É preciso acelerar execução de projetos de infraestrutura para expandir produção agrícola, defende executivo da SLC Agrícola

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Aurélio Pavinato. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O agrobusiness é um setor fundamental para a economia brasileira como alicerce da balança comercial. Mas a deficiência de infraestrutura logística e de transportes prejudica a alta produtividade das fazendas. A visão é  do CEO da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, ao participar  na tarde desta segunda-feira (06/05)do 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“A produção cresceu muito mais do que a capacidade de escoamento nos últimos dez anos. E o déficit de estrutura no país provoca um preço menor da commodities”, explicou Pavinato no painel “Setor portuário: o eterno problema da acessibilidade”.

Segundo ele, o país tem grande dificuldade de escoar sua produção. “O Brasil é o futuro principal exportador de comida do mundo, pois tem um grande potencial de expansão, já que a  demanda de soja no mundo cresce 5% ao ano”, explicou.

“É preciso acelerar a execução dos projetos de infraestrutura para expandir a produção agrícola e atender a demanda do mercado internacional”.

Na visão de Pavinato, um dos principais problemas é a dependência do transporte rodoviário – “muito longo e muito caro” – para que a produção chegue aos portos. “Os Estados Unidos têm uma distância muito semelhante ao Brasil, entre a produção e o escoamento, mas eles são muito mais competitivos do que nós porque esse transporte é quase que totalmente ferroviário”, explicou.

Outro problema é a armazenagem. “Temos capacidade para armazenar apenas 75% da produção, quando o ideal, de acordo com a FAO [Food and Agriculture Organization, organismo das Nações Unidas], seria capacidade de armazenas 120%”, alertou.

Novos investimentos

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Renato Barco. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O diretor-presidente do Controle de Segurança dos Portos do Estado de São Paulo (Codesp), Renato Barco, explanou os planos de reformas e melhorias para a modernização do porto de Santos e de sua região.

Segundo Barco, o porto de Santos movimenta 25,8% da balança comercial do país. O container, por ser considerado carga de alto valor agregado, concentra as atenções. “A principal origem dos containeres é dos estados de Minas Gerais e de São Paulo, onde se imagina que em 2024 a movimentação atual deva  triplicar”.

Barco destacou diversos investimentos importantes que estão sendo feitos na região, incluindo o chamado “Cais da Copa”, obra em pleno desenvolvimento e que não será voltada apenas para terminais de passageiros, mas também ajudará no escoamento da safra. “Esse cais terá 1.300 metros de extensão e 15 metros de profundidade, o que permitirá que, além de navios de passageiros, atraquem navios comerciais de até 14 metros”.

São Sebastião

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Casemiro Tercio. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O diretor-presidente do porto de São Sebastião, Casemiro Tércio Carvalho, acredita que o principal problema da infraestrutura está no planejamento.

“Não se faz planejamento portuário pensando na cadeia da infraestrutura como um todo”, afirmou ao defender que o binômio hidrovia e ferrovia é a solução para que o porto de Santos atinja as metas de escoação da safra. “A hidrovia é o modal mais sustentável e mais barato. Não da para escoar a produção agrícola sobre pneus”, afirmou.

Sobre as obras no porto de São Sebastião, o diretor-presidente está otimista: “Este é um sonho que ainda não se desenvolveu, principalmente pelo acesso. A Rodovia dos Tamoios está em obras, com previsão de entrega do trecho norte. A previsão é de que 2017 seja um bom prazo para entregar o complexo viário de acesso à cidade”, informou.

“O objetivo não é ser um grande porto, mas sim ser um porto modelo, de referencial de indicativos positivos”, concluiu.

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