Fiesp recebe visita de presidentes da CNS e Sindhosp; maior desafio do setor da Saúde é marco regulatório, afirmam dirigentes

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu na quinta-feira (17/10) a visita de dois representantes do setor hospitalar: José Carlos de Souza Abrahão, presidente da Confederação Nacional da Saúde (CNS) e da Federação de Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (Feherj); e Yussif Ali Mere Jr., presidente do Sindicato dos Hospitais (Sindhosp) e da Federação dos Hospitais (Fehosp).

Ambos foram recebidos por Ruy Baumer, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil) e do Comsaude.

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Yussif Ali Mere Jr e José Carlos de Souza Abrahão. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Durante o encontro, os dois falaram sobre as entidades que dirigem e os desafios do setor no Brasil – entre eles, a importância de um novo marco regulatório.

Leia abaixo a entrevista concedida pelos dois dirigentes ao portal da Fiesp.

Qual o papel das instituições que os senhores dirigem? Quais são suas atribuições e responsabilidades perante o setor e as atividades que a entidade desenvolve?

Jose Carlos de Souza Abrahão – A Confederação Nacional da Saúde (CNS) é representante constitucional de todo o setor empregador de Saúde do país. Temos uma missão de zelar pelo equilíbrio e defesa do setor. Construindo políticas de diálogo com entes governamentais e com toda a sociedade, fazendo a representação do complexo da Saúde.

Yussif Ali Mere Jr. – Nossa responsabilidade é representar legalmente o setor privado perante os sindicatos. Fazemos todas as negociações coletivas de trabalho previstas nas leis. Fazemos parte do sistema sindical da Saúde. Além disso, prestamos serviços na parte de Saúde suplementar, com orientações e serviços jurídicos. Atuamos ao lado da Prefeitura, do Estado e da União. Nosso desafio é promover um atendimento cada vez mais adequado para todo o setor.

Qual o panorama atual do setor da Saúde no Brasil?

Abrahão – É um setor abrangente, que produz cerca de 9% do Produto Interno Bruto brasileiro. Temos, hoje, em todo o país, seis mil hospitais no Brasil. Empregamos três milhões de brasileiros de forma direta. E mais cinco milhões indiretamente. Trabalhamos com um valor incomensurável, a vida humana.

Mere Jr – Infelizmente, a Saúde ainda não é prioridade. Não é neste governo e não foi nos anteriores. Muitos hospitais estão endividados e podem ficar ainda mais endividados. Hoje, sem dúvida, o assunto mais premente é o marco regulatório.

É preciso promover uma reforma regulatória na Saúde brasileira?

Abrahão – Sim, o setor passa por um momento de maior regulação. Essa é uma missão do Estado e se faz em diversos níveis. Precisamos preparar nossas instituições para o relacionamento com a atividade governamental.

Mere Jr – Regulação é o assunto mais importante e impacta na sustentabilidade do setor. Não é a sustentabilidade econômica apenas, mas também social e ambiental. Infelizmente, hoje, os serviços de Saúde são os que mais poluem o meio ambiente e que mais consomem energia elétrica.

Qual deve ser o papel do Estado na regulação da Saúde e da assistência médica?

Abrahão – O Estado deve formar políticas de Saúde. Mas precisa amadurecer, realizar e propor políticas de médio e longo prazo, não estando atreladas a um grupo governamental. Dessa forma, construiremos uma Saúde melhor para nossa sociedade.

Mere Jr O Estado não pode ter um papel apenas regulador. Hoje temos uma malha de assistência básica que é estatal. Paralelo a isso, o Estado precisa regular a Saúde para aqueles que estão na Saúde suplementar. Vejo a dificuldade do papel da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Hoje, ela é um órgão de governo. O que é um desvio.  A regulação é o assunto mais delicado do setor.

Como está a situação dos hospitais no Brasil? E como estão as negociações com o governo para buscar uma solução no que tange o endividamento desses hospitais?

Abrahão Temos hospitais públicos e privados, e cada um passa por uma situação diferente. A esfera privada passa por uma situação complicada, pois não têm incentivos, nem uma política clara. E precisa passar a ter. 

Mere Jr Falta gerenciamento adequado, de custo, nos hospitais brasileiros. Infelizmente, Saúde não é prioridade. Quando for, fora do campo eleitoral, teremos uma visível melhora. O setor não é tratado como deve.

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José Carlos de Souza Abrahão (esquerda) foi recebido por Ruy Baumer (segundo à esquerda) do Comsaude/Fiesp. Na foto, Brigadeiro Azevedo, Maria Cristina Sanches Amorim, integrante do Comsaude, e o coordenador adjunto do Bio Brasil, Eduardo Bueno da Fonseca Perillo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp