‘Quem manda no mundo é quem tem conhecimento’, diz presidente do Magazine Luiza

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Se você educa uma mulher, educa uma nação”. As palavras da embaixadora e diretora titular adjunta do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Maria Celina de Azevedo Rodrigues, deram o tom do debate que viria a seguir na noite desta quinta-feira (10/04), na sede da entidade, em São Paulo. Na ocasião, foi feito o realizado o seminário “Mulheres Líderes: Evolução e Perspectivas no Mercado Brasileiro”, por conta do lançamento da organização Women in Leadership in Latin America (Will) ou “mulheres em liderança na América Latina”, em tradução livre.

Assim, não faltaram personalidades destacadas nas mais variadas áreas para discutir as possibilidades e as barreiras à ascensão feminina no Brasil e no mundo. Além de Maria Celina, apresentaram as suas ideias a diretora-presidente da Will no país, Silvia Fazio, e a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano. O evento teve moderação da jornalista Monica Waldvogel e contou ainda com a participação de um time de dez debatedoras que reuniu pesos pesados do empreendedorismo nacional como Chieko Aoki, presidente da rede de hotéis Blue Tree Towers, e Marise Barroso, presidente da Masisa, multinacional de produção e comercialização de painéis de madeira.

O evento teve o apoio ainda do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp.

“O Will é uma organização não governamental que tem como objetivo promover a excelência profissional da mulher latino-americana”, explicou Silvia Fazio. “E discutir os desafios femininos para atingir posições de liderança”.

Silvia: ação para promover a excelência profissional da mulher latino-americana. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Silvia: ação para promover a excelência profissional da mulher latino-americana. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para Silvia, as mulheres precisam se afirmar e “mudar as suas posturas para uma posição de conquista”.

Ela também uma apoiadora de uma maior assertividade da mulher, Maria Celina lembrou que o Brasil perde “20% das suas diplomadas, que terminam não indo para o mercado”. “E essa saída se dá também por falta de apoio e de infraestrutura para exercer outras atividades além do trabalho”, afirmou ela, que representou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, no encontro.

Verdade, transparência e simplicidade

Palestrante da noite, a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, destacou que às mulheres foi permitido o desenvolvimento de habilidades muito importantes nas empresas no século 21. “Quem manda no mundo hoje é quem tem conhecimento”, disse. “E o jeito feminino de ser e agir tem tudo a ver com esse mundo novo”.

Maria Celina: falta de apoio às mulheres no mercado de trabalho. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Maria Celina: falta de apoio às mulheres no mercado de trabalho. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo Luiza,  nunca se falou tanto de “verdade, transparência e simplicidade”. “A gente nunca lidou com o poder da mesma forma que os homens e essas atribuições valorizadas hoje são típicas das mulheres”, explicou.

Defensora das cotas para aumentar a participação feminina em searas como os conselhos de administração das empresas, ela lembrou que, há dez anos, o percentual de executivas nesses órgãos não passa de 7% no Brasil. “Nesse ritmo, nossas bisnetas não vão chegar nem a 12% de participação”, disse.

Luiza destacou ainda o trabalho do grupo Mulheres do Brasil, que reúne 120 executivas e empreendedoras de todas as partes do país que se encontram mensalmente para discutir questões ligadas ao feminino. “Somos apartidárias e temos como meta a apresentação de uma agenda propositiva, não queremos só reclamar”, explicou. “Movimentos como esses ajudam o Brasil e por isso são muito bem-vindos”.

Luiza: “A gente nunca lidou com o poder da mesma forma que os homens”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Luiza: “A gente nunca lidou com o poder da mesma forma que os homens”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Show das poderosas – Confira os destaques da participação das dez debatedoras presentes ao seminário na Fiesp:

“Há 30 anos, uma mulher saindo sozinha de um hotel tinha que ouvir que estava tendo um caso com alguém”.

“Já ouvi que a mulher gosta de cuidar do corpo porque é lá que está o seu espírito”.

Chieko Aoki, presidente da rede de hotéis Blue Tree Towers

“É preciso aceitar desafios, ter flexibilidade e acreditar que é capaz”.

“A mulher tem que abandonar a culpa”.

Andrea Alvares, diretora geral da unidade de negócios de Snacks da Pepsico no Brasil

“Não mudei o meu jeito de ser por conviver com muitos homens”.

“Grande parte das barreiras e do preconceito vêm das próprias mulheres. Nós como mães temos a função de criar homens e mulheres melhores”.

Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica)

“As empresas grandes sabem que têm que investir nas mulheres”.

Rosely Ugolini, diretora da Inarco Troféus

“Pouco se fala do maior benefício da equidade, que é o equilíbrio. Vivemos num mundo regido por valores masculinos”.

“A empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, é típica do feminino”.

Marise Barroso, presidente da Masisa

“No conselho administrativo do BB Seguridade, temos duas conselheiras para um total de seis membros na equipe. Somos uma luz no fim do túnel”.

“A preocupação das mulheres com a transparência é muito maior”.

Ângela Beatriz de Assis, diretora executiva do BB Seguridade, do Banco do Brasil

“Eu sentava na mesa de operações para trabalhar e dava um pulinho a cada vez que ouvia um palavrão, mas seguia em frente”.

Luciane Ribeiro, CEO do Santander Brasil Asset Management

“O equilíbrio é muito importante. Ninguém quer tomar o lugar dos homens, a gente tem é que complementar”.

Vania Sommavile, diretora executiva da Vale

“É possível ter funcionários com horários flexíveis, as empresas são feitas de gente”.

“Com uma gestão participativa, é possível criar uma série de medidas para facilitar a vida das funcionárias com filhos”.

Gloria Braga, CEO do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad)

“Vai ser cada vez mais natural no mercado ocuparmos posições de liderança”.

Camila Araújo, sócia líder do Centro de Governança Corporativa da Deloitte e do Comitê Growth

Da esquerda para a direita: Monica, Silvia, Maria Celina e Luiza no lançamento do Will. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A partir da esquerda: Monica, Silvia, Maria Celina e Luiza no lançamento do Will. Foto: Everton Amaro/Fiesp



Artigo: Mulheres Líderes – Evolução e Perspectivas no Mercado Brasileiro

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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Por Silvia Fazio*

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No mundo inteiro, o preconceito ainda é apontado como principal barreira para o acesso de mulheres aos cargos de presidentes, vice-presidentes, conselheiras e demais cargos de liderança em grandes empresas de atuação internacional. Outra causa citada por grandes especialistas é a falta de estimulo recebida pela própria mulher para ambicionar posições de liderança – muitas vezes gerada por fatores socioculturais, que prescindem à capacidade e ao conhecimento. Diversas pesquisas internacionais demonstram que o termo “ambicioso” juntamente com o termo “bem sucedido” é geralmente visto como uma virtude nos homens, enquanto que, em muitas sociedades do mundo, incluindo sociedades altamente desenvolvidas, esses termos quando combinados e aplicados à mulher, possuem uma conotação social negativa.

Por outro lado, crescem pesquisas em todo o mundo que apontam as diferenças e qualidades femininas como um valor imensurável a ser agregado a posições de liderança, tanto no ambiente de negócios, como na esfera política. Vários estudos apontam certas características fundamentais para posições de liderança como habilidades naturalmente femininas. Entre elas a inteligência emocional, empatia, resiliência, comprometimento e capacidade de avaliar consequências.

Nesse contexto, estatísticas demonstram que o momento para lançar uma organização internacional, voltada exclusivamente para causas que envolvam a mulher, não poderia ser mais oportuno. A proporção de mulheres ocupando cargos de liderança aumentou consideravelmente entre 2012 e 2013, de 9% para 14% em todo o mundo. Interessantemente, a proporção cresceu ainda mais em países emergentes, como o Brasil, que teve um crescimento de 3% para 14%. A China foi o país com o maior salto, de 25% para 51% na participação em apenas um ano.

Para ampliar essa discussão, chega ao Brasil a W.I.L.L (Associação Internacional de Negócios para Mulheres Latino-Americanas). Mais do que um fórum de debates entre mulheres lideres, a W.I.L.L. surge com o ambicioso objetivo de criar uma organização para as causas que envolvam a mulher nos países da América Latina. Trata-se de uma iniciativa pioneira, visto que até o momento a região, apesar de ter crescido substancialmente do ponto de vista econômico e social nas últimas décadas, ainda apresenta poucas iniciativas por parte da sociedade civil, voltadas especificamente à mulher.

A missão da W.I.L.L. é voltar os olhos para a América Latina com o objetivo de estimular o desenvolvimento socioeconômico da mulher em todos os níveis sociais e funcionar como um vetor, favorecendo um ambiente de inclusão da mulher no mercado de trabalho e alertando sociedades Latino-Americanas a reconhecer o merecimento feminino, onde e quando ele é devido.

O lançamento da W.I.L.L no Brasil vem apoiar e promover o desenvolvimento das carreiras das mulheres, além de estimular empresas sediadas em países latino-americanos a implantar programas relacionados às mulheres e negócios, promovendo o intercâmbio de melhores práticas entre organizações nacionais e internacionais.

O evento, que acontecerá dia 10 de abril na sede da FIESP, além de emblemático e imensurável será uma demonstração de maturidade do setor industrial paulista e brasileiro e da sociedade civil brasileira como um todo.

Além de uma ocasião para celebrar, o lançamento promoverá também o debate “Mulheres Líderes: Evolução e Perspectivas no Mercado Brasileiro”, com grandes expoentes femininos do mercado nacional.  O objetivo do debate será ilustrar conquistas já realizadas e intensificar as discussões a respeito de grandes desafios a serem enfrentados pela mulher no mercado de trabalho brasileiro.

Venha celebrar com a gente! Inscreva-se – http://migre.me/ivBLK

* Silvia Fazio é especialista em direito internacional e a primeira advogada brasileira a ser admitida como sócia de um escritório de advocacia londrino.