III Fórum Internacional de Energia do Senai-SP discute eficiência energética

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Em meio a um cenário de escassez de água, com repercussão no setor elétrico, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) deu início na manhã desta segunda-feira (06/10), no Centro de Treinamento Jorge Mahfuz, em Pirituba (zona norte da capital), ao III Fórum Internacional de Energia.

Uma das principais pautas dos debates na programação do evento é eficiência energética. “Esse tema é de muita importância para o país no momento em que convivemos com um problema hídrico muito grave”, afirmou Ricardo Terra, diretor técnico do Senai-SP na cerimônia de abertura. “Mas se fizermos a lição de casa, no futuro teremos as soluções”, ponderou.

Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Ricardo Terra: “A equipe do Senai-SP se qualificou no tema da energia e hoje já prestamos serviços para um conjunto de empresas de São Paulo e até fora do estado, no sentido de ajudar essas empresas no seu ganho de produtividade”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O encontro conta a participação de representantes de empresas do setor energético e de tecnologia como a Siemens e a Philips. Os participantes do fórum também devem discutir caminhos para a geração de energia eólica.

A iniciativa da unidade do Senai de Pirituba reflete um esforço da instituição em São Paulo em estimular a cultura da inovação no país. Segundo Terra, há quatro anos a entidade paulista trabalha um planejamento para inovação com base em quatro pilares: prospecção da inovação, gestão de produtos tecnológicos, inovação na educação profissional e atendimento às empresas.

“A equipe do Senai-SP se qualificou no tema da energia e hoje já prestamos serviços para um conjunto de empresas de São Paulo e até fora do estado, no sentido de ajudar essas empresas no seu ganho de produtividade”, informou Terra.

O fórum termina nesta terça-feira (07/10). Em seguida, na quarta-feira (08/10), a unidade organiza a II Semana Tecnológica de Eletrônica.

“Toda a liderança da escola buscou preparar e planejar uma semana muito produtiva com grandes players da indústria. Temos empresas nacionais, multinacionais e transnacionais”, afirmou o diretor do centro de treinamento do Senai-SP em Pirituba, Sidnei Maziero Petrin.

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Centro de Treinamento em Pirituba recebe III Fórum de Energia e II Semana Tecnológica de Eletrônica. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Expansão da eficiência energética

Em sua palestra, o presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Serviço de Conservação de Energia (Abesco), Rodrigo Aguiar, apresentou argumentos para que o conceito de eficiência energética seja adotado de vez pelas empresas, sobretudo do setor de energia elétrica.

Segundo Aguiar, o custo marginal de expansão do sistema elétrico gravita em R$ 120 o megawatt-hora enquanto um projeto de eficiência de energia elétrica custa R$ 60 o megawatt-hora.

“Isso é metade do investimento necessário para produzir energia. Então, o que estamos esperando?”, questionou Aguiar.

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Rodrigo Aguiar: custo marginal de expansão do sistema elétrico gravita em R$ 120 o megawatt-hora enquanto um projeto de eficiência de energia elétrica custa R$ 60 o megawatt-hora. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“O que precisamos é difundir o conceito de eficiência energética. Há necessidade de expansão desse mercado e o país vai conseguir crescer sem consumir tanta energia”, assegurou o presidente da Abesco.

Na avaliação de Aguiar, o conceito de eficiência energética é uma visão de longo prazo que o Brasil ainda não desenvolveu.

“Infelizmente, há muitos anos o Brasil não se preocupa com eficiência energética”, afirmou.

O presidente da Abesco informou dados de um ranking elaborado pelo Conselho Americano por uma Economia com mais Eficiência Energética (ACEEE, em inglês). De acordo com a publicação divulgada em julho deste ano, o Brasil ocupa a 15ª colocação em eficiência energética em uma lista com 16 países.

A nação mais eficiente em energia é a Alemanha, segundo o levantamento, seguida pela Itália.

“O Brasil só ficou na frente do México. E fez 30 pontos de 100 pontos possíveis, sendo as piores notas nos quesitos esforços nacionais (4 pontos) e área industrial (2 pontos)”, disse Aguiar.