Convidados de Israel e Holanda apresentam experiências de conservação e reuso de água

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O último painel do Seminário Internacional sobre Reúso de Água, realizado na terça-feira (19/03) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), apresentou experiências de concessionárias em países como Israel e da Holanda.

Shmaia Yossi, da Companhia Nacional da Água de Israel. Foto: Julia Moraes/FIESP

Shmaia Yossi, da Companhia Nacional da Água de Israel, reforçou o caráter atípico de seu país, sem rios e de clima complexo, onde é utilizada água salobra na agricultura. Há áreas críticas de abastecimento, como Amã e Jordânia, em que o abastecimento é feito uma vez por semana apenas. A aposta é na dessalinização.

Em outras localidades não há registro de chuvas e, por força de lei, quase 100% do abastecimento em Israel será de reúso de efluentes até o ano de 2014. Estão sendo montadas cinco grandes plantas de dessalinização que garantirá abastecimento de 75% da rede doméstica, inclusive para água potável.

Yossi lembrou que a recuperação de água de efluentes em países como a Espanha chega a 50% e, em Israel, o objetivo é alcançar os 90% até 2030, conforme projeto piloto já em operação. Uma meta ambiciosa, reconheceu ele, que exigiu muito da área de pesquisa e desenvolvimento.

Na Holanda, especialmente na região de Amsterdã, onde parte do terreno está abaixo do nível do mar, o país também enfrenta desafios. A água potável vem do Rio Reno e da sua rede subterrânea, atendendo, inclusive, à estratégia de não utilização de cloro no processo.

Anne-Marieke, da Empresa Municipal de Águas Residuais de Amsterdã. Foto: Julia Moraes/FIESP

Segundo Anne Marieke Motelica, da Wagenaar, Waternet/Empresa Municipal de Águas Residuais de Amsterdã, é o fato de a água subterrânea estar cada vez mais salgada e, portanto, aposta-se na sua qualidade. A previsão é de reutilização, em sistema fechado, de todas as águas residuais até 2040.

A partir do esgoto tratado, gera-se biogás que move 60 carros da empresa. O lodo também é queimado gerando calor e abastecendo um bairro inteiro. Essas foram algumas soluções metropolitanas apresentadas, reduzindo também a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).