Um acordo pela indústria brasileira

Um acordo pela indústria brasileira

Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp)
Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Paulo Pereira da Silva (Paulinho), presidente da Força Sindical

O Brasil atravessa um grande momento econômico e social. Os bons indicadores da economia e o volume de investimentos públicos e privados previstos colocam o país em condições de aprofundar o seu processo de desenvolvimento. Resultado de uma política que articulou estabilidade financeira, fortalecimento do mercado interno e compatibilização entre crescimento e distribuição de renda, o cenário atual aponta para uma curva mais estável de crescimento.

A acertada decisão de estimular o mercado interno criou um novo dinamismo econômico. Isso se deu, entre outros fatores, pela valorização do salário mínimo, pela universalização de programas como Bolsa Família e Pronaf (agricultura familiar) nas áreas mais pobres e pela ampliação da disponibilidade de crédito. Essas medidas, associadas a uma retomada dos investimentos públicos, renovaram o fôlego de nossa economia.

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Estados fazem guerra e o Brasil perde empregos

Estados fazem guerra e o Brasil perde empregos

Paulo Skaf

A guerra dos portos, praticada por alguns Estados brasileiros, é a concessão de benefícios fiscais, por meio do ICMS, para produtos importados.

A prática fez com que o Brasil deixasse de gerar 915 mil empregos na última década.

Caso não sejam tomadas providências urgentes, mais 1 milhão de postos de trabalho deixarão de ser criados em nosso país nos próximos cinco anos. Em última análise, estamos exportando empregos de trabalhadores brasileiros.
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Violência Inaceitável

Violência Inaceitável

Paulo Skaf

Alguns dias atrás, chegando em casa à noite, vi na televisão um programa que mostrava situações absurdas de maus-tratos a cães, no Brasil e em outros países. As cenas de animais doentes, mutilados, famintos e vítimas de abusos por parte das pessoas que deveriam cuidar deles me deixaram indignado. Senti-me muito mal com aquilo, vi cachorros sendo chutados, abandonados sem comida e sem água, em condições degradantes.

Aquelas cenas me deixaram tão revoltado que, já na manhã seguinte, pedi à minha equipe uma cópia do programa e determinei que encontrássemos um modo de reagir. Pretendo entrar com ações na Justiça e denunciar, com todos os meios que estiverem ao meu alcance, toda e qualquer forma de violência contra animais. Não vou me calar, muito menos ficar parado diante de casos como esses. Quem maltrata animais tem em mim um inimigo declarado. Que estejam preparados, porque não vou descansar até conseguir punições exemplares aos responsáveis.

Os homens convivem com os cães há milhares de anos. São animais incríveis, que se afeiçoam aos humanos, demonstram carinho e fidelidade. Sei disso porque tenho cinco em casa. Gosto de todos os animais, mas, tenho um amor especial pelos cães. Por isso fico tão revoltado quando vejo cenas como essas. Ou como a da enfermeira de Goiás que espancou seu animal até a morte, só para citar um caso recente que ganhou notoriedade graças à internet, indo parar nas páginas de todos os jornais.

Não podemos aceitar esse ou qualquer outro tipo de violência. É nosso dever reagir e buscar na Justiça a punição desses criminosos. Que futuro poderemos construir se perdermos a capacidade de nos indignar com atos de crueldade? Não abro mão dessa convicção e me levantarei sempre que necessário. Como agora, diante desses absurdos contra animais dóceis e indefesos.

Profissionais capacitados, país desenvolvido!

Profissionais capacitados, país desenvolvido! 

Paulo Skaf

O mais importante patrimônio de um país é a formação de profissionais com elevada qualificação. Pessoas com melhores oportunidades de boas carreiras, com grande desempenho produtivo e, portanto, capazes de contribuir para a competitividade e o desenvolvimento do Brasil.

Exatamente por isso, uma de minhas prioridades ao assumir a presidência da Fiesp foi promover a modernização e ampliação do número de escolas do Senai-SP. Como se sabe, trata-se de uma das mais reconhecidas instituições de ensino profissionalizante do mundo. Estamos na fase final da meta de transformar todas as suas unidades em centros de inovação e tecnologia de excelência, com reconhecimento público, aqui e no exterior.

