Há ‘total irresponsabilidade’ na gestão da crise hídrica em São Paulo, afirma Paulo Skaf

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, criticou nesta segunda-feira (19/05) o que chamou de “total irresponsabilidade” da gestão do governo do Estado na crise hídrica que vem afetando o Estado de São Paulo, especialmente na região metropolitana, abastecida pelo Sistema Cantereira.

“Se as chuvas ficarem no ritmo de maio, em outubro termina a água. Como vai ficar o abastecimento de 8 milhões de pessoas que só têm essa fonte”, questionou o presidente durante a abertura do L.E.T.S, evento que discute a infraestrutura integrada, no Hotel Unique, em São Paulo.

“É um risco muito grande”, alertou.

Paulo Skaf determinou a distribuição de cartilhas de campanhas de economia de água nas entidades que preside: Fiesp, Ciesp, Sesi-SP, Senai-SP. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Mencionando cálculos do volume de água que desce para o Sistema Cantareira decorrente da média pluviométrica do mês de maio, Skaf estimou que, mesmo com o uso do chamado volume morto, se o consumo atual não diminuir, e as chuvas não ocorrerem acima da média histórica, matematicamente é possível concluir que milhões de pessoas podem ficar sem o recurso já no mês de novembro.

“Há necessidade de diminuir a captação. Não é possível que interesses eleitorais possam interferir na gestão”, disse Skaf, afirmando que gostaria que alguém provasse que a conta não é essa.

“Determinei na sexta-feira passada (16/05) que todas as entidades que eu presido – Fiesp, Ciesp, Sesi-SP e Senai-SP [Serviço Social da Indústria do Estado de São Paulo e Serviço Nacional da Aprendizagem Industrial do Estado de São Paulo] – soltem cartilhas de campanhas de economia de água. Temos que torcer o máximo para que chova. Se porventura tivermos o mesmo ritmo de chuvas de maio, temos cinco meses para usar tudo e aí zerou [o reservatório do Sistema Cantareira]”

Skaf disse que, dos três milhões captados, um trilhão de litros de água são desperdiçados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). E que embora a lei das Sociedades Anônimas (SAs) estabeleça que a distribuição de dividendos não pode ser inferior a 25% do lucro líquido, um excedente de 6% além do percentual (31% contra 25%) poderia ser utilizado em investimentos.

Skaf: Há ‘total irresponsabilidade’ na gestão da crise hídrica em São Paulo. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

“Na lei das SAS está previsto, sim, a possibilidade de não distribuir os 25%, quando se sente a necessidade”, disse Skaf, afirmando que o governo, como acionista majoritário, poderia apresentar um plano de investimentos em assembleia para reduzir o volume de dividendos e reverter em investimentos.

“É um erro, sim, ter investido menos do que deveria ter investido, porque o problema [insegurança hídrica] aconteceu há dez anos e está acontecendo de novo.”

Semana de Infraestrutura

Citando a parceria com o Sistema Firjan na realização de outros eventos, o presidente da Fiesp relembrou outras iniciativas ao lado da entidade que representa as indústrias do Rio de Janeiro, como o Humanidade 2012 , durante a Rio+20, e o MBA para gestores de escolas públicas nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. “Temos feito muitas coisas com a Firjan. E toda a diretoria da Fiesp faz questão de consolidar essa parceria”, garantiu.

Skaf disse ainda que o discurso do diretor titular do Departamento de Infraestrutura da Fiesp, Carlos Cavalcanti, feito no início da abertura do L.E.T.S, representa o pensamento da diretoria da entidade. “Colocou com muita clareza a visão da Fiesp”, assinalou, reforçando que Cavalcanti apontou lutas e caminhos que podem, inclusive, contribuir para o programa de governo dos candidatos à presidência da República.

Ao falar do Monitor Banda Larga, o presidente da Fiesp disse que a ferramenta “vai fazer muito bem às pessoas e à competitividade porque as empresas pagam e também não recebem” serviços de qualidade em internet.

Por fim, Skaf pediu a todos os participantes que saiam dos debates com uma visão de futuro para que as ideias possam ser sugeridas aos candidatos durante o processo eleitoral e aplicadas pelos governantes.

L.E.T.S

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

Falta de planejamento e gestão contribuem para a falta de abastecimento de água

Agência Indusnet Fiesp

O Brasil vem passando por um momento de mudança na matriz energética. Com a escassez de chuva nos últimos meses, o nível de água nos reservatórios baixou.  No dia 23/04, por exemplo, o Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, atingiu o nível de 11,7% de sua capacidade – o menor nível da história. Diante das baixas, o governo colocou em operação as usinas termoelétricas, que produzem energia com combustíveis como o carvão e tem um custo maior que as hidrelétricas.

Essa substituição de matriz implica em mudanças econômicas e sistêmicas que precisam ser equacionadas. Isso é o que será discutido na Semana da Infraestrutura (LETS) realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), de 19 a 22 de maio, no hotel Unique, das 8h30 às 18h30. O encontro unifica os tradicionais eventos anuais da Fiesp sobre infraestrutura.

A nova configuração da matriz energética brasileira será um dos debates do evento nos painéis dedicados para a área de energia. O objetivo desse painel é analisar o impacto dessa nova configuração, na formação de preços para o mercado de energia, nas políticas de incentivo às fontes renováveis e nas consequências para o pequeno e grande consumidor de energia elétrica.

“Está mais do que claro que precisamos construir novas hidrelétricas com reservatórios. A situação energética brasileira está nos mostrando isso. A Fiesp defende as hidrelétricas com reservatórios, dentre as alternativas de expansão da oferta de energia elétrica, pois é a única fonte que combina segurança, preço módico, baixa emissão de gases de efeito estufa e que o Brasil domina a tecnologia. É preciso ter coragem para enfrentar esse debate e estamos preparados para isso”, afirma Carlos Cavalcanti, diretor do departamento de infraestrutura da Fiesp.

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a média para o nível do mês abril das hidrelétricas no Sudeste/Centro Oeste – área mais importante para geração de energia com capacidade de armazenamento de 70% – chega a 36,9. Comparando com médias anteriores para o mês, o resultado é próximo ao ano de 2001, em que houve racionamento.

Com as termoelétricas acionadas o custo da energia encarece. Em 2015, o consumidor vai ter que arcar com as consequências e pagar mais caro por conta disso. O valor do reajuste de energia ainda não foi divulgado pelo governo federal. “É inadmissível que nós consumidores, que tivemos redução nas contas ano passado, tenhamos que pagar mais caro por falta de planejamento do governo. Não é só a falta de chuvas que ameaça o abastecimento de água, mas principalmente a falta de gestão e de investimentos”, finaliza Cavalcanti.

Para mais informações sobre a Semana da Infraestrutura (LETS) acesse: www.fiesp.com.br/lets

Serviço

Semana da Infraestrutura (LETS)

9º Encontro de Logística e Transporte
15º Encontro de Energia
6º Encontro de Telecomunicações
4º Encontro de Saneamento Básico

Data: 19,20,21 e 22 de maio – das 8h30 às 18h30
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique – Av: Brigadeiro Luis Antônio, 4700 – Jardim Paulista – São Paulo