Grupo de Trabalho debate desafios para disseminar sistemas construtivos industrializados

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A adoção de sistemas construtivos industrializados pode tornar as obras no Brasil mais rápidas e mais sustentáveis, de acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria dos Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover.

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Soluções para barreiras culturais, que criam resistência à contratação de sistemas construtivos industrializados, foi uma dos temas da reunião. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“É parte de uma solução importante para um apelo do governo, que é a questão da produtividade, da sustentabilidade, da velocidade das obras e da segurança dos operários”, explicou Cover após a reunião do grupo de trabalho constituído pelo Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O grupo, com representantes do Deconcic/Fiesp e de associações como a Associação Brasileira de Construção Industrializada de Concreto (Abcic) e a Abramat, entre outras, debateu e analisou propostas para responder a alguns dos principais desafios para a evolução desse segmento.

Entre eles, as barreiras culturais, que causam um certo “estranhamento” dos usuários finais em relação a imóveis que utilizem sistemas construtivos não convencionais. Na visão do Grupo de Trabalho, ainda é insuficiente a comunicação das vantagens do uso dessas estruturas pré-fabricadas.

Outro ponto de atenção é o fato de não serem observados, nas análises de viabilidade realizadas pelas construtoras, os benefícios na comparação com sistemas convencionais. Conforme diagnóstico do Grupo de Trabalho, as construtoras, em geral, consideram apenas os custos, sem que se faça uma avaliação mais ampla e sistêmica.

O modelo de contratação, na visão do Grupo de Trabalho, ainda é orientado para os sistemas convencionais. “O cliente final, seja ele governo, seja ele iniciativa privada, quando ele avalia os sistemas de construção industrializada, ele não está levando em consideração todos os aspectos e tomando uma decisão mais sistêmica. Ele está ainda contaminado com a visão mais convencional. Ele não percebe o benefício”, disse na reunião Laura Marcellini, diretora do Deconcic e da Abramat.

Na área tributária, o Grupo de Trabalho constata a falta de condições mais isonômicas que aumentem a competitividade desses sistemas no mercado. Também pesa uma visão ainda conservadora do governo na adoção de sistemas industrializados.

Para Cover, as resistências aos sistemas industrializados têm que ser superadas levando informação sobre suas vantagens a diversos atores da cadeia produtiva: construtoras, incorporadoras e arquitetos, além dos usuários finais.

“A gente quer fazer um evento com a academia, os arquitetos, as construtoras, a indústria, até mesmo o comércio e o varejo. Seria um grande passo para que se coloquem dificuldades que a gente não conhece, mostrar cases de sucesso em alguns lugares do mundo e trabalhar em conjunto para buscar as soluções”, explicou o presidente da Abramat.

As propostas do Grupo de Trabalho, de acordo com o consultor Fernando Garcia, serão compiladas e consolidadas para apresentação no 11o Congresso Brasileiro da Construção (ConstruBusiness), marcado para o dia 4 de dezembro deste ano.