Palestra mostra requisitos e como colocar em prática um Sistema de Gestão Ambiental

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

O engenheiro Ricardo Emilio Cecatto, professor da escola Mario Amato, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), esclareceu nessa terça-feira (03/06) os principais tópicos a serem observados dentro das política ambientais adotadas pelas indústrias.

Professor Ricardo Emilio Cecatto, da escola Senai Mario Amato. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

Em sua palestra “Gestão Ambiental”, que fez parte da programação da 16ª Semana de Meio Ambiente, realizada nesta semana na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ele esclareceu conceitos normalmente confundidos pelos gestores na elaboração de um projeto.

Segundo o especialista, dentre os requisitos de um Sistema de Gestão Ambiental, por exemplo, o registro não pode ser confundido com documento. “O registro não se pode alterar. Um documento, sim”, explicou.

Ele comentou ainda que por vezes o termo “prevenção” é equivocadamente mencionado nas políticas implementadas nas indústrias. “Prevenção é o que se faz antes, isto é, as técnicas ambientais para se evitar um dano. Mas, se esse dano é inevitável no seu processo industrial, devem ser tomadas ações de controle.”

Cecatto também alertou que há um erro comum na interpretação de impactos ambientais, muitas vezes associados a fatores negativos. Como exemplo, falou hipoteticamente de um aterro industrial que, depois de funcionar por um período de 20 a 40 anos, pode ser recuperado e dar lugar a um estacionamento, uma praça ou um parque. “Então, o impacto ambiental modifica o meio ambiente, mas modifica para melhor ou para pior. Depende do efeito que ele vai causar. Já o aspecto ambiental é aquilo que, desenvolvendo sua atividade industrial, você vai causar direta ou indiretamente no meio ambiente, como o próprio consumo de recursos.”

Para o sucesso de uma política ambiental, Cecatto recomendou as seguintes ações: documentá-la, implementá-la, mantê-la e comunicá-la a todos que trabalham na organização ou empresa. E, se for interessante, disponibilizá-la para o público.

Sobre os requisitos legais, ele sugeriu a contratação de um especialista em direito ambiental, uma vez que há grande variação de leis ambientais entre estados e municípios, além da constante alteração nessas legislações.

O papel e postura do auditor ambiental dentro de uma indústria também foi destacado pelo professor. “Na fase de implementação e operação de um Sistema de Gestão Ambiental, que é a fase mais árdua do processo, devem ser observados os recursos – tanto humanos como equipamentos –, as competências e os treinamentos. Também deve ser dada atenção à comunicação, documentação, controles dessa documentação e preparar respostas às emergências. Aliás, esse último item não pode faltar, em hipótese alguma”, afirmou.

Mudança de comportamento

Auditora ambiental Michele Mielle foi uma das participantes do evento. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

Para a analista ambiental Michelle Carneiro Razanauskas Miele, assistir à palestra do Senai-SP foi importante para resgatar todo o conhecimento exigido no seu dia a dia como auditora ambiental na indústria Intelli Terminais Elétricos, da cidade de Orlândia, em São Paulo.

“O que mais me chamou atenção foram as informações sobre nossa preparação diante de uma emergência. Pois não adianta planejar e documentar se na hora de uma emergência não tiver uma ação eficaz. Isso precisa ser bem planejado.”

Michelle destacou que o cuidado com o meio ambiente faz parte da própria sobrevivência da empresa. “Na parte de terminais elétricos, que é o que a minha indústria produz, a gente tem que tomar cuidado com as ligas (metálicas) e definir qual o tipo de liga”. Michelle explicou que há vários países que não compram o produto se tiver, por exemplo, um percentual acima de chumbo, a ponto de gerar contaminação ambiental.

