Sistema politico atual torna o Brasil ingovernável, afirma conselheiro da Fiesp em reunião

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Ives Gandra Martins, na reunião do Consea: “Vivemos sob um sistema ineficaz”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O atual sistema político torna o Brasil ingovernável. A opinião é do jurista Ives Gandra da Silva Martins, membro do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Durante encontro do conselho, na manhã desta segunda-feira (19/05), foi discutida a necessidade de uma profunda reforma política no Brasil.

“Vivemos sob um sistema ineficaz”, disse Ives Gandra ao afirmar que o sistema vigente nos país não funciona, garantindo apenas a permanência dos detentores do poder no comando da nação.

Segundo análise do jurista, não existem partidos de verdade no país, com ideologias definidas e comprometimento com o processo político. “Desde 1985 tivemos mais de uma centena de partidos políticos. Hoje temos 32, como se tivéssemos 32 ideologias distintas”.

O conselheiro acredita que sem redução de partidos o Brasil continuará a ter um sistema político ineficaz. “Com essa quantidade de grupos, as negociações tornam-se impossíveis. Partidos hoje são empresas políticas, legendas de aluguel”, opinou. “Temos democracia de pessoas e não de ideias, de donos de poder, e não de grupos políticos”, completou.

Para Gandra da Silva Martins, a reforma política brasileira é urgente, não apenas para otimizar o setor, mas também para criar um ambiente propício para outras reformas importantes. “Sem a reforma política, as reformas tributárias, administrativas, trabalhistas e previdenciárias jamais sairão do papel”.

A reforma política, segundo Gandra, passa por quatro medidas: redução do quadro de partidos políticos, adoção do voto distrital misto, criação de um ambiente de fidelidade partidária e controle do financiamento público e privado para campanhas.

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Reunião do Consea discute a necessidade de uma profunda reforma política no Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fieso

A reunião foi conduzida por Ruy Martins Altenfelder Silva, presidente do Consea. Participaram também a vice-presidente do conselho, Ivette Senise Ferreira; o embaixador e coordenador das atividades dos conselhos superiores da Fiesp, Adhemar Bahadian; e Celso Monteiro de Carvalho, vice-presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp.

Ao final da reunião, Altenfelder comentou que, ao repensar a reforma política, ficou evidente a necessidade de que o legislador se utilize, de imediato, das estratégias infraconstitucionais, pois há pressa em oferecer o que a cidadania está exigindo: ética na política.