Sindicato Responsável: Igualdade de Oportunidades

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Por Karen Pegorari Silveira

Apesar das mulheres terem conquistado altos cargos de liderança em setores como indústria, comércio e serviços, no meio sindical ainda é difícil encontrá-las em cargos de presidência ou diretoria. Uma das poucas mulheres a assumir este cargo em um sindicato patronal é a executiva Daniela Rios.

Daniela é advogada, com especialização em Direito Empresarial e mestre em Direito Político e Econômico. Com mais de 10 anos de experiência no segmento de bebidas, cosméticos e limpeza, atualmente é responsável pela área de Relações Governamentais e Políticas Públicas da indústria P&G Brasil. Presidente do Sipla e vice-presidente da Abipla, Daniela é também vice-presidente da Abihpec (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) e ainda coautora do livro “Panorama Atual da Administração Pública”. No Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária do Brasil – CONAR é Conselheira da Primeira Câmara nomeada pela Associação Brasileira de Anunciantes.

Com todo esse know-how, a executiva contou um pouco sobre suas experiências no cargo de presidente de um sindicato.

Fale sobre sua experiência como presidente de um grande sindicato, organização tradicionalmente comandada por homens e predominantemente masculino.

Posso te falar sobre a minha experiência em sindicato. Em relação aos demais presidentes que conheço, sou relativamente recém-chegada, então me benefício muito pela experiência das pessoas, sejam elas homens ou mulheres. Tenho a sorte de vir de uma família em que tive ótimos exemplos femininos e masculinos, mostrando que ser competente nada tem a ver com gênero. Também venho de uma empresa que procura desconstruir estereótipos comportamentais e sentimentais ligados a determinado gênero e é isso que busco amplificar para os espaços que tenho a oportunidade de frequentar e falar alguma coisa.

Quais foram as barreiras e dificuldades enfrentadas por você até chegar ao posto de presidente de sindicato?

Não diria alguma coisa específica sobre meu atual cargo dentro do Sindicato, mas se me permite falarei um pouco sobre a minha carreira. Desde o início trabalho em Indústria, já tive experiência de ser a primeira mulher em alguns ambientes. Isso não me orgulha, pois o que me enche de orgulho é dizer que consegui trazer outras, deixando o ambiente mais diversificado.

Já passei por situações desagradáveis no passado como um chefe pedir para eu não engravidar no ano seguinte; já deixei de receber promoção porque um antigo chefe machista me disse que o meu marido poderia ficar chateado se eu ganhasse mais que ele; já fiz apresentação de uma hora com dados e pesquisas feitas no mundo inteiro e ao final ouvi “boa apresentação, você está cada dia mais linda”, entre outras.

Por qual motivo você acredita que aconteceram essas situações?

Penso que essas situações só aconteceram porque as pessoas eram de certa forma muito ignorantes, a ponto de achar que o melhor elogio para uma mulher é dizer sobre sua beleza. Ignorância! Por isso, tento promover a igualdade em todos os ambientes e acredito que tenha dado boas respostas para cada uma dessas situações. Como disse, atualmente trabalho em uma empresa em que essas situações são inimagináveis, espero que essas situações algum dia sejam inimagináveis em qualquer lugar do mundo!

No seu ponto de vista, quais os benefícios de ter mulheres em postos de comando dentro de grandes organizações?

Acredito que a diversidade de pensamentos é a chave para a riqueza de soluções. Infelizmente ainda é possível vermos mulheres sendo pagas de forma diferente executando a mesma função de um homem, isso é inadmissível. Também não podemos aceitar que mulheres sejam promovidas só depois de resultados, enquanto homens por potencial. Os critérios devem ser os mesmos, o importante é integração e igualdade, isso gera construção.

Quais os diferenciais que você pode apontar entre a liderança feminina e a liderança masculina? Por qual motivo?

Não generalizaria, já tive ótimos exemplos femininos e masculinos. Acho que colocar características para determinado grupo de pessoas é um limitador, não quero limitar ninguém.

Qual mensagem você passaria para as mulheres que desejam ocupar cargos de liderança?

Mulheres e homens têm os mesmos direitos e pessoas devem ser do tamanho de seus sonhos, não deixem ninguém dizer o que você pode ou não sonhar.

Nova diretoria toma posse na Abipla e no Sipla

Nesta quinta-feira (20), começa mais um mandato de três anos da nova diretoria da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla) e do Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos de Limpeza (Sipla).

Luiz Carlos Dutra, vice-presidente corporativo da Unilever, continua na presidência da Abipla e Lisa Polloni, diretora de relações externas da P&G, segue na presidência do Sipla. Ambas as entidades contam ainda com Maria Eugenia Proença Saldanha na diretora executiva desde 2003.

Os desafios da equipe para esta nova etapa se fixam em cinco pilares: Desenvolvimento do Setor, Agenda Tributária, Combate à Informalidade, Assuntos Regulatórios e Meio Ambiente. Além disso, a sustentabilidade é mais uma agenda a ser cumprida, que motivou o lançamento do Programa Movimento Limpeza Consciente neste ano de 2009.

A nova diretoria é composta por mais de 20 integrantes, entre membros e suplentes, representantes de empresas de diversos portes, nacionais e multinacionais. Hoje, quase 70 empresas compõem os associados da Abipla e do Sipla.

A equipe que assume as entidades nesta semana desenvolverá atividades conjuntas no sentido de defender os interesses e contribuir no desenvolvimento sustentável da indústria de saneantes no Brasil. Afinal, os produtos de limpeza são bens de consumo presentes nos lares de todos os brasileiros e essenciais para a saúde, higiene e qualidade de vida da população.

O presidente Luiz Carlos Dutra, que assume seu segundo mandato, lembra que no campo econômico, com investimentos, geração de empregos e de receitas, ou nas áreas de saúde e meio ambiente, o potencial de crescimento é vasto e as entidades desempenham um importante papel para a representatividade do setor. “A atuação da Abipla e do Sipla permeia todas as etapas do processo produtivo, seja em áreas técnicas, jurídicas ou no aperfeiçoamento profissional”, destaca.


Prioridades

A cada ano, Abipla e Sipla têm aumentado sua representatividade, trazendo ganhos importantes para as indústrias. Sua atuação está focada em prioridades como:

  • Desenvolvimento do Setor, por meio de capacitação da mão de obra nacional;
  • Apoio às micro, pequenas e médias empresas e desenvolvimento das exportações;
  • Agenda Tributária, por meio da elaboração de pleitos pela redução dos tributos que incidem sobre a indústria;
  • Combate à Informalidade, através de ações e parcerias pela legalização das empresas do setor e conscientização da população quanto aos riscos de produtos informais à saúde;
  • Assuntos Regulatórios, pela interface direta com a Anvisa para auxiliar a indústria com relação a restrições e requisitos legais, coleta, comparação e avaliação de dados científicos;
  • Meio Ambiente, nas questões de gestão ambiental, resíduos sólidos e controle de produtos perigosos, o que reflete uma das grandes preocupações da indústria de produtos de limpeza.

Tendo em vista este trabalho, a Abipla age como órgão de colaboração com os poderes públicos e as demais associações, procurando integrar e harmonizar os interesses dos fornecedores, produtores e consumidores. Promove levantamentos da capacidade produtiva e do potencial do mercado consumidor, bem como a elaboração e manutenção de estatísticas e previsões.

Já o Sipla está constituído para fins de estudo, coordenação, proteção e representação legal da categoria, além de representação dos interesses individuais de seus associados.


Anuário 2009

A posse da nova diretoria marca também o lançamento do Anuário Abipla 2009, publicação que traz o balanço de todo o ano no setor das indústrias de produtos de limpeza. Em sua quarta edição, além de detalhes sobre o Programa Movimento Limpeza Consciente , o Anuário apresenta aos leitores um Guia de Produtos, que abrange as principais categorias de produtos de limpeza e as principais empresas fabricantes.

Mais uma vez, a publicação conta com dados numéricos preciosos para o planejamento de muitas empresas, particularmente as micro, pequenas e médias, que nem sempre têm acesso a pesquisas do setor.

Os dados são fornecidos por renomados institutos de pesquisa, como Nielsen, LatinPanel, Ipsos e Euromonitor, que auxiliam na definição de oportunidades, na avaliação das ações desenvolvidas ao longo do ano por parte das indústrias, no monitoramento do desempenho das categorias de produtos e no entendimento do comportamento do consumidor.

Maior mercado de produtos de limpeza da América Latina, o Brasil vem superando ano após ano as expectativas do setor, com resultados acima do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Em 2008, um faturamento de R$ 11,4 bilhões chancelou esse resultado, o que representa 6,5% de crescimento num setor que emprega mais de 20 mil trabalhadores em todo o Brasil, sendo composto em 95% por micro, pequenas e médias empresas.