Desafios habitacionais devem ser resolvidos em parceria com o setor de construção, diz secretária do Ministério das Cidades na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A expansão dos projetos de habitação em São Paulo e no Brasil e os desafios do setor construtivo diante disso estiveram no centro dos debates da reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada na manhã desta quarta-feira (27/11), na sede da entidade, em São Paulo. O encontro foi conduzido pelo presidente do Consic, José Carlos de Oliveira Lima. E teve como convidados a secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês da Silva Magalhães, e o secretário estadual da Habitação de São Paulo, Silvio França Torres.

De acordo com Inês, o programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, está em seu quarto ano com mais de 3 milhões de unidades habitacionais contratadas, das quais 1,4 milhão já entregues. Essas ações somam investimentos totais de R$ 194 bilhões.

“Em 2013, geramos 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos, com R$ 12.2 bilhões movimentados no primeiro semestre pelas atividades do programa”, explicou a secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades.

Inês: mais de 3 milhões de unidades habitacionais contratadas no Minha Casa Minha Vida. Foto: Renan Felix/Fiesp

Inês: mais de 3 milhões de unidades habitacionais contratadas. Foto: Renan Felix/Fiesp

No saldo total, as unidades habitacionais entregues pela iniciativa ao longo deste ano responderão por um terço da produção habitacional no Brasil e por 48% das unidades voltadas para cidadãos de baixa renda.

Segundo Inês, além do aumento da oferta de moradia, há outras questões a resolver em parceria com o setor de construção, como a entrega de imóveis com menos impacto ambiental, ou seja, sustentáveis, e com custos de condomínio reduzidos. “Esse é também um desafio do setor, o mercado precisa fazer esse esforço, tem esse papel na área de habitação”, disse.

Em São Paulo

No estado de São Paulo, conforme informou na reunião do Consic o secretário estadual da Habitação, foram investidos R$ 2,2 bilhões em programas de moradia em 2013, por meio do Casa Paulista,  devendo essa cifra se repetir em 2014.

Em número de contratos, foram agilizadas 50 mil unidades ao longo do ano, podendo chegar a 60 mil. “Até o final de 2015, serão 120 mil contratos”, explicou Silvio França Torres. “Em torno de 80% dessas contratações já estão em obras”.

Torres: “Até o final de 2015, serão 120 mil contratos”. Foto: Renan Felix/Fiesp

Torres: “Até o final de 2015, serão 120 mil contratos”. Foto: Renan Felix/Fiesp

O fator sustentabilidade aliado a uma melhor qualidade dos imóveis entregues também é uma preocupação em São Paulo. “Antes eram apartamentos pequenos, sem muita qualidade de material”, afirmou Torres. “Agora usamos sistemas como o aquecimento solar, por exemplo, em alguns projetos”.

Outro foco do governo paulista na área é a ajudar numa melhor gestão de condomínios na moradia popular. “Em alguns casos, fazemos um aporte de dois anos para que os moradores se acostumem com o pagamento do condomínio”, disse.

De acordo com o secretário, outro objetivo é “ampliar as parcerias com o Governo Federal e com a Prefeitura de São Paulo” para aliviar o problema da falta de moradia no estado.

Oliveira Lima: “deficiência em pontos como infraestrutura e saneamento”. Foto: Renan Felix/Fiesp

Oliveira Lima: “deficiência em pontos como infraestrutura e saneamento”. Foto: Renan Felix/Fiesp

Déficit

Para o presidente do Consic, existe um déficit habitacional “muito grande” no país, além de uma “deficiência em pontos como infraestrutura e saneamento”. “O valor destinado ao crédito habitacional corresponde a 7,9% do PIB brasileiro”, explicou Oliveira Lima. “No Chile, esse percentual é de 11,5%. Na Grã-Bretanha, chega a 84%”.

Nesse ritmo, essa participação chegaria a 10% no país em 2015. “É muito vergonhoso, temos um problema sério nesse sentido”.