneira desleal, com países que não respeitam conceitos básicos de sustentabilidade e de trabalho decente. Algumas dessas iniciativas, são:

Condições de trabalho

É esperada a correta conduta de uma empresa em relação a tópicos relacionados a direitos trabalhistas, procedimentos contra a discriminação (por motivos de gênero, idade, nacionalidade, etnia, orientação sexual, origem social) abusos, assédios (moral e sexual) e permissão de livre associação. Todas as empresas do setor devem estar atentas às condições de trabalho que oferecem a seus funcionários.

Trabalho forçado ou análogo ao escravo

O combate ao trabalho forçado ou análogo ao escravo é realizado por meio do monitoramento das relações de trabalho internas e em fornecedores. Devem existir ferramentas capazes de detectar jornadas exaustivas (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta danos à sua saúde ou risco de vida), trabalho forçado (manter a pessoa no serviço por meio de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas), servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele) e contratação de trabalho estrangeiro irregular. Este tema é de estrema relevância, principalmente no segmento de confecção, uma vez que as empresas estão pulverizadas pelo território nacional, o que dificulta a fiscalização pelo poder público.

Trabalho infantil

O combate ao trabalho infantil parte do monitoramento das relações internas de trabalho, assim como dos fornecedores. Empresas de qualquer setor devem atender à legislação brasileira, que determina a proibição de contratação de menores de 16 anos, salvo na condição de contratos de aprendizagem.

Responsabilidade Social

Ações e projetos voluntários, internos e externos, devem gerar impactos sociais positivos. Programas de capacitação e desenvolvimento, estímulo à promoção de exercícios físicos, doações de produtos e recursos financeiros para organizações da sociedade e mobilização do trabalho voluntário são exemplos destas ações. O engajamento de todas as empresas do setor é essencial para a garantia do bem-estar coletivo.

Comunidade

Considera-se essencial o mapeamento e o monitoramento dos impactos da empresa em seu entorno, uma vez que ruídos e odor, por exemplo, podem afetar a vida nas comunidades vizinhas, além de representar riscos para a imagem da empresa. O tema do trabalho decente é prioritário para a Abit, por questões de dignidade humana e econômicas, principalmente em relação ao setor de vestuário, visto que é intensivo em mão de obra.

Conferências Anuais da Organização Internacional do Trabalho

A sensibilidade do setor de vestuário em relação a condições de trabalho é evidenciada em espaços de enorme relevância sobre o tema, como as Conferências Anuais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que teve como principal tema, em 2014, o Trabalho Forçado e, em 2016, as Cadeias Globais de Valor. Ainda em 2014, a OIT organizou um Fórum de Diálogo Global sobre salários e tempo de trabalho nos setores de têxteis, vestuário, couro e calçados.

A Abit teve a oportunidade de participar desses encontros e reforçar que, em um setor intensivo em mão de obra, no qual há grande concorrência e os produtos são cada vez mais globais, é fundamental que as condições sociais, trabalhistas e ambientais de produção respeitem um patamar mínimo internacional, considerando o nível de desenvolvimento de cada país.

Manufatura Avançada ou 4.0

A indústria e o varejo de produtos têxteis e confeccionados estão passando por grandes mudanças, e é sabido que a competitividade das empresas dependerá de novos padrões de produção, assim como novas relações de trabalho e comercialização ao longo da cadeia de valor. Entre outros benefícios, estratégias de sustentabilidade proporcionarão processos mais eficientes, redução de custos, diferenciação no mercado e relacionamentos mais sólidos e de longo prazo entre empresas de diferentes elos da cadeia. Isto é, o potencial da sustentabilidade como impulsionadora da competitividade é incontestável.

A indústria têxtil e de confecção já deu início a um grande salto qualitativo em direção às categorias de maior emprego de ciência e tecnologia, capacitando-se para desenvolver sistemas cyberfísicos, Internet das Coisas e dos Serviços, e automação modular em suas linhas fabris, inserindo-se no novo universo da manufatura avançada e da economia digital.

A diversidade de produtos com tecnologias vestíveis e o emprego de biotecnologias e materiais inovadores criarão demandas por têxteis inteligentes e funcionais, aumentando exponencialmente a diversidade e a intensidade tecnológica de fios, tecidos e roupas, exigidos para atender às novas necessidades de consumo, para as quais devem convergir cadeias produtivas economicamente viáveis, socialmente justas, politicamente corretas e ambientalmente sustentáveis, agregando valores ao planeta e à sociedade.

Entretanto, este enorme esforço de nada adiantará se não nos valermos de toda esta tecnologia para valorizar e alçar a um novo patamar aquele que é, certamente e de longe, o nosso maior patrimônio : o ser-humano – aquele que faz e continuará fazendo toda a diferença para o sucesso e o futuro da nossa humanidade. Que tenhamos a consciência e a sensibilidade de sempre valorizá-lo e agradecê-lo por todas as nossas conquistas!

*Rafael Cervone Netto é 3º vice-presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP), engenheiro têxtil, membro do ITMF -International Textiles Manufactures Federation, membro do CONEX – Conselho de Comercio Exterior (MDIC), que assessora o Comitê Executivo de Gestão do Conselho de Ministros da CAMEX, presidente emérito do Conselho de Administração, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção – ABIT.

Iniciativas Sustentáveis: Enerpeixe – Qualidade de vida em foco

Por Karen Pegorari Silveira

Os países do BRICS, bloco econômico composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, perdem anualmente mais de 20 milhões de vidas produtivas por ano para doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, respiratórias, câncer, obesidade e diabetes. Essas doenças são decorrentes, entre outros fatores, de um estilo de vida com alta prevalência de inatividade física, alimentação de alto valor calórico, tabagismo, além de fatores de risco intermediários como obesidade, hipertensão arterial e altas concentrações de colesterol e glicemia. No caso de adultos trabalhadores, soma-se a esses fatores de risco a necessidade de adaptação ao modelo de trabalho atual, caracterizado por alta competitividade, demanda psicossocial e pressão por desempenho, segundo relata Alberto Ogata, diretor adjunto do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp, no livro Temas Avançados em Qualidade de Vida.

Com este crítico cenário muitas empresas notaram a necessidade de mudar o quadro incluindo programas de promoção da qualidade de vida para seus colaboradores, melhorando seu bem-estar e consequentemente a produtividade e competitividade do seu negócio.

A Enerpeixe, usina hidrelétrica do grupo EDP, localizada na cidade de Peixe, no Tocantins, é uma dessas empresas que enxergou na prevenção de doenças e na promoção da saúde e bem-estar uma forma de ajudar seus trabalhadores e ainda atingir melhores resultados. Para isso, adotaram o Sistema de Gestão Integrada e Sustentabilidade (SGIS), o qual é certificado nas normas ISO 9.001 (Qualidade), ISO 14.001 (Meio Ambiente) e OHSAS 18.001 (Saúde e Segurança Ocupacional) e cultura organizacional baseada nos seguintes princípios: A vida sempre em primeiro lugar; Respeito Incondicional; Ética e busca do melhor para todos; Responsabilidade pelo todo; Coerência no falar e no fazer; Justiça na igualdade e na diferença; Foco em soluções e no propósito maior; Busca da excelência pelo humano; Espírito de equipe e companheirismo; Conhecimento compartilhado; Inovação Constante; Cliente: a nossa razão de ser.

Baseados neste modelo de gestão, eles desenvolveram diversas iniciativas como, avaliações com uso de balança de bioimpedância; ginástica laboral; gincana de integração na equipe; sala de descanso; dormitório; sala de jogos; dia para visita dos filhos; encontro anual de famílias; apoio à família com descontos em academias, escolas de idioma, farmácias e outros; comemoração de dias sem acidentes de trabalho; palestras motivacionais, de educação financeira, prevenção de doenças, e segurança no trabalho; Código de Ética; Voluntariado; atividades de relacionamento com a comunidade do entorno; campanhas de vacinação, entre outras ações.

Tais programas conferiram à empresa o reconhecimento do Prêmio Nacional de Qualidade de Vida, promovido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), na Categoria Empresa de Pequeno Porte – Certificação Bronze.

O gerente de Operação e Manutenção, Eduardo Bess Ferraz, comenta que a empresa acredita que “a adoção de uma cultura empresarial focada na valorização do ser humano traz melhorias significativas em diversos aspectos, desde o clima organizacional até o desempenho da empresa. Através da promoção da saúde e qualidade de vida de seus colaboradores há uma consolidação dos valores e princípios organizacionais e, por sua vez, maior engajamento e satisfação dos colaboradores com consequente melhoria nos resultados técnicos e financeiros”.

Sobre a Enerpeixe

A Enerpeixe é uma concessionária de serviços públicos de energia elétrica, constituída pelos acionistas EDP Energias do Brasil S.A. – de capital particular com 60% das ações, e Eletrobras Furnas – de capital estatal com 40% das ações. A Enerpeixe possui 49 colaboradores, sendo 39 na UHE Peixe Angical (Peixe–TO) e 10 na Sede Social (São Paulo–SP).

publicado em 03 de abril de 2018

Iniciativas Sustentáveis: Lubrasil – Promoção da saúde biopsicossocial

Por Karen Pegorari Silveira

O modelo de saúde biopsicossocial é um conceito amplo que estuda a causa ou o progresso de doenças utilizando-se de fatores biológicos (genéticos, bioquímicos, etc), fatores psicológicos (estado de humor, de personalidade, de comportamento, etc) e fatores sociais (culturais, familiares, socioeconômicos, médicos, etc). O modelo biopsicossocial é o contrário do modelo biomédico atual, o qual atribui a doença apenas a fatores biológicos como vírus, genes ou anormalidades somáticas.

Este conceito, se usado dentro das organizações, pode promover a saúde, bem-estar, qualidade de vida e produtividade dos colaboradores e apesar de poucas empresas utilizarem, algumas já notam os benefícios da adoção desse modelo, como a Lubrasil, empresa do setor industrial de rerrefino de óleo lubrificante da cidade de Piracicaba, no interior paulista.

A empresa promove de forma integral a saúde de seus colaboradores por meio de ações que envolvem a saúde biológica, psicológica e comportamental. As atividades desenvolvidas na empresa vão desde as Sipat (Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho), passando por consultas com psicólogos e workshops para sensibilização, inclusão e acolhimento de pessoas com deficiência.

De acordo com a supervisora de Recursos Humanos da Lubrasil, Vivian R. Lanzoni Menichetti, notou-se a necessidade de desenvolver uma cultura inclusiva entre os colaboradores a partir da dificuldade que eles apresentavam em relação a convivência e relacionamento com as pessoas com deficiência. “O principal desafio foi trabalhar a empatia, fazendo com que os mesmos se colocassem no lugar da pessoa com deficiência e se sensibilizassem para o respeito às suas necessidades e potencialidades”, relata.

Para dar vida ao desenvolvimento de uma cultura inclusiva, a Lubrasil teve o apoio do SESI com o Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência na Indústria. O objetivo do projeto é o de desenvolvimento de lideranças e gestores sobre conceitos básicos relacionados à promoção da diversidade e gestão de inclusão como valores estratégicos para o negócio e parte da Responsabilidade Corporativa. Foram realizados workshops de sensibilização e capacitação com lideranças e colaboradores.

Vivian conta ainda que após esta participação foi possível perceber mudanças no comportamento dos colaboradores, no sentido de ampliar a reflexão sobre as barreiras enfrentadas no dia a dia pelas pessoas com deficiência e com isso conseguiram incentivar a adoção de novas atitudes na convivência e relacionamento dos mesmos.

As atividades, segundo a supervisora de RH, proporcionaram melhora no relacionamento, engajamento e aproveitamento das pessoas com deficiência tornando-as parte do todo. Em sua percepção, os colaboradores estão com um novo olhar sobre a Inclusão.

Com relação a saúde psicológica dos colaboradores, a empresa implementou o Projeto Plantão Psicológico, que consiste no atendimento individual através de acolhimento, escuta e intervenção de uma psicóloga. Segundo Vivian, de um modo geral, as demandas observadas eram referentes a conflitos de relacionamento dentro da empresa, problemas com dependência química e problemas familiares.

A atenção à saúde e bem-estar físico dos colaboradores também é trabalhada na empresa através de conscientização. São realizadas palestras com temas de ergonomia, prevenção de câncer, saúde bucal, prevenção de acidentes, proteção auditiva, entre outros temas relevantes. Mais de 100 colaboradores participaram das últimas iniciativas em favor da saúde.

Para o presidente da Lubrasil, Nilton Torres de Bastos, as ações de Responsabilidade Social ajudam as empresas a engajarem seus colaboradores em temas importantes para sua competitividade, como saúde, qualidade de vida e inclusão. “A atividade da Lubrasil envolve riscos de uma refinaria e de transporte de resíduo perigoso e havia uma resistência por parte dos nossos colaboradores em colocar pessoas com deficiência no quadro. Para conscientizar e sensibilizar esses profissionais foi preciso um trabalho especializado como o do SESI, o que garantiu o bom relacionamento profissional e a aceitação desses trabalhadores”, relata Bastos.

Sobre a Lubrasil

A Lubrasil Lubrificantes, tem como principal atividade a coleta e o rerrefino de óleo lubrificante usado e ou contaminado (OLUC), a matriz está localizada em Piracicaba (SP) e possui filiais (pontos de coleta de oluc) distribuídas nas cidades de Santos (SP); Ribeirão Preto (SP); Serra (ES); Feira de Santana (BA); Rio Largo (AL); Araucária (PR); e Betim (MG). Atualmente possui 192 pessoas em seu quadro de colaboradores e possui certificações das normas NBR ISO 9001:2008, ISO 14001-2004 e OHSAS 18001:2007.

publicado em 03 de abril de 2018

Entrevista: Presidente do Consocial fala sobre proposta da Fiesp para gestão da saúde no Brasil

Por Karen Pegorari Silveira

Com o objetivo de iniciar uma discussão e subsidiar a elaboração de um plano estratégico destinado a construir uma saúde de qualidade para todos no Brasil, além de fornecer elementos para implementação, a médio e longo prazo, através de políticas, normativas e estruturas que cumpram com os propósitos estratégicos e táticos para viabilizar o Sistema Único de Saúde (SUS), o Conselho Superior da Responsabilidade Social (Consocial), da Fiesp, presidido pelo médico-cirurgião Raul Cutait, desenhou uma nova proposta de sistema para o Brasil.

Na opinião de Cutait o acesso à saúde, com qualidade, cria condições para as pessoas serem mais felizes e produtivas, algo positivo não apenas para si próprias, mas para toda a sociedade como um todo.

Leia mais na íntegra da entrevista:

Qual a principal motivação da Fiesp ao propor um novo modelo de gestão do acesso universal à saúde no Brasil?

Raul Cutait – É nossa percepção, alinhada com a visão do presidente Paulo Skaf, que a FIESP pode gerar importantes contribuições à sociedade civil, graças a sua estrutura, competência plural de muitos de seus membros e capacidade de atrair pessoas que não são obrigatoriamente a ela ligados, em prol de causas sociais motivadoras. Nesse sentido, o CONSOCIAL está desenvolvendo vários projetos, selecionados por seus membros, sendo um deles o da reavaliação do sistema de saúde do país, que interessa diretamente a cada brasileiro. Para esse projeto, temos tido o apoio intelectual de importantes figuras do setor público e privado, além da colaboração de economistas de saúde do Banco Mundial.

Diante dos principais desafios de gestão, financiamento e cobertura do atual Sistema Único de Saúde (SUS), quais seriam as mudanças propostas pelo novo modelo desenhado pelo Consocial?

Raul Cutait – Os principais tópicos são:

1) Implantação de redes. Dentro de atual estrutura descentralizadora da saúde, o município é o ponto final. Contudo, esse modelo tem gerado limitações de acesso e principalmente de qualidade de atendimento, além de problemas relacionados com o financiamento local. Nossa proposta é que em todo o país seja implantado o sistema de redes, congregando regiões geográficas que incluem vários municípios ou, então regiões geográficas de várias cidades grandes, que teriam assim mais de uma rede. Aliás, o conceito de rede já aparece em nossa constituição de 1988 e no estado de São Paulo, assim como na capital, já existe considerável avanço nessa direção. Para essas redes será importante levar em conta os aspectos epidemiológicos de cada região geográfica.

Estamos no presente desenvolvendo um documento a ser oferecido para o setor público que define o funcionamento das redes para, em seguida, lançar uma espécie de manual prático de implantação, com o intuito de ajudar os gestores públicos a administrarem as redes sob sua coordenação. Para tanto, estamos tendo o apoio imprescindível de experientes consultores do Brasil e do exterior.

2) Integração dos setores público e privado. É conhecida a limitação econômica para investimentos na área da saúde, levando à deficiência de incorporação de novas tecnologias, algo que o setor privado realiza com mais facilidade. É preciso pensar, em regiões onde isso favorece o setor público, em se atuar de forma integrada com o setor privado, comprando-se serviços e evitando-se investimentos que podem ser inviáveis ou dispensáveis.

3) Gratuidade do SUS. Este é um tema politicamente difícil, que tem que ser discutido sem paixão ou ideologia. Do ponto de vista pragmático, o fato é que nunca haverá disponibilidade financeira por parte dos governos federal, estadual e municipal para todas as necessidades relacionadas com custeio e investimento na saúde. É hora de se elaborar um árduo e difícil caminho onde cidadãos desprovidos de qualquer atendimento particular sejam atendidos pelo SUS, assim como aqueles com direito a atendimento privado usem o sistema privado. Lembrar que a Constituição fala em saúde como um direito do cidadão e um dever do estado, mas não menciona a gratuidade universal como modus operandi.

O que é preciso para colocar esta proposta em vigor e como seria sua implantação?

Raul Cutait – A iniciativa da implantação de qualquer dessas principais propostas parte, obrigatoriamente, do Ministério da Saúde, que terá que interagir com os poderes estaduais e municipais. Quanto tempo para essas mudanças ocorrerem? Antes de qualquer atitude, elas precisam ser discutidas e aceitas pela comunidade da saúde, entendendo-se que sua implantação certamente ocorrerá ao longo de vários anos. Uma das vantagens que o setor saúde tem em relação a outros é que a grande maioria de seus atores se coloca na posição de membros de um autodenominado “Partido da Saúde”, o que facilita o diálogo e o aprimoramento de projetos ao longo do tempo.

Finalmente, é preciso entender que quaisquer iniciativas pressupõem bons bancos de dados, algo ainda insuficiente no setor saúde, que por isso tem dificuldades para fazer a gestão administrativa e a do conhecimento, esta fundamental para se avaliar a qualidade das atenções de saúde.

Quais benefícios este novo modelo de gestão da saúde traria para o setor industrial e para a sociedade?

Raul Cutait – Uma sociedade mais justa passa, evidentemente, por melhor educação e condições socioeconômicas no mínimo dignas. O acesso à saúde, com qualidade, cria condições para as pessoas serem mais felizes e produtivas, algo positivo não apenas para si próprias, mas para toda a sociedade como um todo.

publicado em 03 de abril de 2018

Artigo: Cobertura Universal de Saúde – Direito ou Aspiração?

publicado em 03 de abril de 2018

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*André Cezar Medici

A consolidação histórica da aspiração

Desde o fim da segunda guerra mundial, a humanidade aspira consolidar importantes direitos civis, políticos e sociais, entre os quais figura o direito à saúde.  O artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, promulgada pela ainda jovem Organização das Nações Unidas (ONU), enunciava que “Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a saúde e o bem-estar de si mesmo e de sua família, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e serviços sociais necessários.” A meta promulgada pela ONU foi incorporada como artigo da Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS), também criada em 1948: “Todos têm o direito a alcançar o mais alto nível de saúde possível, já que a saúde é um dos direitos fundamentais de todo o ser humano, sem distinção de raça, religião, convicção política, condição econômica ou social”.

Durante pelo menos 30 anos este direito enunciado ficou latente no imaginário social e no discurso de políticos de muitas nações, voltando a ser novamente intensificado como campanha das organizações internacionais nos anos setenta. A assembleia mundial da OMS de 1977 lançou o movimento “Saúde para Todos no Ano 2000”, o qual foi discutido na Declaração de Alma-Ata em 1978 que enfatizou a participação comunitária e a atenção primária de saúde como meios para garantir o acesso equitativo aos serviços de promoção, prevenção, cura, cuidados paliativos e reabilitação.

Mais duas décadas se passaram, e no ano 2000, a ONU convocou todas as nações do mundo para o Millenium Summit, aonde foram estabelecidos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), com algumas ações concretas em direção à universalização de cobertura, tomando como base o ano de 1990 e para serem cumpridas até o ano 2015: redução da mortalidade infantil (a dois terços do valor de 1990), redução da mortalidade materna (a três quartos do valor de 1990), combate a doenças transmissíveis como o HIV-AIDS, malária e outras e acesso da população a medicamentos essenciais. O informe final dos ODM de saúde feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) revelou importante progresso na saúde até 2015, mas em geral as metas não foram plenamente atingidas. A mortalidade infantil (menores de 5 anos), ao nível mundial, se reduziu a menos da metade mas não em dois terços, e a mortalidade materna se reduziu em média a 45%, e não em três quartos[1]. Portanto muito ainda há que se esperar para o alcance das metas para bem depois de 2015.

Durante todo o período em que o mundo se voltava a medir o alcance dos ODM, a OMS arquitetava o compromisso dos países para planejar a transição para a cobertura universal de saúde. Na assembleia mundial da OMS de 2005 um compromisso internacional nesta direção foi acordado e, entre 2008 e 2010, a OMS lançou os relatórios mundiais de saúde dedicados aos temas da atenção primária (2008) e financiamento dos sistemas de saúde (2010), os dois elaborados no âmbito do alcance da Cobertura Universal de Saúde. Na sequência, o Relatório Mundial da Saúde de 2013 aborda o tema da pesquisa para a cobertura universal da saúde, enfatizando os temas de acesso a medicamentos, promoção, prevenção, tratamento e as intervenções de outros setores para o alcance de benefícios em saúde.

Entre 25 e 27 de setembro de 2015, uma nova assembleia da ONU, com a presença de mais de 150 nações, lançou o compromisso mundial com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um conjunto de 17 objetivos com várias metas a ser alcançado até o ano 2030, dentre os quais o terceiro é dedicado ao tema da saúde. O objetivo 3 dos ODS apresenta dez metas que tratam de diversos temas, alguns reforçando o que não foi cumprido entre os ODM[2]. Entre elas se destaca a oitava meta que trata de garantir a cobertura universal de saúde. Esses objetivos começaram a ser implementados em janeiro de 2016 e a distância que separa a aspiração e a garantia do direito é enorme.

Mecanismos para passar da aspiração à garantia do direito

De acordo com a OMS, o alcance da cobertura universal de saúde é importante para que todos os países melhorem a equidade e a sustentabilidade no alcance das metas de saúde para todos – indivíduos e comunidades. Mas isso só se alcança através de processos de organização e gestão sólidos. Um sistema nacional de saúde deve ser organizado em torno das pessoas, instituições e recursos utilizados para melhorar, manter ou restaurar a saúde de uma dada população. Para fortalecer os sistemas de saúde é importante assegurar que o desempenho do sistema incorpore metas de cobertura, qualidade, equidade, eficiência, ética e transparência resiliência (ou capacidade de resposta a situações adversas) e sustentabilidade.

Portanto, ao se falar em cobertura universal de saúde, é importante que se tenha em mente a necessidade de que todos possam receber os serviços sem que venham a sofrer restrições financeiras catastróficas para garantir o acesso. Todos devem estar protegidos para receber o espectro completo de serviços de saúde essenciais e de qualidade, incluindo promoção, prevenção, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. Cabe ao estado garantir a proteção financeira aos que necessitam, através de seu financiamento via impostos e/ou contribuições.

Os recursos para a saúde devem ser administrados de forma a diluir os riscos financeiros associados a doenças, e permitir subsídios cruzados dos mais ricos aos mais pobres, dos mais saudáveis aos doentes, aumentando o acesso a ambos dos serviços necessários e gerando uma proteção contra os riscos catastróficos de empobrecimento.

Observando a história recente dos países desenvolvidos – aqueles que alcançaram ou estão próximos de alcançar a cobertura universal de saúde, observa-se que existem muitos processos ou caminhos pelos quais se pode chegar a este destino. Mas dependendo do que se almeja, pode ser uma utopia inalcançável. A lição a ser aprendida, no caso dos países em desenvolvimento que ainda não alcançaram a cobertura universal, é buscar o melhor benchmarking com os países que já a alcançaram.

Nos países desenvolvidos que já alcançaram a cobertura universal de saúde, se destaca que sua construção foi um processo incremental, e não um “big-bang”. Seu alcance, em geral, ocorreu pari-passu com a sustentabilidade da economia de forma a não comprometer ou retardar o processo de desenvolvimento ou crescimento econômico, procurando ampliar os benefícios em sinergia com os fatores que favoreceram a estabilidade e o crescimento.

Pelo lado da gestão, a maioria dos sistemas de cobertura universal dos países de renda mais elevada, se orientam recentemente pela remuneração dos serviços de saúde associada ao alcance de resultados e não ao pagamento de processos. Boa parte dos sistemas de saúde, para garantir a sustentabilidade dos processos de cobertura universal, se baseiam no que se chama “serviços de saúde baseados em valor” (value based healtcare) que buscam alcançar um triplo objetivo: (i) melhorar a saúde populacional (incluindo neste caso a promoção, a prevenção e o diagnóstico precoce); (ii) melhorar a sustentabilidade do cuidado (de forma a obter o melhor resultado pelo menor preço) e; (iii) melhorar a qualidade da atenção e a satisfação do paciente.

Pelo lado da política, a construção dos sistemas de saúde universal deve respeitar a cultura e a economia política de cada país, buscando envolver todos em sua construção de forma consensual, colocando a satisfação da população e dos pacientes em primeiro lugar. Para tal, deve promover a solidariedade e a coesão social na sua implementação.

Ao longo da história recente, diferentes caminhos têm sido utilizados para a cobertura universal de saúde. Estes caminhos incluem, do ponto de vista do financiamento, fundos da seguridade social, fundos públicos fiscais e fundos privados voluntários regulados e outros. Do ponto de vista da prestação de serviços, se baseiam em redes públicas, privadas ou mistas. Mas em todos os casos, aumenta a presença da regulação pública, com o crescimento do papel do Estado na garantia da cobertura extensa e integral, na garantia da qualidade e na promoção da equidade.

O hiato entre a aspiração e o direito à saúde no Brasil

O Brasil foi um dos primeiros países em desenvolvimento a incorporar, em sua Constituição de 1988, o direito universal à saúde, alcançando reconhecidos resultados ao longo de seus 30 anos de história. Mas sua implementação, em que pesem grandes avanços, tem sido lenta e seus princípios são rígidos frente as necessidades atuais, não permitindo flexibilidade para uma melhor utilização e gestão dos recursos aplicados no setor. Além do mais, o Sistema Único de Saúde (SUS), criado com a Constituição, tem recebido as maiores desaprovações da população entre o conjunto das políticas públicas, de acordo com as pesquisas IBOPE-CNI, o que mostra que se encontra muito distante das aspirações e necessidades da população e dos pacientes.

Questões que devem ser discutidas nos próximos anos para o alcance da cobertura universal de saúde no Brasil passam, pelo menos, por três temas. O Estado deve garantir o financiamento público da saúde para todos ou somente para aqueles que não tem seguros privados de saúde (como os planos de saúde suplementar) e que necessitam de proteção financeira? Cabe ao Estado ser prestador de serviços de saúde, ou deverá ser o Estado simplesmente um regulador, organizador e financiador do sistema de saúde, garantindo sua qualidade, resultados e equidade? Dado que a eficiência dos sistemas de saúde se encontra fortemente associada a escala necessária para a garantia da cobertura, seriam os municípios as instâncias mais adequadas para a gestão dos sistemas de saúde, ou a gestão deveria se basear em instâncias intermediárias como regiões ou redes de saúde, geridas por modelos de parceria público-privada, como as organizações sociais? Estes temas, provavelmente, deverão povoar as discussões das propostas políticas para as eleições nacionais de 2018.

Mas além das possíveis soluções que podem ser trazidas pela resposta a estas perguntas, vale a pena perguntar se a cobertura universal de saúde será sempre uma aspiração ou um direito para a maioria da população mundial. Novas descobertas científicas, inovações em tratamentos e medicamentos acontecem a cada momento e o acesso a elas será sempre diferenciado no tempo e no espaço, fazendo com que a cobertura universal a saúde, no seu sentido integral, seja sempre um alvo móvel. A definição do que dever ser pactuado como cobertura (ou o conjunto de serviços a serem cobertos e negociados entre o governo e a população) passa a ser um dos principais fatores que garantiria que a cobertura universal de saúde possa ser sustentável e não seja uma aspiração inalcançável.

* André Cezar Medici vive em Washington, onde é consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), onde se aposentou, e do Banco Mundial, onde participa de diversos projetos em temas como acreditação de saúde, segurança de pacientes, economia da saúde, reforma de saúde, planejamento estratégico e prioridades de saúde. É graduado em administração pela FGV, com mestrado em economia na UNICAMP e doutorado em História Econômica pela USP, além de cursos de especialização em seguridade social na Universidade de Harvard.

[1] Ver https://www.undp.org/content/undp/en/home/sdgoverview/mdg_goals.html, acesso em 21 de março de 2018.

[2] Os objetivos são: (i) reduzir a taxa de mortalidade materna global para menos de 70 mortes por 100.000 nascidos vivos; (ii) eliminar as mortes neonatais para 12 por mil e de crianças menores de 5 anos para 25 por mil na média mundial; (iii) eliminar as epidemias de AIDS, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas e combater a hepatite, doenças de veiculação hídrica e outras; (iv) reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis, através da prevenção e tratamento, incluindo saúde mental; (v) reforçar a prevenção contra o uso abusivo de substâncias, entorpecentes e álcool; (vi) reduzir pela metade as mortes e os ferimentos por acidentes de trânsito; (vii) assegurar o acesso universal aos serviços e meios, a informação e a educação sobre saúde sexual e reprodutiva e planejamento familiar, de forma integrada com estratégias e programas nacionais; (viii) alcançar a cobertura universal de saúde, incluindo a proteção financeira, o acesso a serviços essenciais de saúde e a medicamentos e vacinas, a preços acessíveis para todos; (ix) reduzir o número de mortes e doenças por produtos químicos perigosos, contaminação e poluição do ar, da água e do solo e; (x) assegurar a implementação do controle e restrição do consumo de tabaco em todos os países.

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: FIBRIA – COMPARTILHANDO VALOR COM A SOCIEDADE

Por Karen Pegorari Silveira

publicado em 06 de março de 2018

Segundo os renomados professores da Universidade de Harvard (EUA) e estudiosos sobre a relação entre economia e impacto social, Michael Porter e Mark Kramer, o princípio do valor compartilhado envolve a geração de valor econômico de forma a criar também valor para a sociedade. Para eles, valor compartilhado não é responsabilidade social, filantropia ou mesmo sustentabilidade, mas uma nova forma de obter sucesso econômico.

Alinhadas com este pensamento, diversas empresas líderes globais estão começando a reconhecer a ligação entre o seu sucesso financeiro e a prosperidade da sociedade, assim como a indústria Fibria, produtora de celulose de eucalipto, que vem desenvolvendo programas e iniciativas para criar valor em conjunto com a sociedade.

Em 2009, o furto de madeira representou para a Fibria a perda de 650.000 metros cúbicos de eucalipto (cerca de R$ 50 milhões), e criou tensões com as comunidades vizinhas. Isso acontecia por causa da falta de alternativas econômicas. Para solucionar o problema e auxiliar as comunidades do entorno foi criado o Programa de Desenvolvimento Rural Territorial (PDRT).

A pedido dos moradores da comunidade Espora Gato, na Bahia, uma das beneficiadas atualmente pelo PDRT, a empresa auxiliou a implantação da agricultura para substituir o trabalho com carvão.

Atualmente o PDRT inclui aproximadamente 5.000 famílias. Hoje, a média de renda mensal dessas famílias é de R$ 4.700. A atuação do Programa é diferente para as comunidades do entorno de cada uma das três fábricas da Fibria, localizadas em Jacareí (SP), Aracruz (ES) e Três Lagoas (MS). “Não temos uma receita de bolo, não levamos nada pronto. As realidades e as necessidades dessas populações são diferentes. São eles que nos ajudam a co-criar, a encontrar as melhores alternativas”, diz Malu Pinto e Paiva, diretora de Sustentabilidade, Comunicação e Relações Corporativas da Fibria.

Assim como para a comunidade, os resultados para a Fibria são claros. Em 2016, o PDRT estava presente em mais de 50 comunidades e o furto de madeira havia caído 90% em comparação com os níveis de 2009. “Vimos uma oportunidade de reestruturar o relacionamento entre a empresa e a comunidade. Conversamos, cedemos de lado a lado e construímos uma solução conjunta”, diz Marcelo Castelli, presidente da Fibria.

Outro programa da companhia que faz parte de suas iniciativas de valor compartilhado é o Poupança Florestal, que auxilia agricultores a cultivar eucalipto em suas propriedades como uma forma de diversificação de cultura e renda. Um dos moradores locais, Florisberto José dos Santos, de Itaúnas, no município de Conceição da Barra (ES), declara “Graças ao eucalipto, hoje tenho uma casa e aumentei a minha propriedade”.

O Programa Poupança Florestal atua na conservação e recuperação ambiental. A Fibria exige que os fomentados estejam em conformidade com o Código Florestal Brasileiro em toda a extensão da propriedade. Além disso, fornecem assistência com relação a técnicas de manejo sustentável da terra.

O Poupança Florestal começou com o objetivo de atender 5% das necessidades de madeira da fábrica de Aracruz, mas sua contribuição cresceu para uma média de 20% desse abastecimento. Atualmente, 2.000 famílias participam do Programa. Em 2016, a Fibria economizou mais de R$ 100 milhões ao integrar os agricultores em sua cadeia de abastecimento. “Os agricultores locais fazem parte da nossa cadeia de suprimentos. Não conseguimos prosperar sem eles”, diz Carlos Alberto Nassur, gerente geral Florestal de Aracruz.

“Estamos muito orgulhosos do que conquistamos com as nossas iniciativas de valor compartilhado”, ressalta Castelli. “Conseguimos promover a melhoria na vida de centenas de famílias e também para o meio ambiente e, com isso, tornamos a nossa companhia mais rentável. E sei que este é apenas o começo. Há muito ainda o que ser feito”, completa.

Sobre a Fibria

Líder mundial na produção de celulose de eucalipto, com capacidade produtiva de 7,25 milhões de toneladas de celulose por ano, a companhia conta com unidades industriais localizadas em Aracruz (ES), Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS), além de Eunápolis (BA), onde mantém a Veracel em joint-operation com a Stora Enso. A companhia possui 1,056 milhão de hectares de florestas, sendo 633 mil hectares de florestas plantadas, 364 mil hectares de áreas de preservação e de conservação ambiental e 59 mil hectares destinados a outros usos.

 

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: DANONE – TRANSFORMANDO VIDAS

Créditos: Danone Ecosystem Fund / Philippe Cap

Por Karen Pegorari Silveira

publicado em 06 de março de 2018

O conceito de negócios de impacto desperta cada vez mais interesse do investimento social privado no Brasil, negócios esses que podem ser definidos como “empreendimentos que têm a missão explícita de gerar impacto socioambiental ao mesmo tempo em que geram resultado financeiro positivo e de forma sustentável”.

O investimento de impacto está crescendo em popularidade e tem projeções além de US$ 400 bilhões para 2020 no mercado global.

De acordo com uma pesquisa da Aspen Network of Development Entrepreneurs (Ande), organização internacional que monitora negócios de impacto social, entre 2014 e 2016 o número de investidores com esse foco subiu de 22 para 29 no Brasil. O estudo considera que há mais de US$ 2 bilhões disponíveis para investimento nessa área na América Latina.

Este tema tem atraído diversas empresas e muitas delas desenvolveram ações com este foco, como á o caso da indústria de alimentos Danone, que em 2011 decidiu tornar comercialmente viável um modelo de negócio em que centenas de mulheres de baixa renda vendessem seus produtos de porta em porta nas favelas da capital baiana. Essas mulheres são chamadas de kiteiras.

Além de vender para a chamada base da pirâmide, a Danone tinha a ambição de colaborar para a melhoria de vida dessas vendedoras criando, portanto, um negócio de impacto. A expectativa da Danone é que esse modelo de vendas se torne, no futuro, seu terceiro maior canal de vendas, abaixo apenas das grandes varejistas nacionais e locais.

Com a venda dos kits de iogurtes — e os ganhos de 30% do valor do produto repassados pela empresa — muitas kiteiras deixaram de depender de benefícios do governo e atualmente chegam a garantir uma renda em torno de 1200 reais por mês. Há também as “madrinhas”, responsáveis por gerenciar dezenas de vendedoras em troca de uma comissão extra de 3,5% sobre o total das vendas do grupo que ela gerencia. A renda delas pode chegar a cerca de 3000 reais mensais.

Apesar dos problemas que desafiavam a viabilidade desse canal de vendas, o investimento de impacto da Danone vingou após cinco anos. Com esse exército, só em Salvador (BA), mais de 85 toneladas de iogurte passaram a ser vendidas por mês e a operação — tanto para a empresa quanto para o distribuidor envolvido — passou a fazer sentido financeiramente. O volume representa 8% do total vendido pela empresa na cidade, a maior do Nordeste. Com isso, o canal porta a porta já rivaliza localmente com o pequeno varejo.

Motivados para fazer com que o porta a porta tenha escala no resto do Brasil, a Danone firmou parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a ONG Visão Mundial e a ONG Aliança Empreendedora para que mais mulheres possam receber treinamento e iniciar o trabalho como kiteira.

Com o aporte de mais 720 mil euros do BID e o trabalho em parceria com as ONGs o número de kiteiras subiu para 2.788 em Salvador – BA, São Paulo – SP, Fortaleza – CE e Vitória de Santo Antão – PE.

Nos primeiros anos, as taxas de inadimplência chegaram a 17%; e a rotatividade das kiteiras, a até 35%. Para reduzir o problema dos maus pagadores, a distribuidora deixou de vender com boletos e passou a aceitar dinheiro ou cartão. Hoje, o índice de entrada e saída de mulheres também diminuiu e chegou a 15%, considerado baixo por especialistas no mercado de venda direta. Nas empresas de cosméticos, essa rotatividade chega a ser duas vezes maior, por exemplo

De acordo com Ligia Camargo, head de Sustentabilidade da Danone, “o plano de continuar expandindo existe, e está em pleno vapor. Temos uma equipe especializada em buscar distribuidores em todo o país e Recife e MG estão em nosso radar. No momento estamos focando em maturar nossa atual operação, com resultados acima do esperado e sendo um grande sucesso. Em 2017 atendemos 100.000 famílias, que, por meio de nossos produtos têm acesso a hábitos mais saudáveis, chegando a mais de 2000 toneladas de produtos vendidos no canal. Estamos em uma rede de 2800 kiteiras no Brasil, com um crescimento de 67% de faturamento em relação ao ano de 2016, e treinamos 650 mulheres em 2017 com informações relativas a saúde financeira, empreendedorismo, formalização, entre outros assuntos importantes para este público”, relata.

Sobre a Danone

O grupo Danone é conhecido pelos seus produtos lácteos, especialmente pelos iogurtes. Está presente em mais de 120 países, contando com mais de 92 mil colaboradores. No Brasil a empresa iniciou suas atividades em 1970, com o lançamento do primeiro iogurte com polpa de frutas.

ARTIGO: INVESTIMENTO SOCIAL CORPORATIVO COMO ESTRATÉGIA DE NEGÓCIO

publicado em 06 de março de 2018

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Marcos Kisil*

Para Michael Porter, da Harvard Business School, a responsabilidade social, e por tabela o investimento social feito por empresas socialmente responsáveis, podem ser responsivos ou estratégicos. O que define uma e outra abordagem é justamente o nível de envolvimento da empresa com as questões que afligem o desenvolvimento harmônico e sustentável de uma sociedade.

Uma empresa responsiva procura ter alguma atuação comunitária tendo como objetivo reduzir os danos causados pelas atividades de sua cadeia de valor, ou querendo demonstrar que podem ser consideradas como empresas com licença de operar dentro de uma comunidade.

Na prática, significa que ela reage ao que a sociedade lhe cobra, minimizando, de um lado, os seus riscos socioambientais e, de outro, fazendo investimento em causas mais genéricas, de claro interesse social, mas que não interferem diretamente nas suas operações ou influenciam sua competitividade no médio e longo prazos. Suas práticas de investimento têm limitado impacto sobre a realidade, pouco contribuindo para um efetivo desenvolvimento da comunidade. E, é interessante notar, que tais apoios também não interferem diretamente no próprio sucesso do negócio, já que não tem a preocupação de alinhar-se diretamente a esse sucesso. Portanto, não é estratégica para a empresa.

Já no investimento social estratégico, a empresa transforma as atividades de sua cadeia de valor para simultaneamente beneficiar a sociedade e reforçar sua estratégia de negócio. Ao realizar o seu investimento social, ela seleciona temas que, de alguma forma, contribuem para melhorar a competitividade do seu empreendimento. São os casos das empresas de software ou biotecnologia que investem, por exemplo, em programas de educação tecnológica para comunidades porque dependem de jovens qualificados para o futuro de seus negócios.

A pragmática tese de Porter é clara: quanto maior a relação de uma temática social com a atividade de negócio da corporação, maiores serão sempre as oportunidades de uma empresa gerar recursos em benefício da sociedade. Isso explica porque o guru da competitividade passou a ser um porta-voz convicto da ideia de que, ao escolher uma pauta social, as organizações devem levar em conta o alinhamento com a sua estratégia empresarial. Tal entendimento levou progressivamente ao desejo de alinhar essa estratégia empresarial com a própria estratégia da comunidade para o seu desenvolvimento. Este entendimento hoje é conhecido como sharing values ou valores compartilhados, onde se busca a complementariedade, e maior eficiência, eficácia e efetividade no uso dos recursos.

Num contexto de recursos limitados, definir o foco do investimento social corporativo é fundamental para fazer melhor uso desses recursos e ampliar o impacto positivo das ações sociais desenvolvidas. Quando a empresa define em que área vai investir com base no exercício de um planejamento estratégico, concentra seus recursos e esforços em torno de determinada causa, evitando a pulverização de sua atuação e eventual perda de benefício que poderia advir dos recursos investidos. Por outro lado, a acolhida ou não aos pedidos de apoio, é facilitada, já que a corporação desenvolve argumentos precisos, profissionais e respeitosos, para justificar ao demandante o motivo da recusa. Mas definir o foco do investimento social corporativo não é tarefa simples, sobretudo num país como o Brasil, onde se acumulou progressivamente uma dívida social com relação a diferentes necessidades da população. Assim, definir um foco representa a necessidade de se explorar diferentes possíveis necessidades sociais e exigindo da empresa a tomada de decisões de caráter estratégico, alinhadas com seus valores e compromissos, com seu histórico de atuação social, com as expectativas de seus líderes, e com as necessidades das comunidades. Também exige uma definição do valor agregado que a empresa quer dar a sua marca e imagem, o que pede uma busca por conhecer com que diferenciais ela se apresentará junto aos diversos públicos de interesse, especialmente junto a sua cadeia de valores, e como deseja ser vista quando comparada aos seus concorrentes. Sendo assim, a definição do foco demanda um olhar para dentro da própria corporação e para o contexto no qual ela está inserida, de forma que, nesse processo, seja possível identificar a “vocação” da empresa para sua atuação social.

