Sindicato Responsável: Setor Plástico e Sustentabilidade

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Por Karen Pegorari Silveira

A indústria de transformados plásticos é o 2° maior empregador dentre os setores da indústria de transformação e 3° setor, e está entre os cinco maiores empregadores que paga os melhores salários.

Para apoiar este setor na busca pela Sustentabilidade, o Sindiplast oferece diversos projetos de logística reversa, orientações sobre economia circular, manual contra perdas e desperdícios, entre outras ações.

No ‘Sistema de Logística Reversa de Embalagens em Geral’, realizado através do acordo setorial de embalagens, o objetivo é ampliar a estrutura de logística reversa e, por fim, aumentar a reciclagem de embalagens pós-consumo no país. A Abiplast que atua em parceria com o Sindiplast, é integrante da Coalizão Empresarial juntamente com mais 22 associações empresariais que elaboraram e assinaram o Acordo Setorial de Embalagens em Geral em 25 de novembro de 2015 com o Ministério do Meio Ambiente – MMA. A Coalizão conta com a participação de associações representativas dos produtores, importadores, usuários e comerciantes de embalagens. A 1ª Fase do Acordo Setorial já foi concluída (2012 a 2017) e a proposta da 2ª fase já foi entregue e está sob validação junto ao MMA.

Com a ‘Campanha Separe. Não Pare’, lançada em 2017, o intuito é conscientizar a população quanto ao descarte correto de seus resíduos domésticos e sua importância.

A ‘Rede De Cooperação para o Plástico’ pretende trabalhar de forma integrada para a valorização do plástico, reduzindo seu potencial de impacto no meio-ambiente. Criada em abril de 2018, a Rede é fruto de uma motivação para reunir toda a cadeia produtiva estendida do plástico em torno da discussão e viabilização da economia circular no processo produtivo do setor. Hoje a Rede conta com 47 participantes, sendo gestores de resíduos, petroquímicas, transformadores e recicladores de plástico, indústria de bens de consumo, varejos e cooperativas.

Para auxiliar transformadores e recicladores de plástico, empresas transportadoras e operadores logísticos a reduzir a perda de pellets plásticos no ambiente, as entidades lançaram ‘Manual Perda Zero de Pellets’, que foi produzido dentro do Fórum Setorial dos Plásticos – Por Um Mar Limpo do qual a ABIPLAST é signatária e é uma iniciativa da Plastivida e do Instituto Oceanográfico da USP. O documento apresenta um mapeamento dos diferentes processos onde podem ocorrer eventuais perdas de pellets no ambiente, considerando toda a cadeia produtiva do país e traz orientações para mitigar essa questão. Além do viés ambiental, o manual reforça a importância de se considerar que a perda de pellets por parte das empresas gera prejuízos financeiros.

Para orientar sobre embalagens mais recicláveis, foi lançada em 2016 a ‘Cartilha De Reciclabilidade de Materiais Plásticos Pós-Consumo’, desenvolvida para designers de produtos sobre a concepção de embalagens com maiores índices de reciclabilidade, estimulando a economia circular e em cumprimento às metas estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12305/2010).

Para contribuir com o descarte correto de resíduos domésticos pós-consumo, lançaram também a cartilha “Qualificação em Identificação e Separação de Materiais Plásticos” para garantir uma triagem de materiais plásticos com maior qualidade, gerando maior valor adicionado para o cooperado e para o reciclador, elevando o índice de reciclagem dos produtos plásticos. Utilizada para capacitação de cooperativas de catadores espalhadas em todo o Brasil, a publicação tem a finalidade de apresentar aos participantes as principais propriedades dos materiais plásticos, os processos de transformação para a fabricação dos diferentes tipos de produtos, as aplicações e a identificação correta dos plásticos. Esse treinamento já foi aplicado nas cidades de Vitória/ES, Porto Alegre/RS e São Paulo/SP com auxílio dos sindicatos regionais. Além dos trabalhadores de cooperativas também foram treinados multiplicadores que podem ministrar o mesmo treinamento a outras pessoas.

Além destes projetos as entidades Sindiplast e Abiplast idealizaram o Aplicativo e o Site “Reciclagem De Plásticos”, a ‘Certificação de empresas e resinas recicladas SENAPLAS’ – para criação de critérios técnicos que gerem confiabilidade dessa indústria e seus produtos, gerando competitividade; o Movimento Plástico Transforma – Picplast, para apresentar inúmeras ações de educação e conscientização, e ainda entretenimento, sempre mostrando de forma didática e objetiva a importância do plástico em nosso dia a dia.