Sobre o papel e perfil do auditor e gestor ambiental ela concordou que é importante a credibilidade do profissional, justamente para gerar mudanças de cultura e comportamento. “Eu entrei faz pouco tempo nessa indústria e estamos implantando um programa 8 S, antes mesmo de implementar um sistema de gestão ambiental. Isso gera mudança de comportamento. Tem que ser imparcial pois você está fazendo uma releitura do ambiente. E lá eu comecei pela Alta Administração, diretores, gerente e cheguei até o chão de fábrica.”

Para a analista, as políticas ambientais são incorporadas por todos através de ações. “A gestão ambiental não é simplesmente querer implementar uma teoria. Tem que ter a prática mesmo, isto é, reconhecer o que a indústria consegue evitar dentro dos impactos ambientais. E o papel do auditor é muito importante em todo o processo.”

Ela ressaltou que, muitas vezes, atitudes simples provocam grandes resultados. Segundo ela, a indústria Intelli implementou, recentemente, o programa “Adote um copo”, onde cada funcionário recebeu seu próprio copo para uso. A iniciativa conseguiu estimular uma cultura contra o desperdício e, além disso, houve redução nos gastos com copos descartáveis e também no consumo de água.

Semana de Meio Ambiente

A 16ª Semana de Meio Ambiente é promovida pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) com o apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

Aberta na segunda-feira (02/06), a Semana tem prosseguimento até sexta-feira (06/06).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Diretor da Toyota do Brasil fala do sistema de gestão ambiental premiado pela Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A Toyota do Brasil venceu a 9º edição do Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água – iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A montadora japonesa implantou nas instalações brasileiras o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) no cotidiano dos funcionários das fábricas e dos escritórios.

Com o SGA, a Toyota conseguiu diminuir o consumo de água em 40,9 mil metros cúbicos de água, o que corresponde a uma redução de 81,7% do consumo inicial dos processos que passaram por melhorias. Foram investidos no projeto R$ 721,5 mil e os resultados apontam uma poupança de R$ 411 mil anuais no consumo.

Niyama: tecnologias mais limpas nas novas instalações. Foto: Divulgação

Segundo Sergio Shizuo Niyama, diretor industrial da Toyota do Brasil, a intenção é aplicar o conceito de ecofactory ou fábrica ecológica, com projetos que minimizam o impacto ao meio ambiente por meio de tecnologias mais limpas em todas as novas instalações.

Leia entrevista com Sergio Niyama na íntegra:

Como funciona o Sistema de Gestão Ambiental na prática?

Sergio Niyama – O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é sustentado por três pilares: zero caso de não conformidade legal/reclamações; atividades de minimização de riscos ambientais e melhoria contínua da performance ambiental (água, resíduos, energia, emissão atmosférica, efluente).

Para melhorar ainda mais o seu sistema de gestão, a Toyota do Brasil implementou o Sistema de Desenvolvimento de Gerenciamento de Chão de Fábrica (FMDS na sigla em inglês), cujo objetivo principal é fortalecer o gerenciamento diário. Utilizamos o conceito dos 3Rs: reduzir, reutilizar, reciclar. As ações prioritárias estão concentradas em reduzir o consumo na fonte. Posteriormente, passa-se para os trabalhos de reutilização / reúso do recurso. Além disso, prioriza-se trabalhar, sempre que possível, com os recursos disponíveis, evitando grandes investimentos, apenas o necessário para colocar as ações em prática. Todos os profissionais da companhia são incentivados a detectar oportunidades de melhoria e criar contramedidas para otimizar e melhorar os processos, faz parte do programa de desenvolvimento pessoal e profissional dentro da empresa, aumentando o nível de conscientização ambiental entre todos os colaboradores e criando uma cultura de otimização dos recursos e de proteção ao meio ambiente.

Qual foi o maior desafio para implantar o projeto?

Sergio Niyama – O maior desafio é sempre se superar, ou seja, os colaboradores são constantemente incentivados a desenvolver outras soluções mais ou melhorar as já instaladas. Em um primeiro momento pode parecer difícil, tendo-se a impressão de que foram esgotadas todas as possibilidades de aprimorar ainda mais determinado processo. Mas, por meio da análise profunda de cada caso, sempre aparecem oportunidades de melhorias.

Que tipo de benefício o projeto trouxe para a empresa? E para os funcionários?

Sergio Niyama – Com o desenvolvimento desses trabalhos, conseguimos maior eficiência na utilização dos equipamentos, redução no consumo de água e consequentemente, na quantidade gerada de efluente para tratamento. O maior ganho, entretanto, é a criação desta cultura de conservação dos recursos naturais que se cria dentro da empresa entre os colaboradores, ao evidenciarem, na prática, os ganhos com cada uma dessas atividades de melhoria.

Os principais beneficiários são os colaboradores, os quais têm seus trabalhos reconhecidos internamente e internacionalmente, por meio de uma premiação ambiental da empresa realizada anualmente no Japão, homenageando as melhores práticas de todas as unidades no mundo. Uma cópia do projeto é enviada para as demais filiais, para que possam aplicar a mesma melhoria em seus processos e também obter os ganhos ambientais.

Além desse reconhecimento mundial, localmente é realizada uma entrega de troféu para os setores que desenvolveram os melhores trabalhos e premiações para os colaboradores envolvidos diretamente na realização da melhoria, como forma de agradecimento e incentivo.

A Toyota tem novos planos para ajudar na conservação do meio ambiente?

Sergio Niyama – Sim. Trabalhamos diariamente com esta visão de conservação do meio ambiente, não só a curto, mas também a longo prazo. Por meio do plano de ação ambiental da empresa, elaboramos metas com foco em atividades de melhorias capazes de aprimorar os resultados. O documento é revisado a cada cinco anos, com metas já definidas, e, como desafio, essas são reduzidas a cada ano. Desta forma, torna-se necessário melhorar o desempenho dos indicadores ambientais a cada ano, incentivando sempre o desenvolvimento de mais melhorias. Além disso, sempre que há a instalação de uma nova fábrica no Brasil, trabalha-se com o conceito de ecofactory, com projetos que minimizam o impacto ao meio ambiente, através da introdução de tecnologias mais limpas. Foi o recente caso da planta de Sorocaba (SP) e assim será com a futura instalação da fábrica de motores da planta de Porto Feliz (SP).

Fiesp e RMAI lançam campanha para adoção do Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001)

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Com o apoio da Fiesp e promoção da Revista Meio Ambiente Industrial (RMAI), foi lançada nesta terça-feira (8) campanha itinerante em todo o estado para motivar a adoção do Sistema de Gestão Ambiental, em conformidade com a Norma ISO 14001, com posterior certificação.

O lançamento ocorreu durante a XIII Feira Internacional de Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade (FMAI), que acontece até quinta-feira (10) no Expo Center Norte, na capital. O objetivo é sensibilizar o micro, pequeno e médio empresário sobre a importância da implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) a fim de promover a qualidade ambiental no setor produtivo e a competitividade dos negócios.

A campanha contará com palestras, em algumas unidades do Senai, no intutito de esclarecer o que é o sistema, seu custo-benefício, aspectos da legislação ambiental, linhas de financiamento e ações para conscientizar colaboradores e sobre a importância da economia de baixo carbono.

A campanha itinerante será levada a diversas regiões, como Piracicaba, Ribeirão Preto, Campinas, São José do Rio Preto, Birigui, Sertãozinho, Franca e Bauru. E, ainda, Marília, São Carlos, São José dos Campos, Sorocaba e área de Limeira, Americana e Santa Bárbara D’Oeste.

Na Fiesp, essa ação envolve os Departamentos de Ação Regional (Depar), de Meio Ambiente (DMA), o da Micro e Pequena Empresa (Dempi) e a Central de Serviços (CSER).

A norma ISO 14001 é internacionalmente aceita e define requisitos para estabelecer e operar um Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Esse sistema permite às organizações controlar impactos significativos sobre o meio ambiente e melhorar continuamente operações e negócios. Na prática, é a gestão de uso e disposição de recursos.