O investimento anual em obras e equipamentos passou de R$ 64,8 milhões, em 2004, para R$ 321 milhões, em 2011. De 2005 a 2011, o total foi de R$ 1 bilhão. O número de escolas saltou de 146 para 164, avançando 12%. Chegamos a 867.013 matrículas em 2011, com aumento, na comparação com 2004, de 46% nos cursos de aprendizagem industrial, 120% nos técnicos e 139% nos superiores.

Também ampliamos de quatro para 15 o número de cursos superiores, enquanto na educação à distância as matrículas passaram de 1.535 para 76 mil. Construímos, ainda, quatro modernos laboratórios, elevando para 35 o número dessas unidades nas escolas da rede.E não para por aí! Em dezembro, recebemos terreno da Prefeitura, ao lado do Estádio Itaquerão e do metrô, onde investiremos R$ 51,2 milhões para construir a oitava escola do Senai-SP na Zona Leste. O novo estabelecimento terá 20 mil matrículas por ano, em cursos nas áreas de metalmecânica, ferramentaria, automobilística, eletroeletrônica, panificação e confeitaria, corte e costura.

Estamos oferecendo boa formação profissional aos nossos jovens, para que tenham oportunidades concretas de transformar o Brasil numa grande potência!

Crescimento gera emprego e renda

Crescimento gera emprego e renda 

Paulo Skaf

É improcedente a avaliação de alguns analistas de que a queda da taxa Selic signifique não respeitar as metas da inflação. A rigor, as autoridades monetárias apenas estão ajustando os juros às projeções do impacto na economia brasileira da crise fiscal no Hemisfério Norte. Os indicadores mostram haver desaceleração, em especial na indústria.

A produção manufatureira diminuiu 2% na passagem de agosto para setembro. Encerrou o terceiro trimestre com recuo de 0,8% ante o segundo, quando registrou redução de 0,6% (a maior desde o primeiro trimestre de 2009). O comércio varejista, que vinha mostrando vigor, apresentou contração de 0,7% no terceiro trimestre em relação ao segundo. O decepcionante desempenho do Dia das Crianças já provocou uma revisão para baixo das expectativas para o fim do ano. Por fim, o mercado de trabalho e o crédito mostram arrefecimento.

A projeção do Copom é de que a atual deterioração do quadro internacional deve causar impacto doméstico equivalente a um quarto do observado na crise de 2008/2009. Além disso, supõe que a presente adversidade seja mais persistente do que a verificada em 2008/2009, porém menos aguda. Também é importante frisar que a redução da taxa de juros implicará economia adicional para os cofres da União. Cada ponto percentual da taxa Selic equivale a R$ 17 bilhões em gastos públicos adicionais. Por outro lado, o governo despenderá este ano mais de R$ 240 bilhões com juros, enquanto a saúde recebe apenas R$ 70 bilhões e a educação, menos de R$ 60 bilhões.

Ao reduzir a Selic, a autoridade monetária tenta diminuir o impacto do quadro internacional. No entanto, isso não significa abdicar da meta inflacionária de 4,5% em 2012. A bem-vinda ideia é estimular o crescimento!

 

Educação Transformadora

Educação Transformadora

Paulo Skaf

De todas as instituições em que se organiza nossa sociedade, a escola é seguramente a mais importante. Porque nenhuma outra tem o seu potencial transformador. A educação muda a realidade das pessoas, das comunidades, do país. É o bem mais precioso que se pode conquistar e, ao mesmo tempo, ninguém pode tirar. O conhecimento dá poder aos indivíduos e forma cidadãos capazes de lutar por seus direitos e conquistar o seu próprio futuro. Uma nação próspera e desenvolvida se constrói a partir da educação de seu povo.

O Brasil atravessa atualmente um período de grandes mudanças e realizações. Fomos capazes de preservar a estabilidade financeira, mesmo em um cenário de crise internacional, conseguimos melhorar nossos indicadores sociais e nos manter no caminho do crescimento econômico. Para que essas conquistas se tornem definitivas, contudo, é fundamental intensificar os investimentos em educação. Temos de preparar a nossa população para os desafios que estão por vir. Porque vamos precisar cada vez mais de bons profissionais, bons cidadãos, bons brasileiros.