Sobre o Sindiplast

O Sindicato da Indústria de Material Plástico, Transformação e Reciclagem de Material Plástico do Estado de São Paulo representa o setor paulista desde 1941 para fortalecer a cadeia produtiva da indústria paulista do plástico. Representam atualmente cerca de 5 mil empresas que empregam um total de 137 mil pessoas.

Artigo: Sustentabilidade – Um Caminho Sem Volta

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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*Por José Ricardo Roriz Coelho

Não é mais assunto exclusivo de ambientalistas. A questão da sustentabilidade envolve hoje consumidores, poder público, terceiro setor, indústria, empresas privadas e, especialmente em se tratando do problema do lixo nos mares e oceanos, todos os elos da cadeia produtiva do plástico. Os números mostram que o tema e seus desdobramentos são tão importantes atualmente que deixaram o círculo dos engajados no assunto. Todos precisam assumir sua respectiva responsabilidade.

Os consumidores já revelam grande engajamento na questão: mais da metade (55%) das páginas acessadas relacionadas ao tema referem-se a organizações e a figuras públicas que divulgam e promovem a sustentabilidade. Quem se interessa por esse universo termina por escolher e apoiar alguma causa ou iniciativa. Pesquisa do Instituto Akatu mostra que a via da sustentabilidade é mais desejada: entre os 10 maiores desejos dos consumidores, 7 seguem esse caminho.

A indústria de transformação e reciclagem de material plástico, por sua parte, avança gradualmente rumo às melhores práticas. O setor tem se dedicado a buscar uma solução prática para a questão do lixo nos mares por meio da economia circular. Esse modelo circular, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, tem como foco não gerar resíduos e manter produtos em utilização pelo maior tempo possível – seja por reutilização, remanufatura ou reciclagem.

Para praticar a produção sustentável, é preciso revisar algumas práticas. Iniciativas que podem levar à adaptação do setor incluem: a promoção do uso mais eficiente de recursos; a análise de ciclo de vida de produto; o chamado “ecodesign” – que já leva em conta, desde o desenvolvimento do produto, fatores como uso mínimo de recursos, peso, volume, facilidade descarte, reaproveitamento e reciclagem; a adoção do conceito de “environmentally friendly” – caso dos bioplásticos derivados de fontes renováveis (como a cana-de-açúcar); investimento em pesquisa e parcerias com universidades; desenvolvimento e bem-estar dos trabalhadores do setor; gestão da fase pós-consumo (tratamento adequado das embalagens após o uso final dos produtos); adesão voluntária a iniciativas do desenvolvimento sustentável nacionais e internacionais; e parcerias com todos os atores envolvidos.

Do ponto de vista dos negócios, essa revisão de processos produtivos sob o foco dos aspectos ambientais, além de todos os ganhos socioambientais, gera valor aos produtos e crescimento sustentável, além de facilitar a inserção de empresas nos mercados nacional e internacional.

Os problemas ambientais que enfrentamos, no entanto, não se resolverão apenas com as mudanças na indústria. A Iswa (Associação Internacional para Resíduos Sólidos, na sigla em inglês), organização não governamental baseada na Áustria, publicou um estudo que aponta que 25 milhões de toneladas de lixo são despejadas por ano nos oceanos. Desse volume, 80% são fruto da má gestão dos resíduos sólidos nas cidades (ausência de saneamento básico e de coleta de lixo). Sem descarte adequado, acabam indo para os lixões ou, em cidades à beira-mar ou de cursos d’água, para os mares.

No âmbito nacional, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, determinou o fechamento de todos os lixões do País até agosto de 2014. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e do IBGE, no entanto, apenas 38% dos municípios informaram, até 2017, haver colocado em prática a Política Municipal de Saneamento Básico. Ao menos 56% dos municípios brasileiros recorrem a depósitos inadequados para descartar lixo. Em 2016, os lixões eram a solução para descarte de resíduos sólidos urbanos de 2.692 cidades. Outros 427 municípios descartam seus resíduos em “aterros controlados” — espaços que, embora com alguma tentativa de reduzir o impacto ambiental, ainda são altamente poluentes. Hoje há ainda quase 3.000 lixões no Brasil.

Uma grande parte desses resíduos são materiais que poderiam ser reciclados. Segundo a Abiplast, o volume de material reciclado no País, que hoje é de 26%, poderia ser muito maior se fossem implantadas pelos municípios a coleta seletiva e medidas de incentivo ao uso do reciclado, por meio de desoneração tributária. O potencial econômico desperdiçado de plástico gira em torno R$ 5 bilhões.

Sendo assim, é necessária uma visão sistêmica do assunto, ampliando a análise a questões como descarte correto dos consumidores, demanda por produtos que contenham plástico reciclado, melhora na coleta seletiva e resolução de disparidades tributárias que dificultam a competitividade. Quanto aos materiais plásticos, nossa indústria faz questão de assumir o protagonismo no desenvolvimento da consciência e da responsabilidade socioambiental, mas precisamos contar com o engajamento de todos.

*José Ricardo Roriz Coelho é presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico)

Para consultor, sucesso do Sistema de Logística Reversa depende de adesão popular

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Gilmar do Amaral, consultor da Abiplast e do Sindiplast: educação ambiental é o maior desafio para a logística reversa no setor. Foto: Viola Jr. - Câmara dos Deputados

Na avaliação de Gilmar do Amaral, consultor da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast-SP), o sucesso para a implementação do Sistema de Logística Reversa na indústria depende de participação e adesão popular.

Em entrevista, Amaral explica que o setor já elaborou e apresentou a proposta de acordo setorial para implementar o sistema de Logística Reversa de Embalagens de Produtos não Perigosos.

O consultor, que participou no final de julho de uma reunião da Câmara Ambiental da Indústria Paulista (Caip) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), também detalha as ações que o segmento da indústria realiza para se adequar à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) sancionada no dia 2 de agosto de 2010.

Confira abaixo a entrevista:

Quais são os desafios do seu setor para poder viabilizar a implantação da logística reversa?

Gilmar do Amaral – Entendemos que o maior desafio para a implementação do Sistema de Logística Reversa está na educação ambiental, uma vez que esse sistema somente terá sucesso se a população aderir e participar ativamente, pois é com o consumidor que a Logística Reversa tem o seu início e sem o consumidor ela não existirá.

Quais são as ações do setor para adequação dos resíduos sólidos, principalmente quanto à viabilização da logística reversa?

Gilmar do Amaral – O Sindiplast é filiado à Abliplast e vamos participar da implementação do Sistema de Logística Reversa por meio da coalizão empresarial da qual a Abiplast é integrante. A coalizão elaborou e já apresentou a proposta de acordo setorial para implementação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens de Produtos não Perigosos ao governo federal através do Ministério do Meio Ambiente.

Seu acordo setorial considera os produtos importados? Para quem será repassado o custo?

Gilmar do Amaral – No Acordo Setorial a responsabilidade pela reciclagem das embalagens plásticas é dos seus fabricantes, e a Abiplast está trabalhando intensa e arduamente na organização da indústria recicladora de materiais plásticos juntamente com os seus 21 sindicatos filiados.

Criamos a Câmara Nacional dos Recicladores de Materiais Plásticos que abriga os sindicatos estaduais, os quais representam as indústrias recicladoras do seu Estado, como também as próprias indústrias recicladoras. Foi criado também o Selo Nacional dos Plásticos Reciclados, uma certificação que visa identificar e valorizar as industrias recicladoras que trabalham dentro dos critérios socioambientais, legais e econômicos exigidos pela legislação.

Como os produtos importados do seu setor estão sendo tratados pelas esferas legislativas do governo?

Gilmar do Amaral –  No Acordo Setorial está prevista a participação dos importadores no âmbito da Responsabilidade Compartilhada e Encadeada. Entendemos que se algum ator deixar de cumprir com a sua parte, o governo federal baixará um decreto no qual obrigará a todos a cumprir com sua responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos.

A importação de embalagem, em nosso segmento, é muito pequena, e não causa grandes reflexos na Logística Reversa, mas com certeza os importadores terão que cumprir com a sua parte.

Setenta anos do Sindiplast são comemorados com lançamento de dois manuais

O Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast), fundada em 1941, comemorou seus 70 anos em evento realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta quinta-feira (9).

Segundo o presidente do Sindiplast, José Ricardo Roriz Coelho, estas sete décadas de atividade demonstram a competitividade do setor, respondendo à expansão do consumo e necessidade de inovações do mercado. “O plástico é presença não só em embalagens, mas em outras soluções, como peças automotivas, componentes de informática e da área médica, por exemplo”, destacou.

São Paulo concentra 45% das empresas do setor (5.124), gerando 155 mil vagas. Trata-se do terceiro maior empregador industrial do Estado, reunindo 6% da mão de obra de todos os cargos industriais.

No evento, foram lançadas duas publicações: Manual de Segurança e Saúde no Trabalho (em parceria com o Sesi-SP) e Guia Ambiental da Indústria de Transformação de Materiais Plásticos (em parceria com a Cetesb e a Fiesp) da Série Produção Mais Limpa (P+L).

Trata-se de uma iniciativa voltada a estimular a postura ambientalmente correta e o desenvolvimento sustentável.