Como sabemos esse investimento da empresa pode se dar por meio de diferentes recursos: doação financeira, incentivo ao voluntariado dentro da empresa, disponibilização de know-how de planejamento, gestão e controle/avaliação, doação de bens e serviços. Conhecedora de suas possiblidades, cada empresa deve estabelecer seu plano de ação e assim poder divulga-lo de maneira transparente para seus grupos de interesse em que clarifica o que porque, como, onde se dispõe a agir como investidora social.

* Membro do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp no mandato 2017; Fundador do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e Professor Titular USP.

ENTREVISTA: JOSÉ LUIZ EGYDIO SETÚBAL

Por Karen Pegorari Silveira

publicado em 06 de março de 2018

O Investimento Social Privado é o repasse voluntário de recursos privados de forma planejada, monitorada e sistemática para iniciativas e projetos de interesse público, podendo ser incentivados, ou não, por renúncia fiscal. Incluem-se neste universo as ações sociais protagonizadas por empresas, fundações, institutos, comunidades ou indivíduos.

Na opinião do presidente do conselho da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, que também comandou a Santa Casa de São Paulo, o Brasil deveria ter leis para favorecer as doações, como por exemplo uma política para Fundos Patrimoniais (endowment), que poderia contribuir enormemente com museus, universidades, Fundações etc.

Leia na íntegra a entrevista:

No Brasil grande parte das quase 340 mil entidades da sociedade civil organizada (fundações privadas e associações sem ­fins lucrativos) depende de recursos de projetos propostos ao governo e às empresas, pois não existe uma cultura de doação individual – e que poderia ser uma fonte importante de captação. Em sua opinião, por qual motivo os brasileiros não consideram sua responsabilidade de doar ou destinar seus impostos a essas organizações?

José Luiz – Discordo um pouco dessas afirmações. Por pesquisas feitas (http://idis.org.br/pesquisa-doacao-brasil/) mostram que a população doa mais do que as empresas. Mas concordo que boa parte das ONGs dependem do governo para sua sustentabilidade. Acredito também que os brasileiros mais ricos doam menos do que podiam e muitas vezes usam de benefícios fiscais para fazer suas boas ações, mas não entendo isso como doação, uma vez que é um direcionamento do imposto para uma causa que você ou sua empresa desejam ajudar. O dinheiro na verdade é do Estado, já que seria imposto a ser pago.

As pessoas comparam muito com os EUA, mas a doação lá se dá por muitos motivos e eles culturalmente são muito mais envolvidos com suas comunidades. Por lá há doação de bens materiais, mas também de tempo em trabalhos voluntários, por exemplo.

Neste caso, como é possível mudar o cenário? Como os EUA conseguiu chegar nos mais de 300 bilhões de doações anuais, por exemplo?

José Luiz – Gosto de usar % do PIB em vez de números ou valores, já que as economias são muito diferentes em escala. Como disse anteriormente, não devemos copiar tudo dos EUA ou da Europa, pois são culturas diferentes, têm soluções diferentes para problemas similares. Acredito que deveríamos ter leis que favorecem as doações como por exemplo uma política para Fundos Patrimoniais (endowment) que poderiam favorecer enormemente museus, universidades, Fundações etc. Ter políticas claras sobre os objetivos de se constituir uma ONG que depende do governo para sobreviver, o que gera relações com conflitos de interesses e acabam por construir um enorme passivo social já que elas não ajudam a resolver os problemas.

Quais são as vantagens para quem realiza o investimento social privado?

José Luiz – Posso responder por mim, já que imagino que cada um tenha sua motivação. A primeira coisa que teria a dizer é que não há vantagem financeira, não é um investimento que trará retorno financeiro, mas sim social. Muitas vezes é difícil para um empresário, um industrial, comerciante ou banqueiro entender isso. O que me move é uma atitude cidadã, sentir partícipe de sua comunidade e ajudá-la a crescer como um todo. Se minha comunidade estiver bem ou melhorando, eu também estarei bem e melhorando. Precisamos parar de pensar como indivíduo e passar a pensar como uma comunidade, um bairro, uma cidade, um estado e um país. O investimento social privado deve ser um agente que colabora com o Estado, ajudando a fazer as políticas públicas que os governos sozinhos não conseguem.

Do ponto de vista das organizações, quais os desafios enfrentados para receber o investimento social privado?

José Luiz – Boa parte das organizações é muito pequena e sem suporte técnico para orientação. A gestão é fraca e não existe preocupação com Governança. Com todas essas mazelas não conseguem entender a legislação, dependem muitas vezes de trabalho pro bono que nem sempre é feito com o devido cuidado. Como falta dinheiro para tudo, muitas vezes fogem da Missão e da Visão. A gestão, em geral, é muito amadora e na crença de que com boa intenção e boa vontade se consegue tudo. Vivi isso na Santa Casa de SP, que é longe de ser pequena, mas tem todos esses problemas.

Recentemente vem acontecendo uma transformação no pensamento administrativo, que propõe o valor compartilhado, ou seja, a geração de valor econômico de forma a criar também valor para a sociedade (com o enfrentamento de suas necessidades e desafios). O Brasil já tem exemplos de empresas que incorporaram este princípio?

José Luiz – Posso citar o Hospital Sabará, ele é gerido como um hospital privado, deve gerar valor e ter resultados. A diferença é que ele pertence a uma Fundação que utiliza seus resultados para fazer cumprir sua Missão que é voltada para saúde infantil.

Existe um grande número de empresas que tem este fundamento e não faz parte do terceiro setor, o próprio Banco Itaú na apresentação de seus resultados de 2017 publicou em todos os grandes jornais de São Paulo sua contribuição para sociedade nas mais diversas áreas. Na saúde temos iniciativas como Dr. Consulta, na habitação Muhammad Yunus – prêmio Nobel de economia com o microcrédito – criou a Yunus Negócios Sociais e a Artemísia, que também faz intermediações de negócios sociais no Brasil – dando orientação e até ajudando na divulgação e financiamento. Existem muitos outros exemplos.

 

SINDICATO RESPONSÁVEL: SINDUSFARMA – RECONHECER PARA INCENTIVAR

Por Karen Pegorari Silveira

publicado em 06 de março de 2018

O Sindusfarma incentiva os seus colaboradores e associados a promoverem as melhores práticas em Responsabilidade Socioambiental. Segundo declaram, seus objetivos buscam sempre o alinhamento com os interesses do Desenvolvimento Sustentável e seus associados devem seguir rigorosamente os requisitos legais para a obtenção de licenças ambientais e registros, bem como devem prevenir e controlar os impactos decorrentes de suas atividades.

Segundo o gerente de Relações Sindicais Trabalhistas, Arnaldo Apedace, o Sindusfarma acredita que “para as empresas a Responsabilidade Social não só aumenta a satisfação dos trabalhadores como também a fidelidade de seus clientes, além de criar um diferencial competitivo no mundo dos negócios”.

Para auxiliar seus associados nessa missão a entidade desenvolveu alguns projetos, como o Prêmio Excelência em Gestão de Saúde e Segurança no Trabalho, que tem o objetivo de reconhecer as melhores empresas do setor que se destacaram em programas de Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho. O Prêmio PES (Prêmio Programa Educacional Sindusfarma), concedido às empresas com o maior número de participantes nos workshops promovidos pela entidade, durante o ano. O Prêmio Bumerangue, que premia as melhores empresas que se com desenvolvimento de programas de Treinamento Administrativo, Treinamento de Força de Vendas, Praticas de Recrutamento e Seleção e Qualidade na Inclusão da pessoa com deficiência. O Prêmio Sindusfarma de Qualidade, para os fornecedores da indústria farmacêutica que se destacaram nos últimos 12 meses. O PAP (Programa Apoio Profissional) – que prepara os candidatos na busca de uma nova oportunidade no mercado de trabalho. Esta ação é destinada a gerentes e supervisores em fase de recolocação ou transição de carreira e contribui para recuperar a autoestima, ao mesmo tempo em que ensina o uso de ferramentas que exaltam a motivação e o comprometimento dos profissionais; o BES (Bolsa de Empregos) – um canal direto e interativo de comunicação, via internet, entre candidatos e profissionais de recursos humanos da indústria farmacêutica, facilitando a contratação de novos funcionários, previamente treinados, para melhor aproveitamento dos investimentos em desenvolvimento de pessoal, representando um avanço social nas relações do sindicato patronal com os trabalhadores; o PPA (Programa de Apoio a Aposentadoria) – que pretende sensibilizar os participantes para o pós-trabalho, estimulando os profissionais a manter uma vida social ativa e ter hábitos saudáveis de vida, de forma que preservem a saúde física, mental, social, financeira, intelectual e espiritual; o DEC (Programa de Desenvolvimento Educacional) – estruturado para contribuir com o desenvolvimento de profissionais da indústria farmacêutica que fazem parte do contingente de supervisores e chefes, independentemente da área de especialização, para os quais são indispensáveis planos de carreira. O conteúdo programático é composto de workshops com tópicos de Marketing, Gestão de Pessoas e Gerenciamento, que expõem e esclarecem as mais recentes teorias, bem como práticas, para a formação de gerentes com novas competências, como exigência dos tempos atuais. Os programas dos módulos temáticos são elaborados de acordo com as necessidades dos profissionais de áreas específicas, incluindo palestras que estão vinculadas aos conceitos do programa núcleo. Os participantes do DEC adquirem novas competências que servirão de apoio ao desenvolvimento profissional, resultando em melhoria expressiva das atividades desenvolvidas no ambiente empresarial.

O DEC Sindusfarma inspirou a criação de CDEC (Créditos de Desenvolvimento e Educação Continuada), oferecido a todos os participantes de todos os programas que constituem o PES – Programa Educacional Sindusfarma.

O Sindusfarma mantém ainda um importante convênio com o SENAI que oferece o Curso de Operador de Processos de Produção de Fármacos e Medicamentos, destinado à qualificação de trabalhadores para a indústria farmacêutica. Esse programa se iniciou em 1997 e hoje atende candidatos das empresas industriais farmacêuticas de três regiões do Estado de São Paulo. O programa é ministrado pelo SENAI, com disciplinas selecionadas em conjunto com as áreas técnico-científica e trabalhista do Sindusfarma. Tem por finalidade aperfeiçoar a qualificação dos trabalhadores que já exercem funções na indústria farmacêutica, bem como os trabalhadores recém-inseridos nas atividades de produção do setor. Os profissionais recebem treinamento focado nas Boas Práticas de Fabricação e de Controle, Segurança do Trabalho, Informática, além de algumas disciplinas básicas, oferecendo capacitação aos trabalhadores, condição essencial para que os medicamentos sejam produzidos em conformidade com a legislação e regulamentação farmacêuticas.

Além destas iniciativas, a entidade promove também a homenagem Colar Cândido Fontoura, que reconhece profissionais da saúde e do setor farmacêutico com destaque na carreira. O Lupa de Ouro, que premia as melhores campanhas e os melhores profissionais de marketing da indústria farmacêutica com 18 categorias. Os Jogos Sindusfarma, que proporcionam lazer, integração, confraternização e contribuem com uma vida mais saudável e a prática do esporte.

Para saber mais sobre as ações do Sindusfarma, acesse – www.sindusfarma.org.br

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: VEDACIT – CONECTANDO A CAUSA E O NEGÓCIO

Por Karen Pegorari Silveira

publicado em 06 de março de 2018

Os recursos privados constituem atualmente a principal fonte de financiamento das organizações da sociedade civil no Brasil. De acordo com o Censo GIFE 2016, os recursos dos investidores sociais privados são provenientes principalmente das empresas (46%), sendo 26% de doações de empresas mantenedoras para seus institutos e fundações e 20% de recursos próprios das empresas aplicados em seus projetos de investimento social.

Destinar recursos a ações de impacto socioambiental também é o caso da Vedacit, que investiu 1,6 milhão de reais nos últimos dois anos, beneficiando mais de 118 mil pessoas direta e 376 mil indiretamente. “Sempre acreditamos que o investimento social privado é uma maneira das empresas se engajarem na solução dos problemas sociais do nosso país. Mas faltava uma linha que nos conectava entre o propósito da Vedacit e esta transformação social. Por isso, a criação do Instituto amplia o nosso olhar sobre o nosso papel frente à sociedade”, conta Otto Baumgart, diretor executivo administrativo da Vedacit.

O Instituto Vedacit surgiu para fazer a conexão entre os negócios da empresa e os investimentos sociais. “Mesmo em um momento de crise decidimos criar o Instituto para trazer à tona os desafios do desenvolvimento das cidades e como elaborar soluções que permitam às pessoas se conectar com suas comunidades e transformá-las num lugar melhor para se viver”, afirma Luis Fernando Guggenberger, gerente do Instituto Vedacit.

A causa definida pelo Instituto são as Cidades do Futuro, sob a crença de que elas serão mais sustentáveis se houver uma melhor harmonia e convivência entre os espaços urbanos, as moradias e as pessoas. Por isso, dividiu suas linhas de atuação em: Cidades Criativas – com projetos culturais proporcionando maior ocupação e interação com os espaços públicos, estimulando a reflexão e o protagonismo da população na solução dos problemas locais; Cidades Inteligentes – contribuindo na formação de jovens com alternativas de trabalho e empreendedorismo; e Cidades Sustentáveis – com investimentos em negócios sociais e projetos esportivos que promovam a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar.

Outros projetos também são apoiados pelo Instituto, como o Programa Perspective Hub da Unibes Cultural, que incentiva a cultura e promove iniciativas educacionais oferecendo cursos gratuitos de cinema de animação, desenvolvimento de videogame, trilha sonora de cinema e TV e técnicas de escrita literária; o Programa Vivenda e o Moradigna – negócios de impacto social – que oferecem reformas de qualidade com baixo custo em comunidades de baixa renda; a categoria de base feminina (jovens de 13 a 19 anos) do Vôlei Valinhos; o Museu da Pessoa – jovens produzem e compartilham a história dos moradores e de seus bairros; e a Caravana Fotográfica com oficinas de fotografia que discutiram o papel das mulheres no dia a dia das cidades.

Segundo o gerente Guggenberger, “a missão do Instituto é criar condições para que as pessoas sejam empoderadas e tornem-se protagonistas na construção das soluções, enfrentando os desafios socioambientais, estabelecendo formas mais inteligentes, sustentáveis, criativas e humanas para as cidades do futuro”.

Sobre a Vedacit

A Vedacit é uma indústria de produtos químicos para construção do grupo multiempresarial Baumgart, de capital privado, formado por organizações dos setores imobiliário (Center Norte, Lar Center, ExpoCenter Norte e Novotel Center Norte) e agronegócios (Fazendas Reunidas Baumgart e Calcário Rio Verde).