Participação da iniciativa privada na Copa é de R$ 3,8 bi do total de R$ 25,5 bilhões

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Bernasconi: investimento maior nos projetos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O que deu para fazer em termos de obras para a Copa do Mundo está feito e, agora, são arranjos finais, o que significa finalizações apressadas, custos superiores ao estimado e qualidade inferior, treinamento insuficiente de pessoal e legado inferior ao esperado. Essa foi a avaliação do engenheiro José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), sobre os preparativos do evento.

Ele participou na manhã desta terça-feira (25/02) da primeira reunião do ano do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo ele, do custo total da Copa, de  R$ 25,5 bilhões, apenas R$ 3,8 bilhões correspondem à iniciativa privada.

“Todos devem se lembrar que se falava que a Copa do Mundo seria feita só com iniciativa privada e pouco investimento público”, afirmou Bernasconi. “Na verdade, a iniciativa privada entra com R$ 3,8 bilhões e o restante é público, é do Governo Federal e dos governos locais”, completou.

Na análise de Bernasconi, o país precisa aderir à cultura de entrega de um projeto de engenharia completo antes mesmo da licitação para determinada obra. “Ou o Brasil aprende a licitar as obras com o projeto completo de engenharia ou não adianta se queixar. Isso porque o projeto representa o genoma do produto. Ou investem tempo nos projetos ou não se queixem dos resultados”, alertou durante reunião do Cosema.

Capacitação Superior e Planejamento

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Philippi: capacitação e cultura de planejamento. Foto:Fiesp/Helcio Nagamine.

A reunião do Cosema foi conduzida por Walter Lazzarini, presidente do conselho, e também contou com a participação de Arlindo Philippi Junior, professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e membro do conselho superior da Coordenação de Aperfeiçoamento e Pessoal de Nível Superior (Capes).

“Temos no Brasil condições efetivas de poder melhorar sensivelmente a capacitação de recursos humanos ao mesmo tempo em que há possibilidades, a partir dessa capacitação, de ampliar o quadro de pesquisas. Essas pesquisas precisam chegar aos setores empresariais”, afirmou Phillipi.

O professor também explicou que a capacitação de pessoas com nível superior pode refletir diretamente em questões ainda delicadas no Brasil, como a cultura do planejamento.

“Algumas das questões que trago a vocês têm reflexos reais em futuros planejamentos no país, uma vez que nós normalmente não somos muito dados ao planejamento”, afirmou.

Brasil insiste no erro de construir sem planejar, diz presidente do Sinaenco

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José Roberto Bernasconi, presidente regional do Sinaenco e membro do Consic/Fiesp

Para evitar o atraso de diversas obras, não só nos estádios, mas também de infraestrutura, deveriam ter sido feitos planejamentos e projetos de engenharia antes de as construções serem iniciadas pelo país, analisou nesta terça-feira (10/04) o presidente do Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), José Roberto Bernasconi.

A avaliação de Bernasconi, que também é membro do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp (Consic), seria óbvia não fosse o histórico de obras malsucedidas no Brasil, por falta de planejamento, que geram problemas de mobilidade urbana nas grandes cidades do país.

“No Brasil, os construtores reclamam de serem malvistos e que as obras param. Isso é verdade, mas, por outro lado, é preciso planejar o jogo antes e só depois fazer a licitação da obra”, argumentou Bernasconi durante reunião com empresários e membros do Consic na Fiesp.

O engenheiro reiterou que é de responsabilidade da construção e da arquitetura elaborar estudos, planos e programas para “boas obras”, acrescentando que um item indispensável em qualquer planejamento é o estudo do impacto socioambiental.

“Aqui no Brasil nós insistimos em contratar obras sem projetos. Continuamos fazendo a coisa de forma errada e queremos ter resultado diferente. O projeto de engenharia vai dar eficiência na aplicação de recursos”, alertou o presidente regional do Sinaenco.

Preparação

Doze cidades se preparam para receber os jogos da Copa 2014. As obras envolvem a reforma de estádios para adequação ao padrão estabelecido pela Fifa e a construção de novas arenas, além de reformas em trechos viários e a criação de novos trajetos e linhas para o transporte.

De acordo com o Portal 2014, criado pelo Sinaenco e outras empresas do ramo de construção e tecnologia, dos 12 estádios que estão sendo reformados ou construídos, cinco apresentam andamento da obra abaixo do esperado para o período: Arena da Baixa, em Curitiba; Arena Pernambuco, em Grande Recife; Estádio das Dunas, em Natal; Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre; e Arena Corinthians, na zona leste de São Paulo.