Ao falar de investimentos, não me refiro apenas aos recursos financeiros. Nosso dever é enxergar a questão de forma mais abrangente. Investir na educação significa desenvolver um sistema de ensino moderno e inclusivo, capacitar professores, assegurar a disponibilidade de instalações e materiais didáticos adequados à aprendizagem e garantir boas condições de saúde e alimentação para as nossas crianças. Educar é muito mais do que lotar salas de aulas com alunos. Educar é preparar as pessoas para a vida e isso envolve a criação de um ambiente cultural que favoreça e estimule a construção do conhecimento em todos os níveis. Nossa sociedade tem a obrigação de abraçar essa causa e colocar o desenvolvimento humano no centro de suas prioridades estratégicas.

Como presidente da FIESP, do SESI e do SENAI, tenho trabalhado diariamente para transformar a educação no Estado de São Paulo. Implantamos no SESI um modelo de ensino que valoriza a formação plena do ser humano. Não preparamos nossas crianças somente para o vestibular ou para o mercado de trabalho: preparamos para o futuro. Com atividades em tempo integral, além do conteúdo curricular obrigatório, oferecemos em todas as classes, do ensino fundamental ao médio, programas esportivos, culturais, de saúde e de alimentação. Em 211 escolas, temos hoje cerca de 200 mil alunos matriculados. No SENAI, apenas no ano passado, registramos cerca de 1 milhão matrículas nas 164 unidades que oferecem formação profissional de qualidade em todo o Estado.

Esses excelentes resultados nos animam a seguir em frente e a ampliar nossos esforços. Nossas instituições manterão seu compromisso de contribuir com o crescimento do país por meio da educação. Vamos transformar nossos cidadãos para criar uma sociedade mais madura, capaz de construir um futuro de desenvolvimento e prosperidade dos quais todos possam usufruir.

Por um Brasil mais inovador

Por um Brasil mais inovador

Paulo Skaf

Vivemos a era da informação, do conhecimento e, principalmente, da inovação. As marcas mais admiradas da atualidade utilizam e vendem inovação. É por meio de processos inovadores que essas bem sucedidas empresas conseguem aumentar a eficiência, a produtividade e, consequentemente, a competitividade. Inovação gera valor para o setor produtivo.

No mundo todo, muitas empresas e governos já despertaram para a questão e investem boa parte de seus recursos, financeiros e humanos, em pesquisa e desenvolvimento (P&D). No Brasil, contudo, ainda não temos um ambiente favorável que estimule a inovação por parte dos agentes do desenvolvimento, que são as empresas, os trabalhadores e o poder público. Nos falta uma postura mais ousada e inovadora. É preciso criar urgentemente essa cultura no Brasil.

Os números comprovam o nosso atraso na área. De acordo com o Índice FIESP de Competitividade das Nações, o gasto em P&D no Brasil subiu de 0,9% do PIB em 1997 para aproximadamente 1,1% do PIB em 2008. Nos países mais competitivos, o gasto em P&D cresceu de 2,6% do PIB para 2,8 % no mesmo período.

Temos, portanto, um modelo ultrapassado de gestão da inovação. Nossas empresas, de modo geral, têm dado pouca importância à questão quando ela deveria estar no centro das atenções. Sem uma conjuntura que fomente a inovação nos setores produtivos, corremos o risco de perder ainda mais competitividade, tanto no mercado doméstico, com a invasão dos importados, como no internacional, onde boa parte dos atores econômicos está mobilizada em busca de mais eficiência por meio da inovação.

Neste cenário, devemos esperar que o Estado assuma o compromisso de articular e perseguir um plano de longo prazo, com metas, projetos e programas bem estruturados, semelhantes aos de nossos principais concorrentes. Esse esforço passa necessariamente pelo estabelecimento de um ambiente jurídico mais estável e por evitar que o trinômio câmbio-juros-carga tributária, além da burocracia, sejam restrições permanentes aos investimentos privados em inovação. Em 2008, por exemplo, o gasto em P&D da indústria brasileira foi de R$ 12,4 bilhões. No mesmo ano, o gasto apenas com spread bancário foi em torno de R$ 60 bilhões, valor quase cinco vezes superior.

Para reverter esse cenário, é preciso enfrentar o desafio institucional. Precisamos aprimorar e ampliar o financiamento reembolsável e não reembolsável à inovação; reestruturar os incentivos fiscais à inovação tecnológica – permitindo a utilização por empresas de lucro presumido –; aumentar investimentos em Tecnologia Industrial Básica (TIB); reforçar o suporte à propriedade intelectual e, não menos importante, reconhecer efetivamente a educação como parte primordial do Sistema Nacional de Inovação.

É possível crescer sem inflação

É possível crescer sem inflação

Paulo Skaf 

O Brasil tem plenas condições de continuar crescendo à media anual de 4% ano, como ocorreu entre 2003 e 2010. Esforços não devem ser poupados para garantir a manutenção dessa significativa conquista, que pode ser conciliada com o controle da inflação, cujo risco de recrudescimento preocupa a sociedade. A FIESP e o CIESP unem-se a essa inquietação e defendem soluções mais efetivas, condenando a elevação da taxa básica de juros, que está longe de ser o melhor caminho para combater o aumento de preços.

Para entender melhor a questão, é necessário considerar, inicialmente, a majoração, nos últimos 12 meses, de 37,8% das commodities em geral e 43,2% das alimentares, apontada pelo ministro de Fazenda, Guido Mantega. Reforçando o diagnóstico, o Banco Central destacou, em relatório sobre o tema, que o fenômeno foi responsável por um terço da inflação de 2010.

Contudo, mesmo diante desse choque externo, nossos índices inflacionários apresentam quadro de deterioração menos acentuada quando comparados aos de vários países. O IPCA atingiu 6,3% em 12 meses, até março de 2011, contra 5,2% no mesmo período de 2010. A inflação chinesa registrou alta de 5,4% em março de 2011, contra 2,4% no mesmo mês em 2010. Os casos da Argentina, Índia e Rússia também indicam um surto inflacionário global, ao apresentar índices, em março último, de 9,7%, 8,8% e 9,4%, respectivamente.

Vale lembrar que novos instrumentos, como as medidas macroprudenciais, juntaram-se ao arsenal da política antiinflacionária e já estão contribuindo para a desaceleração da atividade econômica. Assim, a elevação da taxa de juros, mais do que ineficaz, poderá aprofundar a queda do nível de atividade e gerar efeitos colaterais nocivos: intensificação do processo de apreciação cambial e o aumento das despesas do governo com juros, que já atingiram a cifra de R$ 195 bilhões em 2010 e deverão saltar para R$ 210 bilhões em 2011.

Sobre a valorização excessiva do real, seus inconvenientes já são notoriamente reconhecidos. Refiro-me ao aprofundamento do déficit da balança comercial de manufaturados, à perda da participação do valor adicionado da indústria de transformação no PIB e ao aumento da participação de importados no consumo doméstico.

A balança comercial de manufaturados deverá registrar déficit de aproximadamente US$ 100 bilhões em 2011, ante US$ 71,1 bilhões, em 2010. A participação do valor adicionado da indústria de transformação no PIB passou de 27,2%, em 1985, para 15,8%, em 2010. O coeficiente de importações saltou de 14,6%, em 2005, para 21,8%, em 2010. Esse quadro não prejudica apenas a indústria, mas toda a sociedade, pois o setor é o mais dinâmico da economia, representando 60% dos investimentos. Portanto, é decisivo para a geração de empregos formais para os cerca de quatro milhões de jovens brasileiros que ingressam todo ano no mercado de trabalho.

Garantindo mais competitividade para a atividade industrial, com a redução dos juros e impostos, balizando melhor o câmbio e diminuindo os gastos públicos, o governo pode criar condições para o crescimento num ambiente de inflação controlada. É isso que os brasileiros desejam!

* Paulo Skaf, empresário, é o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP).